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junowolf Juno Wolf

Jeon Jungkook não sabia, mas durante todos aqueles anos ele vinha registrando o amor e não havia notado... Até aquele momento. [Jikook fanfiction] [Escrita em 2018]


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

#gay #yaoi #lgbt #bts #jungkook #jimin #lemon #kpop #fotografia #ua #jikook #bandas #fandom #bottom #top #videos
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A Música dos Corações Partidos

Oi gente! então, eu tô nervosa em trazer isso para vocês HAUDBSBDHD É a primeira fanfic que eu escrevo em outro fandom que não Naruto, e estranhamento eu acho que essa é a melhor até hoje. Ela ficou enorme, sos.
Mas, eu espero que gostem. Espero de coração. Ela virou minha xodó, e eu peço desculpas caso exista algum errinho. era muita coisa para revisar, e mesmo contando com ajuda, eu ainda acho que vai ter alguma coisinha esquecida no churrasco.

Eu queria fazer alguns agradecimentos, antes de tudo. Queria agradecer a Kele Aomine por ter me ajudado à desenvolver um pouquinho do cannon, já que sou nova no fandom e não conheço tudo ainda. Obrigada, mana. Te amo eu sou tão sua fã que acho que vou explodir.

Queria agradecer também a mamãe Lory (vulgo cupcake_ruivo) por ter chorado comigo com a fanfic. eu te amo.

Por fim, quero agradecer à outra mamãe. Isis, muito obrigada pelo vídeo que inspirou essa história e por ter me apoiado 100% na construção dela. Muito, muito obrigada também por todo o resto (você sabe do que eu estou falando). Eu te amo e sou muito grata por tudo. essa fanfic é 100% sua, também.

Aproveitem, nenês.
E deixem um votinho 🌷✨✨

***

"Eu estou vivendo através de fotografias agora, tentando lembrar todos os bons momentos. Nossa vida foi se separando tão alto, memórias estão tocando em minha mente aborrecida... Odeio essa parte, corações de papel, e eu segurarei um pedaço do seu. Não pense que eu apenas esqueceria isso, e espero que você não se esqueça disso (também)."

Paper Hearts


- Eu não faço a mínima ideia de como trabalhar esse tema, Jimin.

E eu estou sendo extremamente sincero em minhas palavras enquanto Jimin pega uma das batatas fritas, sem jamais desviar os olhos de mim. Eu não consigo conter o impulso quando tiro a câmera do bolso e começo a filmá-lo.

- Você acabou de receber o tema, não precisa decidir o que fazer com ele agora. - Ele ri. - Sério que você vai me filmar enquanto resolve o futuro da sua vida profissional?

- Coma as batatas, Jiminnie. - Ele ri e nega com a cabeça, mas volta a comer as batatas. - É que eu nunca me apaixonei por ninguém, não sei exatamente como captar um sentimento que eu nunca tive. - Suspiro, e também começo a comer minhas batatas. - Eu vou filmar quem, a minha mãe? - Dou uma risada. - Talvez eu devesse procurar alguém para me apaixonar.

Eu fico aguardando ele me chamar de coração de gelo ou de interesseiro, mas ele não faz isso. Jimin está parado com a batata no meio do caminho até a boca. Ele está fitando as próprias pernas e silencioso demais.

- Jiminnie?

Ele parece acordar de seus sonhos e sorri, mesmo que aquele sorriso não fosse dele e representasse menos de 1% de sua personalidade sempre agitada. Conheço-o bem, conheço-o bem o suficiente para saber que ele está incomodado com algo, e é nesse momento que eu paro de gravá-lo.

- Aconteceu alguma coisa? - Ele está desembrulhando o lanche quando volta os olhos bonitos para mim, e não precisa dizer nada por que eu sei que aconteceu, afinal Jimin sempre foi muito transparente e simplesmente não sabe esconder quando não está tudo bem.

Mas, como acontece de tempos em tempos, hoje ele parece não querer de fato falar sobre o assunto. Ele dá de ombros e fala como se eu não soubesse quando ele mente.

- Nada demais, estou pensando no meu tema, também. - "Mentiroso" é a única palavra que penso em dizer, mas, em vez disso, eu o respeito e deixo que ele coma o lanche.

Finalmente havíamos feito o sorteio dos temas da avaliação de conclusão do curso de fotografia e audiovisual. Havíamos recebido diversos trabalhos ao longo daquele semestre, entretanto a última atividade seria a produção de um vídeo ou álbum sobre um tema específico.

Como nós tentamos ao máximo passar sentimentos através do nosso trabalho, a professora havia resolvido que distribuiria sentimentos para que pudéssemos representá-los através das lentes.

Jimin havia tirado empatia, e eu sabia que ele se daria muito bem naquele tema. Entretanto, eu havia tirado amor, e embora ele existisse em milhares de obras ao redor do mundo (música, fotografia, telas, esculturas...), eu não faço a mínima ideia do que fazer com um tema como esse.

Meu melhor amigo sempre me chamou de "coração de gelo", e não havia sido por mera implicância, já que existia um motivo muito bom.

Meu nome é Jeon Jung-kook e eu nunca tive um relacionamento que durasse mais que dois meses. Eu sempre me meti em vários, afinal sempre gostei da atenção recebida durante um relacionamento, entretanto nunca consegui de fato ser apaixonado por nenhuma delas, ou deles. Eu conseguia mantê-los até o momento que a falta de um "eu te amo" se tornasse incômodo para meus parceiros e eles acabassem desistindo do relacionamento - isso quando eu mesmo não aguentava mais não sentir nada além de tesão e amizade por aquelas pessoas.

Na maior parte do tempo, eu preferia conversar com Jimin. Pelo menos ele compreendia que eu não sou uma pessoa lá muito afetuosa.

Ainda estamos comendo nossos lanches em uma das mesas na parte externa do fast food, quando uma música muito conhecida por mim começa a tocar. Meu melhor amigo a ouvia desde o ensino médio, afinal.

Eu sequer preciso avisá-lo, por que quando penso em fazer isso, ele já está cantarolando. Eu posso ver seus lábios se moverem enquanto ele balança levemente a cabeça e eu mordo meu hambúrguer antes de ligar a câmera novamente para filmá-lo.

I got you, I promise... Let me be honest. Love is a road that goes both ways, when your tears roll down your pillow like a river I'll be there for you...

Ele finalmente vê que está sendo gravado e revira os olhos, totalmente acostumado às minhas lentes, depois acena para a câmera. Eu rio e termino o lanche enquanto ele continua cantarolando, e depois eu limpo minhas mãos e lábios.

- Você ama essa música desde o ensino médio. - Bebo um pouco do refrigerante. - Por que gosta tanto dela?

Ele sorri.

É importante ressaltar que Park Jimin e eu nos conhecemos há quinze anos. Passamos por todas as fases importantes juntos, desde as aventuras imaginárias aos sete anos, até quando ele assumiu a homossexualidade, aos quinze. Mais tarde, eu entendi minha própria bissexualidade após ficar com Chae Hyungwon em uma festa quando já estávamos no último ano do ensino médio.

Jimin nos pegou aquele dia, e eu fui obrigado a assumir para ele naquele mesmo momento, afinal ele era meu melhor amigo; ele teve uma reação estranha, sorriu, ficou agitado o resto da noite e eu acho que acabamos ficando ainda mais próximos quando entendemos que tínhamos mais uma coisa em comum.

Depois, passou o dia todo ouvindo essa música.

- É a música dos corações partidos. - Ele diz, sorrindo, e se inclina em minha direção, ficando com o rosto bem próximo à câmera, mesmo que os olhos continuem fixos em mim. - A música conta a história de dois caras, onde um deles está apaixonado e completamente disposto a tentar algo com o outro, mas, para isso, ele precisa de reciprocidade. - Depois ele dá de ombros e termina de tomar o chá gelado em seu copo de plástico. - É como uma declaração.

- Uau, que dramático. - Eu dou uma risada. - Combina muito com você, Jiminnie.

Nesse momento, seus olhos desviam de mim e Jimin sorri sem mostrar os dentes.

- É. - Ele diz, a voz mais baixa que o normal, e, mais uma vez, eu entendo que ele não está muito bem. - Muito dramático, de fato.

//

Eu sempre tive uma paixão estranha por fotografia, vídeo e edição, então foi natural que, aos dez anos de idade, meus pais tenham me dado uma câmera de presente de aniversário.

Eu a tiro de dentro da caixa, chorando de emoção, coloco as pilhas, a ligo, e a primeira coisa que faço é tirar uma foto de Jimin. Ele estava rindo enquanto enchia a boca de onigiri japonês, com um grão de arroz grudado na bochecha gordinha e o cabelo molhado da água da piscina. Depois, eu gravei um vídeo dele tentando ganhar de mim no jogo do Yu-gi-oh.

Esse hábito nunca mais parou, e desde então guardo comigo o hábito de filmá-lo por aí, embora eu tenha parado de ver os vídeos depois de algum tempo. Hoje eu tenho um imenso arsenal de cartões de memória onde Park Jimin ri, dorme, dança, sorri, chora e me xinga. É quase como um hobbie.

Quando éramos crianças, ele gostava e até fazia graça; na adolescência ele passou a tentar se esconder, mas, com o tempo, parou de tentar evitar as gravações, afinal sabia que eu não tinha nenhuma intenção de chantageá-lo com aquilo, e olha que eu tenho muito arquivo comprometedor... como quando ele estava gripado e espirrou durante uma gravação.

A bolha de meleca foi o único vídeo dele que eu assisti em muito tempo.

Eu era muito bom em registrar Jimin.

Também era igualmente bom em fotografar prédios, paisagens, meu gato..., no entanto, enquanto a professora nos dá orientações para o trabalho, eu olho para o teto, sem ter a mínima ideia do que fazer.

Seria muito mais fácil se eu pudesse registrar a amizade, mas, para meu total desespero e insônia, a professora havia sido bastante específica ao citar "amor romântico" como tema.

- Anime-se Jungkookie, - Hoseok ri, após me acertar com uma bolinha de papel. - Pelo menos vai ter motivo para derreter essa pedra de gelo que você chama de coração.

- Vá para o inferno, Jung. - Eu estou realmente de mau-humor após uma noite mal dormida e o estresse acumulado.

Jimin, que se senta logo atrás de mim, ri.

- Você também? - Sussurro, olhando de relance para trás.

- Foi engraçado... - Ele sussurra de volta e eu resmungo.

- Vou registrar meu amor totalmente romântico por pizza.

O dono dos cabelos rosados resmunga e eu o olho. Ele está fazendo uma cara engraçada e eu quero muito filmá-lo naquele momento.

- Que foi?

- Te imaginei transando com uma pizza. - A expressão engraçada continua lá. Eu quase começo a rir.

- Você costuma me imaginar transando com muitas coisas? - Ele revira os olhos e está corado, então segura meu rosto e vira para frente, em direção à professora. Eu apenas dou de ombros. - Eu devia encontrar uma pessoa de verdade para transar já que o meu tema é amor.

Eu não me viro para ver o rosto de Jimin, mas ele não diz mais nada, então eu também não continuo a conversa.

Hwa-Young, a professora (que não combina em nada com seu nome que significa linda flor, uma vez que ela já passa dos quarenta e cinco anos e parece sentir total desprezo por escovas de cabelos) continua explicando a importância de uma visão incorporada ao sentimento para a elaboração do projeto.

Eu quase bato com a minha cabeça na carteira.

Sou totalmente inútil para incorporar minha visão ao sentimento, uma vez que eu não faço a mínima ideia do que é um sentimento de amor romântico. Obviamente eu já havia lido sobre, assistido à dramas, visto inúmeros casais e frequentado inúmeros casamentos durante toda a minha vida, mas, veja bem, eu preciso sentir a fotografia para que dê certo...

E eu simplesmente nunca senti nada do gênero em todos meus vinte e dois anos de existência.

Deixo a sala de aula ainda mais confuso e irritado, a câmera fotográfica balançando contra meu peito e meus amigos logo atrás. Jin e Namjoon se beijam e pela primeira vez na minha vida eu sinto um pouco de inveja deles.

Quando nos sentamos no pátio da Universidade, eu me viro para os dois.

- Como é?

Jin está visivelmente confuso e Namjoon o abraça pelas costas, arqueando uma sobrancelha em minha direção.

- Como é o que, cookie?

Hoseok está rindo.

- O príncipe encantado nunca se apaixonou por ninguém e precisa saber o que é amor verdadeiro para o trabalho de conclusão. - Hope abre seu saco de batatas e deita a cabeça contra a perna de Jimin, que está tão quieto que eu mordo a língua para não enchê-lo de perguntas.

- Ah, você é tão engraçado, Hope. Estou me segurando para não morrer de rir. - Reviro os olhos, me arrependendo instantaneamente de ter feito aquela pergunta idiota. - Esqueça, Jin.

- Você realmente nunca se apaixonou por ninguém? - Neguei. - Ué, mas eu jurava que você era louco pelo...

- É diferente dos livros. - Jimin começa, hesitante. Sua voz é calma, mesmo que esteja alta pelo barulho constante de vozes. - Você sente um monte de coisa ao mesmo tempo e quando está com a pessoa parece que o tempo meio que para. - Eu quero gravá-lo, mas o que ele diz é muito importante. Minha mão vai para a câmera de supetão, mas eu desisto e a deixo pendurada no pescoço. Jimin agora está sorrindo pequeno. - E é bem doloroso também, às vezes.

- Uh, parece que temos uma pessoa apaixonada. Quem é? - Hoseok ri e aperta as bochechas de Jimin. - Jiminnie, você fica uma graça vermelho assim.

O rosado estapeia a mão do outro, que ri.

- Isso não é da sua conta, Hope. Eu vou mesmo ter que falar sobre o Suga? Ou sobre o Tae? - Hope faz um bico. - Resolva esse teu relacionamento poliamorista. Você vai acabar perdendo os dois.

Eu paro de prestar atenção aos resmungos dramáticos de Hoseok logo em seguida. A possibilidade de Jimin estar apaixonado por alguém me deixa com uma sensação ruim na boca do estômago.

Não quero perder meu melhor amigo para um cara. O último relacionamento dele foi um saco, por que por algum motivo babaca, Taemin não ia com a minha cara. Era sempre um inferno, por que ele constantemente discutia com Jimin por sua amizade comigo. Que idiota. Eu cheguei muito antes daquele babaca.

O namoro, no entanto, terminou logo. Prioridades, Taemin. Prioridades.

Eu não sou o melhor amigo de Park Jimin há quinze anos para perdê-lo para um relacionamento.

Nego com a cabeça, me sentindo um tanto idiota ao me lembrar daquilo. Não possuo motivos para sentir ciúmes dele. Jiminnie é a melhor pessoa que eu conheço, meu melhor amigo desde que eu posso me recordar e jamais me largaria por causa de um relacionamento.

Respiro fundo. Não sou uma pessoa ciumenta, exceto com ele e, talvez, meu cachorro. Talvez por ser filho único e sempre ter sentido falta de um irmão, talvez por Jimin ser a pessoa mais próxima que eu tenha fora da família, eu me sinta tão ciumento por tudo que o rodeia.

Talvez também seja pelo medo de perdê-lo, por que eu sou um total inútil sem ele para me ajudar. Nossos amigos costumam pegar no meu pé por isso, dizendo que eu sou como um satélite em torno da órbita dele e, embora eu revire os olhos e resmungue, eu sei que é a mais pura verdade.

É ele quem me manda resumo da matéria de prova para facilitar quando sabe que eu tenho dificuldade. Também é ele quem me lembra de recarregar as pilhas da câmera toda vez, por que eu sempre esqueço, e até me empresta as dele às vezes quando eu esqueço de recarregar mesmo com seus avisos. Jimin vira a noite jogando comigo quando estou empenhado em zerar um jogo, embora me mande tomar no cu durante horas a fio por que ele é péssimo em todos os jogos.

Ele também segurou minha mão por horas quando meu pai morreu cinco anos atrás. Essa foi a coisa mais importante que ele já fez.

Ele estava tentando me consolar e começou a chorar comigo. Para tentar me fazer sentir melhor, me deixou filmar sua cara de choro durante os dois primeiros minutos, por que depois ele não conseguia mais parar de soluçar quando eu desabei atrás das lentes durante todos os outros quinze minutos em que a câmera ficou gravando nossos pés.

Então, quando volto a observá-lo dando bronca em Hoseok, tiro a câmera do pescoço e o filmo.

//

Kim Jisoo é uma boa garota, e é por isso que quando ela me liga dizendo que quer ver o novo filme dos Vingadores, eu aceito acompanhá-la.

Ela é divertida sem jamais ser forçada, é bonita, gentil, e atrai a minha atenção. É divertido estar com ela, pois é uma pessoa leve e às vezes me sinto como quando estou com Jimin, e isso é muito bom. Talvez um relacionamento com alguém que você se sente tão confortável seja o certo.

Nós voltamos para casa rindo, e quando eu ameaço acompanhá-la pelos próximos dois quarteirões à frente do meu até seu prédio, ela nega. É claro que eu não posso esquecer das fotos. Estar apaixonado por alguém facilitaria em muito o meu trabalho, então, quando ela se inclina para me beijar antes de partir, eu aceito.

Os lábios dela tinham gosto de cereja.

- Você estava em um encontro?

Eu inicialmente eu me assusto com a voz, mas depois vejo Jimin à alguns passos de distância, segurando duas sacolas da loja de conveniências e sem nenhum sorriso nos lábios cheios.

- Ah, sim. - Sorrio de canto. - E você está por aqui por que?

Ele parece estranho, e eu me sinto estranho também. É completamente incomum não conseguir ler os sentimentos de Jimin.

- Hoje é quinta. - Ele me mostra as sacolas cheias de pacotes de gelatinas Fini.

- Nossa, perdão, eu havia me esquecido completamente. - Dou uma risada sem graça. Todas as quintas nós tínhamos maratona para zerar algum jogo novo. Tínhamos esse hábito desde sempre, eu acho. - Vamos! - Começo a caminhar à sua frente. - Você estava voltando da loja de conveniências?

- Não. - Sua voz está distante e só então eu percebo que ele não havia saído do lugar. - Estava voltando da sua casa. Sua mãe disse que você não estava lá.

- Eu esqueci completamente de avisar, foi de última hora. - Volto alguns passos até alcançá-lo novamente. Ele me estende as sacolas de plástico. - O que foi?

- Eu estou com um pouco de dor de cabeça. - Ele ainda está estranho, e não o compreender começa a me deixar ansioso. - Vou voltar para casa, sim? Deixa para a próxima.

- Tem certeza? A gente pode ficar só vendo algum filme ruim na TV. Lá em casa tem analgésicos...

Ele sorri. Aquele sorriso estranho e cheio de um sentimento que eu não identifico.

- Tudo bem, cookie. A gente se vê amanhã.

E vai embora.

Eu me sinto um pouco triste, e toda a tarde com Jisoo me parece muito errada. O gosto de cereja em meus lábios não é mais tão bom, nem o trabalho parece mais tão importante.

Enquanto volto para casa, sinto vontade de cantar aquela música por algum motivo que eu não entendo.

//

Jimin não fala direito comigo há duas semanas, e eu estou me sentindo um tanto perdido. Ele não deixou de responder minhas mensagens, mas não prolonga nossos assuntos e nem se esforça para mantê-los pessoalmente. Parece sempre ridiculamente desinteressado nas aulas e aquela aura estranha continua entre nós.

Me pergunto se ele está conversando com o cara pelo qual é apaixonado, e se ele está implicando com a nossa amizade como Taemin implicava. Fico um pouco irritado com o pensamento e decido que irei falar com Jimin sobre isso hoje.

Eu continuo na estaca zero para essa produção, e faltam menos de dois meses para a entrega. Eu sei que Namjoon vem trabalhando em hospitais para retratar gratidão - achei muito sensível da parte dele retratar pessoas que tem bons diagnósticos na luta contra o câncer. Ele com certeza terá uma boa nota, e isso me deixa tão feliz por ele quanto triste por mim.

Eu venho conversando com Jisoo durante esse tempo, mas nenhuma evolução foi feita. Ela visivelmente tem interesse em um relacionamento e já falou sobre isso algumas vezes, mas eu ainda não consigo me apegar à ela quando penso que estou perdendo meu melhor amigo para um namorado idiota.

Será que Jimin já está namorando e não contou à ninguém?

Meu cabelo está ridículo de tanto que eu mexo neles, e eu sou incapaz de desfazer o bico incomodado que se forma em meus lábios enquanto eu encaro Jimin do outro lado da sala. Fazem alguns dias que ele sequer senta perto de mim, e eu odeio a sensação de ser evitado. Quando vejo já estou cutucando Jin.

- Que é? - Ele gritou em um sussurro quando eu já o havia cutucado pela quinta vez. A aula era uma revisão para a prova, mas eu precisava falar com ele naquele exato minuto.

- O Jimin está namorando? - Depois de mim e de Taehyung, Jin era o mais próximo de Jimin, e, talvez, tivesse contado algo à ele. - Ele anda estranho...

- Ué, que eu saiba não. O que tem a ver ele namorar com estar estranho com você?

Eu suspiro.

- Da outra vez, Taemin não gostava que ele falasse comigo, então ele ficou um pouco distante também... - Eu me viro um pouco na direção de Jin. - Ele também falou aquele dia que estava apaixonado por alguém, então eu...

Ele bufou.

- Santo Deus, Jeon, você é tão burro! - minhas sobrancelhas estão franzidas e eu estou confuso enquanto o olho. Por que ele está me chamando de burro? Eu só quero entender por que o meu melhor amigo não está falando comigo sobre seu suposto novo namorado.

- Por que você está me xingando? - Ele nunca havia feito aquilo antes.

- Por que quem está em um quase relacionamento é você, com a Jisoo. - Ele me diz, um tanto bravo. - Você precisa começar a prestar atenção aos arredores, Cookie, por que está perdendo os detalhes.

- O que? - Eu estou confuso, e quero que Jin responda todas as minhas questões, mas ele se virou para a frente novamente e me manda calar a boca quando eu o chamo de novo.

Por que todo mundo está tão estranho?

O sinal não demora mais que vinte minutos para tocar, e nesses vinte minutos eu só consigo ter ainda mais certeza de que minha conversa com Jimin tem que acontecer. Rápido. Logo. E é por isso que ao ouvir o som tão conhecido, eu corro para a porta antes que ele vá muito longe com suas pernas curtas e o seguro pelo braço no meio do caminho.

- Preciso falar com você. - Seus olhos estão opacos e ele está, mais uma vez, daquele jeito estranho. Eu repito isso diversas vezes, pois não tem outra maneira de descrever sua reação quando me olha, pois ele faz apenas isso: me olha. Sem piadinhas, sem sorrisos soltos, sem soquinhos no peito e sem parecer em nada com meu melhor amigo.

- Fala. - Eu estou nervoso quando não deveria, pois sua voz é baixa e fraca, e ele está inquieto como se quisesse fugir logo.

Eu me dou conta de que estamos no meio do corredor, então eu o puxo para uma sala vazia e fecho a porta. Ele ainda está em silêncio, os braços abraçam o próprio corpo e eu tenho certeza de que ele parece mais magro, mesmo que Jimin tenha uma dificuldade absurda para emagrecer.

Eu me dou conta de que estava com saudade de olhar para ele, eu noto que ele é de fato uma pessoa essencial na minha vida e eu estou absurdamente desesperado para entender o por que venho sendo ignorado nas últimas semanas.

Meus pensamentos viram realidade quando eu digo:

- O que está acontecendo? - O silêncio é desconfortável e ele mira os próprios pés.

- Nada.

- Mentiroso. - Acuso.

- Era só isso? - Ele pergunta, e seus olhos estão em mim de novo. - Por que eu marquei de tirar as minhas fotos hoje, se você não se importa. - Ele ameaça deixar a sala, e está com uma das mãos na porta quando eu disparo.

- Por que você está me tratando assim? Eu te fiz algo? - Eu estou nervoso de fato. Meu coração está acelerado, e eu não faço a mínima ideia do que fazer por que a situação está ficando séria, e eu nunca havia tido uma única discussão assim com Jimin nos quinze anos em que somos amigos.

Suas costas estão tensas e ele se vira para mim.

- Como está a Jisoo? - Ele me pergunta, os braços cruzados e uma postura arrogante que eu já havia visto antes quando ele discutia com alguém, mas nunca havia sido para mim.

- Ela está bem, eu acho. - Respondo, hesitante. - O que ela tem a ver com a conversa?

Ele aperta as mãos contra os braços até as juntas ficarem esbranquiçadas. Está irritado. Jimin está irritado comigo e eu não faço a mínima ideia do motivo.

- Vocês têm saído? - A voz sai baixa, ferina, com raiva, e eu sinto muita, muita falta de entendê-lo.

- Nós temos. - Eu respondo, minha voz saindo mais aguda pela confusão e nervosismo. Eu não sei o que está acontecendo, e involuntariamente deixo que meus braços caiam ao lado do corpo. - Jimin, o que a Jisoo tem a ver com a gente? Ela te fez alguma coisa? Eu não estou entendendo...

Ele solta um grunhido irritado que me assusta, então bate as mãos contra as laterais da coxa, depois bagunça dos cabelos quase brancos da tinta rosa desbotada.

- Jiminnie...

- Por que é que você tem que ser tão burro, Jungkook?

Ele me chamando pelo nome me dá arrepios. Isso nunca tinha acontecido entre a gente e eu me vejo perdido e subitamente irritado com a situação. Por que ele também está me xingando? O que eu fiz? Por que ninguém responde nenhuma das minhas perguntas?

- Por que você está me xingando? Está irritado por que eu estou saindo com alguém? - Ele não responde e eu estou ainda mais puto. - Por que você está fazendo isso? Eu não fiquei puto com você quando começou a falar sobre seu amante secreto que nunca me contou!

Jimin está vermelho.

- Amante secreto? - Suas sobrancelhas estão bem juntas e os olhos pequenos enquanto ele me analisa. Depois, como se compreendesse finalmente o que eu disse, arregala os olhos e fica ainda mais vermelho. Explode. - Pera aí, você acha que eu estou em um relacionamento secreto?

Eu fico em silêncio, de repente me sentindo um pouco ridículo. Jimin nunca me deu motivo para desconfiar dele, nós sempre contamos tudo um pro outro e, de repente, eu noto que estou indo totalmente ao contrário da minha intenção que era fazer as pazes.

- Jimin, eu...

- Você é um idiota, Jeon Jungkook! - Sua voz está ficando alta. - Você é um idiota que não presta atenção nas coisas que estão bem na sua cara!

- Por que é que você está bravo comigo? - Minha voz também aumenta de volume e eu não noto, mas estou quase gritando.

- Porque você saiu com a Jisoo naquela quinta, se esqueceu completamente do compromisso que temos todas as quintas há quinze anos. - Ele diz, a voz vacilando um pouco. Eu estou assustado porque eu acho que ele vai chorar, e eu ainda não sei o que está acontecendo entre a gente. - Eu estou bravo com você porque parece que você olha para todos os lados, para cima e para baixo, menos para onde eu estou! Eu estou bravo por que você tem a coragem de olhar na minha cara e me dizer que eu estou apaixonado por qualquer outro cara que não seja você!

Eu travo no lugar. Meus olhos estão arregalados, eu estou sem ar e de repente parece que eu não sei falar.

- Por que você acha... que o Taemin ficava tão inseguro com a nossa amizade? - Sua voz está mais baixa, suas mãos estão apertadas em punho e ele nunca me olha. - Por que outro motivo ele teria tanto ciúme de um amigo de infância, com o qual eu nunca tive nada, senão porque ele sabia que eu sou... - Finalmente seus olhos se levantam para mim, molhados. - Muito... muito... - A voz vacila e eu sinto minhas próprias pernas tremerem, meu coração acelerado e a boca seca. - Que eu sou ridiculamente apaixonado por você, desde criança?

Eu estou olhando-o nos olhos, incapaz de falar, incapaz de me mover até ele e fazer alguma coisa, completamente estático quando ouço meu amigo, meu melhor amigo, meu quase irmão, dizer que é apaixonado por mim há quinze anos.

E eu nunca havia notado.

Eu abro e fecho a boca dezenas de vezes, sem voz. O tempo passa e ele leva as mãos até o rosto, como se quisesse se esconder atrás dos dedinhos pequenos, respirando forte e tremendo um pouco.

- Esquece. - A voz tremida pelo choro.

Isso eu entendo. Eu entendo e quero chorar também. Ele está se segurando, engolindo o choro, e é culpa minha.

Eu estou fazendo Jimin chorar.

- Jimin... - Eu finalmente consigo falar alguma coisa e me aproximo um pouco, o braço estendido para alcançá-lo, mas não consigo, eu não consigo pois Park Jimin abre a porta e corre para fora, se afastando de mim com muita pressa.

Eu cambaleio para trás até trombar em uma mesa e sentar sobre ela, respirando fundo como se tivesse corrido quilômetros. Flashs de memória iluminam minha mente enquanto eu tento respirar direito, e eu começo a refazer todo o caminho percorrido há quinze anos, tentando encontrar os momentos onde eu deveria ter percebido que Jimin era apaixonado por mim, e eu choro.

Eu choro por que, quando me lembro de seu sorriso, é difícil pensar que eu não soube lê-lo quando eu acreditava o conhecer tão bem.

Eu acho que perdi meu melhor amigo, e eu não sabia que um medo poderia tornar-se realidade até ali.

//

Jimin não respondeu às minhas mensagens, não atendeu as minhas ligações e me evitou o máximo possível durante as aulas, chegando depois de ela começar e saindo sempre cinco minutos antes do sinal tocar. Eu não tentei ir atrás dele, também. Tenho medo de acabar de vez com as minhas chances de reatar a amizade, porque isso é muito a minha cara e eu nunca odiei tanto a minha personalidade desatenta aos detalhes.

Eu tenho pensado tanto em Jimin e sentido tanta saudade que às vezes eu me pego observando-o de longe, atento à respiração calma e aos cabelos cada vez mais desbotados. Parece que me falta um braço, e eu noto que, de fato, eu sou como um satélite orbitando ao redor dele, e estou completamente perdido no momento.

A voz rachada pelo choro e os olhos vermelhos me assombrando quando vou dormir, quando acordo e enquanto estou tentando terminar meu Kimchi. Jisoo está bebendo um suco rosa que o garçom acabou de deixar em nossa mesa, e eu fico frustrado por ela ser tão ridiculamente incrível e eu não conseguir me sentir bobamente apaixonado por ela.

- Você está bem?

Eu pisco algumas vezes, notando o prato quase vazio dela e o meu completamente cheio, os olhos bonitos que me observam e sorrio sem graça. Estava tão perdido me lembrando de Jimin, sentindo sua falta, tendo medo de ele nunca mais querer olhar na minha cara e me culpando por tê-lo feito chorar que havia me esquecido de dar atenção a ela.

Ah, que ótimo. Eu sou uma ótima pessoa que magoa melhores amigos e garotas apaixonadas por mim. Acho que definitivamente não sou uma boa pessoa para se apaixonar.

- Perdão, eu estava distante.

- Pensando no Jimin? - Ela ainda sorri e leva um camarão até a boca enquanto me olha e toca naquele assunto com tanta naturalidade que eu quase levo minhas mãos à cabeça, numa atitude completamente idiota de impedir que ela tenha acesso aos meus pensamentos.

- Perdão? - Ela ri da minha cara assustada, e eu me sinto burro, como ele havia dito que eu era. - É assim tão óbvio?

- É sim. - Ela ainda ri, travessa, e eu não engulo meu suspiro derrotado. Jisoo parece ser boa demais para estar sentada naquela mesa com alguém como eu. - Ele te disse que era apaixonado por você?

Eu afirmo com a cabeça.

- Por que todo mundo sabia disso, menos eu? - Ela sorri e dá de ombros.

Quando eu contei o que havia acontecido para os meus amigos, nenhum deles ficou surpreso como eu achei que aconteceria. Namjoon, inclusive, me olhou como se eu fosse um alien quando eu disse que não fazia a mínima ideia. Hope me deu um peteleco na testa e eu me senti extremamente ofendido por ele jogar na minha cara minha total incapacidade perceptiva.

- Era bastante óbvio, na verdade. E eu sou meio fujoshi, fico prestando atenção nessas coisas. - Eu não faço a mínima ideia do que é uma fujoshi, mas a raiva de mim mesmo e a vergonha por nunca ter notado voltam com muita força. Ela ainda está sorrindo e eu me pergunto se ela não sentia nem um pouquinho de dor no maxilar. - E quando você vai contar pra ele que é apaixonado também?

- Perdão?

Eu a estou encarando como se uma segunda cabeça estivesse saindo de seu pescoço. Ela fecha o sorriso e me encara sem compreender minha reação completamente contrária ao que ela provavelmente esperava.

- Por que eu estaria saindo com você se fosse apaixonado pelo meu melhor amigo?

Jisoo se inclina levemente até uma de suas mãos pequenas e de unhas muito bem feitas alcançassem uma das minhas por sobre a mesa. Ela faz um carinho com o dedão sob a minha pele e eu fico cada vez mais confuso com aquela conversa estranha sobre outra pessoa no meio de um encontro.

- Por que você é muito bobo, Jeon. - Ela me sorri, e acaricia o meu rosto. - Eu não quero ter um relacionamento com alguém que não me ama, sabe?

- E por que você assume que eu nunca vá amar você?

O sorriso diminui e ela se aproxima até colar meus lábios aos dela.

- Porque você já ama o Jimin. - Seus olhos estão nos meus, mas eu não estou ali. Meu coração está acelerado e eu me sinto suar. - Eu sempre me perguntei o motivo pelo qual vocês ainda não estavam juntos se era visível que vocês se gostavam. Sempre foi mais uma suspeita, embora parecesse muito óbvio, mas depois de sair com você tantas vezes, não é mais uma suspeita... você tem que aceitar que é apaixonado pelo seu melhor amigo antes que ele desista de você.

Eu fico olhando para ela quando ela pega sua bolsa e se levanta, plantando um beijo na minha bochecha e partindo.

Eu continuo ali pelo que parece muito tempo, digerindo a quantidade absurda de pensamentos que explodem um atrás do outro dentro da minha cabeça, me deixando tonto e com um pouco de ânsia de vômito.

Eu deixo o restaurante com a voz de Jisoo dentro da cabeça e muitas questões que eu precisava responder para mim mesmo.

Então, quando eu chego em casa, corro para meu quarto, ligando o computador e buscando meu hd externo dentro de uma das gavetas da escrivaninha. Ele era branco e tinha uma etiqueta gasta com "Jiminnie" escrito em roxo.

Eu sempre abria aquele hd, mas raramente assistia um dos vídeos depois de tirá-los da câmera. Dentro dele existiam exatas doze pastas divididas por ano, desde 2005 (quando ganhei minha primeira câmera) até agora, e ali eu guardava todos os vídeos que havia feito de Jimin desde a minha primeira câmera.

Abro a pasta de 2005 e ela demora para abrir. Os vídeos são curtos, todos tem menos de vinte segundos e eu vejo alguns deles; são vídeos bobos onde a cara gordinha de um Jimin de dez anos sorri, grita, fica emburrado por alguma coisa idiota. Eu sorrio para cada um deles, e passo para o próximo.

É dessa maneira que eu assisto a três anos de história em alguns segundos gravados em vídeo.

Quando começo a assistir o vídeo de 2009, quando ambos tínhamos quatorze anos, eu desço a tela carregada de vídeos e estranho quando um vídeo de quase cinco minutos está entre os demais, bem menores. Clico nele, mas ele é diferente.

Nesse vídeo, Jimin está se gravando. Ele veste uma camisa novíssima com a cara do Mickey que foi jogada fora há anos, e parece nervoso enquanto deixa a câmera em cima de algum lugar que eu chuto ser seu criado mudo.

- "Oi, Kookie" - Ele sorri e meu coração começa a bater rápido demais. Eu já sentia uma taquicardia com os vídeos que havia visto antes, mas aquilo era diferente. Fazia quase dez anos que aquele vídeo havia sido gravado e eu o havia transferido de lugar várias vezes, sem jamais tê-lo notado. - "Você esqueceu sua câmera aqui em casa porque é completamente desastrado" - Eu rio da cara que ele faz, mas logo em seguida ele está sério novamente e abraça o próprio corpo. - "Bem, não importa, você é lerdo e sabe disso. Não é novidade. Mas eu tenho que te contar uma coisa e não tenho coragem de olhar na sua cara e dizer, então... bem, vou torcer para que você assista a esse vídeo e entenda..." - ele está mordendo os lábios, inquieto, e eu começo a ficar assim também. Estou muito atento à seu rosto com algumas espinhas e o aparelho grudado aos dentes bonitos, lembrando-me sobre a nossa fase de descobertas. - "Você me perguntou como eu descobri que era gay, e eu disse que era porque gostava de ver caras sem camisa... mas é mentira. Eu... bem, sabia há mais tempo, sabe? Porque... bem..."

Há uma grande pausa no vídeo e Jimin parece cada vez mais nervoso até que os olhos enchem d'água e ele limpa com pressa. Parece muito hesitante com o que tem a dizer, e eu quero voltar no tempo para abraçá-lo.

- "Eu descobri que sou gay porque sou muito apaixonado por você... desde... desde sempre, eu acho" - Meu coração está batendo muito forte, com muita pressa e eu sinto uma tontura que me faz segurar a cadeira para não cair. - "É isso, Kookie. Eu... gosto de você. Muito. Muito mesmo. Espero que você me entenda e não me odeie por isso."

Meu coração ainda está agitado quando eu rodo a pasta, procurando por qualquer vídeo mais longo que os demais, e encontro. Dessa vez Jimin usa um pijama listrado e está dentro do banheiro. Os cabelos bagunçados e o rosto molhado de lágrimas.

"Hoje você está dormindo no meu quarto e eu estou trancado no banheiro. Você com certeza não viu meu último vídeo, ou é muito cruel comigo para me contar que deu seu primeiro beijo em uma garota e que foi muito bom. Eu espero que você esteja vendo esse vídeo e se sentindo um idiota por fazer isso comigo quando eu continuo sendo um idiota apaixonado por você, Jeon."

E estou. Estou me sentindo um tremendo babaca enquanto minhas mãos tremem e eu mudo a pasta em torno de mais vídeos seus, querendo chorar mais a cada um que encontro.

Antes de chegar à última pasta, eu já vi vinte vídeos onde Jimin se declara. Às vezes chorando, às vezes muito puto, outras muito triste... Em alguns ele ri e me chama de idiota e meu coração bate feito um louco quando chego a última pasta, a desse ano.

Rodo até encontrar um vídeo de dois minutos e meio. Meu coração está em um ritmo insuportável e minha barriga parece se contorcer quando eu clico e ele está deitado, segurando a câmera para cima. Este vídeo é recente, muito recente... ele já tem os cabelos cor-de-rosa e fazem menos de dois meses que ele pintou. Ele está sério no começo do vídeo, e olha para cima, os olhos molhados.

"Kookie. Me desculpe, eu ainda não consigo olhar nos seus olhos para te dizer isso. Você esqueceu sua câmera aqui em casa de novo, e fazia algum tempo que... sabe, eu não te gravava nada. Você nunca viu nenhum dos outros, mas eu me sinto menos idiota quando gravo, na esperança de que um dia você os veja e eu não tenha que deixar de ser um covarde para te contar. Ah, estamos em época do trabalho de conclusão, e você me disse que não sabe o que fazer... quando disse que nunca havia se apaixonado e que deveria ir atrás de alguém para entender eu quis..." Ele fungou e riu enquanto uma lágrima escorria pelo rosto bonito. "Eu quis tanto ser essa pessoa. Tanto. Eu queria que fosse eu. Eu queria que você se apaixonasse por mim. E isso é tão triste, tão ruim... e não é culpa sua, afinal você não sabe de nada, eu nunca te contei e também não contei para ninguém... todo mundo já notou, menos você, e eu não consigo não ter raiva por você ser o único que não nota o quão ridiculamente apaixonado por você eu tenho sido nos últimos quinze anos.

Eu amo a sua amizade, eu amo o fato de você me contar tudo, eu amo a forma como você me sorri quando está muito empolgado com alguma nova gravação, como você diz precisar de mim para coisas tão simples... eu te acho tão bonito. Eu amo seu sorriso, Jk, e amo quando você sorri para mim. Eu amo suas covinhas, e o formato do seu rosto, e como você morde a boca quando está concentrado. Meu deus, eu sou tão apaixonado por tudo em você...

E eu me odeio por ficar criando esperança. Toda vez que você sorri eu fico pensando em como seria ser o motivo desse sorriso... eu fico fantasiando que você pensa em mim, que você me filma para me ter sempre perto e que um dia, um dia a gente vai conseguir andar junto por aí... que eu vou poder te beijar, te abraçar, ficar com você..."

Ele fecha os olhos e as lágrimas escorrem. Seus lábios tremem, e, antes do vídeo acabar, ele diz, ainda com as pálpebras cobrindo as íris:

"Eu te amo tanto, Jungkook."

Eu soluço após o fim do vídeo, mas não havia notado que estava chorando. Meu coração está dolorido, meus olhos ardem pelo choro e eu quero tanto, tanto, tanto abraçar Jimin agora. Tanto.

Fazem mais de dez anos que ele se declara para mim. Fazem quinze anos que ele me ama. Fazem anos e anos que ele vem guardando esse sentimento que eu me sinto dolorido, triste, ansioso, completamente sem chão após descobrir que eu também sou perdido, ridículo e irrevogavelmente apaixonado por Park Jimin.

Eu choro durante pelo menos quinze minutos, e quando eu sinto meus olhos inchados, eu observo a tela do meu computador cheio de vídeos. Faltam menos de dez dias para a entrega do projeto, mas eu entendo, finalmente, que tenho todo ele pronto há mais de dez anos.

Ponho aquela música para tocar e começo a edição.

//

A sala de aula está lotada, e eu sou o último a apresentar após o brilhantismo de Namjoon com seu tema. Jimin está sentado na quarta fileira de cadeiras e também já apresentou seu tema. Foi uma sessão de fotos lindíssima com crianças de um orfanato; eu me senti tão orgulhoso e tão frustrado por não ter participado...

Eu coloco meu pendrive no computador da universidade e transfiro o vídeo para a área de trabalho. Estou nervoso e meus dedos tremem.

- Bom dia. - A bancada e alguns alunos respondem. Eu olho para Jimin, e seus olhos estão fixos em mim.

Eu sinto tanta saudade que meu peito afunda.

- Meu tema era amor romântico e tive muita dificuldade para fazer esse trabalho, por que não entendia direito a dimensão do que era esse sentimento. - dou uma risada sem graça. - Mas agora eu acho que entendo, então fiz uma edição de vídeo para mostrar para vocês o que é esse sentimento através dos meus olhos. Ficou bem pessoal e intimista, por fim. - Meus olhos voltam a se fixar nos de Jimin. - Espero que gostem. E entendam.

Eu me sento na mesa do computador e solto o vídeo.

A música toca e o vídeo começa com um sorridente Jimin de dez anos comendo onigiri com arroz grudado na bochecha.

Os olhos de Jimin se arregalam e vão do telão para mim, confuso, surpreso, assustado. Os olhares dos nossos colegas de turma mudam de mim para ele, mas eu jamais desvio meu olhar de onde ele está.

Acordei chateado hoje e ultimamente, todo mundo parece falso. Em algum lugar eu perdi um pedaço de mim, fumando cigarros em varandas. Mas eu não posso fazer isso sozinho... às vezes eu só preciso de uma luz. Se eu chamar você no telefone, preciso de você do outro lado.

Há um Jimin que sorri e conversa comigo enquanto faz um dever chato de matemática. Existem seus olhos brilhantes que sorriem sem qualquer aviso. Há também um Jimin irritado após um jogo de videogame perdido. Também existe ele dormindo, pulando corda, chorando por causa de um filme... Existem tantas faces de Jimin com tantas idades, passando em tão poucos segundos no ritmo daquela música, tanta história contada em tão pouco tempo e tantas perguntas a serem respondidas. Eu posso ver os olhos dele enchendo.

Então, quando suas lágrimas rolarem em seu travesseiro como um rio, eu estarei lá por você. Quando você está gritando, mas eles só ouvem você sussurrar, eu vou ser barulhento por você, mas você precisa estar lá por mim, também.

Em meu coração, enquanto eu estava ali observando suas reações e as lágrimas caindo de seus olhos, eu desejava que ele compreendesse aquele vídeo da mesma maneira que eu havia entendido aquela música.

Eu desejava que ele compreendesse o sentimento que implicava ali, eu esperava que ele não fugisse de mim mais uma vez por que as minhas certezas agora eram tão reais quanto o ar que todos estávamos respirando naquele momento.

Meu coração estava acelerado, minha garganta estava fechando e eu sentia vontade de vomitar. Existiam tantas possibilidades para aquele dia.... eu havia até mesmo me esquecido que aquilo se tratava mais da minha nota do que da minha vida sentimental, mas eu não conseguia pensar diferente naquele momento quando eu finalmente admitia que vinha estando apaixonado por tanto tempo sem notar e agora, que eu havia finalmente percebido, só queria que aquele dia terminasse com Jimin sorrindo daquele jeito em minha direção outra vez.

O ano passado pegou pesado comigo, mas eu vou fazer isso com você ao meu lado, ao redor do mundo e de volta, novamente e eu espero que você esteja esperando no final. Eu tenho você, eu prometo... deixe-me ser honesto, o amor é uma estrada que vai nos dois sentidos. Quando suas lágrimas rolarem no seu travesseiro como um rio eu vou estar lá para você, mas você tem que estar lá por mim também

As imagens transmitidas agora eram recentes. Nelas Jimin comia fast food e me atirava batatas, pintava o cabelo de rosa e me sorria quando eu fazia piadas idiotas.

Enquanto eu editava aqueles vídeos, eu havia refletido sobre o motivo da existência deles. Jimin sempre havia sido meu modelo favorito, e eu o filmava em cada oportunidade, acreditando fielmente que era apenas por hobbie e por estarmos sempre juntos... mas essa teoria não explicava a forma boba com o qual eu o observava por trás das lentes, ou o motivo pelo qual eu guardava todos aqueles vídeos.

Gravar o rosto de Jimin era importante pois era a maneira que eu encontrei de mantê-lo tão próximo quanto possível mesmo que eu não me permitisse assisti-los novamente.

Eles guardavam todas as fases do meu amor, e aquilo era tudo.

Garoto, eu estou me segurando em algo, não vou deixar você por nada. Estou correndo, correndo apenas para manter minhas mãos em você. Tinha um tempo em que eu estava triste, O que eu tenho que fazer para te mostrar que eu estou correndo, correndo apenas para manter minhas mãos em você... Mas você tem que estar lá por mim também.

Descobrir ser apaixonado por Park Jimin era sair da cadeia depois de trinta anos de pena: uma sensação de liberdade ao mesmo tempo do medo do que havia mudado enquanto eu estava preso.

Então, quando a última frase toca, eu sinto medo.

As luzes se acendem, os alunos e professores aplaudem, e nós estamos presos nos olhos um do outro. O que acontece quando você está apaixonado pelo seu melhor amigo?

Os professores me devolvem o trabalho teórico e elogiam a edição de vídeos. Pedem para que eu seja mais amplo na próxima vez para que a compreensão seja mais clara para quem está do lado de fora da história, e me passam com a nota oito.

Entretanto, eu ainda não terminei tudo o que pretendia com aquele vídeo.

Não demora até que a sala de aula esteja vazia. Nossos amigos sequer cogitam vir falar conosco, e eu e Jimin mantemos os olhos fixos até que não exista mais ninguém além de nós ali.

Eu me levanto e caminho até a cadeira onde ele está. Mãos nos bolsos para que ele não me veja tremer, e eu nunca pensei que ficaria tão nervoso perto dele. Ele mantém os olhos atentos em mim, e se levanta quando eu estou perto o suficiente.

- Você viu os vídeos? - Ele pergunta, os olhos marejados. Eu assinto. - Todos eles? - Eu assinto novamente. Uma lágrima escorre e eu levanto a mão até seu rosto, a secando.

- Me perdoe por ter demorado tanto tempo. - Eu limpo também as lágrimas que se seguem, e os dedos dele também acariciam meu rosto, secando-o.

Eu não havia notado que estava chorando também.

- Tudo bem.

- Me perdoe por não ter dito nada naquele dia, eu travei. - Continuo, e ele sorri ao mesmo tempo que chora. Eu acolho cada lágrima entre os dedos.

- Tudo bem.

- Me perdoe por ser tão lento, Jiminnie.

- Está tudo bem, tudo bem... - Ele meio ria, meio soluçava, e a atitude me fez rir também. Eu o puxo para mim, soltando o fôlego que eu nem sabia que havia prendido, abraçando-o com força e sentindo o coração dele, que batia tão rápido quanto o meu.

- Me perdoe por demorar tanto para entender... - Suas mãos apertam minha camisa e ele tenta se afastar para ver meu rosto, mas eu não deixo o abraço se desfazer. Eu afundo o rosto contra a curva de seu pescoço - Eu também te amo tanto, Jimin. Tanto. - Ele soluça, e eu sinto o corpo tremer. Eu o aperto mais forte. - E eu senti tanto a sua falta... eu sou mesmo muito perdido sem você.

A risada chorosa faz nossos corpos balançarem. Eu deixo ele se afastar e ele junta nossas testas com aquele sorriso lindo nos lábios, e eu me sinto tão pequeno. Ele é tão único e perfeito que ilumina absolutamente tudo ao redor, e eu só posso me sentir grato por tê-lo ali, por ter o seu amor e por poder estar por perto vendo aquele sorriso que só ele tem e que me aquece por completo, em cada nervo do corpo.

Meus olhos fecham e eu sinto o mundo girar devagar, eu sinto cada pedacinho de meu corpo onde ele toca, e eu estou tão em casa que eu queria poder registrar aquele sentimento em uma fotografia para poder guardá-lo para sempre comigo.

Mas Jimin estava ali, e ele era o melhor registro de amor possível.

Nossos olhos estão novamente grudados e eu me sinto tão feliz que poderia explodir. Meu olhar segue o caminho do rosto, dos olhos para o nariz vermelho de choro, do nariz para os lábios bonitos, e eu quero tanto beijá-lo naquele momento...

Eu seguro seu queixo, puxando-o para mim, então finalmente sinto os lábios com os quais venho sonhando nos últimos dez dias. Jimin é macio, quente, aconchegante e nós encaixamos de um jeito que nunca aconteceu com ninguém antes.

Eu respiro fundo quando aprofundo o beijo e nós dois estremecemos quando as línguas se encontram. Ele tem gosto de bala de café, e eu afundo dentro da sensação de beijá-lo. Meus braços o circundam, o puxando para perto, mas nunca parece o suficiente.

Eu queria poder estar em Park Jimin e fazer parte de sua pele. Jimin é meu melhor amigo, meu melhor modelo e o amor da minha vida.

Parece que até mesmo um coração de gelo como eu derrete perto de alguém como ele.

- Namora comigo. - Ele pede quando nós nos afastamos por um minuto. - Fica comigo. - Ele me beija. - Eu te amo tanto. - Ele me beija de novo. - Jungkook...

E não existe a mínima possibilidade de negativa, afinal agora nós dois estávamos ali, um para o outro, exatamente como sempre deveria ter sido.

Bônus

Fazem quase dois meses que Park Jimin é meu namorado, e é estranho como quase nada mudou. Hoje nós brincamos que tivemos um relacionamento secreto durante mais de dez anos, sem querer.

Continuamos exatamente como estávamos, com o bônus de ter beijos sempre ao alcance e poder ficar mais agarrados do que já ficávamos naturalmente. E isso é tão bom que eu poderia morrer extremamente feliz com minhas conquistas.

Hoje é uma quinta-feira, dia do videogame, e alguns hábitos nunca mudam. Os inúmeros pacotes de fini estão espalhados pelo carpete ao redor de Jimin, e ele come uma minhoca rosa coberta de açúcar enquanto fotografa o meu teto cheio de adesivos de estrelinhas neon.

Pegar a minha própria câmera é um ato automático. Eu tenho filmado Jimin como sempre filmei, e agora eu vejo todos eles, repetidas vezes, até estar tão desesperado por Jimin que o ligue às duas e meia da madrugada.

Apesar disso, nunca transamos.

Nunca pareceu uma necessidade tão desesperada à ponto de acharmos que era essencial para o nosso relacionamento, e isso é o ridículo oposto do que éramos com outras pessoas.

Com elas, o sexo vinha para preencher um relacionamento oco, mas conosco era tudo tão completo que aquilo quase não era necessário. Quase. Por que nesse momento ele está sorrindo. Ele está sorrindo enquanto boa parte da pele de sua barriga está aparecendo, e ele come uma minhoca de gelatina como sempre faz: suga todo o açúcar ácido, e depois a puxa para dentro como macarrão.

- Ah, isso foi sexy. - Ele me olha, os olhos se fechando enquanto ele ri. - Me diga, menino Jimin, você está tentando me matar?

- Meu namorado é ridículo. - Ele diz, olhando para a câmera. - Você não devia estar procurando o jogo? - Ele vira o corpo em minha direção, deitando-se sob o próprio braço. Ele está sorrindo, o corpo desenhado sob a superfície fofa, os shorts subindo pelas pernas bonitas.

Ele me deixa excitado só por respirar.

- Eu quero você. - Sussurro, em um sorriso, e ele ri enquanto me olha. Seu sorriso é largo e ele parece me avaliar, percorrendo os olhos bonitos pela extensão do meu rosto enquanto aquele sorriso continua ali. - Ah, eu realmente quero você.

- Eu já sou seu, amor. - Eu posso afirmar que esse sorriso ainda será a minha ruína. Nossas vozes estão baixas, quase sussurradas, e eu estou ficando duro. A minha língua leva umidade para meus lábios e eu estou olhando para Jimin em vez de prestar atenção à lente da câmera.

- Eu quero você. - Repito, e o clima está pesado ao nosso redor. Ele parou de sorrir e seus lábios estão fechados enquanto ele me olha, então eu paro de gravar, descendo a câmera devagar sem jamais deixar de observá-lo. - Você é tão lindo, Jimin.

Aquela troca de olhares é surreal. Ele está invadindo meus pensamentos, acendendo chama por chama dentro de mim, acelerando meus batimentos e fazendo com que meu sangue corra mais rápido. Park Jimin tem esse talento natural para me deixar completamente fora de órbita, totalmente à mercê de sua vontade sem qualquer esforço ou ato prévio.

Ele se senta sobre as coxas e eu estendo a mão em sua direção. Ele engatinha até a borda da cama, onde estou sentado, e fica entre minhas pernas quando puxo seu queixo para um beijo. Nesse ponto, eu já estou ridiculamente duro e ele é tão culpado por todos esses sentimentos que deveria ser considerado um criminoso de alta periculosidade.

- Eu te amo. - Sussurro, subindo os beijos até a sua orelha, puxando o lóbulo enquanto ele aperta meus braços. - Eu te amo tanto, Jimin. Ele está quente, e seu calor passa para meu corpo como lava. Eu desço a língua por seu pescoço, mordendo a curva antes de chegar até o ombro, e ele se arrepia e geme.

- Jungkook...

Meu nome saindo pelos lábios úmidos e vermelhos é a faísca que acende meu pavio, e eu começo a queimar. Fogo líquido se estende por minhas veias, torrando aos poucos meu autocontrole e minha sanidade quando Jimin vem para cima de mim, sentando-se sobre meu colo e roçando o bumbum contra meu pau duro.

E eu gemo também, enquanto o trago para mais perto.

- Eu te amo, eu te amo... - Ele sussurra, enquanto passa os dedos para dentro da minha camisa, puxando-a para cima enquanto eu estremeço. - Eu também quero você.

Ele joga minha camisa para trás e ela forma um bolo para ser esquecida em algum canto frio do quarto, ao que eu puxo a camisa dele, jogando-a longe também. Nossos peitos se juntam, quentes, e eu tomo total consciência de que nunca quis tanto ter alguém quanto quero ter Jimin.

- Você tá me deixando tão duro, Jimin. - Sussurro próximo à orelha, para depois afundar o músculo contra a concha. - Eu sou tão louco por você.

Apesar de aquela ser a primeira vez, minhas mãos sabem onde tocá-lo como se eu possuísse um mapa. Desço os dedos pelas costas, pelo abdômen, apertando as coxas até enfiar os dedos na carne da bunda com muita vontade, puxando-o para mim. Jimin geme de novo.

- Eu também estou. - E eu sei disso. Eu posso sentir. - Me toca. - Ele suspira, e puxa minha mão até seu pênis, enquanto rebola sutilmente sobre o meu. - Me toca...

Eu desabotoo os shorts e puxo a cueca para baixo, apenas para ver o pênis brilhante pelo pré gozo. Eu desço os dígitos pelo comprimento até a base, pressionando a cabeça toda vez que retorno. Jimin me abraça, suspirando contra minha orelha e eu estou arrepiando enquanto ele continua rebolando em uma fricção gostosa contra meu pau, então eu o empurro contra a cama e puxo toda a roupa para fora de seu corpo enquanto o beijo.

Eu desço esse beijo úmido pelo corpo até o pênis inchado, lambendo tudo ao redor antes de subir para ele. Jimin está me olhando com o rosto vermelho enquanto geme, e eu queria poder fotografá-lo com aquele olhar ridiculamente luxurioso em minha direção. Talvez eu realmente faça isso algum dia.

Eu o lambo até a cabeça enquanto acaricio as bolas, e quando ele chama meu nome eu o coloco para dentro até senti-lo na garganta. Sua barriga sobe e desce sem constância em uma respiração desorganizada, e eu estou sugando-o com toda a minha vontade, chupando-o como nunca chupei um cara na vida.

- Como você quer que seja? - Eu pergunto, enquanto continuo os estímulos com a masturbação.

Eu naturalmente sou o ativo, mas naquele momento eu não me importo nem um pouco se Jimin quiser que seja diferente. Eu estou tão fervoroso por ele, por aquele momento único com o meu melhor amigo e amor que eu sinceramente não me importo.

Eu quero Jimin da forma como ele me quiser.
- Ah... - Ele geme quando volto à suga-lo, arqueando as costas sobre o colchão. Ele abre a gaveta do meu criado mudo, tateando cegamente por algo. - Por favor me diz que você guarda lubrificante nessa gaveta.
Eu o sugo mais forte e ele fica sem ar.

- Você não me respondeu, amor. - Minhas mãos estão apertando as coxas redondas, e Jimin me olha como nunca olhou na vida. Ali existe amor, existe reciprocidade, mas existe tanto tesão que eu fico tonto.

- Eu quero que você me coma. - Ele quem recebe o oral, mas quem geme sou eu. - Por favor, Cookie.

Eu respiro fundo e me levanto, deixando meu namorado um tanto confuso enquanto vou até o armário e retiro o tubo de lubrificante de lá. Eu o olho, retiro as calças no meio do caminho, enquanto seu olhar atento me escaneia.

- Fica de bruços. - Peço, quase mando, e ele me obedece. A bunda está vermelha por meus apertões, e eu mordo forte uma das bandas antes de levar um dos dígitos até a entrada enrugada e vermelha. Ele enfia a cabeça contra o travesseiro, apertando o lençol ao redor.

Eu desço o rosto, lambo, umedeço ela toda e ele está gemendo e estremecendo abaixo de mim. Em algum momento ao longo de nossas vidas, antes mesmo do relacionamento, Jimin havia comentado que gostava das coisas em um ritmo diferente. É por isso que quando ele afunda o rosto contra o travesseiro para gemer, eu desço um tapa ardido contra sua nádega esquerda.

- Ah! - Ele geme mais alto, e abre um pouco as pernas. Eu estou lambendo-o quando abro o lubrificante e despejo contra meus dedos, sentindo-os viscosos quando afasto meu rosto para rondá-lo com o primeiro dedo, e ele se empina para mim quando eu coloco-o para dentro. - Isso. - Ele geme e está se contraindo,

- Ah, você já está me apertando, Jiminnie. - Eu suspiro e aperto meu pau com a mão livre. Quero tanto estar dentro dele, e ele é tão receptivo que praticamente suga o segundo para si. - Puta que pariu!

Ele inclina o quadril até estar de quatro, as costas arqueadas se empinando em minha direção, então se masturba enquanto rebola em minha direção, fazendo com que meus dedos entrem e saiam de si, enquanto eu mal posso me mexer com a visão que tenho.

Ele é incrível.

- Ah, Jimin. - Eu deixo outro tapa contra a bunda vermelha. Eu retiro meus dedos e roço meu pênis contra sua entrada, me inclinando sobre seu corpo, lambendo toda a extensão das costas até a orelha. - Gostoso pra caralho.

- Porra - Ele rebola os quadris em minha direção, em uma fricção gostosa. - Me come logo, Jk... - Ele aperta as nádegas com meu pau no meio, e eu gemo no pé de sua orelha, puxando-o mais contra mim. - Por favor... por favor...

Tê-lo assim, tão submisso, tão entregue, tão meu dessa forma, mexe totalmente com meu autocontrole e eu me levanto, despejando lubrificante contra meu pau, jogando mais um pouco na entrada que se comprime e relaxa bem diante dos meus olhos.

Ah, Jimin. Eu vou acabar completamente com você essa noite.

- Pede de novo... - Eu sussurro, por que a voz é tão sexy e suplicante quando ele diz aquilo que eu preciso ouvi-lo mais uma vez. Ele rebola contra mim, buscando contato, e eu bato naquela bunda mais uma vez, um pouco mais forte, e ele geme mais alto.

- Me come. - Ele diz, e estremece ao me sentir na entrada. - Ah... me come. - Ele suspira e rebola novamente. - Eu te quero tanto... - Sua voz é baixa, leve como seda, pedinte, submissa. Eu posso enlouquecer a qualquer momento. - Jungkook.

E eu entro de uma única vez. Não me importo com os gemidos altos que me saem pela garganta e da de Jimin, uma vez que a casa está vazia. Mas eu sinto estrelas sob os olhos, tudo fica preto e branco por um minuto, e eu apenas vejo Jimin com o rosto afundado contra os travesseiros, corpo tenso e gemendo, buscando mais contato enquanto seu corpo se acostuma comigo dentro.

Ele me aperta tanto que eu acho que vou gozar antes mesmo de começar.

Ele me olha por sobre o ombro, olhos marejados, rosto vermelho, cabelo bagunçado, e seus lábios se mexem. Uma mensagem muda que faz com que eu estoque com toda força para dentro.

"Me fode"

E eu estou bombeando fundo, duro, enquanto puxo os cabelos para trás, deixando o rosto e pescoço à vista, fazendo com que ele se apoie com as mãos no colchão fofo, gemendo de um jeito gostoso pra caralho enquanto nosso corpo começa a deslizar sob uma camada de suor.

- Ah, isso, isso, isso... - Ele fala daquele jeito, com aquela entonação, e eu estou ficando louco, perdendo a razão, sendo totalmente dominado e levado pela onda de Park Jimin.

Ele me empurra para trás com pouca força, e me faz deitar com as costas no colchão. Ele bombeia meu pau, que sentia falta do calor de seu interior, e depois o coloca na boca, sugando forte algumas vezes. Jimin tem o melhor oral do planeta terra, e essa parte eu já havia provado antes quando quase fomos até o fim algumas semanas antes.

Eu gemo, falo coisas desconexas e depois peço por ele de novo. Ele se acomoda sobre mim e senta tão devagar e gostoso, mordendo os lábios e fechando os olhos que eu mordo meu antebraço com muita força para não gozar com a visão.

Ele sobe e desce, quica sob mim enquanto eu seguro o bumbum durinho que em atrito com a minha pele, faz barulho. Eu me sento para alcançar os mamilos e os lambo enquanto ouço Jimin gemendo alto, avisando que iria gozar sem ter se tocado por um único minuto desde que começamos.

Saber disso dá um start para meu próprio clímax.

Eu o viro na cama sem sair dele, ficando por cima e segurando a cabeceira para ter mais força enquanto vou e volto do interior ridiculamente apertado dele.

- Tão apertado, Jiminnie. - Eu sussurro, buscando fôlego enquanto ele me aperta com as mãos e com as pernas. - Ah, eu te amo. Eu sou louco por você.

Ele puxa o ar com força, jogando a cabeça para trás e eu sinto ele me apertar com muita força, então estou à beira.

- Não para. - Ele pede. - Não pára, eu vou gozar.

Eu não vou parar nunca mais. Nunca mais.

Então, ele me olha de novo naquele momento ele é tão, tão, tão lindo que eu sinto amor em todos os meus poros, explodindo em um tesão absurdo. Eu desço uma das mãos para masturba-lo por que não vou durar muito tempo.

Ele chama meu nome e eu o beijo.

Então eu gozo, e ele vem pouco depois. Eu continuo estocando até que o orgasmo passe e eu me sinta amolecer. Eu estou apoiado no colchão ao redor da cabeça de Jimin, e nós estamos nos olhando. Ele está sem ar e sorri.

- É tão lindo... - eu digo, tirando o cabelo úmido de seu rosto. - Você é incrível.
Ele me sorri, sapeca, antes de me empurrar e virar na cama.

- E ainda não acabei.

Ah, sim. Nós tínhamos a noite toda pela frente, afinal, é quinta feira.

Dia dos jogos.

June 26, 2018, 10:08 p.m. 1 Report Embed 2
The End

Meet the author

Juno Wolf Estudante de psicologia, fujoshi, militante, apaixonada pelo Shikamaru. [...] O amor salva, mas s� o conhecimento liberta. @

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Isis Isis
Dando mais uma passadinha aqui no hino, fanfic Jikook mais canon já escrita nesse Brasil porque ela é toda minha e eu amo demaaaais aaaaaaa
July 10, 2018, 11:01 a.m.
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