Marcas da Solidão Follow story

kalinebogard Kaline Bogard

Aburame Shino é um Alpha que escolheu viver isolado e sozinho em extenso feudo, incapaz de superar a dor pela perda da esposa e da filha a que ela deu à luz. Dez anos depois, a solidão em que vivia sofre um abalo. Ele descobre que existe alguém escondido em suas terras, vivendo como um Beta como os demais, fingindo ser alguém que não é. E essa pessoa vem para abalar seu mundo, até então marcado pela pura solidão.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

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O primeiro dia da primavera

Floresce a ameixeira
e canta o rouxinol
mas estou só
(Issa)

Aburame Shino contemplou o nascer do sol pela janela, meio escurecido pelo óculos de lente preta. Costume que honrava todas as manhãs, enquanto os servos lhe serviam o café. Seguia uma rotina imutável e confortável, pelos últimos anos, dia após dia, um desfile previsível do qual nada esperava de novo. Do qual nada queria de novo.

Exceto uma vez no ano, no primeiro dia da primavera, quando era tradição em Konoha dar inicio ao plantio do arroz. A tradição exigia que os senhores feudais dessem uma volta pelo feudo, clamando as bênçãos dos deuses para mais uma safra de fartura.

Como um homem de costumes, Aburame Shino cumpria mais um ritual.

Nesse dia do ano também se dava inicio às celebrações do Matsuri, levando a população da vila em peso para reunir-se no centro, aproveitando das barraquinhas de comida e brincadeiras.

Animação e envolvimento ao qual Shino abandonou muito tempo atrás. Quase dez anos passados.

Mas se podia fugir do festival; de suas obrigações como senhor feudal e Alpha da família Aburame, não conseguiria se esquivar.

Calmamente se alimentou. Era um homem de hábitos comedidos, inclusive a alimentação. Fato que se refletia no pouco arroz branco, filé de salmão e salada regada com molho agridoce, algo muito menos farto do que se encontraria no desjejum de alguém em tão elevada posição social.

Mas a alegria de viver que se refletia nos menores gestos, inclusive nas refeições, havia desaparecido.

Terminou de comer rápido, pois queria sair logo para os campos de arroz e fazer a verificação anual. Isso demandava tempo, sua propriedade era extensa.

Iria a cavalo, para não se cansar demais. Ir a pé talvez levasse o dia todo.

O sol ainda não havia nascido por completo quando Aburame Shino trocou as vestimentas que cobriam seu corpo quase completamente por um traje formal clássico, todo em preto e cinza escuro. Dispensou a comitiva de servos que seria esperado o acompanhar no trajeto. Ninguém estranhou que ele escolhesse assim. No passar dos anos, a preferência pela solidão era característica marcante do Alpha senhor daquele feudo.

Sozinho, Shino recebeu o alazão branco das mãos de um cavalariço, montou e partiu.

Pretendia começar pelos campos mais distantes, e só então vir se aproximando da grande casa. Ajeitou o par de óculos escuro no rosto, para proteger os olhos fracos de qualquer mínima claridade.

O cavalo pôs-se a trote cadenciado, seguindo os breves toques dados no cabresto.

Avançou ao largo do belíssimo jardim oriental, bem cuidado e vistoso, lugar em que passava boa parte do dia a meditar. Saiu no terreno intermediário, de onde já podia divisar ao longe os primeiros campos a serem cultivados.

Enquanto prosseguia, tentava trazer bons pensamentos a mente. Não era um homem de crenças fortes, embora participasse e cumprisse o seu papel da melhor forma possível.

Algum tempo depois, em vias de fato, alcançou o primeiro grande descampado. Viu camponeses espalhados pela divisão do terreno em pequenos lotes, enfiados na água até os joelhos, erguendo e baixando as enxadas, para remodelar as valas que redistribuem a água para irrigar a plantação. Tais camponeses cantavam, de modo a manter o ritmo constante do trabalho, sob um sol que avançava no céu, ameaçando tornar-se escaldante naquele início primaveril.

Aqueles homens e mulheres, usando trajes humildes e escondidos debaixo de grandes chapéus de palha, eram um pequeno exército de Betas, que empregava a força de trabalho em troca de moradia, alimentação e segurança.

Assim funcionavam os feudos em Konoha, cuja base eram as relações simbióticas de autoajuda, seguindo a liderança dos Alphas mais fortes.

O feudo Aburame era um dos mais prósperos na plantação de arroz, abençoado por colheitas fartas e de qualidade excelente, que usava para trocar por outros alimentos, por outros produtos e para alimentar as famílias que viviam graças à sua proteção.

Observou o trabalho dos camponeses naquele lote por um tempo. Assim que a primeira turma terminasse de ajeitar os canais de irrigação, a segunda turma viria jogando as sementes do arroz. Se tudo desse certo, em começo de julho já veriam as plantas se erguerem por cima da água.

Seguiu para o próximo lote.

Outra turma de camponeses executava trabalho similar, limpando as valas para que a água corresse com mais facilidade. Cantavam músicas que aprenderam com os pais e com os avós antes deles. Shino conhecia aqueles rostos curtidos pelo sol, que moravam em seus terrenos desde que podia se lembrar. A maioria deles beirava a sua idade, crescidos juntos na mesma época. Também reconhecia alguns mais jovens, a quem praticamente viu nascer e crescer.

O feudo Aburame era um dos mais aprazíveis, tinha por tradição permitir que os shifters mais velhos se afastassem de seus trabalhos e se dedicassem a outra forma de ajudar a comunidade. Diferente de outros senhores feudais, que exigiam até a última gota de suor de seus Betas protegidos.

Por isso não era muito comum encontrar idosos arando os campos naquela época do ano.

Seguiu em frente por mais três ou quatro grande lotes. O sol aproximava-se do centro exato do céu, indicando que a hora do almoço se aproximava. Ainda faltava quase metade da propriedade para vistoriar e cobrir com seus pedidos de boa plantação e colheita. Não levava bento ou algum lanche, porque não costumava sentir fome durante essas procissões.

Pensava em terminar o quanto antes e voltar para o sossego de seu lar.

Foi então que algo lhe chamou a atenção. A principio, não soube bem explicar o quê, mas seus olhos foram atraídos para um dos camponeses em especial. Algo nele, não se encaixava no contexto.

Parou o avanço do alazão e ficou observando enquanto o shifter trabalhava emparelhado na longa fila de companheiros, a enxada subindo e descendo com afinco, em velocidade e empolgação parecidas com as dos outros. Como todos estavam de costas, Shino não saberia dizer se a voz dele ressoava para dar forças à canção entoada.

Aparentemente, nada o diferenciava dos demais: as mesmas roupas de pano um tanto rústico, em cinza e branco encardido de lama. Os movimentos vigorosos de quem se esforça no trabalho, sem restrição. Um resumo idêntico do que Shino via em cada um dos camponeses naquele campo, pouco dispostos a parar até o derradeiro momento do almoço coletivo.

Nesse caso, por que algo parecia estranho?

Shino não conseguia simplesmente seguir em frente para terminar a vistoria de primeiro dia do plantio. Até as preces breves que fazia sumiram-lhe da mente, tão absorto ficou pelo mistério em que se viu preso.

Era uma intuição ou instinto que há muito tempo não sentia. Aquele seu lado Alpha que não controlava, que em determinados momentos chave ditava o passo que deveria dar.

Os insetos que viviam sob sua pele se agitaram em resposta ao incomodo que sentiu. Odiava a sensação de estar diante de algo inusitado e não saber exatamente do que se tratava.

Era outra característica Alpha acentuada que o definia. Mais do que isso, uma característica da família Aburame: Shino gostava do controle e da ordem. Gostava que tudo estivesse em seus devidos lugares.

Era inaceitável que seu lado shifter ficasse inquieto com uma cena que deveria ser cotidiana, incomodado com algo que sequer sabia dizer do que se tratava!

Tentou se obrigar a retomar a marcha. O corpo não obedeceu. O Alpha que existia em sua alma recusou-se a sair dali. E tal disposição foi à resposta que Shino procurava. Essa postura relutante de si próprio foi como a peça que faltava para entender a cena final.

Seu lado Alpha foi provocado. Porque aquele camponês cercado pelo demais não era um Beta como os demais.

Seu cheiro e essência estavam camuflados.

Mas Aburame Shino teve tanta certeza quanto o fato de estar respirando: aquele shifter era um Ômega.

O primeiro Ômega que encontrava em mais de dez anos.

April 17, 2018, 1:40 p.m. 0 Report Embed 4
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