Ação, Reação e Consequência... Follow story

thammirb Thammi RB

Naruto teve nas mãos um tesouro inestimável, a confiança de Sasuke. Mas não hesitou em deixa-la ir quando eram mais novos, gerando um ressentimento imenso. Agora, anos depois, ambos são pais e circunstâncias inusitadas culminam em uma convivência inesperada e eles terão que lidar com o fato de que toda ação tem sua reação e as consequências de uma escolha podem perdurar por toda uma vida.


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Prelúdio

❤ Hello ❤


Amores, fic já em andamento no Nyah e no Social Spirit


Esse provavelmente vai ser o meu trabalho mais dificil. De uma forma geral eu quero humanizar os personagens sem tira-los da personalidade do Kishimoto, porque particularmente, não gosto quando distoa muito da obra original. Contudo vão haver algumas mudanças aqui e peço que leiam as notas com carinho, vai esclarecer algumas coisas.

❤ Nessa fic o Itachi é OITO anos mais velho que o Sasuke, diferente do anime/mangá que ele é só cinco.

❤ O Naruto é QUATRO anos mais velho que o Sasuke (Não resisti em fazer isso é raro uma história em que o Naru é o mais velho *--*)

❤ O filho do Sasuke é menino e isso não significada que eu tenho alguma coisa contra a Sarada, mas no contexto da história a Sakura não vai se envolver com o Sasuke romanticamente e eu não quis dar outra mãe para ela. E eu preciso de um menininho versão miniatura do Sasuke para mexer com o piscológico de toda a familia Uchiha, inclusive a do Itachi, então espero que não se aborreçam com isso, sim?

❤ O tema central da fic vai ser a perfeição, ou melhor, a falta dela. Eu cheguei a um ponto que acredito não existir personagem perfeito, muita gente pinta o Itachi assim, o Naruto, o Hashirama, o Sasuke, a Hinata e assim vai. Todos os personagens vão enfrentar seus defeitos e valorizar suas qualidades. Não esperam um lado A e lado B, claro que a gente sempre puxa sardinha para alguém que se identifica mais (eu por exemplo, pelo Sasuke xD), mas ele vai cometer seus erros assim como o Naru e o Tachi e etc... E por isso não odeiam muito eles logo de cara sim? Vai dar uma puta dor de cabeça? Claro que vai, mas também vai ser muito bom de escrever.

Sem mais delongas,
Aproveitem...


Prelúdio

Quente como sol.

Indomavél como o mar.

Foi essa impressão que Sasuke aos oito anos teve quando viu Naruto pela primeira vez. Ele morava em uma casa de classe média alta em Nakameguro, Tóquio. Um bairro que era o perfeito encontro entre o antigo e o novo do Japão. E como era bem próximo de Shibuya um dos centro comerciais mais badalados da capital japonesa não tinha como ficar parado. Mesmo assim ele sua mãe e seu irmão levavam vidas muito pacatas.

Fugaku Uchiha, seu pai, era um militar de alta patente que viaja muito á serviço das forças armadas, com funções diplomáticas em vários países da Ásia. Era um homem muito rígido que regia a própria família como regia sua campanha de soldados. O que culminava em muitas exigências e pouquíssimas regalias. O único que recebia algum tipo de afeto era Itachi, seu irmão, oito anos mais velho que como estudante era genial e possuía uma facilidade nata em aprender tudo. A grande ambição do pai deles era ver o primogênito servindo no exército, como ele.

Itachi seguia com rigor as imposições do pai, apesar de seus desejos desvirtuarem bastante dos sonhos do genitor, ele jamais desafiava Fugaku abertamente. Seu temperamento natural era contra qualquer tipo de embate a menos que fosse extremamente necessário e só se tornava necessário quando seu irmão era envolvido. Muito cobrado e pouco premiado, Sasuke que era uma criança muito sensível acabava se retraindo a cada novo gesto de indiferença dos pais, mesmo que fizesse de tudo para cumprir com as expectativas de ser um Uchiha.

Apesar de ser esforçado, o caçula não se equiparava ao irmão, até porque a diferença de idade colocava Itachi quase uma década à sua frente, contudo aquilo era irrelevante para Fugaku que cismava em comparar que na mesma idade Itachi já tinha realizado muito mais coisas.

Aquela era aparentemente uma batalha inútil e assim os dias iam passando naquela rotina monótona e sem graça até que em uma manhã ao acordar, Sasuke pode perceber que sua mãe, Mikoto, uma mulher de grande elegância, mas também muito apática por causa da vida que levava, parecia estar muito feliz e logo ele descobriu o porque.

Um casal de velhos amigos dos tempos da faculdade da matriarca estava se mudando para a casa ao lado e tinham um filho que era quatro anos mais velho que o caçula Uchiha. Eles também eram os padrinhos de Itachi que ele não via há muito tempo, embora se lembrasse de algumas coisas. Minato era chefe de relações internacionais do governo e passou anos fora do Japão a serviço na Suíça junto da família. Mas parecia que agora ele finalmente conseguiria firmar raízes na terra do sol nascente.

Apesar de ser madrinha de Itachi, quem conquistou o coração de Kushina imediatamente, foi Sasuke. Aos oito anos o menino era tão independente e inteligente que o amor da ruiva foi praticamente imediato. Ela também sabia que sua amiga sofreu uma severa depressão pós parto depois que o caçula nasceu e essa condição psicológica abalada a impedia ainda nos tempos atuais de formar laços de afeto com o filho. Isso somada à ausência constante de Fugaku resultava em Itachi como figura paterna, materna e fraterna para o menor. O que não era exatamente bom. Por isso ela fez questão de se aproximar o máximo possível dos meninos.

Naruto era completamente antagônico de Sasuke, mas surpreendentemente foi capaz de conquistar a amizade dele ao poucos. O excesso de energia pareceu inibir o moreno por algum tempo, mas conforme o loiro ia demonstrando suas habilidades natas de conversação conseguiu vencer as barreiras iniciais do Uchiha e se transformou no primeiro amigo oficial de Sasuke, apesar dos quatro anos que o separavam. O mais novo era tão maduro que o Uzumaki nem notava a diferença.

§

Eram pouco mais de 3h00min da madrugada quando Itachi despertou de um sono profundo com uma sensação estranha corroendo seu corpo. Sua cabeça latejava suavemente na região dos olhos e ele internamente se perguntou o que poderia tê-lo acordado. O sono parecia ter fugido e resolveu ir até a cozinha beber alguma coisa.

A casa inteira estava bem escura, o caminho, entretanto não precisava ser iluminado já que ele tinha uma memória fotográfica excelente e conhecia tudo ali como a palma da sua mão. O imóvel não era muito grande apesar da ótima condição financeira deles. A política de Fugaku, como todo militar, era não desperdiçar em coisas desnecessárias. O genitor viria para casa aquele final de semana e Itachi tinha dúvidas se ele ao menos lembraria que era aniversário de Sasuke, já que o homem não era chegado em datas comemorativas e o próprio aniversário de casamento já havia passado em branco por causa desse desleixo.

Bebeu água da do filtro mesmo preferia o liquido em temperatura ambiente e franziu a testa ao ver outro copo na pia com resíduo de leite. Estreitou os olhos e tomou o mesmo caminho feito anteriormente só que ao invés de ir para o próprio quarto seguiu para o do irmão e não foi surpresa ver que a luz estava acesa.

Bateu algumas vezes e não obteve resposta. Bateu de novo e abriu a porta, sacudindo a cabeça em negação ao ver o menino que em breve teria oito anos sentado de pernas cruzadas com um mangá aberto a sua frente e um enorme fone nos ouvidos.

Tinha intenção de ralhar com ele por estar acordado àquela hora quando percebeu rastros de lágrimas no rosto infantil e a compreensão bateu como um martelo.

Não era incomum Sasuke ter pesadelos, mas diferente de toda criança que ia correndo para o quarto dos pais ou chorava alto para ser socorrido, seu irmão preferia se recolher ainda mais e apelar para as únicas duas coisas que o distraiam inteiramente. Os seus mangás e a música.

O amor pelos quadrinhos levou o menor a se dedicar ao desenho e os rabiscos disformes comuns aquela idade eram substituídos por traços firmes que construíam imagens incríveis para alguém tão jovem. E o gosto musical era tão eclético que a playlist dele dificilmente seria associada a uma criança de oito anos.

Aproximou-se devagar e só despertou a atenção do mais novo quando retirou os fones, inicialmente, Sasuke o olhou surpreso, mas assim que percebeu que se tratava do irmão mais velho, fechou a expressão e um beicinho de formou nos lábios vermelhos.

- Nii-san, você me assustou – reclamou fechando a revista e pausando a música. – O que foi?

- Eu é que pergunto isso – retrucou sentando na cama. – Por que você ta acordado há essa hora? Temos aula amanhã, esqueceu?

O menino pareceu envergonhado por alguma razão e não respondeu nada. O mais velho suspirou cansado. Sabia que ele tinha tido algum pesadelo e sempre se recusava a falar sobre aquilo. Temia que a negligência dos pais estivesse causando severo danos à personalidade do irmãozinho e tinha consciência que jamais supriria todas as necessidades dele por mais que tentasse.

- Sasuke. Otouto?

- Eu só perdi o sono – jogou o mangá para o lado. – Só isso nii-san.

Itachi o considerou por alguns segundos, dividido entre pressioná-lo ou não, desagradava-lhe que ele omitisse coisas daquele jeito, especialmente seus medos.

- Sabe que eu não gosto quando mente para mim – cruzou as pernas, ficando de frente para ele. – Foi o pesadelo?

O lábio inferior sendo preso entre os dentes infantis foi a resposta que precisava, mas queria fazê-lo falar daquilo. Apesar de seus míseros dezesseis anos tinha a intuição de que quando colocasse para fora o que causava tanto temor a intensidade diminuiria.

- Eu não gosto de falar sobre isso – Sasuke deitou na cama passando o cobertor sobre a cabeça. – Vou voltar a dormir agora.

Itachi revirou os olhos para aquela teimosia nata e resolveu deitar ao lado do menor, os lençóis estavam pré aquecidos pelo corpo menor e ele inspirava o cheiro de camomila proveniente do xampu do pequeno.

- Pesadelos são coisinhas irritantes que se alimentam do nosso medo – começou sabendo que o outro ouvia atentamente. – O segredo e não deixar que eles entrem na sua cabeça e tudo fica bem.

Não esperava ter uma resposta e decidiu permanecer ali só até Sasuke cair no sono de novo e por isso se sobressaltou de leve quando ouviu a voz dele soando baixinha e levemente rouca.

- É sempre o mesmo sonho estranho – ele destampou a metade do rosto, ficando com os olhos expostos. – Eu estou em um tipo de lago e sinto que tem alguma coisa pretendo as minhas pernas, todo meu corpo parece mais pesado e eu não consigo nadar. A água é escura e eu não vejo nada, por mais que estique o braço não tem ninguém lá, ninguém para segurar a minha mão.

Itachi teve que prestar muita atenção porque o tom de voz foi diminuindo conforme a descrição ia sendo feita. Não era á toa que seu irmão sentia tanto medo, realmente devia ser horrível vivenciar aquilo mesmo através de sonhos. Buscou a mão menor e entrelaçou os dedos com os dele firmemente.

- Sempre que você sonhar com isso e sentir medo tente se lembrar que eu estou aqui e que eu nunca vou soltar você – tocou a testa levemente suada com os lábios em um selo delicado e cheio de afeto.

Sasuke nunca esqueceu daquela promessa.

§

Confiar nas pessoas não era algo que o caçula Uchiha fazia com facilidade. Seu relacionamento inter pessoal era igual ao de uma porta e o fato dele ter ficado tão próximo á Naruto era uma surpresa muito bem vinda. O loiro estimulava o moreno de formas que só os amigos conseguiam fazer. A natureza competitiva deles era acirrada e seus esforços ampliados. Sasuke porque queria provar que era melhor e Naruto porque se recusava a perder para alguém mais novo. Era hilária e divertida a interação deles.

Um dos que mais gostava daquela amizade era Hatake Kakashi, publicitário e professor de artes marciais nas horas vagas. Conhecia a família Uchiha á muito tempo já que estudou com Obito Uchiha, primo de Fugaku, que hoje estava casado com a namorada do ensino médio Rin e morava em Kyoto. O grisalho tinha um carinho especial por Sasuke, a independência do garoto o instigava.

O Hatake era o maior expectador da amizade entre Naruto e Sasuke e parecia ter uma compreensão além dos outros.

Sabia que para o loiro o mais novo era um amiguinho que conseguia acompanhá-lo e realmente tinha muito carinho por ele. Naruto valorizava todos ao seu redor, mas não conseguia compreender que para Sasuke ele tinha uma riqueza muito maior do que parecia.

O herdeiro Uchiha caçula demorava a se apegar as pessoas, mas quando fazia isso o felizardo ganhava um espaço enorme no seu coração e isso era perigoso demais. Além disso, o Uzumaki era o único companheiro de Sasuke enquanto o hiperativo menino apesar de ter chego a pouquíssimo tempo no Japão já podia escolher a dedo com quem queria passar seu tempo.

§

Dois anos passaram voando desde o dia em que Sasuke viu Naruto pela primeira vez e agora com dez anos o herdeiro Uchiha conservava seu humor acido, mas com pequenas nuances de uma docilidade exclusiva a poucos. Mas o seu tempo com o loiro foi ficando cada vez mais escasso e ele não compreendia exatamente o porque.

Agora mesmo eles estavam na academia, sua aula de karatê já havia terminado á um bom tempo, mas a de Itachi ainda levaria uns bons quarenta e cinco minutos e seu irmão sempre pedia que o esperasse para irem embora juntos, até porque já passava das sete da noite.

Antigamente sempre ia embora com Naruto e Kushina, quando freqüentavam a mesma turma, contudo conforme a idade passou a ficar mais pronunciada eles tiveram que mudar os horários. Detestava ser um pirralho essas horas. O Uzumaki agora ia embora sem a companhia na mãe já que beirava aos quatorze anos e sempre tinha muito gente envolta dele.

Ergueu os olhos negros e não foi difícil localizar os fios loiros rebeldes na outra ponta da recepção. Como sempre ele não controlava o tom de voz o que era incomum para os costumes orientais, mas as pessoas pareciam já estar acostumadas. Três garotos e duas meninas estavam em volta dele e pareciam bastante atentas ao assunto exposto com tanta vivacidade.

O menino desviou quando as safiras caíram sobre ele. Havia muitos sentimentos o percorrendo e, particularmente, nunca foi muito bom em lidar com emoções e por isso costumava evitá-las a todo custo. A música “Coming Back To Life” do Pink Floyd começou no Ipod e ele se deixou levar pelo som da introdução que misturava notas de sopro com guitarra e não pode deixar de associar o trecho da música que dizia; “eu estava olhando diretamente para o brilho do sol” ao Uzumaki. Graças ao seu apelo musical gigantesco, seu inglês era melhor até do que o do irmão, uma das poucas coisas que conseguiu ganhar dele. Mas só queria que a aula dele de Kendô terminasse para ir embora logo.

- Sasuke? – Ergueu o rosto surpreso ao perceber Naruto tão perto. – Esperando o Itachi? Quer que eu te leve para casa? – Questionou já sugerindo.

A preocupação era genuína demais para ser apenas educada. Mas sempre foi assim. Não havia fingimentos do rapaz loiro, nunca houve e nunca haveria. Isso era uma das coisas que sempre confundia Sasuke, foi criado em âmbito militar e a polidez excessiva na sua família desvirtuava os conceitos da franqueza extrema.

- Não, tudo bem. Eu espero – maneou a cabeça pausando a música.

Sem consentimento o Uzumaki pegou um dos fones e prendeu na cartilagem da própria orelha, pedindo com um gesto da mão que o menor apertasse o play.

Apesar de estar um pouco indignado com aquele abuso e invasão de seu espaço pessoal, Sasuke despausou o Ipod e canção recomeçou mais ou menos da metade. Ficou observando o rosto de exóticas marcas se franziu em concentração e depois abrir um sorriso genuíno que o encantou. Sentiu vontade de mimicar o gesto, mas conseguiu se controlar. Estava feliz por ele ter gostado, geralmente não tinha com quem compartilhar seu amor por rock, já que Itachi normalmente preferia algo mais intelectual.

- Isso que é batida... Qual banda? – Tentou olhar a tela do aparelho.

- Pink Floyd, Coming Back To Life, é rock – explicou.

- Eu não conhecia essa, depois vou procurar saber mais sobre eles – bagunçou os fios negros muito macios para serem tão rebeldes. – Tem certeza que não quer que eu te leve para casa?

Sasuke titubeou, queria ir sim, adorava ter Naruto por perto e se fossem juntos andando ele podia ouvir mais músicas, seria a realização de um sonho. Mas. Olhou por cima do ombro bronzeado, os amigos que ele não conhecia ainda o esperavam, alguns com sinais claros de impaciência e ninguém conhecia a impaciência como ele, afinal era a única coisa que Fugaku lhe direcionava e instintivamente se retraiu, negando com a cabeça.

- Eu vou esperar o meu nii-san... Não vou ficar entediado, têm uma porção de música novas para ouvir.

Naruto finalmente pareceu se dar por vencido e retirou o fone devolvendo o objeto para o moreno e bagunçando os fios negros com suavidade novamente.

- Se você tem certeza, sabe eu sei que agora não tenho tido muito tempo para jogar com você – zerar jogos de PS era a prática favorita dos dois.

- É porque você está na fase crítica da vida humana – completou distraidamente.

- Fase crítica? – As sobrancelhas loiras subiram divertidas.

- É... Você sabe... Quando os hormônios ganham dos neurônios e faz você fazer coisas que ninguém termina de me explicar.

Naruto não agüentou e começou a rir sonoramente, achando aquela fala tão inocente e ao mesmo tempo tão adorável. Não era á toa que sua mãe era tão apaixonada por Sasuke.

- Foi o Itachi que disse assim – justificou o menino constrangido por achar que tinha dito alguma coisa estúpida.

- E como sempre o Itachi tem razão – olhou dentro dos íris absurdamente negras. – Quando você chegar à fase crítica eu prometo que vou te ajudar, sabe que pode contar comigo sempre e para sempre, não sabe?

Sasuke franziu o cenho para a promessa implícita e apenas acenou positivamente vendo-o se afastar de forma despojada e tranqüila. Os amigos teceram alguns comentários que graças à distância não conseguiu ouvir, mas Naruto não pareceu afetado por nada que foi dito e saiu da academia. Um ou outro olhou para ele com curiosidade e o menino desviou a atenção voltando-se inteiramente para seu Ipod.

§

Infelizmente o tempo passa e certas promessas que nunca deveriam ser esquecidas se perdem.

Quando chegou a hora de escolher qual modalidade estudaria na faculdade, Itachi finalmente enfrentou o pai e deixou claro que não, ele não iria servir ao exército e cursaria jornalismo, o que foi o auge da decepção de Fugaku, se ao menos seu primogênito tivesse escolhido direito, ciências contábeis, medicina... Qualquer coisa mais, segundo ele, digno de um Uchiha. Mas não, seu filho mais velho passaria o resto da vida escrevendo textinhos.

A situação dentro de casa tornou-se insustentável, pois, Fugaku agora não viaja mais como antes e por fim Itachi decidiu ir embora e morar na república da faculdade. Aquela ação foi compreendida por Sasuke, mas ele não foi capaz de impedir a magoa crescente que nasceu no seu coração a partir daquele dia. Sua parte irracional teimava em afirmar que seu irmão o estava abandonando, mesmo que ele o visitasse toda semana.

A república que Itachi morava se denominava Akatsuki e todos os seus integrantes eram jovens de situação financeira estável e muitas descendências estrangeiras. O melhor amigo do seu irmão era Nagato Uzumaki, primo de Naruto e tinha sangue dinamarquês, um tal de Deidara era americano por parte de pai e assim por diante. Toda aquela influência de outras culturas, muito mais liberais do que a japonesa foi lentamente mudando os conceitos enraizados do Uchiha. Itachi se viu diante de uma liberdade sem fronteiras e isso mudou um pouco o jeito que ele via o mundo.

Por causa da sua competência no curso não foi difícil para ele conseguir um estágio na área e em menos de um ano de faculdade já trabalhada como assistente de um editor free lance. O tempo do primogênito foi dividido entre estudar, trabalhar e estar com os amigos. Nagato fazia questão de incluir o primo em tudo o que podia e o loiro adorava estar nas festas do pessoal da “faculdade” era um marco que poucos conseguiam.

Quem detestava com todas as forças e a Akatsuki era Sasuke, pela primeira vez ele e Fugaku compartilhavam uma opinião. Agora com doze anos a presença do pai era constante e a saída de Itachi proporcionou uma queda enorme nas comparações e elogios cheios de pompa. O patriarca preferia fingir que o filho mais velho não existia, mas isso não significava que seu relacionamento com o irmão mais jovem melhorou. Ao contrário, ele ignorava Sasuke na mesma medida que ignorava Itachi. O caçula particularmente preferia assim. Seria o cúmulo do absurdo se de repente Fugaku o enchesse de amor paternal. A única parte boa era que o genitor parecia estar dando mais atenção a Mikoto e causa disso era que a mulher estava muito mais feliz.

§

Era sábado de tarde quase noite e o caçula dos Uchihas estava sentando na sua janela reproduzindo com perfeição a imagem do por do sol em uma simples folha de papel oficio e lápis. Podia ver a casa Namikaze-Uzumaki, frente á ela uma porção de carros estacionados. Pelo visto a reunião da Akatsuki aconteceu no belo jardim de Kushina aquela semana. Suspirou cansado, sabia que Itachi estava lá e sabia também que ele não viria lhe ver. Fugaku estava em casa com Mikoto e seu irmão estava evitando encontros desnecessários com o patriarca ou, talvez, ele simplesmente tivesse esquecido.

Em um salto saiu de cima da cômoda e jogou a folha desenhada em qualquer lugar em cima da cama. Estava cansado de ficar dentro do quarto e iria caminhar ouvindo suas músicas novas. Seu padrinho Izuna, que morava nos Estados Unidos, sempre o atualizava sobre o que ouvir e ele estava em um momento de música clássica, Elisa de Beethoven soava em um volume baixo no fone, o gênero não estava entre os seus favoritos, mas a beleza e riqueza musical era inegável. Era engraçado, mas a dama a quem a música era dedicada não tinha nada de Elise, de acordo com a história seu nome na verdade era Therese, um amor não correspondido do grande criador da nona sinfonia.

Na sala de estar sua mãe tomava chá com Kushina e ria de alguma coisa que a mulher ruiva tinha dito, Sasuke tentou passar despercebido, mas os olhos azuis cobalto, acostumados a perseguir Naruto o viram e como sempre ela sorriu genuinamente, exatamente como o filho.

- Sasuke! Como você está bonito! – Exclamou para o constrangimento do menino. – Cada dia que passa ele se parece mais com você Mikoto.

A senhora Uchiha hesitou por um momento, raramente olhava para o filho diretamente. Sentia muita culpa por não conseguir formar laços de afeto com o garoto.

- É porque você não conhece os meus cunhados – desconversou. – Está com fome? Vou trazer alguma coisa para lancharmos.

Kushina ficou olhando incrédula a amiga se dirigir para a cozinha, ao contrário de Sasuke que parecia já esperar por esse comportamento, mas uma áurea melancólica rodeou o rosto infantil. A ruiva pigarreou para chamar a atenção do moreno e deu suaves tapinhas no lugar ocupado anteriormente pela matriarca em sinal que queria que ele se sentasse ao seu lado.

- O que está ouvindo? – Apontou para os fones gigantescos que deixavam a aparência de Sasuke engraçada e meiga ao mesmo tempo.

- Ludwig Von Beethoven.

A Uzumaki continuou olhando fixamente para o menor que devolvia o olhar esperando uma reação dela.

- Não estamos falando do filme do cachorro, estamos? – Sorriu vendo-o abrir um pequeno sorriso em troca.

- Não, estamos falando do famoso compositor da Nona Sinfonia.

- E seu eu disser para você que não conheço a Nona sinfonia... O que você diria? – Perguntou baixinho em tom de troça.

O Uchiha sentiu o rosto esquentar de leve, aquela mulher lhe causava uma sensação tão quente. Adorava ela, seu jeito, seu carinho e a forma como parecia ver através dele sem esperar nada em troca.

- Eu não julgaria só o descobrir a poucos meses – respondeu no mesmo tom.

O som de alguma coisa de metal caindo na cozinha fez com que ambos olhasse para a porta em um susto. A melancolia de Sasuke retornando bem menos intensa, mas continuava presente. Kushina ficou séria e não se conteve em abraçar o menino que enrijeceu pelo contato repentino.

- Você é uma criança maravilhosa e vai ser um homem esplêndido – a firmeza daquelas palavras não abria espaços para contestações. – Acredito em você como acredito no meu próprio filho.

O jovem Uchiha assentiu e preferiu não olhar nos olhos azuis escuros e levantou do sofá. Ainda tinha em mente fazer a caminhada pelo quarteirão.

- Sasuke? – Voltou-se para a ruiva. – Porque você não vai ficar com os rapazes lá em casa? Itachi está lá...

Uma maturidade e seriedade incomum para uma criança de apenas doze anos rodeou a expressão corporal do moreno.

- Ninguém me quer – olhou novamente para o caminho tomado pela mãe e engoliu a seco. – Lá... – completou depois de uma longa pausa que fez a garganta de Kushina trancar e sem esperar resposta saiu pela porta da frente.

A Uzumaki respirou e finalmente entendeu que ele não estava se referindo apenas ao irmão mais velho, ou á Naruto, mas a todos. Temia que os danos psicológicos daquela criação ofuscassem quem Sasuke realmente tinha nascido para ser. Em outros tempos adoraria dar uma bela surra em Fugaku e em Mikoto. Como era possível que aqueles dois não enxergavam o menino maravilhoso que tinham como filho?

“Você vai lamentar muito isso um dia, Mik-chan”

§

Ficar longe das pessoas eram decididamente mais fácil do que ficar perto delas...

Sasuke concluiu aquilo pela enésima vez nas últimas três horas. Estava no fundo de uma van alugada que levaria ele o irmão e os amigos para uma casa de campo para comemorar o aniversário de vinte e um anos de Itachi. A regalia foi presente da mãe deles com o objetivo de evitar confrontos. Como ele tinha parado no meio daquela confusão era um grande mistério.

Finalmente, depois de horas na estrada o veículo estacionou e Sasuke esperou com impaciência todos saírem para finalmente descer. Estava com dificuldade de carregar sua mochila, a bolsa estava um pouco mais pesada que deveria estar, ele havia trago uma coleção de CD’s que pretendia ouvir. Só não tinha se dado conta de que eles ocupavam tanto espaço.

- Olá – virou-se para a voz feminina e ficou alguns segundos sem reação encarando os olhos absurdamente cor de mel e os cabelos estranhamento azulados. – Quer ajuda com a mochila?

Aquela era Konan, noiva do “líder” da Akatsuki e única integrante feminina, o Uchiha mais novo já tinha ouvido falar sobre ela, mas nunca a tinha visto antes.

- Não, está tudo bem – afirmou mesmo que tivesse bambeado de leve com o peso extra na suas costas.

A mulher sorriu docentemente e o ajudou a ajustar as alças com suavidade nata.

- Você tem a mesma dificuldade em pedir ajuda que o seu irmão, não é? Deve ser mal de família – completou sem esperar uma resposta.

O menino crispou a testa sem entender o significado daquela frase. Konan limitou-se a bagunçar os fios negros. O moreno não tentou impedi-la, seu cabelo só podia ter algum imã que atraia as pessoas, todos gostavam de tocá-lo. Geralmente não apreciava aquilo, mas a moça tinha um toque tão delicado que não se incomodou de fato.

- Konan! O Yahiko tá te procurando – um rapaz loiro de fios escorridos e vibrantes olhos azuis se aproximou. O jeito de andar demonstrava que ele não estava nada feliz em ter sido enviado como garoto de recados, mas ao mesmo tempo, deixava claro que ele adorava ser admirado.

- Eu já tô indo, estava conversando com o Sasuke – explicou tranqüila, acostumada com o jeito peculiar de Deidara.

- Com quem? – Retirou uma mecha de cabelo do olho de forma dramática.

O tom displicente indicou para Sasuke que ele e aquele homem não iriam se dar nada bem.

- Sasuke Uchiha – Konan apertou o ombro do menor. – O irmãozinho do Itachi.

A impressão de poucos segundos, de que ele e o loiro não se dariam bem, foi confirmada imediatamente pela forma como o tal Deidara o olhou com rancor genuíno. Rancor esse que não foi compreendido por Sasuke. Aquela era a primeira vez que via aquele membro da Akatsuki e não se recordava de ter feito algo contra ele para ser tão detestado assim.

- Ah sim... O pirralho – cruzou os braços. – Eu não entendi o porquê do Itachi querer trazer você para cá. Nós viemos nos divertir e festejar então vê se pelo menos esse final de semana não fica no caminho do seu irmão, ok?

Konan que não esperava aquele ataque gratuito ao menino sentiu o estômago afundar em mortificação, sob seu toque pode sentir o leve estremecimento no corpo de Sasuke. Encarou o colega incrédula.

- Deidara! Isso é jeito de falar com ele? Peça desculpas agora! – Grunhiu realmente irritada.

- Por quê? – Deu os ombros. – Eu disse alguma mentira? O Itachi já reclamou várias vezes da dependência desse garoto, ele tem que cair na real e crescer logo – e sem segundos olhares foi em direção a casa.

A azulada o seguiu debatendo aquele argumento com energia vulcânica.

Sasuke, por outro lado, ficou parado exatamente no mesmo lugar. O peso da mochila, antes completamente incomodo, agora, mal era sentido. A absolvição daquelas palavras estava sendo lenta. Sempre soube que era muito dependente do irmão mais velho, sempre que precisava de alguma coisa era a Itachi a quem recorria, mas era porque sempre havia sido assim. Estava acostumado a ser assim. Nunca percebeu que estava incomodando o outro. Contava com o moreno desde bebê. Só não sabia que o estava atrapalhando de alguma forma.

Olhou em volta e acabou fixando sua atenção em Naruto que ria de algo dito por Nagato. O ruivo entregou ao primo um pacote que parecia ser ansiosamente aguardado. De repente o Uzumaki loiro percebeu que era observado por Sasuke e o rosto bronzeado enrubesceu violentamente. O embaraçado foi tão grande que ele até deixou o pacote cair e Nagato ralhou com ele.

O Uchiha revirou os olhos achando aquele comportamento muito esquisito...

Aquele seria um longo final de semana.

...

Quando sentiu o relógio no seu pulso vibrar, indicando que era meia noite em ponto, Sasuke retirou os fones. As paredes estremeciam de leve por causa do som alto no andar de baixo. A festa de vinte e um anos do seu irmão estava realmente animada.

Desceu as escadas, iria para o lago que havia na outra extremidade do terreno, aquela barulheira que eles chamavam de música, não devia chegar lá. Franziu o nariz quando um cheiro forte foi sentido, aquilo parecia cigarro misturado com alguma coisa mais fedorenta ainda.

Avistou o irmão mais velho sentando em um sofá um pouco afastado e fechou a expressão ao notar que o tal Deidara estava muito perto dele, perto demais para seu gosto. Marchou até lá com passos firmes e a dignidade de um adulto.

- Nii-san – grunhiu cruzando os braços.

Imediatamente, como se tivesse levado um choque, Sasuke riria se não estivesse tão aborrecido, Itachi se afastou do loiro e tentou em vão esconder o copo que tinha um líquido provavelmente alcoólico. E pela primeira vez na vida o Uchiha mais velho foi visado como um idiota pelo irmão mais novo.

- O que foi otouto?

Deidara que não estava nada satisfeito por ter sido empurrado daquele jeito ficou ainda mais irado ao ver o motivo da súbita mudança de comportamento do “ficante”. Como desgostava daquele moleque. Era infantil e irracional, mas a verdade era que morria de ciúmes de Sasuke. O pequeno tinha estadia garantia e exclusiva em um lugar que queria muito; o coração de Itachi Uchiha.

- Não é meio tarde para as crianças estarem fora da cama? – Implicou se servindo de mais vodka.

- Eu vou até o lago – Sasuke informou ignorando o outro. – Tô sem sono e aqui ta muito barulhento.

- Quer que abaixe o som? – Itachi indagou fazendo com que o parceiro da Akatsuki protestasse auditivamente e ponto de chamar toda a atenção para eles.

O caçula dos Uchiha sentiu algo dentro dele revirar ao perceber que todos estavam focados nele, a música havia sido interrompida para prestar atenção das palavras de Deidara e conseqüentemente nele. Antes não tivesse vindo pedir nada.

- Qual o problema? – Konan se aproximou, Sasuke reparou que ela estava com o rosto vermelho, mas parecia consciente de si mesma.

Pelo menos mais do que o seu próprio irmão.

- Eu disse que ia ser um porre trazer esse garoto! Temos que desligar a música só porque o bebezinho precisa dormir?!

Temari, irmão e namorada de dois amigos de Naruto que vieram a tira colo e Ino estavam como responsáveis pelo som se juntaram aos protestos negativos em ter de baixar o som.

Sasuke bufou resignado e revirou os olhos, seria ótimo estar naquele lugar, se ao menos ele estivesse sozinho.

- Eu não pedi para desligar... Essa coisa horrível que vocês chamam de música... Só vim avisar que vou até o lago! – Replicou em tom baixo para só o irmão ouvir, este o considerou longamente antes de assentir de forma positiva.

- Eu não acho que seja uma boa idéia Tachi, ta meio frio lá fora – Konan argumentou. – Se o problema é o barulho não custa nada abaixar o volume, não tem ninguém dançando mesmo.

Contudo antes que o moreno pudesse formular uma resposta, seu amigo mais porra louca, Hidan, tropeçou no próprio pé e caiu por cima dele e de Deidara. O copo cheio de uísque molhou os dois e o cigarro de maconha voou longe, parando perto dos pés de Sasuke. Esse pegou o objeto cilíndrico com curiosidade, ele tinha o mesmo cheiro que sentiu quando chegou no corredor e era diferente dos cigarros que costumava ver.

- Nii-san... – Começou sem chance de concluir, pois Itachi tomou o cigarro da sua mão com um brilho irritado no olhar.

- Pode ir para o lago.

Um pouco desconcertado por aquela fúria, na sua cabeça, sem motivo, Sasuke se afastou rápido. No caminho deu de cara com Naruto fumando um cigarro exatamente como aquele que tinha sido tomado das suas mãos pelo mais velho. O Uzumaki o encarou e pareceu confuso antes de reconhecê-lo.

- Pensei que sua mãe odiasse isso – apontou para tubo exalando fumaça.

- E ela odeia – riu esganiçado por ter sido lembrado da mulher ruiva justamente em uma hora como aquela. – Isso deve ficar aqui, ta bom?

Sasuke deu os ombros, não era realmente da sua conta, e ele nunca fiz a linha fofoqueiro. Não pretendia mesmo contar a ninguém sobre aquele fim de semana, na verdade assim que ele acabasse fingiria que ele não tinha nem existido.

Ia seguir seu caminho para fora da casa, mas uma sensação de confusão o dominou ao notar que Naruto estava sendo muito caçoado pelos amigos, que afirmavam que ele estava “levando uma dura” de um menino. Ele só fez um comentário. Que esquisitos eram todos eles.

Itachi de longe observou o menor sumir pela porta. Voltou-se para Hidan com ímpetos de estrangulá-lo e iria torturar e matar o amigo lentamente, assim que ele ficasse sóbrio. Porque no momento ele estava tão chapado que nem sentiria nada e assim não teria graça.

Seu coração sacolejou ao ver Sasuke segurando a cacete de um baseado. Seu irmão era muito novo para compreender coisas que ele mesmo ainda estava digerindo sob a sociedade e o mundo. Mas jamais deixaria ele ser exposto a coisas daquele tipo tão jovem. Seus amigos haviam jurado que não trariam maconha para aquela reunião, mas parecia que Nagato, Hidan e Kisame tinham sutilmente esquecido do juramento.

- Eu não entendo porque o trouxe, ele é um pirralho que não devia estar aqui – Deidara anuiu ainda aborrecido, com o que o primogênito Uchiha são sabia dizer.

- Meus pais iam viajar para Kyoto e como foi idéia da minha mãe virmos para cá, achei justo trazê-lo. – Ditou tranqüilo, Ino e Temari ainda debatendo sobre o que ouviriam agora.

- E ele não podia ter ido com seus pais para Kyoto? Tinha que ficar como sua responsabilidade, como sempre? Você não tem obrigação nenhuma com ele, sabia disso.

A única integrante feminina da Akatsuki ouviu aquilo indignada, assustava-se com o nível ordinário de maturidade de Deidara. A noite estava fria sim! E só de imaginar aquele menino sozinho andando por aí fazia com que seu nível alcoólico baixasse em um instante. Tinha perdido um bebê em um aborto espontâneo há alguns meses e ainda se sentia sensível em relação a crianças.

- Itachi está tarde – protestou de novo. – Não é perigoso ele ficar lá fora?

- Por favor, Konan – Hidan riu acendendo o cigarro de erva. – Controle seus instintos maternais. Obrigado.

Yahiko arqueou a sobrancelha nada feliz como comentário e a azulado praticamente rosnou pela falta de delicadeza do colega e seguiu para outro canto em busca de alguma coisa para beber, visivelmente desgostosa e foi seguida pelo noivo.

O Uchiha repreendeu o lilás com um olhar que demonstrou estar arrependido, só se deu conta da besteira que falou, depois que já tinha falado e não havia muito mais o que fazer. Teria que se desculpar com seu líder mais tarde, porque se tinha alguém que ninguém gostava de puxar briga esse com certeza seria Pain, apelidinho carinhoso de Yahiko.

- Já escolheram essa música?!! – Deidara gritou vendo uma pequena confusão perto do aparelho de som. Argh! Porque Nagato cismava em trazer o primo que cismava em trazer os amiguinhos de escola? Olhou de soslaio para Itachi que parecia mais seco e sério. – Que foi?

- Eu acho que a Konan ta certa – levantou do sofá. – Eu vou buscar o meu irmão.

O estudante de artes ficou alguns segundos estático, mas logo se recuperou e correu atrás do Uchiha que já estava perto da porta.

- Qual foi Itachi? Ele já ta meio grandinho para isso, não acha? – O tom alto chamou atenção de Naruto, Nagato, Gaara, Kiba, Neji, Sai e Hinata que estavam mais perto da janela.

- Só vou levar ele para o quarto – tranqüilizou sentindo a paciência começar a findar.

- Vai perder a sua festa por causa desse garoto de novo? Por que você tem que se sacrificar por ele? Até sua mãe acha ele um pé no saco!

- Deidara – o tom o Uchiha foi perigosamente suave e demonstrava um claro aviso que o loiro não soube interpretar.

- Olha só porque seus pais não o suportam não faz de você o grande responsável por nada. Já reclamou dele ser muito dependente de você várias vezes e não negue isso. Ele não é sua obrigação!

Os olhos ébano brilharam de raiva e Deidara pela primeira vez na noite sentiu que tinha ido um pouco além do que podia, mas não recuou, houve uma leve distorção nas palavras, mas não iria se desculpar. Quantas festas da irmandade o moreno já tinha perdido por causa do irmãozinho que ligava exigindo atenção? O Uchiha pareceu querer dizer alguma coisa, mas Kisame o pegou pelo braço e o puxou para um canto afim de conversar com ele, provavelmente para acalmá-lo.

- Credo Deidara – Nagato estendeu a garrafa de vodka. – Por que tudo isso?

O loiro deu longos goles no líquido transparente.

- Eu to cansado de ver o Itachi abrir mão de si mesmo para satisfazer as vontades desse menino-

- Esse menino se chama Sasuke – Naruto interrompeu sério. – E quem tem que ficar cansado é o Itachi e não você.

O universitário encarou o primo do companheiro de república com deboche e cruzou os braços em desafio.

- Você o defende porque eu soube que foi um único amigo que tinha quando chegou aqui e passava horas e horas com ele, mesmo com a diferença de idade.

- Ihh – Kiba que estava bastante bêbado riu. – O Naruto era babá, mas será que não era o baby Uchiha que tomava conta dele?

Sai gargalhou e decidiu se juntar a troça.

- Acho que não, eles deviam ter a mesma idade mental e por isso se davam tão bem...

- Convenhamos que o Naruto não é o ser mais inteligente da face da terra – Neji emendou. – Normal que ele se desse bem com alguém tão mais novo.

O dito loiro sentiu o rosto esquentar de raiva por estar sendo caçoado daquele jeito e se voltou para os amigos irritado.

- Claro que não seus idiotas! Minha mãe que pedia para fazer companhia para ele, eu morria de pena dele ser tão sozinho, só isso! – Se defendeu irritado.

Gaara observou o amigo em silêncio e preferiu não comentar, várias vezes antes de firmar amizade com Naruto o viu brincando com Sasuke e esse nunca poupou elogios ao caçula dos Uchiha. Ele provavelmente estava dizendo aquelas coisas só para não ser mais caçoado.

- Sabia que a doce Mikoto Uchiha quase o matou quando era bebê? – Deidara soltou satisfeito em ter todos o olhando. – Ela não o queria, nunca quis e quando engravidou ficou em depressão, um dia tomou tantos remédios que ficou dopada a ponto de dormir por horas e o bebê ficou chorando sem parar... O Itachi me disse que ele já estava roxo quando chegou e nem a Mikoto-san e o Fugaku-san pareceram se importar muito com isso. Para eles o garoto é descartável – concluiu se afastando com Nagato ao seu encalço já que estava indo em direção a mesa das bebidas.

O grupo mais novo ficou quieto digerindo a informação.

- Nossa – Hinata obrigou-se a falar para quebrar a tensão que se formou ali. – Tadinho.

- Isso explica ele ser tão estranho – Kiba murmurou e os outros concordaram.

A música eletrônica foi reiniciada em um volume absurdo.

Gaara que já estava cansado daquele assunto e para ser franco achou aquilo desnecessário, enlaçou a cintura de Naruto e colou os lábios na nuca dele. Estavam em um momento de descoberta e exploração de corpos fascinante e finalmente tinham espaço e tempo para fazer aquilo.

- Vamos subir para o quarto, duvido que algum desses bêbados vá nos interromper.

O Uzumaki, que apesar de estar chateado pelas coisas ditas, sentiu um arrepio descer pela coluna e riu malicioso para ruivo assentido em concordância. O Sabaku deixou-se ser guiado pela euforia do loiro que andava em passos rápidos.

Porém.

Quando passou pela porta sentiu o coração falhar ai ver que Sasuke ainda estava ali, encostado na parede com uma expressão triste, muito diferente da normalmente apática. O que deixava claro que ele tinha ouvido cada palavra dita. Os olhos negros se ergueram para ele e a quantidade de dor ali era tão grande que o ruivo engoliu a seco e desviou, seguindo pela escada. Graças a Deus Naruto não tinha visto o menor.

Até porque não era da conta deles...

...

Não devia ter voltada para pegar seu fone.

Sasuke concluiu aquilo sentado as margens da ponte, seus pés estavam dentro da água gelada e já estavam dormentes pelo frio. Konan estava certa, o tempo era gélido ali.

Então,

Naruto só foi seu amigo por pena

Itachi estava cansado dele

E para seus pais ele era descartável

Foram muitas descobertas para uma única noite.

Mas, sorriu amargo, até que elas faziam sentido.

Tomou impulso e deixou o corpo inteiro cair para dentro da água. Estava tão anestesiado emocionalmente que nem sentia a baixa temperatura. Completamente submerso, deixou um grito de pura agonia escapar da sua garganta.

Olhou para cima e percebeu que estaca vivenciando seu recorrente pesadelo.

“Sempre que você sonhar com isso e sentir medo tente se lembrar que eu estou aqui e que eu nunca vou soltar você”

“...sabe que pode contar comigo sempre e para sempre, não sabe?”

Por que o seu coração tinha que ser quebrado daquele jeito?

...

Se alguém perguntasse como foram as horas seguintes à Sasuke, ele não saberia responder. Foi como se uma nevoa se estendesse pela sua memória. Tinha a leve impressão de que alguém o ajudou a trocar de roupa e o cobriu. Não conseguiu levantar de manhã, uma febre de 39° graus o prendeu a cama e o mergulho noturno devia ser uma das causas. Nas duas vezes que ouviu a porta se aberta continuou de olhos fechados. Não sabia que foi Itachi o visitante e que ao vê-lo tão quietinho assumiu que o menor ainda dormia.

A viagem de retorno também não foi muito marcante, assim como ida o caçula permaneceu isolado e assim que o veiculo estacionou em frente a sua casa desceu nem se despedir ou olhar para trás. Da porta correu direto para o quarto, seus pais não estavam a vista e agradeceu por isso.

Por costume ligou o computador que havia permanecido em baixa energia e imediatamente uma chamada de vídeo de Izuna brilhou no canto direito. Levou alguns segundos para aceita-la.

- Sasuke – a voz do padrinho como sempre era suave e animada. – Passei o final de semana pensando em você. Como está?

Aquelas palavras desencadearam a emoção que o menino estava contendo e apenas encarou o rosto do tio. Deixar as duas primeiras lágrimas caírem foi difícil, mas depois as outras vieram com uma facilidade assustadora. O pranto era forte e dolorido, anos de sentimentos reprimidos sendo exorcizados de uma vez só.

- Sasuke?! Sasuke, o que foi? Fala comigo!

Queria dizer ao padrinho, queria gritar, gritar bem alto sem se incomodar se assustaria os outros, mas assim que tentou, ao menos, se explicar o pequeno percebeu que havia perdido a capacidade de falar...

...

Outro evento surpreendente foi a entrada repentina de Fugaku no quarto do filho menor, de algum modo Izuna devia tê-lo contatá-lo. O genitor olhou bem para o rosto do garoto e imediatamente o levou ao hospital. Sasuke estava abatido e com uma febre persistente.

A médica que o atendeu era Tsunade, conhecida da família e uma grande profissional. Ela pediu para ficar a sós com o menor e quando voltou a se encontrar com Mikoto e Fugaku sua expressão não era das mais promissoras.

- As cordas vocais dele esticaram, ele não vai voltar a falar tão cedo – a loira encarou o paciente com preocupação. Ele parecia estar em qualquer outro lugar menos ali. – Pode ter sido a infecção, uma bactéria.

- Ele nunca mais vai falar? – Mikoto pareceu genuinamente assustada com a possibilidade.

Fugaku volta e meia também olhava para seu caçula e com uma gama de emoções desconhecida até então, a intensidade nunca antes dirigida á Sasuke. Mas era tarde demais.

- Preciso ser sincera, coisas assim geralmente são reações do corpo a algum tipo de trauma – os olhos cor de mel ficaram duros. – Embora não aja sinais de nenhum dano físico nele.

Mikoto e Fugaku se entre olharam sem reação e perdidos sobre o que fazer a seguir.

...

- Sasuke – os olhos negros rodaram algumas vezes antes de parar sob a figura de Kakashi que estava agachado na sua frente. Esteve sentado no jardim boa parte da manhã e ignorou tudo a sua volta. – O que aconteceu?

O menino novamente demorou em expressar reação e apenas negou com a cabeça. O Hatake suspirou frustrado. Estranhou quando não o viu indo as aulas de artes marciais, o menor não costumava faltar e não aparecia na academia a pelo menos dez dias. Quando ligou para a casa dos Uchiha foi informado por Mikoto o que tinha acontecido e imediatamente se dirigiu para lá preocupado. Ficou do carro observando seu aluno que permaneceu na mesma posição todos os vinte minutos e parecia que não iria mudar tão cedo.

- Eu vou falar com o seu irmão – puxou o celular, Itachi era sua última esperança para compreender o que estava acontecendo. – Ele disse que está atolado de trabalhos e provas porque é final de semestre, mas tenho certeza de que-

A mão diminuta segurou a sua com uma firmeza nova.

- Sasuke? – Indagou com dúvida.

O Uchiha negou com a cabeça mais uma vez, só que agora com muito mais firmeza e determinação.

Kakashi se surpreendeu com o ímpeto daquilo que brilhou nos olhos escuros. Não teve como definir, era forte, ocre e parecia dominar o menor. Guardou o aparelho confuso e imediatamente a melancolia voltou às feições infantis. Estava ficando sem opções.

...

- Passar uma temporada com você? Nos Estados Unidos? – Mikoto franziu a testa para o cunhado que não via há anos. – Tem certeza disso, Izuna?

O dito Uchiha assentiu firmemente. Tinha chego do aeroporto a menos de dez minutos e foi rápido em expor o que viera fazer ali no Japão. Queria descobrir o que havia feito Sasuke ruir daquele jeito e na sua concepção afastá-lo era a melhor opção.

Seu companheiro, Tobirama não entendeu nada quando ele simplesmente anunciou que estava indo até Tóquio, como se a capital japonesa fosse ali à esquina e não do outro lado do globo. Ma s sentia que Sasuke precisava de ajuda. O albino se surpreenderia ainda mais quando surgisse com o sobrinho a tira colo.

- Só por alguns dias – sorriu doce. – Eu vou estar de férias prolongadas e sempre quis passar um tempo com meu afilhado e parece ser a oportunidade perfeita agora. Fugaku disse que precisaria resolver algumas coisas na Coréia do Sul e gostaria de levá-la com ele e com o Itachi na faculdade me pareceu uma boa idéia seqüestrar o Sasuke por algumas semanas – piscou para o sobrinho que estava sentando a uma distância considerável da mãe, embora estivessem no mesmo estofado.

Mikoto dirigiu sua atenção para o filho com preocupação. Ele mantinha mesma expressão, como se estivesse sem alma, nem a inesperada visita do tio favorito alterou aquilo.

- Você gostaria de ir?

Sasuke a olhou longamente e depois para Izuna que devolveu o olhar com firmeza e seriedade. Parecia que eles estavam se comunicando mentalmente. O caçula abriu a boca para responder e de fato tentou falar, para surpresa total de Mikoto. Foi orientada a não forçá-lo a se comunicar e esperar que o fizesse espontaneamente, mas aquela foi a primeira vez que ele de fato tentou. Talvez algum tempo com o Izuna realmente o fizesse bem.

O leve manear afirmativo foi o suficiente e eles combinaram que Sasuke ficaria vinte dias com os tios na América no Norte.

Madara e Izuna moravam em Santa Mônica, localizada na Califórnia, no condado de Los Angeles. Era uma cidade muito bonita e os irmãos de Fugaku eram muito bem estabelecidos financeiramente e residiam em uma bela casa na Ocean Avenue com vista para a praia, aquela mudança de ares iria fazer bem á Sasuke.

Não foi difícil conseguir todas as permissões necessárias, afinal Fugaku era um homem cheio de contatos. Em menos de dois dias as coisas do caçula já estavam prontas para embarcar no avião.

Na hora de ir, Izuna garantiu os progenitores que tudo ficaria bem e que ele cuidaria do menor como se fosse dele. Sasuke mantinha a cabeça baixa e quando foi orientado pelo padrinho a se despedir dos pais, pois o vôo deles estava chamando, tudo que fez foi olhar bem para aquelas duas pessoas que deviam ter sido tudo e não foram. A deficiência das suas cordas vocais o livrou de ter que dizer alguma coisa.

- Seu irmão esta em um seminário da faculdade e não pode vir, nem conseguimos avisá-lo da sua viagem, mas assim que vice voltar ele deve vir te ver – Fugaku pareceu meio sem jeito em dizer aquilo, não acostumado a conversar com o filho mais novo.

O silêncio caiu entre os quatro e foi Izuna quem o quebrou, puxando o afilhado para o portão de embarque. Estranho o fato dele não olhar para trás ou pelo menos acenar para os pais, geralmente crianças faziam isso, certo?

O Uchiha mais velho parou ao notar que o sobrinho encarava o corredor que levava ao interior do avião com receio. A respiração estava pronunciada e ele suava frio. Voltou correndo e agachou na frente dele o apertando em um abraço.

- Eu to aqui agora – sussurrou rente ao ouvido infantil sentindo-o soluçar. – Vai ficar tudo bem. Eu vou tomar conta de você.

Sasuke ofegou ainda sem retribuir o carinho. Tossiu esganiçado.

- Me ajuda tio... Me ajuda, por favor...

O apelo foi baixo, rouco, fraco e desnecessário. Izuna já estava ciente dele.

Apesar de estar com doze anos, Sasuke estava terrivelmente leve, emagreceu severamente naqueles dias e por isso não foi difícil levantá-lo no colo. O menino resmungou incomodado e escondeu o rosto no pescoço alheio.

Acomodados na poltrona, o pequeno que vinha ignorando seus pensamentos deixou que eles fluíssem até Itachi, Naruto, Kushina, Kakashi e todas as pessoas que estava deixando para trás. Não estava sabendo lidar com aquele volume de emoções, talvez depois daqueles vinte dias as coisas ficassem mais claras...

Contudo.

Não se ausentaria do Japão por dias...

E sim por anos...  


June 17, 2018, 9:46 p.m. 2 Report Embed 3
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emanuela ; emanuela ;
Eu tô no chão só com esse primeiro capitulo. Que mix de emoções foi essa????? eu ja to bem "pau no cu de todo mundo"
July 17, 2018, 9:08 p.m.

  • Thammi RB Thammi RB
    Acho que todo mundo sentiu isso mesmo rsrs July 18, 2018, 8:34 p.m.
~

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