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inuzukadogstyle1524670866 Ráilla G. Neji Inuzuka

Essa história não começa com "era uma vez" e nem termina com "felizes para sempre". Não é uma história de amor. Cuidado. (PS: contém possíveis gatilhos, cuidado mesmo!)



Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#legião-urbana #tragédia #drama #songfic #naruto #angst #shinokiba
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oneshot

1998

—Abre essa porta.

As batidas eram cada vez mais altas. Ele não conseguiria ignorar por muito mais. Jogou a chave por baixo da porta, sentado ao lado da mesma e sem forças pra levantar e abri-la.
Um homem pálido entrou.

Dado, Dado, Dado. O que fizeram com você?

—Isso é... Deplorável. —Shino disse, olhando para o outro homem, sentado na sua frente. Esse, sentado, tinha os braços cobertos de pequenos furos vermelhos. Estava magro. O apartamento estava bagunçado, o cachorro não estava ali. Shino se ajoelhou ao lado de Kiba. —Meu amor, o que aconteceu com você?

Cadê o bronze no corpo? Os olhos azuis?

O seu corpo tem marca de sangue e pusVocê não sabe se é Março ou FevereiroTrancado o dia inteiro dentro do banheiro

***

1997

Naruto estava deitado em sua cama, Kiba praticamente desmaiado em seu colo. Ele havia chorado lágrimas por toda uma vida.

—Kiba, por favor... Vamos lá... Isso tem que mudar... —murmurava sozinho, olhando a face do melhor amigo.

...

Estava tudo tão complicado. Naruto não sabia o que falar. Mesmo sendo um romancista e tanto, e órfão, ele simplesmente não sabia como ajudar... Principalmente pela parte do órfão. Ele, Naruto, não teve tempo para conviver com seus pais — e sentir a dor maior de perdê-los. Mas tinha Jiraya, e ele sabia bem da dor de perder alguém. Mas ainda assim... Ele não tinha palavras como o Iruka, nem atitude como Shikamaru. Tudo o que podia fazer era abraçar o moreno.
Kiba era detetive. Ele sabia dos riscos, quando ele e o namorado entraram juntos para uma delegacia. Naruto também sabia, por isso saiu em menos de um ano. Ele mudaria o mundo da mesma forma que seu avô tentara: livros. Mas Kiba era viciado em adrenalina, e nunca deixaria Shino sozinho. E Shino estava se adaptando tão bem!
Eles só calcularam errado...
Naruto lembrava muito bem de quando Kiba chegou na sua casa, uma semana atrás. Estava com o rosto inchado, os olhos vermelhos. O primeiro pensamento do loiro foi surrar o Aburame. Mas percebeu que o problema era maior, quando observou que Akamaru não estava com o dono.
Kiba falava apressado, soluçando, e quase não dizia coisa com coisa, mas Naruto pôde compreender o principal. A notícia foi transmitida no Plantão Urgente de Konoha, então ele conseguia juntar todas as peças. Um serial killer. Shino e Kiba designados como comandantes na missão de encontrá-lo.
Mais de dois anos na profissão, e nenhum dos dois tinha esbarrado antes em um caso desses. Estupro e assassinato, era fodidamente tenso. E sempre que estavam perto, perdiam a pista. Até que um dos novatos, Kabuto, deu a ideia: usar iscas. Nenhum deles concordou. Ninguém gostou da ideia. Os corpos começaram a aparecer, ainda piores do que antes. Os números quase chegavam a vinte. Moças morenas, entre trinta e trinta e cinco anos. Inuzuka estava tão abalado — afinal, sua mãe e irmã eram morenas, e se encaixavam perfeitamente na descrição.
Até que Shino agiu. Secretamente, falou com a sogra, tenente aposentada. Elas concordaram na mesma hora. Tudo deu errado.
O criminoso foi pego, e qual não foi a surpresa ao descobrirem o tal novato, Kabuto. Mas... Mas ele levou mais duas vítimas, quando morreu.
Shino o matou, mas matar Kabuto não traria a sogra e a cunhada de volta, não é mesmo?
Naruto sabia muito bem que ele agiu por bem. Sabia que ambas as mulheres agiram por vontade própria. Mas sabia também que a base de qualquer relação era a confiança.
E por isso, Kiba sequer pisava no apartamento que dividia com o namorado, mesmo que Naruto morasse a apenas uma porta de distância.
O loiro mexeu nos cabelos do moreno, tentando imaginar sua dor e pensando em como fazê-la sumir. Ele precisava ver seu amigo feliz. Não conseguiria não sentir o luto junto de Kiba.
O primeiro estágio foi a pior parte.
A negação. Kiba não estava a par da noite crucial, então ele soube pela boca do delegado, Sasuke, tudo o que aconteceu. Ele se negou a acreditar, até ver sua mãe e irmã na maca fria de metal.
Ele também escondia um segredo — já sabia que o culpado era Kabuto, antes de tudo. Sabia, pois Kabuto o usava. Prometia não matar ninguém se pudesse usar o moreno em seus desejos perversos. Os corpos pararam de aparecer, e ele sequer lembrava dos atos, pois o criminoso deixava ele alto demais pra guardar alguma lembrança, o que era quase um alívio. Mas agora ele estava morto, e Tsume e Hana também, fora o próprio Kiba. Ele estava despedaçado.
No segundo estágio, ele havia acabado de esbarrar com Shino, no funeral. Estava tentando evitá-lo, mas Shino era esperto. Esperou que ficassem sozinhos. Precisava tanto conversar, e Kiba via claramente as marcas vermelhas no rosto do namorado, indicando o tanto que o outro chorava.
Mas a raiva era mais forte que ele. Com um tapa no rosto, largou Shino e foi se pôr em frente dos túmulos. Sentiu-se envolvido por Naruto, e se permitiu chorar mais.
Quando o terceiro estágio começou, Naruto estava preparado. Kiba tentava barganhar, pedia enquanto dormia, enquanto lavava a pouca louça, enquanto arrumava o apartamento pequeno do melhor amigo, mas nada que ele dissesse fazia com que sua mãe e irmã passagem pela porta, dizendo como tudo era uma brincadeira engraçada. Nesse estágio, Naruto assistiu com ele todos os filmes de comédia em que conseguiu pensar.
Kiba ria. Mas Naruto não era tão bobo, ele sabia que era um riso falso. Kiba até se enganava, mas nunca enganaria seu melhor amigo.
Então veio o quarto estágio. Depressão. Porém lado, Naruto se animou. Depois da depressão, viria a aceitação... Se bem que estava demorando tanto...
Não que ele reclamasse. Ele não tinha emprego fixo — não que precisasse — e se tivesse, largaria tudo pra estar com o amigo. Mas seu coração se partia ao ver Kiba partido. E ele não sabia o que falar.
Kiba se negava a tocar no nome de Shino. Naruto não o forçava, e até tentava ignorar a questão da quantidade de picadas no braço do amigo que sempre aumentavam. Ele nem sabia quando o moreno achava tempo pra se drogar, e tentava impedir, mas simplesmente... Não conseguia. Inuzuka se sentia no paraíso, ele esquecia o presente e voltava pro passado quando usava suas seringas.

Você não tem heroína, então usa Algafan

Viciou os seus primos, talvez sua irmãMas aqui não tem Village, rua 42Me diz pra onde é que é que você vai depoisCadê os seus planos? Cadê as meninas?Você agora enche a cara e cai pelas esquinas

***

Três semanas depois, as marcas pararam. Alguns cortes apareceram. Pequenos, mais parecidos com arranhões. Mas eles também pararam. Naruto se sentiu seguro em sair por períodos mais longos, comprar comida com mais atenção, tomar banhos um pouco mais demorados. Kiba sorria com mais facilidade. Ainda era falso, mas ele tentava.
Naruto sabia que era falso. Mas ele não conseguia mais do que aquilo, e queria tanto que tudo passasse... Gaara garantiu que iria melhorar. Ele havia visto seu pai ser assassinado, quando adolescente, mas levava uma vida feliz, ao lado dos irmãos. Naruto confiava naquela promessa.
Ele passou a permitir que Kiba também tomasse banhos demorados. Então, pediu que Shino voltasse a tentar.
Assim como Naruto cuidava de Kiba, Hinata tentava animar o entomologista. Ambos, Uzumaki e Hyuuga, se dedicavam com afinco. Hinata parecia se sair melhor.
Pouco depois do quarto mês, Shino recebeu os papéis. Confirmavam que, contanto que ele e Kiba casassem, poderiam adotar.
Mas Kiba não falava com ele.
As ligações eram ignoradas. As mensagens apagadas, ele sequer lia. E em uma noite, Kiba escapuliu. Se dirigiu a boate que tivesse mais fluxo de drogas, e ele, como detetive, sabia achar tais lugares.
Péssima escolha.
Kiba começou a emagrecer. Ele sumiu. Naruto e Shino, todos seus amigos, tentavam encontrá-lo, mas Kiba havia largado até Akamaru, seu fiel amigo desde a infância. Ele passava as noites em baladas, dormia em qualquer lugar que o aceitasse, fazia sexo casual com quem tivesse o cheiro mais forte de maconha.
Ele se trancava em qualquer banheiro, de qualquer boate. Não faltava dinheiro, até Shino congelar a conta do outro. Não deixaria ele afundar mais ainda.

Eu quero você, mas não vou lhe ajudar

Não me peça dinheiro, não vou lhe entregarCadê a criança? Meu primo e irmãoSe perdeu por aí com seringas na mão

Não conseguiam encontrar Kiba.
Mas, sete meses depois dessa rotina louca, ele bateu na porta do seu antigo lar. Shino abriu. Um abraço nunca foi tão apertado e tão cheio de sentimentos. Os dois choravam. Kiba pedia ajuda. Estava tão magro...! Cheirava a álcool e a todo tipo de substâncias entorpecentes. Estava escapando de tipos variados de doenças, cânceres e seus cabelos sofriam mais que seu rosto.
As duas marcas de nascença vermelhas estavam apagadas, o rosto estava fundo. Tão magro que Shino temia que iria quebrá-lo ao mínimo toque.
Ele implorou perdão. Kiba mal tinha voz pra responder. Ele fedia. Fedia a doença, morte, drogas. Tudo contra o qual juraram lutar. Akamaru mal reconheceu seu cheiro.
Shino resolveria. Ele faria qualquer coisa para reconquistar seu amor.
Sakura foi a segunda pessoa a ver Kiba. Como médica, foi pra quem Shino ligou primeiro. Sasuke e Naruto vieram depois. Kiba dormia. Sakura e Shino conversavam sobre o tratamento. Kiba estava a dois passos tortos de perder alguns órgãos vitais.
Os amigos estavam ao seu lado quando, dois dias depois, Inuzuka acordou. Sai tinha feito desenhos pra ele. Ino levara flores. Sakura administrava remédios em uma intravenosa. Sasuke, Shino e Shikamaru falavam sobre Kiba voltar ou não para a delegacia. Hinata havia feito um casaco de lã, muito brega e muito amável. Chouji levara comida, Naruto estava com Akamaru. Até Rock Lee estava lá, Tenten, Neji. Cada um com algo diferente, queriam seu amigo de volta. Ninguém queria mais do que Shino.

***

Meses depois, casaram. Conseguiram adotar uma garota. Ela era linda, sua pele negra contrastava com a dos outros dois.
Aos poucos, Kiba reaprendia a viver. Ele sorria. Shino, ele e Donnatela, faziam programas em família.
Kiba voltou para a delegacia no começo de novembro. No próximo mês, foi fazer uma visita aos túmulos da mãe e da irmã. Ele sentiu todo o esforço sendo sugado pelo ralo.
Apenas não sabia esconder o ressentimento que sentia pelo esposo. Shino se envergonhava disso, mal o encarava, mas eles faziam de tudo pra dar um lar à Donna.
Na virada de ano, veio a aceitação.
Mas não estava certo. Kiba não queria aceitar. Não era certo. Não era certo!
Como o mundo não parou?! Sua família estava morta! Ele estava casado com a pessoa que causou o fim.

Lentamente, voltou a se isolar.

Por que você deixou suas veias fecharem?

Não tem mais lugar pras agulhas entraremVocê não conversa, não quer mais falarSó tem as agulhas pra lhe ajudar

***

1998

Janeiro. A aceitação veio e sumiu, igualmente rápida. Kiba demorava muito mais nos seus banhos. Ele não encarava Shino. Não encarava a filha dos dois.
Em um dos seus dias de folga, deixou Donna na creche e voltou pra casa. Sentiu a ansiedade começar. Shino estava trabalhando. Naruto não estava em casa.
Mas... Ele pediria ajuda, se pudesse?
Kiba trancou a porta. Ele sabia que a resposta era não. Inuzuka não aguentava mais ser um peso, ser o cinza do grupo. Estava cansado de ver seus amigos mudar de assunto por causa dele, de deixar de cumprir certos casos por causa do passado. Cansado de magoar Shino. Bom, de qualquer forma, ele realmente agira certo. Tsume e Hana concordaram. A culpa não era de ninguém.
Ninguém, exceto Kabuto.
Mas Kiba não podia matar Kabuto de novo.
Também não podia ver Tsume e Hana de novo.
Não encarava Shino nos olhos de novo.
Não era feliz.
E ele sabia como resolver o problema.
Kiba não seria mais um peso.

***

Encontrou, debaixo da cama, uma seringa velha e alguns vidros. Pegou o celular e redigiu uma bela carta. Precisava se garantir de que leriam, então enviou para sua ex-professora favorita: Kurenai. Observou a foto de perfil da mulher, segurando Mirai, sua filha, no colo.
Clicou o botão de enviar. Fechou os olhos, jogou o celular pra longe. Esperou. Não demoraria muito agora.

***

—Abre essa porta.

As batidas eram cada vez mais altas. Ele não conseguiria ignorar por muito mais. Jogou a chave por baixo da porta, sentado ao lado da mesma e sem forças pra levantar e abri-la.
Shino, pálido, entrou.

Dado, Dado, Dado... O que fizeram com você?

—Isso é... Deplorável. —Shino disse, olhando para o outro homem, sentado na sua frente. Esse, sentado, tinha os braços cobertos de pequenos furos vermelhos. Magro. O apartamento estava bagunçado, o cachorro não estava ali. Shino se ajoelhou ao lado de Kiba. —Meu amor, o que aconteceu com você?

Apalpou o rosto do amado, Kiba estava congelando. Alcançou o celular, ainda aberto na conversa de Kurenai, e discou, tremendo, o número da Emergência. Também ligou pra Sakura.
Ambos chegaram em menos de quatro minutos.
Ambos demoraram demais.
Shino abraçava o corpo inerte de Kiba... E Shino também estava inerte.
Sakura chorou. Fora muito lenta. E Donna apareceu na porta, acompanhada do desinformado Naruto.

***

Quando um filho enterra um pai ou mãe, é até normal. Os mais velhos se vão primeiro. Quando os amigos vêem seus amigos sendo enterrados, tão novos, e a sensação terrível, o choque de saber que nunca mais os veriam... Não.
Quando os pais vêem seus filhos sendo enterrados... Não.
E os pais de Shino abraçavam Donnatela, como se fosse a única coisa que os ligassem aos outros dois, uma versão sombria de Romeu e Julieta.
Naruto estava inconsolável, todos estavam, então foi Kurenai quem leu a carta do suicídio de Kiba. Não era enorme — o Inuzuka nunca foi bom com palavras.

—"Por favor, me perdoem. Eu amo cada um de vocês. Mas não vou mais causar problemas."

Ela não continuou. Não poderia, mesmo que aguentasse falar. A carta era apenas aquilo. Asuma leu o recado de Shino, o qual ele havia escrito com seu próprio sangue, antes de perder a consciência graças aos cortes.

—"Perdão. Eu não posso viver sem ele."

Dado, Dado, Dado

O que fizeram com você?

Dado, Dado, Dado

O que fizeram com você?

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April 25, 2018, 4:32 p.m. 0 Report Embed 1
The End

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