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ttandjjk Ariane L.

Jeongguk era um tradicional nerd vivendo o clichê de ser apaixonado pelo popular e estiloso Kim Taehyung, que o via apenas como o meio mais fácil de garantir um 10 no boletim escolar. Foi preciso apenas um trabalho de filosofia e um pouco da boa vontade de Taehyung para que essas duas pessoas, tão diferentes, ficassem juntas e, após uma tarde inusitada de sexo, Jeongguk terminasse o dia com seu coração partido. Agora, dez anos após esse ocorrido, quando todo o envolvimento dos dois parecia ter ficado no passado, o destino resolve brincar com ambos ao fazer de Kim Taehyung o novo secretário particular do renomado e bem sucedido Jeon Jeongguk. ❴Taekook| KookV| Bottom!Taehyung| Top!Jungkook| +18❵


Fanfiction Bands/Singers For over 18 only.

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My Happy Little Pill

Ponto de vista de Jeon Jeongguk

O relógio eletrônico em meu criado-mudo marcava cinco e quarenta da manhã e, mesmo que dentro de alguns minutos eu tivesse que abandonar minha cama e meu anime favorito para enfrentar a volta às aulas, após as férias de meio de ano, era incapaz de desprender meus olhos da enorme tela de tevê a minha frente, que exibia mais um episódio de One Piece.

Vibrava a cada cena da batalha travada entre Luffy e Rob Lucci. Havia visto aquele anime trocentas vezes sem nunca deixar de torcer, vibrar e me emocionar com os personagens da trama e as aventuras vividas por si — as quais já estava ciente de como seriam o seu desfecho. Acreditava piamente que nunca me cansaria de ver e rever meu anime predileto.

Kanbare Mugi-chan! — torcia em frente à tevê, desempenhando uma cena semelhante a de um dos meus personagens favoritos, Bom Clay, na qual ele havia torcido pelo protagonista tal como fazia naquele momento, com meus punhos cerrados erguidos enquanto bradava incentivando um personagem 2D.

E eu continuaria ali, submerso no mundinho de piratas e marinheiros, se não fosse pela musiquinha chata de meu despertador ecoando pelo quarto e anunciando o já sabido momento em que teria que largar a boa rotina das férias e me adaptar novamente ao ambiente opressivo escolar.

Suspirei com pesar, desligando a tevê e me dirigindo ao banheiro a fim de fazer minhas higienes matinais e me aprontar para a aula. Após tomar um longo e relaxante banho, vesti-me como de costume, optando por um conjunto qualquer de moletom cinza e calçando meu bom e velho All Star vermelho; coloquei meus enormes óculos de grau redondos e escovei meus fios negros com meus dedos, procurando dar um jeito rápido na bagunça em que se encontravam. Por fim, encarei meu reflexo no espelho, agradecendo mentalmente por ser míope e ter de usar aqueles óculos enormes pois, graças a eles, era capaz de esconder as olheiras que contornavam meus olhos e marcavam minha pele alva.

Ótimo, pensei. Estou parecendo um panda desgrenhado em pleno primeiro dia de aula.

Dirigi-me até a cozinha e preparei um rápido café da manhã, torcendo internamente para que a cafeína aliviasse o sono e o cansaço que tomavam o meu corpo após, irresponsavelmente, ter passado a noite em claro maratonando anime.

Em retomada a minha rotina comum, fechei meu apartamento e caminhei até o do vizinho — este a quem compartilhava aquele andar —, tocando a campainha e esperando que meu hyung baixinho atendesse a porta.

Somente depois de longos minutos tocando aquela campainha, impaciente e aguardando a abertura da porta, foi que Yoongi surgiu, abrindo-a com brutalidade. Seu costumeiro mau humor matinal estampado em sua face, os cabelos brancos encontravam-se desgrenhados e escondidos por um gorro ao passo que trajava uma camiseta preta folgada, escondida abaixo de seu agasalho cinza; vestia uma calça jeans de lavagem clara cheia de rasgadinhos e calçava seu Converse All Star preto.

— Puta merda, Jeon! Não precisa tocar a campainha desse jeito! — reclamou irritadiço, ajeitando a mochila sobre seus ombros e fechando a porta atrás de si.

— Bom dia para você também, hyung — respondi sarcasticamente, sorrindo amarelo e ignorando as reclamações do outro ao que este revirava seus olhos em resposta, apressando-se até o elevador e sendo seguido por mim.

Quando as portas do cômodo de aço fecharam-se automaticamente a nossa frente e apertamos o botão para o térreo, tive a atenção do outro focada em mim, sentindo os olhos alheios me analisarem, o que me despertava um costumeiro incômodo por estar sendo observado.

— Meu Deus! O que aconteceu com você, pirralho?! — perguntou retoricamente. — Foi promovido de coelho a panda? — zombou, rindo anasalado.

— Ha, ha, hyung! Muito engraçado — retruquei sem humor. — Eu só não tenho dormido direito.

— Novidade — disse, tendo nossa atenção tomada pelo bipe — o qual anunciava a nossa chegada ao térreo — e pelas portas sendo abertas novamente, libertando-nos daquele espaço fechado ao permitir nossa saída. — Preparado para enfrentar o fundo da cadeia alimentar? — questionou, enquanto caminhávamos pela recepção.

— Sinceramente? Nunca estou preparado para enfrentar aquele inferno que chamam de escola.

— Idem.

Percorremos o caminho até a escola em silêncio, sem darmos continuidade às nossas costumeiras provocações. Yoongi, assim como eu, estava inebriado pelo sono, apoiava-se em mim enquanto andávamos pelas ruas bem pavimentadas do condomínio onde vivíamos e estudávamos. Arrastávamo-nos pelas calçadas, caminhando a passos lentos e preguiçosos, podíamos facilmente ser confundidos com zumbis naquele momento, tamanha era a nossa disposição.

Logo fomos capazes de alcançarmos os enormes muros de nossa escola, que protegiam os três prédios imponentes, cada um sendo dedicado a uma série do ensino médio e tendo toda a sua extensão cercada por campos verdinhos, canteiros de flores, bancos e algumas estátuas que representavam figuras importantes para a história.

Passamos pelos portões da escola sendo cumprimentados pelos dois seguranças vestidos de preto, que nos desejaram um “bom dia”, dedicando-nos um sorriso cortês, os quais foram igualmente respondidos por nós. Arrastamo-nos até o prédio pertencente aos alunos do terceiro ano ao que Yoongi desvencilhou-se de mim, abrindo seus braços e ditando teatralmente:

— Seja bem-vindo ao inferno.

Ri do drama alheio mesmo que no fundo fosse obrigado a concordar consigo, já que a escola era, tanto para mim quanto para ele, o exato sinônimo de inferno. Suspirei pesadamente ao lado de meu amigo, adentrando aquele fatídico prédio e rumando até nossos armários, dando adeus às minhas amadas férias.

Nossos armários eram vizinhos um do outro e talvez fosse essa estranha coincidência de termos sido vizinhos a vida toda — mesmo quando morávamos com nossos pais — e sempre termos estudado juntos que nos tornou melhores amigos. Yoongi era o único dentre o enorme contingente de alunos ali presentes que conversava comigo e procurava por minha companhia sem visar obter alguma vantagem em seus testes e trabalhos com isso. Mesmo com todas as diferenças existentes entre nós, sabia que o mais velho realmente gostava do verdadeiro Jeongguk, sem levar em conta todos os rótulos de nerd/otaku/gamer/geek/antissocial que a sociedade insistia em impor a pessoas como eu e dos quais sequer me esforçava para me livrar. Sempre gostei de pensar que era apenas uma pessoa com bom gosto, cujo era muitas vez mal compreendido.

Enquanto conferíamos nossos horários de aula e trocávamos os livros de nossas mochilas de acordo com o mesmo, Yoongi tratava de resmungar sobre o quanto odiava aquele lugar.

— Tudo o que queria nesse momento era... — dizia o baixinho, em mais uma de suas queixas, quando interrompeu a própria fala, olhando para algo atrás de mim ao que sua boca formava um perfeito “o”. — Jeon, disfarça e olha para trás — pediu. — Seu crush dos crushs ‘tá cruzando o corredor nesse exato momento, fazendo um cosplay perfeito de Meninas Malvadas ao lado do Jiminie — falou debochado e, ao contrário do que o Min havia instruído, virei-me abruptamente para encarar o senpai, que desfilava pelo corredor da escola como se estivesse na semana da moda de Paris ao lado do seu melhor amigo/sombra.

Kim Taehyung: lindo, estiloso, popular, talentoso, milionário e, agora, ruivo. Estes eram alguns dos diversos adjetivos capazes de caracterizar aquele que fazia meu humilde coração otaku falhar algumas batidas.

O Kim estava mais lindo do que me lembrava — se é que isso é possível —, havia mudado a cor das madeixas, abandonando o loiro e assumindo agora um tom vívido de vermelho; exibia no pescoço acobreado uma chocker preta com um pingente de lua nova no centro; trajava uma camiseta social de seda branca que era, pelo menos, dois números maior que o seu, deixando os três primeiros botões abertos e dando uma visão privilegiada da pele perfeita de seu pescoço, clavícula e parte do peito magro; vestia uma calça skinny preta, claramente feminina, que valorizava suas belas curvas; e, por fim, calçava coturnos de couro também preto, com saltos que o deixavam ainda mais alto. Ao seu lado, o amigo Jimin andava igualmente bem vestido, usando um suéter preto com alguns rasgadinhos que deixavam parte da pele branca exposta, o mesmo era alguns números maior que si, fazendo as mangas longas ocultarem suas pequenas mãos e o tecido de lã cobrir até o meio de suas coxas fartas; vestia também uma calça cropped jeans de lavagem clara e um par de vans preto com branco. Bonito, admito, só não mais que Taehyung.

Sempre pensei que o ruivo era o tipo de pessoa que deveria estar estampando capas de revistas famosas como Vogue e Elle, desfilando nas passarelas parienses e protagonizando comercias de tevê, tendo sua beleza louvada e exibida pelo mundo e não a desperdiçando com meros adolescentes cheios de hormônios com os quais convivia.

Taehyung era dono de um estilo e elegância invejáveis. Mesclava peças de roupas do vestuário masculino e feminino, assumindo uma indumentária andrógina, sem importar-se com os olhares tortos alheios ou com as críticas que recebia, ao contrário, o Kim andava sempre de nariz empinado, admitindo uma postura orgulhosa esbanjadora de autoconfiança que o fizera ser admirado justamente pelo seu estilo único.

Contudo, mesmo sendo digno de diversos elogios e possuidor de características que lhe conferiam um verdadeiro fã clube, existia algo que maculava sua boa fama e isso seria, claro, a sua também má fama. Taehyung era famoso por ser uma bicha rodada. Ao passo que alguns o enchiam de elogios, outros dedicavam seu tempo para espalhar boatos e histórias mirabolantes sobre o mesmo. Diziam que o acobreado havia dado para terça parte da população masculina do colégio. Aqueles que ainda não haviam tido o prazer de tê-lo em sua cama disputavam para serem o próximo felizardo, tanto por sua beleza inegável quanto pelos rumores de que Taehyung era uma loucura na cama — ou fora dela, se você preferir. O fato era que todos queriam foder Taehyung ao menos uma vez na vida e nem os ditos “héteros” escapavam dessa regra pois, mesmo que não admitissem, batiam uma pensando no belo ruivo de bunda empinada e coxas fartas.

E eu não seria a primeira e única exceção, visto que, mesmo sendo um verdadeiro bobo apaixonado que se recusava a enxergar todo e qualquer um defeito de Kim Taehyung, ao insistir em manter relacionada a ele a imagem do garotinho inocente e doce que ele um dia fora, ainda assim me encaixava nessa categoria. Taehyung era o principal protagonista de meus devaneios e desejos sexuais. Já havia perdido as contas de quantas vezes me toquei pensando no acobreado e em seu corpo perfeito. No entanto, ao contrário dos outros garotos que comiam meu ruivinho com os olhos enquanto este atravessava o corredor, com seus orbes exalando luxúria, eu dedicava a Taehyung um olhar regado de pura admiração e carinho. Não negava meu desejo pelo corpo alheio, todavia, nunca quis apenas uma noite de sexo com ele. Desejava ter seu coração. Queria seu amor e seu carinho com a mesma intensidade que ambicionava as curvas de seu corpo. Porém, estava ciente que jamais teria qualquer um dos dois, afinal eu não passava de um nerd sem graça que o ajudava a garantir um dez em seu boletim.

-— Você não sabe o que é "disfarçar"? — questionou o Min, fazendo aspas com seus dedos e dando um tapa em minha cabeça logo em seguida. — Te peço para olhar disfarçadamente e, então, você faz cosplay de filme de terror, quase quebra o pescoço para olhar ‘pro menino e ainda fica com essa cara de tacho babando em cima dele.

Aish, não precisava me bater! — reclamei, limpando os cantos da boca, temendo que realmente estivesse babando, afinal não seria a primeira e nem a última vez.

— Sério, você deve ser o único cara que não o olha como se ele fosse um pedaço de carne.

— Taehyung é apenas... — comecei a argumentar em prol do crush, mas fui interrompido pela voz rouca e melodiosa do mesmo, fazendo com que me virasse prontamente para si, apreciando sua beleza de pertinho e dando falta do loiro baixinho que, estranhamente, não estava em seu encalço.

— Olá, Jeon — cumprimentou-me sorrindo cortês e, com a mesma rapidez que aquele belo sorriso cruzou sua face, o mesmo sumiu quando virou-se para falar com Yoongi. — E, Min, você poderia me fazer um favor? — pediu, recebendo um olhar questionador em resposta. — Vá se foder — ditou ríspido.

— Prefiro foder você, TaeTae — Yoongi respondeu sarcasticamente, um sorriso ladino brincando em sua face. Olhei para meu amigo, indignado, e, se pudesse fulminar pessoas com o olhar, ele com certeza estaria mortinho nesse momento.

— Jimin vai gostar de saber disso — rebateu Taehyung, cutucando o ponto fraco de meu hyung e me fazendo sorrir de sua língua afiada. O ruivo sempre tinha uma bela resposta para tudo.

— Ah, TaeTae, você sabe que eu estava brincando, né? — barganhou. — Além disso, não constatei nada além da verdade. Nosso menino Jeon é o único cara que não te olha como a bicha rodada que você é — argumentou, voltando a expelir seu costumeiro veneno e me fazendo ficar acanhado. Àquela altura do campeonato, Taehyung já deveria estar cansado de saber acerca do abismo que nutria por ele, já que nem eu e muito menos meu hyung venenoso fazíamos questão de esconder meus sentimentos.

— Claro, o Jeon é um amorzinho diferente desses trogloditas! — concordou, ignorando as palavras venenosas do baixinho e finalmente voltando-se para mim. Apertou minhas bochechas ao que ditava o quanto eu era um garotinho fofo e, por mais irritante que fosse ter alguém apertando minhas bochechas e me tratando como uma criança, achei aquele ato extremamente cute cute quando feito pelo Kim. Contudo, meu eu interior alertava-me que não desejava ser visto daquela forma pelo outro.

— Vocês poderiam, por favor, parar de falarem de mim como se eu não estivesse aqui? — questionei, fingindo uma falsa irritação. Com isso, Taehyung soltou minhas bochechas agora rubras e voltou-se para seu próprio armário que, por coincidência, também ficava ao lado do meu. Pelo menos nisso tive sorte: sou vizinho de armário do crush.

— Não sei vocês, mas eu estou de saída — avisou, pegando um livro e um caderno e os colocando dentro de sua bolsa antes de virar-se, balbuciando um bye, bye em despedida, e sumir pelos corredores da escola.

— Pelo menos ele te acha fofo — alfinetou Yoongi assim que a figura do ruivo desapareceu de nosso campo de visão.

— Me erra, Yoongi — ditei irritado, tendo meu ponto fraco facilmente afetado pelas palavras do baixinho. A vozinha irritante em meu interior sobressaía-se ao dizer: ele deveria te achar atraente, sexy, bonito, qualquer coisa menos fofo, fofo não é bom.

— E útil — continuou ao que revirei os olhos, dando-lhe as costas e caminhando a passos rápidos, deixando-o para trás.

Af, Gguk, me espera! — gritou, enfiando o livro apressadamente na mochila e batendo a porta do armário antes de correr atrás de mim.

Quando finalmente estava na sala de aula, sentei-me na terceira classe ao lado da janela como de costume, pluguei os fones de ouvido ao celular e deixei que a bela voz de Troye Sivann — cantando Happy little pill me embalasse ao mesmo tempo que esperava o primeiro professor adentrar a sala e meus poucos dias de paz e comodismo realmente tiverem seu fim.

A letra da música me fazia refletir sobre Kim, perguntava-me se ele se afogava naquela vida boêmia a fim de sanar o vazio de seu coração. Se ele mudara tanto devido a algum acontecimento que mexera consigo ou se sempre foi assim e se escondera atrás da imagem do garotinho inocente e recatado de sua infância e adolescência. Questões e mais questões sempre nublavam minha mente quando tentava entende-lo, teorias loucas eram criadas por minha mente e chegava a uma única conclusão: Taehyung é a minha pequena pílula de felicidade, não importando o quanto ele tivesse mudado, pois, mesmo sem saber, seus sorrisos quadrados iluminavam meus dias. Eu era viciado em observar cada detalhe do outro e desejava um dia também ser sua pequena pílula de felicidade e colorir o seu céu assim como ele coloria o meu.

As primeiras aulas passaram calmamente. Os professores lecionaram assuntos novos, passaram exercícios e trabalhos sem se preocuparem com o fato de que os alunos haviam acabado de voltar às aulas e seus corpos e mentes ainda não estavam 100% preparados para o ritmo acadêmico. As aulas mal haviam começado e já sentia que minhas energias haviam sido completamente drenadas. Vi o professor de filosofia cruzar a porta da sala e ajeitei-me na cadeira para ao menos tentar prestar atenção no conteúdo que o homem velho lecionaria.

— Bom dia, alunos — cumprimentou a turma, sorrindo cortês. — Hoje é nosso primeiro dia de aula após as férias e eu realmente espero que vocês estejam descansados e dispostos para o novo bimestre — declarou. — Como todos sabem, o terceiro bimestre é de grande importância para aqueles que não aproveitaram bem os bimestres anteriores recuperarem suas notas e concluírem o ano letivo sem problemas. Por isso, eu escolhi um novo método de avaliação: não farei provas como de costume, dessa vez vocês apresentarão um trabalho valendo a nota da prova. — A afirmação induziu a comemoração de toda a turma. — O trabalho terá como tema “ideologia”. Vocês deverão elaborar um projeto seguindo as normas do modelo científico e baseando-se em livros de filosofia de sua preferência. Cada grupo deverá escolher uma manifestação ideológica a ser analisada como, por exemplo, ideologia de gênero, e expor as formas e meios pelos quais tais valores ideológicos são expressos em nosso cotidiano, usando de criatividade para apresentar a problemática e uma possível intervenção social em prol da conscientização — instruiu. — O trabalho será realizado em grupos de até cinco alunos e quero a proposta de cada um até o final da semana que vem. Podem formar os grupos.

Era nesses momentos que nerds nada populares como eu imediatamente tornavam-se as pessoas mais disputadas da turma, afinal, quem não queria um babaca para fazer todo o trabalho duro?

— Jeon? — Ouvi a voz rouca de Taehyung me chamando entre muitas outras de forma sugestiva e eu sabia exatamente o que ele queria. — Vamos formar o mesmo grupinho de sempre, hum? — pediu, lançando um olhar vitorioso para os outros alunos que tentavam me convencer a entrar em seus grupos assim que maneei a cabeça positivamente, aceitando sua proposta.

O “grupinho de sempre” consistia em mim, Taehyung, Jimin, Yoongi e Hoseok. Apesar de não sermos realmente amigos, sempre fazíamos grupo juntos porque: 1) Taehyung fazia questão de me ter no grupo por razões óbvias; 2) Jimin era melhor amigo de Taehyung, onde o ruivo estava o loirinho ia atrás; 3) Yoongi afirmava participar dos grupos para me ajudar quando, na verdade, só queria mesmo uma desculpa para ficar perto de Jimin e 4) Hoseok era amigo de todos e tinha um rolo trilouco com Jimin e Yoongi. Resumidamente, eu fazia o trabalho com o auxílio do Min enquanto os outros três se aproveitavam de nossa boa vontade.

Assisti Taehyung caminhar animadamente até a mesa do professor, entregando a relação dos alunos de seu grupo e sorrindo para mim logo em seguida. Apesar dos pesares, o acobreado sempre era simpático comigo, estávamos longe de termos a relação que eu idealizava, mas ao menos não tínhamos uma relação ruim. Senti os dedos finos de Yoongi me cutucando e virei-me para saber o que meu hyung queria.

— Por que continua aceitando fazer trabalho com ele!? — questionou, indignado.

Aish, hyung, você sabe que é a única maneira que tenho de me manter por perto — respondi, sentindo as palavras que soltara me atingir e me entristecerem devido a verdade contida nelas. Eu era fraco e dependente o suficiente para prestar-me a esse papel.

— A única coisa que você consegue com isso é se tornar um capacho para o Taehyung! Poxa vida! Quando você vai ver que há muito tempo ele deixou de ser o garotinho por quem você se apaixonou?! — falou irritadiço, cansado por ver essa mesma situação se repetindo outra vez.

— Eu sei que o Tae mudou, hyung — admiti, cabisbaixo. — Mas ele ainda tem algo daquele garotinho dentro dele, não quero acreditar que ele se transformou assim, da água para o vinho — disse, entristecido.

— Deixa de ser iludido, pirralho, todo cego vê que Taehyung não passa de uma bicha rodada e falsa, menos você!

Aigoo, não fale assim dele, hyung! Olha para aquela carinha de bebê, como você consegue dizer algo assim? — perguntei, voltando meu olhar para a face bela de Kim Taehyung, compenetrado ao rabiscar algo em seu caderno e fazendo algumas caretinhas deveras fofas em minha percepção. Sentia meu pobre coração falhar algumas batidas e derreter-se somente por encarar a figura alheia.

— Desisto — falou, levantando os braços em sinal de rendição. — Não tem cura para sua doença. — Com isso, virei-me para frente, suspirando pesadamente.

Por mais que Yoongi tentasse colocar um pouco de juízo na minha cabecinha, nunca funcionava. Uma parte de mim, a racional, sempre ouvia e refletia sobre as palavras e conselhos de meu hyung, no entanto, meu lado apaixonado, simplesmente negava-se a aceitar a realidade por trás de suas palavras. Talvez eu estivesse mesmo cego perante os claros indícios de que Taehyung jamais voltaria a ser o mesmo garotinho do ensino fundamental ou encantado demais pelo garoto que ele havia se tornado para me incomodar, de fato, com isso.

É como dizem por aí: o amor é cego e me fiz cego de amores por Kim Taehyung.

June 26, 2018, 5:59 a.m. 1 Report Embed 10
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Alice Alamo Alice Alamo
Olá, sou Alice e venho pelo Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história possui uma ótima narrativa e com uma escrita fluida e sem erros. Logo, está verificada! Parabéns pelo trabalho ;)
Sept. 15, 2018, 7:19 p.m.
~

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