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whatapanda Políbio Manieri

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite. Eu a quis, e às vezes ela também me quis..." - Pablo Neruda


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13.

#fns #drama #romance #jiratsu #tsunade #Jiraya #naruto
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Capítulo Único

Ela tem guardado sua melhor garrafa para noites como essa. Daquelas em que bebe sozinha, trancada em um quarto, acompanhada somente de um copo e de uma lembrança envelhecida, perdida, que devia queimar como a aguardente que agora lhe descia entalada pela garganta.

Costumava visitar o memorial de pedra. Eram visitas em que ele a acompanhava, pois ela permitia que ficasse ao seu lado enquanto traçava o relevo frio das palavras com os dedos e esvaziava a garrafa por cima da terra seca.

Em silêncio, ele pensava, se perguntava quando havia ela parado e porque não estava por perto quando ela começara a erguer a beirada do copo contra os lábios.

Tão submersa em seus próprios líquidos, ela dificilmente o notou entrar. Então, quando suas mãos se estenderam e a parte de trás tocou-lhe o ombro, ela o olhou, alarmada. O dourado dos olhos, por um momento, estava vívido, assustado, mas relaxou em reconhecimento. Havia um ligeiro traço de umidade em sua bochecha, e os dedos dele se deslocaram, segurando-lhe o rosto e capturando a gota com o polegar.

Eram pequenos gestos com os quais ele esperava, do fundo do coração, que a lembrasse de que ela não está sozinha. Toques cegos que a fizessem permitir-lhe, ao menos uma vez, o lugar ao seu lado.

Era possível perceber o terror penetrar lentamente em sua expressão. O corpo feminino congelou em compreensão e ele se manteve, usando essa pausa para permitir que sua mão permanecesse de leve contra a bochecha.

Pensou que ela o afastaria, que o repeliria em um punho ou com a parte de trás de sua mão. Em vez disso, ela abaixou os olhos, com uma resignação brilhando ao fundo, como se tivesse desistido de lutar, de viver, de amar. E naquele pequeno momento de fraqueza ele enxergou sua abertura, sua única chance de conquista-la de volta e, mesmo com toda sua experiência, pôde sentir um tremor em suas palmas quando seu polegar baixou para lhe pressionar contra o lábio inferior.

Ela levantou os olhos novamente, como se só para ele poder se ver refletir. Sua própria expressão o assustou, então ele desviou, se concentrando nos lábios. Se forçando a respirar. A se segurar em não bater contra todos aqueles anos de emoções cuidadosamente suprimidas.

Seus lábios meramente encostaram e foi o suficiente para ele se sentir estremecer. Tomou, então, seu rosto em suas mãos e beijou-a com fome, como um homem que não come há dias e encontrou na boca o mel.

O copo de saquê quicou contra o chão quando a boca começou a se mover contra a sua. Os dedos cavando no tecido sobre seu peito, as unhas roçando contra o material fino que ainda o cobria.

Ela o beijou como alguém desesperado, como alguém que lutasse para se manter vivo. Suas mãos começaram a retirar as roupas, antes mesmo que ele conseguisse se afastar de seu contato. A ponta da unha o atingiu na borda de um ombro, arranhando fora as mangas e a pele. Ela se moveu em direção ao chão e ele a seguiu, joelhos se afundando ao longo das coxas.

Ele a beijou novamente antes de pausar para pensar, para a dar tempo de mudar de ideia. Olhou para ela, comichando para tocar suas curvas suaves e provar o sal de sua pele. Encontrou seus olhos, silenciosamente perguntando se está tudo bem. E, quando as mãos dela se moveram para a cintura de suas calças, em seu fitar tão distante pôde sentir que algo entre eles se desfez.

De manhã, ela se afastou do braço ao seu redor. Se levantou, recolheu suas roupas e se recompôs com uma calma fria e eficiência tão familiar. Ela não diz nada quando para, embaixo da porta. Sua única mensagem é o curvar da cabeça e apertar dos dedos contra o batente de madeira.

Ela vai.

Ele fica.

Anos mais tarde, ele sabe que vai reviver aquela cena através da narração de uma história engraçada. Sabe que irá pintá-la através de espessas linhas pretas, e que as páginas brancas irão esfumar sob seus dedos manchados de tinta uma ou outra vez. E ele tentará lembrar a si mesmo que essa escrita não é uma tragédia.

E, quando o manuscrito finalmente estiver pronto, não haverá silêncio pela manhã. O parágrafo terminará com ele sustentado sobre ela e o calar da voz será interrompido pelo desencadeado cômico do nome de outro homem.

Essa será sua cena favorita – a que o faz rir mais do que todo o resto – para que ninguém ouse questionar o porquê da risada fazer seu peito doer ou lágrimas escorrerem instantaneamente por seus olhos.

May 8, 2018, 5:29 a.m. 1 Report Embed 2
The End

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Políbio Manieri Being alive...

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Boo Alouca Boo Alouca
Eu não lembro exatamente se comentei ou li isso no Spirit, mas de qualquer forma, reli agora e tô bem impactada. Iti Malia esse casal injustiçado pelo Kishimoto... Adorei que você conseguiu passar a aura da Tsunade com a profundidade que o anime/mangá não explorou em seu total potencial, assim como passou o Jiraya mais humano e menos cômico. Me acertou sim, bem no meio do peito! Quando eles começaram a se beijar eu "Ok, vai ser só um beijo", aí começaram a tirar a roupa e eu parecia que estava torcendo pela Brasil na copa, de novo huasha... Por um minuto, até me perdi de onde eles estavam, fui até o final, achando que eles estavam transando na pedra memorial! hauhsauh Foi lindo, foi incrível, foi intenso, foi canon como sempre. Tá ouvindo daí? São as minhas palmas...
Aug. 18, 2018, 10:21 a.m.
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