Complexo de Pequeno Príncipe Follow story

colonomos ethea

Onde BaekHyun andava de mãos dadas com ChanYeol, abraçava Irene e amava os dois.


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

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Aquele em que o tempo é um problema


Os Sonhadores


— ChanYeol, se vens às quatro e desde às três estarei te esperando, que horas devo pegar o ônibus?

    Silêncio. O cigarro queimava entre os dedos finos, sujando a mão delicada com fuligem. Com os pés para fora da poltrona e olhos fixos no pequeno livro em seu colo, BaekHyun não esperava respostas rápidas.

    No chão, sentado em lençóis amarrotados e rodeado de sacos de snacks vazios, o garoto alto estava vidrado na pequena televisão. Nas lentes de seus óculos redondos, a imagem refletida era corpos despedaçados e explosões homéricas. Letras grandes por vezes cobriam a cena.

    As mãos agitavam-se sobre os olhos do pequeno leitor, os dedos mais grossos que os seus apertavam com força e displicência sequências longas, porém rápidas, nos botões do controle. De calças de moletom folgadas e blusa larga, com as mangas cobrindo até os pulsos, ChanYeol parecia uma criança indisciplinada.

— Talvez seja mais rápido ir de uber… — sem mudar de posição, a voz rouca saiu baixa e terminou num sussurro. As cortinas fechadas permitiam pequenos raios de sol iluminarem centímetros à frente, o video-game barulhento e a ponta do cigarro sendo os pontos de luz do lugar. Um sorriso tímido nasceu nos lábios secos de BaekHyun.

— Tem razão. — uma lenta tragada, mais sujeira sobre o corpo esparramado. Os pés descalços estavam próximos dos cabelos escuros de ChanYeol; por isso não relutou ao cutucar aquelas orelhas rosadas. Seu dedão empurrava com delicadeza as hastes de metal. 

    O silêncio agradável os embalava. Um pause. O mais alto inclinava a cabeça contra os pés de Byun, o carinho retribuído com selares na planta do pé. Os dedos já não brincavam com o joystick, mas se embrenhavam debaixo da calçado outro, para arranhar a perna esguia. Daquele ponto mais alto, BaekHyun suspirava, contendo-se para não amassar as páginas amareladas que já não se importava mais em ler. 

— Ou, talvez... você jamais deva ir... — o toco de nicotina escorreu para o chão. A perna estendida encolheu-se lentamente, trazendo com seu movimento a figura pálida do gamer para cima, junto de si na poltrona pequena. Os garotos se abraçaram, encolhidos no pequeno espaço estofado. Alguns rasgos na almofada poderiam os machucar. Mas não ligavam. Não era hora pra isso. 


    BaekHyun sentia o subir e o descer do peito do namorado em suas costas, a forma com que era coberto pelo tórax dele e seus lábios no topo de seus cabelos. Da cintura para baixo eram nó, enroscados como podiam, pés para fora ou para cima. Também sentia os braços ridiculamente maiores que os seus lhe apertarem, com a força necessária à proteção. 


    O som da energia correndo pelos fios da TV e a estática foram silenciados pelo barulho de chuva. Onde as cortinas deixavam o Sol entrar, tímido, agora era pura dança, com o vento empurrando os tecidos, ainda que calmo. O cheiro de terra molhada já se misturava com a fumaça de drogas que os embalava. 


Mas você precisa ir. Agora. — a voz rouca denotava frustração. ChanYeol escondia-se ainda mais no corpo pequeno, que com tristeza começava a se remexer. 


— Merda. — BaekHyun, pouco se lixando para o exemplar, agora caído junto a cinzeiros, com raiva teria que dizer adeus ao quentinho da presença do maior. Entre resmungos e movido pelo desamparo do fim de um momento bom, levantou dali, bagunçando os cabelos castanhos compridos. Calçou os sapatos frios e trouxe para perto o maço jogado no chão. 


    ChanYeol, em silêncio, o assistia. Estava grogue, com sono, mas acompanhou a movimentação do outro para acender mais um de seus tubos de câncer (como às vezes os chamava para irritá-lo), vendo os ombros à sua frente relaxarem com um trago mais profundo. Não pensou duas vezes ao tomar o bastão dos dedos delicados, grosseiramente puxando aquelas substâncias para dentro de si. Ao engolir, devolveu-o para o dono. 


    BaekHyun sorria, contido. Beijou o maior e pegou um casaco largado, saindo do apartamento sem dizer nada. Não queria se molhar demais. 





⸐⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏⸏





— Está atrasado.


— Desculpa. 


    A garota transparecia seriedade. Ou, ao menos, tentava. O que não durou muito, pois logo sorria e tirava da mochila vermelha uma toalha. BaekHyun, mesmo surpreso, aceitou de bom grado quando ela a estendeu em sua direção. O garoto estava ensopado, com os lábios roxos e peito gelado. Não poderia estar mais agradecido com o tecido felpudo. 


— Obrigado. — tremia. A voz soou falha, o que preocupou a morena. Irene sabia que o horário marcado era mera burocracia, mas ansiou pela pressa do outro ao ver o céu escurecer. A imagem do Byun com calafrios partia seu coração apaixonado, assim como a sensação de impotência dominava seus pensamentos. O aquecimento da cafeteria, infelizmente, teria que ser suficiente. 


— Pedi mocha latte. Os pães virão da próxima fornada. — em sussurros e analisando o pequeno cardápio, as informações fluíam. BaekHyun sentia o carinho e desespero da outra diante de sua imagem; não poderia culpá-la por isso. Mas a garganta estava apertada com o vislumbre dos olhos delineados marejados. Deveria consertar aquilo, o mais rápido possível.


— Não vou ficar doente. — as mãos frias estenderam-se e tocaram suaves as femininas. Irene o encarou, as expressões relaxando. — Deveria ter saído mais cedo, ou pegado um guarda-chuva. Me desculpa, eu... 


— Tá tudo bem. Sei o quanto é difícil sair de lá — os risos finos carregavam lembranças que o Byun bem conhecia. Por isso, riu também. — O que me estressa é pensar que você, de alguma forma, esqueceu de cuidar da pessoa mais importante disso tudo: você. 


    As xícaras brancas foram postas à mesa. Uma pequena cesta com pães amanteigados agora decorava o centro. O aroma que os envolvia lembrava casa. Irene, gentil, sorriu em agradecimento ao garçom (este que olha com receio para o acompanhante da jovem). Novamente, a sós, estavam tranquilos. 


— Sabe, até que esse seu banho natural foi bom. Não suportaria o cheiro nojento dos cigarros baratos que fuma. Já devia ter aprendido a comprar melhores e não por qualquer porcaria na boca. — sorrindo, a garota levou um pedaço da comida a boca do namorado. BaekHyun ria, fechando os lábios sobre os dedos dela, lambendo suas pontas. 


    Passaram o restante da tarde ali. Conversavam sobre os empregos, reclamavam da faculdade. Queriam que ChanYeol estivesse ali, desfrutando daquela paz, mas sabiam que ele estaria ocupado em seus projetos. Mas quando Byun sugeriu que o ligassem, Irene fez questão de prendê-lo ao telefone por horas. Era noite quando a chamada foi encerrada. 


    Ainda chuviscava quando se despediram. Para cobrir a cabeça do garoto, Irene puxou a toalha sobre os ombros largos beijando com calma a boca já aquecida e avermelhada. BaekHyun sorria, quando a viu andar para longe de si. Mais uma vez, não disse nada ao ir embora. 






June 29, 2018, 8:57 p.m. 2 Report Embed 1
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Sabrina M Sabrina M
ih, tô toda coisada viu. mas amei muito <3
July 4, 2018, 6:50 p.m.

  • ethea ethea
    aaaaaa mas muito obrigado por ter lido <3 July 4, 2018, 9:05 p.m.
~

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