A Barba do Papai Follow story

Yue Yue Chan

Boruto amava quando o pai vinha brincar com ele, mas definitivamente detestava quando ele insistia em roçar nele a barba ainda por fazer.


Fanfiction All public.

#naruto #fluffy #comédia #boruto #Papadaime #Família-Uzumaki
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A arte de perturbar

Mais uma fic para enaltecer a santa igreja Papadaime.

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Boruto odiava aquela sensação.

Não fazia nem ideia de como começara aquele martírio, ou tinha certeza com exatidão da primeira vez a qual foi submetido aquela tortura, mas era fato que detestava com todas as forças quando o pai roçava a barba por fazer nele.

Sério, era enlouquecedor!

O movimento de vai e vem em suas bochechas era incômodo e nem de longe agradável. Era como ter a pele em atrito com uma esponja áspera, ou com uma escova de cerdas de aço quando o pelo ainda estava muito curto e inflexível. Ah!

O pai parecia se divertir as suas custas e sempre que se dava conta de que a barba estava crescendo parecia fazer questão de testar nele.

Era irritante! Cem por cento desnecessário e importuno!

O pior era que ele sempre parecia muito contente e satisfeito em pentelhar todo mundo da casa com aquele hábito.

Nem mesmo a esposa escapava daquele castigo e acabava ralhando com ele mesmo que a voz falhada pelo riso que tentava conter não lhe concedesse muito crédito.

A primeira vez que se lembrava de ter vivido aquele martírio foi quando estavam em um almoço na casa de Sakura.

Boruto devia ter entre quatro e cinco anos, e nessa época já implicava com a pequena Sarada que não deixava por menos nem levava desaforo para casa.

O menino parecia muito concentrado em irritar a jovem Uchiha que se defendia apontando a língua de maneira implicante enquanto ele revidava fazendo as mais diversas caretas, puxando os cantos dos olhos ou boca com os dedos.

Provocava-a das mais diversas formas até que cansada das implicâncias dele, Sarada revidou atirando um dos chinelos em seu rosto.

Sentido ele começou a chorar no intuito de chamar a atenção da mãe, mas Naruto foi mais rápido e o acolheu em um abraço apertado, acariciando o rosto vermelho do filho.

—Mas o que foi que aconteceu aqui?— Sakura apareceu segundos depois com Hinata em seu encalço que logo se pôs ao lado do marido para consolar o filho. Não era preciso ser nenhum gênio para deduzir que Sarada com um pé descalço somado a um Boruto choroso com o rosto vermelho formavam a equação perfeita. — Não me diga que bateu nele de novo, Sarada?!- repreendeu-a veemente.

A pequena fechou o cenho emburrada, olhando para a barra do vestido que apertava entre os dedos enquanto tentava conter o próprio nervosismo. O olhar carrancudo que ela dedicou de esguelha para Boruto durante um segundo que levantou a cabeça, fez Naruto rir por dentro lembrando de Sasuke.

Definitivamente aquela carranca mal humorada era herança Uchiha.

—Ele que começou, esse baka!— rebateu apontando para o menino que ainda tinha a mão no rosto que ardia- Fica implicando comigo o tempo todo, é um chato! Eu avisei que ia bater nele se não parasse.- justificou-se acreditando estar coberta de razão.

— Sarada, você jogou o chinelo na cara dele!- apontou o objeto no chão. – Sabe que isso é covardia. Eu não te ensino a ser assim.

—Foi bem feito para ele. Merece muito mais que uma chinelada.— resmungou entredentes com a voz contida.

— Vai pro seu quarto. Daqui a pouco eu vou lá para a gente poder ter uma conversa sobre esses seus modos.

—É ele? Não vai ficar de castigo também, não?— questionou apontando para o Uzumaki que agora a encarava com um olhar vitorioso e zombeteiro.

— Quem vai decidir quanto a isso são os pais dele. Agora já para o seu quarto e pense no que acabou de fazer. – ordenou com o dedo em riste.

— Tsk— estalou a língua em desagrado, recolheu o chinelo do chão e se pôs a caminho do quarto para obedecer a mãe que ainda a olhava de modo severo e desapontado.

Quando passou por Boruto viu o pestinha lhe mostrar a língua e por pouco não lhe tacou o outro chinelo na cara.

Olha ele! Tá fazendo língua para mim!- acusou-o, mas antes que os adultos vissem algo ele escondeu a língua e forçou o choro novamente.

Pro quarto, Sarada!— Sakura se manteve firme.

O olhar resoluto da filha era o prenúncio de que seria uma batalha conversar com ela depois. Respirou profundamente. Sentia-se realizada por ter conseguido casar e formar família com o homem que sempre amara, mas aquele gênio turrão que a filha herdara do pai era um desafio e tanto. Sarada era uma menina doce e obediente na maioria das vezes, no entanto lidar com seu lado ranzinza exigia muita paciência e jogo de cintura.

—Pelo visto ela não nega ser filha do Teme, não é mesmo Sakura- chan?- Naruto perguntou rindo levantando com o filho no colo.

—Nem me fale.— revirou os olhos cansada. - As vezes é uma batalha sem fim.- aproximou-se do pequeno Boruto avaliando os possíveis danos. – Ainda bem que não machucou sério.

—Que isso, Sakura-san, não se preocupe, não foi nada demais. — Hinata se pronunciou se aproximando para dar um beijo na bochecha do mais velho. – É normal acontecer algo assim quando as crianças brincam.

— Me desculpem mesmo. – pediu envergonhada. – Normalmente a Sarada é uma menina tranquila. Não costuma brigar com outras crianças. Ela se dá tão bem com o Inojin, a Chouchou e o Shikadai, não sei porque essa implicância com o Boruto.

—Pois eu imagino o que seja. — Naruto disse olhando de lado para o filho que tratou de se esconder de seu olhar acusatório. – Conheço bem o Boruto e sei que ele não é nenhum anjo.

—Mesmo que não seja isso não é motivo para a Sarada jogar um chinelo nele.

— Pode deixar que eu vou ter uma conversa particular com esse senhor aqui quando a gente chegar em casa. — o olhar austero e perolado da mãe, tão cheio de promessas fez o sangue do pequeno gelar. Ele detestava as conversas com a mãe que na maioria das vezes era um doce, mas era um monstro assustador quando o educava.

Só tinha um jeito de tentar escapar dos sermões maternos.

Ergueu os olhos para o pai em uma súplica silenciosa.

Naruto não quis ceder e se manteve firme pelos primeiros dez segundos.

Infelizmente era mais forte do que ele. Aqueles olhinhos amedrontados pedindo socorro daquele jeito tão inocente. Entendia o pavor que o filho sentia, afinal de contas também tinha conhecido o lado “mãe” de Hinata e ela estava longe de ser do tipo permissiva que deixa passar traquinagens sem uma intensa conversa sobre as consequências.

Até ele enquanto marido também pagava por sua falta de zelo e organização.

—Deixa que eu converso com ele, Hina.— tentou apaziguar com a voz suave como seda.

Hinata passeou os olhos do marido para o filho e vice versa, séria e compenetrada como se analise a funda a situação enquanto ponderava se devia ou não deixar aquilo a cargo de Naruto que tinha a mania de ser meio camarada demais com as bagunças do primogênito.

Por fim acenou com a cabeça e voltou a atenção a filha que dormia em seu colo.

Porém antes de sair deixou um aviso.

Depois eu quero saber direitinho o que aconteceu aqui.— saiu deixando o clima tenso.

Quando ela queria ela sabia ser bem assustadora.

A conversa ocorreu como Naruto esperava: Boruto negou sua culpa, fez drama, colocou-se como vítima, e como o garoto sabia atuar! Por Kami, gesticulava e se exaltava como se fosse a criatura mais inocente do planeta. Se quisesse ser ator ao invés de ninja, sem dúvida teria uma bela carreira.

Naruto revirava os olhos a cada tentativa de esquiva dele, perguntando-se como ele que nunca fora conhecido por sua genialidade, tinha tido um filho tão esperto e argumentativo ao ponto de querer convencê-lo de que não tinha feito nada? Se a genética dos Namikaze tinha algo a ver com isso sem dúvida tinha pulado a geração dele.

Cansado de tantas lorotas acabou dando um cascudo na cabeça do pequeno para que ele parasse de falar. Aquela sim era uma característica que ele tinha herdado dele.

Ai papai, doeu!- resmungou acariciando o topo da cabeça.

É para doer mesmo, quem sabe assim não para de tentar me enganar. Eu não sou idiota não, Boruto, sei que você não é nenhum santo.

—Mas foi ela quem começou, eu estava brincando quietinho sem fazer mal a ninguém.

—Sei...— o loiro disse estafado daquilo tudo. Levantou-se esticando as pernas doloridas por ficar muitos minutos na mesma posição. – Acho melhor deixar a sua mãe conversar com você sobre isso.

—NÃO!- implorou segurando as pernas do pai. — Eu prometo que vou falar só a verdade, por favor pai, não deixa a mamãe conversar comigo.— ensaiou o melhor olhar pidão, mas dessa vez não ia funcionar.

Eu não vou cair de novo nessa carinha de cachorro abandonado, filho. Nem adianta tentar. – afirmou convicto.

—Mas pai...— ameaçou o choro começando a fungar. – Eu ... ela é brava... eu tenho medo.— as primeiras lágrimas já desciam.- Me salva, papai, por favor!

Naruto podia ser conhecido por muitas coisas: sua coragem, bravura, teimosia, lerdeza, espírito afoito. Porém se tinha uma característica dele que era mais gritante era o seu grande coração. Amar em demasia era sua perdição, com isso acabava acolhendo as dores de todos. Foi assim com Gaara, Sasuke e muitos outros amigos e não seria diferente com Boruto.

Rendeu-se amuado, incrédulo da própria incapacidade de negar algo tão simples para aqueles olhinhos de filhote.

Tudo bem, vem cá.— abaixou e o acolheu em um abraço apertado.

Ai pai, sua barba!- Naruto olhou confuso para o pequeno que esfregava a bochecha incomodado, tentando manter os rostos a uma distância segura sem que se tocassem.

Lembrou-se que não fazia a barba desde que voltara da missão em Suna há três dias. Passou a mão pelo queixo constatando que já estava na hora de aparar os pelos que se projetavam como pequenas cerdas pontiagudas. Realmente era uma sensação estranha e áspera. Iria dar um jeito naquilo quando chegasse em casa.

De repente uma ideia o assaltou e um sorriso traquina surgiu em seus lábios. Boruto olhou-o indagativo antes de entender quais eram as intenções dele e tentou se esquivar dos braços do pai que foi mais rápido fechando sua fuga, trazendo-o mais para perto.

— Acabei de pensar no seu castigo. — seu tom de voz saiu propositalmente grave e sádico.

Os olhos do pequeno Boruto ficaram estatelados e ele tentou afastar o rosto do pai o máximo possível com as mãozinhas que balançavam desesperadas no ar.

—Não, pai!- rogou atônito, apavorado. – É horrível, não!

Por mais que tentasse ele não conseguiu impedir, e o pai, mesmo lutando contra as mãozinhas que tentavam afastá-lo, conseguiu encostar o queixo peludo em sua bochecha, em um movimento de vai e vem que parecia mais com um ato de lixar algum metal que o de carinho.

Ele esperneou aborrecido com aquela sensação áspera que pinicava.

Depois daquele dia era constante essa rotina de perturbação. Sempre que se via com a barba por fazer, o pai corria pela casa catando os infelizes moradores com a intenção de amofiná-los com aquela desagradável sensação de aspereza que deixava a pele irritada e pinicando.

Se o pai se importava com os olhares ranzinzas e reclamações? Nem um pouco. Se o importava, sabia esconder muito bem. Ele parecia mesmo estar mais preocupado em pentelhar os outros.

No final acabava sempre com os filhos correndo atrás dele em busca de revanche, a casa ficava de pernas para o ar, Hinata ralhava com eles, fazia-os arrumar tudo novamente para no final se render e acabar no meio da brincadeira.

Era comum terminar todo mundo no chão depois de algumas intensas e extenuantes lutas de cócegas, com direito a mãe descabelada e pai nocauteado pelos dois que faziam questão de pular em cima dele, com uma predileção pela área do estômago, o que o deixava sem ar.

Naquela época era tudo muito divertido. Apesar de fazer muitas missões o pai sempre tinha tempo para eles nos dias que folgava entre os trabalhos. Mesmo sendo muito requisitado ele dava um jeito de estar lá para um bom dia, ou boa noite. Ler para eles antes de dormir ou brincar até que todos perdessem o ar de tanto rir ou desmaiassem exaustos nos braços dele.

Bons tempos. Antes dele ser o todo poderoso e ocupado Nanadaime Hokage.

Boruto aprendeu a odiar a nova posição do pai diante da vila, pois agora ele era a autoridade máxima de Konohagakure no sato, e isso significava menos tempo para eles. Quase nem via ele mais, e nos raros momentos que isso acontecia não dava para passar mais do que alguns minutos antes dele retornar ao escritório.

Isso tornou Boruto um garoto ressentido. O pai já não era mais o mesmo, parecia estar afundando em trabalho, cada dia mais e mais ocupado, preocupado e exausto.

Surpreendeu-se ao vê-lo entrando no banheiro enquanto estava escovando os dentes. Ia protestar quando percebeu que ele estava tão fatigado que nem mesmo conseguia manter os olhos abertos por completo.

Resolveu não reclamar e ignorar a presença dele.

No entanto Naruto se colocou a o lado do filho pronto para escovar os dentes. Forçou-se a abrir os olhos, resmungou um “bom dia” quase inaudível e incompreensível pela voz cansada e após balançar os cabelos do filho, pegou a escova de dentes, parando antes de iniciar o processo para passar a mão pelo queixo, coçando-o.

Não fazia a barba a quantos dias mesmo?

Quando Boruto percebeu era tarde demais. Ainda tentou escapar, mas o pai revigorado magicamente por uma energia e disposição instantâneas – sabe-se lá de onde surgida- parecia disposto a não deixar que ele escapasse. Prendeu-o com força entre os braços e roçou a barba pela bochecha dele, sem esmorecer ou diminuir o ritmo mesmo ante os resmungos dele.

No fundo Boruto gostou, apesar de sentir a pele da bochecha reclamar com o incomodo.

O pai sempre seria o mesmo não importasse quanto tempo passasse, nem mesmo o fato dele ser um adolescente e não mais um menininho. Ele parecia simplesmente não se importar com isso e continuava o processo.

Riu ao ver Himawari entrar sonolenta e se deparar com a cena, fugindo segundos depois aterrorizada quando o cérebro finalmente processou o que estava acontecendo e lhe deu a certeza de que ela seria a próxima, quase tropeçando ao perceber que ele tinha saído em seu encalço.

No fundo nunca se cansaria dessa energia que o pai tinha para pentelhar os outros.

E era bom saber disso.  

April 22, 2018, 11:46 a.m. 0 Report Embed 4
The End

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