Flecha da Eternidade Follow story

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Após o resgate de Rukia, o Capitão Geral Yamamoto aplicou um severo castigo em seus Capitães por terem desertado. Eles são obrigados a viver no mundo humano, e Kuchiki Byakuya também é enviado contra a sua vontade. Enquanto isso, Nemu decide ir à procura de um certo Quincy, a quem ela nunca conseguiu esquecer depois de ele tê-la defendido da fúria de Mayuri. O que irá acontecer com Ukitake, Kyoraku, Byakuya, Kukkaku e outros personagens ao terem que viver na cidade de Karakura e frequentar a mesma escola de Ichigo?


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#bleach
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Punição

Olá queridos leitores. Como grande fã de Bleach que sou, tive uma enorme vontade de começar esta fanfic. Como todas as histórias que eu escrevo, esta também será uma realização pessoal como fã. Esta história não terá um protagonista definido, e focará na relação entre todos os personagens envolvidos. Também quero dizer que quanto a escrita, tentarei deixá-la a mais próxima possível da dublagem original no que se refere aos termos de chamamento entre os personagens, salvo alguns termos como a palavra “Capitão”, que eu pretendo deixar traduzida mesmo ao invés de usar o termo japonês "Taichou". Outro detalhe, é que vou manter as cores dos olhos de dois personagens originais no mangá: Byakuya e Ukitake... por que sim. Por que eu acho bonito kkkkk


Tendo tudo esclarecido neste início, espero que gostem e se divirtam com a história. Tenham uma excelente leitura.


Soul Society:

Após a traição e rebelião de Aizen, a vida de Rukia finalmente foi salva. A jovem Shinigami teve sua sentença de morte revogada, e tudo parecia ter se resolvido por fim. Mas as consequências dos sangrentos combates ainda estavam lá. Ichigo e os outros voltaram curados e seguros para o Mundo dos vivos, e Byakuya acabara de se recuperar de sua luta com o ruivo. Contudo, alguma coisa, um certo detalhe perturbava o Capitão Geral Yamamoto. Lembrou-se do comportamento impertinente e irresponsável de certos Capitães e outras almas que ajudaram Ichigo e os outros a invadirem o Seireitei e destruir o Sokyoko. Tal conduta para ele era imperdoável. O velho refletiu a noite toda. Teria muitas coisas para decidir nos próximos dias. Outra coisa que o preocupava eram as Três Divisões que ficaram sem Capitães após o incidente. Sua maior preocupação era a Divisão Três, e sobre isso ele já tinha tomado uma decisão. Quanto ao problema maior, o Comandante já sabia o que fazer...

[Na manhã seguinte – Quartel da Divisão 13]

Juushiro Ukitake degustava um pomposo café da manhã em uma baixa mesinha de centro, sentado no brilhante chão de madeira no salão principal de sua Divisão. Tomava um chá verde sem açúcar e comia umas torradas com geleias especiais de frutas vermelhas. Apesar de ainda ser bem cedo, o Capitão já estava asseado e com seus cabelos e Haori alinhados. Ele era um exemplo personificado de honra, caráter e nobreza, e era adorado e respeitado por todos na Soul Society. Ao apreciar calmamente seu desjejum, o platinado foi surpreendido por uma borboleta do inferno que pousou em seu indicador estendido. Os verdes olhos fitavam o inseto com muita curiosidade, sem entender o que poderia ser a essa hora da manhã.

— Reunião de capitães emergencial a essa hora da manhã? Para o Genryuusai-sensei ter nos convocado assim é porque algo muito sério deve ter acontecido. Eu tenho um mau pressentimento sobre isso...

[Ao mesmo tempo, no Quartel da Divisão 8...]

Kyoraku dormia jogado de qualquer jeito no telhado do quartel. Acordar cedo era algo que o descansado Capitão sempre detestou, principalmente quando ele passava a noite toda bebendo sake. Tal hábito era praticado quase todas as noites, o que deixava a sua Tenente Nanao à beira de um ataque de nervos. Ele sempre acabava sendo acordado por ela na base de gritos, baldes de água na cara ou um chute no meio das pernas. Um gato dormia com ele sossegadamente espalhado em seu chapéu de palha. A borboleta do inferno pousou bem no nariz do homem adormecido, e uma forte dor atingiu o seu estômago quando Nanao levou a borboleta até seu dedo.

— Acorde, Capitão irresponsável! O Senhor tem uma mensagem importante do Capitão Geral Yamamoto. Todos os capitães e tenentes deverão se reunir em meia hora no Quartel da Divisão 1. Atrasos não serão tolerados.

Kyoraku grunhia e coçava os pelos do vasto peito. A esperta Tenente o olhava sem paciência. Saiu do local e voltou logo em seguida com um balde d'água em mãos, jogando o líquido sem piedade na cara do Capitão, fazendo o pobre gato em seu chapéu sair correndo deveras assustado.

— Incêndio! Incêndio! – Ele berrava sentado no chão balançando a cabeça freneticamente, pensando que estava no meio de um incêndio e que o fogo estava sendo apagado.

— Incêndio? – Nanao respondeu seca. — Incêndio mesmo vai ser daqui a meia hora na reunião de emergência.

— Quê? Reunião de emergência? Agora?

— AGORA!!! E nós, Tenentes, também fomos convocados.

— Mas que merda... Qual é a do Yama-jii para inventar uma reunião a essa hora?

— Não reclame e apenas vá! Eu não vou me atrasar por sua causa.

— Ah, ah... – Ele deu um longo suspiro. — Tão doce e delicada como sempre... Nanao-chan...

O que o relaxado Capitão recebeu em resposta foi o balde voando em seu rosto enquanto seu corpo ia de encontro ao chão.

— Mas que diabos! Essa reunião... Não é coisa boa. Posso apostar o meu bar inteiro de sake que vai dar uma merda das grandes, e, pior de tudo, vai acabar sobrando para mim. – Concluiu ao se levantar.

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Meia hora depois, todos os Capitães e Tenentes estavam reunidos na sala principal do Quartel da Primeira Divisão. Todos estavam curiosos e apreensivos sobre o assunto que seria tratado na reunião.

— Muito bem, já que estão todos aqui, vamos dar início a esta reunião emergencial de Capitães e Tenentes. Como todos vocês bem sabem, a traição de Sosuke Aizen trouxe consequências sérias dentro do Gotei 13, portanto, me viu forçado a recorrer a medidas extremas. Três Divisões ficaram sem Capitães, e isso nos deixa irreparavelmente vulneráveis.

— E o que pensa em fazer, Senhor? – Unohana perguntou em tom sereno. — Não se pode achar alguém com competência suficiente para preencher a vaga de Capitão às pressas. Precisamos de um pouco mais de tempo para isso.

— Agradeço sua observação, Capitã Unohana da Divisão 4, mas devo ressaltar que temos Tenentes aqui muito bem capacitados para isso, e eu reuni todos vocês aqui hoje para fazer um comunicado.

Todos ali presentes se entreolharam, temendo o que poderia vir a seguir. Aquilo significava que algum Tenente seria promovido? Essa foi a pergunta que invadiu a mente de todos.

— Tenente da Divisão 3, Kira Izuru. Venha até aqui, por favor.

O loiro olhou ao seu redor, tendo aquela péssima sensação de que todos estavam olhando para ele - e estavam mesmo. Odiava ser o centro das atenções, e aquele chamado repentino do General o deixou extremamente incomodado.

— Aproxime-se, Tenente.

— As suas ordens, Capitão Geral.

— Neste momento irei anunciar o seu novo posto dentro do Gotei 13. Tenente Kira Izuru, você agora é o novo Capitão do seu Esquadrão.

Yamamoto estendeu o Haori da Divisão 3 para o Tenente, que o encarou hesitante, sentindo os olhares de todos sobre si. Ficou parado olhando friamente para a peça de roupa. Um burburinho se formou entre os Capitães e Tenentes, e o silêncio de Izuru já estava deixando os demais nervosos.

— Qual o problema, Tenente Kira? Não vai pegar o seu Haori?

Izuru ergueu a sobrancelha descoberta por sua grande franja, ainda olhando para o símbolo do Terceiro Esquadrão com sua habitual expressão vazia e depressiva. Parecia estar fora do ar ao ver aquele Haori, e as piores lembranças começaram a invadir a mente do loiro. A silhueta masculina do homem de cabelos curtos, o emblema da Divisão 3 nas costas, o falso e extenso sorriso que ele sempre ostentava, Momo ferida, sua luta com Rangiku... O sentimento de decepção alheio ao fato de ter sido traído pelo Capitão a quem ele admirava fazia ou até então Tenente repudiar aquele Haori.

— Tenente Kira? – Chamou o velho, tirando o jovem Shinigami de seus pensamentos. — O que está esperando? Ou por acaso não pretende aceitar sua promoção?

— Caramba, e agora? – Pensou Renji, imaginando muito bem como o amigo devia estar se sentindo naquele momento.

— Izuru... O que vai fazer? Ele não teria coragem de deixar o Capitão Geral mal na frente de todos recusando a promoção... Ou teria? – Hisagi também pensava consigo.

Izuru levantou a cabeça encarando o General. Pegou o Haori com as duas mãos e num rápido movimento o vestiu.

— Eu aceito. Será uma honra para mim. Prometo fazer o meu melhor para provar-me digno desta promoção.

Renji e Hisagi suspiraram aliviados e se orgulharam do amigo quando este se colocou na fila junto aos demais Capitães.

— Mas isso é uma afronta! – Mayuri se manifestou. — De onde veio esta promoção repentina? Eu não me lembro deste garoto ter participado de nenhum teste para Capitão.

— Você tem alguma objeção, Capitão Kurotsuchi? Aqui se faz o que eu decido. Não se esqueça do seu próprio lugar. Você nem sequer era um Tenente, e assumiu a Divisão 12 após o exílio de Kisuke Urahara. Olhe para você mesmo antes de querer apontar os outros. – Yamamoto disse firmemente, fazendo o grotesco Capitão ranger os dentes.

— Como sempre você perdeu uma ótima oportunidade para ficar calado, meu amigo. – Kyoraku debochou.

— Ora, seu... Estou ouvindo isso de alguém que aparece para reunião fedendo a sake a essa hora da manhã? Por que não olha para si mesmo também? – Falou o esquisito Capitão, já nervoso o suficiente para levantar a voz.

— Cale essa boca, Kurotsuchi. Não comece uma briga que você não poderá manter depois. Você consegue transformar qualquer reunião em um verdadeiro caos. Por que não pode ouvir calado e aceitar as ordens do Genryuusai-sensei como todo mundo? – Interviu Ukitake.

— Daqui a pouco estarão colocando qualquer um como Capitão. Quem aqui aceita isso?

Todos os outros Capitães, com exceção de Byakuya e Kenpachi, que não quiseram se envolver, levantaram suas mãos em aprovação, deixando o Capitão da Décima Segunda Divisão com a cara no chão. Izuru deu alguns passos à frente ficando diante de Mayuri, dando-lhe um olhar frio.

— Eu posso ser “qualquer um”, como você disse, mas pelo menos posso me orgulhar do meu histórico. E você por acaso pode fazer o mesmo? Ou já se esqueceu de onde Kisuke Urahara o tirou antes de colocá-lo na Divisão 12? – Falou em tom sério e indagador.

— Seu pirralho metido!! Como se atreve a me insultar?! – Gritou descontrolado, fechando o punho e se já se preparando para avançar no recém promovido Capitão.

— JÁ CHEGA!! – Yamamoto interviu. — Contenha-se, Mayuri. Izuru, volte ao seu lugar. Eu não convoquei uma reunião para ver meus Capitães trocando socos entre si. Ainda falta um assunto muito importante a tratado aqui.

Ambos os Capitães voltaram aos seus lugares e o velho Comandante prosseguiu.

— Como todos vocês devem se lembrar, recentemente passamos por uma invasão na Soul Society e tivemos que lidar com a traição de três de nossos Capitães. Paralelamente a isso a execução da Oficial da Décima Terceira Divisão, Rukia Kuchiki foi revogada. Contudo, a conduta de alguns oficiais durante aquele incidente foi, no mínimo, imperdoável.

Ukitake e Kyoraku, que estavam um ao lado do outro, se olharam preocupados depois da última frase dita por Yamamoto.

— Capitão da Oitava Divisão, Shunsui Kyoraku. Capitão da Décima Terceira Divisão, Juushirou Ukitake. Vocês receberão uma severa punição por terem desertado e destruído o Sokyoko.

— Punição? Mas espere um pouco aí, Yama-jii! Não pode nos punir por isso. Se agimos daquele jeito foi porquê... – Shunsui retrucou, mas foi contido por Ukitake, que o puxou pelo braço, acenando negativamente com a cabeça.

— Juushiro...

— Naquela ocasião eu avisei a vocês que não importasse os motivos, tal tipo de conduta não poderia ser aceita, e muito menos por parte de dois capitães veteranos como vocês. Por isso, neste momento, eu determino que vocês dois viverão no mundo dos vivos por tempo indeterminado até se arrependerem de seus atos.

— O que? Não pode fazer isso com a gente, Yama-jii!! Vai nos punir por fazermos o que era o certo? Está sendo injusto! – Shunsui falava em voz alta, visivelmente alterado.

— Genryuusai-sensei... se o Senhor acha que precisamos desta punição, aceitaremos de bom grado. – Ukitake disse conformado.

— Juushiro! Ficou louco? Como pode dizer isso? – Kyoraku rebateu, mas foi novamente contido pelo amigo.

— Isso não é tudo! – Yamamoto continuou. — O Capitão da Sexta Divisão, Kuchiki Byakuya, irá com vocês para vigiá-los.

— O que?? Ainda por cima teremos escolta como se precisássemos de babás?! Eu não posso aceitar isso! Nós não fizemos nada! Isso é uma injustiça!

— Capitão Geral... – Byakuya suspirou pesadamente de olhos fechados. — Posso perguntar porque eu também estou sendo punido? – Concluiu ao abrir os olhos azuis que fitaram o Capitão mais velho com precisão.

— Você não está sendo punido, Capitão Kuchiki. Acabo de dizer que você ficará responsável por vigiar esses dois. E tem mais uma coisa. Preciso de um Capitão de minha inteira confiança no mundo dos vivos. Agora que Aizen fez o que fez, nossas atenções precisam estar redobradas. Ele pode estar tentando algo por lá e quero que você fique de olho.

A última frase dita por Yamamoto Despertou um sentimento de profunda decepção em Ukitake. Cerrou os punhos e fechou os olhos, apertando-os com nervosismo. Ele não acreditava, que depois de séculos, ouviria da boca de Yamamoto que ele e Kyoraku não eram dignos de confiança.

— Kurosaki Ichigo não poderia fazer isso? – Byakuya questionou.

— Não com a mesma eficiência que você. Não quero mais ouvir indagações! Minhas ordens já foram dadas, e junto com os dois Capitães, tem mais uma pessoa que receberá a mesma punição.

— Capitão Geral! – Gritou uma voz masculina, arrastando uma mulher com uma algema espiritual. — Perdão pelo atraso, senhor, mas demoramos para chegar a um acordo com esta mulher e tivemos que trazê-la à força.

— Não importa. O importante é que ela já está aqui.

— O que significa toda essa merda? Por que seus lacaios me arrastaram até aqui? Eu exijo uma explicação, seu velho caduco! – A mulher gritava exasperada.

Ao ver a cena, Ukitake gelou. A mulher em questão era a Shiba Kukkaku. Ele sentiu um suor estranho escorrer pelo canto de seu rosto e uma inquietação tomou conta de sua platinada cabeça ao vê-la. Kyoraku olhou bem para a reação do amigo ao seu lado e sabia exatamente o porquê disso. Ele podia ouvir de longe as batidas do coração do veterano Capitão.

— Shiba Kukkaku, você está aqui por infringir uma lei muito importante na Soul Society. Além de dar guarita você também colocou invasores no interior do Seireitei, e tal crime não pode ficar sem a sua devida punição.

— Crime? Eu estou sendo tratada como uma criminosa só porque coloquei para dentro aqueles garotos que no final salvaram essa merda de Soul Society da qual vocês tanto se orgulham?

— Silêncio! Você receberá a mesma punição dos outros dois Capitães será exilada no mundo dos vivos por tempo indeterminado até que aprendam sobre a importância de seguir as regras.

— Como assim? Você não tem o direito de fazer isso! Não vou aceitar tamanho absurdo! eu não fiz nada para ser tratada assim!! – Ela se debate enquanto tentava se soltar, porém foi inútil, pois era contida pelos guardas.

— Já chega de escândalo! minhas ordens são irrevogáveis. Vocês precisam respeitar as regras que regem este mundo.

— Pro diabo suas regras! meu irmão perdeu a vida dele nesse maldito Gotei 13 e pra quê? Só para me deixar sozinha no mundo e agora isso?! Agora eu virei uma criminosa? – A morena gritava em revolta.

Os olhos verdes de Kukkaku estavam cheios de rancor e revolta, não apenas por seu irmão falecido como também por ela mesma. Virou seu rosto, e os verdes olhos da bela morena fitaram os iguais olhos esverdeados de Ukitake. Mas os olhos dele eram diferentes. Um verde mais brilhante, mais vivo. Olhos que lembravam duas esmeraldas tão preciosas e valiosas quanto o caráter e a nobreza dele. Além da beleza, os olhos do Capitão da Última Divisão tinham uma inocência e sinceridade que ao mesmo tempo em que a irritava profundamente, conseguia encantá-la de uma forma exageradamente irritante. Se tinha uma coisa que Kukkaku odiava... era amar aqueles olhos...

O platinado recebeu sobre si toda a carga que o olhar dela lhe lançou. Por pouco não correu para envolvê-la em seus braços e dar a ela todo o consolo que necessitava naquele momento. Suas pernas quase agiram por conta própria quando foi a vez de Kyoraku o puxar pelo braço.

— Calminha aí, bonitão. O que acha que vai fazer? Pretende consolar alguém que o olhou com ódio como se você fosse o culpado de todas as desgraças da vida dela? Pense bem no que você irá fazer na frente de todo mundo.

Sem nada responder, Ukitake apenas fechou os olhos, aceitando o destino que estava sendo-lhe imposto. Ele, Kyoraku, Kukkaku e Byakuya estavam revoltados com as decisões de Yamamoto, mas infelizmente não podiam fazer nada quanto a isso. Eles foram escoltados até o portal que dava acesso ao mundo dos vivos, enquanto o Capitão geral encerrava a reunião. Todos os Capitães estavam saindo da sala principal do quartel, quando Mayuri colocou-se na frente do caminho de Izuru. Hisagi, Renji e Rangiku estavam logo atrás dele. O loiro cruzou os braços frente ao peito e olhou seriamente para o excêntrico Capitão a sua frente.

— Algum problema? – Questionou frio.

— Eu não sei como gente como você pode ter tanta sorte para receber uma promoção como essa. – O outro falou desdenhoso.

— “Gente como eu?” Então empatamos, porque eu também sempre me perguntei como um cara tão mau caráter como você pode ter se tornado um Capitão há tanto tempo. – Disse calmo, aumentando ainda mais a ira do Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento.

— Ora... seu... moleque abusado! Não pense que pode me insultar e ficar por isso mesmo!

— É você quem está me insultando a troco de nada. No que a minha promoção te incomoda tanto? Se tem energia o bastante para atacar os outros, então também deve abrir bem essas suas orelhas ridículas para ouvir a resposta. Você não é um bom exemplo para ninguém aqui, portanto, não tem nenhum direito de julgar os outros. Não passa de uma pessoa frustrada e histérica. Saia do nosso caminho.

Todos passaram por Mayuri, e o mesmo foi o último a sair da sala de reuniões. Bufando de ódio o Capitão da décima segunda divisão chegou em seu quartel quebrando tudo o que viu pela frente.

— QUE ÓDIO! QUE ÓDIO! QUE ÓDIO! QUE ÓDIO!!!!!!!!!!!!!!!! Eu não acredito que aquele pirralho desgraçado me fez de imbecil na frente de todo mundo!! – Gritava em meio a seu descontrole.

— Desculpe, Mayuri-sama, mas foi o senhor quem provocou o Capitão Kira. – Nemu disse indiferente.

— O QUE?? COMO SE ATREVE A DEFENDER AQUELE FEDELHO?! ESTÁ DIZENDO QUE A CULPA É MINHA?! – Gritou mais alto ainda, pegando a garota pelos cabelos e a jogando com força contra a parede do laboratório. — Você não tem permissão para me contrariar, sua coisa insignificante e estúpida!

Continuou espancando sua Tenente, dando chutes na menina até se cansar. Saiu do local, deixando a pobre Nemu caída. A morena experimentou um novo sentimento dentro de si naquela hora. Não era alheia a emoções humanas, ou qualquer outro tipo de emoção, mas sentiu seu sangue ferver. Fechou suas mãos, e mesmo que seu corpo não sentisse muita dor, ela aprendeu a sentir raiva. Sentiu raiva de sempre ser tratada como uma coisa, e pensou que dessa vez aquilo teria volta, mesmo se tratando de seu criador.

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Renji, Hisagi e Rangiku acompanharam o agora Capitão até seu quartel e sugeriram uma festa de comemoração. No quartel da Divisão Três, o clima era de total alegria. Todos os membros do Esquadrão ficaram felizes e satisfeitos, pois temiam que o próximo Capitão fosse um desconhecido ou mais um traidor. Ainda nem era hora do almoço, e todos já estavam animados com a festa da noite, mas Izuru não compartilhava da mesma alegria dos demais, e isso foi percebido pelos outros, principalmente por Hisagi, mesmo assim o loiro resolveu fazer um breve discurso.

— Pessoal, eu sei que não preciso dizer nada e eu também não sou bom nisso. Apenas direi a vocês que vou continuar dando o meu melhor para esta divisão como sempre fiz, e os protegerei com a minha vida. – Ele concluiu.

— Bravo! – Todos os homens gritaram juntos. — Viva o Capitão Kira!

— Viva!

— Obrigado. Vocês tem o dia livre hoje. Podem preparar uma festa se quiserem.

Izuru sentou na mesa principal ao lado de seus amigos Tenentes, e instantes depois uma das oficiais veio até ele estendendo uma sacola lilás recheada de odangos ao Capitão.

— Meus parabéns, Capitão. O senhor ficou incrível neste Haori. – Falou envergonhada.

— Obrigado. – Ele sorriu, fechando os olhos e pegando o agrado gentilmente.

O sorriso dele fez a jovem corar violentamente e a pobre saiu correndo gritando.

— DE NADAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

— Hã? O que deu nela?

— Mas como você é bobo, Izuru. Até parece que não sabe a quantidade de Oficiais que são apaixonadinhas por você aqui. – Renji falou na cara dura. — Queria eu ter só metade dessa sorte.

Renji e Hisagi riram com o comentário, e Rangiku apenas olhou torto, já tomando um copo de sake.

— Não! Isso não é verdade! – Kira disse envergonhado. — Vocês não tem como saber sobre os sentimentos dos outros.

— Deixa disso, Izuru. todo mundo sabe que você sempre fez um baita sucesso com as gatinhas desde a academia. – Hisagi alfinetou.

— Isso é fato. Mas o Kira sempre foi muito introspectivo e não perdia tempo com namoros.

— Matsumoto-san... Até você? Será que não podem dar um tempo?

— Deixa de ser bobo cara! Relaxa e curte o momento. Com a lábia que você tem com as mulheres, eu no seu lugar já teria pegado todas. – Completou Renji.

— Cala a boca, Renji! Sua fama de mulherengo não é segredo para ninguém. – Rangiku falou séria enquanto bebia.

— Ei! O que você está fazendo? – Izuru reclamou. — De onde tirou essa garrafa de sake? – Falou indignado, virando-se para a ruiva.

— Ah, isso? Eu usei um shunpo e roubei essa garrafa da adega do quartel.

— Matsumoto-san... Você sabe que não podemos beber durante o dia.

— Que saco! Como você é chato! Contanto que ninguém conte ao meu Capitão, não terá nenhum problema. – Piscou brincalhona.

— Pois é... Claro que não. – O loiro revirou os olhos. — Só que se você se embebedar nas dependências desta Divisão, isso passará a ser meu problema!

— Relaxa, Izuru. Não vamos queimar o seu filme. Por que não deixamos isso para mais tarde? Afinal, vai ter festa, né? – O ruivo indagou esperançoso.

— Sim, vai. Mas eu não queria...

— Ah, você quer sim! – Rangiku o intimou, enlaçando os pequenos braços no pescoço dele em um abraço amigável.

— Tá bom. Vocês venceram. – O loiro suspirou derrotado, levantando em seguida.

— Aonde vai, Kira? – Perguntou a ruiva.

— Eu tenho muito o que arrumar. Esta promoção também me pegou de surpresa. Preciso mudar de quarto. – Respondeu ao sair.

— É. Acho melhor voltarmos ao trabalho também. Podemos voltar para a festa de hoje à noite. – O Tenente da Nona Divisão disse aos demais. — E Rangiku... escove bem os dentes ou o Capitão Hitsugaya vai perceber que esteve bebendo.

— Droga! Que malvado! Mas foi só um copinho.

— Mas o suficiente. Não seja manhosa.

Assim fizeram. Todos os Tenentes voltaram às suas obrigações, exceto Shuuhei, que sentindo algo estranho no amigo, resolveu ficar e ir atrás dele, logo o encontrando jogado na cama de seu antigo quarto, e seu Haori igualmente jogado de qualquer maneira em uma poltrona próxima à porta.

— O que foi, Kira? Já se cansou do novo cargo?

— Hisagi-san!!?? – Exclamou assustado. — O que faz aqui? Pensei que tivesse ido com os outros.

— Isso é o de menos. O que há com você? – Perguntou direto.

— E por que pergunta isso? Eu estou normal.

— Sem chance. Você está longe de estar normal. Parece mais depressivo do que antes. Sei que essa promoção pegou você de surpresa tanto quanto a todos nós, mas eu no seu lugar estaria feliz.

— Pois é. Todos fomos surpreendidos. O Mayuri que o diga.

— Não minta, Izuru. Eu não vou cair nessa de que você está estranho assim por causa do esquisitão. Eu te conheço. Acha que eu não percebi como você olhava para o Haori e como demorou a aceitar a promoção do Capitão Geral?

— Hisagi-san... eu só...

— É por causa de Ichimaru Gin, não é?

— Eu gostaria que você fosse menos assertivo em suas conclusões. Para falar a verdade, eu acho que nunca vou superar a traição daquele homem. Eu fico doente só de ouvir o nome dele perto de mim. Eu queria enterrar tudo... esquecer a existência daquele desgraçado, mas infelizmente não é tão simples assim.

— Te entendo, e acho que Renji também percebeu sua hesitação. Mas esse sempre foi você: indeciso e evasivo, senão não seria você. Mas seja sincero comigo. Você não queria aceitar esta promoção, estou certo?

— Está. Eu tive vontade de gritar em alto e bom som um “de jeito nenhum” na cara do Comandante, mas...

— E eu quase poderia jurar que você iria mesmo fazer isso. – O moreno o interrompeu.

— Se eu aceitei foi unicamente pensando no bem-estar dos membros do Esquadrão. Seria terrível para eles ter que lidar com um Capitão desconhecido ou pouco confiável.

— Faz sentido. Ainda mais do jeito que a Divisão 3 é complicada.

— Eu nem acho que mereço essa promoção.

— Jamais repita isso! Se o Capitão Yamamoto te deu este voto de confiança é por que você tem capacidade. Vê se para de se sentir inseguro, homem!

— Sim. – Abaixou a cabeça. — Eu vou pensar nisso.

— Então até de noite, Capitão. – Shuuhei brincou ao se despedir, deixando para trás um Izuru pensativo.

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Enquanto uma grande festa estava sendo organizada no quartel da Divisão Três, já era noite no mundo dos vivos. Byakuya e os outros Capitães punidos junto com Kukkaku apareceram precisamente na cidade de Karakura. Eles chegaram em um parque onde felizmente não havia ninguém. Estavam perdidos sem saber para onde ir naquele lugar desconhecido e pouco familiar para eles, e nada felizes, especialmente Byakuya e Kukkaku, que estavam à beira de um ataque de nervos mental.

— Espero que estejam felizes pelo que fizeram. Graças a rebelião de vocês nós fomos envolvidos nisso. Eu não devia estar aqui em primeiro lugar, muito menos servindo de babá para um Shiba. – O Kuchiki começou.

— Ora! Cale essa boca. Você não passa de uma hipócrita convencido e arrogante que...! – Kukkaku revidou a provocação com gritos, mas foi interrompida por Ukitake, que se colocou no meio dos dois.

— Byakuya, você não passa de um mal agradecido. Se não fosse por nós três aqui e por Kurosaki Ichigo, Kuchiki-san estaria morta agora. Eu não hesitei em infringir uma lei porque sabia da inocência de minha Oficial, a quem eu tenho uma grande estima. Mas você em sua qualidade de irmão o que fez? Você foi o primeiro a lançá-la naquele abismo escuro e condená-la a pagar por este crime com uma pena que ela não merecia. O que você tem dentro deste peito? Um coração ou uma pedra de gelo? Tomara que aí dentro exista pelo menos um pouco de remorso. – O platinado concluiu, deixando o moreno sem argumentos e incomodado ao extremo ao ter sua conduta jogada em sua cara.

— Chega vocês dois. O que vamos ganhar brigando? – Kyoraku interviu. — Deixe-o, Juushiro. O bonitão aí é do tipo que só aprende as coisas na base da espada. Kurosaki-kun teve de dar-lhe uma lição para mostrar o quanto ele estava errado, então não espere muito de um cabeça dura. Quanto a você, mocinha, é melhor ter calma, pois se não nos comportamos bem, dificilmente voltaremos para a Soul Society em pouco tempo. – Finalizou ao ajeitar o seu chapéu de palha.

— Tem razão, Kyoraku. Um cara que além de não fazer nada para salvar sua própria irmã da morte e ainda levantou sua espada contra aqueles que foram resgatá-la não tem nenhum direito de querer nos dar lição de moral. – Falou irônica.

— E eu estou ouvindo isso de uma Shiba... – Byakuya rebateu calmo de olhos fechados.

— O QUE FOI QUE VOCÊ DISSE?! – Gritou irada, indo para cima do Capitão, mas Ukitake segurou seus braços por trás, impedindo-a de avançar. — Quem você pensa que é para me criticar por qualquer coisa? E me solta você também! – Continuou gritando, mas desta vez para o Capitão da Última Divisão.

— Pelo que vejo, vocês não mudaram nada. Principalmente você que continua sendo uma pessoa difícil como sempre, Byakuya-bo!

Os quatro olharam para cima para ver de onde vinha a voz da última frase dita, e deram de cara com uma gata preta de olhos dourados em cima de um dos postes que iluminava a praça. Kukkaku sorriu, e os outros três Capitães ficaram surpresos ao verem Yoruichi diante deles.

— Yoruichi Shihoin... – Byakuya sussurrou ao estreitar o olhar, amaldiçoando aquele momento.


つづく continua...


Muito bem, amores. Este foi o primeiro capítulo desta louca história. Espero que tenha sido do agrado e a leitura tenha sido divertida. Este é um devaneio de uma fã escrito para outros fãns, por isso, se vocês gostaram do texto e de alguma forma o mesmo os fez feliz, deixem esta pobre autora feliz também com suas opiniões ali embaixo, já que não ganhamos nada com isso e nosso único pagamento é saber que deixamos outros fans contentes com nossas loucuras. Estejam livres para opinar sobre a história como quiserem, afinal de contas, eu não mordo e o teclado também não xD


Bem, acho que não ficou nada em aberto para explicar sobre este começo, então beijão e até o próximo capítulo.

April 27, 2018, 11:56 p.m. 0 Report Embed 1
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