wbystar Clara cury

As margaridas fizeram parte da vida de Jaemin, assim como fizeram parte da vida de Jeno. Aquelas que recebia todos os dias do garoto da floricultura, sempre nos mesmos horários e com um belo e fofo sorriso no rosto. Em um dia, essas flores não chegaram até Jeno, o que o levou a entrar na floricultura e comprar as flores por si só. Acabou por conhecer Jaemin, o garoto das margaridas, aquele que tinha um fascínio por plantas de todos os tipos. E, nesse dia, Jaemin começou a dar aulas para Jeno de como entender mais as flores. Ambos só não esperavam se envolver tanto.


Fanfiction Bands/Singers All public.

#jenmin #nct-dream #nomin
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No jardim botânico

Segunda-feira, 15/09/2027
18:29 horas,
Gravadora Records Music.


Lee Jeno, o de fios descoloridos, não conseguia cuidar das milhares das violetas brancas que recebia todos os dias do floricultor baixinho. Sempre esquecia de regá-las por sair muito cedo e voltar muito tarde e cansado do trabalho, nunca as deixava em lugares apropriados para a sobrevivência das belas flores. Todas sempre acabavam morrendo. Até mesmo quando tentava cuidar das plantas, e por não saber quais cuidados deveria ter com as mesmas, as deixava morrer.

E, na sexta-feira não foi diferente.

Jeno falava com seu chefe sobre a próxima produção que fariam, estava um pouco atrasado já.

— Mas elas assinaram o contrato, senhor? — perguntou aflito.

— Assinaram. Por que essa agitação toda, Produtor Whester? — O chefe fez questão de questionar sua curiosidade para o jovem com quem trabalhava, o chamando com o stage name designado para Jeno.

— Sumbaenim, o senhor sabe que eu simplesmente amo Weki Meki. Sou stan delas mesmo — respondeu, um pouco envergonhado e risonho.

— Oh, é mesmo. Nosso querido produtor é um stan de Weki Meki, garotos. Fiquem de olho nele para não avançar nas meninas quando elas chegarem aqui na segunda-feira — brincou, arrancando risadas dos outros colegas de trabalho.

— Ei! Eu não sou um fã doido!

— Fala isso, mas queria avançar na HyunA quando ela veio aqui gravar Lip&Hip — relembrou RenJun, um outro produtor com quem trabalhava.

— Eu? Nunca! Jamais!

— Certo, garotos. Hora de irmos para casa. Obrigado por hoje e trabalhem duro segunda-feira! — O chefe concluiu com um sorriso no rosto e deixando a sala de som, juntamente com alguns outros que trabalhavam ali.

Somente RenJun e Jeno estavam na sala de som, arrumando as coisas para irem embora. E com “coisas”, queria dizer mais com: colocar os fones de ouvido ao redor da cabeça e plugá-los em seus celulares. Com as mochilas pesadas nas costas, conseguiram finalmente sair do estúdio sem mais nem menos. Deram tchau aos seguranças, ao guarda da guarita, aos funcionários da limpeza.

E, ao mesmo momento em que puderam pisar do lado de fora do local de trabalho, a sensação em seus corpos de que estavam finalmente livres do trabalho por apenas um fim de semana, chegava a ser contagiante para os dois. O sorriso maravilhoso de Jeno apareceu acompanhado do olhar sobre si de RenJun, sorrindo também em seguida.

Jun sabia muito bem que Whester amava tanto os feriados, sabia muito bem o porquê disto também. Fins de semana eram os dias que Jeno mais gostava, pois poderia sair com quem quisesse, fazer o que quiser sem ninguém interromper, já que não era casado nem nada disso e morava sozinho. Volta e meia os dois saíam juntos em sábados e o outro contava sobre suas grandes aventuras com os pequenos ChenLe e Jisung, seus sobrinhos. Amava-os tanto que passava horas e horas só falando o quanto são danadinhos e aprontavam milhares com o tio.

Enquanto caminhavam, um silêncio nada desconfortável prevalecia entre os dois. Ambos adoravam momentos silenciosos que pudessem admirar as paisagens da movimentada cidade de Incheon, litoral da Coreia. O clima não era tão frio, mas ainda sim os fazia usar duas blusas de manga comprida bem quentinhas e um casaco grosso para que não acabassem congelando no inverno coreano. As árvores eram pintadas de branco e alguns floquinhos de neve começavam a cair da imensidão azul e branca — as nuvens que completavam o azul — que o céu tinha.

Podiam dizer que RenJun e Jeno tinham muito em comum, pois tinham mesmo. Conhecer-se desde o início do Ensino Médio e continuar com a grande amizade, de cerca de 10 anos, até épocas como agora, quando trabalham, não é uma tarefa muito fácil. Dos 16 para os 26 anos ocorrem muitas mudanças nas vidas dos dois. A convivência demasiada de ambos um com o outro com certeza ajudou-os em diversos momentos.

Algo parecia incomodar muito o descolorido. E essa coisinha era o garoto da floricultura. Nunca passou em frente a mesma com alguém fazendo companhia para si, vai que o baixinho poderia ter uma visão errônea* do que eram e estavam fazendo, ainda mais com instrumentos em mãos, um violão e uma guitarra, obviamente, em suas devidas cases. Quer dizer, não que isso importasse, não teria um motivo para isso realmente se importar. A não ser o fato de que tal garoto lhe chamara muita atenção toda vez que agia da forma fofa e desengonçada lhe dando a flor, como sempre no caso.

Na verdade, sua cabeça deu-se um nó, mais um trabalho a fazer também, desfazê-lo. Não sabia se aquilo, encontrar o garoto, era bom ou ruim. Sim, era verdade, a mais absoluta, que o mais novo queria encontrar o floricultor, não deixava mesmo de ser mentira. Desconhecia muito a vontade de ver alguém e receber um pequeno ato diário daquela pessoa, passou a ser reconhecida, algo que ninguém nunca foi para a vida do Lee. A não ser por seus pais e seus melhores amigos.

A floricultura ficava cada vez mais perto. Mais e mais, a preocupação de Jeno crescia mais e mais.

— Tem certeza que vai ficar tudo bem se eu for para a sua casa hoje? Não tinha falado que tem de ficar com seus sobrinhos, Young? — RenJun perguntou.

— Não, eles te amam, hyung. Não tem problema nenhum com isso. Jisung parece que te idolatra, sério.

— Certo.

Já entenderam? Pois é, especialmente hoje Jeno estava mais ansioso do que nunca. Seria a primeira vez a cuidar dos sobrinhos por dois dias seguidos em sua própria casa, se sentia tão responsável e legal.

E sem nem perceberem, estavam em frente a floricultura. Olhou para o letreiro branco com verde e com flores ao redor do nome da mesma, verificando se estava mesmo no local que tanto esperava. Alguns segundos a mais, esperando o garoto para-lhe para lhe dar a flor, porém nada aconteceu. Nem o cheiro da flor nem o dócil e fofo garoto. Ninguém estava ali em sua frente com um jarrinho de plástico com uma muda de flor em mãos, bochechas um pouco rosadas e olhar baixo, envergonhado.

RenJun, ao perceber o olhar fixo do amigo na floricultura, perguntou-se automaticamente o motivo de tal ato. Parecia que o melhor amigo escondia algo, afinal, nunca soubera de nada dessa floricultura, além de que era só uma floricultura qualquer — na cabeça do moreno.

— Jeno? O que foi?

— Ah, nada. Hyung, me dê só um segundo — pediu.

Curiosidade falando mais alto do que nunca, seu coração falando para entrar lá dentro e procurar pelo loirinho de óculos, comprar uma flor para dar a desculpa por ter entrado lá, mas na verdade queria vê-lo mesmo. Plano na cabeça, vamos executá-lo.

Encheu o peito de ar e adentrou o local pela portinha, que logo balançou o sino, fazendo um barulhinho, alertando os atendentes. Passou seus olhos pelo local até chegar no menino atrás do balcão, seu loirinho de óculos redondo e baixinho olhava para si com a boca aberta, parecia paralisado.

Disfarçando a olhada para o garoto, começou a procurar entre várias flores, a margarida branca que sempre recebia do último citado. Em pouco tempo, o loiro estava, todo envergonhado, ao seu lado, parado sem saber o que fazer. Jeno o olhou com um belo sorriso no rosto como se estivesse falando: “Nos encontramos de novo.”, um verdadeiro galã.

— B-Boa tarde. E-Eu poderia te ajudar em algo? — gaguejou.

— Nos encontramos novamente, não?

— Desculpe, como?

— Ah, nada — disfarçou, rindo. — Esta é uma margarida branca, estou certo? — Apontou para a flor.

— A-Ah, sim. As margaridas brancas tem as características de um caule ramificado e verde, porém podem acabar oscilando na tonalidade. Elas são de fácil cuidado, não exigem tanta atenção assim. Podem crescer em diversos tipos de solo, menos nos úmidos, por isso alguns as chamam de erva-daninha, apesar de achá-las bem bonitas e chamativas, principalmente as brancas — explicou.

A sabedoria do garoto deixou o loiro estupefato. Sua aparência parecia ser de uma pessoa que adquiriu muito conhecimento mesmo, mas não sabia que saberia a esse ponto. Talvez ele fosse um especialista profissional que resolveu trabalhar em uma simples floricultura, apenas.

— Ah, sim. Eu não sei de nada sobre flores, apesar de querer saber mais sobre elas. Sabe de alguém que poderia me ajudar? — perguntou.

— Olha, — Ajeitou o óculos que estava caindo de seu rosto. — e-eu posso te ajudar com isso, se o senhor quiser, claro.

— Ah, por favor, não me chame de senhor. Pode me chamar de Jeno, ou hyung — atreveu-se a arriscar a idade do outro. Esticou a mão em um gesto amigável, para que o outro apertasse a mesma, assim feito.

— Na Jaemin. E, “hyung”? Você ao menos sabe a minha idade?

— Creio que é mais novo que eu, estou certo? Nasci em 2000.

— 1999, o hyung aqui sou eu, Jeno-saeng — provocou, divertido.

— Como assim você é mais velho? Woah! Você parece ser tão novinho. — Riu.

Quando os dois pararam, perceberam a intimidade que ainda não foi tão estabilizada pelos dois, talvez estivessem abusando um pouco, acabaram de se conhecer oficialmente, apesar de que parecem meses. Cinco minutos, uma enorme intimidade. Sinal de que ia sair algo bom daquilo e ambos já perceberam isso assim que pararam.

— Somente isso que vai querer? — perguntou, levando Jeno ao balcão.

— Sim, somente essas belas margaridas brancas. — Deu ênfase nas flores, o que fez o outro corar fortemente.

— Certo, pegarei uma muda para você.

Deixou o cliente esperando no balcão por um curto período de tempo para pegar a florzinha. Jeno não perdeu tempo, começou a fitar fixamente cada movimento do pequeno, cada respirada, cada ação e reação. Achara tão fofo os movimentos e a forma que Jaemin sorria ao pegar uma simples e significativa margarida branca e colocá-la em um vasinho, suspirava e inspirava desejando ver aquela cena para sempre.

Assim que o outro voltou para o seu balcão, pegou uma pequena sacolinha e colocou uma proteção na pequena mudinha, colocando-a dentro da sacola. Jeno pagou pela planta, mas não saiu antes de perguntar sobre o que mais estava curioso.

— Onde aprendeu tanto sobre as plantas e flores? — Viu a timidez de Jae emanar de seu corpo, com suas bochechas coloridas por um vermelho.

— Uh, sozinho. Eu fiquei vendo coisas pela internet e as estudando — respondeu, um pouco rápido.

— Ah sim. Eu gostaria muito de conseguir fazer isso, porém parece um pouco impossível, principalmente para mim. Queria que existisse aula para isso., ou alguém que desse aulas sobre flores. — Riu sozinho.

— E-Eu acho que vai achar essa ideia um pouco estranha — Coçou sua nuca, muito envergonhado. —, mas eu posso te ajudar com isso, se quiser.

Os olhos de Jeno brilharam. Era exatamente isso o que queria.

— Woah! Mas é claro que eu quero! Quando começamos?

O entusiasmo de seu saeng lhe fez rir um pouco. Chegava a ser contagiante.

— Pode ser segunda? Depois de seu trabalho, acaba o meu turno, mas posso usar a floricultura por mais um tempo, aí podemos começar aqui mesmo — sugeriu com um belo sorriso no rosto.

— Que incrível. Não posso esperar para chegar segunda agora, hyung! Obrigado, obrigado mesmo! — Pigarreou voltando a sua postura. — Então, até segunda, professor — brincou, fazendo uma formal reverência.

— Até segunda, aluno. — Entrou na brincadeira, gargalhando.

Whester saiu da loja com um ar ventilando bem melhor em seus pulmões, respirava fundo e fungava o cheiro maravilhoso da margarida em suas mãos. Um gostinho de vitória e de quem ganharia um novo amiguinho estava em seu paladar e logo se alastrara para o olfato, se misturando com o cheiro da margarida em mãos. Era um cheiro tão gostoso.

Braços cruzados, cara fechada e pé batendo no chão. Esqueceu de RenJun do lado de fora.

— Se eu soubesse que ia ficar namorando um garoto da floricultura, nem vinha — reclamou.

— Namorando? Você é louco — brincou, o mais novo. — Vamos para casa, doido.

— Fala o garoto que ficou secando um floricultor enquanto pega uma flor qualquer aí.

— Uma flor qualquer nada! É uma margarida branca, respeita que ela é importante pra mim — chamou a atenção um pouco bravo.

— E desde quando você começou a se interessar por flores? Nunca nem suspirou uma.

— Desde que eu comecei a ganhar margaridas todos os dias daquele mesmo floricultor gatinho. Agora cala a boca que a gente tem trabalho para fazer.

[...]

Segunda-feira, 22/09/2018

18:40 horas,
Floricultura Na.

Suor o dominava por completo, quase com a blusa encharcada do líquido produzido pelo corpo. Estava cansado e atrasado. Não parava de correr para o local que desejava, a Floricultura Na. Hoje era a tão esperada e primeira aula que Jaemin daria ao mais novo sobre as plantas e flores que desejava aprender sobre, as quais eram várias, mas não chegava a serem todas elas, óbvio, são muitas.

Seu atraso não foi por querer, não se enganem. Foi basicamente culpa de RenJun o enrolando para sair e depositando mais trabalho que o mais velho poderia obviamente resolver por si próprio, contudo a preguiça não deixava. E ainda ficava fiscalizando se Whester estava fazendo tudo corretamente. Um folgado, não é mesmo?

Enquanto corria nas ruas da grande Incheon, o Na estava na porta da floricultura, um pouco impaciente e desacreditado, já achando que Lee não iria à primeira aula dos dois, na qual estavam mais ansiosos do que nunca.

Para os clientes, Na já havia até fechado a floricultura, porém Lee não era um simples cliente, vamos combinar que era um cliente V.I.P e especial da loja, ou melhor, de Jaemin.

Seus pés se apressavam cada vez mais, enquanto o outro olhava o relógio de pulso agora um pouco impaciente com o novo amigo que fizera em instantes na sexta-feira passada. E na esquina da loja, Jeno ficou feliz em ver o letreiro verde e rosa com o nome da floricultura, entretanto, preocupou-se ao ver o baixinho adentrando a loja novamente sem nem perceber que Lee já estava bem próximo do destino. Portanto, gritou, gritou o nome do loiro o mais forte que pode, o que não era muito por estar cansado e sem fôlego de tanto correr por ruas e ruas.

— Jaemin-hyung! — gritou novamente. Sem retorno do outro, gritou e correu mais. — Jaemin!

Estava por fechar completamente, as luzes apagando-se lentamente, o garoto com um semblante cansado e desacreditado naquilo, Jeno não havia ido para a grande estreia das aulas. Mas aí escutou o barulho do sino e um suspiro forte, abriu um sorrisinho imaginando ser Jeno, e acertou.

— Achei que não viria mais, saeng — falou.

— Eu não deixaria de vir nem que eu sofresse um acidente de carro, sumbaenim — reforçou.

E aquela tarde de aula foi destinada para as orquídeas, principalmente as negras, que na verdade tinham a coloração roxa escura. Uma simples aula, mas que rendeu muito para o loiro, muito aprendizado e mais margaridas foram introduzidas, era impossível não falar delas com os dois estando juntos.

— Jae, posso te perguntar algo?

— Claro — respondeu, curioso.

— Por que preferiu me dar margaridas brancas do que rosas ou flores mais simples? Eu sempre pensei nisso, me deixou curioso. — Soltou uma pequena risada anasalada.

— Porque, meu caro aluno, além das margaridas serem delicadas, elas expressam inocência, juventude, virgindade, sensibilidade, pureza, paz, bondade e afeto. Essas são características que eu mais enxergo em você, Jeno. Apesar de que algumas podem não ser verdade, acho sua expressão facial muito inocente, sensível. Tudo isso se destaca em você, saeng. — Olhou para Jeno com um olhar singelo, de quem estava feliz por finalmente dizer aquilo que queria faz muito tempo.

Lee riu. Riu envergonhado, agradecendo os elogios feitos pelo outro mais velho e sem jeito. Realmente, JaeMin, ao ver Lee passando na rua, assemelhou logo seus fios descoloridos à margaridas brancas, pareciam delicados, transmitia uma paz e seu semblante era sempre de alguém bondoso, por mais cansado que parecesse. E todos diziam a mesma coisa para quem perguntava: Na JaeMin consegue muito bem saber que tipo de pessoa cada uma é só pelo olhar.

— Mas agora, vamos para nossa primeira lição de casa, aluno. Vou lhe dar uma orquídea de presente, cuide da mesma em 15 dias, lembre-se que não pode deixá-la morrer. — Deu a pequena explicação da lição. — Recorde-se de todos os pontos que falamos aqui na aula e use todos os métodos que foram usados na nossa muda de exemplo. Quero ver essa orquídea roxa florescer mais ainda, senhor Lee Jeno.

— Sim, senhor professor! — Bateu continência como um soldado, como uma brincadeira.

— Ótimo. Quero saber o resultado ao longo dessa semana. Não se esqueça de preferir vasos de barro ao invés de vasos de plástico, elas se dão melhores nesses vasos. Se você quiser pode pegar um daqui emprestado, eu te empresto um — informou.

— Eu sei, Jaemin-hyung.

Marcaram mais um dia, seria a segunda aula, segunda feira que vem, no dia 29 daquele mesmo mês.

E dias e mais dias foram assim, com aulas e um fazendo companhia para o outro, com isso, mais sorrisos o novas lembranças foram criadas. E em consequência, Jeno começava a sentir mais atração ainda pelo moreno, algo surreal parecia dominar-lhe por completo e imensamente dentro de si. Chegava a sonhar com seu professor quase todos os dias, sonhava que estava o beijando intensamente. Definitivamente, já passou por sua cabeça que esses eram os melhores sonhos que tinha, contudo, afastou esses pensamentos na hora.

Confuso estava, não sabia o que estava acontecendo com seu corpo, nem em como ele poderia agir quando estava perto de JaeMin. Passou em sua mente que era algo como “pós-puberdade”, mas esse negócio não existia não é? É, mal ele sabia que estava ficando mesmo era apaixonado. Pobre Jeno.

Certo dia, em um domingo preguiçoso, um dia antes da aula que teria com Na, RenJun estava em sua casa, ensaiando e afinando algumas cordas da guitarra e do violão. Jeno, por ser melhor amigo de RenJun, decidiu, em pequenos segundos e sem pensar muito, que tentaria falar sobre isso com RenJun, e assim fez.

— RenJunnie — chamou.

— Fale — respondeu, tentando afinar o violão que estava em mãos.

— Eu não sei muito como falar isso mas… hã…

— O que foi, Jeno? — perguntou impaciente. Odiava quando o amigo enrolava para contar as coisas assim.

— ‘Tá bom, ‘tá bom, calma. Assim, como você sabe se ‘tá apaixonado por alguém? — indagou para o outro, um pouco envergonhado.

— Por que esse assunto agora? Está apaixonadinho, Produtor Whester? — brincou.

— Então, eu meio que não sei. É um pouco complicado, sabe? Talvez eu não esteja apaixonado, devo nomear de quedinha, talvez. Eu realmente não sei — respondeu confuso.

— Por quem? Posso saber?

— Sabe o menino da floricultura, Na Jaemin? Aquele que sempre falo para você sobre as aulas sobre plantas e etc.

— Aham, eu sei muito bem. Toda vez você vem um suspiro pensante como se fosse uma menininha colegial, falando do garoto que gosta. Meu senhor. — Fez um gesto com as mãos.

— Esse garoto ‘tá fazendo minha cabeça virar uma confusão. Me dá dores de cabeça, não me deixa trabalhar direito, não consigo compor e me concentrar em nada, nem nas aulas. Eu só fico olhando o quanto ele é bonito e… Ah. — Suspirou como uma garota colegial.

— Sinto muito te informar, amigo, mas você está apaixonado, apaixonadíssimo. Por que não fala para ele? — perguntou curioso.

— ‘Tá doido? Acha mesmo que ele gosta de mim, seu idiota? Não me iluda não, viu?

Bem no meio da conversa, o celular de Jeno começou a tocar. A música “I don’t Like Your Girlfriend” do WekiMeki começou a soar no celular, enquanto o mesmo vibrava em cima da mesa de centro da sala de música — mais conhecida mundialmente como garagem. Pegou o aparelho eletrônico e viu que era JaeMin o ligando. Fez um gesto de silêncio para RenJun e mostrou a tela que dizia o nome do contato. Atendeu a ligação sem mais nem menos com um belo sorriso no rosto.

— Alô, JaeMin-hyung?

Hm, Jeno-saeng! Te liguei para falar sobre a aula de amanhã.

— Pode falar, hyung.

Novo horário e novo local, tudo bem?

— Contanto que seja perto do horário de sempre ou um pouco depois, por mim tá maravilhoso. — respondeu, soltando uma risadinha nasal.

O horário não muda muito, é apenas às 19:30 e desta vez vai ser no Jardim Botânico de Incheon. Já fazem um mês de aulas e você se saiu muito bem em todas, parabéns. Essa aula vai ser especial, vamos colocar em prática tudo o que aprendeu sobre as flores básicas e… é, vai ter uma surpresa ‘pra você também.

— Certo. Estarei lá. Tchau, hyung, até segunda!

E desligou por fim a chamada. Os olhos de RenJun se apressaram em saber o que estava acontecendo, pois só escutava o que Jeno falava, nada a mais. Arregalados, curiosos, finalmente puderam saltar e quase falar com Jeno.

— O que ele queria, afinal? Fez uma declaração para você ficar tão alegre assim?

— Claro que não, seu idiota! Ele só mudou o lugar e a hora da aula. Vai ser no Jardim Botânico às 19:30 — falou.

— Uhh! Primeiro encontro do novo casal, eu shippo — brincou novamente.

Aula. A-U-L-A. Não entendeu ainda que é aula? Tenho que desenhar pra você?

— Aula de línguas? Você domina bem essa aula? Você domina a língua que ele fala? Acho que vai precisar bastante dessas aulas aí, hein! — provocou, recebendo vários tapas ardidos de Jeno.

— Para com isso, seu merda.

RenJun não perdoou, passou a noite inteira falando sobre como seria lindo JaeMin e Jeno como um casal e o quanto queria saber, depois da aula, como foi a mesma e assim por diante. Jeno, naquela noite, não conseguiu dormir direito por causa de RenJun. RenJun e JaeMin — claro —, não deixavam a mente do garoto descansar por um minuto se quer.

[...]

Segunda-feira, 25/10/2027 
19:25 horas,
Jardim Botânico de Incheon.

Dez minutos antes e Jaemin já estava no lugar marcado por ele, ou seja, em frente ao Jardim Botânico, bem na entrada.

Pensando melhor sobre ter ligado para Jeno noite passada, um ato que quase não faz, podia simplesmente ter mandado mensagem. Uma hora Jeno veria e lhe responderia, é claro. Mas não, fez questão de ligar para o garoto, precisava escutar um pouco sua voz. Depois somente se ligou de seus pensamentos e intenções de tê-lo chamado para um lugar como esse — que, por sinal, era seu lugar predileto em toda Incheon — de ter ligado para Jeno. Na verdade queria somente que tivesse certeza de que o mais novo ia aparecer, precisava ao menos ouvir um pouco da voz e a reação dele ao ouvir que teria uma surpresa nesse dia.

Para Jaemin, era um dia triste e animado ao mesmo tempo; para Jeno, era somente um dia animado de aula em que estava feliz por poder ficar ao lado de Jaemin em um dia tão lindo como estava lá fora, nevando e com uns raios de Sol emanavam para iluminar as ruas da província.

Na verdade, Jaemin estava bem para baixo naquele dia, apesar de estar com um dos seus climas favoritos. A notícia de que seus pais estavam passando por dificuldades e que teria que voltar para Busan ajudá-los com o que precisavam, com certeza não foi uma das melhores, principalmente em momentos como aquele que estava passando. Finalmente havia sentido coisas a mais por alguém e teria que largá-lo por um tempo e depois voltar sem mais nem menos. Por isso, essa seria uma aula mais que especial, pois seria onde Jaemin finalmente confessaria seus sentimentos por Jeno.

Nervoso e com medo estava, mas ainda acreditava que tudo ia dar certo.

— Boa noite, hyung.

A voz de Jeno o tirou de seus pensamentos. Tomou um leve susto e riu de si mesmo.

— Boa noite, Jeno. Vamos entrar que temos muito o que fazer.

[...]

— Muito bem, que tipo de flor é essa?

Jeno pode ver Jaemin apontando para um tipo e flor no meio daquele mar de cores e cheiros, um mais gostoso que o outro. Sabia automaticamente que tipo de flor era aquela, sendo assim, deu todo o relatório que precisava,

— São agapantos. Significa ‘flor do amor’. Esse tipo de flor precisa de Sol pleno, tem cerca de quarenta centímetros e é cultivada durante a primavera-verão — relatou.

— Isso, muito bem. Quer fazer uma pausa? Já são 21:00 horas, estamos aqui dando voltas e voltas há mais de uma hora. — perguntou, começando a pôr seu plano em ação.

— Ah, claro. Vamos sentar ali. — Apontou para um banco em meio de orquídeas e margaridas de todas as cores que existiam.

E Jeno, em uma oportunidade, pegou na mão de Jaemin as entrelaçando, logo em seguida puxando-o para sentar-se no banco, um pouco colados demais. Pareciam dois namorados. Nenhum dos dois percebeu isso de imediato, foram minutos depois que perceberam que estavam de mãos entrelaçadas, assim as separando e corando logo em seguida.

— Aqui é muito bonito, não?

— Sim, muito lindo. — Ficaram em silêncio por um minuto, pensando e admirando o lugar cada vez mais.

Jeno então, virou-se para JaeMin, admirando tanto o garoto como a paisagem que os circulava.

— Por que me chamou aqui hoje? — perguntou Jeno ainda olhando para o outro.

— Eu tenho uma surpresa para você. Mas ela vem seguida de uma notícia — ditou calmamente Jaemin, enquanto desviava seu olhar para um ponto qualquer em meio àquelas flores, um pouco nervoso.

Apertou o banco, onde se apoiava, comprimiu os lábios. Sabia que teria que fazer isso agora.

— Na verdade, são duas. Pode escolher entre a um — Mostrou para o descolorido um dedo, logo em seguida levantou o outro. — ou a dois.

Jeno pensou, parecia ansioso.

— A segunda.

JaeMin suspirou. A segunda opção era a mais dolorosa para ele, porém era necessário o conhecimento do outro sobre aquilo. Seria uma grande sacanagem simplesmente sair de Incheon sem ao menos avisar sua paixonite que iria embora em alguns dias pois seus pais estão com algumas dificuldades.

— A segunda… E você escolheu o real motivo de ter te chamado aqui, Jeno. Eu não fico nem um pouco feliz em ter que te falar isso, mas não é algo que eu posso deixar de esclarecer. Na verdade, essa é a nossa última aula antes de eu ter que sair de Incheon para Busan — confessou.

Lee gelou todo por dentro. Desacreditado, arrependido e com um pouco de angústia, sentia isso e mais mil sentimentos crescerem em si, prestes a estourar como uma gigante bola de ar. Havia acabado de descobrir seus verdadeiros sentimentos por JaeMin e o citado já ia embora da província? Era uma grande injustiça com o pobre Lee.

— O que? Mas por quê? Por que vai embora assim, sem mais nem menos? Eu acho muito bom você me apresentar um real motivo para isso.

— Meus pais estão passando por dificuldades em minha cidade natal e eles pediram para eu voltar para ajudar financeiramente e a cuidar da minha irmã mais nova enquanto meus pais teriam que viajar para fora para ver se ganham um pouco de dinheiro. Pode ser que eu volte ainda um dia. Não está certo.

— E quando você vai? — perguntou com o coração partido.

— Na sexta-feira — informou.

— Meu hyung vai me deixar aqui? Sem aulas? Sem a sua companhia?

— Infelizmente, vou. Mas, para a sua alegria, talvez eu volte. — Riu anasalado, sem graça. — E ainda tem a surpresa que seria a primeira opção. — Viu Jeno se animar por alguns minutos.

Sabia que teria que contar-lhe aquilo em uma hora ou outra, e nada seria melhor do que contar agora, em um momento tão belo como aquele que estavam vivenciando agora. Provavelmente, e não contasse agora sobre seus sentimentos, não haverá hora nenhuma a mais para que possa se confessar. Portanto, puxou o ar dos pulmões e manteve a calma dentro de si. Estava nervoso, suando frio, esperava este momento por dias e dias, planejando seu discurso.

— Lee Jeno, eu sei que pode parecer um pouco de loucura para você, até porque é sim, reconheço isso. Desde os dias que começou a passar em frente da floricultura, você vem me chamado muita a atenção, por dias eu esperava que você passasse por lá todos os dias para eu poder lhe ver nem que seja por míseros segundos. Analisando mais a sua estrutura, eu decidi lhe dar as margaridas. Como eu lhe disse, margaridas são minhas flores prediletas, além de combinarem muito com você. — O olhou, arrancando um sorriso mais que verdadeiro de Lee. Sorriu de volta e preparou-se para a notícia final. — E quando te vi entrar na floricultura, Deus, parecia que eu ia morrer de vergonha; contudo, ao mesmo tempo, eu senti que eu estava bem por vê-lo em minha frente, pela primeira vez eu estava vendo quem eu sempre admirei com um simples ato de dar uma simples e bela flor. Fiquei muito feliz e comecei a sentir coisas quando passamos a nos encontrar todas as segundas, ao ver que sempre que me encontrava, dava um verdadeiro sorriso, no qual parece ser meu remédio. Agora, eu acho que posso dizer, finalmente, que eu gosto de você, Jeno.

O descolorido não teve reação, apenas ficou parado o encarando, sem saber o que falar. Por mais que mexesse a boca, nada parecia sair dela, como se tivessem bloqueado suas cordas vocais e nada mais pudesse mexê-las. Era uma simples e chocante confissão, que, por mais que fosse inesperada, aqueceu o coração do Lee em uma forma calorosa e gostosa ao mesmo tempo. Visto essas condições, o mais novo apenas pegou a mão do mais velho e a entrelaçou com a sua. O ato chocou JaeMin, não esperava que fosse demonstrar algo assim.

— Hyung, é engraçado isso o que vou te dizer, mas… — Uma pausa para recompor o ar em seus pulmões. — eu também gosto de você.

Agora, era JaeMin que estava sem fala. Acho que a surpresa não era para Jeno e sim para JaeMin, pois foi ele que se surpreendeu mais com aquela situação.

Em uma fração de segundos, para reconfortar JaeMin, a mão livre de Jeno foi em direção ao rosto do castanho, fazendo um carinho na área da bochecha com um dedão. Os dois se aproximaram um pouco mais, encaixaram seus rostos, enquanto a sensação de fogos de artifício e veloceraptors correndo em seus corpos se faziam presentes.

Os cheiros se misturaram com os das flores, não sabiam dizer muito bem qual era o odor que clamava pelo local. Os lábios se encostaram, tornando aquele simples selar em um ponto marcado, tornando aquela data em uma data especial.

Especial para Jeno, especial para JaeMin. 

June 20, 2018, 8:37 p.m. 0 Report Embed Follow story
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The End

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