Night Crusaders Follow story

sapphire Saint Sapphie

"Entretanto, um adendo: eu não estava preparado. Nunca estive. Não quando tudo resumiu-se em um Blue Martini, cheiro de cigarro e uma música da Mariya Takeuchi." KiriBaku | Two-shot | Centric!Kirishima.


Fanfiction Anime/Manga For over 21 (adults) only.

#yaoi #lemon #kiribaku #boku-no-hero-academia #Katsuki-Bakugou #Bakugou-Kirishima #Kirishima-Eijirou
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Capítulo I - Dance comigo.

Um hiatus desse, bicho.

Amores, plagio é crime, viu? Cuidado buiú, desço a mãozada no mei dos beiço. 

Fanfic dedicada a minha Rikka-chan/Kaya/Enzo Gabbryel Kujo, meu Jotaro. Bro, eu te amo. Obrigada por tudo. Por ser minha força, minha coragem. Eu juro que não me imagino nessa vida sem você, e eu acho que você merece o mundo. Como não posso dá-lo à ti, te dedico essa fanfic, que não é lá essas coisas todas, mas que eu juro que é escrita de todo o coração.

Amores da minha vida! Tem uma playlistzinha no final, com link e tudo, tá? Caso queiram acompanhar enquanto leem a fic, waaa ~~

×××




Você sabe. Tokyo nunca decepciona um visitante.

E eu não sei, talvez sejam as cores ou o conjunto do tudo no maçante particular de cada um. É uma reviravolta. É agitada, é constante. E é linda, desde suas vantagens aos seus pormenores; é isso o que a torna única. Quando o reluzir das estrelas cobre o breu dos céus em período noturno, ele traz consigo o ápice da vida ali; para mim, no mínimo, deleitável. Tudo toma um rumo, tudo torna-se bagunça, são dois distintos em sincronia e eu juro, eu não tô bêbado. Impossível é não deixar-se seduzir pelo arranjo de luzes e matizes que fazem-se presente em cada canto daquela cidade e tornam-a bela, bela e encantadora. Quando tratando-se de maneira autônoma, é Tokyo em sua mais plena essência, tal qual não basta ouvir falar; é preciso sentir. Fazer surgir na pele cada detalhe, cada arrepio, a euforia de uma noite que é eterna enquanto dura. “Deixem que entrem”, eles dizem. O abrir de portas e o neon estampado nos letreiros são a isca perfeita para puxá-los pelo anzol. Uns ganham dinheiro, outros privam-se ao puro divertimento, e ninguém sai prejudicado de uma boa noitada em Tokyo, há não ser que imprevistos aconteçam. E quem liga? Nunca é tarde para estar lá, nunca é tarde para deixar fluir. É raciocínio lógico posto em prática: pessoas querem divertir-se e que se dane onde estejam, e pessoas também sentem a necessidade, quase que extrema, de experimentarem o novo. Enquanto o mercado não satura-se, ceda ao júbilo. Ceda com gosto, com força. Ninguém irá te julgar por isso.

Entretanto, um adendo: eu não estava preparado. Nunca estive. Não quando tudo resumiu-se em um Blue Martini, cheiro de cigarro e uma música da Mariya Takeuchi.

Era em torno de nove e meia da noite e impressionava-me por deveras sentir correr em minhas veias a dinâmica constante, ainda que eu já devesse estar acostumado com tal. Este era o problema; não sabia se tal sensação era, de fato, consideravelmente boa. Relativo, eu diria. Não saber determinar em palavras o que é e o que não é já o torna, de certo modo, irritante. E eu precisava beber. Ser um professor em Tokyo é a maior furada, por muito o álcool me era a única e mais viável alternativa para controlar – ou quase – os nervos. No mais, para que inimigos quando tem-se amigos que apoiam suas sugestões e ainda fazem questão de serem a sua companhia? Mais uma noite em Tokyo, afogando-se no caos de cores. Não estou reclamando, ou um pouco, quem sabe. Gostos e métodos privativos de diversão às vezes aparentam serem mais interessantes do que a vida lá fora, e veja bem, confie em minhas palavras, pois nisso eu sou perita – aí, quem não gosta de uma boa cama, um pote de sorvete e Crepúsculo na tv? Okay, Crepúsculo foi exagero. Ou será que não? -. Todavia, a pedida era nova. Não que eu não me contente com um bar de esquina, inclusive, o meu bolso agradece, mas fui amaldiçoado pela curiosidade desde novo e não demorou para que o termo “burlesco” impregnasse em meus neurônios feito amor de primeira vista e eu quisesse mais, bem mais. Ainda por cima – e por sorte -, ganhei de presente algumas poucas informações de uma amiga, cujo mostra-se bem mais antenada do que eu quando tratando-se desse tipo de assunto.

Yuuga Aoyama possuía tudo nas mãos. Tinha grana, tinha vontade, tinha capacidade de administrar um lugar de grande porte. Esteve trabalhando em uma casa de strippers por tempos, mas em determinado momento, achou que sua inspiração deveria sair do papel e ser posta em prática antes que ela mesma enjoasse daquela vida noturna em Tokyo. Não, o igual não era para si; desde o momento em que tornara-se uma mulher transexual, ela decidira fazer valer à pena cada segundo de seu novo “eu”; e ele merecia mais do que um mero bar ou uma casa de strippers igual à todas as outras. A cidade já possuía brilho por deveras, mas nunca era o bastante enquanto ela não desse o ar da graça de acender-se, de preferência, mais do que todas as outras. Então o fez: a inovadora “Hellum” – Veja bem, derivando de “Hell”. Inferno. Curioso, não? - fora criada, trazendo ao público uma espécie de boate burlesca, cautelosamente remodelada para que houvesse a tão adorada essência de Tokyo. Um lugar tingido em matizes vívidas, onde indivíduos tem a oportunidade de trajarem suas melhores vestes, sejam elas tradicionais ou não, divertindo-se em proveito da grande singularidade de Hellum: as performances musicais. De fato, um musical soa clichê, mas Mina garantiu-me: não é de arrepender-se. Ainda utilizando-se do termo tardio adotado pelos Estados Unidos, no qual o burlesco relacionou-se diretamente ao erotismo e ao striptease no qual eu conhecia bem, Aoyama concluíra que nada melhor do que trazê-lo em forma de show de variedades; algo no qual todos iriam tirar proveito, em todos os sentidos. As performances não privavam-se tão somente ao corpo e os movimentos necessários para o despertar da euforia em outrem, como também combinavam-se à voz de cada um dos funcionários, escolhidos à dedo pela dona, que fizera questão de analisar as habilidades vocais de cada um antes de torná-los parte de seu trabalho. Com o ganho de olhares e adoradores gradativo em toda cidade, pessoas interessadas voluntariavam-se ou, por coincidência do destino, eram encontradas por Aoyama e convidadas à participarem da administração do local. Claro, seus funcionários não eram tantos e muito menos atendiam a demanda de clientes um por um, mas eram o suficiente para satisfazerem o público e fazerem o negócio crescer ainda mais que o esperado.

Existem coisas que eu desejo ver com meus próprios olhos. Certas pessoas na cadeia, dinheiro na minha conta bancária, e Hellum.

- Se beberem demais, eu juro que finjo que não sei quem são vocês.

Paramos. Os três, de frente à vasta entrada do local, chamativa. Curioso. Ainda assim, algo em mim ansiava pela Netflix em minha casa ou pela minha cama.

- Tem certeza que é uma boa, gata?

- Ih, confia, Hanta. Teve alguma vez que já meti vocês em furada? – Mina fingiu estar levemente ofendida. - ... Não responde.

- A vontade foi grande, viu.

- Cê sabe que se não for pra beber pra passar vergonha eu nem bebo. – Estalou a língua no céu da boca. – O negócio é perder as estribeiras.

- Qual o papo? Levou um toco do boy?

- Que boy? Tá pra nascer sapatão com mais cheiro de couro do que eu, querido.

- Você entendeu o que eu quis dizer, mula. – Mostrou-lhe a língua. Ela deu de ombros.

- Eu não preciso de motivos pra tomar um porre, neném.

- Você já é doida de natureza.

- Agora você entendeu. – Sorriu. – E não se trata só de mim. Nosso princeso aqui precisa dar uma relaxada. Né não, maninho?

Precisava, só não sabia como. É que meus sentidos eram bagunça tentando adaptar-se ao “novo” e aquilo era o muito no meu pouco atual. O barulho, os gritos de euforia, os esbarrões, o som alto que fazia-me tremer o corpo. A mistura de tons era de deixar-se um tanto tonto, entretanto, seria hipocrisia minha negar o esforço para tentar observar bem cada detalhe ao redor. Era, de fato, interessante. Bonito. Uma beleza desengonçada, mas era beleza. Era burlesque e adaptação, era o antigo e Tokyo. Tantos significados em um único lugar, no mínimo, despertavam estima. As melodias agitadas de grupos musicais variados faziam-se presente e, ao longe, avistei o palco. Era atração. Uma garota estava ali. Seus lábios próximos ao microfone, e público. Uma maré de pessoas fascinadas por ela.

- O que ela canta? – Indaguei. Alto o suficiente para receber uma resposta.

- “City Pop”.

Um susto. O olhar desfocado desviou-se para a direção no qual ouvira a voz, suave. E eu pisquei, talvez recobrando toda a atenção, quando finamente deparei-me com a moça alta, notoriamente bela; tão bela quanto Mina, alguém no qual eu digo aos quatro cantos que é linda e Hanta Sero apelida carinhosamente de “Miss Japão”. A moça possui cabelos curtos e loiros, um tanto bagunçados, mas nada que beire o feio. Ela trajava um belo kimono estampado em vermelho e dourado, fazendo-se de pé em um par de saltos baixos, porém o suficiente para deixarem-lhe um tanto mais alta do que o próprio Hanta. Ela sorriu. Ela me arrancou um sorriso.

- Bem, é o estilo musical. Não o conhece?

- Sendo sincero, não o conhecia por esse nome. Tenho a mania feia de chamar de “música de velho”.

- Justo. – Riu. – Uma boa concepção. Música de velho que os caras jovens gostam.

- Aoyama! – Mina sorriu largo, ganhando um abraço da moça. Então, ela era Aoyama; a mulher trans, a própria dona do local. Encantadora.

- Meu bem, a que devo o milagre de te ver por aqui? – Ela a fitou satisfeita após beijar-lhe a testa.

- Você sabe...

- Cachaça. – Sero interrompeu, levando um tapão da rosada. Aoyama privou-se a rir.

- Bom ver você também, Hanta. Onde está aquele seu amigo fofo?

- Deku? – Suspirou. – Dormindo, certeza. Pior do que eu.

- A diferença é que você não nega uma farra.

- Até nego, gata. Mas minha melhor amiga é Mina Ashido e ela é braba.

- Calúnia! – A moça defendeu-se. Aoyama assentiu levemente em concordância, e logo o seu olhar encontrou-se com o meu.

- E você, querido? – Observou-me. – Ainda não o conheço...

- Ah...

- Ele é Kirishima Eijirou. – Hanta sorriu. – A princesa do bonde.

- Céus! Agora lembrei-me! – A loira pareceu encantar-se ao se recordar de mim. Um sorriso pequeno formou-se em meus lábios, de puro acanho. – Não o conhecia de rosto, mas Mina já contou-me sobre você. – Ela reverenciou-me educadamente. – É um prazer. Todos me chamam de Aoyama. É um nome especial para mim.

- Nenhum dos dois conhecia o Hellum, acredita?– Mina intrometeu-se. – Eu puxei eles feito jumento pra que viessem.

- Aí, não querendo atrapalhar mas já atrapalhando. – Sero começou, chamando a atenção. – Mas quem é a beldade do palco?

- Hn? Oh, Momo! – Aoyama observou, sorridente. – Gostou dela?

- Eita, morena das morenas...

- Não tô crendo que cê já tá de olho em uma. – A Ashido riu. – Mas admito, é gata.

- Qual foi, talarica? – Fez careta, arrancando uma risada da amiga. – Vou até pra perto do palco, vai que tu atira.

- Meu amor, hoje eu sou do povo.

- Ih.

- Yo, Kirishima! – Mina me chama e eu a observo. – Vem com a gente?

Não é como se houvesse escolha; ver Hanta secando a cantora e Mina fazer amizade com Deus s o mundo. Não era algo ruim. Só não era lá a minha praia, nem algo no qual eu conseguiria fazer tão naturalmente quanto ambos. Quando menos esperei, os braços alvos foram puxados e não demorou para que seguíssemos para alguns sofás “vagos” no meio da multidão. Era animação. Real. Um show de variedades bem organizado e aclamado. A morena de kimono preto e voz consideravelmente poderosa cantava, as pessoas acompanhavam abaixo. Uns baixo, outros faziam questão de serem escutados, formando um bonito coro. Era, por si só, incrível. O conjunto do todo, em seu aspecto, dava vazão a um lugar mágico, tanto para se ver quanto para se vivenciar. Um suspiro. Um riso. Era até divertido analisar os rostos daqueles que não apreciavam de uma boa noitada em Tokyo e deixavam o desgosto estampar-se na face. Por um momento, fitei um rapaz desconhecido à minha frente, que aparentava estar tão desorientado ao ponto de estar vermelho. O entendi bem. Até senti pena. Talvez ele não voltasse àquele lugar uma outra vez nem que o pagassem. Finalmente, minhas orbes voltaram-se para a garota novamente. Mina e Hanta, já um tanto mais distantes, permitiam-me aproveitar um pouco do show quieto; mesmo que eu preferisse músicas nos quais eu conhecesse, de fato. Um suspiro. Não era um lugar ruim. Mas sabe, beber enquanto se assiste um dorama não me parece uma ideia ruim.

- É tédio? Ou não gosta de Junko Yagami?

Por um segundo, eu não respondi. Todavia, a mente avisava-me de que aquilo era para mim; e quando tudo em mim despertou do transe temporário, pude notar a presença dele. O cara sentado ao lado, o olhar focado na morena acima do palco, cabelos loiros levemente bagunçados. Dei de ombros.

- Número um. – Respondi. – Não sei quem é Junko Yagami.

- Isso me doeu na alma. – Céus.

- Perdão. – Não que aquilo fosse, de fato, verdadeiro. – Gosta do gênero?

- Aprecio tudo o que me bagunça por dentro. Gosto da sensação.

- Isso foi profundo.

- Desde já, peço desculpas pelo transtorno. É que às vezes transborda.

E ele me olhou.

Finalmente, me olhou.

E eu não me arrependi de ter me permitido observá-lo por uns três ou quatro segundos à mais. É que não há termos para serem usados, apenas sensações, inúmeras; como uma noite em Tokyo. Foi constante. Olhar naqueles olhos vermelhos foi pedir para ser sugado, e talvez parte de mim tenha sido. Hellum tomou uma outra forma. A música ainda tocava, Momo ainda cantava, mas pouco me interessava. Tinha um cara ao meu lado, falando-me sobre desordem e Junko Yagami e agora a bagunça sou eu. Todo. Sem beber uma gota de álcool.

- Mesmo se a bagunça for ruim? Se causar dor? – Indaguei. Mesmo que eu ainda estivesse interessado em observá-lo por mais um pouco.

- Hn... – Refletiu. – Até certo ponto. Sim.

- Isso soa masoquista.

- Por que? É livramento. – Disse-me em um suspiro. – É a partir do que sentimos que decidimos que caminho seguir ou não.

- Você é filósofo ou só tá bêbado mesmo?

- Eu tô fodido da cabeça, ruivo. – Sorriu pequeno. Puta merda.

- Okay, bom argumento.

- Não é assim que pessoas fazem quando estão na desgraça? – Comentou, pensativo. – Filosofam ao som de Kieta Saigon no Musume no meio de uma boate com um desconhecido?

- Eu normalmente só choro. E ouço Metallica.

- Metallica. – Assobiou. – É assim que você se deixa levar?

- Não parece uma boa?

- Parece intenso.

- Intenso. – Ri. Ele sorriu novamente.

- Finalmente.

- Hn?

- Te arranquei um sorriso.

Outro riso. Transtorno aqui dentro. Haviam aplausos, mas não eram para nós dois. A música havia acabado.

- Kirishima Eijirou. – Apresentei-me. – E não é difícil me fazer rir.

- Katsuki Bakugou. – Respondeu. – Em minha defesa, é um pouco, quando não se está no clima para rir.

- Me parece pior do que eu, Bakugou.

- Levei um toco.

- Na moral?

- Na verdade, não eu. Ele. Nós? – Coçou a nuca.

- Me parece confuso.

- Essa merda é difícil, meu. Pessoas se apegam demais à relacionamentos. Isso é supervalorizar.

- Você não acha necessário?

- Não acho que a vida resuma-se à privar. Talvez soe um pouco grosso, mas eu preciso me ter. E que se foda o resto.

- Você está realmente mal, Bakugou. – Sorri de canto. Entretanto, era notório: as palavras tinham um peso enorme. – Está “transbordando”.

- Estou.

De repente, as luzes apagaram-se. Ambos nos surpreendemos e eu devo ter saltado levemente no sofá, pois Katsuki riu. O local era iluminado tão somente pelas luzes do palco, mas ainda assim eu conseguia ver a jaqueta de couro preta do rapaz, a calça surrada, a camisa cinza por dentro. Não havia música, porém, o tinido irritante dos gritos histéricos dos clientes fazia-se presente, em alto e bom som. Em um momento, era o rosto dele voltado em direção ao meu e deixei-me fitá-lo em silêncio, procurando em sua face algum motivo para que ele me observasse em demasiado, daquela forma. Bakugou tinha o dom de me instigar a curiosidade aqui dentro. De me fazer querer saber mais, mesmo que eu devesse não estar dando o mínimo para a porcaria do relacionamento conturbado ou seja lá o que era aquilo. Entretanto, havia algo nas palavras dele. Na face alva, nos cabelos desgrenhados, no sorriso torto e no olhar profundo. E eu gostava. Como não gostar de algo que tirou-lhe do tédio de um momento para o outro tão facilmente; e sem álcool? E a música tivera início. A animação contagiava, as pessoas levantavam os braços e lançavam ao vento palavras de apoio ao suposto funcionário que logo apareceria. Conforme a música tocava em uma introdução melodiosa, as vastas cortinas vermelhas abriram-se, finalmente dando ao músico a visão perfeita do rapaz ali em cima, sozinho, por trás do microfone de cor vermelha. As vestes, assim como as dos demais funcionários do local, eram trajes tradicionais japoneses, porém este não havia estampa. Era liso, vinho, escuro o suficiente para destacar-se como ninguém naquele local. Okay. Havia conseguido a minha atenção por um ou dois minutos antes que Katsuki decidisse dar o ar da graça novamente.

- Tá afim de fugir, ruivo?

A voz poderosa do rapaz ecoara pelo local quando este decidira abrir a boca. A plateia parecera ir à loucura quando a música, repentinamente aumentara de velocidade e o jogo de luzes acompanhavam as batidas. O rapaz pegara o microfone para si, colocando-se à cantar majestosamente bem, arriscando notas altas e acertando-as perfeitamente. Eu não estava nem aí. O cara do lado estava me chamando para fugir com ele.

- Certo, isso foi repentino. – Eu pisquei. Ele sorriu.

- Eu preciso de um Blue Martini e um cigarro. – Deu de ombros. – E você?

- Eu... – Pensei. – Preciso de ar.

- Mais um motivo para sair daqui.

- Eu acabei de conhecer você, Bakugou.

- Eu acabei de conhecer você, Kirishima. – Ele confirmou. – A sua cara de morto vivo mata o meu fã de City Pop interior e não, eu não te culpo, porque eu sei que a playlist não está ajudando.

- E qual é o seu plano?

- É fazer valer à pena.

- Não seja tão objetivo.

- Não tem coragem?

- Tenho de sobra.

- Então foge comigo, Kirishima.

Eu queria me concentrar no cara do palco. A plateia surtava. Eu surtava, em minha singularidade; Bakugou era louco. Ou talvez não tivesse noção do que estivesse falando, ou talvez estivesse tão fodido da cabeça ao ponto de ferrar com seus neurônios. Subitamente, as coisas pareceram esquentar em Hellum. Minhas veias queimaram e por um instante o coração batera forte, forte e descompassado, como se estivesse a acelerar inesperadamente. Queria saber se somente eu sentia-me estranho daquela forma, a porcaria da dificuldade em não saber discernir uma boa sensação de uma ruim. Ele ainda me encarava. Insistia com o olhar, e meu interior teimava: “pense sobre isso”. Tentador. Puta merda, se Katsuki era louco, eu mesmo era pior por ainda achar-me na possibilidade de aceitar algo como tal. O olhar observou ao redor. Euforia. Show. Canção. Bakugou. O mundo está cheio de caras ruins escondendo-se atrás de sorrisos, entretanto, há algo nele. Me puxa. Essa merda é gravitacional.

Um suspiro. Droga.

- Para onde quer ir? – Indago. Bakugou deixa um sorriso delinear-se em seus lábios. Mancada dele.

- Poderíamos sair desse inferno e ir beber em qualquer bar de esquina. Mas muito me agrada a ideia de te fazer aceitar dar um rolê. – Ele estalou a língua no céu da boca. Eu arqueei uma das sobrancelhas. – A noite é uma criança, Kirishima. Deixe-a crescer. Que deseja fazer?

- Tsc. Você é bom com as palavras.

- Você acha?

- Eu conheço um lugar bacana. Seu Blue Martini pode esperar?

- É a nossa primeira parada?

- Lá não toca Junko Yagami, Bakugou. E nem essa merda toda.

Ele riu baixo. Achei que haveria desconforto, mas surpreendi-me ao perceber a ansiedade corroendo-me de dentro para fora; excitante. Animador. Promissor. Ele lambeu o lábio inferior e levantou-se lentamente, espreguiçando-se, não demorando em estender-me a mão direita em modesto ato de auxílio. É que não havia como negar, nem mesmo se eu quisesse, de fato: ele era interessante. Curioso, na forma de um homem bonito, de palavras bonitas e olhos assustadoramente... Bonitos. Nossos olhares encontraram-se uma segunda vez, e dane-se tudo ao redor. Algo despertava, e eu me sentia um completo idiota por estar tento uma aparente crise de ansiedade naquele instante só por sair com um cara. Ainda havia público. Gritaria, animação, um povo tentando recuperar-se de mais uma performance acabada. Minha mão encontrou-se à dele e com sua ajuda eu me levantei, logo ajeitando as vestes, fitando-o à espera de um novo passo. Bakugou passara os dedos entre os fios loiros de seus cabelos em um afago. Suspirou. Iria desistir?

- Certo. – Concordou. – A madame se importa se formos de taxi? Teremos uma longa noite pela frente.

××× N I G H T C R U S A D E R S ×××

No taxi. Com ele. Um completo idiota.

Talvez estivesse faltando bom senso de minha parte. E não só a porcaria do nervosismo revirando o meu estômago, como também a irritação repentina comigo mesmo; imprudente demais. Deixar-se levar demais. E eu não cresci assim, em nenhuma hipótese, não como ele queria. E talvez seja até paranóia minha, mas adoro quando as coisas estão sob o meu controle e quando percebo que terão de ser na base do improviso... É desesperador. Entretanto, eu estava ali. Dentro do taxi. Com Bakugou, e o tal motorista que por sinal era um conhecido dele. O loiro pareceu animar-se ao ver o amigo entrar no carro e ambos se abraçaram, em um cumprimento despojado, cena confortável de se ver. Katsuki me encarou. Já estava pronto para as apresentações que estavam por vim.

- O idiota aqui é um grande amigo, por incrível que pareça.

- Aí, soa meio merda perguntar se é teu namorado?

- Soa. – Deu um tapão na cabeça do loiro, que resmungou. – Esse é Kirishima Eijirou. Vamos cruzar a noite juntos hoje.

- Kirishima, ele fala umas coisas estranhas mesmo. – Finalmente, o rapaz virou-se. Deparei-me com os cabelos loiros e curtos, os olhos claros e um sorriso tão largo e brilhante ao ponto de me fazer sentir vontade de sorrir de volta. – Eu sou Kaminari Denki. Aí, se ele começar com merdinha, cê pode me chamar. – Kaminari estendeu-me um pequeno cartão. – Juro que te salvo.

- Hahaha. – O Katsuki debochou. – Engraçado, porra.

- E então, qual que é a parada?

- Kirishima. – Bakugou apontou para mim e eu logo aproximei-me dos bancos da frente.

- Sabe o clube noturno Nightmare?

- Ah, eu sei sim. – Ele piscou algumas vezes. – É para lá?

- Exatamente.

- Cara, eu daria tudo para ver o Kacchan lá. – Denki riu, dando partida. Katsuki estalou a língua no céu da boca.

- A próxima pedida é minha, então tenho de fazer esse esforço. – Suspirou. – Para que inferno a madame está me levando?

- Que mania feia de me chamar de madame. – Revirei os olhos. – E você vai desfrutar de algumas boas músicas. Relaxa aí. Teu apelido é Kacchan?

- Por Deus. – Tal comentário me fez rir. – Metallica?

- O que, ele gosta de Metallica? – Kaminari intrometeu-se. – Kirishima, sabia que o Bakugou gosta de Frank Sinatra? E chama ele de Kazinho que é sucesso.

- Kazinho é seu rabo.

- Você realmente gosta? – Certo, os gostos de Katsuki Bakugou eram diferentes dos meus. O rapaz, em determinado momento, baixou o vidro do carro ao seu lado quando de repente pegara um maço de cigarro de seu bolso interno na jaqueta de couro junto ao isqueiro, acendendo-o. Ele me fitou como se me oferecesse. Neguei.

- Fly Me To the Moon é inegavelmente encantadora. Todos deveriam escutar.

- Vê se é fresco. – Denki provocou e eu sorri.

- Nós não parecemos nada um com o outro, Bakugou.

- E você não acha isso incrível?

E era. Assustadoramente incrível.

Ele tragava o cigarro com calma enquanto dialogava com o loiro, que seguia caminho pelas ruas da cidade. Conversavam sobre qualquer coisa que não fosse bem de meu interesse, mas que vez ou outra chamava-me a atenção, de certo modo, e eu me pegava admirando aquele clima afetivo entre ambos, o relacionamento fraternal entre dois amigos que já conheciam-se há tempos. Durante o caminho, não me esqueci de enviar uma mensagem para Mina, avisando-a onde estava. Não queria que desse problema para os dois e muito menos dessem piti quando notassem que Kirishima Eijirou havia desaparecido do local subidamente e sem deixar rastros. Huh, parte de mim ainda culpava-se. Provavelmente aquela parte chata que insistia em não deixar-me em paz, a parte racional. Em torno de dez minutos na estrada, Denki finalmente parara o carro de frente ao famoso Nightmare; o meu lugar favorito em toda Tokyo. Na verdade, acho que o lugar favorito de muita gente que curte o mesmo estilo musical que eu e precisa disso para acalmar os nervos. Um toque de bateria, um solo de guitarra, bingo! Minha calmaria. Sabe, Mina não curte tanto. Entretanto, temos Hanta no trio e por sorte nosso amigo tem gostos bem ecléticos. Nós nos despedimos de Kaminari, que ofereceu-se para nos buscar caso a gente precisasse de alguma carona. Um cara legal. Saímos do veículo, eu e Bakugou, e ele me fitou com um sorriso de canto, talvez estranhando um pouco a situação. Eu suspirei. Nightmare é um lugar incrível. Tem muitos significados pra mim. E isso não quer dizer que seja, de fato, bom.

Mal entramos e tudo em mim despertou ao ouvir os acordes de Immigrant Song.

- Droga. – Murmurei. – Eu amo essa música.

Estava lotado, como sempre era. O lugar consideravelmente escuro, iluminado tão somente por algumas poucas luzes espalhadas, mantinha como foco o palco e a banda a tocar ali em cima as músicas mais pedidas pelo público naquele dia. Funcionava assim: a galera que chegava mais cedo teria o prazer de fazer uma participação especial na formação da playlist da noite, consequentemente, poderia muito bem ter sua música favorita tocada ali. Huh, já fiz isso aos montes. Uma moça de roupas extravagantes passara com algumas bebidas. Eu peguei duas, em seguida, oferecendo uma para o loiro ao meu lado, que até o momento ainda observava o local com certa atenção; uma curiosidade quase que inocente. O cigarro ainda estava preso entre os lábios. Bakugou não sorria, entretanto, algo me dizia que ele não estava irritado, de fato.

- Me trouxe para um show de rock. – Ele pegou o copo. Eu ri baixo.

- Bem-vindo ao Nightmare.

- Isso é Metallica?

- Não me mata assim!

- Aí, você me disse que não conhecia Junko Yagami, então não fode, porra. – Ele sorriu de canto, bebendo um gole da cerveja.

- Estamos quites, “Kacchan”. – Provoquei. Ele arqueou uma das sobrancelhas.

- Não acredito que o projeto de piriquito te convenceu a me chamar assim, madame.

- É vingança por me tratar feito madame. – Retruquei. – Vem. Tem uma mesa dando sopa ali.

Eu o puxei pelo braço e Katsuki nada disse-me. Desviando de algumas pessoas espalhadas pelo local, não demorou para que nos aproximássemos da pequena mesa vazia, com duas cadeiras medianas ao redor. Nos sentamos. Um de frente para o outro. Ele tragava o cigarro, eu cantarolava alguns versos de Immigrant Song. We come from the land of the ice and snow, from the midnight sun where the hot springs flow.

- Então essa é tua vibe. – Ele comentou. Era impressão minha ou estava meio estranho?

- Uhum. – Respondi. Ele tirou o cigarro da boca para beber um pouco do líquido do copo.

- É assim que você sente tudo?

- É assim que eu não sinto nada. – Ele me fitou. Suspirei. – Ah, tipo, a guitarra chorando, música alta, cerveja. Isso é bom. É o que me diverte, Bakugou. É o que me tira do marasmo.

- Hm.

Ele estava estranho. O tinido das notas do baixo e da bateria eram geniais, mas não me causavam tanto impacto quanto o olhar perdido de Katsuki Bakugou. O olhar de quem refletia, o olhar de quem mergulhava no próprio íntimo e perdia-se ali, tampouco encontrava-se, quem sabe gostaria. Ele suspirou. Eu o observei, a face alva, os fios loiros, os olhos vermelhos e intensos. Recordei-me das palavras dele. Puta merda, o toco.

- Aí. – O chamei. – Cê tá legal?

- Hn? – Ele pareceu voltar a atenção para mim. – Cara... Eu tô viajando na maionese.

- Cê tá o próprio Hot Dog, meu.

- Que expressão merda, Kirishima. – Ele riu. Aquilo me fez suspirar aliviado.

- Finalmente riu, hein.

- Não fode. – Coçou a nuca. – É o cara. Tá ferrando comigo.

- E o que a gente deveria fazer? Tipo, bater nele? Passar a porra de um trote?

- “A gente”? – Sorriu de canto. Eu assenti.

- Nós vamos cruzar a noite juntos. Você mesmo disse. - Aplausos. Todo aquele dialogo parecia ser composto por frases de efeito quando ouvíamos o som das palmas ecoando sobre o local. Mais algumas notas tocadas e não fora preciso tantas para que eu soubesse qual era a canção a ser iniciada: era Scorpions. – Caralho, aí. Um cigarro, um copo de cerveja, Still Loving You tocando e pronto, tá feito a desgraça.

- Mil vezes merda, ruivo. – Ele bebeu um gole do álcool. – Cê tá criando um monstro.

- Sente o clima e detona, cara. Eu sou todo ouvidos.

- Depois não diga que eu não avisei. – Ele tragou o cigarro uma última vez. Meus olhos eram todos dele. – Aconteceu uma merda das grandes no passado.

- Tipo briga?

- Briga não. Isso aí é fichinha, tá ligado?

- Então o quê?

- Eu me apaixonei.

Eu quis rir. Eu quis suspirar em empatia, pois sabia o quão aquilo era ruim.

- Morei fora por alguns anos. Seoul, Coréia. – Seu olhar fitou qualquer canto que não fosse eu. – Eu conheci um cara por lá. Japonês como a gente. Me senti bem pra caralho.

- Foi ele quem te deu o toco?

- Ele morreu, ruivo.

Por um instante, a música pareceu parar. Não somente pela forma como descobri, mas pela forma como o loiro cuspira as palavras em mim, de certo modo. É que não é impossível sentir, mesmo que ele insista em esconder por trás daquela seriedade aparente e dos olhos vermelhos feito fogo, o peso de um termo como “morte” nunca desaparece. Nunca. Principalmente quando ligado ao amor; na minha opinião, este é o que mais dói.

- Todoroki não tinha uma boa vida. – Ele deu continuidade. – Tinha problemas com a família por ser gay. Por ser quem era. Ele sempre me contava. Sempre. Soava vago para caralho dizer que tudo iria melhorar, só que eu não sabia como. Eu nunca soube, ruivo. – Ele suspirou. – Ele transbordava, eu transbordava, e nós não chegávamos a lugar nenhum.

- Foi... Suicídio?...

- Ele sangrou até morrer. – Minha garganta ardeu e eu senti os braços arrepiarem-se. Merda. – Eu deveria ter ído ao velório. Nunca suportaria ver tanta mentira em um lugar só. Ele não merecia. – Tomou um gole da cerveja. – Eu vim morar aqui depois de um tempo, consideravelmente recente, na verdade. Nasci em Sapporo, morei e Seoul e agora estou em Tokyo. O fora foi antes de chegar aqui. Um amigo. Sabe, eu não tô afim. É que sei lá, ainda me dói. Uma porcaria, ruivo.

Katsuki comprimiu os lábios, parecendo estar imerso em seus pensamentos enquanto fitava o palco com o olhar perdido. A música ainda tocava. Lenta e melancólica, parecia ser perfeita para o momento. Já eu fiz questão de encará-lo naquele momento, já que eu realmente não esperava aquele comentário vindo dele. Silêncio novamente. Droga. De fato, aquilo me pegou de surpresa. Eu normalmente não me sentia mal pelas pessoas, principalmente ao conhecê-las tão recentemente como era o caso dele, entretanto, aquelas palavras pareciam partir o meu coração de uma maneira jamais vista antes. E fora algo tão repentino; de repente nos encontramos em uma noite e cá estamos nós, compartilhando coisas que provavelmente ninguém no mundo compartilharia dessa maneira, nem se estivesse doendo tanto. Mas cá estava ele. O loiro com cara de poucos amigos depositando sua confiança em mim. E eu mal sabia quem Katsuki Bakugou era; todavia, a diferença já estava ali, notória, visível à olho nú, esta que me assustava e me surpreendia ao mesmo tempo.

Vê-lo mal daquela forma também me deixava mal. Suas palavras, de certa, me tocaram. E sabe quando o corpo de repente decide agir por impulso e tu só percebe quando já tá feito? Isso acontece comigo, o tempo todo. E aconteceu. Minha mão encontrou-se com a dele. Em um gesto silencioso de apoio, conforto, um “hey, tá tudo de boa agora”. Palavras não soavam confortáveis. Nunca soavam. Ele entendia muito bem, e por isso eu sequer insisti em fazer com que alguma delas escapasse de meus lábios naquele momento; éramos eu, Bakugou, as mãos entrelaçadas e Scorpions tocando ao fundo. Uma boa cena de filme para o enredo que era essa vida. Bem merda.

- Hey. – Eu o chamei. Ele me fitou Por algum motivo, não havia afastado minha mão. – Já que estamos nessa, posso te contar uma bomba? Meus amigos ainda não sabem.

- O quê?

- Eu fui demitido. – Estalei a língua no céu da boca. O sentimento de impotência era inegável. – Deu a maior merda no trampo.

- Cê tá zoando? – Ele piscou algumas vezes. Eu neguei com a cabeça. – Caralho, ruivo. E agora?

- E agora que vou ter que rodar Tokyo atrás de um novo emprego. Qualquer um. Preciso trabalhar. – Ri sem jeito.

- Isso é surreal! – Ele exclamou e eu o fitei.

- Estamos no mesmo barco, Kacchan. Ferrados.

- Sabe o que é mais estranho?

- O quê?

- A merda da música. Eu gostei dela. – Ele sorriu de canto e eu retribuí, quase que automaticamente falando. – Qual o nome dela?

- Still Loving You.

- Ela é boa. Vibe aprovada, Kirishima.

Nota mental: Katsuki Bakugou é um cara legal.

E eu estava estranhamente contente por conta disso. Bem, não sei ao certo definir, na moral. Mas tinha a sensação clara de que eu tinha feito a coisa certa, entende? É estranho, porque há algum tempo atrás eu queria me jogar do carro por achar que estava fazendo a coisa errada e, entretanto, dessa vez parecia ser tão correto aproximar-me de Katsuki Bakugou que por um momento me vi suspirando de alívio ao invés de estar tão nervoso quanto antes. Ainda acreditava, de fato, que demoraria um pouco para que eu me acostumasse ao loiro e aquela sua personalidade no qual eu não conseguia entender, até certo ponto. Ainda havia algo nele no qual me era extremamente custoso decifrar. Contudo, isso é coisa que o tempo consertaria para nós dois, quem sabe? Nunca é tarde quando se está em Tokyo. Nunca. Bakugou chamara por Denki e não demorou por muito para que estivéssemos no carro novamente, os três, juntos. As horas passavam, mas pouco nos importávamos; ainda havia mais uma segunda parada.

- Como foi? – Kaminari indagou curioso. Estávamos exatamente como antes; ambos nos bancos da frente, eu no de trás. – Kirishima, ele se comportou bem?

- Cê tá de merdinha por que, piriquito? – Bakugou provocou, eu ri.

- Ele curtiu. Fala pra ele, Bakugou.

- Não foi tão ruim assim.

- Eu acho que isso significa um “foi bom pra caralho”. – Defendi-me e Denki riu, concordando.

- Agora tu pegou a essência da coisa. – Comentou. Katsuko sequer decidiu rebater. – E aí? Qual a próxima parada?

- Minha vez. – O loiro sorriu largo, ajeitando-se no banco. – Aquele lugar de sempre, Kaminari.

- Cê não cansa?

- Nem. – Respondeu, mostrando-lhe a língua. – Deixa de conversinha.

- Okay, okay. – Ele assentiu, sem mais rodeios. No mais, o observei remexer o som do veículo em seguida. – Aliás, já que cês tavam falando do gosto musical de vocês, vão ter que aturar o meu agora.

- Ih. – Kacchan riu. – Aí, ruivo. Tu curte Beyoncé? O piriquito gosta.

- Sério?

Kaminari nada me respondeu. Tudo o que fez foi erguer o indicador, aumentar lentamente o volume da música até que ela começasse e ele pudesse finalmente fazer a sua performance icônica como dublador do rapper. “You a bad girl and your friends bad too oh, we got the swag sauce, she drippin' swagu”. Ele deu partida. E lá fomos nós, ao som da batida gostosa da canção – que, segundo ele, chamava-se Party -, das tiradas de onda de Katsuki Bakugou e das danças nos quais Kaminari Denki não conseguia conter; eu até o entendia, em partes. Minha cabeça parecia agir por conta própria quando The Four Horseman do Metallica dava o ar da graça e pronto, era o corpo mergulhado no ímpeto e foda-se o restante. Sinceramente, aparentemente era uma festa no taxi. A cidade era imensa, o trânsito estava um inferno, mas nada para se estressar. Não quando se tinha um motorista coreógrafo que arriscava alguns passos desengonçados quando tinha chance e, obviamente, por que não tentar? Bakugou não quis. Ficou observando o trajeto pela janela do carro enquanto eu e Kaminari criávamos uma performance digna de um Oscar – ou não -.

Dessa vez demorou um pouco. Quando finalmente o carro parou, e Bakugou me murmurou um “chegamos, madame”, eu me permiti observar rapidamente o local através do vidro do veículo antes de descer; curioso, eu diria. Entretanto, extremamente belo e agradável por fora, por assim dizer. Um lugar cujo lhe instiga a estima de entrar e saber o que diabos há lá dentro de tão bacana. Ao lado, os letreiros: “Neotokyo Disco”. Wow, parecia até vingança; se eu o levei até um suposto show de rock, nada mais justo do que me trazer até a essência dele. O Disco, o City Pop, aquilo que o bagunça por dentro e por isso ele gosta. Nós descemos do carro após nos despedirmos de Denki e eu não posso negar, até suspirei desanimado por deixá-lo para trás naquele instante, já que era um cara divertido. Todavia, subitamente, senti Bakugou envolver um de seus braços em volta de meus ombros, sorrindo de canto, fazendo-me fitá-lo por um instante. Suas orbes encontraram-se às minhas. As orbes vermelhas e profundas pareciam flamejar, desde o momento em que o conheci. “Vamos entrar?” era um pedido silencioso no qual eu não neguei. Por que negaria? Ambos entramos juntos.

O baque inicial foi notório. Neotokyo Disco não era nada mais, nada menos do que uma espécie de bar, como Hellum. Mas assim tal qual, era revestido por pormenores que o tornavam único em sua singularidade. Enquanto Hellum carregava as características do burlesco e as performances musicais como principais atrações do local, Neotokyo Disco era o próprio conceito de City Pop vinculado ao moderno e, puta merda, genial. Genial. A pessoa que decidiu abrir esse lugar numa cidade como Tokyo merece tudo no mundo, porque até eu que não sou tão conhecedor do gênero encantei-me com cada detalhe do que foi posto. Desde a harmonia de cores como lilás, azul, rosa em tons consideravelmente amenos até o conjunto bonito do local em si com as músicas, mesmo que eu não as conhecesse. Havia uma tocando. No meio do local, iluminado por feixes de luzes, uma pista de dança enorme. Um pouco mais acima, o DJ. Pessoas dançavam. Outras tão somente sentavam-se e bebiam. E eu poderia passar mais meia hora observando tudo e caracterizando detalhe por detalhe, se não fosse Bakugou me puxando logo em seguida para sentar-se de frente ao balcão e pedir o famigerado Blue Martini. Eu tive preferência por uma Vodka.

- O seu olho até brilhou , ruivo. – Ele comentou em tom de provocação, o que me fez sorrir.

- Tsc, qual é. Eu nunca estive em um lugar assim antes. – Defendi-me. – É Junko Yagami tocando?

- Não fala isso...

- Que é? Cê também confundiu no Nightmare, cabeção.

- É Kaoru Akimoto. “Dress Down.” – Sorriu. – Um ícone.

- Peço perdão ao ícone. Você vem sempre pra cá? – Indago após perceber que as bebidas chegaram. Katsuki beberica seu Blue Martini com certo gosto, provavelmente por já almejá-lo há um tempo.

- Todas as vezes em que tenho tempo livre... E vontade. – Me responde. – Mas não demoro muito. Eu venho mais para tomar uma dose ou duas. Fim.

- Não é aqui que você sente tudo?

- Deveria ser. – Suspirou. – Mas, sei lá. As coisas vem à tona quando se está sozinho em casa.

- A sua veio à tona quando você estava em um show de rock comigo.

- E isso é novo pra mim, ruivo.

- O quê? Ouvir Scorpions?

- Também. Não exatamente. – Riu baixo. – Falar com alguém. Contigo. Foi bom.

Sorriu de canto após mais um gole. Retribuí o gesto. Por algum motivo, aquilo me esquentava o peito.

- Foi uma honra, Kazinho.

- E o que vai fazer? Em relação ao emprego.

- Eu não sei. – Respirei fundo. – Aquela velha história de mandar currículos e segurar na mão de Deus.

- E você é...?

- Professor. – Ele arregalou os olhos. – Uhum.

- Colegial, ou...

- Colegial.

- Entendo. Te deram motivo, pelo menos?

- Na verdade... Você sabe. Existe preconceito enraizado em nossa cultura. É meio difícil. Principalmente quando se tratando de cor ou sexualidade.

- Eu entendi essa merda. – Ele suspirou. – Eles sabiam sobre você.

- Descobriram, de certa forma. Eu trabalho. Não misturo vida social com trabalho mas também não me privo tão somente à ganhar grana. Eu também quero sair por aí e beijar na boca. Independente de gostar de mulheres ou homens ou sei lá.

- Entendo. E eles te demitiram por conta disso.

- Não em primeira instância. – Um suspiro. – Mas foi uma bola de neve. Problemas na instituição, a bomba explodiu, foram três, aproveitaram e chutaram minha bunda.

- Caralho, Kirishima. – Ele parecia indignado. Não o culpo. – Que bando de filhos da puta.

- Essas coisas acontecem, Bakugou.

- Mas não deveriam, cara. Pessoas morrem por conta disso, sabia?

Ferida tocada.

Todoroki. Eu comprimi os lábios um tanto preocupado, observando o olhar do loiro queimar mais do que eu já havia visto naquela noite. A feição fechara-se. Ele não parecia bem. É claro que não estava bem. Qualquer um no lugar dele irritaria-se com tal. Não dá para simplesmente engolir algumas injustiças do mundo, Bakugou sabe perfeitamente do que estou falando. Suspirei fundo. Precisava pensar. Precisava agir. Precisava dizer-lhe algo para deixá-lo leve; não fazê-lo transbordar, não ali, ele não precisava daquilo. Nós não precisávamos. Porém, subitamente – e por sorte do destino, quem sabe -, houve uma troca na playlist. Houveram gritos de comemoração quando as primeiras notas foram ouvidas, as palmas, algumas pessoas correndo para a pista. Mudança de matizes dos feixes de luzes. Katsuki piscou os olhos algumas vezes, esquecendo-se de seu Blue Martini por um momento, fitando o DJ ao longe.

- Puta que pariu.

- O que? Junko Yagami? – Eu o encarei. A música havia sido iniciada.

- Para de achar que tudo é Junko Yagami, madame. – Rebateu. – É Mariya Takeuchi.

- Vou fingir que sei quem é. – Sussurrei.

- Eu gosto dessa música. Porra.

Algo me estalou na mente. Ele gosta da música. Levantei-me de maneira repentina. Katsuki me fitou confuso e eu sorri, segurando-lhe sua mão sem pedir permissão. Ele piscou algumas vezes. Eu ri baixo.

- Vem. Vamos pra pista.

- Cê tá louco? Eu não sei dançar, Kirishima!

- Finalmente concordamos em algo, porque eu também não sei. E vem logo senão morto teu braço e não sei se percebeu mas meus dentes são meio afiados...

- Meio!?

Gargalhei ao me deparar com a reação exagerada dele, mas não desisti. Puxei Bakugou feito burro para que me seguisse até a pista de dança e, vendo que eu iria insistir até que ele estivesse lá, cedeu. Logo estávamos os dois, em meio àquela gente animada, ao som da tal Mariya. Percebi que a galera realmente a conhecia bem; cantavam em um bonito coro, como quando decidiam tocar Guns and Roses no Nightmare. Encarei Katsuki. O loiro demonstrava notoriamente estar perdido ali, fitando-me com os olhos de quem pedia auxílio para fazer qualquer que fosse o intuito de estar ali metido na bagunça e eu só conseguia rir. Minha consciência repreendia: “não seja tão mal com ele, Kirishima”. Quiçá, vi-me a remexer o corpo conforme seguia a batida suave da canção, que não era tão ruim quanto eu imaginava ser; na verdade, era até gostosa de se ouvir. Encarei o loiro na minha frente. O sorriso de canto e a mordida de leve no lábio eram uma súplica silenciosa para que ele tentasse. Katsuki sorriu pequeno; estava deixando-se levar e aquilo ela extremamente satisfatório.

“Totsuzen no kisu ya

Atsui manazashi de

Koi no puroguramu o

Kuruwasenaide ne

Deai to wakare jouzu ni uchikonde

Jikan ga kureba owaru don't hurry!

Ai ni kizutsuita

Ano hi kara zutto

Hiru to yoru ga gyaku no

Kurashi o tsudzukete

Hayari no disco de odori akasu uchi ni

Oboeta majutsuna no yo i'm sorry!”

“Com um beijo súbito

E um olhar impetuoso

Por favor, não fique louco

Com a programação do amor

Com reuniões gentis e despedidas tão bem planejadas

Tudo vai acontecer no devido tempo, não se apresse!

Eu já fiquei apaixonada

Desde aquele dia

Dia e noite continuando

Com essa vida prejudicada

Enquanto um fantástico disco dançante

Você se lembra daquela magia, desculpe!”

Então ele arriscou. Como quem mergulha na água fria, gradativamente, lentamente, temendo algo. Mas fez. E foi tão bonito, vê-lo suspirar fundo e movimentar o corpo, soltando-se aos poucos, como se estivesse finalmente sentindo a vibe, a sua vibe. Eu ri. Ri de prazer, ri de deleito. Bakugou também riu. Nossas mãos fizeram questão de encontrar-se durante a dança desengonçada, e foda-se aquela merda toda, era bom. Extremamente bom. Todos poderiam olhar o quanto quisessem, e qualquer coisa a gente dava uma de doido ou sei lá.

“Watashi no koto o kesshite

Honki de aisanaide

Koi nante tada no geemu

Tanoshimeba sore de ii no

Tozashita kokoro o kazaru

Hadena doresu mo kutsu mo

Kodokuna tomodachi

Watashi o izanau hito wa

Hinikuna mono ne itsumo

Kare ni ni teru wa naze ka

Omoide to kasanariau

Gurasu o otoshite kyuu ni

Namidagun demo wake wa

Tazunenaide ne”

“Nunca me ame seriamente

Se você gosta

Do jogo do amor

Fique bem então

Vestidos extravagantes e sapatos

São os amigos que decoram um coração

Solitário que foi fechado

Ironicamente, todos os caras

Que me pedem pra sair

Se parecem com ele

Por que eu relembro essas memórias?

Mesmo que de repente

Eu deixe cair um copo

E encha meu olhos de lágrimas”

Seu braço ergueu o meu e eu rodopiei. Uma gargalhada. Sua destra tocara minha lombar e me puxara para mais próximo de si. Nós dois, só nós dois. E ele sorria largo como eu ainda não tinha visto antes, eu não sabia se era a porcaria do Blue Martini, se era a tal da Mariya Takeuchi ou se era a bendita dança. Entretanto, tanto faz. E que se dane a demissão e mágoas passadas. Três minutos de felicidade são o suficiente para não levarem um homem à loucura.

“Watashi no koto o kesshite

Honki de aisanaide

Koi nante tada no geemu

Tanoshimeba sore de ii no

Tozashita kokoro o kazaru

Hadena doresu mo kutsu mo

Kodokuna tomodachi

Yofuke no kousoku de

Nemuri ni tsuku koro

Harogen raito dake

Ayashiku kagayaku

Kouri no you ni tsumetai onnada to

Sasayaku koe ga shite mo don't worry!

I'm just playing games

I know that's plastic love

Dance to the plastic beat

Another morning comes”

“Nunca me ame seriamente

Se você gosta do jogo do amor

Fique bem então

Se estou me divirto, isso basta

Vestidos extravagantes e sapatos

São os amigos que decoram um coração

Solitário que foi fechado

Ao adormecer a alta velocidade

No final da noite

Somente luz halógena

Brilha lindamente

Eu sou mulher e fria como gelo

Mesmo que uma voz sussurrante diga, não se preocupe!

Estou apenas jogando jogos

Eu sei que é amor de plástico

Dance ao som do plástico

Outra manhã virá.”

O final da música. Alguns aplausos. Não eram para nós, mas era bom fingir que eram. Ele me encarava com atenção, sorridente, ofegante, animado. Havia euforia ali, e eu gostei de tê-la despertado. Suas mãos arrastaram-se suavemente para minha cintura, e suas orbes em tons vivos não desviavam-se das minhas. Uma outra música estava para começar, entretanto, nem eu e nem ele decidimos ligar. Não precisávamos. Já estava de bom tamanho. Aquele momento havia sido nosso e eles poderiam tocar quantas músicas quisessem, nenhuma se compararia àquela. Sorri. De maneira repentina, Bakugou puxou-me e eu não ousei atrapalhá-lo; os braços firmes dele envolveram a cintura em um abraço apertado e ele escondera a face entre o ombro e o pescoço, de maneira confortável, fazendo-me estremecer à princípio, quando senti a respiração morna contra o local. Entretanto, estava ali. Tudo. Meus dedos entrelaçaram-se aos fios loiros, bagunçando-os levemente, fazendo-o rir baixo ali. Nós estávamos transbordando. Nós dois, juntos, e não era ruim.

- Ei. – O chamei em um sussurro. – Adivinha só.

- O quê?

- Eu gostei daquela música. – Ele soltou uma risada nasal. Eu sorri. – Sério, pô.

- Eu sabia. Tava todo animadinho dançando. – Ele afastou-se, por fim. Pegou o celular para supostamente enviar uma mensagem para Kaminari.

- Olha quem fala.

- É “Plastic Love” o nome. Bacana, né?

- Uhum. – Concordei, ainda um tanto vibrante, por assim dizer. O loiro digitava apressadamente algumas coisas no celular, logo colocando o aparelho no bolso. Eu estranhei. – Já vamos embora?

- Falta mais uma parada. Quero te mostrar um lugar.

- Outro? Toca Junko Yagami? – Eu o encarei e ele riu. – Não. Não toca nada, na verdade.

- Qual é, não vai me dar uma dica?

- Não, e nem o piriquito. É surpresa. – Ele sorriu ao ver o meu muxoxo. – Vamos lá pra fora. O Denki chega daqui à pouco, eu creio.

Agonia. Ansiedade.

Por sorte, Kaminari não demorou muito. Logo estávamos nós três novamente, juntos. Ele, suas coreografias, Um Bakugou interessado nos letreiros coloridos da cidade, um Kirishima risonho por conta do loiro que não parava por um segundo e Beyoncé tocando alto. Independente de ser tarde da noite – beirando a madrugada, por sinal – Tokyo mantinha-se tão viva e ativa ao ponto de surpreender qualquer um. Era sempre assim. Impressionante, incrível, linda. E quando eu menos espero, Bakugou me chama rapidamente, apontando para o vidro do carro à frente. Eu vejo a Tokyo Tower, bem próxima. Uma das coisas mais bonitas que se existem por aqui.

- É a nossa última parada.

E céus, tudo em mim explodia. Feito fogos de artifício no fim de ano.

Kaminari estacionou. Disse-nos que iria nos esperar e concordamos. Eu e Katsuki corremos para lá, compramos os ingressos, subimos a porcaria do elevador e eu juro, pareceu durar uma eternidade, já que a minha ansiedade nunca parece querer cooperar comigo. Por sorte, nós havíamos chegado à tempo do último acesso à torre e, quando finalmente chegamos ao observatório, a vista; tudo era luz. Era como mergulhar em mil e uma matizes ou em um mar de luzes. Era vislumbrar a cidade inteira em sua frente e pegar-se sorrindo feito criança porque céus, aquilo era uma experiência boba, boba e intensa, daquelas que mexe consigo e quer te fazer chorar; como beber ao som de Scorpions ou dançar Plastic Love. Éramos eu e ele, lado à lado, cada um focado naquela obra de arte viva. Não iria apagar. Nunca iria. Era isso o que tornava tudo especial.

- Cara... – Um murmúrio meu. Deslumbrado.

- É. Essas coisas me bagunçam. Eu gosto disso.

- É essa a sensação que Junko Yagami te trás? – Indaguei. Ele riu.

- Não. É maior.

- Maior. Do tipo, comer takoyaki[I] em um festival.

- Maior. Do tipo tirar uma nota boa na escola e mostrar pra mãe. Sem ter colado na prova.

- Maior, do tipo emprego dos sonhos. – Ele sorriu de canto.

- É. Tipo chuva de manhãzinha em dia de folga.

- Tipo... Vodka e Blue Martini?

- Tipo dançar Plastic Love contigo.

Algo borbulhava em meu estômago. E não era o medo de altura. 





×××


• Junko Yagami – Kieta Saigon no Musume: https://m.youtube.com/watch?v=pzqPSu3qOqg

• Led Zeppelin – Immigrant Song: https://m.youtube.com/watch?v=yLarDhciHY0

• Scorpions – Still Loving You: https://m.youtube.com/watch?v=FywkdijLj_E

• Beyoncé – Party: https://m.youtube.com/watch?v=XWCwc1_sYMY

• Kaoru Akimoto – Dress Down: https://m.youtube.com/watch?t=25s&v=2VV5_AfJbAw

• Mariya Takeuchi – Plastic Love: https://m.youtube.com/watch?v=MIcjawG4_D4

I - Takoyaki: são bolinhos feitos com pedaços de polvo.

Até o próximo capítulo! <3




May 14, 2018, 8:30 p.m. 2 Report Embed 2
Read next chapter Capítulo II - Transborda-me.

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Barry A. Barry A.
nossa, não to sabendo lidar com o quanto eu to amando tudo isso aqui! parabéns viu, com certeza deve ter rendido muitos pesquisa, valeu a pena, isso aqui é uma obra de arte!
May 15, 2018, 5:39 a.m.

  • Saint Sapphie Saint Sapphie
    Ai meu Deus, olha esse comentário! Eu tô tão grata aaaaaaa De verdade, fico lisonjeada com tanto carinho, nem sei se mereço tanto, haha. Eu realmente espero que tenha gostado, fico muito contente! <3 May 22, 2018, 6:35 p.m.
~

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