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retrive retrive geibi

Sasuke não era a pessoa mais perfeita do mundo e estava longe de ser o cara mais sortudo, mas quando Sakura surgiu em sua vida, achou que as coisas estavam melhorando para ele. O Uchiha foi capaz de mudar todos os seus princípios depois de conhecer a filha do prefeito e se apaixonar pela mesma. Mas como dito, Sasuke estava longe de ser o cara mais sortudo do mundo. Ele vê tudo que ama caindo por terra após um trágico acidente de carro que fez Sakura perder a memória de tudo que viveram juntos.


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#sasuke-uchiha #drama #sakura-haruno #sasusaku
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Talvez eu te ame

Notas 

— Antes de tudo, gostaria de agradecer a a fada linda que é a @pansaki do animes design. Ela está betando a fanfic com todo amor e eu não tenho palavras para agradecer. muito obrigada, linda <3 você é um docinho <3


O mundo parecia girar em câmera lenta. Sasuke podia ver o sangue escorrendo pela lateral de seu próprio rosto lentamente, enquanto o carro girava precipício abaixo. Podia ver a lataria do carro amassando, o vidro se quebrando e ela morrendo aos poucos bem ao seu lado.

Na cabeça sonhadora do moreno, eles iriam apenas entrar no maldito carro e fugir daquela maldita cidade em direção a uma vida nova. Apenas isso. Mas parecia que todo o universo o odiava e fazia o possível e o impossível para afastar o jovem casal.

A voz brava e rancorosa do pai do Uchiha ainda era audível na cabeça do moreno. Ainda tinha uma gravação mental do olhar de todos sobre o casal que era considerado totalmente errado. Afinal, como um rapaz drogado vindo de família humilde teve a ousadia de seduzir a pobre e inocente filha do prefeito?

“Você realmente acha que pode resolver todos os problemas da sua vida fugindo?”. Era o que ele mais escutava, principalmente de seu pai, que parecia odiá-lo.

Um dos maiores desafios do mundo, na opinião do Uchiha, é viver. Definitivamente, não existe nada mais difícil do que isso. Viver é algo que pode se tornar impossível com o passar dos dias.

Seu pai sempre dizia para colocar a porra dos dois pés no chão, mas é difícil fazer isso quando se tem Sakura Haruno ao seu lado, com aquele olhar penetrante que encantou o Uchiha desde o primeiro momento.

Sakura era filha do prefeito e Sasuke filho de um ex-presidiário. O moreno tinha uma longa ficha criminal por uso de drogas e, definitivamente, não era um exemplo de bom moço com as mulheres.

Mas isso era sinônimo de que ele não podia mudar?

Sakura Haruno era a garotinha de ouro da cidade. Tinha um belo namorado almofadinha e
estava quase noivando dele. Mas não era obviamente feliz. E teve a infelicidade de conhecer o Uchiha em uma mercearia enquanto ele tentava furtar uma garrafa de vodka.

Nunca imaginaria que aquele pequeno encontro a faria embarcar em uma aventura sem fim
totalmente fora de seus padrões.

Enquanto o carro caia, Sasuke viu alguns momentos de sua vida passando diante de seus olhos.

— O que pensa que está fazendo? — a voz assustada e um pouco engasgada da menina quase fez Sasuke quebrar a garrafa em suas mãos.

— Eu que te pergunto — recuperou o controle e se virou para a dona da voz.

Ele teve dificuldade em dizer se aquilo se tratava de um anjo ou só de uma garota muito bonita.

Ela era um pouco menor que ele e possuía cabelos rosados na altura do ombro. Usava um
vestido branco que ia até abaixo dos joelhos. E também um casaco de lã na cor nude.

Não se lembrava de ter visto alguém como ela na cidade.

— É difícil pegar isso escondido com você quase gritando — tentou parecer o mais natural possível.

Ela parecia analisar o rapaz, e ele se sentiu levemente desconfortável. Os olhos verdes dela percorriam todo o seu corpo e quando travaram em seu rosto, Sasuke notou uma leve coloração avermelhada surgir nas bochechas dela.

— Você quer tanto assim? — ela perguntou por fim com a cabeça baixa.

— Não tanto, mas quero. Na verdade eu preciso — ele olhou para os lados apenas para ter certeza que não tinha ninguém.

— Não tem dinheiro?

— Não seja estúpida, é óbvio que eu tenho. Só que pegar escondido é sempre mais legal e deixa o sabor muito melhor.

— Roubar é tão...

— Não diga roubar, pegar escondido é melhor — cortou a garota a corrigindo.

A rosada suspirou. Mordeu os lábios e encarou a bebida na mão do rapaz.

— Podemos fazer um trato? — a encarou com curiosidade. — Eu te dou meu dinheiro e você compra isso da forma correta. Em troca, dividimos a garrafa.

Arqueou uma sobrancelha analisando a garota. Ela definitivamente nunca devia ter colocado uma gota de álcool na boca. Ele sorriu de lado para a moça, se divertindo um pouco com a situação.

— Quem sou eu para impedir alguém que está disposta a fazer algo aventureiro — sorriu malicioso. — Porém, como eu já disse pegar escondido deixa com um sabor melhor.

Ele tirou seu casaco preto e colocou no ombro dela. Entregou a garrafa e usou o casaco, que era muito maior que a garota para esconder a bebida.

— Você sai e eu vou atrás. Vou comprar uma barra de chocolate, se eu sair sem nada vão querer me revistar. Enfim, te encontro lá fora, não pare no meio do caminho.

Ele empurrou a rosada que quase tropeçou nos próprios pés e esperou ela sair. O caixa da mercearia, um velho gordo e calvo, sorriu para a moça enquanto ela saia com uma cara de culpada do lugar.

O rapaz suspirou, pegou um chocolate e foi em direção ao caixa.

— Uchiha — o homem quase rosnou. — Quem diria que pagaria algo.

O moreno não respondeu. Jogou os trocados em cima do velho e se retirou do local o mais rápido possível.

Do lado de fora, a rosada o aguardava. A respiração desregulada, as pernas trêmulas e o coração a mil por hora. Havia feito algo errado, mas a pior parte é que a sensação que crescia em seu peito não era de culpa e sim de uma adrenalina boa.

O moreno se aproximou e sorriu de lado encarando o olhar confuso da garota.

— Pode encher a cara sozinha — disse colocando as mãos no bolso.

— Eu não conseguiria... Nunca fiz isso.

Ele sorriu malicioso e se aproximou.

— Então permita que eu lhe mostre um lado um pouco mais divertido.

A rosada era um garota completamente divertida que, quanto mais contato possuía com o moreno, mais viva se sentia. Cada vez que fugia de casa apenas para encontrá-lo, sentia em seu peito uma maravilhosa sensação de liberdade.

Sasuke nunca ousou colocá-la no caminho das drogas. Permitia apenas que sua adorável e inocente companhia bebesse apenas bebidas que não a fizesse tão mal. Cuidava dela, zelava por ela e a protegia. Mostrava-lhe uma vida um pouco mais divertida e fora do cotidiano, mas nunca a fez uma viciada.

No fim das contas, a cada encontro, ela colocava mais juízo na cabeça dele. Sem perceber, ela o mudou, o tornou uma pessoa melhor.

O moreno já não roubava, por causa dela. Havia diminuído o uso das drogas e se sentia estranhamente bem por ter mudado um pouco sua vida.

— Boa noite, rosinha — saiu de cima do capô do carro e abriu a porta para a dama.

— O que tem preparado para nós hoje? — ela perguntou entrando no Impala 65.

Ele deu a volta e se sentou no banco do motorista. Encarou a garota e sorriu.

Estava na missão de “apresentar a ela o mundo que a mesma desconhecia” há pouco mais de um ano e dois meses. No decorrer deste longo tempo com ela, alguns sentimentos se formaram. Sentimentos que Sasuke e Sakura nunca imaginaram que seriam capazes de sentir um pelo outro com toda aquela intensidade. Mas preferiam manter tudo em total e absoluto sigilo.

— Nada muito exagerado. Você tem prova na faculdade amanhã, então voltaremos cedo.

— Está preocupado com a minha vida acadêmica? — olhou para o moreno de lado com um
leve sorriso.

— Já comprei as bebidas e tem um ótimo lugar que quero que conheça.

Deu partida no carro e Sakura sorriu notando que ele estava fugindo de sua pergunta. Não foi preciso muito tempo para chegar ao tal lugar. Tratava-se do píer que ficava no lago da cidade.

— Já vim aqui tantas vezes — se soltou do cinto.

— Mas nunca veio comigo.

Ambos saíram do carro e foram em direção ao píer. Ele realmente havia preparado as bebidas e carregava tudo em uma sacola.

O rapaz foi na frente. Colocou as sacolas no chão e se sentou para tirar os sapatos. Dobrou a barra de sua calça e colocou os pés na água. Sakura fez o mesmo.

O moreno estava em silêncio e não parecia querer conversar. A rosada respeitou e tentou por sua atenção na sacola que continha as bebidas, mas se surpreendeu ao ver que não tinha nada realmente alcoólico ali.

— Já está procurando algo pra encher a cara? Céus, eu criei um monstro — disse levantando a cabeça para o céu com os olhos fechados. — Quero você totalmente sóbria para que grave o que eu vou falar.

Ele abriu os olhos e a encarou.

Seu olhar parecia leve e pela primeira vez, desde que começou sua amizade com a Haruno, não havia nenhum cheiro de álcool presente nele. Ele olhava para Sakura com ternura, mas com um pouco de receio, como se ela fosse fugir a qualquer momento.

— Você está bem? — ela perguntou por fim. — Parece até que vai morrer.

Ela costumava controlar muito bem seus sentimentos em relação a ele, mas com o moreno a olhando daquela forma ficava um pouco difícil. Sakura preferia manter seus sentimentos guardados, tinha medo de não ter mais nenhuma relação com o rapaz se confessasse tudo. Afinal, ela não devia ser o tipo do Uchiha. Era franzina, tímida e pouco aventureira.

Ele suspirou tentando aliviar a tensão e levou a mão até o rosto da garota. Ela, por sua vez, sentiu todo seu corpo se arrepiar com aquele pequeno gesto.

— Eu acho que vou morrer se não fizer nada a respeito disso.

Sakura estava pronta para perguntar o que as palavras confusas do moreno queriam dizer, mas antes que pudesse pensar a rosada sentiu algo contra seus lábios.

Sasuke havia selado a boca dela com um leve, mas ainda feroz beijo. Seu hálito com gosto de menta fazia uma combinação maravilhosa com os lábios com gosto de cereja dela.

Sakura deu passagem para a língua dele e segurou a nuca do moreno com medo de que ele saísse no meio do beijo dizendo que estava um pouco drogado. O beijo prosseguiu calmo, mas moderadamente faminto por quase um minuto inteiro. Poderia ter durado mais se ele não interrompesse apenas para olhá-la.

— Deus... — ele acariciou as bochechas rosadas da garota. — Você me deixa tão louco. E eu sei que você é definitivamente uma garota fora do meu alcance e que tem aquele seu maldito namorado que seu pai arranjou, mas meu Deus, eu não consigo mais me controlar quando estou do seu lado.

Nunca havia visto o Uchiha tão falante e expressivo. Aquilo era realmente novo. Ela abriu um sorriso largo ao ver o estado do rapaz.

— Pelo amor do divino, não ria — ele parecia sério. – Diga alguma coisa. Me xingue, me bate, diga para eu sumir da sua vida, mas não ria.

E agora era Sakura que selava os lábios do moreno.

— Eu achei que você nunca faria isso — ela sorriu. — Sasuke, eu gosto de você. Gosto muito.

Sorriu de volta. Não sabia se sorria de nervoso ou pura felicidade.

— Eu também gosto de você — mordeu os lábios. — Na verdade, talvez eu te ame.

Aquele havia sido o primeiro passo de ambos para uma jornada complicada.

Sasuke já era odiado, mesmo depois de parar com suas atividades ilícitas, e quando a filha do prefeito largou a faculdade de medicina faltando pouco para concluir e terminou seu compromisso com o namorado bem sucedido para ficar com um ex-drogado, todos da cidade declararam morte ao Uchiha.

Sakura nunca gostou de seu namorado e muito menos queria seguir uma carreira em medicina. Toda a coragem que precisava para jogar tudo para o ar foi encontrada quando Sasuke Uchiha decidiu beijá-la naquela noite.

Haruno tomou a decisão de que viveria seguindo suas próprias regras e faria isso ao lado do cara que ela amava.

— Acho engraçado seu jeito de ver a vida — ela disse enquanto mordia a maçã vermelha em sua mão.

O rapaz riu de lado e pegou um maço de cigarros em seu bolso. Cigarros e bebidas lícitas eram as únicas coisas que ele não havia largado após conhecer a rosada.

— Apenas a vejo da forma que ela é; difícil e quase impossível.

Colocou o cigarro entre os dentes e acendeu. Deitou-se na grama verde e em seguida ela se deitou ao seu lado. Não disse uma única palavra, apena abraçou forte o moreno e afundou a cabeça em seu peito.

Podia notar que a moça quase chorava. Fungava baixo e apertava mais e mais o rosto contra o peitoral do rapaz.

O moreno não era capaz de lembrar-se exatamente quando aconteceu, mas em algum momento ele se encontrou totalmente apaixonado pela rosada de olhar gentil. Durante uma saída e outra, cada vez que ele a via partindo, seu coração apertava em saudade.

Já Sakura lembrava-se exatamente de quando se apaixonou pelo moreno. No momento em que ela bebeu sua primeira gota de álcool ao lado se sua má companhia naquela estacionamento escuro. A luz da lua dava um ar tão magnífico a ele. Foi naquele momento que a rosada não conseguia mais tirá-lo de seus pensamentos.

— Vai dar tudo certo — disse enquanto soltava a fumaça pela boca. — Vamos sair desse maldito lugar. Vai dar tudo certo, somos inatingíveis, esqueceu?

— Vindo de você quase posso acreditar.

— O que poderia dar errado?

— Talvez tudo — ela se sentou e olhou para a linha do horizonte com o olhar perdido e vazio.

— Estaremos juntos, isso é tudo que importa para mim.

Ela sorriu, mas era notável em seu olhar que ela não sentia tanta confiança como ele.

— Tudo vai dar certo e logo estaremos juntos em uma pacata cidade vivendo o começo de
nossa vida — depositou um beijo no alto de sua cabeça e ela deu um sorriso de lado.

Sasuke era inocente e completamente tolo quando os planos envolviam Sakura. Havia começado um namoro não oficial com a garota a pouco mais de 10 meses. Desde o começo sabia que seria difícil, mas nunca imaginou que o prefeito investiria tanto para separá-los.

Não houve um dia de paz para o casal. O rapaz era incapaz de ver sua namorada durante o dia e às vezes era difícil para Sakura escapar durante a noite. De fato, o prefeito não queria sua joia preciosa envolvida com uma pessoa da laia do Uchiha.

Mas nada adiantava, quanto mais tentava separá-los, mas a vontade de ficarem juntos crescia.

— Está pronta? — o moreno perguntou bem baixinho.

— Não acho que isso tudo seja uma boa ideia — falou ela ainda de costas para ele terminando de arrumar sua mochila.

— Passei dois meses planejando isso. E eu estava o ano inteiro juntando dinheiro para conseguir começar uma vida do zero, então vamos ter grana. Isso tem que dar certo.

Ela se virou e mordeu os lábios nervosa.

— Estou com um mau pressentimento.

Sorriu tentando transparecer confiança e se aproximou com calma dela. Segurou seu rosto com as duas mãos e encarou bem seus olhos.

— Já está de noite e metade de cidade está dormindo. Seu pai só vai sentir sua falta quando estiver de manhã, isso tem que dar certo.

Ele a beijou. Beijou com firmeza, intensidade, desejo e, acima de tudo, paixão.

— Vamos — se dirigiu para a janela. – Ninguém vai sentir nossa falta e não vamos sentir falta de ninguém.

Ele estendeu a mão para ela e, depois de alguns segundos parecendo pensativa, ela foi até o moreno segurando firmamento a mão quente do rapaz.

— Vamos estar juntos e é isso que importa. Somos inatingíveis, não se esqueça — abriu um largo sorriso.

Sasuke costumava dizer que eram inatingíveis para acalmar a garota. Era uma forma de dizer que quando juntos, sempre estariam acima de tudo.

Ao ligar o carro, o rapaz olhou para ela e depois para trás. Aquela seria a última vez que olharia para trás. No momento em que o carro começou a andar, pode-se escutar um grito que seria capaz de alcançá-los mesmo que estivesse a quilômetros de distância.

— Droga! — disse ela com a voz engasgada.

— Não vamos parar agora — acelerou deixando tudo aquilo para trás. Sem se importar se aquele maldito prefeito faria algo ou não.

— Ele não vai permitir que a gente fuja.

— Temos que arriscar.

— Sasuke, acorde! Acabou. Essa loucura não vai pra frente.

— Você confia em mim? — ela o encarou. — Confia?

— Sim.

Ele apenas assentiu e acelerou o carro a caminho da tão sonhada liberdade.

Durante todo o caminho era possível ouvir as sirenes e as luzes vermelhas, mas ele era orgulhoso demais para simplesmente parar o carro e se dar por vencido.

Já estava no campo de visão a curva que os levaria para a fronteira com a cidade vizinha. Tudo estava dando certo, estavam quase alcançando quando um dos perseguidores bateu na traseira do carro. O automóvel saiu rodando pela pista totalmente fora de controle. Tudo que era audível naquela cena eram os gritos de desespero de Sakura.

Não era possível fazer nada, estava cada vez mais próximos do precipício, em alguns segundos a queda livre seria inevitável.

Antes que o carro chegasse ao precipício, Sasuke focou seus olhos na rosada e disse um “Eu te amo” mudo.

De fato, foi uma péssima hora para declarar aquelas palavras pela primeira vez. Nunca uma queda durou tanto tempo. O que ele sentia era que caia a mais de um dia.

O impacto com o chão doeu até a alma, mas o que mais doeu foi olhar para o lado e ver a mulher que amava machucada e, aos poucos, morrendo. Seus olhos verdes se encontram com as íris negras e ele foi capaz senti toda a sua dor.

Ele arrastou a mão com dificuldade em direção a mão de Sakura, que começava a fechar os olhos lentamente. Dava para notar ela lutando contra o próprio corpo, queria continuar acordada, queria tocá-lo. Mas o sono era tão intenso.

Mexer o braço nunca foi tão difícil para Sasuke. Era uma dor insuportável e, estar de cabeça para baixo não ajudava muito. Parecia que uma pedra o impedia de se movimentar para perto dela.

Seus dedos a alguns centímetros dos dele, já quase podia sentir seu toque macio, mas ela apagou. Estava tão pálida.

— Seu desgraçado — era a voz do prefeito, ele gritava.

Puxou a jaqueta dele colocando metade do corpo do moreno para fora. Aquilo o fez gemer de dor e quase vomitar sangue. O homem em sua frente o encarava com um olhar furioso que se afogava em lágrimas.

O primeiro chute na costela doeu como se fosse uma faca. O segundo parecia uma marreta quebrando seus ossos. Já o terceiro quase não foi sentido.

O prefeito descontava toda a sua raiva no corpo indefeso e machucado do Uchiha. O rapaz já sentia que estava a um ponto de desmaiar quando a fúria do prefeito foi interrompida por três policiais.

— Se ele morrer pelas suas mãos vai ser difícil explicar — falavam na tentativa de acalmar a fúria do homem.

Sasuke tossiu sangue e tentou buscar ar. Estava difícil respirar depois de tantos chutes nas costelas.

Um paramédico parou ao lado dele junto com mais dois e o rapaz negou desesperadamente

— Ela está desacordada. Ela primeiro — dizia com dificuldade.

— Se acalme e não diga nada. Já estão olhando ela — o rapaz tentava tranquilizá-lo.

O moreno tentou olhar para ver se realmente alguém estava cuidando de Sakura, mas antes que pudesse fazer isso sentiu suas pálpebras pesarem.

— Não durma Sasuke! Fique aqui comigo — o rapaz disse o trazendo de volta. — Consegue falar?

— Sakura, ela... — perdeu a força para falar.

— Ela está bem — o paramédico negou com a cabeça como se estivesse decepcionado. — Como você se meteu nisso?

Ele desviou o olhar para o paramédico. Os olhos cansados e os cabelos presos eram inconfundíveis. O Uchiha havia até se esquecido que Shikamaru havia se tornado um socorrista. Nara era um ex-companheiro da escola e às vezes saíam juntos quando era possível. Sasuke o considerava um membro importante do clube “Não devo me distanciar”.

— A filha do prefeito?

Sasuke sorriu de lado tentando parecer debochado.

— Quem diria que ela me daria bola — respondeu com dificuldade.

— Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Sabia desde quando saímos todos juntos e te vi a olhando daquele jeito apaixonado.

Shikamaru fungou. Tinha obrigação de manter o moreno acordado, mas estava entorpecido com muitos sentimentos. Sasuke era um amigo de longa data e era realmente difícil vê-lo naquela situação.

— Essa é hora que você fica falando coisas aleatórias pra me deixar acordado, esqueceu? — tossiu mais um pouco de sangue.

Shikamaru sorriu ao notar que o amigo realmente prestava atenção quando ele dizia algo. Uma vez mencionou como era chato ter que manter os pacientes acordados.

— Ela está realmente bem? — encarou o amigo.

— Ela não está acordada. É óbvio que tem uma equipe de primeira dando atenção a ela. Ela vai ficar bem. — Shikamaru queria acreditar em suas próprias palavras.

A maca chegou e Sasuke foi colocado nela com todo cuidado e levado para a ambulância. Era tumultuado e barulhento o caminho para o hospital. Ele mal conseguia sentir seu corpo, só conseguia ver o cabelo de Shikamaru se movimentando de um lado para o outro.

— Cara... Como a sua namorada acha esse cabelinho bonito?

— Que bom que tem força para fazer brincadeira.

Sasuke não sentia dor, na verdade ele mal sentia seu próprio corpo. Sua mente estava focada totalmente em Sakura. Se sentia tão culpado pelo ocorrido que preferia que o prefeito tivesse o matado de tanto chuta-lo.

Mas o Uchiha não permitiria que Shikamaru se preocupasse com ele. O paramédico era sensível e costumava se preocupar demais com os amigos. Ele até podia fazer uma ideia de como ele estaria se sentindo.

Afinal, tinha dois amigos a caminho do hospital em um estado grave.

— Eu estou bem — disse, mas sua pose foi arrancada quando sentiu o ar deixando seus pulmões.

Os aparelhos conectados a Sasuke não paravam de fazer barulhos irritantes e Shikamaru quase entrou em desespero.

— Batimentos aumentando — ele disse para o homem que estava junto a eles.

O homem mais velho abriu a camisa do rapaz e o tocou. Ele sentiu aquilo e sentiu muito.

— Merda — o homem disse. — Aquele maldito prefeito chutou seu amigo com muita força. É provável que ele tenha alguma costela fraturada.

— Droga! — Shikamaru quase gritou se segurando para não quebrar algo dentro da ambulância.

Sasuke quase não se importava consigo mesmo. Todos os pensamentos estavam em Sakura. Ela estava bem?  

May 15, 2018, 10:52 p.m. 1 Report Embed 1
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Luiza Souza Luiza Souza
Muito bom!!! Adorei 💖
May 20, 2018, 8:02 a.m.
~

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