Starbaeks Follow story

_koen Koen Early

Desde pequeno, consigo recordar perfeitamente que tão marcante quanto o cheiro do café que minha mãe fazia todas as noites, estava a imagem de meu pai parado em sua poltrona curtindo o silêncio e a paz do fim do dia com seu whisky sempre o acompanhando ao lado enquanto repetia a mesma frase de sempre, “Sabe Baek, você sempre pode descobrir quem um homem é, pelo que ele bebe. Foi assim que me apaixonei por sua mãe.” Por anos tentei entender o que ele queria falar, e assim falhei, até na faculdade entender que o amor que eu sentia pela bebida divina que minha mãe desde pequeno me ensinou a amar, iria se relacionar a quem eu me interessasse. Afinal, pessoas eram como café, cada qual tinha seu charme, seu sabor, suas nuances e isso era maravilhoso. Quem diria que isso poderia dar tão errado?


Fanfiction Bands/Singers All public.

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Capítulo 1 - Baozi e o Cupcake assassino

Baekhyun POV

   Desde muito antes ao século VII, o mundo conta a história de uma planta que por milênios deu forças a tribos africanas para prosperarem e forneceu a energia que motivou guerreiros a ganharem guerras pelas mesmas. Cultivada na terra hoje correspondente a Etiópia, os grãos dessa planta que originalmente não recebiam o nome qual o conhecemos atualmente, serviu por muito tempo com propósitos apenas bélicos e religiosos, antes que ao ser descoberto por povos árabes, se espalhasse por todo o mundo como uma das grandes dádivas da natureza.

   O café, assim como a história do mundo, não possuía um passado tão bonito, visto que para seu cultivo e disseminação ao redor do mundo, muitos escravos morreram em lavouras e outros tantos homens lucraram sob seu sangue com sorrisos maníacos, contudo, diferente do ser humano, que sempre tendia a cometer seus erros de novo e de novo como uma criança incapaz de aprender as ordens simples de seus pais, o café encontrou seu rumo em nossa história, e com seu sabor único e intenso, além de cheiro característico, aprendeu a se diversificar e hoje assim como a bebida que acompanhava os corações tristes ao fim de um longo dia, ele era quem os recebia ao raiar do dia como uma corda de esperança.

   Por essas e outras razões, assim que terminei a faculdade de gastronomia, decidi que minha vida não seria tão eterna quanto a do fruto que por tantos anos me moveu. Vendo desde pequeno meu pai preparar todas as manhãs o café para minha mãe, aprendi a apreciar o processo, e com isso a ansiar por me especializar e trabalhar com isso na vida adulta.

   Com um empréstimo no bolso e coragem na cara, abri junto com alguns amigos da faculdade o primeiro coffee shop em solo sul coreano especializado na experiência do café, a ideia era trazer aos nossos clientes uma experiência sensorial que fizesse todas as crenças deles de conhecer as magias referentes ao café desaparecerem em um piscar de olhos, e com isso cativá-los a provar mais de nossas criações que semanalmente eram renovadas.

   A essa empreitada, demos o nome de StarBaeks, estupidamente em minha homenagem. Xiumin surgiu que seria uma boa ideia, pois era um nome forte, divertido e que principalmente remetia ao personagem Starbuck dos livros de Mobdick, que haviam sido nosso pesadelo desde o começo das aulas de literatura na faculdade.

   Se você nunca fez um curso técnico ou faculdade, não sabe o que é o sentimento de estar pronto para se tornar o próximo masterchef (ou seja lá o que você estude) e acabar preso em uma sala assistindo uma idosa tagarelar por 4 horas sobre a importância sociológica de um velho caçando uma baleia. Frustração, não definiria 1/5 dos sentimentos que tínhamos ao entrar naquela sala, onde grande parte deles assim como definia tão bem Kyungsoo, se baseava em pagar a baleia para sumir com nossa professora.

   Os quatro anos de faculdade foram os mais loucos e difíceis anos da minha vida, passei por muitas noites chorando em desespero e tantas outras bêbado gargalhando quando recebíamos as notas altas de nossas provas. Esse tempo, sem dúvidas me apresentou ainda mais o objeto pelo qual eu dedicaria uma vida a trabalhar, e alguns homens aos quais eu jamais me permitiria abandonar, pois neles havia feito mais do que amigos, e sim irmãos.

   - Eu me mato antes de eu sair lá fora vestido nisso – Xiumin rosnou ao ver nossa sugestão de roupas para o White day.

   Quase como uma tradição religiosa, uma vez por ano, como uma versão de seu próprio dia dos namorados, os homens sul coreanos davam chocolates para suas amadas e como sempre tentávamos atrair além dos famigerados casais apaixonados, garotas solteiras para o café onde poderiam receber a atenção de nossos baristas e se sentirem especiais assim como aquelas que possuíam alguém para passar o dia. Contudo, as vezes essas garotas passavam dos 40 anos e tinham filhos pequenos, e já que aqueles não se seduziam por rostinhos bonitos... Precisávamos jogar de outras formas.

   - Vai amor, não é tão ruim – Jongdae tentou incentivar o namorado – Poderia ser pior.

   - Não é tão ruim?! – Minseok gritou – Não é tão ruim?! Kim Jongdae se ainda quer ter um namorado quando chegarmos em casa, sugiro que se cale agora! – sua ameaça era tão ácida, e ao mesmo tempo fofa pela fantasia de cupcake de cereja que usava, que nem mesmo Sehun com sua sempre impassível face, aguentou muito tempo antes de cair na gargalhada conosco – Parem todos vocês, agora! – as faces sempre pálidas do garoto, estavam tão rubras, que se não fosse pelo chapéu de cereja, ele poderia ter sido confundido com a fruta.

   - Deus, eu amo isso – Kai só faltava rolar no chão de tanto que estava rindo.

   Éramos 7 caras, provando fantasias as 22:00 de um domingo, quase 4 anos depois do primeiro dia em que colocamos o Starbaeks em funcionamento. Tínhamos melhorado e muito o ambiente graças aos conhecimentos e habilidades de cada um. Com Suho fazendo toda a parte administrativa, Sehun e Kai derretendo corações de nossas visitantes, eu criando os pratos e ajudando no balcão, restava apenas 3 postos possíveis dentro do café, um deles se localizava no caixa, onde Kyungsoo tão arduamente passava a maior parte de seu tempo observando a bunda dos garçons e os outros dois.... Estavam na divulgação, ou em um nome mais chique, Marketing e Merchandising...

   - Não sei o que ele está reclamando – Sehun murmurou enquanto tomava um gole de seu copo de whisky – Até eu vou precisar me fantasiar.

   Isso não era de todo mentira, já que ao passar dos anos, havíamos tornado uma característica do café sempre haverem cosplays em épocas comemorativas, além de decorações temáticas e isso sempre atraiu muitos clientes. Como o tema seria amor, havíamos decidido que todos deveriam entrar no clima.   

   - Não sei se terno pode ser considerado fantasia – Jongin provocou enquanto observava o amigo por cima do copo onde bebericava – Estaremos mais para demônios da luxúria, do que os príncipes encantados.

   - Fazer o que se algumas garotas curtem visitar o inferno as vezes – Sehun devolveu com um riso provocante.

   - Ainda bem que fui abençoado com um pinto e bom senso – Kai murmurou enquanto terminava sua bebida também – E aí princesas, acabamos por aqui? – ele perguntou com um sorriso provocante, enquanto se virava para Xiumin que ainda tentava sair de dentro do cupcake sem chamar muita atenção – E você Baozi... Está pronto para me dar os memes do resto do ano?

   - Só se eu puder estampar eles na sua cara com meus punhos, adoraria – Minseok resmungou visivelmente mais calmo e com um sorriso idiota estampado na cara – Idiota – ele empurrou o ombro de Jongin rindo. Sua fantasia em si, não era tão ruim, o maior problema disso tudo é que como lembramos de reservar as fantasias apenas em cima da hora, ele acabou com uma fantasia feminina de cupcake que acabava com um chapeuzinho em forma de cereja, tornando toda a coisa extremamente cômica e bizarra – E você chefinho, o que vai usar? – ele perguntou olhando na direção onde eu e Junmyeon nos encontrávamos.

   Desde que Junmyeon decidiu assumir a parte administrativa do negócio, havia virado uma espécie de piada entre nós a questão de que entre todos, ele era o único que não precisava lidar com o público diretamente, e por causa disso, graças a um Kai muito bêbado, ele ganhou o apelido de Chefinho. Por isso, não me preocupei em questionar com quem Minseok estava falando.

   - Eu? Jeans e Camiseta obviamente – Suho respondeu com uma satisfação quase palpável – A graça de organizar nosso dinheiro, é nunca precisar pagar esses micos maravilhosos – ele sorriu levantando o celular de cima da mesa e sem esperar qualquer sinal tirou uma foto de Xiumin com a fantasia, que logo percebeu o que havia ocorrido e começou a protestar fingindo uma falsa irritação – Para a posteridade, Moranguinho – Suho justificou dando uma piscadinha para o Minseok, que só faltou mostrar o dedo do meio para ele como resposta.

   Parecia algo meio idiota, mas quando se vive praticamente quase todos os dias da semana com seus melhores amigos, zoeiras viram algo tão corriqueiro que se torna impossível ficarem reunidos no mesmo ambiente sem alguém chorar de rir. E era isso que estava rolando naquele momento, mesmo que eu soubesse que Xiumin iria me xingar até a minha próxima vida pelo vestido de cupcake, os memes do dia seguinte valeriam a pena.

   - Primeiro eu sou uma Cerejinha – Minseok respondeu levantando o nariz como se fosse algo superimportante – Aprenda a diferença. E segundo, eu não estava falando com você Poderoso Chefão e sim com o doido da cafeína ali – ele respondeu apontando pra mim enquanto sentava no colo de Jongdae – A maravilhosa pessoa que é responsável por nada mais que o maior mico da minha vida, não vai ousar passar esse dia incrível sem entrar no clima festivo, não é Baek? – seu tom doce tinha uma dose de sarcasmo tão palpável, que se estivéssemos em algum tipo de filme B, Xiumin poderia ter estrelado seu próprio filme como “Baozi – O cupcake assassino”.

   Abaixando meu copo de café irlandês, que se resumia em uma mistura deliciosa de whiskey com café, deixei os olhos atentos que me observavam com demasiada atenção sofrerem na expectativa antes que lhes desse a tão esperada resposta:

   - Infelizmente, nem eu escapei dessa – Sorri maliciosamente – Porém, diferente deles, soube esconder muito bem a surpresa, então vocês só irão ver isso amanhã. – e com outro gole na bebida dos deuses, dei minha cartada final – Sem spoilers bebê.

   - Desgraçado – Minseok protestou indignado – Vou ter que esperar até amanhã de manhã para ver sua fantasia?

   - Lide com isso bebê – Kyung que permanecera quieto até então, soltou a pérola que fez Jongin cair na gargalhada ao seu lado, fechando com isso outra sessão de brincadeiras entre os homens com quem eu dividia a vida a mais de 8 anos.

(...)

   No outro dia

   Sabe aqueles dias, em que o universo decide olhar para a sua cara enquanto escreve um imenso “trouxa” na sua cara enquanto grita “Se fode aí! ”, pra você? Então, acho que durante meus 28 anos dentro dessa indústria vital, dentre todos os momentos em que eu tomei no cu nenhum chegou aos pés do que aconteceu essa manhã.

   Tudo começou as 7 da manhã, quando meu despertador decidiu não tocar no horário programado e o café irlandês fez seu belo serviço me causando um sono muito pesado e fazendo com que as 8 da manhã, Junmyeon estivesse na porta do meu apartamento quase derrubando a mesma para me tirar da cama. Obviamente os garotos em outras situações poderiam lidar sozinhos com o café até que eu aparecesse, mas em um dia onde o movimento quase dobraria, ninguém poderia ficar para trás.

   Quase como um Karma divino por eu ter escondido o tema da minha fantasia na noite seguinte, mais porque eu estava indeciso sobre qual eu usaria do que pela questão da surpresa, meu cachorro maravilhosamente lindo decidiu o que? Vamos comer a opção mais comportada do meu dono. SIM ELE COMEU A PORRA DA VERSÃO COMPORTADA DO CUPIDO.

   O que nos traz até a terceira maior merda do dia...

   - Pensei seriamente em reclamar dessa fantasia de gatinho, mas... – Chen tentou completar a frase, mas minha situação estava tão caótica que nem ele aguentou sem começar a rir.

   - Deus, isso está indecente! Jesus, por que diabos você comprou isso? – Kai disse enquanto se apoiava em Kyungsoo para rir mais ainda junto ao garoto.

   Se eu te perguntasse agora, o que você considera o maior símbolo do dia dos namorados, o que você me diria? Corações? Casais apaixonados? Qualquer baboseira do tipo?

   Errado! Você sem dúvidas se lembraria daquele padrinho mágico de araque que chamamos de cupido, e infelizmente ele foi o meu escolhido para o White day. Usando uma roupa branca que lembrava quase uma toga grega de sex shop, umas asas toscas nas costas acompanhadas dos clássicos arco e flecha que completava a fantasia, mas que obviamente ficaria a km de mim durante o trabalho, ou eu assassinaria o primeiro que comentasse sobre o que eu estava vestindo. Aquela roupa era tão incômoda para mim, que o ventinho gelado rondando minhas partes baixas fazia meu rosto corar de vergonha.

   - Adoraria xingar vocês senhoras, porém creio que temos trabalho a fazer – Respondi enquanto caminhava no sentido do balcão com o nariz empinado, fingindo que minha maldita bunda fazendo a roupa se levantar mais do que o necessário era menor dos problemas daquela roupa tenebrosa – Então, por favor, vamos terminar essa merda de dia logo – pedi, enquanto pegava meu avental e o vestia agradecendo aos deuses que ele cobria ao menos meu mamilo que a maldita vestimenta não alcançava – Antes que eu use essa flecha para matar um de vocês – Ameacei fazendo uma cara má e mostrando a estúpida arma de plástico na direção deles.

   - Pode deixar TinkerBell – Sehun murmurou, surgindo do chão enquanto sua mão dava um tapa leve em minha bunda – Vamos trabalhar duro.

   - SAIAM DAQUI! – Gritei, e com essa cena seguida de muitas gargalhadas, a porta da StarBaeks cafeteria foi aberta para o mais longo e tortuoso dia de funcionamento de sua história.

(...)

   O dia passou sem maiores problemas. Como havíamos previsto, Xiumin e Chen na frente do café atraíram muitas crianças e adolescentes para o lugar, e a coisa meio sedutora dos belos garçons fez com que as mais velhas permanecessem tentando cantar eles enquanto os dois se revezavam entre as mesas, mas, como nem tudo são flores, tivemos nossos problemas.

   O café era organizado de maneira bem simples, com mesas espalhadas dentro do ambiente bem iluminado pelas grandes janelas de vidro, era onde a maior parte dos clientes gostavam de ficar pois sabiam que dependendo de qual lado se sentassem teriam atenção especial de um dos belos garçons. Contudo, alguns mais solitários, com medo dos olhares reprovadores por estarem sozinhos em um café, gostavam de pedir suas bebidas e as tomar em um dos nossos balcões e isso não era um problema, já que muitos clientes apenas queriam beber alguma versão deliciosa de café antes de irem enfrentar seus dias. O problema em si, começou quando após Xiumin ter retornado para dentro do café a fim de me ajudar a servir os clientes que haviam aumentando subitamente, um deles decidiu após ter feito seu pedido, sentar no maldito balcão de frente para onde eu e Xiumin (ainda vestindo sua fantasia de cupcake) trabalhávamos.

   - Oi princesas, vocês estão lindas hoje – O homem murmurou tentando ser sedutor, enquanto estávamos trabalhando de costas para ele.

   Minseok, que estava ocupado preparando o Panna (uma espécie de creme de leite batido no copo para coquetéis) para o pedido do homem em questão, parou o que estava fazendo e olhou para mim como se questionasse se havíamos ouvido direito.

   - Hey, não se façam de surdas meninas, atendam seu cliente direito ou aqueles moços podem não gostar da forma que estão se comportando – ele falou em tom ameaçador, como se achasse que éramos funcionárias de Kyungsoo ou qualquer outro dos caras na cafeteria. Como se fossemos garotas.

   - Esse velho seboso acha que somos garotas ou está apenas sendo mais escroto do que o normal? – Minseok sussurrou irritado, enquanto terminava de bater o creme Panna e o colocava sobre o café já disposto no copo.

   - Não discuta – respondi o mais baixo que pude, enquanto separava alguns croassaints que o homem havia pedido junto – Esse cara pode ser do tipo que gosta de confusão, e não podemos ter nada do tipo na frente dos clientes – Completei, enquanto me virava com Xiumin, ele segurando o copo do homem e eu com o saco de pães – Aqui estão seus pedidos senhor – Murmurei, entregando o pacote para ele, e apertando o ombro de meu amigo com força até ele fazer o mesmo com o café, tentando ao máximo controlar a cara de nojo para o homem.

   A cara de surpresa dele era quase cômica, digna dos melhores memes da internet. A boca do homem se abriu chocado, e ele pareceu murmurar algumas coisas desconexas, enquanto apontava entre nós, tentando entender como as garotas tão gostosas de costas, poderiam repentinamente ter um pênis.

   - Vocês são homens! – ele finalmente falou surpreso.

   - Sim somos – respondi com um sorriso que dizia claramente “agora que você descobriu o óbvio, por favor parta”.

   Mas é claro, que alguns idiotas existiam apenas para falar e fazer merda. E aquele cara se encaixava perfeitamente no estereótipo.

   - Que horror! – ele falou mais alto do que devia, e se afastou do balcão – Eu só vim aqui porque meu amigo me falou da bela garota vestida de cupcake, mas você é um homem! Nojent...

   - Amigo, acho que você está atrapalhando o trabalho deles – uma voz grossa surgida do poço de Satã, interrompeu o homem no meio do seu show de vergonha alheia. Olhando para a enorme mão que surgira no ombro dele, o cara olhou para trás, pronto para fazer uma enorme cena com quem o atrapalhara, mas ao invés de se deparar com um dos garçons em defesa dos baristas, a cena foi um pouco pior.

   Um protótipo de titã mais bonito que os demais, saído diretamente dos mangás de Shingeki no Kiyojin depois de notar que quebrar as muralhas era tão inútil quanto continuar apanhando da galera, estava parado atrás do homem com os cabelos provocadoramente desarrumados e uma cara de irritação profundamente incrustrada em sua face. Suas roupas, mesmo que com uma pegada formal semelhantes aos ternos que Sehun e Kai usavam para atender os clientes, estavam tão amassados que eu duvidava que ele estivesse indo para o trabalho. Eram quase 11 horas da manhã, então eu não queria acreditar que aquele belo homem estava retornando de um encontro noturno, apenas o bom e velho trabalho.

   Se eu estava afim do misterioso salvador do dia? Obviamente. Nada contra a conhecer melhor as pessoas, mas aquele garoto era tão bonito que sua beleza apenas poderia ser definida em duas simples palavras, que seriam Caramel Macchiato, pois somente a mistura dos dois melhores sabores do mundo geraria aquilo que estava na minha frente.

   - Saia daqui – o idiota resmungou, e tentou tirar a mão do gigante de seu ombro, mas falhou na missão, tamanha a força que aqueles dedos se pressionavam na região de sua clavícula.

   - Acho que eu fui bem claro, você está atrapalhando os bons homens. Sua mãe não te ensinou a ter educação? – o desconhecido continuou com um sorriso gentil, como se estivesse apenas dizendo ao homem as horas do próximo trem e não ordenando que ele saísse.

   Os olhos do homem vagaram furiosos por entre eu e Minseok que ostentava um sorriso vitorioso na face ao ver o circo pegar fogo, e sem dúvidas teria teimado a continuar a confusão se a voz característica de Sehun e Jongin não surgissem para intervir na situação, ao pararem cada um de um lado do homem no balcão, dizendo:

   - Algum problema?

   Claro que não teria nenhum.

   - Argh, chega, eu vou procurar um lugar mais decente – O homem praguejou furioso, enquanto agarrava seu pedido e desviava dos homens em seu caminho.

   - Aproveite e não volte – Jongdae foi quem teve a palavra final, ao abrir a porta para o cara, e com uma reverência toda teatral, deixar o homem passar ao som das palmas das clientes que se divertiam com a situação.

   - Deus, esse é o homem que eu amo – Xiumin murmurou rindo, antes de voltar ao serviço junto com os demais.

   Eu deveria ter feito o mesmo, mas como nem sempre teoria anda de mãos dadas com a prática, continuava encarando nosso “salvador misterioso”, e tentando entender se ele era realmente tão maravilhoso quanto parecia, ou era meu tesão a primeira vista entrando em ação.

   - E então, posso me sentar? – ele foi o primeiro a quebrar o silêncio constrangedor, que só piorava comigo o encarando na cara dura.

   - Se não tiver problemas comigo e meu amigo sendo homens – Respondi com as bochechas certamente vermelhas pela vergonha de ter sido pego no flagra.

   - Não – ele respondeu sorrindo para mim, enquanto pegava o mesmo assento onde o homem estúpido estivera a pouco tempo – Na verdade eu prefiro assim.

   Isso foi uma cantada?, pensei rapidamente, mas logo fui cortado por Minseok retornando com outro pedido para Sehun levar até uma das mesas. Um café preto simples, clássico.

   Ele parou por uns segundos, e observando algo entre eu e o desconhecido, sorriu perverso depois de alguns segundos e se apoiando sobre o balcão, na direção de nosso desconhecido, ele murmurou como quem não queria nada:

   - Como deveríamos te chamar? Pois eu tenho certeza que meu amigo deve estar se remoendo por essa informação.

   Existem três tipos de amigo quando você está afim de alguém. O primeiro tipo, é aquele clássico que te apoia mas deixa que você tome suas decisões e iniciativa sozinho. O segundo tipo, mais aventureiro é o clássico que chega para o seu alvo e fala “meu amigo está afim de te dar uns pegas”, quando você não tem coragem para o mesmo e pede seu auxílio. E o terceiro, que infelizmente naquele momento era o que eu fora agraciado, era o típico amigo que se notasse seu interesse em qualquer coisa já chegava na pessoa falando “então, ele vai me encher o saco falando de você, topa me poupar uns dias muito chatos?”.

   Meu queixo foi no chão com mais velocidade que um meteoro que matou os dinossauros. Puta que pariu, eu vou assassinar aquele cupcake dos infernos, pensei enquanto o encarava chocado.

   - Me chamem de Chanyeol, Park Chanyeol – o desconhecido que agora possuía um nome respondeu.

   - Uh, Chanyeol, belo nome – Baozi continuou o assunto – Sabe Chanyeol, acho que você merece uma bebida por conta da casa. Não acha Baek? – tentei responder algo, mas ele levantou a mão me cortando e continuou – Eu sabia que você iria concordar – Virando para nosso novo cliente, prosseguiu – Esse é o Baek, nosso melhor barista da cafeteria. Tenho certeza que ele vai amar anotar seu pedido. Agora Chanyeol, preciso ir, o trabalho me chama – E saindo como se nada tivesse acontecido, me deixou totalmente sem graça na frente do belo homem.

   - Ahn... Acho que você acabou de conhecer meu melhor amigo, ou ao menos um deles – ri sem graça com a face queimando.

   - Sim conheci – Chanyeol murmurou, me analisando abertamente com seus olhos ágeis – A bebida realmente está de pé? – ele perguntou com uma expressão esperançosa.

   - Promessa é divida, não é? – respondi feliz com o fato de ele parecer ter ignorado toda a cena vergonhosa que me fazia querer dar uma de avestruz e afundar a cabeça na terra. Pegando um pano, e limpando o balcão a fim de manter minha mente ocupada, questionei como quem não queria nada – Então, o que você vai querer beber hoje?

   Sabe, meus pais diziam que a bebida de um homem, pode dizer muito sobre ele. Beleza que eles estavam falando sobre coisas alcóolicas, mas certamente o mesmo valia para cafés, não?

   Tipo, se uma pessoa chegasse e me pedisse apenas um café preto, eu sabia que logo ela era uma clássica do tipo que tomava em casa desde pequena. Se ela chegasse e pedisse um Frappuccino ou Capuccino, logo entenderia que ela provavelmente seria o tipo de pessoa que pagaria a mais apenas em um copo para tirar foto e postar no instagram. Haviam tantos tipo de cafés, quanto de pessoas, e os anos haviam me ensinado muito bem a analisa-los. O pedido do tal Park Chanyeol, definiria como minha avaliação sobre sua pessoa se comportaria.

   - Hm... Deixe-me ver... – ele pareceu analisar o cardápio disposto em uma das pontas do balcão por um longo tempo, como se assim como eu, soubesse a importância de sua escolha. Após algum tempo revisando tudo mentalmente, ele fez uma escolha e com um sorriso alegre respondeu – Eu já sei o que quero!

   - E o que seria? – indaguei, me aproximando ainda mais do balcão e de seu rosto, como se ele estivesse prestes a compartilhar um segredo tão íntimo, que deveria permanecer apenas entre nós dois.

   - Um suco de laranja. – ele murmurou com sua voz sedutora.

   - O quê?? – questionei, completamente absorto no choque para lembrar do nosso flerte. Como assim alguém estava na melhor cafeteria de Seoul e queria me pedir a porra de um suco de laranja?

   - Desculpe – Chanyeol sorriu sem graça coçando a nuca em um gesto nervoso – Mas eu não gosto de café.

   Meu deus...

June 28, 2018, 9:24 p.m. 0 Report Embed 2
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