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muffin muffin

Archie e Maxie tinham muito mais a compartilhar do que apenas tabaco.


Fanfiction Games Not for children under 13.

#fluffy #lemon #Hardenshipping #yaoi #pokemon
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Discussões e desavenças

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Já era a terceira taça daquela noite e Maxie ainda estava longe de se sentir entorpecido. Observava entediado os pequenos grupos que trocavam animosidades veladas enquanto fingiam aceitar a presença um do outro. Todo esse ambiente dissimulado lhe embrulhava o estômago, afinal ele era totalmente contrário a essa forçada e desnecessária interação, porém sabia que aqueles contatos entre empresários eram importantes e não arriscaria a própria fortuna por algo simples como asco. Preferia ignorar os demais e apenas seguir sem se importar com o que eles pensavam sobre ele e sua personalidade pouco social.

Enquanto olhava as pessoas, reparou em Archie envolvido em alguma conversa fútil sobre algum assunto que não lhe interessava nem um pouco com Giovanni. O brutamontes de dois metros conversava quase aos berros e o seu ouvinte parecia um pouco incomodado com sua voz estridente, e embora tentasse manter a postura educada, era evidente que queria se afastar. Revirou os olhos se perguntando como aquele imbecil podia perder tão fácil o controle sobre o próprio tom de voz e não conseguir deduzir sozinho que incomodava os demais com isso. Será que era tão burro que não notava os semblantes incomodados de seus ouvintes? Ou que eles rapidamente se afastavam com algum proposito infundado? Suspirou fundo tomando mais um gole e voltou a sua entediante tarefa de olhar para os demais e fingir que tudo aquilo não estava chateando-o.

Passeou os olhos pelo salão encontrando os demais. O vinho havia terminado e sua taça estava tão seca quanto o seu humor. Perscrutou o ambiente em busca de um dos garçons que deveriam estar servindo os convidados, xingando internamente ao notar que nenhum deles se fazia presente. Resignado, ia se dirigir a uma das mesas e se servir quando foi surpreendido por um toque rude e nada amistoso em seu ombro direito. A taça acabou indo parar no chão e ele fechou os olhos irritado aspirando ruidosamente, antes de começar.

_ Quem lhe deu autorização para tocar em mim?- questionou ainda de olhos fechados.

_Ora Maxie, não seja tão ranzinza, queria apenas lhe cumprimentar .– Archie apaziguou com um ar zombeteiro. – Não tenho culpa se tem mãos frouxas.

_ A única coisa frouxa aqui é o teu senso de ridículo. – completou virando para olhá-lo nos olhos permitindo que ele visse todo o ódio que queimava em seu interior.

_ Porque está tão irritado? Por causa de uma taça? Tem várias ali se não percebeu. – apontou descrente elevando a voz em alguns decibéis.

_O que me irrita é ser tocado por você, não entende?!

Ambos travaram uma intensa batalha visual, e nenhum dos dois parecia disposto a se render. Os ânimos exaltados atraíam cada vez mais olhares curiosos e uma pequena plateia começou a se formar discretamente.

Lysandre surgiu como que enviado por alguma entidade cósmica para apaziguar os ânimos dos dois esquentadinhos. Não era nenhuma novidade que aquela convenção acabaria em muitos embates, afinal todos ali presentes, de uma maneira ou de outra, eram ambiciosos demais para aceitar ser menosprezado, o que eventualmente poderia acontecer. Principalmente no caso daqueles dois, famosos por sua antiga rivalidade acentuada. Um embate que findou uma amizade de anos dando início aquela rixa aparentemente infinita.

_Calma rapazes, não vamos estragar a noite por tão pouco. – tentou acalmar com o semblante paciente porém compenetrado, um aviso a ambos de que aquele não era o lugar nem a hora adequada para uma desavença.

Maxie o olhou por longos segundos, ponderando se deveria ou não entrar em uma discussão com ele também, no entanto acabou cedendo ao se dar conta da futilidade daquela intriga. Balançou os ombros como quem não se importa e deu de costas ignorando os dois e se dirigindo a saída, sendo saudado pelo agradável clima noturno.

Aquele movimento arrogante insuflou a ira de Archie. Ele nunca em sua vida aceitou perder uma discussão, ainda mais uma que envolvesse seu arqui-inimigo e essa sem dúvida não seria a primeira vez. Agora se tratava de honra.

Praticamente abriu caminho a força entre o mar de pessoas que ainda o encaravam com olhares curiosos, interessadas em presenciar o final daquela contenda, porém discretas o suficiente para não acompanharem seus passos por além do pórtico. Abriu a porta ainda irado e deixou que ela batesse, demonstrando sua fúria em um aviso claro de haveriam consequências desagradáveis a quem ousasse segui-lo.

Giovanni e Lysandre se entreolharam de maneira cumplice. Aquele evento havia lhes custado um bom dinheiro era bom que aqueles dois paspalhos não estragassem seus negócios por causa de uma briga tão fútil, caso contrário seriam desligados da sociedade, e Arceus os defendesse pois iriam falir sem o apoio dos demais empresários.

Após alguns poucos minutos se afastando da mansão a passos largos, Maxie parou buscando incansavelmente seu maço de cigarros. Passou bons minutos vasculhando todos os bolsos internos de seu traje sem sucesso. Bufou irado pela sua falta de sorte.

Não bastasse seu bom humor estar azedo, escutou passos rápidos se aproximando, e pelo barulho parecia uma locomotiva desgovernada e com pés grandes e chatos. Mais uma vez bufou pensando em como aquela noite parecia um roteiro escrito pelo próprio Giratina em seus dias de furor.

Levou segundos para que a voz estridente tão pouco ansiada lhe rasgasse os tímpanos. Sério, aquele cara não fazia ideia de como era irritante quando gritava. Alguém deveria lhe colocar uma focinheira.

_ Com quem pensa que está lidando para sair e me as costas de maneira tão rude?!- Archie o interpelou antes mesmo de alcança-lo.

_ Não preciso dar satisfações a você sobre nada. – respondeu simplesmente, ignorando-o

_ Acho que passou da hora de você aprender bons modos.

Maxie o encarou com o olhar descrente como quem não acredita no que acabou de ouvir.

_Por acaso isso é alguma piada? Logo você, a pessoa menos educada do mundo querendo me ensinar bons modos? Já se olhou no espelho?

_Eu jamais dei as costas para você enquanto falava, seu arrogante.

_ As costas não, mas quase deixa os outros surdos com essa sua voz de Chatot!- acusou-o.

Archie se aproximou lentamente, com passos comedidos até que ambos estivessem tão perto que Maxie pudesse sentir o cheiro da colônia amadeirada que ele usava, praguejando mentalmente por sentir um reboliço interior se formar com aquele aroma e proximidade. Lutou em vão para não mirar os olhos dele ou demonstrar que aquela pouca distância despertava nele sentimentos conflituosos, mas fracassou ao olhar instintivamente para o alto e encontrar o sorriso ladino que se formava aos poucos naqueles lábios esculpidos por Giratina.

Ele não devia ser tão fraco, mas algo em seu âmago simplesmente se quebrantava quando ele estava próximo.

Lentamente, Archie abaixou um pouco e falou rente ao seu ouvido, fazendo pequenas ondas de êxtase percorrerem o corpo do mais baixo.

_ Se quiser, posso falar mais baixo, senhor Maximilian. – sua voz soou rouca e Maxie fechou os olhos tentando se controlar. Estavam em um lugar muito aberto para esse tipo de demonstrações. Vendo o seu olhar perdido, o mais alto completou com o olhar brincalhão e lascivo. - No entanto, o tom da minha voz não parece te perturbar quando estamos a sós. Principalmente quando estamos na cama.

Sentindo o rosto queimar de vergonha e raiva, Maxie espalmou a mão em seu peito afastando-o com o olhar sério que prometia muitas reprimendas

_Aqui não é lugar!- avisou com os olhos chispando de fúria. Queria muito um maldito cigarro para acalmar os ânimos e quem sabe queimar a cara daquele desgraçado para ver se conseguia tirar aquele sorriso de troça dos lábios dele. Passou ambas as mãos pelos cabelos, alinhando os fios em uma vã tentativa de afastar todos aqueles sentimentos que o deixavam a mercê da natureza animalesca de Archie.

Como que pudesse ler seus pensamentos, o mais alto completou ainda ostentando o ar zombeteiro. Havia um certo prazer sádico em incomodar o parceiro do qual ele não abria mão. Aquele olhar de fúria o excitava de sobremaneira.

_ Prefere um lugar mais reservado, então? - movimentou as sobrancelhas em um convite. Sua raiva havia passado ao perceber que conseguira desestabilizar o amante apenas com seu tom de voz.

_Se não me engano estávamos discutindo, até agora, certo? - Maxie disse ranzinza. – Que tal se voltarmos a brigar? Estava mais agradável.

_ Não me venha com esse papo, sei que você gosta que eu te provoque. Está escrito na sua cara.– tentou pegar a mão do outro que foi mais esperto e a recolheu em segundos, olhando para os lados atemorizado. Archie apenas riu da cara de apavorado dele.

_ Archie, sei que é meio burro, então vou te lembrar que aqui não é o lugar adequado. Temos que manter as aparências. – frisou bem as últimas palavras para que ficasse claro. As vezes seu amante parecia ser menos provido de cérebro que um Magikarp.

_Fodam-se as aparências. Só você se importa com isso.

_Eu realmente me importo com meus milhões no banco e acho que você deveria se preocupar também, afinal sem eles não poderia comprar aqueles charutos tão caros que tanto gosta. – o outro pareceu refletir por um momento, mas ainda mantinha o mesmo ar de bonachão desinteressado.

Outro sorriso de troça. Aquele infeliz parecia não ser mesmo capaz de esconder suas intenções ou fingir normalidade. É certo que já havia um certo tempo que eles se relacionavam e ainda estavam, meio confusos quanto a tudo- ao menos da parte dele-, mas haviam concordado manter seu relacionamento em segredo.

_ Então, o que acha de sairmos daqui e terminarmos essa conversa em outro lugar?- Archie sugeriu com a voz baixa envolvendo o outro pela cintura vem um rápido movimento que colou seus corpos por um segundo. A mente de Maxie perdeu-se por alguns instantes ao sentir o corpo ser contornado por aqueles braços fortes e massudos. Apreciava estar nos braços dele, sentindo o calor e a fragrância que se desprendia dele de maneira inebriante e primitiva, e Archie parecia ciente do reboliço que causava com aquela proximidade.

Mais uma vez Maxie se viu obrigado a interromper o contato, mesmo que a contragosto. Ainda estavam a vista de olhares curiosos, afinal, alguém tinha que ser a criatura pensante da relação e seria ele já que Archie parecia ter uma mente muito diminuta. Mas aceitaria de bom grado o convite de um encontro “particular”. Toda aquela aproximação e a adrenalina o haviam deixado desejoso para continuar a negar.

_Podemos, porém mantenha uma distância adequada, caso contrário...

_O que?- intimou curioso aproximando os rostos. – Vai bater em mim?

_Vou pagar para baterem. Eu não sujaria minhas mãos com você.

_Verdade, você suja outras coisas comigo.

Mas com era abusado! Maxie as vezes tinha vontade de bater nele.

_Se acalme, sei que concordamos em manter certa distância e manter os papeis. Mas as vezes fica difícil, principalmente quando olha desse jeito irritado.

_Olha, não me culpe pelo seu descontrole, seu ...- foi interrompido por um breve beijo que o outro lhe roubou sem cerimonia ou anunciação. Bateu nele, ganhando em troca apenas risos sapecas. – Você não tem jeito!

_Se eu tivesse eu não seria um pirata, sabe disso. – resgatou um charuto do bolso acendendo-o.

Maxie se apressou em pegar outro de seu bolso traseiro, aproveitando o ensejo para lhe dar um discreto beliscão que fez Archie sobressaltar e o encarar incrédulo. Dessa vez foi Maxie quem sorriu vitorioso, colocando o charuto entre os lábios sugestivamente. Aquele era um jogo para mais de um. O mais velho riu de sua ação, contaminado pela alegria do momento. Eram para estar trocando farpas e xingos, mas cá estavam eles a trocar beijos, beliscões e outros atos que deveriam ser mantidos no particular.

_ Está esperando o que para acender meu charuto, seu brutamontes?- Maxie questionou ainda o encarando com o olhar de mofa.

Archie apenas riu, contagiado pelo momento. Segurou o isqueiro entre os dedos oferecendo-o ao mais baixo, que meio contrariado ergueu a mão para pegar, porém arremessou-o na grama alta e rindo do olhar de descrença de Maxie.

_Sua besta!- reclamou revoltado- Agora como vou acender o meu charuto?!

_ Use o fogo da tua raba, senhor Charmeleon. – riu ao levar alguns tapas. Aquilo nunca perdia a graça.- Estou brincando. Acende usando o meu charuto.

Maxie o encarou com o olhar emburrado, mas aceitou a condição porque já sentia o corpo reclamar a falta de nicotina. Não era um cigarro, mas o tabaco a substituiria até que comprasse outro maço.

Archie abaixou para que ele alcançasse, e encostaram as pontas tragando a fumaça para que a ponta acendesse. Enquanto o faziam se miravam profundamente nos olhos em mudas promessas. Maxie se afastou ao perceber que seu charuto estava aceso e propositalmente tragou com força, segurando a fumaça e liberando-a no rosto de Archie que tossiu surpreso.

_Isso é por tentar me fazer de idiota, e por quebrar a minha taça.

Ambos riram cúmplices daquela travessura. Todas as conversas falsas que deviam manter enquanto estavam em meio aos demais lhe estafavam. Precisavam de um lugar mais calmo para pode se sentir livres e o fariam sem se importar em abandonar o evento, afinal todos lá dentro sabiam o quanto eram inimigos e que tinham o costume de sair sem se explicar quando estavam furiosos. Só não contavam que aquela inimizade tinha alcançado um novo e curioso patamar e que o desejo de Maxie estava além de consumir apenas nicotina. 

April 22, 2018, 7:02 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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