Deveria ter te amado - Parte II da Série Deveria Follow story

accohen Ana C.Cohen

Percy não tinha certeza de quando havia começado. Talvez em algum momento durante a guerra contra Gaia ou talvez, antes disso, quando Percy colocou seus olhos no garoto inocente e vulnerável, um órfão sobrevivente tanto quando ele, abandonado em um mundo de monstros e mitologia. Se não fosse seu coração disparar e suas mãos tremerem teria perdido o momento onde suas almas se tocaram, criando a conexão que os ligaria pelo resto de suas existências.


Fanfiction Books Not for children under 13.

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Prólogo

Esse era o momento que Percy havia esperado, e mesmo que fosse contra tudo o que ele acreditava, não havia ninguém que pudesse impedi-lo de fazer o que precisava.

— Eu não quero ir embora. — Percy disse, enquanto abaixava o rosto, inalando o familiar aroma que vinha do garoto de olhos escuros, pele morena oliva e cabelos negros que ele tanto amava.

Não tinha certeza quando tudo havia começado. Talvez tivesse sido em algum momento durante a guerra contra Gaia, ou provavelmente, muito antes, quando colocou seus olhos pela primeira vez no garoto inocente e vulnerável, um órfão sobrevivente tanto quando ele, abandonado em um mundo de monstros e mitologia. Se não fosse seu coração disparar e suas mãos e pernas tremerem, mal o aguentando, teria perdido o momento, o exato instante onde seus olhares se encontraram e suas almas se tocaram, criando a conexão que os ligaria pelo resto de suas existências.

Veja bem, Percy pensava ser feliz, o mais feliz que alguém como ele poderia ser. Pela primeira vez estava onde queria estar, com os braços em volta da cintura daquele destinado e feito só para ele, em um abraço apertado e confortável, se sentindo bem como somente a sensação de pertencer poderia trazer.

Cada minuto valia a pena. Cada energia gastada. Cada sacrifício feito, se o resultado fosse vê-lo feliz.

Percy olhou para o rosto do garoto em seus braços e por um momento pensou que ele havia acordado. Ele sorria e devolvia o afago, esfregando o rosto na curva do pescoço de Percy, ronronando em seu sono e fazendo Percy se sentir aquecido por dentro; era algo cálido que nascia no estômago de Percy e que percorria seu corpo, indo parar em seu coração, momentaneamente inteiro. Percebia que com seus quase quarenta anos e barba por fazer, se divertia, se torturando e rindo de si mesmo, porque, no fim, os deuses estavam certos. Amor era algo perigoso.

Ele se permitiu um último afago e segurou no rosto de seu amado, o acariciando na pele atrás da nuca, já sabendo o que aquele gesto provocaria. Viu o garoto se curvar contra ele e morder os lábios, tentando segurar o gemido que teimava em sair de seus lábios inchados em seu sono.

— Já estou com saudade. — Percy disse baixinho, inalando o cheiro que não mais sentiria.

O garoto, agora, quase adulto, suspirou, se remexendo na cama antes de voltar a repousar tranquilamente. Percy suspirou junto, sem entender o que acontecia com ele, embora sabendo o que precisava fazer.

Uma dor invisível palpitou em suas veias e seu peito vazio latejou como se um membro lhe faltasse. Dor essa, sem sentido, que permanecia fincada a ele durante os últimos dois terços de sua vida e que sempre estaria ali para lhe mostrar o erro que cometia. Mais um entre milhares cometidos. Algo que o fazia querer gritar, uma vontade que o impulsionava para frente e implorava por só mais um momento. E era algo que Percy não podia evitar; ele queria tocar e ele queria beijar, queria dotar o lindo garoto de cuidados e mimos, acariciar cada parte daquela pele morena e tê-lo em seus braços até que ambos pudessem ser um só; respirar o mesmo ar e pensar os mesmos pensamentos. Mas… mas ele não perturbaria o anjo que dormia tranquilamente, tinha medo que apenas um toque fosse o suficiente para fazer o garoto em seus braços desaparecer novamente perante seus olhos, a única coisa que ainda era capaz de fazê-lo sentir qualquer coisa.

O garoto se ajeitou na cama, praticamente montando em seu colo e o agarrou pelo pescoço. Percy se soltou lentamente da cintura da cintura do garoto e deixou que o corpo pequeno se acomodasse melhor na cama, abraçando o travesseiro que antes Percy usava. Ele deu um passo para trás e, então, outro, enquanto sentia o resto do ar fugir de seus pulmões, fazendo o vazio em seu peito se alastrar. Percy deu mais um passo para trás e a dor aumentou, se expandindo até que Percy não pudesse se manter em pé, até que fosse forçado a se afastar de uma vez por todas.

Ele lutou. Ah, como lutou. Pensou que o melhor a fazer era ficar. E depois que o melhor era ir. Usou espadas, punhos e qualquer outro artifício que tivesse. Lutou até que não pudesse mais e sentisse o buraco em seu peito se transformar em concreto, algo que ele pudesse segurar e proteger e preencher com o resto da alma que lhe pertencia. Ninguém tinha lhe dito o quanto iria doer ou o que essa dor significava, essa necessidade já esquecida pelo mundo contemporâneo. Ninguém havia lhe dito, mas Percy sabia, havia encontrado sua alma gêmea. Algo mais antigo que o próprio tempo, o mais puro amor, decidido pelo destino e abençoado pelos deuses, imutável e inquebrável, que criatura alguma, viva ou morta, poderia destruir

No fim, ter ficado se mostrou ter sido um erro. De tanto tentar protegê-lo, acabou por magoá-lo, por moldá-lo do jeito que lhe conviesse e criá-lo de acordo de com suas próprias crenças, vontades e gostos, o parceiro perfeito.

Percy se levantou da cama por fim e colocou a bolsa no ombro. Ele não era digno de sua outra metade. Ele era nojento e ele era um monstro. Era igual aos deuses que por tanto tempo criticou, pois agora fazia o que mais abominava, prendia e manipulava a única pessoa que amava, a única pessoa que nunca desejou ter qualquer direito sobre.

Era por isso que precisava ir.

Ele olhou mais uma vez para a cama e decorou cada detalhe daquele instante, vendo o garoto deitado e relaxado, observando como ele agarrava o travesseiro e como sua respiração calma enchia o cômodo com vida, como se nenhum problema do mundo pudesse afetá-lo e como se não houvessem mais inimigos a serem derrotados. Percy segurou firme em sua mochila e deixou que seus olhos admirassem mais uma vez o rosto moreno e pele nua, destinados a seus olhos e só a ele, e, então, saiu porta afora sem olhar para trás.

June 6, 2018, 2:30 a.m. 0 Report Embed 1
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