Na Sua Estante Follow story

devilwhore P. Miranda

Como devemos reagir quando a pessoa que amamos muda bem em frente de nossos olhos e nós vemos que essas mudanças somente a machuca? BaekHyun se perguntava todos os dias como poderia lidar com seus próprios sentimentos secretos por ChanYeol, porém ao mesmo tempo tentava cuidar para que o mais novo não sucumbisse nas próprias escolhas erradas. { SONGFIC / CHANBAEK / SHONEN-AI }


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#romance #love #drama #amor #songfic #chanbaek #exo
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PECADO

{ ♢ }


Te vejo errando e isso não é pecado

Exceto quando faz outra pessoa sangrar

Te vejo sonhando e isso dá medo

Perdido num mundo que não dá pra entrar


   - Não acho que deva fazer isso, ChanYeol, essa gente não vale o papel higiênico que usa. Deixa de fazer uma prova importante, que seu pai lutou tanto para você conseguir fazer, só para ir à uma maldita festa não vale a pena. - Falei com um ar completamente embasbacado, enquanto via o garoto escolhendo minuciosamente as roupas que usaria para a tal “reunião de poucos amigos”, que já contava com mais de cem pessoas confirmadas em seu evento no facebook.

   - Ai, Baek, deixa de ser careta, ok? Eu posso remarcar a prova dizendo que estava doente. Assim até arranjo alguns dias extras ‘pra estudar. No fim todo mundo sai ganhando. - Meu melhor amigo tirou uma camiseta de basquete preta do armário e a jogou sobre a cama, começando a analisar se ficaria bem com a calça justa e vermelha que pretendia usar. Aquele tipo de roupa ficava horrível nele, nunca fora de seu gosto até começar a andar com essa gente “popular” do ensino médio.

   Revirei os olhos e me levantei, indo até a janela do quarto dele, fiquei observando a noite escura e suas estrelas, pensando em todos os maravilhosos momentos que passamos brincando naquele jardim bem cuidado ou mesmo dentro do quarto dele, onde criamos diversas naves espaciais, castelos, florestas… tudo feito com a mais pura arte: imaginação.

   Eu e ChanYeol éramos amigos de infância, assim como vizinhos e praticamente irmãos, já que após a morte de sua mãe, minha mãe, que era solteira já que seja lá quem me fez nela não tinha interesse algum em ser pai, começaram a namorar. Nós só descobrimos isso alguns anos depois, no terceiro primário, quando viemos morar juntos. De primeira foi bem complicado, era estranho ver nossos pais juntos, mas por outro lado, eu tinha Channie como um irmão de verdade. Durante um tempo achei isso incrível. Hoje me sinto realmente mal com essa situação.


Você está saindo da minha vida

E parece que vai demorar

Se não souber voltar

Ao menos mande notícia

Cê acha que eu sou louca

Mas tudo vai se encaixar


   Já eram mais ou menos cinco da manhã quando o vi chegar em casa. Eu estava em seu quarto no sótão, já que era lá que ficava o video-game. Não consegui dormir preocupado com o que poderia acontecer na tal festa.

   Vi que estava em um carro, mesmo sabendo que seus amigos estavam bêbados e ao sair do veículo Channie vacilou diversos passos. Sabia que o pai dele e minha mãe ficariam furiosos se o vissem daquele jeito, então apenas desliguei o jogo e desci as escadas correndo em direção ao jardim.

   - Baek? ‘Tá acordado ainda, maninho? - Ele era um ano mais novo do que eu, sabia o quanto eu odiava ser chamado daquele jeito, mas o fazia somente para me provocar. Ser implicante era natural de ChanYeol, mas quando bebia parecia ficar mil vezes pior.

   - Cala a boca e vamos subir. - Enquanto falava já me colocava ao lado do altão para ajudá-lo a seguir o caminho até dentro de nossa casa. Porém, não consegui realizar a missão, sentindo-me ser empurrado para longe, enquanto ouvia risos partirem da horda de jovens arruaceiros com quem ele andava se metendo.

   - Não preciso de ajuda! Eu vou sozinho! Sou grande o suficiente para andar! - O Park mal conseguia falar, todas as letras se enrolando em uma confusão de sons, se eu não o conhecesse tão bem talvez não o tivessem entendido.

   - Você quer ser morto pelos nossos pais, é isso? - Perguntei incrédulo, quase começando a gritar, enquanto mais uma vez tentava segurá-lo para irmos para dentro.

   - Foda-se! Eu não ligo! Eu estou me divertindo! - Agora quem falava alto era ele, recebendo ainda mais risadas dos “amigos”, chegando ao ponto do motorista dar uma leve buzinada.

   - Vocês tratem de ir para casa! Já passou da hora de criança estar na cama! - Disse puxando meu “irmão” mais novo para junto de mim, já que ele parecia estar começando a se render a moleza do corpo. Virei-me apenas para ver o carro sair acelerando de forma a iar os pneus no asfalta recém-reformado.


Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia


   Acabei enfiando-o debaixo do chuveiro, dando banho em seu corpo esguio e ficando a ouvir enquanto me contava sobre como “comeu” uma menina aparentemente virgem no banheiro da casa de JongIn, chegou a chamá-la de “só mais uma vagabunda querendo aparecer”. Eu estava com nojo das palavras que usava para descrever a garota, assim como ciúmes… sim… eu estava com ciúmes, mesmo ele falando dela daquele jeito asqueroso, a menina ainda pode beijar seus lábios e sentir o calor de seu corpo… não que isso justificasse as palavras dele. A verdade é que o sentimento que me tomava era tão culposo, confuso e doloroso que eu mal estava pensando direito.

   Não sei bem quando comecei a entender que o que sentia por ChanYeol, acho que foi pouco antes de eu entrar no ensino médio, estava no terceiro ginasial, ele no segundo… todos os meus amigos sempre falavam de suas “namoradinhas” ou das meninas de quem gostavam e tudo no que eu conseguia pensar nesse momentos era como apreciava ver o sorriso dele ou como sua forma inteligente e ao mesmo tempo divertida de falar… Eu sabia que era errado, não só por sermos amigos, ou irmãos de consideração, mas também por sermos dois garotos. Na verdade eu nunca fui muito interessado em sexo ou coisas do tipo, sempre fui mais estudioso após algum tempo sendo questionado sobre essa minha... “falta de interesse” quanto a coisas “eróticas” eu fui pesquisar e passei a me considerar alguém demisexual. Eu só me interesso sexualmente por alguém, ao ter um laço afetivo com essa pessoa. Eu sinto atração pelo ChanYeol, muita. Mas mantenho isso para mim e acho que vou morrer assim.

   Eu o levei para o quarto, deitei em sua cama e o ouvi murmurar com um estava ficando chato e que deveria sair com ele e seus amigos. Também reclamou de como eu estava enlouquecendo e que parecia querer controlar sua vida, mas a verdade é que eu tinha muito medo do que poderia acontecer dali para frente.


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


   Depois da festa as coisas só pioraram. Não sei o que aprontou lá, mas de certa forma ele parecia ter ganho a confiança e respeito de seus “amigos”, assim como algumas fotos suas com a tal menina circulando por aí. Nenhum dos dois estava nu, porém ela levantava a camisa dele e pareciam bem “íntimos” no sofá da sala, onde outros dois casais também estavam se “divertindo”.

   Descobri que a garota era do primeiro semestre de artes, assim como ChanYeol, e se chamava SaeRa. Ao que tudo indicava era considerada “difícil”, “bonita” e “sexy” por todos os garotos da universidade. Mas como eu não tinha interesse, nunca reparei em ninguém falando sobre. Só fiquei sabendo por conta de quando KyungSoo entrou correndo na sala esfregando o celular na minha cara e contando sobre como meu “irmão” era sortudo.

   - Não vejo tanta sorte… sei lá… eles nem estão namorando. Eu acho. - Comentei sem qualquer cerimônia, enquanto observava o retrato da menina magra de cabelos negros me ser mostrado.

   - Você é louco, né? Só pode… ela é um mulherão. E não é qualquer um que pega, não viu? Ouvi dizer que ela é quem mostra se um cara é popular ou não. Se conseguir ter algo com a SaeRa, quer dizer que está na nata social da faculdade. - Revirei os olhos e pensei: como se eu ligasse para a nata social do colégio.

   - ‘Pra mim tanto faz… meus pais não estão gostando nada dessa onda rebelde dele. Vai acabar dando merda. - Completei sem qualquer ânimo, logo vendo o professor adentrar a sala, já fui empurrando o Do para longe e abrindo meus cadernos. Sempre fui estudioso, assim como ChanYeol. Éramos dois excluídos na época do fundamental e ensino médio, acho que por isso ele tinha tanta ambição de se tornar popular na faculdade.

   Avisei a ele que aquilo não era boa coisa, principalmente depois de um caso em que ele chegou em casa com um olho roxo dizendo que tinha brigado com um garoto na frente de uma balada por ter flertado com a namorada dele. Mas parecia que tudo que eu dizia entrava por um ouvido e saía por outro. Ele não ligava mais para minha existência, e isso doía demais.


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


   Faziam mais ou menos duas semanas desde a festa, ChanYeol estava aparentemente namorando com a tal menina SaeRa, enquanto eu apenas me concentrava em estudar. Não que isso fosse fácil, já que todas as minhas noites de paz e silêncio foram substituídas por um grupo de jovens barulhentos no sótão da minha casa bebendo, fumando e ouvindo músicas eletrônicas totalmente irritantes.

   Meus pais viajaram para a Europa, alguma coisa relacionada a comemorar dez anos e casamento, me deixando na responsabilidade de cuidar do meu “irmão” mais novo. Eu estava totalmente mau-humorado com isso, sem qualquer intenção de realmente colocar regras naqueles baderneiros. Porém, a cada momento que passava, ficava mais difícil manter minha sanidade, já que nenhum deles fora a escola UMA SÓ VEZ durante o período e a horda adolescente quase vivia na minha casa. Quando não era o grupo JongIn, JongDae e MinSeok, todos acompanhados de meninas que iam e vinham da casa; era o casalzinho dez da Seul Uni fazendo sexo como se não tivesse mais ninguém em casa. Algo me dizia que isso não daria certo, mas realmente não tinha mais ânimo para repreendê-los. Se queriam foder como macacos não era eu quem os impediria. Por mais que me doesse saber que ChanYeol estava na cama com outra pessoa… esse sentimento era o menor de meus problemas no momento e eu já convivia com ele muito bem há muito tempo para começar a sentir aquele tipo de ciúmes.

   Desci para a cozinha já completamente irritado, meu quarto ficava no segundo andar, abri a geladeira e me deparei com a falta de comida no local. Se não fossem os amigos de ChanYeol, as compras que nossos pais fizeram teriam sido suficientes, porém o bando comera tudo em poucos dias.

   - Baek? - Ouvi a voz de ChanYeol atrás de mim, parecendo surpreso em me ver ali, já que eram mais ou menos três da manhã. Acabei ficando um pouco desconfortável com a surpresa dele eu constatar minha presença em nossa própria casa.

   - Sim… Eu mesmo. - Falei com um ar entediado, fechando a porta da geladeira e seguindo para um dos pequenos armários, na esperança de achar alguma coisa para comer.

   - Não quer se juntar a nós? Vamos jogar FIFA e fumar uns baseados. Foi o JongIn que comprou. - A voz dele era divertida, como quem falava a coisa mais comum do mundo, mesmo sabendo que o fazia era mais do que errado. - É quase como quando a gente era criança… brincando com a imaginação, bem viajados. - Brincou com um sorriso doce, se aproximando de mim por trás, enquanto eu me esticava para pegar um pacote de biscoitos. Senti-me ser abraçado pena cintura e um beijo delicado em minha nuca. - Vamos…?

   Um arrepio percorreu meu corpo, porém tudo o que fiz foi tirá-lo de perto de mim, empurrando-o para longe, sem entender aquela atitude. Era cruel demais que se comportasse daquela forma, mesmo que apenas de brincadeira… mesmo sem saber de meus sentimentos.

   - Nossa! Calma, Baek, foi só brincadeira! Você anda muito chato… não é mais o mesmo. - A voz do Park dizendo aquela baboseira absurda me tirou do sério, acabei largando a comida que havia pego sobre a banca de comecei a gritar com ele.

   - Eu?! Eu mudei?! É essa merda mesmo que está falando? - Senti meu sangue ferver, mas fiz o máximo para não dar um tapa na pele branca da cara dele. Suspirando pesado apenas continuei caminhando até a porta da cozinha que dava para o quintal dos fundos e continuei. - Olha, eu vou dar uma volta de bicicleta. Não quero mais olhar na sua cara hoje, chega.

   Saí deixando-o ali parado atônito me encarando como se eu fosse algum tipo de monstro por ter me estressado com a imensa asneira que ele acabara de dizer.


Você tá sempre indo e vindo, tudo bem

Dessa vez eu já vesti minha armadura

E mesmo que nada funcione

Eu estarei de pé, de queixo erguido

Depois você me vê vermelha e acha graça

Mas eu não ficaria bem na sua estante


   Me vi sozinho na rua, três horas da manhã, andando de bicicleta… eu não queria voltar para casa tão cedo; por isso acabei parando em uma lojinha de conveniência, recebendo olhares desconfiados da menina que trabalhava ali, ela parece identificar que eu era um universitário, sendo assim não deveria estar perambulando às altas horas da madrugada e sim estudando.

   Peguei um macarrão instantâneo super picante na prateleira, paguei, e logo segui para o local onde se encontrava a água quente, ficando calmo e quieto enquanto preparava a “refeição”. Assim que terminei de fazer a comida me sentei em um banquinho que ficava de frente às porta de vidro do local, sendo assim possível observar as poucas pessoas que cruzavam a rua.

   Foi então que uma figura alta e magra apareceu, também de bicicleta olhando para mim com um sorriso assim que me encontrou. ChanYeol tinha me achado ali, quando eu claramente lhe dissera que não queria vê-lo. Revirei os olhos como quem estava desapontado e desacreditado, mas em meu peito uma leve chama de felicidade se colocou, ele havia realmente se preocupado e vindo atrás de mim.

   - Você ‘ta louco mesmo… Sério. Desde quando você sai na rua sozinho três da manhã? - A voz grave dele me invadiu os ouvidos assim que adentrou a pequena loja, seguindo para sentar-se ao meu lado.

   - Se disser que eu estou louco mais uma vez vou te enfiar umas porradas… quem estava em casa enchendo a cara e transando feito um macaco no cio era você. - Respondi com secura, para logo em seguida colocar uma porção de minha comida na boca. - Ainda comeram toda a comida… - Falei baixo de forma meio emburrada, ainda mastigando.

   - Você está com ciúmes, não é? Só por eu estar saindo com outras pessoas… - A voz dele era divertida, parecia estar achando algum tipo de fofura em minha reação, enquanto colocava um dos braços ao redor de mim, falando bem no pé de meu ouvido, ao ponto de me fazer arrepiar novamente. Já estava ficando bem irritado com aquele contato todo.

   - Cala a boca, ChanYeol. Eu não estou com ciúmes. Estou apenas preocupado que meu irmão mais novo fique por aí bebendo, fumando ou fazendo coisa pior… tenho medo que aconteça algo com você. Até por esse não ser seu eu verdadeiro. - Apenas me levantei enquanto falava, terminando de comer, joguei a embalagem no lixo e já fui saindo da loja, não estava nem um pouco disposto a ficar conversando aquelas coisas para a atendente ouvir.

   Channie me seguiu meio desentendido, ainda que sabendo muito bem o que eu queria dizer. Ele sempre fora um garoto calmo, caseiro e simples, mas depois que entrou no ensino médio ficou desesperado por ser popular e acabou assim, cheio de amigos nem um pouco legais.

  - Ah, que nada. Eu sei me cuidar, ok? E você ainda é o número um! Só não te chamo para fazer as coisas por… - Você não terminou a frase, pois sabia que já ter começado a falar era um erro. Eu sabia o motivo. Era que o irmão “nerd” não combinava com a sua estante amigos troféus, muito menos com a namorada gostosa e popular.


Tô aproveitando cada segundo

Antes que isso aqui vire uma tragédia


   Eu sabia que algo de muito errado e problemático acabaria acontecendo depois daquele dia em que saí para comer no meio da noite. Mesmo que nada de muito marcante tenha acontecido, minha relação com ChanYeol não tinha melhorado nada e agora além de tudo ele estava encrencado com nossos pais, por ter sido reprovado em quase todas as matérias. Eles ficaram revoltados que passaram apenas três semanas fora e seu filho mais novo tinha destruído parte de seu próprio quarto, gasto muito mais que o necessário em comida e deixado um bando de arruaceiros entrar na casa.

   Estávamos todos os quatro membros da “família” sentados na sala com o acréscimo de uma quinta pessoa: SaeRa, namorada de ChanYeol. O pai dele e minha mãe encarando-o com grande desconforto, já que era a primeira visita da menina em casa e eles já haviam inventado que tinham uma “notícia” para dar, enquanto eu ficava no meu canto no sofá do outro lado do aposento apenas observando a cena.

   - Então, filho, essa é sua namorada, certo? - Um sorriso amarelo brotava nos lábios de minha mãe. Ela não estava nada feliz com aquilo e eu podia ver. A menina estava longe do perfil de namorada ideal que eles tinham sonhado para seu caçula.

   - Prazer, senhora, me chamo Na SaeRa, estudo com o ChanYeol desde o começo do primeiro ano. - Ela falava baixo, bem diferente do normal. Geralmente era do tipo que quase gritava, ria sem pudor e falava diversos palavrões. Revirei meus olhos para a cena, ainda que fingisse nem estar ali.

   - Muito… prazer. - O pai de ChanYeol falou com uma voz desconfortável, vendo que a posição em que os dois se encontravam era claramente a de quem tinha algo a mais para dizer, além de anunciar um namoro. - Mas… o que vocês querem nos contar?

Acho que todos na sala já sabiam o resultado daquilo, eu estava tentado a me levantar e deixar de ouvir a sentença final, que eu tinha certeza sairia dos lábios de meu “irmão”. Porém a curiosidade e masoquismo de ver a cena me tentavam.

   - Então… nós… vamos… casar. - Cada palavra saiu tremida pelos lábios do Park, ele parecia totalmente apavorado com o que dizia, sem saber como lidar consigo mesmo. Por alguns momentos tive vontade de abraçá-lo e dizer que o ajudaria, mas percebi que não tinha muito a ser feito. Estava com meus sentimentos cada vez mais guardados dentro de mim.

   - Oh! O que querem dizer? Estão ficando loucos, vocês tem só dezenove anos! - Minha mãe falou completamente desesperada. Ela já sabia do que se tratava realmente, mas não admitiria até que a informação final fosse dada.

   - Nós, estamos… esperando… um bebê. - A menina falou baixo, colocando uma das mãos sobre a própria barriga, enquanto encarava o chão e deixava o pavor sair por seus lábios em forma de suspiros, enquanto lágrimas começavam a escorrer de seus olhos.

   Eu senti pena.

   Mas também senti inveja, dor, ciúmes… eu queria poder… não, naquele momento eu não quis mais nada de ChanYeol, apenas me levantei e saí, subindo as escadas para o meu quarto correndo e trancando a porta, eu sabia que dali para frente tudo o que aconteceria seria negativo. Porém a verdade é que vê-lo com outra pessoa era doído demais para que eu conseguisse ficar no andar de baixo.


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


   Foram mais ou menos três meses entre aquele dia e o casamento de ChanYeol, eu apenas me abstive de participar. Não queria de forma alguma ver aquelas merdas acontecendo e acho que em parte ele também não sentia tanto minha falta, pois foram poucas as vezes nas quais conversamos desde o fatídico dia.

   Eu estava em meu quarto estudando com calma quando ouvi uma batida na porta. Faltavam mais ou menos duas semanas para o casamento, porém tudo com o que me preocupava eram as provas de final de trimestre. Não queria perder minha média alta.

   - Oi? - Perguntei antes de fechar o caderno que lia e virar o rosto para a porta entreaberta, vendo os olhos negros e grandes do Park me encarando com um leve receio. Dava para ver em seus olhos que ele tinha algo importante e levemente constrangedor para me dizer, pois eu conhecia cada traço de sua face e conseguia lê-la com grande facilidade.

   - Baek… posso entrar?

   Acabei rindo soprado com a pergunta, já que ele nunca a fazia, simplesmente saía entrando no meu quarto sem ao menos ligar caso isso fosse me incomodar ou não. Bom, pelo menos era assim quando estávamos mais próximas, mas naquela situação eu sentia que aos poucos íamos nos tornado estranhos.

   - Uhm… - Respondi apenas com um grunhido, me levantando da cadeira onde estava sentado perto da escrivaninha e vendo-o seguir para sentar-se em minha cama. Sentei-me a seu lado e fiquei esperando que dissesse o que queria.

   - Então… eu queria que… você fosse meu padrinho no casamento. - ChanYeol falava baixo, bem diferente do que eu estava acostumado da parte dele. Não que nos últimos tempos as atitudes do meu “irmão” mais novo fossem assim tão características.

   - Sabe, eu aceito… - Comecei, vendo um sorriso brotar no rosto do mais alto, porém demonstrei que iria continuar falando. - Mas eu ficaria bem mais realizado se esse casamento fosse com uma pessoa de quem você realmente gostasse e se eu não tivesse certeza que seria só o começo de uma vida longa e cheia de arrependimentos.

   Channie não me deu qualquer resposta, apenas um suspiro longo e agradeceu por eu ter aceito aquilo, levantando-se da cama e seguindo para fora de meu quarto.

   Senti meu coração ardendo, pois eu já havia aceitado há um bom tempo que nunca seria possível ficar ao lado dele, mas entregá-lo de mãos beijadas a um destino completamente infeliz e cruel. SaeRa e ChanYeol não se amavam, muito menos tinham idade para se casar e nem sequer imaginavam o que significava ter um vida a dois. Ela vai ter que parar de estudar e ele que tem as piores notas da faculdade vai ter que trabalhar para sustentar a esposa e um bebê. É doloroso deixar a pessoa que se ama nas mãos de outra, mas ainda quando nem é o melhor para ela.


   Eu quis chorar, porém me segurei. Ainda não era a hora.


E não adianta nem me procurar

Em outros timbres, outros risos

Eu estava aqui o tempo todo

Só você não viu


   Me lembro do dia que seus “amigos” souberam sobre o casamento, todos em choque, a maioria parou de falar com vocês. Afinal, o que de interessante um casal de jovens já com um filho a vista teria para um grupo de arruaceiros? Aquilo nunca foi uma amizade, eram apenas contatos entre pessoas de boa aparência e comportamento duvidoso.

   ChanYeol parecia cada vez mais preocupado e triste, enquanto todos os dias antes de ir para a aula ele passava por mim no corredor e não cruzava olhares, como que tentando evitar me mostrar os próprios sentimentos, que eu sempre fui tão bom em ler.

Minha mãe conseguiu um emprego para ele em um restaurante como ajudante na cozinha, nada demais, completamente fora do que ele estudava. Porém, pelo menos eles conseguiram arranjar um pequeno apartamento do tipo quarto-sala para que a nova “família” vivesse.

   Quando finalmente chegou o “grande dia” o clima estava bom do lado de fora da casa, já que fazia sol e uma brisa delicada passeava pelo ar, porém, do lado de dentro estavam todos sérios. ChanYeol se arrumava em seu antigo quarto, sabendo que a futura esposa deveria estar em um salão de beleza arrumando-se com o vestido levemente largo que escolhera para esconder a gravidez precoce.

   Subi as escadas para o sótão e logo abri a porta, encontrando um ChanYeol parado, já de terno, encarando a paisagem para fora da janela. O carro que o levaria para a cerimônia estava estacionando e eu sabia que logo nossas vidas finalmente ficariam separadas.

   - Vamos. Hoje é seu dia. - Tentei parecer animado, indo até ele e lhe dando um tapinha nas costas.

   - Pois é… - Foi a única resposta que obtive enquanto caminhávamos para fora do quarto, juntos, ainda que de longe. Eu sabia que minha presença lhe deixava calmo, pois seu andar parecia menos tenso do que o tivera durante todo o dia dentro de casa.

   Nossos pais já haviam saído, para ajudar na recepção dos convidados, então fomos de carro juntos até o salão cerimonial onde aconteceria o casamento. A cerimônia foi simples, rápida e todos pareciam sérios, até mesmo na hora de tirar as fotos ou dos cumprimentos, tudo sempre parecia meio frio e distante.

   Como esperado, nenhum dos “amigos” deles apareceu. Nem um sequer. Mas eu já esperava aquilo, também esperei que ninguém tivesse muita reação ao discurso de parabéns que preparei, pois minhas palavras foram vagas e nem um pouco tocantes, assim como cada pequeno gesto que ocorrera naquela “festa”.

   - Boa sorte daqui para frente. - Foi o que disse ao ver ChanYeol parado de frente ao carro que levaria ele e sua esposa para a viagem de dois dias em comemoração a sua Lua de Mel. Estendi minha destra para um aperto, mas acabei por receber um abraço como resposta.

   - Você é o melhor irmão do mundo. Me desculpe não ter notado antes. - Foi tudo o que me disse com a voz chorosa enquanto me apertava entre seus braços. Senti-me congelar por tanto tempo, sem qualquer reação a sua atitude, que nem vi quando você finalmente entrou no carro e partiu para nunca mais voltar, mas não doeu. Na verdade, eu senti um certo alívio, já que com você longe, talvez fosse mais fácil lidar com o fato de que nunca poderia tê-lo ao meu lado da forma que eu realmente queria.


Só por hoje não quero mais te ver

Só por hoje não vou tomar minha dose de você

Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam

E essa abstinência uma hora vai passar


{ ♢ }

June 7, 2018, 5:14 p.m. 0 Report Embed 4
The End

Meet the author

P. Miranda Uma autora dessas que ou escreve putaria insana, ou drama pra te fazer debulhar de chorar. De vez em quando junta os dois, só pra variar.

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