De pequenas coisas, você Follow story

himenotsohime Hime

Filosofias sem matiz era o mais novo divertimento de Todoroki até Midoriya decidir pintá-las solenemente com cores florais.


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#universo-alternativo #oneshot #lgbt #tododeku #amordefrases
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Filosofias de um garoto cinza

Ah, estou contente em participar deste desafio e, além disso, mostrar um pouco de como meu mundo funciona.

Frase escolhida, 3: “O amor nasce de pequenas coisas, vive delas e por elas às vezes morre.” — Lord Byron.

***************

No atual mundo em que nos encontramos, com os telejornais a gritar desastres e desgraças, a única coisa que achei ser impossível existir era o amor.

Tentei ao máximo não deixar com que o ódio e a ganância me parecessem normal. Mas essas coisas são tão frequentes que é difícil surpreender-me mais.

E então, deixei com que a rotina me dominasse e que todos os meus movimentos se tornassem automáticos. Não havia atipicidade em meus dias fajutos, e logo me conformei com isso.

Mas sabe, nada dura para sempre. Eu sei disso, só nunca me importei.

“O amor vem de pequenas coisas”. Ouvi isso da minha professora de literatura enquanto ela amarrava um lenço vermelho nos cabelos castanhos. Mantive tal frase em minha cabeça, senti que me seria útil, em algum momento.

E mais uma vez, no terminal de ônibus, a playlist reiniciou pela terceira vez desde que saí de casa. Deixei a música soar no volume máximo, por mais que eu já tivesse enjoado dela faz tempo.

Uma garota de fios castanhos estanca na minha frente, acenando freneticamente com as mãos. Tiro um dos fones.

– Com licença, foi mal incomodar, mas meu amigo ali disse que achou você bonito. – Ela sorriu, apontando para um ponto perto da cantina, onde um garoto de cabelos esverdeados estava apoiado na parede.

Com meu olhar, ele corou e desviou o rosto para baixo. Puxou o capuz, escondendo os cachos e os olhos de cor igualmente verde.

Apertei os olhos, voltando a olhar para a garota. Ela piscou e entregou-me um bilhete. Nele havia um número de telefone e uma frase: “O meu nome é Midoriya Izuku e eu gosto de como o vermelho e o branco de seus fios contrastam com seus olhos igualmente de belas cores”.

E então, a garota de sorriso contagiante voltou para o lado do tal Midoriya. Eu, levemente contente pelo fato incomum quebrar a rotina robótica que eu levava diariamente, guardei o bilhete no bolso.

Não que eu fosse chamá-lo, não é de meu feitio aproximar-me de pessoas desse jeito. Muito menos um garoto que claramente tinha algum tipo de interesse afetivo por mim.

Apenas guardei seu rosto avermelhado em minha memória e subi no ônibus que acabara de chegar. 


Após chegar da faculdade de engenharia, dirigi-me até meu quarto. O cansaço acumulado pesava em meus ombros, e só me permiti respirar fundo assim que larguei a mochila sobre a cama. Retirei o casaco lentamente, e cacei meu celular no bolso da calça.

Foi com certa surpresa que vi um pedaço de papel planar lentamente até o chão. Logo lembrei da garota de olhos castanhos e, consequentemente, do garoto.

Suspirei.

Não me considero um ignorante de fato, só não enxergo cores no que todos dizem ser uma bela aquarela. A falta de emoções em meus dias são consequências disso. Não busco algo novo, por mais que eu quisesse me livrar, ao menos um pouco, da rotina.

Naturalmente, o papel encontrou seu destino no lixo.


Notei Midoriya e a garota no mesmo lugar, ao lado da cantina, conversando. O garoto parecia mais cabisbaixo enquanto ela ria e falava sem escrúpulos.

Na tentativa de não ser notado por eles, camuflei-me entre as pessoas que aguardavam o ônibus junto a mim.

A música interrompeu-se e a fotografia de minha mãe apareceu no display. Retirei os fones e desconectei-o do celular.

Atendi e, como sempre, fora ela a falar primeiro:

– Shouto, você almoçou bem? Me atrasei e não consegui chegar à tempo e preparar o almoço.

– Sim, sem problemas.

– Está bem agasalhado?

– Uhum.

Ela pareceu hesitar, e meu olhar percorreu a plataforma. Consequentemente, percebi que dois orbes verdes me encaravam. Desviei rapidamente, e a voz de minha mãe voltou a encher meus ouvidos.

– Meu bem, arrumei seu quarto. E… tente conversar com alguém. Se apaixone, ame, a vida é curta demais.

Ela nunca falou sobre isso, deve ser por isso que por pouco o celular não partiu-se em mil pedaços no chão.

– O quê?

– Sei de sua opinião sobre isso, Shouto. Não estou lhe obrigando, apenas pedindo para tentar. Eu vou deixar em cima de sua escrivaninha.

– Quê? Mãe? Deixar o quê?

– O amor surge de coisas pequenas, filho. – Um riso abafado ecoou em meus ouvidos, logo depois ela despediu-se e desligou.

Não consegui responder-lhe, confuso pela aparição do termo pela segunda vez em um curto espaço de tempo.

Desisti dos fones e guardei-os na mochila. Meus olhos pareciam decididos, pois assim que fechei o zíper eles subiram para aquele ponto específico novamente. Midoriya me olhava novamente. Ele oscilou, simulou uma retirada estratégica, ia voltar a olhar para a garota que continuava a falar pelos cotovelos.

Mas ele não fez isso. Midoriya sorriu e acenou para mim.

Tapei a boca e olhei para o chão. Pelas pontas dos dedos senti o súbito aumento de temperatura do meu rosto. Não recolhi a mão até que o pequeno sorriso que formara-se em meus lábios dissipasse tão rápido quanto apareceu.

Meu ônibus chegou e, após esperar as pessoas que estavam nele saírem, entrei.

Afundei no assento e encolhi-me em meus agasalhos.


O bilhete estava em minha escrivaninha, e finalmente entendi todo o piti poético de minha mãe.

Sentei-me na cadeira e peguei o papel. Empurrei o pé na mesa, pegando o impulso necessário para deslizar pelo quarto.

Busquei meu celular e adicionei seu contato rapidamente. Não podia dar espaço nem tempo para que a hesitação chegasse e se hospedasse em mim.

Enviei-lhe um simplório “oi”. Eu não sabia o que falar nem como levar o assunto adiante, por isso mantive-me longe do celular, receoso.

Demorou duas horas até que Midoriya respondesse, e nesse meio tempo jantei e tomei banho.

Sua mensagem chegou enquanto eu resolvia algumas equações da faculdade. Fiquei indeciso entre continuar ou responder-lhe. No fim, surpreendi-me de como ele puxou assunto logo após o meu cumprimento sem graça.

Não estava em meus planos deixar as equações por fazer e envolver-me em seu bom humor que prendeu-me por horas à fio em frente ao celular.

Midoriya riu do meu jeito monótono diversas vezes, e odiei-me nas vezes em que perguntei-lhe por que continuar falando com alguém enfadonho como eu.

“Gosto do modo de como você vê as coisas ao seu redor”.

“Não lhe conheço bem, Todoroki, mas posso afirmar que sua vida não é a das mais emocionantes. Seus olhos gritam isso”.

Quero entender como as engrenagens giram em seu mundo pessoal”.

No fim, combinamos de nos falarmos na estação.

Na impiedosa noite que agredia-me com o frio congelante, perguntei-me se uma garota cupido e um bilhete escrito com letras inclinadas eram as tais pequenas coisas de onde o amor nascia.


O início de uma relação pode ser associada à uma máquina engenhosa que funciona graças à um conjunto de peças específicas.

Primeira engrenagem: a iniciativa. Não há contato sem esse importante fator. Um cumprimento simples, uma aproximação tímida,uma mensagem inesperada, qualquer coisa que faça com que você seja inserido na vida de outra pessoa.

Segunda engrenagem: a insistência. No início, ambos ficam hesitantes em chamar o outro para conversar. Talvez porque você não se tornou importante o suficiente para ser lembrado. A insistência em sempre manter-se presente, mostrar sua vontade em conversar com a pessoa. Isso faz toda a diferença.

Terceira engrenagem: o interesse. Quando ambos já estão atraídos pelas manias e sorrisos um do outro, o interesse surge timidamente, encontrando espaço para se alojar. E quando você o percebe, é tarde demais.

E por fim, a paixão. Esta que faz infinidades de outras peças encaixarem e funcionarem. Confiança, lealdade, curiosidade, saudade, carinho, amor. Finalmente amor.

E então, a bugiganga finalmente está pronta e dificilmente será quebrada.

Um conjunto de informações me fez montar essa filosofia que só agora estou dando mais confiança.

Sentado no banco gelado de madeira bruta com Midoriya ao meu lado, nenhuma palavra fora trocada.

Homens com flores em mãos e mulheres ansiosas com seus presentes só evidenciavam a data comemorativa.

Dia dos namorados.

Olhei Midoriya. Ele devolveu-me o olhar.

– Oi – Ele iniciou. O modo como sua voz soou com visível vergonha me fez ter de virar para o lado para esconder o sorriso.

– Oi.

– Eu conseguirei mudar sua filosofia sobre o amor, Todoroki? – Jogou, sem quaisquer avisos prévios.

Num flash, recordei-me de seus macetes para fazer-me falar abertamente na noite passada. Desta vez, deixei com que ele assistisse, admirado, um sorriso ameno que surgiu em minha face.

– Filosofias apenas mudam se outra mais influente é dita.

Fora a vez dele sorrir.

A conversa rumou-se em um doce caminho do qual custei a sair. E quando saí, Midoriya ofereceu-me um pequeno livro que cabia na palma da minha mão.

– Feliz dia dos namorados. – Ele sussurrou. E com outro sorriso confiante deixou a plataforma, rumando para fora da estação.

Observei seus cachos esverdeados esvoaçando contra o vento frio daquela manhã de terça-feira.

Abri o caderninho de capa revestida em couro azulado. Na primeira página, li: “Minha lista de novas filosofias sobre o amor”.

Eu ri de sua criatividade em convencer-me, e logo notei que o item um já estava preenchido em suas letras falhas e inclinadas.

1- O amor nasce de pequenas coisas, vive delas e por elas às vezes morre.

Senti um arrepio correr meu corpo e logo cacei rapidamente uma caneta de dentro da minha mochila.

2- Amar é uma complexa engenharia que só funciona com duas engrenagens compartilhando do mesmo sentimento.

Fechei o caderno, rindo de meu próprio clichê.

Espero que não se decepcione ao ler isto, Izuku.

June 16, 2018, 5:49 p.m. 9 Report Embed 12
The End

Meet the author

Hime Escrever na companhia de uma caneca de Nescau é para poucos, e com uma playlist calma e agradável? Quem sabe. Tragédia e humor são minhas categorias favoritas, já que mais se assemelha à realidade dos seres humanos hoje em dia. Ainda com muito a melhorar, mas dando meu melhor, aqui estou eu.

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Inkspired Brasil Inkspired Brasil
Começar do título que já demonstrou para mim que viria aquele tipo de histórias de explodir o coração. E não me decepcionei, a forma com que você narra desde o início até o final é perfeita. Os personagens são bem trabalhados ao longo da fic, o que me deixa com um orgulhinho. Ao uso da frase impecável, dando a certeza que você absorveu o desafio de uma forma única e só sua. Shouto recebeu uma ajudinha de sua mãe e de Lord Byron para cair de cabeça, e mesmo hesitante ele deu aquela chance básica ao coração, de maneira sutil, não ultrapassando sua personalidade; na dele. Eu acho que isso foi a melhor coisa manteve a narrativa do início ao fim com coerência. Eu gostei e muito! E você gostou de participar do desafio? Esperamos que sim! Parabéns e até o próximo! Bjos ;*
June 28, 2018, 8:53 p.m.
Amira Chiwa Amira Chiwa
Que coisinha fofa, amei sua escrita e como usou a frase foi da forma que eu mais gostei. Amei tudo
June 24, 2018, 8:58 p.m.
Juuh Walker Juuh Walker
Eu fiquei muito encantada com a sua escrita e o modo como você levou eles usando a frase. Confesso que esperava algo triste e já comecei a chorar quando vi o casal, não acreditei que ia ser um TodoDeku triste kkkkkkkkkk Estou feliz por ser algo bem fofo de ler ♡
June 24, 2018, 4:52 p.m.
Juuh Walker Juuh Walker
Eu fiquei muito encantada com a sua escrita e o modo como você levou eles usando a frase. Confesso que esperava algo triste e já comecei a chorar quando vi o casal, não acreditei que ia ser um TodoDeku triste kkkkkkkkkk Estou feliz por ser algo bem fofo de ler ♡
June 24, 2018, 4:52 p.m.
Crazy Clara Crazy Clara
Menina, eu comecei crente de que aguentaria um final triste, cheguei na metade morrendo de medo e sorri com o final. Que fofinho seu desenvolvimento. Gosto tanto dos dois como um casal com essa luz que o Midoriya representa na mesmice do Todoroki e foi tão lindo esse romance suave. Obrigada por deixar os dois bem e felizes juntos. Já vi que você tem outra ali com os dois e já vou atrás <3
June 23, 2018, 3:22 p.m.
Elloo Izy Elloo Izy
Cara, que amor de fic! Sério, se encaixou tão lindamente na frase escolhida. Tenho que elogiar tua escrita, pq meu deus, que coisa mais gostosa! É como se eu tivesse lendo em um abraço quentinho sabe? Ahhhhh eu amei muito! Parabéns flor 💕💕💕
June 23, 2018, 12:43 p.m.
Ayzu Saki Ayzu Saki
E foi mais ou menos assim que conheci meu primeiro namorado, chega bateu a nostalgia aqui. Adorei a fic, e só por curiosidade, você faz curso de exatas?
June 20, 2018, 8:04 p.m.

  • Hime  Hime
    Obrigada e não, não sou chegada a exatas, é demais pra minha cabeça de alface ahsauh June 21, 2018, 6:26 p.m.
Mori Katsu Mori Katsu
Para ser franca, não sei bem o que pensar de TodoDeku. Midoriya é uma pessoa maravilhosa, e é super fofo. Quem diria não a ele?
June 17, 2018, 1:52 p.m.
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