The Truth (never) Untold Follow story

vitoriasobral Vitória Sobral

Após a morte de sua mãe, Eun Ha Won não imaginou que a sua vida pudesse, de fato, piorar. Passando por um desgaste psicológico, emocional e físico quase todos os dias, Ha Won procurava manter-se de pé e tirar uma força extraordinária - que nem sequer existia mais - de dentro de si, permanecendo com a pior máscara que ela já poderia ter usado em toda a sua vida e tentando manter seu castelo de areia de pé. Com medo de perder as únicas pessoas que ainda restavam em sua vida, escondia a verdade como se fosse um dos males contidos dentro da Caixa de Pandora. Tendo que lidar com toda a barbárie que lhe acontecia e com toda a pressão causada pela faculdade ao mesmo tempo, Ha Won conta com o seu melhor amigo e porto seguro, Jung Hoseok, para superar e suportar toda a dor que sentia.


Fanfiction Not for children under 13.

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Prólogo

 Nunca em sua vida Eun Ha Won imaginou passar pelo o que estava passando, afinal, sua vida sempre fora perfeita quando se tratava de sua família e de suas amizades, sempre rodeada de amor e carinho, por pessoas que demonstravam se importar tanto com ela ao ponto de ter a total certeza de que nunca estaria sozinha no mundo. Ah, mero engano... Antes ela tivesse previsto isso. Eun Ha Won nunca imaginou que sua vida poderia mudar em questão de segundos, assim como quando a água mudou para o vinho. 


 Faziam exatos quatro dias desde o acidente de sua mãe, desde que Ha Won perdeu uma parte de si, uma das mais importantes, vale ressaltar. Era o fim do terceiro e último dia do funeral e ela tinha, junto ao seu pai, acabado de decidir o destino das cinzas da mulher. Não foi uma decisão muito difícil de se tomar, mas foi uma situação muito difícil de se suportar. Nunca imaginara que algum dia teria que passar por isso, nunca imaginara que um dia iria cremar sua mãe e, muito menos, imaginara receber a notícia de sua morte. 
 A lei da vida é clara: todos, um dia, irá morrer. Saber disso é fácil, aceitar é onde mora o problema. Aceitar que pessoas próximas um dia irão morrer é onde, realmente, mora o problema. Então, como se não fosse nada, todos tendem a acreditar que ninguém nunca irá morrer antes de si mesmo, que nunca vai precisar passar por tamanha dor e sofrimento por ver alguém importante partir. E foi esse pensamento que a Ha Won aderiu para si, o pensamento de que nunca iria perder os seus pais. Porém, ao aderir tal pensamento, esqueceu-se da segunda lei da vida: nenhum pai deve enterrar o próprio filho. Se a dor de enterrar um de seus progenitores já é absurda de se aguentar, a de enterrar um filho é mil vezes maior.

 Ha Won não conseguia parar de se perguntar o por que, não conseguia parar de se questionar se realmente havia um Deus e o por que dele estar fazendo aquilo com ela. Para ela, tudo aquilo ainda era muito surreal, achando que em certo momento iria acordar assustada e correr até o quarto de seus pais só para ter a certeza de que aquilo não se passava de um pesadelo. Um pesadelo de muito mal gosto produzido pelo seu subconsciente, diga-se de passagem. Mas, ali, dentro do carro de Jung Hoseok e vendo as luzes do lado de fora passarem rapidamente por eles, a ideia de tudo ser um pesadelo começava a se tornar impossível e a realidade começava a lhe atingir. Ela não tinha mais a sua mãe junto a si. Ha Won não ia mais ter com quem conversar de madrugada sobre suas neuroses sem sentido em relação a si mesma, não ia mais ter com quem compartilhar seus sentimentos amorosos e nem iria ter a pessoa que mais a incentivava e a botava para cima no mundo. Ao mesmo tempo em que pensava sobre isso, se sentia a pessoa mais egoísta do mundo, afinal, ela ainda tinha o seu pai. O seu pai que sempre fora o seu melhor amigo e que sempre vira como o melhor homem que poderia habitar a Terra, o seu verdadeiro super herói nas madrugadas em que acordava chorando por conta de um pesadelo quando ainda era criança. Sorriu de leve ao lembrar de um de seus momentos em família, quando seus pais chegavam no seu quarto para a acalmar e deitavam junto a si em sua cama e, enquanto sua mãe cantava alguma música calma para a acalmar, seu pai fazia o melhor cafuné que ela poderia receber de alguém. Lembrar desses momentos fez com que a menina lembrasse de outros e mais outros e mais outros... E, com isso, a realidade lhe assolou como não havia feito antes. Ha Won se dera conta de que, há quatro dias, ela havia perdido um de seus alicerces. 

 Ao chegar a tal conclusão, não conseguiu mais segurar o choro que estava segurando todos esses dias. O choque foi tão grande que ela simplesmente não conseguia chorar, não conseguia derramar uma lágrima sequer, o que havia deixado a situação ainda pior. Mas, naquele momento, não tinha Santo que a fizesse se acalmar. Com a cabeça apoiada na janela e observando o lado de fora, o choro começou baixo e calmo, tão calmo quanto a garoa que molhava o carro, o que fez com que Hoseok não percebesse. Porém, em questão de segundos, a menina já se encontrava fungando e suas lágrimas já desenhavam o formato de seu rosto de forma descontrolada, sem forças nem para conseguir enxugá-las. Percebendo a situação da amiga, o menino parou o carro no acostamento, ligando o sinalizador logo em seguida, enquanto esperava a amiga se acalmar. Ao menos era isso que ele achava que iria acontecer. Ha Won encostou a cabeça no encosto do banco, posteriormente jogando o seu tronco para frente e apoiando a cabeça em suas mãos, seu choro tornando-se mais alto e mais forte gradativamente, o que fazia o coração do amigo doer. Eun Ha Won sempre foi vista pelas pessoas próximas como um pedaço de alguma pedra valiosa que não merecia nada de ruim que o mundo tinha a oferecer - o que não era pouca coisa - e vê-la naquela situação não era nada fácil. 

 Jung Hoseok e Eun Ha Won eram amigos de infância, estudavam juntos desde que se entendiam por gente. Por ser tão próximo à menina, também era muito próximo dos pais da mesma, que os viam como filho, logo, ele estava tão mal quanto com toda a situação. Independente de estar sentindo uma dor enorme, ele tinha plena consciência de que nenhuma dor comparava-se a que a menina e o pai estavam sentindo. Era uma dor impossível de se imaginar por alguém que nunca a sentiu. E, também independente de toda a dor, ele não queria demonstrar, ele só queria apoiar a amiga. Sendo honesto com si mesmo, Hoseok estava com medo de se deixar desmoronar e acabar fazendo com que a amiga ficasse ainda pior, com que ela caísse ainda mais. A única certeza que Jung Hoseok tinha, era a de que mesmo se esconder seus sentimentos tomassem toda a sua força, ele permaneceria ao lado da amiga. E os sentimentos nos quais tentava esconder não se tratava apenas da tristeza que estava sentindo por perder alguém que o considerava como um filho, ia muito além desse. 

 Ao ver sua amiga desabar bem a sua frente, foi impossível não desabar por dentro junto a ela - afinal, sua intenção não era demonstrar emoção alguma. Suspirando, Hoseok prontamente soltou o seu cinto e o da menina, a puxando para perto de si e a abraçando. Ha Won afundou seu rosto na curvatura do pescoço do amigo e ali se permitiu desabar de vez, o apertando cada vez mais forte. Infelizmente, por mais que o abraço do amigo lhe trouxesse um conforto gigantesco, sua dor não parecia diminuir nem por um segundo e muito menos um milésimo. 

 -  Dói tanto. - sua fala saiu quase sem voz. - Dói demais, dói ao ponto de eu sentir que minha vida está se acabando junto a dela. - Ha Won soluçava e suas frases quase não saíam completas.  

 Novamente, Hoseok suspira, tentando permanecer estável aparentemente, abraçando a amiga ainda mais forte e levando uma de suas mãos até o cabelo da menina, começando um carinho calmo enquanto tentava a consolar. 

 - Hoseok, - a menina começou novamente, gaguejando mais do que anteriormente. - meu coração 'tá doendo demais. - se afastou do menino com certa dificuldade para respirar, o que só estava fazendo com que o mesmo ficasse levemente desesperado com a situação da amiga. - Eu sinto como se o meu coração fosse parar de bater a qualquer momento, parece que minha hemoglobina está baixa e, consequentemente, o nível do meu oxigênio também. Eu não consigo respirar direito. - mesmo com toda a situação, foi impossível Hoseok não rir de leve com a fala da amiga, que não conseguia deixar sua paixão por biologia de lado nem nesses momentos. - Eu só queria entender o motivo disso tudo estar acontecendo comigo. Por que justamento comigo? 

 Sorrindo minimamente, Hoseok acariciou o rosto da menina, automaticamente enxugando suas lágrimas que ainda insistiam em rolar por ali. - Coisas ruins acontecem com pessoas boas. - Foi sua resposta para o questionamento da menina, voltando a abraçá-la logo em seguida. - Eu prometo que vou tirar toda essa dor de dentro de você. 


 Tanto a família quanto a vida que mais pareciam um comercial de margarina já não eram mais as mesmas. A pessoa que um dia lhe jurou nunca lhe abandonar e sempre procurar melhorar, principalmente, já não era mais a mesma. Essa era a sua maior dor. O seu melhor amigo que sempre tentava lhe acalmar nas noites em que tinha um pesadelo em sua infância, lamentavelmente, já não era mais o mesmo. 

 Agora, a sua vida não passava de um verdadeiro castelo de areia, que quando teve sua primeira chance, desmoronou-se. 

 Mesmo com o seu coração e sua alma doendo e queimando como o inferno, Eun Ha Won sempre procurava manter o sorriso no rosto. Ela tinha medo de ser abandonada pelos que ainda permaneciam junto a si e se sentia patética por isso, mas, considerando toda a sua situação atual, a única coisa que se passava em sua mente que se encontrava em total confusão era: "eu não posso deixar explícito para ninguém a pessoa miserável na qual eu me tornei." e, com isso, ela permanecia mascarando a sua verdadeira realidade.

 Quando se é criança, todos tendem a achar que podem controlar tudo o que acontece em sua vida, tendem a achar os adultos complicados e a se perguntar o porquê de tanto drama se tudo pode ser resolvido com uma boa brincadeira um uma boa sobremesa. Quando se é criança, ninguém consegue parar para imaginar que é possível, sim, algo dar errado em sua vida, afinal, as crianças acham que têm total controle, certo? Então, quando essas crianças crescem, começam a se questionar em que momento ela errou e acabou por perder o controle de sua vida, em que momento ela deixou chegar aquele ponto. Essa era, não a, mas uma das maiores dúvidas que rondavam sua mente. Em que momento ela se deixou levar e aceitar toda aquela situação? Aceitar. Não, essa não era a palavra certa, mas, suportar, definitivamente era. Ela suportava aquilo toda semana, quase todos os dias. Ela suportava o seu desgaste físico, emocional e psicológico diariamente. Ela suportava toda aquela barbárie que já vinha acontecendo há um tempo. Ela suportava. E doía demais suportar. Doía mais ainda saber que ela não podia fazer nada. Ou podia, mas não queria. E se sentia miseravelmente fraca e covarde por isso. Se sentia, acima de tudo, uma pessoa absurdamente suja. A única coisa que Ha Won conseguia fazer era gritar internamente, mantendo seus demônios acordados todos os dias e a todo segundo. Porém, de qualquer forma, a menina ainda acreditava que tudo iria mudar. Que, ao nascer o sol e começar um novo dia, (quase) tudo iria voltar para os eixos e ela poderia voltar a ter um pouco de paz dentro de si e em sua vida. O problema, o único problema, era que esse novo dia nunca chegava. Eram sempre os mesmos dias, era sempre a mesma coisa, era sempre o mesmo sentimento de frustração. E, com isso, enquanto os dias passavam, Eun Ha Won sobrevivia. Sobrevivia esperando um dia voltar a ser feliz, esperando ficar forte, mas, contraditoriamente,  a cada dia ela se tornava mais fraca. A cada dia ela perdia um pouco da força que ainda lhe restava. E, todos os dias, ela se perguntava se conseguiria sair desse labirinto indigno. Eun Ha Won olhava para as estrelas todos os dias e pedia que, por favor, caso haja alguém maior morando naquela imensidão azul, que esse alguém acabasse com tudo aquilo e a ajudasse. Ela implorava. Afinal, não aguentava mais esse grito de socorro preso a sua garganta.

 Sua única opção era a de reconstruir o seu miserável castelo de areia e juntar forças para que ele não voltasse a desmoronar, por mais que ela soubesse que ele nunca poderia ser reconstruído. Eun Ha Won havia perdido o seu caminho e não se sentia capaz de encontrá-lo. 

June 24, 2018, 10:45 p.m. 0 Report Embed 0
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