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grimmliz Liz

Mesmo as piores feridas se fecham com o tempo — e com a pessoa certa ao lado.


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#fluffy #Elriel #Azriel #Elain #ACOWAR #Elain-Azriel
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War of hearts;

Elain x Azriel

A C O W A R

{ Hope }

Chapter. War of hearts

~

Elain recebeu a luz do sol que adentrava pela janela do quarto que ocupava, enquanto encarava o lado de fora. O calor agradável da manhã percorreu pela pele exposta pelo vestido, anunciando o dia que ainda começava a nascer. A casa estava silenciosa, muito provavelmente todos ainda dormiam, agora que não corriam mais contra o tempo, porém, ela claramente não fazia parte desse grupo. A guerra havia terminado há uma semana. Elain sabia que todos tinham suas cicatrizes, mesmo que as mantivessem escondidas bem ao fundo, e ela não era exceção.

Seu olhar pousou sobre o anel, o claro sinal de sua fraqueza. Tanto havia acontecido, tantos morreram e ainda assim, ela não conseguia remover aquele pedaço de ferro que a ligava às terras que um dia a Muralha dividira — o único fragmento humano que lhe restava. Elain levou os dedos ao anel, segurando-o com determinação, mas não conseguiu movê-lo um centímetro sequer. Ainda não.

Ela piscou, suspirando ao girar nos calcanhares e deixar o quarto a passos silenciosos.

Havia momentos que parecia um sonho tudo que acontecera, na verdade, um pesadelo seria a forma mais correta de se referir; mas embora tanto tivesse mudado nos mais variados sentidos, nem tudo havia sido ruim. Feyre era rodeada de pessoas maravilhosas, que a amavam do fundo do coração, e esses sentimentos, Elain sabia, se estendiam a Nestha e ela, talvez não na mesma intensidade — não ainda —, mas a fazia se sentir acolhida, segura, mesmo quando o mundo parecera prestes a se partir.

Elain se dirigiu até o jardim — local que Azriel a levara logo que chegaram na residência pela primeira vez. — As flores estavam ganhando vida novamente, agora que voltaram a receber atenção, a qual Elain era responsável. Não era esforço algum se dedicar a elas, sem contar que eram uma boa distração, algo que Elain era mais do que grata.

Um pequeno sorriso ocupou seus lábios ao ver diversas mudas alinhadas próximas à parede. Rhysand havia dito que adquiriria novas variedades de flores, mas ela não esperava que chegariam tão rápido assim. Elain rapidamente se colocou a trabalhar, reunindo água, pá de jardinagem, e todos os demais instrumentos que iria utilizar. Ela ignorou o par de luvas disponível. Elain gostava de sentir a terra nas mãos.

A jovem feérica havia plantando cerca de meia dúzia de mudas, quando levantou a cabeça a fim de soprar uma mecha de cabelo insistente que escapara de seu coque trançado. Foi então que percebeu a figura no arco de entrada — o encantador de sombras. Azriel a observava inexpressivo, mas nenhuma daquelas sombras que prometiam morte dançavam em seus olhos, ou ao seu redor.

O Illyriano fez uma mesura a Elain, prestes a se retirar, porém, a jovem lhe sorriu, levantando-se enquanto removia parte da terra dos dedos delicados.

— Não imaginei que encontraria mais alguém acordado a essa hora da manhã.

Azriel pareceu sopesar algo antes de avançar alguns passos, aliviando a expressão com um leve curvar de lábios. As asas estavam bem fechadas, completamente curadas ao que parecia, mas ela não pôde deixar de correr os olhos pelas cicatrizes que ele ganhara por culpa dela, por ter ido ao seu auxílio junto de Feyre.

Elain afastou o pensamento quando a sombra de Azriel levantou-se sobre ela; não aquelas que sussurravam, mas a que seu corpo não podia evitar de lançar. Ele era tão maior que ela, um guerreiro Illyriano tão letal quanto outro qualquer — quanto Cassian —, mas Elain não o temia, nunca o temera. Ela se sentia confortável na presença dele.

— Posso dizer que pensei o mesmo — ele lançou um olhar sobre a bagunça organizada. — Desculpe se a perturbei, não tinha intenção.

— Tudo bem, eu estava apenas tentando me ocupar. Depois dos últimos dias, essa calmaria… — Elain se interrompeu, mas Azriel fez um movimento afirmativo com a cabeça.

— Eu entendo… o que quer dizer.

Elain encarou os olhos avelãs de Azriel, que a fitava com sinceridade, compreensão.

É claro que ele entendia, Azriel fora uma das peças fundamentais na guerra, e fizera muito mais que ela, que passara boa parte do tempo atordoada, apenas preocupando a todos, principalmente suas irmãs, ainda mais quando seu dom começou a se mostrar. Ela vira. Mesmo quando Nestha e Feyre tentaram mascarar, mesmo distante demais para se expressar, ela vira aquelas trocas de olhares, temerosos de que ela tivesse perdido o juízo, de que sua sanidade tivesse sido tomada. Mas não Azriel, nunca Azriel.

Ela desviou os olhos, voltando-os para as mudas no chão.

— Sei que não é de seu costume, e talvez prefira algo diferente, mas se quiser…

— Claro, ficaria feliz em ajudá-la — completou ele, antes mesmo que ela terminasse.

Elain assentiu com um leve sorriso, e Azriel se posicionou junto a ela quando começaram o plantio — também dispensando as luvas, o que seria algo até mesmo estranho, dado que o Illyriano era acostumado a lidar com coisas bem piores que terra.

Ambos trabalharam em silêncio, mas não um silêncio constrangedor, era apenas… natural. Suas vozes eram ouvidas apenas quando Elain explicava algo, instruindo-o, ou, quando o encantador de sombras tinha alguma dúvida. Era uma cena no mínimo interessante aquela troca de experiências; a discrepância visualmente intensa, que não fazia sentido algum naquela perfeita interação.

Sem que percebesse, Elain deteve os olhos nos sifões azuis das mãos de Azriel, então, nas cicatrizes, e algo dentro dela se apertou. A jovem nunca soubera ou ousara perguntar sobre elas, pois algo lhe dizia que não eram simples cicatrizes. Mas, ainda que aquela sensação lhe percorresse, Elain não as achava ruins. Era como se fizessem parte do espião, e isso bastava para que as aceitasse sem receios. Talvez não fosse o mais belo dos pensamentos, mas era assim que se sentia.

Automaticamente, Elain moveu os olhos para as próprias mãos, e congelou, encarando-as sem reação.

Azriel interrompeu-se no exato momento, ciente da mudança em Elain — o que era um grande indício de que o encantador de sombras estivera completamente ciente da atenção da feérica segundos antes. — Os olhos avelãs do espião se voltaram para o rosto da jovem, que antes animado e corado pelo leve esforço, agora se mostrava pálido.

— Elain…?

Ela nem ao menos pareceu ouvi-lo.

— Elain? Está tudo bem? — tentou Azriel novamente, sem sucesso.

Azriel ignorou a terra que lhe cobria as mãos, e levou uma delas até o rosto de Elain, virando-o em sua direção. Neste momento os olhos dela pareceram encontrar foco novamente, piscando rapidamente. Ela não se retraiu ao toque do Illyriano, ainda que ele tenha decidido por afastar a mão.

— O que houve?

— Eu… Meu anel. Eu perdi meu anel… Ele estava comigo até agora, mas…

Elain se calou, percebendo o quão tola estava soando ao espião. Era apenas um anel… o anel de um noivado que não mais existia, mas… Nada. Nenhum tipo de julgamento… apenas, novamente, compreensão simples e pura estampava os olhos de Azriel.

— Nós vamos achá-lo, — assegurou ele — apenas acalme-se.

A jovem engoliu em seco, murmurando em concordância, enquanto o encantador de sombras vasculhava a terra com as mãos, revirando cada centímetro, como se achar o anel dela fosse tão importante quanto as missões que realizava em favor de Rhysand.

E assim como ele obtinha sucesso em suas espionagens, minutos depois, Azriel elevou o círculo prateado à visão dela, estampando um leve sorriso no rosto, como se dissesse “veja, está tudo bem agora”. Elain observou-o inexpressiva, extremamente grata, mas também percebendo o quanto aquilo parecia… errado. Injusto.

Se desesperar por um anel, fazê-lo se preocupar com ela por causa de um anel.

De um noivado arruinado.

As palavras ecoaram na cabeça de Elain.

O fato que ela ainda não conseguia aceitar — mas que teria, em algum momento.

— Elain?

Azriel a observou durante todo o tempo, e ela mal se dera conta disso. E de novo, o tom de preocupação em sua voz. Elain se obrigou a sorrir, embora parte dele — aquele em favor ao Illyriano — fosse real.

— Desculpe, acho que apenas... Obrigada, Azriel.

O espião assentiu levemente, os olhos acolhedores, então, estendeu o anel na direção dela. Elain negou com a cabeça, segurando com ambas as mãos aquela que ele segurava o anel, interrompendo-o. A palma da mão dele era calejada, ela percebeu. Não poderia ser diferente, é claro.

— Você poderia, por favor, colocá-lo sobre a mesa? Não quero correr o risco de perdê-lo novamente.

Azriel a analisou por um segundo, antes de silenciosamente atendê-la em seu pedido, colocando-o sobre a mesa externa, que ficava a alguns metros de onde trabalhavam. Quando voltou para o lado dela, Elain já finalizava o plantio de mais uma muda, e o espião simplesmente continuou de onde pararam.

Sem perguntas.

Tão natural quanto respirar.

E talvez uma hora depois, eles tivessem realizado com sucesso completo sua missão, sem interrupções, se na última flor, Cassian não apontasse no arco de entrada, realizando uma entrada muito menos discreta que a do encantador de sombras, rindo em alto e bom som ante a situação.

— Então era por isso que não te encontrava em lugar algum?! Jamais pensei em procurá-lo no jardim.

Elain olhou sobre os ombros de Azriel, mas este apenas ignorou o companheiro, firmando a terra ao redor da flor, para só então levantar a cabeça, encarando Cassian sem afetação alguma.

Algumas mexas do cabelo negro de Azriel de colava à testa, assim como manchas de terra lhe sujava as faces. Elain não estava totalmente limpa, mas poderia se dizer que ela se saia muito melhor que Azriel em parecer apresentável.

— Azriel estava me ajudando, desculpe se isso atrapalhou seus planos.

Cassian dispensou as desculpas de Elain com uma mão. Nesse meio tempo, ele já estava ao lado deles, analisando minuciosamente as plantas, com uma mão no queixo, como se fosse um especialista em algo além de brandir armas ou liderar batalhões.

— Odeio admitir, irmão, mas você leva jeito com flores. Talvez devesse reconsiderar seu campo de trabalho. Você nunca foi grande coisa espionando mesmo — completou Cassian, sorrindo debochadamente ao dar de ombros.

A sombra de um sorriso brincou nos lábios de Azriel, ao mesmo tempo que Elain se intrometeu.

— Não me tente, Cassian… Eu ficaria mais do que satisfeita em tê-lo como meu ajudante. Vai realmente abrir mão de Azriel assim?

Os olhos de Cassian se preencheram de humor, sorrindo abertamente para Elain.

— O que acha de dividirmos a posse? Pode ficar com ele em finais de semana e feriados.

— Não tenho certeza se seria suficiente…

Azriel fez uma careta fingida, olhando de Elain para Cassian.

— O que acham de pararem de fingir que não estou aqui?

Cassian deu de ombros, fazendo sinal para que ambos o seguisse.

— Você estava aí esse tempo todo? Sua sombras devem ter te coberto, ou pode ter sido culpa de toda essa terra — o general Illyriano aponto o corpo de Azriel de cima a baixo.— Sinceramente, você já voltou de campos de batalha menos destruído…

A voz dos três foi sumindo conforme adentravam na casa. O braço de Elain posicionado junto ao de Azriel, que cortês como sempre, a havia oferecido quando começaram a caminhar atrás de Cassian.

De um local discreto, Nestha os observou até que tivessem desaparecido por completo. Ela esteve bem ciente da chegada de Feyre pouco tempo atrás, que também se manteve quieta ante a situação. Só quando cerca de dois minutos se passaram, e ninguém retornou, que Feyre se atreveu a tomar a iniciativa e falar.

— Ela… Elain…

— Sim.

— Aquilo é mesmo…

— Sim.

Feyre e Nestha sorriram ao mesmo tempo, olhando uma para a outra. O tipo de sorriso que só demonstravam em prol de um bem comum — Elain.

— Isso é maravilhoso — comemorou Feyre, ainda não acreditando.

— Sim, é.

E em cima da mesa, esquecido e solitário, o anel de ferro repousava.

Talvez não fosse hoje ou amanhã, em três dias ou mesmo em uma semana. O que importava, é que mesmo que por um momento, Elain havia retirado o anel, se esquecido dele, de seu agora inalcançável ex-noivo — seguiu em frente. E por mais banal que fosse, insignificante, aquilo deu a esperança que precisavam, de que aos poucos, tudo poderia voltar a ser como um dia fora. Se curar.

Não apenas Elain.

Sua família.

Ou as Cortes.

Tudo.

April 23, 2018, 11:37 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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Liz 25 anos || Ariana || INFP || Ficwriter || Multshipper

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