Aliança Follow story

bbraettgo Bbraettgo Taekook

Era um dia especial. Do seu modo, mas especial. Nem de longe era um dos dias mais bonitos, uma vez que as nuvens acinzentadas davam um tom levemente sombrio para o céu, que no início da tarde permanecia escuro como o final da tarde. Provavelmente choveria em breve.


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Capítulo Único

Era um dia especial. Do seu modo, mas especial. Nem de longe era um dos dias mais bonitos, uma vez que as nuvens acinzentadas davam um tom levemente sombrio para o céu, que no início da tarde permanecia escuro como o final da tarde. Provavelmente choveria em breve.

Já fazia três anos.

Mas a sensação era de que tudo acontecera ontem. Cada beijo, cada abraço, cada toque. O cheiro dele impregnado na fronha estrelada, a preferida dele.

Jungkook olhou para a aliança recém-polida dentro da caixinha escolhida a dedo. Iria, finalmente, usá-la após três anos. Uma lágrima tímida e teimosa escorreu, acomodando-se timidamente no canto do sorriso igualmente tímido do mesmo.

Sentia-se nervoso.

Ansioso.

Borboletas reviravam-lhe o estômago. Fitou o anel de ouro novamente – “Finalmente… é hoje”. Havia se preparado muito para este momento. Entristeceu-se pelo dia não tão belo quanto sua coragem. No entanto, as negras nuvens e o vento que soprava do lado de fora do apartamento apertado não seriam capazes de tirar sua esperança de começar uma nova etapa em sua vida. Afinal, havia se preparado muito por esse momento.

Abriu o guarda roupa e escolheu a camisa favorita. Uma que Taehyung lhe dera no primeiro Natal juntos.


- Taetae, você está demorando muito para chegar – Jungkook falou rápido pelo celular – Vou ir sem você caso demore mais 10 minutos.

- Aigoo Kookie! Já estou perto – apertou os olhos ao mentir, enquanto tentava trancar silenciosamente a porta.

- Você ainda está em casa, né?! – Intimou, uma vez que conhecia as manias e os atrasos do namorado.

- Claro que não! – tentou se impor… e bom… tecnicamente não estava mais em casa, uma vez que aguardava o elevador chegar. No entanto a voz da mulher do elevador que anunciava a chegada do mesmo no 15º andar desmascarou sua mentirinha saudável, fazendo Jungkook suspirar do outro lado da linha.

- Tá! Espere-me na portaria então que eu vou passar ai de carro para te buscar, senão vamos chegar à casa do Jimin para comemorar o Ano Novo. – Insistiu.

- Hum… então vou voltar para o prédio – Taehyung fingiu, ignorando o fato do elevador ter lhe entregado, certamente iria sugerir a retirada do áudio do elevador na próxima reunião de condomínio. – Se você chegar e eu não estiver, me espere.

A ligação foi encerrada e Jungkook riu. Ele sabia que Taehyung não havia, sequer, entrado no elevador de seu prédio.

{...}

- Feliz Natal! – Taehyung lhe entregou um pacote todo enfeitado com um papel de presente azul com detalhes natalinos em vermelho e branco. Jungkook abriu com cuidado e ali avistou uma camisa rosa claro com colarinho azul marinho. A camisa contava com detalhes de igual cor. De imediato, não gostou, mas jamais contaria ao namorado.

- Oh! Amei. – mentiu – Feliz Natal, meu amor – e após um rápido selar, entregou uma caixinha que continha um relógio temático de Overwatch que Taehyung paquerara há muito tempo. Os olhos do namorado imediatamente se arregalaram tanto que poderia ser confundido com um ocidental qualquer. Logo seu sorriso quadrado cresceu em igual proporção, aquecendo o coração do mais novo.

- Você… não… Kookie… Este relógio é muito caro! Você não po… - foi interrompido por um beijo caloroso de Jungkook. –“Você merece o mundo” – disse sussurrando entre os selares que findavam o ósculo apaixonado, fazendo Taehyung sorrir fofo.

{...}

- CALA A SUA BOCA! – Taehyung gritou, já cansado daquela discussão estúpida por causa de um Feliz Natal desejado por Park Bogum. – QUANTAS VEZES VOU TER QUE DIZER QUE ELE É SÓ UM AMIGO?

- UM AMIGO? UM AMIGO QUE TE OLHA COMO EU TE OLHO QUANDO A GENTE TÁ TRANSANDO… E NÃO GRITA COMIGO! – Jungkook odiava a simpatia de seu namorado. Odiava mais ainda as investidas descaradas de outros caras, que em sua cabeça o namorado percebia e não barrava.

- E SÓ EU ESTOU GRITANDO? NOSSO PRIMEIRO NATAL JUNTOS E VOCÊ JÁ ESTÁ EM CRISE… - pausou a fala e puxou o ar com tanta força que podia sentir que seu pulão explodiria igual a uma bexiga – Não sei até onde vamos chegar com esse seu ciúmes descontrolado.

- AH… É?! ESTÁ QUERENDO JÁ FICAR SOLTINHO? – Jungkook não conseguia controlar sua explosão emocional. Enquanto ele sempre se sentia descontrolado em relação aos seus sentimentos, Taehyung parecia conseguir controlar qualquer mínimo desconforto depois de algum tempo.

- Pelo menos você gostou do meu presente? – Do mesmo jeito que Jungkook conhecia as manias de Taehyung, o mais velho também sabia ler o namorado como ninguém, e obviamente já tinha percebido que não havia agradado o mesmo com seu presente.

- Claro que gostei… mas que pergunta…

- Kookie, eu te conheço… - suspirou, tentando controlar a chateação.

- Mas quando foi que você me viu usar rosa? – deixou a indignação escapar-lhe pelos lábios, repreendendo-se em seguida ao ver o olhar entristecido do namorado pelo espelho do carro.

- Aigoo Kookie, eu sabia que não tinha gostado… mas eu não aguento mais ver você monocromático. Tudo o que você usa é preto ou branco, que saco!

- Você só me critica né… já percebeu? Ciúmes demais, cor de menos…

- Não fale mais comigo hoje! – estava passado com o namorado. Sempre que brigavam por situações inúteis e fúteis tinha vontade de jogar o relacionamento para o alto e arriscar seu coração em outros campos. Mas ele sabia que era incapaz de pegar seu coração de volta.

{...}

- Kookie? – sussurrou ainda virado de bunda para o namorado, certificando-se que ele estava acordado.

- Hum… - respondeu indiferente. Não queria deixar transparecer que estava chorando há pouco.

- Desculpe-me. – disse sincero, mas não obteve resposta, a não ser o movimento do corpo alheio se ajeitando na cama. – Eu sei que você é ciumento, talvez eu devesse me afastar dos meus amigos.

- Claro que não! Eu exagerei… eu te conheci assim e seria um pecado te transformar em um Jeon Mal Humorado Jungkook. – forçou um riso e sentiu o namorado se mexer, sugerindo que o mesmo havia se virado.

- Prometo que não vou virar o Jeon Mal Humorado Jungkook… até porque não concordo com a sua dificuldade de dizer bom dia para as pessoas – brincou e viu o mais novo se virar para si. Sentiu o corpo esquentar quando as orbes enegrecidas do mesmo lhe invadiam por dentro de seus olhos. – A gente pode ir trocar a camisa depois…

- Claro que não! Você tem razão, eu preciso aprender a usar outras cores – riu soprado – Você colore a minha vida, acho que é normal a cor do meu guarda roupa mudar, não acha?!

Essa pergunta nunca foi respondida. Taehyung apenas beijou Jungkook cheio de sentimentos. Ali, após o início do beijo, cometeram uns 300 pecados considerando que era feriado de Natal. Não havia nada de tímido e recatado na penetração que preenchia o interior do mais novo. Ali se desfizeram. E ali dormiram. Como o belo casal que formavam.


Ajeitou a camisa, alinhando-a em seu corpo menos malhado do que há três anos. Suspirou fundo, como se o ar fosse lhe encher de coragem e não de oxigênio, apenas. No entanto, sempre achou bom a overdose de O2 em seu cérebro… é ar… não deveria lhe fazer mal.

Enquanto ajeitava os botões da manga da camisa favorita, viu pelo espelho o reflexo de uma foto ao fundo, em cima da mesa de estudos. A foto digital que fora revelada estava presa cuidadosamente em um porta retrato de vidro fumê. Ali estava a imagem de um delicioso dia especial. O primeiro Valentine´s Day do casal.


Taehyung havia feito a reserva em um badalado restaurante francês. A culinária francesa não era, nem de longe, sua cozinha favorita, mas achava extremamente romântica, então parecia lhe fazer sentido.

Jungkook jogava um joguinho de lógica no celular estirado na cama do mais velho, enquanto esperava pelos atrasos do namorado para se arrumar. Quando Taehyung entenderia que ele é lindo mesmo do avesso. O mais novo não conseguia entender para que ele precisava ficar tão bonito e arrumado quando iam sair. Isso lhe enchia de ciúmes. Às vezes olhava de soslaio para o namorado, não queria ser pego em flagrante.

- Mil wons pelos seus pensamentos, Kookie. – falou enquanto ajeitava a gravata roxa escura na frente do espelho.

- Hum…? - fez-se de desentendido.

- Sei que está incomodado, já que essa sua olhadinha de lado não me engana. – disse simples.

- Se você viu é porque também estava me olhando…

- Claro que estava. Um homem desse na minha cama eu não ia olhar? Mas não desvie o foco da conversa… o que está te incomodando? – agora ajeitava a camisa por dentro da calça, para que ela não ficasse amassada.

- Nada não… - um curto silêncio se fez, Taehyung nada falou, pois sabia que o namorado logo voltaria a falar – Mas não entendo porque você precisa se produzir tanto – Bingo! Taehyung nunca errava.

- Lá vem você com isso de novo! Não é óbvio? Vou flertar com o garçom! – ironizou. Pôde ver pelo espelho, Jungkook judiar de sua bochecha com sua língua, aquela mania clássica que o menor adotava quando estava enciumado.

- Só acho que não é necessário. Você é meu namorado e eu te acho lindo até quando decide transar de meia porque está frio.

- Hoje é uma data especial e eu gosto de ficar bonito para você.

{...}

- Será que eles têm aquele champanhe rosé que você gosta? – Jungkook perguntou sem tirar os olhos da carta de vinhos.

- Deve ter né… mas ele é muito caro e não estamos podendo gastar. Um vinho já me satisfaz…

- Hum… gastar um pouco mais hoje, já que você se emperiquitou todo não vai atrapalhar a troca do carro… - disse levantando o olhar e fitando a testa do mais velho que ainda namorava o cardápio.

- Você tem gastado muito, lindo. E não precisa comprar um champanhe caro só para mostrar o quanto você se incomodou com minha beleza. – finalmente depositou o cardápio na mesa – Eu já escolhi.

- Saiba que isso me desagrada. – abandonou a carta de vinhos e pegou o cardápio. – O que você vai pedir?

- Não vou dizer!

- Aigoo Taetae.

- Não… se não você escolhe o mesmo que eu. Você precisa começar a tomar suas decisões sozinho, se um dia eu morrer o que você vai fazer?

- Vou me enterrar junto com você, ué?! – disse de maneira monótona. – O que custa me falar?

- Magret de canard. – disse contrariado.

Procurou pelo prato no cardápio – Filé de pato? Porque simplesmente não escrevem filé de pato? Francês é muito fresco.

- Eu me pergunto o dia que você vai dizer “Amado e querido e insubstituível Taehyung meu amor, você fez uma ótima escolha em fazer essa reserva” – disse impaciente. O namorado sempre enchia o seu saco dizendo que ele era muito fresco com datas e modos.

- A parte do amado, querido e insubstituível eu até posso dizer… - riu divertido, fazendo o namorado revirar os olhos.

- Pois eu sei que fiz uma ótima escolha!

{...}

Ambos estavam mais soltinhos devido ao teor alcoólico do Moët Chandon rosé que Jungkook pediu, a contragosto do namorado. Estavam na área aberta do restaurante que tinha um ar romântico que os transportava imediatamente para a França. Taehyung sempre dizia que a lua de mel deles precisava ser na França. Jungkook não concordava muito, pois acreditava que eles deviam ir para um lugar com mais aventuras como na Nova Zelândia.

- A França deve ser incrível. – Taehyung disse depois de dar mais um gole do champanhe.

- Jura? Você nunca me disse isso. – Provocou enquanto ria, levando um pequeno tapa no ombro – Aigoo Tae.

- Até parece que você não gosta de uns tapas, não?! – provocou.

Jungkook amava a safadeza de Taehyung, principalmente quando ele bebia. Se pudesse embebedaria o namorado todos os dias, só para tê-lo para si daquele jeito fogoso na cama, na cozinha, na sala, no banheiro, no carro, no corredor do prédio… nunca se cansaria do sexo de Taehyung.

- Você tá gostando, meu amor? – Resolveu perguntar e obteve como resposta um sorriso quadradinho e uma aproximação perigosa.

- Que tal se eu responder isso lá no carro, hum?! – sussurrou no ouvido do mais novo, causando-lhe desesperados arrepios nos pelos da nuca.

- Vamos pagar a conta então.

Taehyung bebeu todo o restante do líquido rosado – Antes, vamos registrar essa noite… acho que é a primeira vez que a gente age civilizadamente como um casal que não briga. – e puxou o namorado para perto de si, sacando o celular em seguida para uma foto.

A foto ficara perfeita. Além do rosto apaixonado de dois amantes, mostrava ao fundo as luminárias que se assemelhavam a luzes de natal enroladas em um arco que dava entrada para a parte interna do restaurante.

Não é preciso dizer que Jungkook recebeu sua resposta ainda dentro do carro, entre arfadas e gotas de suor.


Suspirou novamente. Estava tão ansioso com o momento que logo menos chegaria que todos os suspiros não seriam suficientes para encher-lhe de coragem. Por vezes pensava em ligar para Yoongi e dizer que havia desistido, pois não teria coragem. Mas a ideia de ter que assumir para ele em voz alta o desagradava. Falar em voz alta é assumir conscientemente alguma coisa, não?! Ora! Jungkook nunca fora cagão! Sempre corajoso e destemido. Não seria agora que ele se deixaria levar pelas inseguranças que sempre tentou disfarçar, seria? Claro que não. Com um último suspiro pegou a chave do carro e saiu do apartamento bagunçado.

O tempo parecia estar mais lentificado. O coração acelerado certamente contribuía para essa sensação subjetiva de que chegava o ano novo, mas não chegava a hora de usar aquela aliança. O elevador nunca demorara tanto. A ansiedade lhe consumia a alma. Os pensamentos eram tão rápidos que não conseguia se concentrar em nenhum.

Adentrou a área do estacionamento, já destravando o carro. O cheiro de carro novo ainda estava presente. Não sabia se gostava ou odiava o cheiro de couro novo, afinal o cheiro de Taehyung não estava mais ali. Aquele maldito e querido cheiro de couro novo lhe invadia as narinas, e apesar de estar feliz com a aquisição, preferia o cheiro de seu hyung.

Deu a partida e logo saiu do estacionamento. Apesar de ter ligado o som, não conseguia identificar nenhuma música, pois seus pensamentos estavam nos olhos castanhos. As nuvens já se juntavam mais ainda, deixando aquele dia demasiadamente feio. Percebeu um clarão no céu, que anunciava a chuva que logo viria.

Não desviou o foco de seu caminho, fazendo um passo a passo mental do que deveria fazer quando a hora chegasse. Não queria recuar. Não queria falhar. Precisava ser do mesmo jeito que havia planejado com Yoongi. Sentia a mão direita fria encostada no volante, indicando que a mesma estava suada. A esquerda mantinha-se repousada nos cabelos. Vez ou outra fitava a caixinha no porta copo de seu carro. Era realmente um belo carro.


- Lindo! Esse carro é o máximo! – Taehyung disse tão empolgado que parecia que era ele mesmo o dono do veículo.

- Lindão ele né?! – Jungkook estava igualmente empolgado.

O mais velho entrou na parte de trás do carro e logo olhou o namorado com um sorriso que era uma mistura de luxúria e maldade – Imagina o que dá para fazer com todo esse espaço aqui atrás. – disse quase gemendo.

- Ai Tae… você é um pervertido sexual mesmo.

- Que tal você vir aqui agora, hum?! – bateu de leve no banco.

- Tae… pare com isso! Não faz nem duas horas que estou com o carro e você já quer enchê-lo de suor?! – Ele sabia que não teria uma resposta verbal. Não tirou os olhos do namorado enquanto o observava-o tocar em seu pênis que já estava minimamente ereto. Não conseguia entender a facilidade que o namorado tinha para ficar excitado. Nada lhe tirava da cabeça que o mesmo era ninfomaníaco – Tae… pare… nós estamos no estacionamento do prédio.

- Até parece que todas essas paredes não sabem o quanto você gosta disso aqui – disse com uma voz tão grave e rouca, que chegava a ser pornográfica, enquanto abria o zíper da calça – Venha aqui logo, antes que eu saia nu ai.

Jungkook não viu outra saída a não ser entrar e entregar-se para o deleite do namorado. Mas, certamente, só entrou para evitar um Taehyung nu no estacionamento. Os gemidos e o gozo claramente não comprovavam o quanto gostava que o mais velho lhe possuísse. Definitivamente ele preferia acreditar nessa mentira a assumir o seu vício na pele acobreada.

{...}

- Tae, eu ainda não consigo acreditar como você consegue sujar o carro tanto em tão pouco tempo!

- Disse o rapaz que deve ter um furacão em casa. – ironizou.

- Ah… mas a casa é diferente do carro.

- Não é não. E nem sujei tanto assim.

- Como não?! Olha as marcas do seu pé no vidro! – Taehyung não conseguia deixar os pés no chão. Sempre se sentava esparramado e repousava os pés descalços em cima do painel do carro, por vezes encostando os dedos no vidro, não tão limpo.

- Eu sei que você gosta dos meus pés – falou sem importância enquanto abria um chiclete de hortelã.

- Eu amo seus pés, mas não as marquinhas dele no vid… - riu ao ver o namorado sem graça quando o papel do chiclete escapou de suas mãos e caiu no cantinho do banco. – É… você nem suja o carro – Falou e riu com a face assustada de Taehyung.

- Não sujo não!


As marquinhas dos dedos de Taehyung não estavam no vidro. O carro novo havia sido lavado a pouco, mas sim, Jungkook já sentia saudade da bagunça de Taehyung. Sorriu ao pensar no mais velho e voltou a fitar a caixinha enquanto aguardava o sinal abrir.

Finalmente chegara a seu destino. Antes de adentrá-lo, parou na floricultura mais próxima e comprou um pequeno vaso de escabiosa branca, mas que não perdia seu charme. Taehyung amava essa flor.


Estavam na floricultura há alguns minutos que pareciam horas na visão de Jungkook. Ele já estava impaciente. O namorado parecia sua mãe, como diria seu pai que sempre reclamava da demora de sua genitora para se arrumar ou para comprar uma simples revista na banca de jornal. Quem via o casal não acreditaria que Taehyung era o ativo da relação.

Eles eram assim. Um casal diferente de todos os estereótipos. Taehyung se importava com a beleza das coisas, com toda a fofura do mundo, com as cores e com os cheiros. Enquanto Jungkook não tinha paciência para comprar um sapato, comprando sempre as mesmas coisas para não perder tempo. No entanto, era ele que era penetrado nas noites (e nos dias, e nas tardes) que os dois estavam juntos.

Taehyung era isso. Uma mistura de coisas fofas e coisas safadas. Era incrível a forma que em um minuto ele parecia o ser mais inocente do universo e no segundo seguinte parecia o mais perverso de todos. Não se conformava com esse paradoxo de Kim Taehyung. E, ao mesmo tempo em que esse jeitinho o intrigava, também o fazia se apaixonar a cada instante.

Menos quando ficava horas subjetivas dentro de uma floricultura quando sabia que o mais velho provavelmente compraria a mesma flor. A escabiosa.

- Já te disse que essa flor é mórbida. – reclamou.

- Já disse que não sei qual vou levar… e não… ela não é mórbida.

- Você sabe que vai levar ela! E sim… é mórbida, é flor de cemitério. - não gostava de falar essa palavra. Era muito supersticioso e achava que falar em assuntos que giravam em torno da morte traziam mau agouro.

- Só porque ela é conhecida pelos humanos como flor da saudade ou flor de viúva, não significa que ela seja! É uma flor! Que está aqui neste mundo exalando toda sua beleza de cores e cheiros e deve ser respeitada como tal. – brigou! Taehyung odiava o fato dos seres humanos se sentirem superiores a todas as coisas e atribuírem sentidos negativos a coisas belas, como associar o azar aos gatos pretos – E vou levar ela, só porque você não gosta.

- Até parece que você já não ia levar.

- Vou mesmo!

- Não entendo sua fascinação por essa planta.

- Ela é uma plantinha que cresce fácil, tem bastante pólen e resiste a diferentes solos, mesmo que sejam pobres e secos. Ela é bela e resiste a quase tudo. Ela é forte. Gosto dela.

- Tá! Desisto. Leva ela então…

- Ai… desde quando preciso da sua aprovação para levar uma flor? – Jungkook só revirou os olhos, ainda indignado por tanto tempo numa floricultura.


Pagou à senhora que lhe vendeu o vasinho e caminhou até seu destino. Passou o portão logo sentiu pequenos respingos de chuva tocar-lhe o topo da cabeça. Fitou o céu e pensou se esse seria um bom motivo para desistir de tudo e ir embora. Mas antes de se virar e voltar para casa tocou a caixinha no bolso. Ele precisava terminar logo com isso. Não ia desistir agora, certo?!

Não.

Não iria.

Voltou a caminhar, ignorando a chuva fina que começava a cair. O local descampado era muito bonito. Realmente bonito. Esse era um encontro ansioso e extremamente planejado pelo mais novo.

Então ele viu.

Pôde ver Taehyung. Quase como uma miragem. Ele estava belo, como sempre. Sorrindo, como sempre. Uma lágrima se formou. Jungkook caminhou e até chegar ao lado de seu destino. Olhou para o chão e então se ajoelhou. Os olhos se fecharam e retirou a caixinha do bolso, apertando-a com força.

- Tae. Meu amor. Meu querido. Meu amor insubstituível. Quanto tempo demorei pra chegar até aqui. Todo mérito é do Yoongi. Eu não estaria aqui sem o apoio dele. – precisou tomar folego – Eu sinto que devia ter feito isso antes, eu demorei demais para te pedir em casamento, não? – riu nervoso e abriu a caixinha das alianças. Retirou a sua e a depositou em seu dedo anelar esquerdo. A aliança de Taehyung foi retirada com cuidado da caixinha e apertada na mão do mais novo.

Sem dizer nenhuma palavra, cavou um pequeno buraco em cima do túmulo de Taehyung e a enterrou ali.

- Espero que você aceite, onde quer que você esteja! – As lágrimas não seguravam-se mais em seus olhos – É tão difícil sem você aqui. Está sendo tão difícil. Às vezes sinto ódio de você ter me deixado aqui. Mas ao mesmo tempo não consigo te odiar e então eu me odeio por não ter feito isso antes. Queria poder te levar para Paris. Queria poder reclamar que eu queria ir pra Nova Zelândia. Queria te ouvir brigar comigo de novo por causa dessa flor. – depositou a flor acima do buraquinho recém tampado – É difícil não vê-la como a flor da saudade agora Taetae. Queria tanto poder ouvir sua voz. Queria tanto saber se a sua reação seria do jeito que eu sempre pensei. Eu ainda sinto seu cheiro no meu travesseiro, sabia?! Eu ainda sinto seu corpo no meu. Porque você tinha que me deixar? Foram os piores três anos da minha vida, mas eu juro, por você que eu vou seguir em frente, pois eu sei que você jamais gostaria de me ver assim. Mas é tão difícil. Saco! Eu não pude nem me despedir. – chorava copiosamente.

Sentia uma dor inexplicável atingir-lhe o peito. Nada nunca doeria como aquilo. Não ver mais o sorriso quadradinho. Não ver mais a carinha pecaminosa sempre que o mais velho se enchia de segundas e terceiras intenções. Não ouvir mais a reclamação acerca de seu guarda roupa.

Tudo agora eram lembranças.

Lembranças que viveriam apenas em seu coração.

Levantou-se vacilante, achando que cairia. A chuva se intensificou e não aguentou. Gritou. Gritou à plenos pulmões “KIM TAEHYUNG VOCÊ NÃO TINHA O DIREITO DE FAZER ISSO COMIGO, OUVIU?! NÃO IMPORTA ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA, SAIBA QUE EU NÃO TE PERDOO POR ME ABANDONAR. Eu. Eu. Eu te amo!” e se abraçou, deixando-se cair novamente.

Kim Taehyung agora era apenas uma fumaça de lembranças.

“Porque você fez isso comigo?”

“Eu te amo tanto”

“Dói tanto”

“Eu queria ter ido com você”

“Eu te odeio tanto”

“Perdoe-me por não ter te levado para a França”

“Eu preferia que você estivesse com o Bogum agora”

“Eu nunca vou te apagar de mim”

“Meu amado”

“Meu querido”

“Meu insubstituível”

Aos poucos se acalmou e digitou o número do psicólogo, ainda aos prantos.

- Yoongi – chorava muito.

- Jungkook, onde você está?

- Eu vim. Dói tanto, por quê?

- Dói mesmo, sinta essa dor, ela não vai diminuir tão rápido. Mas aos poucos ela vai melhorando.

- É mentira.

- Lembre-se que nós já sabíamos que seria difícil, não?!

- Sim.

- E o que você disse, você se lembra?

- Que eu devia fazer isso por mim, para deixar o Taetae ir embora… mas eu não quero que ele vá embora…

- Ele não vai Jungkook. Infelizmente ele não está mais entre nós. Alimentar a fantasia de que ele vai voltar só te faz sofrer.

- Mas eu quero que ele volte.

- Eu sei que quer. Mas não vai acontecer.

- Eu sou tão fraco.

- Claro que não é! Precisa de toda a força do mundo para estar aí, onde você está agora. É normal você se sentir. O Taehyung foi uma pessoa importante, mas você precisa deixa-lo ir.

- Eu vou ficar bem?

- Não tem como nós sabermos disso, mas você consegue se lembrar de como você estava antes? Olha como você está agora. Conseguiu voltar a dirigir, conseguiu sair novamente e até se permitiu se aproximar de outra pessoa. Você tem conseguido aos poucos. O caminho é longo e é doloroso, eu sei, mas é possível.

- Posso te ver amanhã? Não consigo esperar até segunda.

- Tenho um horário às 8h00, você pode?

- Posso. – estava aos poucos cessando o choro e se acalmando.

- Ótimo. Lembre-se de todos os exercícios, não se esqueça de fazer a respiração. Agora vá para casa e se permita sofrer também, isso te torna humano e não fraco.

- Obrigado Yoongi. Até amanhã.

- Até. Qualquer coisa estou por aqui. Não hesite em entrar em contato.

Encerrou a ligação. E caminhou para fora do cemitério. Uma nova vida começava. O dia 16 de junho de 2017 fechava um ciclo. Um ciclo difícil e triste da história de Jeon Jungkook.


16 de junho de 2014


Jungkook fitava a caixinha que acaba de adquirir em conjunto com o par de alianças. Finalmente pediria Taehyung em casamento. Demorou tanto para decidir isso. Nem parecia que eles já namoravam há quatro anos. O tempo passa rápido.

Buscou Taehyung em seu apartamento. Havia feito reserva no mesmo restaurante do primeiro Valentine´s Day, afinal aquele lugar exalava romantismo e sabia do desejo do namorado de conhecer a França, Paris para ser mais específico. Não falou nada para onde levaria Taehyung, mas pediu que ele se emperiquitasse como de costume, o que fez o mais velho desconfiar de algo especial.

- Veja só… você nem se atrasou hoje. – disse antes de receber um selar e uma careta de Taehyung.

- Comecei a me arrumar a umas 10 horas já. Aonde vamos? – se ajeitou confortavelmente no banco, não se esquecendo de acomodar os pés no painel do carro, arrancando um olhar taxativo de Jungkook.

- Surpresa.

- Não suporto surpresas. Sou curioso, que saco.

- Quanto mau humor… não era você que não queria ser o Jeon Mau Humorado Jungkook?

- É a convivência, não?! Veja só, você até está usando a camisa que eu te dei e você gostou tanto, que deve ser a segunda vez que você usa. – provocou.

- Ai ai… já estou mudando de ideia, hein?! – brincou, mas logo fechou a cara ao ouvir o típico som da mensagem do KakaoTalk – Aposto que o o Park Intrometido Bogum.

- Não começa.

- Tô falando nada.

- Ah não… sou eu que estou.

- Mas de novo… só você não vê o quanto esse cara dá em cima de você. É muito descarado.

Taehyung revirou os olhos. – Você é muito ciu… - a frase não foi terminada. O carro desgovernado ultrapassou o sinal vermelho e acertou o carro já não novo de Jungkook na parte do banco do passageiro, onde Taehyung estava.

Jungkook acordou dois dias depois, ainda na UTI, completamente desnorteado e amnésico.

Após uma semana começou a retomar a memória e foi transferido para a enfermaria. Lembrou-se de um impacto na hora do acidente. Foi então que veio a saber, que o motorista do carro que causou o acidente estava embriagado e faleceu.

- E Taehyung, quando poderei vê-lo? Ele deve estar preocupado comigo.

O silêncio na sala por parte do médico que estava acompanhado do psicólogo hospitalar invadiu a sala.

- Jungkook – Namjoon era um ótimo médico, extremamente experiente, mas jamais se acostumaria com a parte incomoda das más notícias – Ele faleceu na mesma hora.

Jungkook começou a rir descontroladamente.

- Ai… que piada sem graça doutor. – coçou a cabeça. E o silêncio permaneceu.

- Este é Kim Seokjin, ele é o nosso psicólogo do setor, ele vai conversar com você um pouco.

- Olá Jungkook.

- Pra que psicólogo? Eu preciso que você chame Taehyung agora. AGORA!

Nada foi dito. E o silêncio deu lugar ao desespero.

{...}

Três meses sem Taehyung. Jungkook ignorou as ordens do Dr. Hoseok, seu psiquiatra, de entrar em contato caso os pensamentos suicidas retornassem. Tomou as duas cartelas do clonazepam. A medicação que outrora o faria dormir por algumas horas, agora faria-o dormir para sempre, assim como queria.

Acordou uma semana depois, novamente na UTI e após sua condição clínica melhorar, passou para a internação psiquiátrica, onde conheceu o seu atual psicólogo, Yoongi.

{...}

- Sinto que vou explodir.

- E essa sensação é real, Jungkook.

- Yoongi eu quero esquecer tudo.

- Mas não vai e quanto mais tentar esquecer, mais vai lembrar.

- É tão horrível.

- Dói mesmo e vai doer ainda.

{...}

- Yoongi, consegui fazer a aula de direção, estou tão feliz.

- Que notícia maravilhosa, e como foi?

- Jimin foi comigo, achei que eu não conseguiria. Fiquei muito ansioso, achei que iria me envolver em outro acidente, mas ai lembrei que isso são apenas lembranças ruins e fiz a respiração e me acalmei.

- Está vendo como você é capaz.

{...}

- E como foi a sua semana? Você está com uma cara boa.

- Queria tanto vir aqui, até quis te mandar uma mensagem, mas queria contar pessoalmente.

- Então, comece a falar.

- Este fim de semana eu fui à um barzinho com o Jimin. Achei que seria chato, mas eu consegui me divertir.

- O Jimin tem se mostrado um amigo que te apoia muito.

- Ele consegue me ouvir sem me julgar. E não briga comigo quando eu fico repetindo coisas sobre Taehyung.

- Que bom que se divertiu, mas eu gostaria de saber mais detalhes.

{...}

- Estou confuso demais hoje.

- Percebo que está inquieto hoje, o que houve?

- Eu beijei o Jimin.

- E isso é bom ou ruim?

- Isso me deixa confuso. Não sei explicar.

- Tente.

- O beijo foi bom, mas ao mesmo tempo senti que eu estava traindo Taehyung com o melhor amigo dele, então eu simplesmente sai correndo.

- É normal se sentir assim, você ainda está emocionalmente ligado à Taehyung.

- É normal eu me sentir culpado? Um monstro?

- Um monstro? O que é um monstro?

- Eu acho que um monstro é alguém… ou alguma coisa… que tenta magoar os outros de propósito, assustar sabe.

- Sei. E você teve intenção de magoar ou assustar Taehyung?

- Não. Eu jamais faria isso se ele estivesse aqui. E quando ele estava eu nunca olhei Jimin desse jeito.

- Então, você quer dizer que é uma monstruosidade você tentar seguir em frente?

- Não é, né?!

- Não sei, é?

- Não… não é. Taehyung não me perdoaria se eu ficasse sozinho para sempre e acho que ele aprovaria o Jimin, sabe, eles eram muito próximos…

- Sei. Então você é realmente um monstro?

- Não! Não sou. Sou só uma pessoa que está tentando seguir em frente.

{...}

- Semana que vem vai fazer três anos que Taehyung se foi e tem duas coisas me incomodando.

- E o que seria?

- Eu nunca o pedi em casamento e nunca fui visitar seu túmulo.

- E você tem pensado alguma coisa sobre isso?

- Sim. Quando eu saí do hospital me devolveram a caixinha das alianças que estavam no bolso da minha calça. Eu queria ir visita-lo e enterrar as alianças.

- Mas como você imagina que vai ser fazer isso?

- Difícil. Definitivamente, vai ser difícil. Mas ao mesmo tempo penso que isso empaca minha vida. Como se fosse uma história sem final.

- Você sente que está preparado para enfrentar seus fantasmas?

- Só serão fantasmas se eu não encara-los, não é mesmo?!

- O que acha disso?

- Uma vez eu vi um filme de terror onde uma fantasma assombrava a família porque ela havia morrido sem completar a ação dela em vida, então ela ficava presa na Terra, assombrando as pessoas, em um pedido de ajuda de completar seu desejo, e quando isso acontecia ela podia finalmente descansar. Acho que preciso completar isso, para poder seguir em frente.

- É uma ótima análise. Eu confio em você e no seu processo de melhora.

- Acho que estou pronto.

{...}

Era um dia especial. Do seu modo, mas especial. Nem de longe era um dos dias mais bonitos, uma vez que as nuvens acinzentadas davam um tom levemente sombrio para o céu, que no início da tarde permanecia escuro como o final da tarde. Provavelmente choveria em breve.

Já fazia três anos.

Mas a sensação era de que tudo acontecera ontem. Cada beijo, cada abraço, cada toque. O cheiro dele impregnado na fronha estrelada, a preferida dele.

Jungkook olhou para a aliança recém-polida dentro da caixinha escolhida a dedo. Iria, finalmente, usá-la após três anos. Uma lágrima tímida e teimosa escorreu, acomodando-se timidamente no canto do sorriso igualmente tímido do mesmo.

Sentia-se nervoso.

Ansioso.

Borboletas reviravam-lhe o estômago. Fitou o anel de ouro novamente – “Finalmente… é hoje”. Havia se preparado muito para este momento. Entristeceu-se pelo dia não tão belo quanto sua coragem. No entanto, as negras nuvens e o vento que soprava do lado de fora do apartamento apertado não seriam capazes de tirar sua esperança de começar uma nova etapa em sua vida. Afinal, havia se preparado muito por esse momento.

June 27, 2018, 3:08 a.m. 1 Report Embed 6
The End

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Bbraettgo Taekook Taekook namora muito.

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Ju🦀 Ju🦀
Eu tô chorando muito, tá bom??
Sept. 29, 2019, 10:10 a.m.
~