Apenas Memórias Do Passado Follow story

rk Raíssa Kreppel

Assim que a chamada foi encerrada, Donghae caminhou até a cama e se jogou sobre os lençóis macios enquanto enfiava o rosto em um travesseiro, gritando por estar tão frustrado e necessitado do mais velho. A destra capturou o celular largado ao seu lado, abrindo a galeria para fitar um pouco mais das fotos que tirou de Hyukjae. [EUNHAE][DRAMA]


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Capítulo Único

Fazia uma semana que Hyukjae saíra para uma convenção em Bangkok — Jongwoon estava expandindo a empresa e resolveu levar o amigo consigo, afinal nada melhor quem projetava as ampliações para explicar os objetivos que queriam — e estaria tudo certo se Donghae não estivesse morto de saudades e “subindo nas paredes” pelo moreno.

Todos os dias o mais velho ligava para o castanho através do Skype, mas infelizmente não passavam horas conversando — o que causava um imenso bico nos lábios de Donghae.

Preciso ir — Hyukjae sussurrou, olhando afetuosamente para o namorado enquanto deixava um suspiro meio triste. — Amanhã preciso convencer alguns empresários.

— Yesung deveria cuidar disso — falou, cruzando os braços ao mesmo tempo que virava o rosto para a janela. — Você é arquiteto e não um baba ovo.

Ele precisa de mim, Hae.

— Eu também — os olhos encheram-se de lágrimas por alguns instantes, porém ele logo tratou de dispersá-las. — ‘Tô com saudade — murmurou.

Eu sei, eu também estou — respondeu. — Tentarei voltar o mais rápido possível, ok?

— Ok, vai descansar — fechou os olhos, mandando um beijo com a boca. — Amo você.

Também, neném — sorriu, voltando o beijo para o castanho. — Até amanhã.


Assim que a chamada foi encerrada, Donghae caminhou até a cama e se jogou sobre os lençóis macios enquanto enfiava o rosto em um travesseiro, gritando por estar tão frustrado e necessitado do mais velho. A destra capturou o celular largado ao seu lado, abrindo a galeria para fitar um pouco mais das fotos que tirou de Hyukjae — quando estava seminu.

Um arrepio gostoso atravessara seu corpo rapidamente, causando a mesma sensação em seu membro. Queria que o namorado estivesse ali, quem sabe, brincando consigo à medida que procurava a melhor forma de satisfazê-lo. Logo um calor tomou o corpo de Donghae, levando-o a tirar as roupas em excesso, ficando apenas com a blusa regata e a cueca samba canção.

Lamentou baixinho, almejando que o mais velho estivesse em casa para lhe dar um abraço, enchê-lo de beijos e carinhos, mas por alguma ironia do destino ele estava em um outro país, quilômetros longe de si e nada poderia fazer, uma vez que estava num negócio importante. Naquele momento, Hyukjae tinha algo mais solene para fazer que acalentar os desejos impuros do mais novo.

E ele sabia disso.

Para amenizar os pensamentos tão focalizados no namorado — arquiteto, gostosão e dono da porra toda — e o quão estava preocupado — além da saudade intensa que sentia —, Donghae andou até a cozinha procurando por algum doce ao passo que indagava silenciosamente se valia a pena ver algum filmezinho — na pior tentativa de distrai-lo, visto que gostava de assistir aos programas enquanto abraçados, trocando muitos beijinhos.

— É isto que temos para hoje — murmurinhou ao pegar um pirulito esquecido no fundo do armário. O castanho se transformava em uma formiga quando se tratava de doce.




Tédio.

O menor olhava para o filme com tédio, às vezes piscando demais para um filme de ficção científica enquanto tombava a cabeça para trás — praticamente dormindo acordado —, mas ele seria mais forte e conseguiria terminar aquela porcaria que quase metade do planeta venerava.

— Preciso de café — checou as horas no celular, notando que passavam das três horas da manhã.

A questão era que se Donghae começasse um filme — mesmo que ele achasse um porre —, ele terminaria de assisti-lo e, caso não conseguisse no mesmo dia, muito provavelmente voltaria a procura-lo para terminar — e naquela conjuntura era algo que realmente não queria.

As andorinhas voltaram — cantarolou ao se lembrar de uma música estúpida que cantava com um amigo. — Ah, será que ele ‘tá online?

Abriu o aplicativo de conversas à medida que esperava a máquina terminar o seu cafezinho.

Donghae: Shindong!
Lançou esperando que ele respondesse logo ou que apenas possuísse tempo para conversar consigo — em plena madrugada, quem nunca?!
Donghee: Hae? É você?
Donghae: Queria ser irônico, mas não consigo. Então sim, sou eu.
Donghee: Pelo visto o senso de humor do Hyukjae passou para você. A propósito, há quanto tempo. Como vai? Aconteceu alguma coisa?
Donghae: Não...
Donghee: ‘Tá precisando desabafar? É sobre aquilo?
O castanho arregalou os olhos, sentindo-os se encherem de lágrimas. Sabia que Shindong não perguntava por maldade, porém aquilo atingira seu coração em cheio e tão rapidamente que nem o fôlego foi poupado.
Donghae: Depois nós conversamos, sim? Preciso ir.

As mãos começaram a tremer, sentia-se impotente e a culpa rapidamente atingiu os sentidos. Um nó se formou na garganta, prendendo o soluço esganiçado que sairia sem dó.

Cristo, por que chamei Donghee para conversar?, indagou enquanto se encolhia no lugar.

A cafeteira apitava avisando sobre a bebida pronta, contudo, naquele pequeno instante em que todos os problemas retornavam para sua cabeça, Donghae pouco se importou para a bebida. Ele realmente e profundamente precisava de Hyukjae.

Em menos de alguns milésimos de segundo o menor digitou o número do mais velho, considerando-se insolente demais para atrapalha-lo numa hora daquela.

Dong... hae?

— Me desculpa — soluçou, escorregando pelo armário da cozinha até estar sentado no chão. — Me desculpa.

Em um sobressalto Hyukjae saiu da cama, andando até o guarda-roupa do cômodo para resgatar uma calça qualquer. O namorado estava chorando e aquilo poderia ser um mau sinal. O nervosismo começou a atormentá-lo, precisava pegar o próximo voo para Seoul!

O que aconteceu?

— É tudo culpa minha — permitiu que as lágrimas trilhassem e molhassem todo seu rosto. — Só minha.

Calma — tentou respirar fundo, pois já imaginava sobre o assunto que tanto atormentava o mais novo. Fazia tanto tempo, mas tanto tempo que nem imaginava ou se permitia pensar como seria se ele lembrasse.

O coração martelava mais forte dentro da caixa torácica. Apreensivo e deveras preocupado eram as palavras que invadiam a cabeça. Que porra, era para o moreno estar ao lado do castanho quando acontecesse e, até então, encontrava-se em Bangkok. Numa merda de convenção sem sentido e que somente Jongwoon poderia resolver.

— E-eu vou c-chegar em casa — gaguejou, jogando de qualquer jeito as coisas que havia levado. — Respira fundo, amor, só... respira — pediu ao mesmo tempo que encerrava a ligação, amaldiçoando-se e rezando para que houvesse um voo para Coreia.

Uma luz automaticamente se acendeu, lembrando-o que Kyuhyun morava perto do apartamento que viviam. Bastava ligar para ele! Tinha que ligar para ele, mesmo que o mais novo o detestasse infinitamente pelo favor que pediria — mas era por uma boa causa e Hyukjae queria que Donghae apenas ficasse completamente bem.

À medida que andava desesperadamente pelo quarto atrás das peças jogadas de qualquer jeito, ele sacou o celular do bolso e discou para o amigo.

Alô?

— Kyu, — saudou sem fôlego — só me escuta, ok?




Donghae não possuía mais forças para sequer soltar algum som de lamentação. Ele sentia apenas as gotas salgadas molharem seu pescoço, sua camiseta, e, não mais que a sua alma. Pouco se importava — até porque demorariam horas para Hyukjae estar em casa. Quanto mais o tempo passava, mais o menor se encolhia assustado com a realidade e em como era negligente por se permitir esquecer.

Era bom demais para ser verdade. Alguma hora ele teria que acordar para a vida e enxergar.

Covarde.

Não — murmurinhou enquanto esfregava a testa de um lado para o outro contra o joelho. — Não sou — o queixo tremeu, evidenciando que não acreditava na própria mentira ou meia verdade que dizia para si.

O próximo passo seria puxar os cabelos com todas as forças que tinha, entretanto, duas batidinhas na porta foram feitas. Tirando-o do ar por poucos instantes, mas tempo o suficiente para que se elevasse e corresse até ela para abri-la — pois achava piamente que Hyukjae era alguma entidade histórica que fazia milagres e por isso havia chegado tão rápido.

Só que mais uma vez naquele maldito dia, ele se frustrou.

E lá estava o garoto que apelidara carinhosamente de “vaco” por deter a atenção do namorado, mas Donghae entendia que excedera o limite. Afinal, Kyuhyun não tinha culpa de ser um amigo com vontade de rever outro.

— Posso entrar? — indagou, preocupado. O garoto transmitia toda preocupação no olhar que direcionava para o castanho, notava o verdadeiro caos que ele estava e, aparentemente, em questão de poucos minutos. — Hyuk e eu estamos preocupados com você.

Sem dizer nada o menor se afastou alguns centímetros, dando a devida passagem para o maior.

— E-ele já está vindo — sussurrou timidamente. Por algum motivo Kyuhyun queria protege-lo, guarda-lo em potinho se fosse possível. Só que ele não sabia como se aproximaria do mais velho, como o confortaria. — Desculpe-me por apa...

— Não tem problema — respondeu com dificuldade, fitando-o tão intensamente ao mesmo tempo que sentia as vistas arderem. — N-não tem pr... — soluçou.

E mesmo que se sentisse impotente e um perfeito intruso naquela situação desconfortante, o mais novo puxou Donghae para um abraço afetuoso, notando o mais velho se encolher e esconder o rosto em seu peito enquanto voltava a chorar descontroladamente.

A única opção que possuía naquele momento era abraça-lo para transmitir a pouca tranquilidade que detinha. Kyuhyun não sabia metade da história do amigo com o namorado, mas tinha a ciência que algo extremamente trágico atingiu o casal durante alguns meses junto da dolorosa separação provocada pela família do outro.

Era notável que Hyukjae não fazia ideia do quanto Donghae sofria, mesmo que este não falasse nada. Apenas guardava para si, deteriorando-se lentamente pela própria cabeça e enquanto fingia que tudo estava perfeitamente bem.

Não estava.

Eu sei que isso não vai ajudar — iniciou, abraçando-o mais forte quando escutou mais um gemido dolorido abandonar os lábios do mais velho. — Mas tente respirar fundo, ok? — falou. — Hyukjae ‘tá vindo, Donghae.




No entanto, seria muita hipocrisia e mentira afirmar que Hyukjae estava bem, porque ele também não estava. Ninguém via, escutava ou imaginava o quanto o moreno padecia sobre os meses angustiantes que viveram. Em como se machucou socando as paredes, tentando aliviar aquela amargura que afligia seu coração. O choro desesperado por querer Donghae e não tê-lo perto, nem para cuidar.

Em como...

Ah...

Não pôde fazer nada para ajudar a própria filha se livrar da morte. Lembrava-se do castanho completamente machucado e apagado na beira da estrada, com o sangue escorrendo abundantemente da cabeça. Da pequena garotinha — essa seria uma lembrança dolorosa para ser puxada completamente das entranhas do moreno — presa entre as ferragens do carro. E ele, Hyuk, absolutamente preso no cinto de segurança, tentando mover os abraços e as pernas para caminhar até a sua pequena e o amado.

Não sentia os machucados profundos pelo corpo todo. Não tinha noção, porém ele estava pior que o namorado. O horrendo era se sentir anestesiado quando queria ajuda-los!, era sua função e não conseguia se mover. Sua mente estava uma confusão à medida que via Sunhee dar os últimos suspiros, os gritos saíam desesperados de sua boca e os olhos entreabertos se encheram de lágrimas, querendo alcança-la. Querendo dizer que ainda estava ali, que ia protege-la como prometeu.

Mas...

Ele fracassou e não conseguia nem se aproximar para abraça-la uma última vez. Talvez fosse seu castigo por ter discutido tanto com Donghae, fazendo-os se sentirem tristes ao vê-lo se focar tanto para o trabalho e menos para a família. Os orbes vagaram até o corpo do castanho, permitindo que sucumbisse ao choro e ao medo de perde-los.

— Sunhee! — gritou, agitado.

Com o passar do tempo ele ficou ofegante tentando e tentando se mover, mas sempre em vão.

Sunhee!

Não conseguia escutar se havia algum socorro a caminho. Centrava-se somente na filha e no companheiro, que estava alguns metros distante do carro destroçado. De pouco em pouco ele forçou algum movimento, sendo capaz de levar a destra até a perna da menina, que ainda lutava pela vida ao mesmo tempo que via o esforço do pai para alcança-la.

Ela queria dizer que o amava apesar de tudo, independentemente de ter passado tempo insuficiente consigo desde a adoção. Sunhee amou conhece-los, e, principalmente, ser amada por eles.

Achava engraçado quando Donghae a mimava demais e a defendia nos momentos que estava errada. Ou quando Hyukjae ensinava a desenhar, dando-lhe carinho e atenção que precisava — isso quando ele não se enfiava no escritório.

Diziam-na que nunca, jamais e em hipótese alguma seria adotada aos dez anos de idade — e em certo ponto desistiu ao notar que somente as crianças mais novas eram as “preferidas” — e lá estava o jovem casal extremamente apaixonado querendo adotá-la, contradizendo qualquer comentário maldoso que lançavam para si.

Um arfar dolorido abandou os lábios secos da pequena, ela queria dizer “eu te amo” como fazia quando ia dormir ou sussurrar um “sempre”. Queria muito!, mas estava tão difícil e parecia tão cansativo que se calou enquanto fechava os olhos.

— Sunhee! — a voz parecia distante e estava. — Por favor.




A porta do apartamento se abriu lentamente, dando passagem para um Hyukjae extremamente cansado, preocupado e de olhos vermelhos — depois de tantas horas que se permitindo chorar pela lembrança dolorosa que lhe invadiu.

O moreno largou a mala próximo da cômoda que havia na entrada, andando depressa até o quarto e notando o namorado apagado sobre a cama enquanto Kyuhyun lia uma revista de interiores sentado no chão, apoiando as costas no móvel que acomodava o outro.

Vocês precisam conversar — o mais novo sussurrou à medida que fechava a revista para encará-lo. — Eu não sei o que vocês passaram, espero que algum dia possa compartilhar isso comigo para soltar essa dor acumulada — levantou-se. — Até lá, pode contar comigo sempre que precisar, ok?

Ok — sentiu o queixo tremer.

Ele cochilou há uns minutos — respirou fundo, parando em frente do amigo. — Ah, essa é a minha deixa. Até mais.

Obrigado — murmurinhou sem olhar para trás.

— Não por isso.




Já era noite quando Donghae acordou.

Ele tentou se acostumar com a escuridão que invadia o quarto quase beirando em desespero — lembranças e mais lembranças —, mas logo sentiu o cheiro do namorado e os braços trazendo-lhe para perto ao passo que os dígitos da sestra faziam cafuné.

Automaticamente ele levou as mãos para a camisa social que o maior vestia, puxando-o para si, e, assim, enterrando o rosto em seu pescoço.

O silêncio reinou durante um tempo, restavam unicamente os cafunés e selares que Hyukjae dava no amado. Mimando-o conforme podia, aquela era uma maneira de pedir desculpa, pois as palavras não existiam mais e embora tentasse expressar algum conforto para Donghae, o mais velho sentia um nó crescente na garganta.

Hyukkie.

— Eu sinto muito — soluçou, apertando-o no abraço. — Me desculpa, Donghae!

O peito ardia como se tivesse em chamas e o oxigênio parecia insuficiente, fazendo-o tremer à medida que chorava. O castanho estava estático e com os olhos arregalados, uma vez que ainda não acreditava nas reações que Hyukjae externava, demonstrando tanta fraqueza, tristeza e culpa que guardava — e nunca brigou ou reclamou quando precisava cuidar do mais novo, sendo seu pilar —, revelando que realmente não era de ferro.

Donghae também queria chorar, gritar e bater em alguma coisa até que aquele sentimento ruim sumisse. Contudo, ele notava que precisava nutrir forças para que pudesse ajuda-lo. Tinha força o suficiente para conseguir!, ele precisava.

Pelo menos alguma vez devia se sentir menos culpado, mesmo que não possuísse culpa alguma. Ele sabia disso. Hyukjae também.

Ela ‘tava tão perto de mim — murmurou sem fôlego, grudando-se mais ao corpo do namorado. — Eu, eu podia...

— Shiu — selou minimamente os lábios com o outro. — Ei, — chamou-o com calma, mesmo que tudo estivesse triturado em trilhões de pedaços e com sua alma sangrando há meses, querendo chorar como fizera antes do companheiro chegar em casa — respira, por favor.

— Não consigo!

— Olha ‘pra mim — pediu bem baixinho.

Assim que os olhos de ambos se encontraram, notaram o quão saturados estavam e sequer puderam conversar corretamente quando tudo aconteceu — não tiveram chances. Alcançaram uma situação em que eles não suportavam mais, era um fato. Bem como deveriam ter escutado Jongwoon — quando este sugeriu que se consultassem com Donghee.

Respira comigo — murmurinhou, liberando algumas lágrimas no processo. Um outro fato que o castanho detestava, era vê-lo chorar . — Assim — puxou o ar devagar, aproximando-se mais. — Só respira.




— Ei, Hyukjae, onde você está? — Jongwoon falava apressadamente, andando até o portão de embarque. — Você sumiu. Não me abandona, não agora”.


“— Os ferimentos dele são graves — murmurou o médico bem cabisbaixo, ele mordia o lábio inferior numa tentativa de conter sua frustração e para a próxima informação que daria ao paciente. — Tem mais uma coisa — tomou fôlego para encarar o castanho, que estava praticamente todo enfaixado devido aos ferimentos. — A menina...

— O que tem ela? — a voz quase não saiu. — O que tem Sunhee? Cadê a minha filha?

— Acalme-se — ditou assim que percebeu a alteração cardíaca nos monitores.

Donghae não podia se estressar!

— Ou terei que sedá-lo novamente — e mesmo que estivesse profundamente triste por ter que narrar os acontecimentos trágicos ao jovem rapaz, ele se segurou para que não chorasse e terminasse com o controle que teve de adquirir quando aquela família entrou pelas portas de emergência”.


“Donghae estava estático diante do túmulo da pequena que adotara. As lágrimas não paravam de sair da mesma forma que o corpo não parava de tremer enquanto aquele pesadelo não passava nunca! Todos os dias levava um tapa bem dado em seu rosto.

O medo de não conseguir seguir em frente o perturbava. As imagens da perícia quando foram interroga-lo sobre o acidente. Como Hyukjae estava. Como Sunhee estava. Os dois...

Não conseguiu prender o soluço na garganta assim que se lembrou da tortura que passou nas últimas duas semanas. A perda da única e maravilhosa criança que adotaram e amaram incondicionalmente. O coma induzido de Hyukjae. O peso de tudo aquilo caindo em suas costas, uma vez que sua família e do mais velho não o deixava em paz.

Em pouco tempo ele caiu de joelhos perto da lápide de Sunhee. As mãos tentavam refrear os barulhos que abandonavam seus lábios enquanto as gotas salgadas seguiam o rumo até seu pescoço.

Queria se livrar daquela culpa asquerosa que impregnou seu coração. Era tudo culpa sua! Sua e daquela vontade de querer Hyukjae mais em casa!

Os orbes castanhos fitaram outra vez o nome da pequena, levando-o a balançar a cabeça. Negava-se em acreditar que realmente estava acontecendo, não podia! Se pudesse, se tivesse mais uma chance com ela, ele daria a própria vida para que Sunhee crescesse feliz.

— Me perdoa, bebê — sussurrou entre os gemidos esganiçados”.


“— Você tem que descansar — falou Jongwoon, apertando a sestra contra o ombro de Donghae.

— Tenho que ficar ao lado dele — retrucou sem olhá-lo. Os dígitos da destra se encontravam entrelaçados com os do mais velho. — Ele, — mordeu o lábio inferior ao mesmo tempo que respirava fundo — ele tentou salvá-la, sabia? — derrubou uma lágrima. — E quando estava quase conseguindo, quase tirando o nosso bebê, o carro... ele...

— Donghae...

— Não vou sair daqui, Jongwoon — negou com a cabeça. — Meu lugar é aqui, com ele”.


“— Já faz um mês, Hae — Jongwoon murmurinhou, encarando o companheiro do amigo sentado naquela poltrona velha do hospital. — Uma hora você vai ter que sair daí.

— ‘Pra quê? — indagou já de saco cheio das pessoas ao seu redor. A raiva estava quase explodindo, quase o levando ao colapso. — ‘Pra você ou qualquer outro tirar a única pessoa que realmente se importa comigo? — trincou os dentes. — Eu perdi meu emprego e minha filha! — apertou os dedos contra as coxas. — A vida do meu marido está em uma corda bamba, mas tudo que escuto são críticas ou como devo me portar! Vão ‘pro inferno!”.


“Uma enfermeira limpava delicadamente o tronco de Hyukjae.

Faziam dois meses desde o acidente, um desde resolveram parar com a indução do coma. E, no entanto, não conseguiram os resultados que queriam. Donghae praticamente morava naquele quartinho que abrigava o corpo adormecido do mais velho.

O castanho ignorava toda e qualquer mensagem ou ligação que faziam para si. A única visita que acontecia, e, ainda sim ficava extremamente irritado, era quando Jongwoon aparecia.

Ele não se importava mais. Na verdade, queria somente passar uma borracha naquele acidente, naqueles meses. Acreditava piamente que seria menos doloroso.

— Donghae — escutou o comprimento do amigo de Hyukjae.

— Jongwoon”.


“— Enfermeira! — Donghae gritava apavorado da porta do quarto. — Enfermeira! Alguém, por favor — voltou o olhar para o corpo que convulsionava sobre a cama, pensando em que poderia fazer para ajuda-lo, mas logo sentiu seu corpo ser puxado para fora do quarto”.


“— Volta ‘pra mim, por favor — implorava entre prantos. As mãos apertavam com força o braço esquerdo do maior. Desejava que ele reagisse! Almejava que ele acordasse! Ansiava pelo seu sorriso, seus beijos e até discussões. — Hyukjae! — balançou-o. — Hyukkie!

Não muito distante do castanho estava Jongwoon, este tentava segurar o choro. Era praticamente impossível ficar estável quando recebia uma notícia daquela.

— Hyukkie, por favor!”.


“— Ele é meu filho! — berrou o homem parado perante a porta do quarto. — Eu decido o que fazer com ele!

— Vocês o abandonaram! Nunca sequer vieram visita-lo quando tudo aconteceu! — respondeu no mesmo tom. — Eu fico todos os dias, eu não durmo ‘pra que nada de ruim aconteça e você, numa ação egoísta, quer tirá-lo de mim?! — tombou a cabeça para o lado. — Que porra de pai é você?

— Um pai que quer o melhor ‘pra ele, eu sei o que fazer!

— Ah, sabe? — riu, nervoso. — Encher o meu saco, não respeitar o meu luto e nem o seu filho parece realmente ser o melhor para se fazer — ironizou, notando os guardas da ala hospitalar se aproximarem. — Nos deixe em paz”.


“A testa do castanho estava encostada no colchão da cama hospitalar ao mesmo tempo que os dígitos da sestra permaneciam entrelaçados com os do companheiro.

O tempo era uma coisa que passara a ser supérflua. Mas estava cansado, exausto. Triste demais para lidar com os dias. Ou com qualquer outro acontecimento. Até os pedidos para que Hyukjae voltasse se tornaram escassos, quase sem esperanças.

— Eu te amo — disse, fechando os olhos. — Amo muito — sentiu o queixo tremer.

Um aperto mínimo fora feito entre seus dedos. Os olhos se arregalaram à medida que virava a cabeça para fita-las. Lá estava o indicador se movendo devagar na parte superior da sua mão.

— T-também — tentou continuar, porém logo iniciou uma série de tosses quando sentiu a garganta seca demais”.


“— O quê? — o moreno questionou, desacreditado.

— Sinto muito — Donghae sussurrou. — Sinto muito!”.


“— Isso tudo é culpa minha! — falou parado em frente da lápide. Sentia-se envergonhado, enojado e revoltado demais consigo mesmo, indagava-se como o menor ainda suportava ficar perto de si.

— Não diga bobagens!”.


“— Já disse que não irei com você! — gritou, tirando as mãos do homem das próprias roupas. — Meu lugar é com Donghae.

— Seu lugar é com sua família e não com um pé rapado — falou entredentes. — Eu vou fazer da sua vida um inferno se não entrar nesse carro — segurou-o pela gola da camiseta mais uma vez. — Você faz o que eu mando. E se eu mandar você entrar nessa merda, você entra — bateu em seu rosto. — Ou, talvez, você queira que as consequências atinjam a merdinha do seu namorado, hm?

— Hyukkie! — ouviu os passos apressados do mais novo.

— Entra nessa merda, Hyukjae, agora!

— Hyukkie! — o queixo do castanho tremia em medo e tristeza. As pernas se moviam como podiam; ele tentava ser mais rápido e, vez ou outra, acabava esbarrando nos próprios pés. — Hyukkie, n-não!

— Tem três segundos — ditou.

Por pouco tempo fitou Donghae de soslaio, reparando as lágrimas molharem suas bochechas. Tinha tanta vontade de abraça-lo, protege-lo.

— Se encostar mais um dedo em mim, eu faço questão de retribuir dez vezes pior — empurrou-o com força. — Você não é ninguém ‘pra me ameaçar ou a Donghae — cuspiu, tentando se afastar do pai.

— Se não vai por bem, vai por mal — sentiu ser puxado em direção ao veículo.

Tentava lutar contra a força do pai, queria se afastar e correr até os braços do amado, mas ainda estava fraco e ela começava a consumi-lo completamente.

— Me larga! — Tentou chutá-lo. — Eu não sou mais criança! Me larga!

Algumas pessoas olhavam para a cena com horror, porém sem iniciativa alguma em ajuda-lo. Não queriam.

— Hyukkie! — o choro se rompeu diante daquele espetáculo nojento e armado pelo genitor do namorado. E quando estava prestes a se soltar novamente, ele foi lançado nos bancos traseiros e preso assim que as portas se fecharam

Tudo ficou tão escuro. Tão estranho. Ambos ficaram imóveis e as mentes vazias. Aquele seria o fim ridículo para eles?”.

June 25, 2018, 7:21 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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Raíssa Kreppel Ficwriter floppada. Ativista do só sei que nada sei. #SuperJunior.

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