José-José Follow story

bruno-kajiwara1529813209 Bruno Kajiwara

C'est l'homme sur la vie - ecce homo.


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José-josé

José-José ergueu-se expansivo sobre a vida. Que fome. A sentir fome, quando o estúpido penteado, desgraçado, sumiu-se com uma rufladinha mais corajosa. Crível. Desceu às vidas - esteve acima -, polarizou-se como um canto baixo, um bom-bum, credo, credo. Cai. José-José é pouco, é quem e qualquer coisa, que, sobressalente, ardido, põe-se a erguer com tijolos mesmo, tijolos não, albergue pros carentes que se surgem em si. José-José só habitava o inabitável antes de flutuar existindo, a intra-existência deitadinha: o inabitável é pensado. Aí, o corpo moveu-se de mentira, o alimento, partiu a janela do vento, no antes partiu a janela, aquilo tudo jazia sobre a mesinha de vidro, em que a vida quebrada, nauseando os corações. Claro, é firme como um deus, e firme cada apóstrofe que exorna as pernocas, tão, tão certamente, nítido; e ainda pergunta e quase esbravejando e cego movimenta os pelos, querendo dar-se por gelado, ele - morno doido, flutuante, não há - não quer, vestido de ganso fabril, senhores, meus olhos só espiam por não se me ficarem presos. "Eu". Céus, José-José, as bochechas quase te rompem num desejoso momento de indumentária alimentícia: há gente, agitando a cuca, uns vetores impossíveis inéditos: tu vives, perene, útil, amável, e a gente não sabe que vives, pois não sabes que, mesmo, não vives. Ei-lo, quietinho inchando, a várzea gordurosa em seu peito, os guardanapos, finalmente; a morte fisga um olhar, mas inconscientemente, de medo uns muros amarelos e um algo menos, algo ainda que se pode gritar. O mundo na mesa, e a mesa um diabo. José-José encharcado de uma postulação infinita, "Olha, amigo, tenho aqui uns papeis, as latas não largam as penas no chão, podes surgir com uma ou três páginas de acordos, mas olha sisudo os quadros", sisudamente. Se adjetivos bastaram, bastaram, pois José-José paira sobranceiro de tão sisudo, olha; contorno de Odisseu, cochichando para o estômago, mas a conversação cessa, sequer sentou-se, lanche veloz, veloz, comeu a moral no desjejum.

À manhãzinha, agora, certamente caminha, transfigurando uma pegada ignorante no rumo de cimento. Doido, não. A fruta que o tocou, aquele pescoçudo movimento pro aquém-fruto, todas as folhas desgostosas. Execra-me os passos, se o vejo, nem o vejo, narro escondido na terra molenga, o vento liquida os passos, já disse: José-José explode no mundo, bombardeio contido, naturalmente, que o concreto dos ossos não se deve partir ou ventar, entornar é crime na calçada que há, e o depois da calçada - uma calçada vertical, que deus, que deus - brilhando uns sóis gelados nas vidraças turvadas. Prédio. No ultimíssimo andar repousará, bem último, de empreitada corporativa venosa, sem gente ainda a antecipar qualquer doidice, pois ventos nas árvores, pois caroços seguindo bastante as linhas de força - para baixo. O ser nas coisas e todo no ser coisas e ver com clareza a calmaria no meio da rua... E vai-se José-José, furiosamente pelas escadarias, furiosamente a subir por entre o matagal infinito de esferas encefálicas, duras, duras, e um coração servindo cafés com presença inconfundivelmente invisível; mas deixa, o concreto é imbatível, o concreto é mesmo um adoçante necessário, ou desaba o prédio, com a gente dentro, e a gente fora cai por cima do chão, antes do prédio bater mil vezes numa turba coloidal.

Às escadarias, ao fim, sem esse fim, o coração, senhores. Não vejo. José-José move-se completo e abala o assento, um giro enérgico sem fim, olhar, quase se caiu, mas o equilíbrio do mundo o capta. Papéis. A burocracia derramada em blocos, mas quase, ali já não há mais volumetria adequada. Explode. Um doido na copinha, ah, um estrondo mesmo do lugar, aquilo tudo para baixo, os noticiários não alcançam, mas falas gritam a ignorância que alcança as faixas do sublime. Cansei, cansei por momento disso. Como há, descubro-me pelas escadas e em cantorias; o doido, o café, deus não, o impróprio, queimo tudo em vontade, queimo incerto e explosivo. Aquele coração. Reservo as condutas de José-José à palma, rumo parabólico, queda fluida, aquele pontinho dos córregos cardíacos, seguro seus braços e grito "Que há contigo?!", mas as palavras: mas as palavras! Ocupação dos cargos inefáveis. Desce. José-José, a cabeça, agora um hiato, caem coisas, muros, leis infinitas, infinitas etiquetas, esfacelamento, pois no antes partiste a janela, pois no antes partiste já um buraco e nem sabes.

June 28, 2018, 2:44 p.m. 2 Report Embed 5
The End

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pi _1983 pi _1983
Sensacional. Não sei porque me lembrei de Chico - construção e também do Nelson Rodrigues. E enquanto eu lia imaginei Abujamra declamando. É isso.
July 12, 2018, 12:15 a.m.
Karimy Karimy
Essa história fez com que me lembrasse dos poetas surrealistas, da escrita automática, fundida com o modernismo. Uma bagunça tão organizada e profunda, com um ritmo delicioso.
June 30, 2018, 9:05 a.m.
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