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pi_1983 pi _1983

Bulma é uma talentosa artista plástica, reconhecida no meio artístico, ela luta há anos contra a depressão ansiosa grave e o transtorno borderline. Após sua terceira tentativa de suicídio, sua vida irá mudar, mesmo que ela não queira. É uma história que trata de um tema delicado, de superação. De luta interna contra o medo, os demônios internos do passado e do presente. É sobre perdão e aceitação. É sobre resignificar a vida e as relações pessoais. É sobre acreditar ou não, que há algo acima de nós, uma força poderosa que rege o universo. Se passa em 2018, pois é uma história real, misturada com um pouco de ficção, porque, às vezes, é bom sair da realidade cruel e vazia. Os personagens originais de Dragon Ball pertencem a Akira Toriyama.


Fanfiction For over 18 only.

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Achei que meus demônios estavam quase derrotados

"meu coração é fraco, rasgado peça por peça.
Me deixe em paz
Pego nas minhas lembranças
Perdido por baixo
Profundamente na minha estrutura"
( Jacob Lee - Demons )


*


Os fogos explodiam no céu. Era o barulho saudando o novo ano, colorindo a imensidão escura no céu. Ela estava sentada em uma cadeira dobrável acolchoada, na cobertura do prédio. Seu cigarro longo soltando uma fina fumaça que serpenteava rumo ao céu, Ela olhava distraída para lugar nenhum. Odiava fogos, eles matavam pássaros e assustavam outros animais. Levou o cigarro á boca, a mão trêmula por conta das medicações, e tragou soltando a fumaça devagar, posicionou seu braço no mesmo lugar e olhou para a cicatriz em seu pulso. Tomou um gole da cerveja que segurava na outra mão. Encostou totalmente o corpo na cadeira, quase deitando.
David Bowie começou a cantar. Heroes. As lembranças se levantaram para dançar.
2017 foi uma maldição para ela. Ainda estava viva, mais um ano pela frente. O celular na mesa ao lado dela não parava de vibrar, aquele som do aparelho tremendo contra a mesa a irritava, "não perturbe", ela selecionou e o aparelho silenciou. E ela queria ficar sozinha.
- Obrigada vida! - ela disse em voz alta - Obrigada por nada! - e fechou os olhos.

- We can be heroes, just for one day. Bowie repetia sem parar.

"Bulma chorava, tremia e não conseguia respirar direito. Foi para seu estúdio e olhou para as peças prontas, faltavam apenas os acabamentos. Ela olhou uma por uma, tocou em todas, estavam perfeitas.
Seu choro cessou de repente. Ela foi até o aparelhos de som, ligou, David Bowie começou a cantar Heroes. Ela gritou. Era um grito de desespero que estava preso em sua garganta há anos.
Ela voltou seus olhos para as peças imóveis, mudas, frias.
- Falem! - ela gritou - Falem! Falem alguma coisa seus montes de merda! - ela gritava para as esculturas, assim como Michelângelo para seu Moisés. Ela havia feito dez lindas esculturas de bailarinas, cada uma em uma posição diferente. Estavam tão perfeitas que pareciam dançar.
Ela foi para a cozinha e abriu o armário onde guardava todos os medicamentos que vinha tomando há anos, quando tudo começou. Não suportava mais. Aquilo tinha que acabar e seria naquele momento. Pegou também uma pequena tigela e um copo grande com água.
- And you, you will be Queen. - Bowie gritou e ela sorriu enquanto sentava-se a mesa, depositando tudo que havia em suas mãos.
- Eu já sou David, eu já sou! - ela começou a descartar os comprimidos das cartelas com calma. Um por um com um sorriso leve nos lábios.
A tigela tinha cerca de 200 compimidos. Ela abriu o frasco do medicamento líquido e demarramou no copo com água.
- We can be heroes, just for one day.
Ela se levantou e foi se despedir de seus gatos. Karin, Beerus e Champa. Pegou cada um no colo e beijou.
Em um papel sulfite ela escreveu apenas, "Por favor, cuide de meus gatos." e colou na porta do estúdio com uma fita crepe. Foi para o banheiro e tirou da gaveta uma lâmina.
Bulma juntou tudo e voltou para seu estúdio. Sentou-se no fundo com as pernas abertas e esticadas e no meio delas os comprimidos, o copo com água e medicamento e uma lâmina.
- And you, you will be Queen. - David não parava de repetir.
Bulma começou a engolir os comprimidos com a água do copo que também continha medicação. Rasgou os dois pulsos com a lâmina. Não sentiu dor. Deitou-se em posição fetal e antes que perdesse a conciência ela sorriu vendo uma pequena linha vermelha correr pelo chão."


Ela abriu os olhos, os fogos estavam começando a diminuir. Alguns estouravam longe, mas já não faziam tanto barulho.
Bulma pegou outra cerveja no cooler, abriu e tomou dois grandes goles e acendeu mais um cigarro. Gostava de cigarros longos, demoravam mais para acabar. Ela tragou e soltou a fumaça para cima, jogando a cabeça para trás.
- Me traga uma surpresa vida! Já que você me quer tanto por perto! - ela gritou. Assim que ela falou a música mudou e Bob Marley a saudou com Satisfy my soul. Bulma fechou os olhos novamente, achava deliciosa a voz de Bob, seu calmante natural, como ela dizia.

"Mai abriu a porta.
- Olá! Alguém em casa? B., sou eu! - ela falou enquanto entrava. Ouviu uma música tocando no estúdio e foi até lá. Sorriu, Bulma estava trabalhando.
Mai chegou na porta de correr e parou, David ainda gritava, estava no modo repeat. Ela começou a andar através das esculturas espalhadas.
- Bulma! - Mai gritou, a música estava alta - Merda, Bulma! O que você fez?! - Mai correu para a cozinha e pegou dois panos de prato. Ao ver a poça de sangue de longe já imaginara o que ela havia feito.
Correu de volta ao estúdio, Bulma estava gelada. Ela pegou em seus braços, os cortes eram profundos, amarrou um pano bem apertado em cada pulso. Tirou o celular do bolso e ligou para a clínica pedindo uma ambulância urgente.
Não era a primeira vez que isso acontecia, então Mai deixou o telefone da clínica psquiátrica gravado como emergência. Correu para quarto e pegou um cobertor. Desligou a música e puxou Bulma para seu colo e a enrolou no cobertor. Estava pálida.
A ambulância chegou rápido e Bulma foi levada, Mai foi junto.
A clínica era particular, usada por pessoas ricas e era conhecida pela sua discrição. Foi escolhida pela mãe de Bulma, porque ela mesma não se importava com a 'porra da discrição'.
Ela já era conhecida na lá, Mai entregou as cartelas dos medicamentos e o frasco de vidro aos enfermeiros e ficou olhando a maca sumir no corredor. Ela foi para uma sala pequena e aconchegante, tinha poltronas largas e muito confortáveis. Ela se sentou em uma que ficava no canto da parede, escondida da porta. Suspirou profundamente e começou a chorar.
Bulma foi levada direto para a UTI, o médico se espantou que ela ainda estivesse viva depois de ingerir tantos comprimidos. Uma máscara de oxigênio foi colocada em seu rosto. Começaram a administrar alguns medicamentos para desintoxicar e também para neutralizar os efeitos dos que foram ingeridos, eles agiram rápido, Bulma estava quase tendo falência múltiplas de órgãos. Fizeram uma lavagem estomacal e a induziram ao coma. Seus pulsos foram suturados e enfaixados."


Bulma se levantou e foi para o parapeito da cobertura. Estava no décimo andar, não era tão alto. Ela se inclinou para olhar a rua. Muitas pessoas andavam por lá, gritando feliz ano novo para outras que cruzavam seus caminhos. As casas ao redor do prédio estavam com as luzes acesas, muitas famílias reunidas e, apesar da altura, ela sabia que eles estavam se abraçando e desejando muitas coisas boas uns para os outros. Ela suspirou e se virou, encostando as costas no parapeito e apoiando os cotovelos.
Olhou para o céu, desejou que chovesse. Poucas estrelas podiam ser vistas graças á poluição da cidade grande.
A música mudou de novo. A melodia era mais sombria, Demons de Jacob Lee. Bulma olhou ao redor, tudo vazio, como ela.
- Ás vezes eu penso que já senti tudo que tinha para sentir. - ela falou para o vazio, mas seus demônios ainda a atormentavam.
Ela foi em direção à mesa e colocou tequila em um pequeno copo, próprio para isso. Antes de beber ela riu, no copo havia uma caveira desenhada e a palavra caution escrito abaixo dela. Bulma virou a bebida de uma vez. Pegou outro cigarro e acendeu. Voltou para a beirada da cobertura, ficou olhando as casas ao redor.

"Mai enxugava as lágrimas, precisava avisar a mãe de Bulma. Pegou o telefone.
- Senhora Briefs, sou eu, Mai. - ela respirou fundo - Bulma está na clínica, acho melhor a senhora vir. - Mai foi direta, a mãe de Bulma já estava acostumada com isso. Ela também ligou para dois amigos de Bulma.
Não demorou muito e a senhora Briefs chegou á clínica.
- Como ela está? - perguntou para Mai.
- Ainda não sei, ela foi levada para a UTI, mas o médico ainda não voltou. - a senhora Bri., como Mai costumava chamá-la, reparou na garota, estava abatida, olhos inchados e em sua roupa havia sangue.
- Os pulsos? - Mai apenas balançou a cabeça afirmando, mas logo lembrou das cartelas de comprimidos.
- Comprimidos também e aquele frasco de líquido sedativo. - ela começou a chorar novamente e a senhora Bri. a abraçou.
- Calma Mai, vai dar tudo certo. Obrigada por salvar minha filha mais uma vez. - ela acariciava as costas de Mai com suavidade.
- A culpa é minha senhora Bri., se eu estivesse lá com ela... - a mulher a interrompeu.
- Você não tem culpa de nada, não fale uma coisa dessas, pelo amor de Deus! - e apertou Mai ainda mais quando seu choro de tornou compulsivo.
Algumas horas depois chegaram os amigos de Bulma, para quem Mai havia ligado. Estavam todos na sala quando, finalmente, o médico apareceu. Ele já conhecia a mãe de Bulma e todos que estavam ali. A senhora Briefs foi ao encontro dele.
- Como ela está? - suas mãos estavam juntas em seu peito.
- Senhora Briefs, nós já conhecemos Bulma muito bem. Serei bem sincero, não sei como ela conseguiu chegar aqui com vida. Ela ingeriu uma quantidade espantosa de comprimidos e mais um frasco inteiro de sedativo. Nós fizemos uma lavagem estomacal e estamos administrando desintoxicante e neutralizadores, mas ela terá sequelas. Induzimos ao coma, pois ela já estava entrando em falência múltipla de órgãos, ainda não posso prever quando ela sairá do coma. Dessa vez ela não queria dar tempo para que o socorro chegasse, foi um milagre Mai aparecer. - o médico olhou para Mai e deu um sorriso leve.
- Eu posso vê-la? - a senhora Briefs chorava.
- Sim, mas antes preciso dizer que Bulma terá que ser internada novamente por tempo indeterminado e não pode ficar sozinha. Ela tem frequentado a terapia? - o semblante do médico era muito sério.
- Sim. - Mai respondeu - Eu a levo toda semana, senão ela não vai.
- Eu não quero internar Bulma de novo, - a senhora Briefs esfregava as mãos trêmulas - não foi bom para ela ficar naquele lugar, por mais que lá seja um bom hospital. Ela voltou mais revoltada, se isolou e a única pessoa que ela aceita é Mai.
- Bom, então ela terá que ter um acompanhamento intensivo, terapia três vezes por semana e frequentar um grupo de apoio a suicídas portadores de transtonos mentais, acompanhante terapêutico uma vez por semana e ela não pode ter mais acesso à medicação. Aliás, como ela tinha toda essa quantidade de medicação em casa? - doutor Tenshinhan gesticulou com as mãos indignado.
- Ela comprava a mais, o psiquiatra dela colocava na receita. - mais uma vez Mai respondeu e o médico percebeu que Mai sabia mais da vida de Bulma do que sua própria mãe.
- Troque de psiquiatra imediatamente. - ele falou irritado - Vamos senhora Briefs, me acompanhe. - os dois seguiram para a UTI.
- Puta que pariu! - Pan soltou o palavrão como se estivesse engasgado - Que caralhos a Bulma fez? Por que? - ela começou a chorar. Era difícil lidar com Bulma, por mais que eles se informassem sobre o assunto, chegaram até a falar com o psiquiatra dela para pedir ajudar, mas ainda era difícil.
Isso já durava dois anos, Bulma ficava dias isolada, não atendia ao telefone e nem respondia mensagens. Ela não abria a porta quando eles iam até lá, e Mai era a única pessoa que dava notícias dela. Mas eles queriam vê-la, queriam dar apoio e carinho afinal de contas, eram amigos de longa data. Pan era sua amiga de infância.
- Calma amada, calma! - Kuririn abraçou Pan.
- Eu não quero perdê-la Kuririn. Ela é minha amiga desde que éramos criança. Ela entende o que sinto com apenas um olhar ou um oi. Ela é uma irmã para mim, eu a amo! - ela desabou nos braços de Kuririn. Mai chorava sentada na poltrona. Os três se juntaram.
- Eu também a amo Pan! - Kuririn segurou em seus ombros - Vamos ser mais presentes na vida dela, mesmo que ela não queira. Não vamos mais aceitar que ela se isole.
- Posso dar uma cópia da chave para vocês, mas não sejam muito invasivos, ela pode se sentir pressionada. - Mai alertou
- Certo! - Pan balançou a cabeça afirmando.
- Mai, você esteve sozinha com ela esse tempo todo, mas agora estaremos com você. Carregou uma carga alta. Conte conosco, por favor. - Kuririn segurou as mãos de Mai e beijou. - Um pouco de calma invadiu o coração de cada um. Mai se lembrou dos gatos e foi para a casa de Bulma para alimentá-los. Kuririn e Pan ficaram esperando a senhora Bri. voltar."


Bulma olhou no relógio do celular, 2h00. Deu uma bufada e jogou o aparelho na mesa. Karin, Beerus e Champa começaram a dar as caras, os fogos quase não faziam mais barulho. Eles se esfregavam nas pernas dela.
- Obrigada, para vocês também! - ela falou olhando para baixo e sorrindo.

"Com dois meses Bulma foi tirada do coma, mas ainda ficaria na UTI. Ela respirava sem ajuda dos aparelhos, mas estava sedada. Dois dias depois ela acordou naturalmente.
Os enfermeiros entraram no quarto quando ouviram os gritos histéricos dela.
- Quem me trouxe de volta?! Maldito, filho da puta! - ela arrancou o catéter de soro com medicamento, tentou levantar da cama mas caiu. Seu lado esquerdo estava paralisado, inclusive seu rosto. Ao cair ela bateu a cabeça na mesa que estava ao lado da cama e abriu um grande corte na testa.
Os enfermeiros entraram, dois homens fortes, porque era difícil domar aquela fera quando ela estava irritada. A colocaram na cama e trocaram o catéter.
- É melhor você ficar quieta aí. Vou chamar o médico. - o outro enfermeiro ficou no quarto, para garantir que ela não iria tentar sair.
- Você tem um cigarro? - ele não respondeu e ela mostrou o dedo do meio para ele. Cruzou os braços e esperou o médico, já que não ia conseguir sair dali e nem fumar. Olhou os pulsos, estavam cicatrizando mas estavam vermelhos.
- Foda-se. - ela falou olhando para os braços que já tinham centenas de marcas.
O médico entrou no quarto.
- Dr. T., como vai? - seu tom de voz era irônico - Foi você?
- Não, foi Mai. Mais uma vez. - o semblante de Bulma mudou, ela ficou desconcertada. Mai era sua assistente pessoal, mas era mais que isso. Era a segunda vez que a salvava, ela estava sempre por perto, Bulma a chamava de sombra - Embora você tenha caprichado dessa vez, ainda não deu certo, deveria desistir. - Dr. Tenshinhan falava com ela em tom irônico também, ele não sentia pena. Sabia que precisava tratar Bulma com pulso firme - Bom, vamos ao que interessa. Você ingeriu uma grande quantidade de medicamentos e isso te afetou bastante, mesmo que tenha sido socorrida rápido. Seu lado esquerdo está totalmente paralisado. - ele não se importou com o corte na testa, escorria o sangue pelo rosto dela naquele momento - Você conseguirá voltar a ter seus movimentos, mas para isso precisa de fisioterapia intensiva. Por mim você voltaria para internação fechada imediatamente, mas sua mãe não quis, então você tem algumas condições para poder ficar fora do hospital.
- Vocês vão colocar uma tornozeleira em mim? - ela voltou ao tom de voz irônico.
- Não, será pior. Você terá que fazer terapia três vezes por semana e frequentar um grupo de apoio para suicidas além de ter um acompanhante terapêutico uma vez por semana. Eu vou acompanhar sua participação através de relatórios que serão passados pelo terapeuta e também pelo psicólogo do grupo. - Bulma ficou séria - Ah! outra coisa, você não terá acesso ás suas medicações, elas serão administradas por uma enfermeira que ficará em sua casa.
- Eu não preciso de babá! - ela falou alto.
- Parece que sim Bulma. É sua terceira tentativa de suicídio. - o médico falava olhando nos olhos dela.
- Vamos fazer um acordo? Eu não compro mais medicamentos a mais e a enfermeira passa em casa uma vez por semana para averiguar se eu estou tomando direitinho. - ela balançou a cabeça debochando.
- Vou pensar no seu caso, agora vou encaminhar você para fazer alguns exames. - o médico virou-se para a porta.
- Eu quero fumar.
- Sua mãe deixou seu cigarro aqui. - ele olhou para o enfermeiro que ainda estava perto da cama - Leve ela para fora, por favor. Depois passe na enfermaria para cuidar desse ferimento.
- Está certo doutor. - o homem foi pegar a cadeira de rodas.
- Obrigada doutor T., e não ligue para minha mãe, não hoje. Não avise ninguém por enquanto. - o enfermeiro a ajudava sentar na cadeira de rodas e seguiram para a parte externa da clínica, onde era permitido fumar.
Tenshinhan ligou para a senhora Briefs, mas pediu que ela viesse em três dias e pediu que ela avisasse os amigos de Bulma e lhes dissessem a mesma coisa.".


Bulma pegou outra cerveja, ela não ligava de misturar álcool com medicamento. Acendeu mais um cigarro e tomou outro shot de tequila. Ela amava tequila. Foi para a porta que dava acesso ao seu estúdio e olhou suas esculturas. Esteve a ponto de destruí - las quando surtou e, até agora, ela não sabia como havia conseguido se controlar.
Talvez fosse o sonho enterrado nas profundezas da sua alma. O sonho que nunca se realizou. O sonho que a deixou louca.

"Depois de fazer todos os exames solicitados pelo doutor T., Bulma foi para um quarto particular da clínica. Ficaria mais um mês para observação. Seu pâncreas fora afetado pela intoxicação dos medicamentos e ela teria de tomar mais medicações para consertar o estrago.
- Quantos pontos você levou nos pulsos? - Pan estava em pé na frente dela de braços cruzados.
- Vinte. - Bulma estava sentada na cama de pernas cruzadas e mexia nas pontas de seus cabelos.
Pan descruzou os braços e sentou-se perto dela. Seus olhos se encheram de lágrimas. Bulma a abraçou.
- Você é uma filha da puta! - Pan desabou no choro - Bulma, não sei como lidar com isso, mas me diga o que fazer e eu farei, qualquer coisa...
- Você não tem que fazer nada. Eu também não sei lidar com isso, eu só queria que acabasse. Me perdoa, mas isso não tem como não ser egoísta e eu não sei explicar, eu não sei definir o que sinto, mas por favor, não chore. - Bulma passava as mãos nos cabelos de Pan ao mesmo tempo que a embalava em seu colo e suas lágrimas também corriam pelo rosto.
Os dias passaram rápidos e finalmente ela sairia daquela clínica. Era dezembro.
As fisioterapias foram eficazes e ela já tinha recuperado o movimento da parte esquerda no rosto e no braço mas sua perna ainda não estava firme o suficiente e ela precisava usar uma bengala. Ela logo tratou de decorar a peça, aquele alumínio era sem graça.
Doutor Tenshinhan olhava pela janela, Bulma estava sentada no banco, na área externa para fumantes. Ele tentava entender aquela mulher, ela não era comum. Era como se ela vivesse entre a vida e a morte o tempo todo e não se importava. Ela já havia morrido três vezes mas renascia feito uma fênix, era como se ela voltasse mais forte, mas não percebia isso. Seu jeito despojado não era uma máscara, ela era assim mesmo. Espontânea, direta, criativa, um furacão que passava deixando tudo para trás bagunçado, mas só ela se feria. Era uma mulher única.
- Dizem que os grandes gênios sempre enlouquecem. - era Piccolo, futuro psiquiatra de Bulma.
Tenshinhan voltou-se para ele.
- Prepare-se, ela não é fácil. - ele recostou na cadeira e passou a mão na cabeça. Tenshinhan também era psiquiatra, mas vez ou outra surgiam casos como Bulma. Difíceis de explicar."


Bulma foi para dentro de casa. Os gatos a seguiram. Ela parou na porta do estúdio que dava acesso a parte de dentro de seu loft. Ficou olhando o lugar, cada coisa que tinha ali, a mesa com doze cadeiras, o sofá preto aconchegante e grande com uma parte que retátil. Olhou para porta pintada de azul turquesa, esperou que alguém entrasse por ela e a salvasse. Bulma precisava ser salva com urgência. Precisava ser salva de si mesma.
Mas ninguém entrou. Ela tomou seus medicamentos para dormir e acendeu um cigarro enquanto esperava o efeito surgir. A pagou a luz do estúdio e fechou a porta de correr. Foi para a janela, ela gostava de observar coisas pelas janelas, eram como quadros que se moviam e mudavam o tempo todo.
O cigarro acabou. Ela escovou os dentes. A luz da casa apagou. Ela deitou na cama. Ainda não sentia sono, mas fechou os olhos. Ainda tinha uma vida inteira pela frente, pelo menos, por enquanto.


*

Bulma tem que encarar a vida, após tentar sair dela. Novo ano, tudo igual, mas as coisas vão mudar.

May 22, 2018, 3:05 a.m. 0 Report Embed 3
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