AMORTE Follow story

devilwhore P. Miranda

Há muitos que digam que a morte é na verdade o ápice da vida. Mal percebem estas pessoas que todos os dias morremos um pouco, de várias formas, por diversos motivos... A morte anda de mãos dadas com todos nós, fazendo com que pessoas nos deixem, sentimentos acabem e memórias se apaguem uma após a outra... { TAOHUN/ANGST/ONESHOT/SHORTSHOT }


Fanfiction Bands/Singers All public.

#tragédia #drama #morte #romance #amor #love #taohun #exo
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EPITÁFIO

   - Muitas vezes a morte é uma simples metáfora para a perda de algo. Uma forma de dizermos que alguma coisa chegou ao seu final definitivo. - Minha voz saía como um fio incerto de dor e compreensão.

   Minhas pernas colocadas sobre as suas, eu e você, deitados no sofá como o casal que sempre fomos. Seus olhos incisivos não se colocavam junto aos meus de forma alguma, já suas mãos me tocavam as coxas em um carinho consolador, que me fazia sentir aquecido, ao mesmo tempo que amedrontado.

   Toquei seu rosto e sorri melancólico, encarando os fios delicados que lhe caíam sobre a face, enquanto via uma fina camada de lágrimas banhar suas orbes negras… Foi a primeira vez desde o dia em que nos conhecemos que te vi chorar.

   - Mas o fim, é a mera metáfora de um novo começo. - Foi o que me disse com as mãos puxando-me para mais perto, enquanto lágrimas voltavam a descer, fazendo com que minhas mãos tremessem demasiadamente e meus olhos perdessem o foco. Sua crueldade era tão gentil, que me fazia querer ficar preso a teus braços eternamente.

   - SeHunnie… Nós vamos morrer, ou apenas entrar em coma? - Perguntei em toda a minha inocência, tocando sua pele alva, enquanto tentava respirar corretamente. Me pergunto qual o tamanho de minha ingenuidade por ter em algum momento pensado que o amor bastaria para nós dois…

   - Isso só o tempo vai dizer, não é? - Você me deu seu sorriso cheio de pena, sabendo que a primeira opção era a única em seu coração, mas tirando de si a responsabilidade sobre minha tristeza. Enquanto te encarava com profundidade, seus olhos fugiam de mim, suas mãos corriam meu corpo e nossas lágrimas desciam de forma mais do que silenciosa.

   Não demorou para que nossos corpos se lembrassem de como éramos necessitados um do outro. Eu encarava seus lábios com tamanho desejo, que quando menos esperávamos nossos corpos nus se emaranhavam por baixo dos lençóis de algodão… aqueles que compramos juntos em uma viagem anos atrás.

   Seu toque quente me confortava, ao mesmo tempo que fazia arder de dor meu coração completamente perdido em meio a sua decisão de me deixar sem qualquer esforço para que nosso amor tivesse algum futuro. E tão depressa quanto me entreguei a ti novamente, minhas lágrimas passaram a rolar em meio ao ato.

   O que se passava em meu coração era tão absurdamente doloroso, incabível e desesperador que me fazia sentir como um animalzinho pequeno, cujo predador é, também, seu melhor amigo.

   Seus olhos ficaram desesperados perante minhas lágrimas, parou de movimentar-se e limpou as gotas salgadas que molhavam minha face cheio de pena, me compensando por não querer-me mais em sua vida.

   Saiu de cima de mim, sem nem ao menos se importar, vestiu as roupas e mandou que eu fizesse o mesmo, sem entender que o que mais precisava era seu corpo junto do meu, assim como sua completa ausência.

   A dor mais forte era aquela estranha agonia, onde aquele que me fazia chorar, era também o remédio para minhas lágrimas.

   Com um beijo doce me despedi de ti naquele dia, sentindo a chuva gelada do inverno me molhar as costas, enquanto o táxi parava de frente ao seu apartamento. Meus cabelos, agora tingidos de loiro, colados em minha testa e seus olhos focamos em minha figura disforme. Ouvi sua voz gritar de longe, com um tom entre a dor e o alívio:

   - ZiTao, nunca se esqueça que a sombra depende da luz para existir, mas a luz por si só é a existência! - A chuva torrencial deixava a audição falha, mesmo assim entendi cada palavra.

   Fico feliz que estivesse chovendo, pois assim minhas lágrimas se misturariam às gotas e ninguém mais as poderia ver.

Adentrei o carro, no rádio uma música romântica tocava, deixei que o choro se fizesse presente e segui em direção a uma das mortes mais doces e delicadas que tive em minha vida.

June 7, 2018, 8:53 p.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

P. Miranda Uma autora dessas que ou escreve putaria insana, ou drama pra te fazer debulhar de chorar. De vez em quando junta os dois, só pra variar.

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