Jogo de Máscaras (2017) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Não era para ser difícil ou perigoso, era para ser relaxante e prazeroso, apenas isso. Que ironia... Como se algo como se envolver com Naruto pudesse mesmo significar outra coisa senão um grande problema.


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#yaoi #lemon #naruto #sasunarusasu #ua #HinaSaku #gaaino #naruto-sasuke
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Capítulo 1 - Vista sua Máscara


Sasuke soltou a fumaça do cigarro com certa preguiça e tédio. É claro que não deveria ter dado ouvidos ao amigo de trabalho. Como pudera achar que Deidara podia ajudá-lo em algo? Não... Admitia que havia sido muito idiota daquela vez. Estava no meio da rua, na frente de um estabelecimento de caráter, no mínimo, duvidoso. Akatsuki. Esse era o nome do lugar, não? Lembrava-se do irmão comentando consigo sobre o mais novo hobbie de Deidara. O pior de tudo era que fazia frio, o que deixava a rua pouco movimentada e dava-se a impressão de mais escura também. Odiava aquilo.

— Não vai desistir, vai? — ouviu de repente antes de sentir o braço de Deidara em seus ombros.

Revirou os olhos, entediado, soltando-se do amigo enquanto tragava uma última vez o cigarro.

— Você sabe que entramos mais cedo amanhã, não sabe, Deidara?

Deidara riu, passando a mão pelos cabelos loiros compridos enquanto os prendia em um rabo de cavalo alto. Os olhos azuis brilhavam divertidos, e Sasuke conseguiu facilmente identificar uma pontada de malícia neles.

Jogou o cigarro no chão, pisando nele para o apagar ao mesmo tempo em que permitia que a fumaça escorresse lentamente de seus lábios.

— Por que estamos aqui mesmo?

Deidara sorriu animado, mostrando uma rápida identificação para o segurança em frente ao prédio. O segurança franziu o cenho e ajeitou a postura rapidamente, abrindo a porta e dando espaço para que Deidara e Sasuke passasse e dispensando o detector de metais.

— Bem vindo, senhor.

Deidara fez um gesto de descaso com a mão, pegando o documento de volta enquanto empurrava Sasuke a sua frente.

— Você vai gostar, acredite em mim.

Sasuke sorriu de canto, descrente e impaciente.

Os corredores do lugar eram mal iluminados, mas acreditava que esse era o propósito. A luz vermelha e fraca ficava mais forte à medida que se aproximava da porta principal no final do corredor e, quando chegaram nela, Deidara abriu a bolsa e retirou de lá algo que fez Sasuke bufar enquanto começava a voltar para a saída.

— Ah, qual é, Sasuke! Prometi a Itachi que tentaria fazer você esfriar a cabeça essa semana! Sabe como ele está preocupado com você desde que você deu entrada no hospital por estresse — Deidara o segurou. — Olha, só tenta. Não vou insistir muito, eu juro — piscou os olhos azuis, divertido. — Só tenta relaxar um pouco, pelo seu irmão, sim? Não vai querer fazê-lo sair do outro lado do mundo porque você desmaiou de tanto trabalhar, não é?

Sasuke soltou-se, irritado. Ok, havia mesmo tido alguns meses estressantes. Ok, havia mesmo dado entrada no hospital porque ficara doente de tanto trabalhar e se alimentar mal. Ok, havia feito Itachi, seu irmão mais velho, largar o trabalho para correr e verificar seu estado! Mas isso não significava que agora todo mundo poderia interferir em sua vida, não é?

Mordeu o lábio enquanto xingava baixo. Itachi estava em outro país, voluntariando-se para ajudar no resgate de vítimas de guerra, cuidar das crianças órfãs e ações nobres demais para que pudesse ser perturbado por um simples desmaio do irmão mais novo.

Sasuke encarou Deidara. Seus olhos negros denunciavam sua escolha, denunciava que Deidara soubera bem onde tocar para que ele aceitasse aquela ideia estúpida!

Pegou a máscara vermelha da mão dele com certa violência e a prendeu no rosto. Deidara sorriu, colocando a dele antes de se aproximar de Sasuke e retirar o cachecol horroroso que ele vestia.

— Pronto. Agora está melhor. Vamos.

Sasuke suspirou audivelmente enquanto seguia o amigo. Uma mulher os recebeu na porta, entregando-lhes duas chaves para cada.

— A dourada — Deidara explicava enquanto subiam pelas escadas para o segundo andar. — É para acesso ao quarto. A vermelha é para abrir o teclado dos lances. Fique tranquilo, o dono do lugar é meu amigo, ele disse que você pode dar o lance que quiser que não será cobrado realmente.

— A onde exatamente você me trouxe? — Sasuke arqueou a sobrancelha, desconfiado.

Deidara sorriu, pegando a chave dourada de Sasuke e abrindo a porta.

— Só senta lá e lembre-se que, quando você der o lance, vai ter exclusividade e poderá fazer tudo o que quiser desde que com permissão. Isso é importante, ouviu? Tem que ser tudo, absolutamente tudo, consentido.

Sasuke não teve tempo de responder antes que Deidara lhe devolvesse as chaves e o empurrasse para dentro do quarto escuro, iluminado, mais uma vez, por uma luz vermelha fraca.

Olhou ao redor, desconfiado. Afrouxou a gravata, incomodado pela falta de informação. À frente, conseguia ver uma poltrona vermelha, virada para o que parecia ser uma janela, um vidro escuro. Caminhou até ela, sentando-se e suspirando ao sentir os músculos relaxarem no conforto. Havia um vidro a sua frente e, embaixo dele, como em um painel, havia um espaço para colocar uma chave.

Chave vermelha, deduziu, inclinando-se para frente e notando que o vidro ficava mais transparente quanto mais próximo ficava dele.

Através do vidro, viu uma sala circular com uma cadeira no centro. Pode ver janelas iguais a sua distribuídas ao redor do cômodo e, enfim, compreendeu o motivo da máscara. Eram quartos ao redor de uma sala circular, quartos que possuíam uma janela que os permitia ver o que acontecia do outro lado.

Respirou fundo, passando a mão nos olhos e amaldiçoando Deidara.

Ouviu um “clic”.

Seus olhos negros refletiam parcialmente no vidro e ele se perguntou o que realmente levava alguém àquele tipo de... Podia chamar aquilo de entretenimento? Bem... Se fosse, já havia começado errado. Viu uma mulher entrar na sala circular e parar na frente da cadeira.

Não gostava de mulheres. Deidara havia se esquecido daquele detalhe?

A mulher era bonita, sabia reconhecer a beleza do rosto e do corpo curvilíneo dela. Se fosse hétero, talvez gostasse dos seios avantajados bem marcados pela lingerie, mas não era. Viu-a andar em círculo, parando sempre na frente de cada janela, exibindo o corpo e a peça que vestia para, então, começar a tirá-la vagarosamente.

Apoiou o rosto na mão, esperando o término do pequeno show.

Viu uma luz amarela se acender em seu painel. Olhou para a mulher e a viu mudar de atitude, sentando-se na cadeira e abrindo as pernas enquanto se acariciava. A luz piscou novamente e Sasuke percebeu que, ao lado dela, junto ao painel, apareceu a quantia de dois mil reais.

A garota ajoelhou-se na cadeira, arrastando as mãos pela barriga, apertando os seios enquanto jogava a cabeça para trás em um falso gemido.

A luz amarela piscou. quatro mil.

Ah, ela sabia que estavam dando lances. Sasuke se aproximou do vidro. A mulher parecia dar atenção especial a duas janelas, e Sasuke pode notar que elas estavam sendo iluminadas com um tom azulado, diferente da sua e das demais.

A mulher sabia quem a estava disputando.

Franziu o cenho, assimilando todas as informações enquanto se recostava na poltrona e apoiava o rosto na mão.

Por dois minutos, ninguém mais deu lances e aquilo pareceu finalizar a disputa. Dez mil. A garota havia conseguido dez mil antes de se levantar, caminhando até a janela que dera o maior lance. Dez mil! Tinha que trabalhar meses para levantar o dinheiro que ela obtivera em minutos de exibição!

Viu-a abrir uma porta e entrar. A luz da janela do maior lance se apagou em seguida.

Sasuke olhou para o lado, finalmente percebendo que havia uma discreta porta ao lado de sua janela também.

Assistia. Caso se interessasse, participava de um leilão. Se ganhasse, a pessoa entrava no quarto e a janela se tornava fosca, impedindo que os demais vissem o que ocorreria no quarto.

Interessante. Muito interessante.

Ouviu novamente o “clic”.

Sua boca secou. Apoiou os cotovelos no painel, deixando o queixo repousar nas mãos enquanto acompanhava um homem completamente vestido parar em frente à cadeira. Viu-o se aproximar da janela oposta à sua, exibindo-se para o que parecia ser uma mulher. Três janelas depois e, enfim, era sua vez. O homem parou exatamente a sua frente, passando a mão de forma displicente pelos cabelos loiros arrepiados, jogando-os para trás enquanto lhe sorria sugestivo. Os olhos azuis tinham um brilho excitante, envolvente. Ele se virou de costas, permitindo que Sasuke analisasse o modo como a calça preta se colocava aos músculos da perna, das coxas, do quadril.

Passou a língua nos lábios ao ver como o tecido marcava os glúteos, deixando-os muito bem delineados e volumosos. Esperou que o homem se virasse para poder apreciar vê-lo abrir o zíper do espartilho masculino que usava. O abdômen definido era de tirar o fôlego, e Sasuke não conteve o sorriso malicioso, recebendo prontamente outro em troca. Focou-se no rosto dele. Loiro, olhos azuis, pele levemente bronzeada, barba rala causada provavelmente mais por descaso do que por hábito. Ele era lindo. Lindo e extremamente gostoso.

Infelizmente, ele continuou a andar para se mostrar aos demais. Esperou até que ele voltasse para a cadeira e piscou, interessado, quando o homem se sentou de costas para si e de frente para a cadeira. Mordeu o lábio inconscientemente enquanto via os músculos das costas dele se flexionarem contraírem. O tecido deslizou pela pele, escorrendo pelos ombros, revelando a pele bronzeada, os músculos.

Não precisou mais que isso para a luz amarela piscar. Sasuke olhou para o painel: alguém iniciara a disputa com cinco mil. Cruzou as pernas e continuou apenas como telespectador. Notou a respiração acelerar quando o homem voltou a ficar de frente para si.

— Tatuagens... — sorriu.

Uma tatuagem estranha que desconhecia o significado, mas que ali, no abdômen daquele maldito cara, ficava muito excitante.

A luz amarela piscou e continuou a piscar sabe-se lá por quanto tempo. Sasuke apenas a ignorava, atento somente à expressão de prazer que o homem exibia ao se tocar por sob a calça, tirando-a juntamente com a cueca.

Viu-o franzir o cenho, encarando-o com curiosidade. Percebeu que estava próximo da janela, atento demais ao outro embora sem ter feito lance algum. Aquilo deveria estar o intrigando, intrigando muito já que ele se aproximou lentamente, deixando as mãos percorrerem o corpo antes de se fechar em volta do membro e começar a movê-lo.

Sasuke arfou quando o outro supostamente gemeu e se inclinou para frente. Os olhos azuis o hipnotizavam, a malícia neles era um afrodisíaco, deixava-o tentado a fazer um lance, a querê-lo ali consigo para tocá-lo e saber se seria tão bom quanto o assistir. Sentiu-se quente. Sentiu-se inquieto e quente. Estava desejando aquele homem que nem sabia quem era, desejava tocá-lo! Desejava sentir a textura da pele sob seus dedos! Desejava saber o gosto dela, dos lábios, de tudo. Mas não pode pensar muito. A luz amarela piscou. Quinze mil. Percebeu o homem olhá-lo uma última vez antes de dirigir à outra janela. Tinha dois minutos para dar um lance se quisesse ficar a sós com aquele homem.

Tamborilou os dedos no painel, estalando a língua no céu da boca e se ajeitando na poltrona. Queria. Queria mesmo. Mas ficaria para outro dia.

Levantou-se com as duas chaves, saindo daquele quarto. Desceu as escadas, rindo baixo consigo mesmo. Parou ao lado de sua moto, bagunçando os cabelos antes de colocar o capacete e montá-la.

Casa. Precisava tomar um banho, esfriar o corpo, relaxar e dormir. Precisava de tudo isso porque tinha que estar disposto no dia seguinte se quisesse mesmo fazer o que pretendia.

Estacionou a moto na garagem, esperando o portão automático baixar-se por completo. Entrou na casa, jogando suas chaves e as do estabelecimento em cima da mesa de centro na sala. Assobiou alto. Ouviu os passos rápidos pela casa e sentou-se no sofá, dando dois tapas nele.

— E ae, garota? — perguntou, acariciando a cabeça e as orelhas da pitbull que se arrastava para seu colo. — Deve estar com fome, não? Desculpe a demora, mas não acreditaria no meu dia.

Suspirou, arrastando-se para a parte externa da casa, colocando uma generosa porção de ração para o filhote de pitbull red nose que ganhara do irmão há menos de seis meses quando fora promovido. Girou o pescoço, massageando a região enquanto esperava pacientemente a filhote terminar de comer. Pegou o celular, digitando uma mensagem para o irmão e o avisando de que já havia chegado em casa. Vinte e seis anos e ainda tinha que prestar contas a Itachi. Mas era melhor fazê-lo; sabia que, se não acalmasse o irmão mais velho, ele pegaria o primeiro voo achando que tinha sofrido algum acidente, sido sequestrado, morto, enterrado ou sabe-se lá o que!

— Pronta? — perguntou, acariciando a filhote. — Vem, vamos dormir, Pandora.

Ligou o aquecedor do quarto e retirou as roupas, permanecendo só com a boxer enquanto deitava na cama e se cobria. Deitou-se de bruços, olhando Pandora sentada ao seu lado, encarando-o com os malditos olhos pidões como toda noite.

— Vem, sobe logo. Mas é só hoje, viu?

Ela pulou rapidamente na cama, infiltrando-se no cobertor e se acomodando para dormir.

“Só hoje”. Sasuke riu. Vinha falando isso há seis meses já.

* * *

Acordou com as lambidas de Pandora. Odiava aquilo. Empurrou a cachorra com a mão, sonolento, resmungando algo incompreensível enquanto se xingava.

A noite tinha sido horrível. Os sonhos tinham sido quentes e molhados, o que justificava a ereção que despontava no meio de suas pernas de novo. De novo? Sim, era a terceira vez que acordara daquele jeito. Havia acordado às duas da manhã e depois às quatro daquele mesmo jeito! O que resultado? Seu humor estava péssimo.

O relógio no criado mudo marcava seis e vinte e cinco, e Sasuke suspirou aliviado por, pelo menos, não estar atrasado.

— Ta, ta, bom dia para você também. Inferno... — resmungou, passando a mão pela barriga da cachorra que rolava nos lençóis com estranha felicidade.

Arrastou-se para fora do quarto. Ligou a cafeteira na cozinha e colocou ração no pote da cachorra antes de seguir para o banheiro. Ligou o chuveiro e encostou a testa nos azulejos enquanto a água fria castigava sua pele até o livrar de qualquer resquício dos sonhos que tivera. Fechou o chuveiro depois de dez minutos. Secou-se de maneira displicente, vestindo a calça social e uma camisa azul clara de mangas compridas. Pegou sua pasta e conferiu os documentos, não se esquecendo de jogar as chaves do dia anterior nela.

— Volto tarde hoje — comentou enquanto entrava na cozinha e se servia de uma generosa xícara de café. — Por isso, comporte-se, ouviu? Nada rasgado ou destruído dessa vez. Vou tentar mandar Sakura vir cuidar de você, ou melhor, te vigiar.

Pandora nem o olhou, continuou a comer como se o olhar severo do dono não a intimidasse.

Sasuke revirou os olhos, saindo da casa e trancando a porta antes de entrar na garagem e subir na moto. Mais um dia de trabalho...

O prédio onde trabalhava abria às sete, mas ele só deveria estar lá às oito. Itachi o mataria se soubesse que, mesmo sob estresse, estava chegando uma hora mais cedo no jornal. Estacionou a moto na sua vaga e cumprimentou o porteiro ao passar por ele e ir direto para o elevador. Fechou os olhos, soltando um suspiro alto quando as portas se fecharam.

Era responsável pelo caderno de política do jornal. Ele e a equipe que coordenava andavam a mil nos últimos meses devido à crise na câmara e no senado, sem contar nos escândalos de corrupção que só aumentavam. Era uma história atrás da outra, falsas e verdadeiras, das mais diferentes fontes, números alterados, pesquisas furadas! Não aguentava mais aquilo. A vontade que tinha era de botar fogo em sua sala, papéis e computadores, demitindo-se e comprando uma passagem para algum país quente onde poderia simplesmente relaxar.

— Sasuke?

Abriu os olhos, vendo as portas do elevador se fecharem após a amiga entrar.

— Bom dia, Sakura.

— Bom dia. Chegou cedo.

— Hm.

— Seu irmão vai ficar preocupado se souber. Aliás, tomou café da manhã? Sabe que tem que se alimentar direito, né?

Sasuke estreitou o olhar, notando as mãos dela se juntarem atrás do corpo enquanto ela o olhava preocupada.

— Sabe que para ter o número do meu irmão, basta pedir, não sabe, Sakura? — cortou-a, entediado. — Me dê seu telefone.

Sakura arregalou os olhos e entregou o aparelho para Sasuke, corada, vendo-o digitar rapidamente e salvar o contato “Itachi” em sua agenda.

— Ele volta daqui duas semanas.

— Obrigada... Mas não respondeu se tomou ou não café da manhã.

Sasuke ignorou, esperando o elevador abrir as portas e saindo dele. Caminhou até sua sala, jogando a pasta na mesa e fechando a porta. Abriu o notebook e verificou sua agenda. Teria uma reunião geral meio dia com seu chefe e aquilo não lhe pareceu uma boa notícia. Pain não costumava convocar reuniões com o editor-chefe e os representantes de cada caderno. Droga, perderia o almoço de novo.

As horas passaram lentas. Um massacre. Eram tantas notícias, tantos dados a serem checados que a vontade que tinha era de atirar o computador pela janela e assisti-lo se chocar contra o chã dez andares à baixo. Ah, sim, seria revigorante vê-lo quebrar, despedaçar-se, abrir-se todo sem concerto!

Suspirou e se espreguiçou, ouvindo o estômago roncar e reclamar da falta de café da manhã. Eram quase onze e meia e só a ideia de ficar sem almoço já fazia sua pressão querer cair propositalmente só para atrapalhar seu dia.

— Parece que cheguei em uma ótima hora!

— Sakura, eu já te dei o telefone do meu irmão, não dei? — perguntou mal humorado.

Sakura sorriu animada, colocando uma sacola sobre a mesa enquanto puxava a cadeira para se sentar ao lado de Sasuke.

— Não acha que eu falo com você há quase dois anos só para conseguir um telefone, não é? — ela riu, ciente de que era quase aquilo que ele pensava. — Larga de ser rabugento, Sasuke. Eu trouxe seu almoço. Não precisa me agradecer, eu me contento só em não te ouvir resmungar durante o dia ou desmaiar numa reunião com Pain. Ele parece bem irritado com a sessão de política, pelo que ouvi dizerem.

— Com o meu caderno? Por quê?

— Parece que um dos seus colunistas atacou feio um dos senadores, mencionando até mesmo um relacionamento dele com amantes.

Ele ergueu os olhos, irritado, socando a mesa com força. Inspirou profundamente, sentindo as mãos de Sakura em suas têmporas em uma massagem leve.

— Vem, vamos comer. Depois você se preocupa com isso.

Ele pensou em recusar, em ir até o maldito colunista, mas por pouco tempo. A comida cheirava tão bem... Fechou o notebook, desistindo de resistir.

Sakura retirou o recipiente da sacola, colocando-o na frente de Sasuke antes de fazer o mesmo com o seu próprio almoço. Viu-o sorrir minimamente ao abrir o recipiente e ver o yakisoba.

— De nada — ela riu, entregando-lhe os hashis. — Anime-se, Sasuke, é sexta!

Sasuke balançou a cabeça negativamente, pegando os hashis e não fazendo cerimônia antes de começar a comer.

— Deidara me falou que vocês saíram ontem. Fico impressionada pelo fato de você não terem me contado nenhuma história engraçada. Não se divertiram ou saíram como gente grande finalmente? — ela debochou, lembrando-se de que, sempre que eles saíam, um acabava bêbado e com uma ressaca horrível na manhã seguinte. — Ele pediu para te avisar que, se quiser sair de novo, o expediente dele termina às cinco. Agora para onde vocês foram? Deidara ficou quarenta minutos me enrolando e acabou não dizendo nada.

Sasuke balançou os hashis na direção de Sakura, vendo os olhos verdes dela brilharem de curiosidade por trás dos óculos vermelhos.

— Se ele não te disse, por que acha que eu vou dizer? — arqueou a sobrancelha, irônico. — Aliás, pode me fazer um favor já que te dei o telefone do meu irmão?

— Qual?

— Esta aqui — ele colocou um chaveiro sobre a mesa. — é a chave da minha casa.

— Não passamos dessa fase? Achei que fosse gay.

— Quer me ouvir? — ele balançou a cabeça, incrédulo. — Pode cuidar da minha cachorra? Ela não gosta de ficar sozinha. E foi Itachi que me deu, sabe? — apelou. — Não quero que ele pense que não estou cuidando dela direito.

Sakura bufou, inconformada. Sasuke a viu fazer um bico infantil enquanto enrolava uma mecha do cabelo rosa no dedo. Piscou para ela quando Sakura pegou as chaves, jogando-as na bolsa.

— Você é um chato, Sasuke.

E era assim que seus dias, os menos piores, eram. Não era difícil entender o motivo de seu estresse. Depois da reunião desgastante, esperou seu dia terminar. Com sorte, terminara todas as suas tarefas até às quatro. Deu tempo de organizar seus papéis e fazer anotações para a segunda-feira. Alongou-se na cadeira mesmo, deixando a cabeça pender nas mãos. Sorriu de lado ao visualizar as chaves vermelha e dourada sobre a mesa e se levantou.

Esperou por Deidara no estacionamento. Retirou o cigarro do maço e o acendeu. Tragou profundamente, mantendo a fumaça na boca por um tempo antes de soltá-la. Revigorante. Repetiu o mesmo processo com outro cigarro e só parou quando viu Deidara caminhando em sua direção, rindo ao celular com sua animação cotidiana. Subiu na moto, colocando o capacete, e esperou Deidara entrar no carro. O amigo piscou o farol antes de dar partida e Sasuke o seguiu até o Akatsuki.

O segurança dispensou a identificação dessa vez e os deixou passar rapidamente. Sasuke colocou a máscara e notou que o ambiente estava bem iluminado daquela vez. Subiu as escadas e parou na frente do quarto que lhe estava reservado. Girou a chave dourada e entrou.

A iluminação branca deixava que pudesse ver todos os detalhes do cômodo, diferentemente do dia anterior. As paredes eram divididas: duas brancas, duas pretas. Havia a janela com o painel e a pequena porta ao lado assim como, do outro lado do cômodo, havia uma cadeira de madeira antiga, com ornamentos e lindamente esculpida. Havia uma cama também, enorme, com dossel negro e dois criados mudos, um de cada lado. Uma terceira porta estava ali, e Sasuke deduziu ser a do banheiro. Para completar, havia um minibar do qual nem chegou perto por saber que não resistiria se achasse um bom vinho.

Uma suíte grande, bem arrumada e decorada. Cara. Extremamente cara. Ficava feliz em saber que aquilo não sairia de seu bolso.

Aproximou-se da poltrona, sentando-se e esperando. Demorou cinco minutos para começar. As luzes tanto da sala quanto do quarto permaneceram acesas, permitindo que todos se vissem e só não se reconhecessem pelo uso da máscara.

— Senhores, senhoras — a mesma mulher do dia anterior entrou, falando em tom baixo, sedutor. — A Akatsuki fica feliz em recebe-los hoje. Como sabem, hoje é o primeiro dia de abril, conhecido como dia da Mentira. Por conta disso, hoje faremos algo diferente. Enquanto todos aproveitam esse dia para mentir, nós aproveitaremos para o oposto. Nenhuma luz será apagada até que o cliente solicite seu acompanhante e, então, será dada a eles a devida privacidade. Jogaremos às claras, de modo transparente.

Sasuke cruzou as pernas. Aquilo mudava um pouco as coisas. Dava para ver completamente a pessoa através de outra janela, dava para enxergar o que ela fazia, como estava, como se sentia. Provavelmente, aquilo acirraria disputas, elevaria os lances já que se estabelecia algo mais pessoal, mais competitivo entre quem assistia.

A mulher passou na frente de sua janela, como fizera no dia anterior, e exibiu o corpo nu. Sasuke viu a tatuagem que lhe cobria as costas, um dragão extremamente bonito. Esperou que ela terminasse e assim fez com a outra mulher e com os dois homens que apareceram a sua frente. Franziu o cenho, incomodado, tamborilando os dedos na poltrona, impaciente. O homem do dia anterior ainda não havia aparecido. Quatro rodadas haviam passado.

Das janelas, restava a sua e mais três acesas e Sasuke notou que, assim como ele, a mulher da janela à frente estava impaciente a ponto de se levantar várias vezes e voltar sempre com uma taça de bebida.

Sua postura automaticamente mudou quando o homem loiro que esperava finalmente apareceu. Ele vinha acompanhado de outro, ruivo, um pouco mais alto, olhos verdes, cabelo arrepiado. Cada um se dirigiu a uma janela e iniciou a breve introdução. Sasuke viu o ruivo para diante de si, exibindo os olhos bem contornados por lápis de olho preto que ressaltavam ainda mais a cor clara de suas íris. O peito estava desnudo, notava-se alguns arranhões, algumas marcas roxas na altura da cintura. A calça de moletom era larga, caindo um pouco além do que a decência poderia pedir. A expressão séria, gélida, no entanto, fez com que rapidamente perdesse o possível interesse nele.

O homem loiro apareceu, tocando o ombro do outro, fazendo-o ir para a próxima janela. Ele sorriu para Sasuke, inclinando a cabeça em um cumprimento que Sasuke respondeu discretamente. Diferente do ruivo, ele estava vestido por completo em preto com roupas justas e que não deixavam nada de sua pele à mostra. Sasuke se perguntou o motivo da blusa cacharrel e das luvas. Sua expressão deveria estar deixando seus pensamentos transparecerem porque viu o homem diante de si apertar o tecido, contorcer-se lentamente como se quisesse se livrar das roupas, passando a mão por seu corpo, apertando-o como Sasuke queria fazer com ele.

Às claras... Isso queria dizer que, se Sasuke tivesse uma ereção, teria que ser discreto ao ocultá-la sem que os outros vissem. Seria... Desconfortável. Estalou a língua no céu da boca, finalmente vendo uma mudança no painel digital abaixo de sua janela. Possuía dois nomes e, embaixo deles, os lances. O nome em amarelo era Naruto, o nome em vermelho era Gaara. Sasuke olhou para os nomes e depois para os homens ao centro da sala. Um era ruivo e outro era loiro, seria por isso as cores nos nomes? Esperava que sim. Não queria dar lance no homem errado.

Viu os dois homens se aproximarem da cadeira ao centro. O que imaginava ser Gaara se sentou, levando as mãos aos quadris do outro, posicionando-o a sua frente, de costas para Sasuke. Os olhos negros acompanharam o trajeto das mãos pelas panturrilhas, pareciam quase não as apertar. Subiram pelas coxas, acariciando-as da parte mais interna para a mais externa, apertando com força como voltou a fazer novamente com os glúteos antes de desferir um tapa estalado.

Os olhos azuis o fitaram por sobre o ombro. Naruto se virou para Sasuke, sendo puxado pelas mãos na cintura, sentando-se no colo de Gaara. A blusa negra subiu um pouco, sendo puxada com violência. Não sabia quem era o estranho com a máscara vermelha e nem se lembrava de já tê-lo visto ali tirando a noite anterior, mas reconhecia que ele tinha um sorriso de canto lindo.

Levou suas mãos para trás, segurando-se nos cabelos de Gaara, o homem com quem encenava naquele dia. Rebolou quando as mãos dele entraram por sua blusa, arranhando seu peito de leve. Fingiu arfar, fechando os olhos e puxando o cabelo dele.

— Está empolgado, Naruto? — ouviu-o sussurrar discretamente quando a boca dele se arrastou até seu ouvido.

Riu baixo, direcionando um olhar para o estranho com a máscara vermelha. Sim, estava, estava realmente animado aquele dia por inúmeros fatores, mas não vinha ao caso.

Viu uma das janelas ser iluminada pela luz azul.

Gaara se levantou, empurrando-o contra a cadeira de modo a se segurar nela e empinar o quadril. A pélvis dele se esfregou contra suas nádegas e Naruto sorriu malicioso para a mulher atrás da janela enquanto fechava os olhos em uma expressão de prazer. Divertia-se ao perceber o quão inquieta a mulher estava. Ela olhava para os lados, abaixava o rosto, Naruto podia jurar que até rubra ela deveria estar! Tão boba. Inclinou-se um pouco mais, o suficiente para poder espiar aquele que, de fato, o interessava.

Sasuke apertou a chave vermelha em suas mãos. Estreitou os olhos quando outra janela se acendeu e a blusa cacharrel que o Naruto utilizava foi ao chão.

Colocou a chave vermelha no local indicado e a girou. Com isso, apareceu um teclado com apenas números. Tocou o nome Naruto e viu o último lance nele: doze mil.

Voltou os olhos para o centro da sala, assistindo Gaara puxar o cabelo de Naruto, deixando-o de pé enquanto colava o tórax às costas dele e apertava-lhe o pescoço com certa pressão. A outra mão deslizou pelo peito até apertar-lhe o membro escondido pelo tecido da calça.

Quinze mil.

Deidara havia dito que não teria que pagar independentemente do valor que ofertasse, não era isso? Sorriu divertido, desviando o olhar do de Naruto apenas para poder digitar seu valor. O máximo que havia visto ali fora vinte mil, então elevou um pouco mais: vinte e cinco mil.

Naruto viu a luz do estranho se acender e piscou divertido para ele. O dispositivo, parecido com um fone extremamente discreto em seu ouvido, avisava-o dos lances para que pudesse distinguir quais eram para si e quais eram para Gaara. Agora, era ver se, em dois minutos, haveria uma proposta mais alta. Percebeu o desconforto nos outros clientes que passaram a encarar o estranho. Arqueou a sobrancelha sem entender e voltou a passar as mãos pelo corpo de Gaara, arrastando a boca pelo pescoço dele até parar rente ao ouvido para morder o lóbulo.

Sasuke viu a luz amarela se acender novamente. Vinte e oito mil. Descruzou as pernas, apoiando os braços nelas enquanto se debruçava para ver um homem em outra janela cumprimenta-lo com um aceno.

Sorriu com desdém para ele. Adorava jogos que já sabia estarem ganhos e foi com extremo prazer que digitou a quantia de cinquenta mil antes de acenar de volta. Olhou para o relógio no pulso e depois para o homem da janela. Viu-o se levantar, irritado, gesticulando e saindo de sua visão.

Levantou-se quando o relógio acusou dois minutos. Naruto se afastou de Gaara, virando-se para Sasuke. Ele estava de pé, com as mãos nos bolsos e um sorriso de canto. Os olhos negros se destacavam na máscara vermelha e foi impossível se desviar daquele olhar forte enquanto caminhava para a porta.

É... A noite prometia.

April 6, 2018, 9:07 p.m. 1 Report Embed 7
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Sakurai Alice Sakurai Alice
A tensão de cada frase é maravilhosa, adorei mesmo, melhor recomendação que já recebi na vida.
June 17, 2019, 8:12 p.m.
~

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