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nanahoshi Nanahoshi G

“É sempre assim. No final das contas ele acaba me dando um puxão de orelha como se fosse meu irmão mais velho. E mesmo assim eu não consigo vê-lo dessa forma. Ele sempre me deixa confusa com alguns comentários nervosos que ele faz, e eu nunca consigo entender o que se passa realmente na cabeça dele”. Midorima X OC


Fanfiction Anime/Manga All public.

#midorima-x-oc #fluffy #romance #midorima #midorima-shoutarou #kuroko-no-basket
Short tale
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Capítulo único

CADÊ OS LEITORES DE SEIRIN NO BASKET!? CADÊ A GALERA QUE SHIPPOU MIDORIMA E KAZUKI???? Essa one-shot é pra vocês experimentarem como pode chegar a ser a relação dos dois *-*
Olá pessoinhas!
Por conselho de uma amiga, decidi embarcar nesse mundo das one-shots para trabalhar alguns personagens que criei! Nessa one-shot eu trabalho o casal Midorima XKazuki da minha fanfic Seirin no Basket (as as leitoras que quiserem se imaginar no lugar da Kazuki SEM PROBLEMA!). Alguns comentários farão referência a elementos da história, então não se desesperem se não entenderem algumas coisas.
Queria dedicar essa oneshot suuuuper fluffy para a diva maravilhosa PixelTyrell, a escritora mais diva, estupenda e felomenal da face da terra que tá me ensinando tanto!
Beijos meus queridos e aproveitem a leitura!

Kazuki conferiu o laço de sua yukata e olhou-se no espelho. O cabelo tinha crescido desde o início das férias, o que deixara seu rosto novamente com um ar feminino. Ela penteara o cabelo repicado de forma que os fios de cabelo de sua nuca e os que emolduravam sua orelha formassem curvas acentuadas. Checando o enfeito florido em seu cabelo, a garota suspirou.

“Mais um ano está terminando e eu ainda não tive coragem de me declarar para o Shin-chan, ela lamentou em seus pensamentos. Será que hoje eu vou conseguir?”

Seu celular, que estava em cima da cômoda, vibrou denunciando a chegada de uma mensagem. Ela o pegou rapidamente e desbloqueou a tela. Era de Kuroko.

“Kazuki-san, o Kise-kun e o Aomine-kun desmarcaram. Então só vamos eu e a Momoi-san. Nos espere com o Midorima-kun na frente do templo, por favor”

A garota estremeceu e seu estômago deu voltas dentro de sua barriga. Isso significava que era praticamente um encontro de casais, já que a Momoi ficava o tempo todo agarrada no coitado do Kuroko. Ela respirou fundo e respondeu a mensagem com um rápido “ok”.

Tornou a olhar-se no espelho e checou se a maquiagem não estava exagerada. Queria parecer mais velha, mas com sua estatura e com seu rosto de quinze anos guardando muitos traços de sua infância era difícil. Ela passou o cacau sabor cereja novamente, jogou-o na bolsinha junto com o celular e checou o relógio.

“O Shin-chan já dev-“.

A campainha soou no andar debaixo. Inúmeras borboletas furiosas forçaram saída do estômago da menina, mas ela resistiu. Caminhando cautelosamente por estar desacostumada com as getas, ela desceu as escadas e avançou para a porta. Respirou fundo novamente antes de girar a maçaneta. Ela puxou o retângulo de madeira escura, e atrás dele uma figura alta e forte recortava-se contra as luzes da rua.

—Olá, Shin-chan. – ela disse com a voz um pouco trêmula.

Ele ajeitou os óculos e suspirou. Usava uma hakama verde escura, e as várias camadas de tecido variavam o tom. Calçava getas assim como Kazuki, mas haviam meias brancas cobrindo seus pés.

—Quantas vezes eu vou ter que pedir pra não me chamar assim? Já me bastava o Takao...

—Eu acostumei. Te chamo assim desde que éramos crianças... – ela abaixou o rosto meio chateada. Por algum motivo estava mais sentimental naquela véspera de Ano Novo do que em qualquer outra.

Ela percebeu o olhar de Midorima Shintarou sobre ela. Seu estômago se embrulhou.

“O-o Shin-chan tá me encarando?”, ela se perguntou ajeitando o cabelo nervosamente.

Os olhos verdes e penetrantes do shooting guard da Shutoku correram o corpo da menina de cima a baixo. Jamais vira Kazuki arrumada daquela forma, e ele nunca imaginou que a yukata azul com flores de sakura estampadas cairia tão bem na menina. O cabelo fazia curvas suaves nas pontas, dando ao corte curto um ar feminino doce que Midorima havia adorado. A maquiagem discreta ressaltava os melhores traços do rosto dela, e ela aparentava ter dezoito ao invés de quinze.

—Q-qual o problema, Shin-chan? – ela levou a mão até o topo da cabeça e ajeitou o enfeite com flores preso em seus fios de cabelo.

Midorima desviou rapidamente os olhos e ajeitou os óculos novamente. Ele estava corando?

—Nada. – ele disse rápido demais – Só acho que deveria cortar esse cabelo antes de as aulas começarem se não quiser que descubram que o Murakami da Seirin na verdade é uma garota.

Ela abaixou os olhos e fitou suas getas com um olhar envergonhado.

—Não que eu estivesse reparando no seu cabelo ou algo parecido, nanodayo! – sua voz vacilou um pouco e ele empurrou a armação do óculos pela terceira vez.

Antes que Kazuki pudesse dizer alguma coisa, ele recuou e voltou para a calçada. Escorada na mureta da frente da casa da menina estava a rickshaw de Midorima.

—Essa...– ela começou a questionar.

—Sim, eu vou levar você na rickshaw hoje. – ele estava montando na bicicleta e ajeitando suas longas vestes de ano novo – Mas só hoje. Não se acostume.

Sentindo um leve rubor nas faces, Kazuki se dirigiu em silêncio para o carrinho atracado na bicicleta e içou-se rapidamente para dentro dele. Quando Midorima teve certeza que a garota estava acomodada, firmou os pés nos pedais e começou a pedalar rumo ao templo.

O vento noturno brincava com os cabelos de Kazuki, e ela teve que tirar o enfeite florido para que ele não voasse. Ela se encolheu abraçando seus joelhos e pousou a cabeça sobre eles.

“É sempre assim. No final das contas ele acaba me dando um puxão de orelha como se fosse meu irmão mais velho. E mesmo assim eu não consigo vê-lo dessa forma. Ele sempre me deixa confusa com alguns comentários nervosos que ele faz, e eu nunca consigo entender o que se passa realmente na cabeça dele”, a menina lutava consigo mesma, as dúvidas esbofeteando seu coração adolescente.

Ela virou a cabeça para o outro lado e fitou a cabeleira verde esvoaçante de Midorima. Seu peito pareceu comprimir-se quando ela percebeu o quanto queria poder tocar aqueles cabelos com carinho, afaga-los quando seu dono precisasse de apoio. Até quando aquele sentimento ia fustigar seu coração? Até quando ela choraria escondida em seu quarto pensando nas inúmeras vezes que falhara tentando declarar seu amor?

—Kazuki. – a voz do jogador arrancou-a de seus pensamentos – Está tudo bem? Está muito quieta...

Foi só nesse momento que ela percebeu que estava chorando.

—Ah sim! – ela respondeu tentando parecer animada e limpando as lágrimas. – Eu só tava pensando no que vou pedir lá no templo...

Ele olhou rapidamente para trás, e por alguns instantes os olhos dos dois se encontraram.

O que foi aquilo que Kazuki viu? Preocupação? Insegurança? Não, parecia algo mais intenso...

Midorima ergueu-se sobre os pedais, forçando-os a continuar girando enquanto subia o morro que os levaria ao templo. Vários carros estavam estacionados por ali, formando fileiras imensas colina abaixo.

—Está bem cheio. – comentou a menina.

—É, vamos ter que entrar logo no templo antes que encha ainda mais.

—Mas precisamos encontrar o Kuroko e a Momoi antes.

—Tsc. Tinha me esquecido deles. – ele praguejou tão baixo que Kazuki quase não conseguiu ouvir.

Tudo bem, ela sabia que Midorima não se dava muito bem com Kuroko, mas aquilo quase soou como se o garoto de cabelos esverdeados quisesse ter ido apenas com ela.

Ao perceber que sua mente começava a fantasiar e a alimentar esperanças bobas, a garota balançou energeticamente a cabeça tentando espantar os pensamentos. O adolescente estacionou a rickshaw perto de outras bicicletas e desmontou. Kazuki saiu do carrinho e tentou ajeitar novamente o enfeite em seu cabelo. Quando acreditou que as flores estavam bem presas, seguiu para onde o amigo a esperava. Quando ela se aproximou, Midorima Shintarou voltou a encará-la de forma penetrante. Ela se encolheu e disfarçou olhando para os lados.

—Eu não consigo ver o Kuroko ou a Momoi daqui... Acho que vamos ter que subir mais. – ela comentou esticando o pescoço.

Sem aviso prévio, Midorima deu um passo em sua direção e ergueu sua enorme mão até seu cabelo.

—Shin... – ela tentou protestar, mas emudeceu ao sentir os dedos longos do jogador ajeitarem seus fios de cabelo ao redor do enfeite. Ao terminar ele se afastou e analisou o resultado.

Kazuki olhou interrogativamente para ele.

—Estava caindo, nanodayo! – ele explicou nervosamente ajeitando os óculos de novo. – Vamos subir.

Ele se virou e avançou com passadas largas. Kazuki teve que correr para alcançá-lo.

—Me espera, Shin-chan! Eu não tenho pernas longas que nem as suas! – ela protestou tropeçando em sua yukata. Midorima se virou e esperou até que ela o alcançasse.

—Francamente – ele disse – Não é você que corre tão rápido na quadra?

—É, mas eu não estou usando um tênis de basquete e nem um uniforme agora! – a garota retrucou amarrando a cara para o amigo de cabelos verdes – Eu estou usando a droga de uma yukata e essas sandálias estúpidas! Quem foi que inventou essa porcaria?

Ela bateu a sola de madeira contra a grama em protesto várias vezes. Midorima a observava de esguelha. A yukata azul com detalhes em rosa e roxo favorecia muito mais o corpo da menina do que o uniforme de basquete da Seirin, e as getas valorizavam seus dotes posteriores.

—Você fica melhor assim. – ele soltou sem querer.

—Oi? – Kazuki tropeçou de novo em sua yukata quando tentou processar o que Midorima acabara de falar.

Corando e virando o rosto, o adolescente de óculos gaguejou:

—S-só disse que não gosto de te ver vestida como menino, ainda mais com uniforme de basquete. Eu nunca aprovei essa idéia maluca, nanodayo!

Kazuki revirou os olhos e ignorou o comentário. Ela se concentrou na penúltima fala do jogador da Shutoku.

“Ele... Ele disse que eu fico melhor de yukata? Ai, será que ele me achou bonita vestida assim?”, mil perguntas zumbiam em seus ouvidos. Involuntariamente ela começou a ajeitar suas vestes e a puxar suas mechas irregulares.

Finalmente alcançaram o templo, que estava abarrotado de pessoas.

—Consegue ver uma cabeça azul ou uma rosa? – perguntou Kazuki se equilibrando na ponta dos pés para ver a multidão por cima.

—Não. – bufou Midorima esticando o pescoço e olhando para os lados.

Nesse momento o celular de Kazuki começou a tocar. Atrapalhada, ela tirou sua bolsinha que estava escondida na faixa que envolvia seu abdômen e pegou o aparelho.

—Alô? – ela berrou tapando o ouvido que não estava ocupado com o celular.

—Alô? Kazuki? - a voz de seu irmão soou do outro lado da linha.

—Não, é o Papai Noel! – ela tornou a gritar para o telefone.

—Sem graça. – Kazuko bufou – Você vem pro jantar do vô e da vó?

—Vou sim. Saio daqui assim que o ano virar e chego aí em uns vinte minutos.

—Ok. Tchau, nee-chan.

—Tchau. Ah! Não invente de pegar muito peso, tá?

—Tá bom. Jya! – o garoto desligou.

Kazuki baixou o aparelho para guardá-lo mas ele voltou a vibrar. Era uma mensagem.

—Shin-chan. – ela chamou ao terminar de ler – Não precisa mais procura-los. A Momoi arrastou o Kuroko para o jantar de Ano Novo da família dela.

Midorima ajeitou os óculos..

—Melhor. Eu e o Kuroko não me damos bem de qualquer forma.

Kazuki suspirou.

—Então somos só nós dois. – o aluno da Shutoku disse por fim.

A frase pairou entre eles criando uma atmosfera desconfortável. Ao perceber o significado do que ele dissera, Kazuki corou até a raiz dos cabelos.

—N-não que isso seja um encontro, nanodayo! – Midorima acrescentou rápido tornando a ceder ao seu tique de ajeitar a armação metálica que se apoiava em seu nariz.

A garota ficou sem o que dizer. Apenas assentiu e desviou o olhar para o chão. Só depois de alguns segundos se lembrou da ligação do irmão.

—Ah, Shin-chan! Eu preciso voltar logo depois da virada. Vai ter um jantar lá na casa dos meus avós e eu não quero ir tão tarde...

—Tudo bem. – ele caminhou em direção à multidão – Então é melhor entrarmos no templo logo.

Ela concordou com a cabeça e o seguiu. Enquanto esperavam na fila lado a lado, um comerciante exótico adornado de amuletos da sorte, papéis e enfeites de Ano Novo se aproximou.

—Boa noite, meus jovens! O casal gostaria de comprar sua sorte?

“Casal!?”, Kazuki engasgou com sua própria saliva.

—N-nós não somos um casal! – ela balançou as mãos diante do corpo sorrindo amarelo. – A gente compra depois que rezarmos. Obrigada!

Envergonhada, a menina encolheu os ombros e olhou de relance para o amigo. Ele estava corado!

“Não é pra menos.”, ela choramingou mentalmente. “Que vergonha ser associado a uma garota tão sem graça quanto eu”.

Ela olhou para seu busto, que só ganhara uma pequena quantidade de volume devido ao sutiã bojo que usava e às várias camadas de tecido da yukata. Se seus seios fossem maiores, ela até poderia parecer um pouco mais velha se colocasse um salto e uma roupa mais adulta. Ela sabia que ele gostava de garotas mais velhas.

Depois de minutos intermináveis remoendo sua falta de dotes corporais para chamar a atenção de sua paixão de infância, ela finalmente conseguiu entrar no templo. Midorima entrou logo atrás dela. Em silêncio, os dois fizeram seus rituais pessoais. Para saírem, tiveram que dar leves empurrõezinhos para abrir caminho na multidão. O garoto de cabelos verdes guiou Kazuki pelo braço para que ela avançasse na frente e ele cuidasse de sua retaguarda. Enquanto avançava, ela sentia as palmas das mãos do jogador roçarem constantemente nos seus cotovelos. Um sentimento familiar de segurança preencheu o peito da garota, mas logo outro o sufocou.

“Não vai passar disso. Se eu não fizer nada, o Shin-chan nunca vai ser mais do que um irmão mais velho protetor”.

Eles finalmente se livraram do amontoado de pessoas e se dirigiram para as barracas de comida. Alguém passou carregando inúmeras varas para montar alguma espécie de brinquedo. O carregador desatento virou-se por algum motivo e acabou raspando uma das varas na cabeça de Kazuki, atirando o enfeite florido no chão.

—Tome cuidado com isso! – advertiu Midorima com uma voz firme.

—Oh, desculpe! – ele fez uma leve reverência.

Kazuki balançou a mão como se dissesse “não foi nada” e se abaixou para pegar o enfeite. Entretanto, uma mão pálida alcançou as flores mais rápido que a dela. Quando a garota ergueu os olhos, viu um garoto pálido de olhos róseos olhando de forma penetrante para ela.

—A-Akashi-kun! – ela gaguejou supresa.

—Boa noite, Kazuki-san. – ele cumprimentou com um aceno da cabeça. Depois, voltou seu olhar confiante para seu antigo colega de time. – Boa noite, Shintarou.

Midorima encarou-o friamente.

—Boa noite, Akashi. O que faz aqui?

—Eu vim para fazer minhas preces no templo juntamente com meu pai. Ele está conversando com um velho amigo no momento.

Seus olhos voltaram-se para Kazuki.

—Você ficou maravilhosa com essa yukata, Kazuki-san. – ele ergueu o enfeite florido – Permita-me.

—O-obrigada, Akashi-kun.

Meio encabulada e sem saber como agir, a garota apenas assentiu e inclinou a cabeça para que Akashi pudesse recolocar o adorno. Os dedos pálidos encontraram o arranjo perfeito para que os fios prendessem firmemente o enfeite. Midorima havia virado o rosto e trincado os dentes.

—Agora está perfeita. – ele acrescentou com um sorriso leve.

—N-não é pra t-tanto... – gaguejou a menina completamente desarmada perante o cortejo do capitão da Rakuzan.

—Por mais que prefira você vestida assim, estou ansioso para vê-la jogar novamente. Seu talento e sua história me fascinam. – e então, Akashi Seijuro abriu aquele sorriso, um sorriso faminto por talento e vitória.

—Ah! – ela olhou nervosa na direção de Midorima – Eu nem sou tão boa assim! O Kagami e o Kuroko dão bem mais trabalho do que eu. Sem contar o Kashka e o Marcus quando combinam as jogadas...

O ruivo soltou uma risadinha.

—Pode ter certeza que você será tão problemática para os adversários em quadra quanto eles.

Kazuki corou com o elogio. Ela adorava quando elogiavam sua habilidade no basquete.

—Akashi-kun...

—Você não tinha que ir embora daqui a pouco, Kazuki? – Midorima se intrometeu na conversa num tom ríspido.

—Shin-chan!

—Vamos logo comprar os seus doces antes que dê meia-noite! – ele segurou o antebraço da menina e começou a puxá-la para longe de seu antigo capitão, mas ela se desvencilhou.

—Tá, tá, tá bom. – ela massageou o local que Midorima apertara de forma teatral – Desculpe, Akashi-kun. Eu ainda tenho um jantar para ir...

—Não tem problema. Nos veremos novamente. – e pegando os dois de surpresa, ele segurou a mão de Kazuki e beijou o dorso fazendo uma leve reverência.

Completamente despreparada, Kazuki conseguiu apenas corar e cobrir o rosto com a mão livre.

—Espero encontrá-la mais vezes vestida assim. Feliz Ano Novo, Kazuki-san. – ele voltou seus olhos para o adolescente de cabelos verdes – Feliz ano Novo, Shintarou.

Midorima estreitou os olhos verdes e encarou o velho companheiro de equipe.

—Feliz Ano Novo, Akashi.

—Feliz Ano Novo! – a garota finalmente respondeu depois que se recuperou do cortejo do garoto ruivo – Até logo!

Ao ouvir o “até logo” da menina, Midorima segurou-a com ainda mais firmeza pelos braços e empurrou-a na direção das barracas de comida.

—Shin-chan! Você foi muito mal-educado com o Akashi-kun! – protestou a menina – Ele não era seu colega de time?

—Eu já disse. Ele é interesseiro. Se interessa por você por causa do seu talento e nada mais.

—Mas ele disse que eu fico bonita de yukata. – ela retrucou num tom de birra.

—Ele sabe como cortejar uma garota.

—Está insinuando que eu não estou bonita!? – ela virou-se escandalizada para o jogador da Shutoku.

—Não! Você é bonita! Só estou dizendo que o Akashi... – ao perceber o que tinha dito, Shintarou emudeceu e virou o rosto.

—O que você disse? – questionou Kazuki arregalando os olhos heterocromáticos para o amigo.

—N-não é importante, nanodayo! – ele ajeitou os óculos pela enésima vez naquela noite e avançou para uma barraca que vendia dangos.

“Não é importante”, a frase ecoou na mente de Kazuki. “É... realmente não é importante...”

Tristonha e de cabeça baixa ela seguiu o garoto de cabelos verdes.

“Acho que tudo vai se repetir. Eu não vou conseguir...”, ela lamentava em silêncio observando os doces caramelados fincados num pedaço de isopor. Confusão, insegurança e medo se misturaram num turbilhão dentro de seu peito pequenino. Ela tinha medo de se declarar para Midorima e perder sua amizade, mas se ficasse calada, nada iria acontecer e ela ficaria sofrendo para sempre. Até quando ela aguentaria arrastar o fardo daquele sentimento?

Alguém enfiou um dango debaixo de seu nariz.

—Tome. – a voz de Midorima soava um pouco insegura, como a de um garoto que sabia que tinha feito alguma coisa errada.

Ela segurou o palito enfeitado com as três bolas doces e olhou tristonha para a cobertura que refletia as luzes dos postes.

—Obrigada. – ela murmurou baixinho.

Midorima encarou-a e praguejou em silêncio. Como fora tão idiota a ponto de falar aquilo? Ele engoliu uma bolinha colorida e olhou na direção do templo.

—Você precisa chegar antes da uma na casa de seus avós, certo?

—Sim. – ela respondeu num tom desanimado.

—Eu te levo lá de rickshaw. Só vamos comprar nossas sortes e vamos.

Kazuki arregalou os olhos para ele.

—Tudo bem. – foi só isso que ela conseguiu dizer antes de segui-lo de volta ao templo.

Midorima pedalava silenciosamente enquanto seus cabelos esverdeados ricocheteavam em seu rosto com o vento noturno. Kazuki estava encolhida no carrinho da rickshaw, abraçada a seus joelhos.

Ela odiava comprar sorte. Achava aquilo estúpido e sem significado, mas já que Midorima dava tanto crédito para essas coisas, ela comprava apenas para agradá-lo. Porém, daquela vez, a frase contida em sua sorte não parava de ressoar em sua mente.

“Algo antigo irá se transformar completa e definitivamente, para o bem ou para o mal”.

Ela tornou a enterrar o rosto em sua yukata para esconder as lágrimas. Estava cansada de ser tão impotente diante de seu amor por Midorima Shintarou, e para ter chegado ao ponto de ficar impressionada com uma frase contida num simples pedaço de papel significava que ela tinha chegado no limite. Era agora ou nunca.

Ergueu o rosto e encarou a nuca de seu amigo de infância. As borboletas tornaram a voar furiosas dentro de seu estômago. Ela tirou sua bolsinha de dentro da faixa de sua yukata e conferiu as horas.

23:57.

—Shin-chan! – ela exclamou contra o vento. – Pare a bicicleta!

—Por quê? – ela ouviu a voz dele perguntar ao ser carregada pelo vento.

—Vai dar meia noite!

Naquele momento eles passavam por uma ponte que cortava um lago imenso de um parque. Ele freiou a rickshaw e desmontou. Kazuki saltou para fora do carrinho e correu para a amurada da ponte. Um gato branco estava por ali, lambendo as suas patas pousado sobre o corrimão branco. Midorima encarou o animal e sorriu de leve.

—Vai ter sorte esse ano, Kazuki. – disse ele se aproximando da garota.

—Por que diz isso? – ela virou o rosto interrogativamente para o acompanhante.

Ele apontou para o gato.

—Gatos dão sorte para pessoas do seu signo.

—Ah... – a lembrança do amuleto da sorte que Midorima dera para Kazuko em seu aniversário de oito anos preencheu a mente da garota – Acho que nem tanta sorte assim...

Os dois ficaram em silêncio, esperando a virada do ano. A dúvida e o medo começaram a se contorcer dentro da garota. Ela mordeu o lábio.

“Eu preciso fazer isso! Ou vou ficar lamentando pro resto da vida o fato de não ter tentado!”, ela concluiu em desespero.

Ela inspirou fundo e virou-se para Miroima num surto de coragem.

—Shin-chan, posso te pedir uma coisa?

O garoto de cabelos esverdeados virou-se para ela.

—O quê?

—Eu quero um beijo seu... pra me dar sorte esse ano.

O shooting guard da Shutoku corou até a raiz dos cabelos.

—E desde quando beijo dá sorte no ano novo n-nanodayo? – ele ajeitou os óculos e virou o rosto.

—É que esse seria meu primeiro beijo, e pra dar sorte tem que ser com quem eu gosto. – ela mal conseguiu acreditar quando as palavras finalmente saltaram de sua boca.

Como se fosse possível, Midorima ficou ainda mais vermelho. A garota aguardou a resposta com o coração martelando suas costelas.

—Não que eu goste de você ou algo do tipo, n-nanodayo... – ele ajeitava os óculos sem parar - Mas se der sorte para seu ano... eu...

Os olhos de Kazuki se arregalaram e ela corou. Midorima fitou a esmeralda e a ônix redondas do olhar da menina.

—Feche os olhos. – ele pediu.

Ela obedeceu. Seu corpo todo tremia.

Com o coração martelando contra seu peito largo, Shintarou aproximou-se da garota e pousou as mãos em seus ombros. Lentamente ele se curvou para que seus lábios ficassem ao alcance dos delas. Ele aproximou o rosto de forma cautelosa, seu nariz roçando no dela e provocando arrepios no integrante da Geração Milagrosa. Com um suspiro ele pousou seus lábios finos sobre os de Kazuki, selando-os num beijo.

Rapidamente ele recuou, interrompendo o beijo e virando de costas. Seu rosto ardia em chamas. Kazuki abriu os olhos, sem acreditar que aquilo realmente acontecera... e terminara tão rápido. Com os olhos tristonhos ela olhou para suas getas e sussurrou.

—Obrigada, Shin-chan.

Repentinamente inúmeras explosões coloridas iluminaram o céu. Fogos de artifício de todas as cores imagináveis anunciaram aos dois adolescentes o Ano Novo. O gato pulou assustado com o barulho das explosões, e caindo no assoalho de madeira da ponte, desapareceu de vista. Midorima encarava o final da passarela sobre a água, seu coração ainda batendo furioso dentro de suas costelas.

“Acho que... Acho que fui rápido demais. Droga, droga, droga!”, ele se repreendeu mentalmente.

Por mais que tivesse sido rápido, o beijo de Midorima enchera o coração da pequena de alegria.

Entorpecida pelo beijo,ela olhava sonhadoramente para o show celeste do Ano Novo, e não percebeu a aproximação do garoto de cabelos verdes.

Sem aviso, sem pigarro ou palavra sequer, Midorima segurou-a firmemente pelos ombros e tornou a levar seus lábios na altura dos dela. Eles se encaixaram perfeitamente, num beijo doce repleto de ternura. Kazuki suspirou, acreditando que estava imersa em algum delírio idiota por causa das luzes. O suspiro deu ânimo para o jogador, que desceu suas enormes mãos para a cintura de menina, trazendo-a para mais perto de si. Ela ergueu os bracinhos e entrelaçou seus dedos nos cabelos verdes que tanto desejara afagar. Os lábios de Midorima se abriram, e sua língua tocou timidamente os lábios da garota, que abriram passagem imediatamente.

Ele explorou a umidade doce da boca da garota gentilmente, sentindo o gosto do dango que ambos haviam comido mais cedo. Quando deu por si, a língua de Kazuki passara para dentro de sua boca, e suspirando ela a girou em torno da sua. Os dedos dela acariciavam sua nuca fazendo-o ter arrepios e ele desejou que aquele beijo jamais acabasse. Entretanto, o fôlego da garota tão durou muito. Ela puxou o rosto para afastá-lo do de Midorima, e olhou-o atônita.

Ao perceberem o quão íntimo estavam abraços, os dois se separaram rapidamente, e ambos sentiram o rosto ferver de vergonha. O show de luzes continuava, e os dois amantes o observaram em silêncio.

“Eu estou sonhando?”, Kazuki olhava sonhadora para os fogos. “O Shin-chan me beijou... duas vezes?”

Midorima, por sua vez, tocava seus lábios de leve com a ponta dos dedos.

“É muito melhor do que imaginei...”

Pelo canto do olho, ele viu Kazuki virar o rosto em sua direção.

—Shin-chan – ela ainda estava corada – Feliz Ano Novo!

Ele desviou os olhos, sem saber como reagir diante de um olhar tão meigo como aquele.

Ela soltou uma risadinha baixa.

—Do que está rindo!?

Ela colocou uma mecha que escapara atrás da orelha. Midorima adorou aquele gesto.

—O Shin-chan fica muito fofo quando fica vermelho!

Ele ajeitou os óculos.

—Tsc. Fique quieta. – e dizendo isso, estendeu o braço e puxou-a para um abraço.

Aninhada em seu peito, Kazuki mal conseguia acreditar no que estava se desenrolando entre os dois. Ele jamais a abraçara daquela forma.

Kazuki ergueu o rosto, os olhos arregalados de forma confusa.

—Shin-chan?

Um leve sorriso curvou os lábios do shooting guard da Shutoku. Ele curvou o pescoço e beijou o topo da cabeça da garota.

—Feliz Ano Novo, Kazuki.

O que acharam meus queridos? Tão shippando mais? Espero que sim porque esse casal vai dar o que falar AUSHAUSHAHSHA e aí leitoras, se apaixonaram ainda mais pelo Shin-chan?
Não se esqueçam de conferir minha fanfic Seirin no Basket! Lá vai ter muito mais de MidoKazu e outros casais pra vocês!
Beijos da Nana-chan!
April 15, 2018, 11:18 p.m. 0 Report Embed 1
The End

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