Ceifeiro Follow story

larivalk Larivalk .

Sendo um ceifeiro acostumado com a solidão, Midoriya Izuku se vê surpreso quando, em um de seus diversos serviços, se depara com aquele que o ensinaria o significado de felicidade.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#bnha #bakudeku #boku-no-hero-academia #Izuku-Midoriya #Katsuki-Bakugou #Sexta-Feira-13
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Sexta-Feira 13

Encarava a pobre criança a sua frente, sem saber ao certo o que fazer, não estava na hora da mesma morrer, então simplesmente não podia ceifar sua alma. Só que, o garoto era muito jovem para conseguir sobreviver naquela floresta, sem seus pais. Mais cedo ou mais tarde ele acabaria morrendo, resultando então, em alma ceifada.

Aquilo estava um tanto confuso na mente do ceifador; sua função era simplesmente recolher a alma das pessoas que morriam, para que pudesse guiá-las para o seu destino final. Um trabalho muito complicado, visto que diversas pessoas morrem por dia — motivo o qual leva a existência de mais de um ceifeiro —.

Nenhum deles era uma cópia exata do outro, todos eram diferentes, cada um com sua força de agir e de se portar diante da situação. Possuíam uma aparência um tanto peculiar, já que não eram aquelas criaturas medonhas como todos imaginavam, mas sim muitas vezes comuns.

Nem sempre possuíam a aparência humana — visto que não existia apenas humanas a quem recolher —. Podiam ter a força de uma criatura mágica, ou até mesmo um animal, contanto que fizessem seu trabalho, estava de bom tamanho.

Ninguém sabia ao certo como alguém ou algo, tornava-se um ceifeiro.

Simplesmente surgia um e o mesmo começava a trabalhar recolhendo almas, levando-as para o destino final. Era um trabalho que não possuía nenhum tipo de recompensa, faziam para ajudar as almas.

Caso ao contrário elas ficariam vagando pela eternidade, virando assim, um dia, monstros que podiam prejudicar o ecossistema.

Era Sexta-Feira 13, um dos dias mais importantes para os ceifeiros, pois era a data que mais ocorriam mortes. Muitos faziam sacrifícios, muitos matavam naquele dia. E por conta disso, era um dia muito turbulento, o qual eles já estavam acostumados a lidar.

E, para Izuku Midoriya, um ceifeiro fantasma, estava bem mais complicado do que ele esperava. Ele precisava recolher a alma de dois meio lobos, o que não passavam de humanos, que podiam se transformar em lobos, além do fato de terem algumas partes do corpo como orelhas e caldas, do animal. Podiam sim viver entre as pessoas normais, usando um disfarce mágico para que suas partes animais não aparecessem, mas preferiam muitas vezes viver na floresta em tribos afastadas da civilização.

O ceifeiro possuía uma aparência interessante, ainda mais por ser um fantasma, tinha cabelos verdes tão vivos quanto a grama na qual seus pés pisavam, sardas pelo rosto branco e belíssimos olhos esverdeados, que brilhavam junto a lua. Usava uma roupa branca, parecendo muito com um lençol que possuía alguns detalhes, mostrando que era um fantasma.

Vejam bem, o fato de Izuku ser um fantasma, não lhe impedia de fazer as coisas. Ele podia tocar, assim como podia atravessar as coisas, quando bem quisesse. Infelizmente, ele só não podia mais mudar sua aparência, permanecendo como um adolescente de 16 anos — só que ele não ligava muito —.

Uma coisa que poucos sabiam, era que ceifeiros podiam sim viver uma vida “normal. O único problema era seu serviço cansativo, fazendo com que tivessem poucas horas de descanso merecido. Tanto que tiveram pouquíssimos casos onde ceifeiros que conseguiram encontrar algum parceiro. Já que ninguém queria ficar com eles, quando descobriam suas identidades.

Poucos tentavam matar um, pois mesmo que fosse doloroso vê-lo ali para recolher uma alma de um ente querido, era o ciclo da vida que todos tinham que respeitar. Claro que os que tentavam machucar tais criaturas divinas, eram castigados no mesmo momento.

Muitos acreditavam que ceifeiros eram imortais, mas eles podiam morrer caso fossem atacados por uma magia muito poderosa ou uma criatura das trevas com extremo poder. Possuíam uma vida bem longa, visto que eles trabalhavam com almas e isso acabava influenciando em sua existência.

Mas por incrível que pareça, nenhum dos ceifeiros parecia ligar, tinham se acostumado aquilo. Muitos viraram cascas ocas que só continuavam andando em busca de novas almas, sem se importar com o que acontecia a sua volta. Outros eram iguais a Izuku, que ainda sim gostava de reparar nos mínimos detalhes e sorrir .

Diziam as lendas que as pessoas na qual atacavam os ceifeiros, também se tornavam um e ainda por cima perdiam toda a vontade de viver, virando criaturas solitárias e tristes. Outros diziam que era por amor, por pedir a volta de um ente querido dando assim sua alma em troca, mesmo que não fosse sua hora.

Izuku estava lá, parado, encarando os dois corpos sem vida que ele havia acabado de retirar as almas. Entretanto, o esverdeado não esperava ver um jovem loiro, com as mãos no rosto, chorando entre os dois corpos.

Aquilo estava, de alguma forma, lhe incomodando.

Não podia fazer nada, afinal era o ciclo da vida, os dois estavam com seus nomes na sua lista interminável. O que era mais engraçado era que Izuku sempre chegava no momento exato da morte, mesmo que se atrasasse ou se adiantasse o tempo era relativo para si, ele poderia ficar um dia parado que no momento que chegasse, a pessoa morreria.

Reparou nas roupas que o pequeno usava, provavelmente ainda era uma criança, não conhecia muito bem o jeito certo, já que meio lobos tinham a vida contada como um lobo ou até mesmo igual a um humano, então ficava difícil saber diferenciar.

— Meu jovem, você tem pra onde ir? Se continuar nesta floresta sozinho, irá morrer — disse com uma voz suave, achou estranho ninguém da alcateia ou seja lá como eles se chamavam, estarem por perto, será que eram isolados?

— Hmm… Quero mamãe e papai — disse a criança chorosa, tirando as mãos do rosto, mostrando seus belos olhos vermelhos.

— Eu sinto muito, pequeno, mas seus pais não estão mais entre nós — disse agachando, para que ficasse na altura do pequeno que lhe olhou com mais atenção, pra ser mais exato para sua enorme foice que segurava.

— Morte — falou o pequeno, passando o braço nos olhos e logo a mão no nariz, limpando assim o rosto inteiro.

Morte era um dos nomes, o qual algumas pessoas chamavam os ceifeiros, que não gostavam daquele termo. Afinal, não eram eles os causadores de morte alguma, eles só tinham que recolher a alma no momento que a pessoa morria, fato que nao os de todo ruim, sendo que só estavam ajudando as almas.

— Eu preciso ir, espero que encontre um lugar seguro — falou se levantando e tomou sua forma de fantasma, para que pudesse flutuar e chegar mais rápido em seu novo destino. Deu as costas ao pequeno já que não havia mais o que se fazer ali.

— Não! — O pequeno loiro gritou, correndo em direção ao ceifeiro, que parou e encarou a figura pequena — Eu posso ir junto? Eu… Eu não tenho ninguém.

Ficara surpreso pela mudança do mesmo, era difícil para que crianças entendessem e aceitassem a situação, muitas vezes elas preferiam negar o acontecimento do que viver com ele. Ou até mesmo culpar os ceifeiros de seu trabalho. Só que o mesmo estava ali, pedindo para ir consigo, algo que nunca, em seus séculos de vida, Izuku vivenciara.

— Ir comigo? Entende o que esta me pedindo, criança? — retrucou, encarando com certa tristeza o pequeno. Odiava ver crianças quando fazia seu trabalho, pior ainda era pegar suas almas — Sabe quem sou, sabe o que faço.

— Eu… — O menor apertou a camisa grande que usava, parecia com medo e o fantasma percebera, mas que ainda assim, possuía um olhar determinado — Quero ir.

— Se é isso que desejas — disse com um sorriso gentil, estendendo a mão ao pequeno que encarou a mesma e logo depois os olhos verdes que tinham um ar tão acolhedor. Então ele o correspondeu e deu um pequeno sorriso — Qual o seu nome, meu pequeno?

— Katsuki Bakugou — falou, abanando a cauda.

10 anos depois.

Um loiro de cabelos rebeldes e olhos vermelhos encarava a grande lua, usava um jeans rasgado, uma camisa branca e um casaco verde grande. Possuía um tipo de coleira vermelha em seu pescoço. Era mais uma sexta-feira 13 e o trabalho estava bem maior do que costume.

Desde o dia que perdera os pais, ele acompanhou e seguiu a morte. Chamando-a anos atrás, nunca lhe faltara nada. Só que ele também nunca ficava muito tempo no mesmo lugar, era uma rotina agitada e sem fim, mas ainda sim não se importava e gostava muito da companhia do ceifeiro ao seu lado.

Sempre achara que ceifeiros eram diferentes, como se não fizessem parte daquele mundo, mas estava enganado, pelo menos com Izuku as coisas eram completamente ao contrário, era impossível não gostar da companhia do mesmo, dos sorrisos e do jeito carinhoso qual era tratado.

Não sabia a quanto tempo estava sentindo aquilo, mas lhe doía tanto em seu peito estar próximo de Izuku. Estavam ao mesmo tempo tão longe e tão próximo. Sabia como o mesmo possuía uma agenda cheia, mas ainda sim, nunca deixara de lhe dar atenção, talvez seja por conta disso que ele passara a ver o esverdeado com outro olhos.

Já não conseguia esconder o rubor ou até mesmo o coração batendo mais rápido quando estava perto do mesmo, só que ele era um ceifeiro e ainda por cima, um fantasma, o que significava que seu tempo de vida era bem maior que o da maioria. Mesmo já estando vivo há séculos, ele estava longe de morrer.

Enquanto isso, Bakugou já possuía 18 anos, podia não ser uma idade avançada, só que ele sabia que cedo ou tarde Katsuki morreria e não ficaria mais ao lado daquele que tanto amava.

Nunca soube como falar com o menor sobre isso.

Já tentara algumas vezes perguntar como se tornava um Ceifeiro e o que era necessário para ser um, só que Izuku nunca lhe dizia.Tambem se perguntava se nas lendas tudo era verdade, sobre aqueles que um dia se apaixonaram por um ceifeiro. Eram tantas coisas que rondavam em sua cabeça, mas ele só queira fazer Izuku feliz. Seria pedir muito?

— Kacchan — Seu tom era doce. Foi inevitável o loiro não balançar sua cauda, completamente animado. Por mais que ele quisesse conter a cauda, era mais forte que si. Foi pulando entre os galos das árvores, já que estava um pouco alto, finalmente chegando ao chão, vendo seu amado fantasma.

— Deku, você demorou — sibilou, não contendo a felicidade em ver o menor a sua frente. O mesmo havia ido até um lugar recolher uma quantidade considerável de almas, depois disso ele teria algumas horas de descanso. Algo completamente raro na sexta-feira 13, era quase um milagre, mas não reclamaria disso e sim aproveitaria o momento.

— Desculpe, eram muitas — disse com um sorriso pequeno. Antes que pudesse fazer algo, sentiu os braços fortes lhe puxarem para um abraço. Sentindo o calor que o outro possuía, sem contar o ritmo acelerado do coração do mesmo.

Izuku podia se fingir de inocente e bobo muitas vezes, só que ele tinha noção do que se passava com o homem a sua frente, mas aquilo de certa forma lhe doía tanto. Amar alguém com tão pouca vida nunca algo foi tão doloroso para Izuku, ele queria tanto ficar ao lado do maior, mas ele não podia, ele tinha um dever a cumprir.

— Kacchan, hoje faz 10 anos que nós conhecemos — fez um carinho de leve nas costas do loiro — Você agora está maior que eu. Nem parece a mesma criança que eu vivia protegendo.

— Agora sou eu que protejo você — falou o loiro, de forma amorosa, esfregando o rosto no esverdeado, demostrando afeto.

— Oh, então eu tenho um lobo guardião? — perguntou divertido, sentindo o loiro se afastar um pouco e lhe encarar. Viu o mesmo lhe fazer uma expressão serena enquanto fazia um leve carinho em seu rosto. Deixando o esverdeado um tanto envergonhado pelo contato.

— Sou bem mais que isso — falou encostando sua testa na do esverdeado, que sorriu pequeno — Sabe o que eu quero, mas ainda sim me nega, não gosta de mim como gosto de você?

— É por gostar de você que lhe nego — triste, afastou-se do calor que o outro emitia.

— Não pode escolher por mim, tenho direito a escolher meu caminho — falou frustrado pelo jeito do menor — Eu sei que você finge e que você sabe o que eu sinto por você!

— Kacchan, não deixe as coisas mais difíceis, sabe o quanto é complicado para mim ter que lidar com esse tipo de situação — disse, vendo a expressão triste do outro, provavelmente achando que seu amor não era correspondido — Eu amo você.

Aquilo deixou, de certa forma, o lobo em choque, estava escutando direito? O mesmo também gostava de si? Sabia que nunca fora bem com as palavras, só que jogava tantas indiretas que beiravam diretas, que já estava óbvio o que sentia. Só que Izuku nunca as correspondera, ignorando boa parte ou dando uma resposta boba.

— Mas é por te amar que faço isso, sabe o que sou e como é impossível — Sua expressão era dolorosa. Aquilo doía bem mais do que imaginara, era tão horrível falar aquelas palavras para o loiro a sua frente, mas era a única solução — Não posso.

— Por que diz isso tendo esse tipo de expressão? Acha que eu ligo pra o que você é?! Sei qual o seu trabalho e fardo, mas deixe que eu o carregue com você! Eu posso ajudar com a carga, sabe que eu não ligaria! — afirmou o loiro, se aproximando do esverdeado, segurando seu rosto com cuidado — Eu daria minha alma em troca, contanto que ficasse com você pra sempre.

— Kacchan! — O esverdeado estava chorando, queria tanto poder amar e ser amado, lhe doía tanto negar tudo aquilo.

— Então, por favor, me fale como! — disse o loiro, ainda mais determinado.

— Dividiríamos a cota — falou o menor, mordendo o lábio inferior — A quantidade que cada ceifeiro tem que recolher, não fazemos isso pelo resto da vida, temos uma cota até sermos libertados de nosso dever, ninguém sabe disso. Assim, somos recompensados pelo nosso trabalho, na próxima vida, com fartura e muita sorte.

— Então por qual motivo nunca me disse isto? Eu posso divir a carga com você, eu não me importaria! — o loiro disse, contente.

— Assim que dividir a carga comigo, não poderíamos mais nós ver até a cota estar concluída — voltou a chorar — Eu ...Eu não queria perdê-lo, muito menos deixá-lo preso a este tipo de trabalho, você merece viver, Kacchan, ter uma vida e ser feliz!

— Eu só seria feliz ao seu lado, sabe disto, ficaria não só nesta vida, como em todas as demais — falou e abraçou novamente o menor — Pediria a Deus que me mantivesse junto a você em todas as reencarnações.

— Como espere que eu lhe negue algo, me dizendo este tipo de coisa — O menor chorava, apertando o loiro com força — Eu te amo tanto, eu ficaria tão feliz em tê-lo comigo pra sempre, em todas as vidas.

— Então divida comigo — falou e grudou os lábios num selinho curto — Prometo fazer o mais rápido possível, para que possamos ficar juntos ao fim.

— Promete não me esquecer? — pediu, fazendo um carinho nos cabelos loiros e nas orelhas de lobo do mesmo, o vendo sorrir.

— Jamais esqueceria — disse, selando novamente os lábios do menor, em um beijo mais profundo — Seja meu hoje a noite, então divida o fardo. Sempre estarei contigo, meu amor. Eu te amo.

— Eu te amo tanto, Kacchan — falou sorrindo e voltando a beijar o loiro com mais necessidade, pois seria a última vez que o tomaria para si.

Naquela mesma noite os dois se amaram como se fosse a ultima vez. Izuku então quebrou sua foice em duas, dando assim um pedaço para Bakugou que foi encoberto por uma luz mágica, fazendo-o desaparecer. O fantasma ficou sozinho na floresta, chorando enquanto pensava em seu amado.

Então, rapidamente limpou qualquer vestígio de lagrima em seu rosto.

Não ficaria parado, voltaria ao trabalho afim de terminá-lo o mais rápido possível, para que assim pudesse encontrar seu amado lobo novamente. Sabia que demoraria um pouco, mas sabia que no fim ele seria muito bem recompensado e pediria para ficar com o híbrido em todas as vidas futuras.

Mil anos depois.

Bakugou ceifava mais uma alma, era novamente sexta-feira 13, não sabia se odiava ou amava tal dia. O dia que perdeu seus pais, o dia que conheceu seu amado, o dia que teve o melhor dia com o mesmo e ainda assim, o dia na qual nunca mais o vira.

Era um misto de sentimentos, desde aquele dia jamais pôde encontrar novamente Izuku, não sabia se era por ambos estarem apressados em finalizar a cota, ou por algum tipo de magia barrar seu encontro.

Nunca esquecera da promessa que fizera, nunca deixou de amar um dia sequer seu pequeno, poderia passar quantos séculos fossem, contudo ele nunca deixaria de amar seu pequeno fantasma. Sorria só de lembrar do mesmo, nunca havia esquecido sua aparência e sua voz, só que, muitas vezes, parecia escutá-lo ou senti-lo, não sabia definir se aquilo era uma maldição ou alguma forma que seu sub consciente usara para nunca se esquecer do pequeno.

— Kacchan! — falou uma voz carinhosa, fazendo o loiro sorrir tristemente, sentindo que mais uma vez sua mente brincava consigo.

Então sentiu um peso extra em si, levando-o ao chão. Com as mãos trêmulas, ele cutucou o corpo a sua frente, afim de ver se era real e não mais uma alucinação. Quando tocou o rosto cheio de sardas começara a chorar, o mesmo estava ali, de verdade. Era Izuku, sorrindo e chorando, enquanto o mesmo lhe abraçava forte.

Naquele dia ambos os garotos conseguiram cumprir sua cota, estavam livres para viver seu amor, não só naquela vida, mas em todas nas quais eles reencarnassem. Mais uma vez estavam juntos naquela fatídica noite de sexta-feira 13.

April 14, 2018, 12:01 a.m. 0 Report Embed 5
The End

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