Made of Fire Follow story

littlefatpanda Josi (littlefatpanda)

O Sr. Turner, ou Dragão, como os alunos preferem chamá-lo, é um professor do curso de Administração. O apelido foi adquirido devido a seu comportamento hostil e postura arrogante. Após atrapalhar sua aula, Will se torna alvo da atenção de Turner, o que não é coisa boa... Ou sim? Os olhares frios se tornam cada vez mais quentes, fazendo jus ao apelido maldoso, e os dois acabam por se encontrar em território desconhecido. Por outro lado, Will sempre gostou de brincar com fogo.


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#romance #yaoi #lgbt #amizade #shounen-ai #universidade #aluno-professor
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Prólogo

Estava sentado na classe, ao lado da janela, enquanto sacudia incessantemente a caneta em minha mão. Desliguei-me de todos os sons ao meu redor, completamente imerso em meus pensamentos. Só conseguia pensar naquele grupo de pessoas ajoelhado ao chão, deste ontem. Era impossível frear os pensamentos que se desenrolavam em minha mente.

Caramba, como é que as coisas acabam assim? Está certo que fins geralmente são impactantes, logo, era de se esperar algo do tipo. Mas um fim incompleto? Deixando a desejar? Poxa, eu quero saber o que vai acontecer agora. Eu tenho esse direito! Mas é impossível no momento. Só o tempo vai dizer. Só esperando alguns meses... para saber quem Negan matou.

Caralho, como é que a temporada acaba assim?

Ouch! — Virei para ver a cara sardenta do Cenoura, enquanto este soltava uma risada esganiçada. Seu rosto, devido ao riso, estava da cor dos seus cabelos.

— Acorda, cara! Pára de pensar em mulher! — Pude ouvir Gabe dizer ao meu lado direito, com os olhos divertidos.

— Ele não está pensando em mulher, está pensando na Amy. — Cenoura se manifestou, rindo enquanto juntava a borracha que acertara minha cabeça instantes antes.

— E ela não é uma mulher? — Johnny, sentado atrás de Cenoura, ergueu os olhos míopes do tablet com o cenho franzido.

— Não, ela é a Medusa. Transforma em pedra tudo o que vê — respondi pelo Cenoura. — E eu não estava pensando nela! — acrescentei, na defensiva.

Amy é minha ex namorada. Eu a conheci no primeiro semestre do meu curso, em uma festa, já que ela cursava Jornalismo. Ela estava linda quando nos conhecemos, o cabelo castanho claro esrava solto em ondas, os olhos cor de mel contornados por rímel e aquela boca magnífica, pintada de rosa. Ela era linda, divertida e inteligente. Depois de algumas semanas saindo, começamos a namorar.

Sempre me perguntei por que uma mulher como a Amy daria atenção para um cara como eu. Acontece que ela não era perfeita como parecia, muito pelo contrário. A louca tinha um gênio terrível e não demorei muito para perceber. Tinha ciúmes até do ar, ficava irritada por qualquer coisa, não me deixava sair com meus amigos e fazia cenas na frente de todo mundo. Ficava dias sem falar comigo e depois voltava como se nada houvesse acontecido. O pessoal já estava enfurecido comigo por causa dela, e eles tinham razão. Diabos, a mulher era pirada!

Acabei terminando com a Amy no fim do segundo semestre, quando descobri que todas as vezes em que brigamos, ela me traiu com um cara chamado Troy. Seis meses com essa louca e ela me traía com alguém chamado Troy.

Que diabos de nome ridículo é esse, afinal?

— Will, pára de pensar nesta maluca... — Laurel interveio, enquanto enrolava os cabelos tingidos de vermelho. — Vamos no Dan's esta noite, beber até esquecer todos nossos problemas — sugeriu com um sorriso, piscando um dos olhos castanhos.

— Não posso, tenho que cuidar do meu irmão — respondi, prontamente. — E eu já disse que não estava pensando nela!

Pelo menos não até vocês mencionarem, completei mentalmente.

Senti o Cenoura me puxar mais para perto pelo blusão, já que sentava atrás de mim, com um sorriso malicioso. — Em quem estava pensando então?

— Na Lucille! — Bufei, virando para frente de novo e ouvindo a risada do grupo.

— Ei, cara, a gente só estava brincando! — interveio Gabe, enquanto Laurel soltava um suspiro de decepção, atrás de si.

— A brincadeira acabou — disse ela, os olhos fixos na porta da sala. — Lá vem o Dragão.

— E parece que ele vai cuspir fogo hoje. — Johnny completou com um suspiro, guardando o tablet na mochila.

Virei o rosto em direção à porta, observando o rosto carrancudo do Sr. Dragão, vestido em uma roupa social como sempre, com a gravata cinza destacando os olhos da mesma cor. Tinha a barba mal feita, os cabelos escuros e curtos alinhados e na mão trazia sua pasta costumeira. Havia algo nele que fazia-me sentir desconfortável.

Mas suponho que eu não sou o único a me sentir assim, pensei enquanto olhava ao redor.

Ao passo que o Dragão entrava na sala, era possível ver todos da turma indo para seus respectivos lugares e ouvir o barulho familiar de conversas cessar, substituído por suspiros e resmungos mal-humorados. Do lado direito da sala, juro que ouvi alguém bufar.

Ri baixinho, encarando a fera de olhos cinzentos.

O Sr. Richard Turner é o nosso professor de Administração Financeira I, mas preferimos chamar ele de Dragão porque lhe cai melhor. Ele não era, de fato, muito velho. Devia ter por volta de uns trinta anos, mas sua cara de quem comeu e não gostou o envelhecia mais ou menos uma década. No primeiro dia de sua aula, ele colocou metade da turma pra fora da sala; incluindo eu, o Cenoura, o Gabe e a Laurel.

Aparentemente, ele não gosta de conversas, de perguntas ou de movimentos. Até me arrisco a dizer que ele acharia perfeito se não respirássemos.

— Eu trouxe as notas da prova — disse ele, a voz exalando arrogância, ao meu ver. — Foi decepcionante gastar horas do meu tempo para perceber que dou aula para idiotas.

Silêncio total. Afinal, todo mundo sabia que ia se foder na matéria dele. Não era nenhuma novidade.

— Não sei como vocês chegaram até aqui se não entendem o básico da matemática — continuou ele, mal-humorado —, ou o básico da própria língua! Francamente, parecia que eu estava lendo a prova de analfabetas!

Assim, depois de falar nossas notas em voz alta — adorando nossa humilhação, ouso dizer —, ele ditou aquele discurso de "vocês não estão mais no colégio" e finalmente começou a aula.

Eu revirava os olhos quando ouvi um resmungo vindo de Laurel, que inclinou-se na classe para dizer só para nós: — Babaca! Até parece que o problema é a gente — reclamou ela, com as sobrancelhas unidas.

— Talvez o que ele precisa é de um pouco de sexo para relaxar. — Gabe sugeriu maliciosamente, virando a cabeça para frente ao rir baixinho. Ri também, afastando as imagens que vieram à minha mente.

Céus, eu não acabei de pensar nisto!

— Não, acho que não. — Cenoura riu, dando de ombros. — O que ele precisa mesmo para relaxar é de ouro.

Demorei poucos segundos para entender a piada sem graça e engasguei com a própria saliva, tentando inutilmente abafar minha risada com a manga da camisa.

Que droga, Cenoura!

Meus olhos dispararam para a frente ao perceber que a aula cessara. Os olhos da fera me encaravam, assim como todos os outros da sala. Encolhi-me devagar na cadeira, pensando em onde devia me esconder.

Ai, caramba. Fodeu!

— Desculpe, William, eu estou atrapalhando a sua conversa com minha aula? — A fera pronunciou-se, os olhos congelados em mim.

Como diabos ele sabia meu nome, sendo que havia uns trezentos alunos — todo mundo reprovava cinquenta vezes em sua matéria — na aula dele, eu não faço ideia. Mas não gostei nada da percepção do fato.

— Não, senhor. Pode continuar — respondi com um sorriso, devolvendo a ironia.

Ele estreitou os olhos, aproximando-se devagar, a boca em uma linha fina.

Tá bom, admiti mentalmente. Foi uma péssima ideia cutucar a onça com vara curta. Mas eu me recusava a abaixar a cabeça, afinal, havia sido apenas uma risadinha de nada. Foi ele quem começou, afinal.

O cara é apelidado de Dragão, pelo amor de deus!

Não sou um mau aluno, mas alguma coisa nele me revoltava de forma que eu não consegui ficar quieto. Talvez minha língua tenha vida própria às vezes também, mas não importa.

— Quem sabe você e seus amiguinhos — começou, os olhos cinzas dirigiram-se ao meu lado direito e às minhas costas, para logo voltarem à mim — queiram terminar a conversa lá fora?

Reprimi a vontade de revirar os olhos, visto que isto aqui não era um colégio, da forma que ele tanto enfatizara. No entanto, perdi-me em seu olhar, e não de uma maneira boa. Era curioso, afinal. Pensei que os olhos cinzas queimassem como fogo, mas ironicamente me fizeram gelar até o dedo do pé com a frieza neles estampada.

Que mania idiota era essa de olhar as pessoas nos olhos?

Abri a boca, pronto para dar uma resposta que o faria voltar para a toca com a cauda entre as pernas, quando me lembrei de algo importante. Se eu perdesse mais uma aula dele, reprovaria por frequência, já que ele não ignoraria a falta. E eu não era o único, já que todo mundo o evitava ao máximo. Fechei a boca.

Olhei de relance o pessoal e voltei meus olhos ao seu rosto, mortalmente sério.

— Não, senhor — repeti, sério agora. — A conversa acabou. Não vai acontecer de novo — completei, reprimindo a irritação que se espalhava pelo meu corpo.

Ele continuou me encarando por alguns segundos antes de dar-me as costas e voltar à sua preciosa aula. Virei para trás, olhando feio para Cenoura, que limitou-se a segurar o riso. A culpa era toda dele! Afinal, que tipo de amigo faz uma piada dessas no meio da aula, sabendo que não tenho talento algum em controlar o riso?

E isto que eu sentia em meu âmago era minha dignidade se esvaindo?

Encarei novamente meu professor rabugento, de forma ironicamente rabugenta também, para então suspirar, irritado. Não costumo nutrir nenhum sentimento ruim em relação às pessoas, mas eu estava realmente odiando este cara.

Pelo resto da aula, ninguém ousou sequer se mexer.

April 25, 2018, 4:04 a.m. 0 Report Embed 6
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