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Era no rinque que ambos sentiam a emoção de se estar vivo. Havia três pequenas regras para que a parceria forçada gerasse algum fruto: respeito, dedicação e, acima de tudo, nenhum sentimento extra que pudesse prejudicar o desempenho durante as competições que decidiriam o futuro da rosada. Respeitar a terceira regra era fácil, afinal, Sakura era a princesa do gelo mimada. Nunca que um jogador de hóquei pavio curto como Sasuke iria cair de amores por ela. O moreno estava ali apenas para cumprir seu castigo imposto pelo treinador. Queria apenas limpar a ficha e continuar sua carreira fazendo o que gostava. Mas ela era tão sublime enquanto quase flutuava no gelo. Quase impossível não sentir o coração bater mais forte enquanto ela patinava.


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#sasusaku
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Princesinha

Patinar era sua religião.

No gelo, Sakura sentia que podia fazer absolutamente tudo que desejava, e ela realmente podia. Em cada competição a rosada se realizava, e sabia que brilhava dez vezes mais do que as outras. Era a estrela, a cereja do bolo.

O som de seus patins era a única coisa que ela conseguia ouvir durante sua apresentação, a melhor melodia. Era aquele som que a guiava para o seu futuro brilhante e luminoso. Ela seria uma estrela ainda maior que sua treinadora.

Ela flutuava no rinque, fazendo daquele lugar a sua casa, seu palco. Sempre se sentia mais viva enquanto demonstrava toda a sua agilidade e paixão pelo que fazia, seja nos movimentos de mão, nos salto ou a cada pose. Tudo era acompanhado de um sorriso alegre e encantador que ela amava exibir.

O salto triplo deu começo à sua apresentação. Suas séries sempre eram as mais impecáveis, graças ao olhar de Tsunade, sua técnica e lenda na patinação. A mulher costumava ser muito exigente, e não tolerava nenhum erro de sua discípula. Era um preço a se pagar por ter a ambição de uma vaga nas Olimpíadas.

A competição estava ganha. Já estava no fim da série e qualquer patinadora que assistia já tinha convicção de que era impossível superar a maestria e controle impecável da rosada. Haruno costumava dizer, de forma esnobe, que cada patinadora que ousava dizer ser sua rival eram apenas aperitivos para os jurados. Dizia que, não importava onde fosse, ela era sempre e sempre seria a atração principal que todos desejavam ver.

O primeiro lugar seria de Sakura. Era uma competição nacional que abriria as portas de um mundo novo para ela.

Um salto Axel Triplo seria o perfeito encerramento, digno de uma rainha. Não era um salto fácil – seus pontos eram elevados por conta disso –, mas ela daria conta e ganharia a pontuação máxima. Era conhecida como “A Princesa do Gelo” e aquele título não foi lhe dado atoa. Entrou com o pé esquerdo no sentido anti-horário. As três rotações no ar foram dadas com maestria, mas a aterrissagem foi uma belo desastre. A queda foi maior do que aparentou ser de verdade, e teve um resultado catastrófico. Não era um erro no salto, era um erro na carreira impecável de um dos nomes mais falados no mundo da patinação artística.

E para piorar, o erro deu origem a uma contusão que custaria todo o seu futuro.

Haruno era incapaz de se levantar e pelo menos tentar finalizar a série. Se fosse capaz de se pôr de pé, conseguiria os pontos, e pelo menos, a medalha de bronze seria dela. Mas a dor era grande e a vergonha de cometer um erro no seu maior salto era ainda maior.

Conseguiu sentir Tsunade a tocando e perguntando se estava tudo bem, mas ainda não conseguia assimilar exatamente o que acontecia ali. Estava em pânico por ter cometido um erro, não era capaz de acreditar.

A queda da Princesa do Gelo foi ainda pior que a queda da Torre de Babel.

❖ ❖ ❖

Três meses. Foi o pequeno espaço de tempo que a Haruno precisou para voltar a patinar como se nada tivesse acontecido.

Claro que, para sua treinadora, diminuir a intensidade dos treinos se tornou necessário. A loira sabia que a garota seria capaz de ultrapassar seus limites e fingiria que tudo estava certo, apenas para voltar a treinar normalmente. Mas isso não iria acontecer. A mulher gostava demais da discípula, não deixaria ela se matar de tanto treinar. A rosada não concordou com nada daquilo, mas não podia falar nada – tinha que respeitar o que a mulher dizia, sem contestar muito.

Tsunade decidiu que sua aprendiz precisava desesperadamente arranjar algo para se distrair. No fim, ambas concordaram que voltar a desenhar não era uma má ideia. Sakura tinha feito um curso de artes a muito tempo atrás e era boa nisso, mas desistiu de tudo para se dedicar a patinação artística com total intensidade e devoção.

Com um leve suspiro, ela encarou seu esboço. Encontrava-se na arquibancada do rinque de hóquei enquanto contemplava o treino do time da cidade. Achou que desenhar um esporte que envolvia gelo – que não fosse patinação – seria uma boa ideia. Mas ela parou de desenhar o jogo em si e dedicou sua atenção para o capitão do time. Um belo capitão, diga-se de passagem.

O desenho feito apenas no grafite captava muito bem aquele olhar feroz que o rapaz depositava no disco. Ele era um monstro no gelo. Patinava rápido como um raio e ninguém era capaz de pará-lo, e a única coisa que diminuía sua velocidade era o gol se aproximando.

Sakura adorou contemplar aquele homem. Treinava no lugar a mais de dez anos, mas nunca tinha parado para assistir um treino ou uma partida oficial de hóquei. Também nunca tinha visto aquele homem que mais se parecia com um bárbaro usando patins. Ou ele era novo na cidade ou ela simplesmente nunca teve tempo de notá-lo.

A paixão dele pelo jogo transparecia toda vez que ele tirava o capacete para sorrir após um gol. Parecia que ele tinha o respeito de todos do time, não era difícil perceber o motivo dele ser o capitão.

— Você por aqui?

A voz doce de Hinata a assustou ao ponto de deixar todas as coisas, com exceção do caderno, caírem no chão. Não seria nada bom ser pega no flagra admirando a técnica de um jogador de hóquei, esporte que ela abominava. Recuperou o fôlego e pegou suas coisas.

— Tsunade acha que eu tenho que distrair minha cabeça. Voltei a desenhar e, mesmo não gostando de hóquei, tenho que admitir que esses caras tem paixão.

— Esses caras ou o capitão?

Pôde ver os olhos perolados da garota recaindo sobre o esboço no colo da rosada, o que fez com que ela corasse levemente, fechando o caderno o mais rápido possível. A atitude fez a morena rir. Passou na cabeça da rosada perguntar o que a Hyuuga fazia ali, mas logo se lembrou que o principal Winger do time, era o noivo da moça.

Naruto Uzumaki tinha 28 anos. Era um bom jogador e, mesmo sofrendo muitas penalidades em cada partida, era o ídolo de muitos na cidade. Fora do rinque, o loiro era um excelente cozinheiro. O restaurante Uzumaki era o mais conhecido da cidade, sem dúvidas.

— Eu queria falar com você sobre emprego.

— Emprego? Achei que patinar fosse tudo que você soubesse fazer.

— E é – admitiu com uma careta. – Mas não estou ganhando muito depois da lesão e achei que trabalhar como garçonete ou qualquer coisa que não requer um curso superior seria útil.

Ela deu um longo suspiro com o olhar perdido. Já tinha 26 anos e seus dotes estavam limitados em patinação e desenho amador. Não fez faculdade e nunca pensou que cursos seriam úteis para uma patinadora com o futuro brilhante. Também nunca pensou que uma lesão iria obrigá-la a mudar um pouco os seus planos.

Em resumo, Sakura era uma patinadora que era incapaz de fazer qualquer outra coisa. Tinha sorte de ter uma mestra como Tsunade, afinal, a mulher havia a adotado como uma filha ao ponto de oferecer um teto em troca de um bom desempenho. Mas quando o desempenho diminuiu pela metade, a Haruno se viu na obrigação de seguir a vida à pagar a enorme dívida que tinha com ela. Toda vez que acordava e via a loira preparando o café da manhã, só conseguia se sentir um fardo. Não era mais uma adolescente em treinamento, não deveria continuar sendo protegida pelas asas quase maternas da treinadora.

— Prometo conseguir alguma coisa para você. Mas enfim, o treino já está terminando, posso pedir para Naruto te apresentar Sasuke, eles são bons amigos.

— Oi? – parecia incrédula. – Só estou usando ele como modelo, não quer dizer que estou interessada.

— Te conheço bem, um homem patinando tão bem deve te deixar maluca.

— Não sou uma Maria Patins, Hyuuga – revirou os olhos. – E tudo o que ele faz ali, eu sou capaz de fazer melhor.

Quando deu por si, os olhos verdes já estavam repousando nos pés do capitão do time. Não era interesse no sentido de se estar apaixonada. Haruno só se sentia intrigada e extremamente atraída pelo belo patinador que ele era. Os movimentos eram agressivos em grande parte do tempo, mas haviam momentos em que o moreno simplesmente evitava o conflito e desviava de forma leve, quase como se dançasse.

Os patins e ele eram um só.

Com um suspiro, a garota deu uma rápida olhada do esboço. Era quase perfeito e pegava muito bem a expressão da felicidade em estar no gelo que quase transbordava pelos olhos ônix.

— Ele é muito bom. Naruto vive falando que Kakashi não poderia escolher um capitão melhor.

— Ele está na cidade a muito tempo? Eu nunca vi esse cara.

— Você nunca vê ninguém, Sakura. Sasuke mora aqui a mais de dez anos. Entrou no time tem seis anos e está sempre saindo com o nosso grupo, mas você nunca sai com a gente por causa dos treinos – suspirou – Respeito sua paixão, mas você deixou de viver. Quase não nos vemos e eu sinto falta da minha amiga. Só voltamos a socializar mais porque você se lesionou.

A rosada suspirou. Não podia negar nada que a morena falava, no fundo sabia que era verdade. E isso a incomodava.

Passou grande parte de sua vida se dedicando totalmente ao seu trabalho. Nunca viu isso como algo ruim, afinal, amava o que fazia, mas depois de três meses quase parada, pôde notar que perdeu muita coisa.

Hinata estava noiva, e Haruno nem se deu ao luxo de ir na festa de noivado de sua amiga de escola por conta dos treinos. Ino virou âncora da emissora local e, como sempre, a rosada não estava presente no dia em que comemoraram o acontecimento. Nem quando Temari, a mais velha do grupo, anunciou o gravidez ela esteve próxima.

Nos três meses de sua recuperação ela ficou refletindo sobre suas atitudes e notou que até mesmo sua vida sexual estava parada. Dedicou todo seu tempo livre a patinagem e deixou a promessa de se tornar uma estrela subir sua cabeça.

— Eu sou uma amiga horrível – suspirou enquanto abraçava o próprio caderno. Era uma pessoa tão sensível que poderia chorar ali mesmo.

— Nem tanto – comentou Hinata, sempre era positiva – Olha, Temari está grávida de oito meses, mas mesmo assim vai vir no jogo de hoje. Seria legal nós quatro juntas novamente, como nos velhos tempos. Posso até dar um jeito com o Sasuke, pelo o que eu sei, ele é solteiro.

— Céus, Hina. Eu não quero um macho, aproveitar tudo o que eu perdi com vocês já é o suficiente.

Ambas sorriram. O anel de noivado brilhava na mão da Hyuuga, ela era a segunda no grupo que estava caminhando para uma união estável. Até mesmo Ino havia começado um namoro no meio do ano passado, e parecia ótima.

E Haruno, aos seus 26 anos de idade, sentia que estava ficando para trás. Não tinha um namorado fixo a mais de sete anos e a última transa da vida foi com um patinador durante uma competição nacional. Isso já tinha um ano e meio e a transa foi um lixo.

— Shikamaru está tão feliz – a Hyuuga apontou com a cabeça para o homem sentado no banco.

Nara era um rapaz bonito. Alto, inteligente e possuía um cavanhaque que não existia a um tempo atrás. Era calmo e costumava ser gentil, mantinha sempre um ar de tédio e Sakura sempre achou engraçado o rapaz ser um jogador de hóquei com aquela personalidade tão contraditória ao esporte.

Apesar de ser um anjo, o rapaz era um jogador de centro bem violento quando necessário, e sempre marcava os melhores gols.

Haruno adorava o casamento dele com a loira mais brava do que qualquer ser humano existente. Ela ser quatro anos mais velha nunca foi algo ruim. Shikamaru, aos seus 29 anos de idade, era mais maduro do que qualquer homem que Temari já havia visto na vida. O casamento durava a oito anos. Uma cerimônia simples no cartório, que graças a um torneio, Haruno não pôde comparecer.

— É um menino, sabia?

— Achei que Temari só ficaria sabendo o sexo na hora do parto – se lembrou da loira comentando algo a respeito daquilo durante uma conversa que tiveram ao se encontrarem num Café.

— Era o plano. Mas Shika fez um show, queria saber se a cidade ia ganhar mais um jogar de centro tão bom quanto ele – ela riu um pouco alto. – Sabe o que é engraçado? Você não gosta nem um pouco de hóquei, mas todos os seus amigos fazem parte do time da cidade. Não é contraditório?

— Talvez um pouco – teve que admitir com um pequeno sorriso. – Mas é o que acontece quando se mora em uma cidade em que as crianças aprendem a se equilibrar no gelo antes de andar.

Até mesmo Hinata já teve sua fase de patinadora. Foi curta, mas magnífica enquanto durou. Se a morena tivesse se dedicado um pouco mais, como Sakura havia feito, já poderia ter até participado de uma Olimpíada – mas se isso tivesse acontecido, ela não estaria noiva agora; muito menos estaria ajudando o loiro a administrar o negócio que só crescia.

— Vai vir para o jogo? – a rosada assentiu sorrindo. – Ótimo, 19:30, não se atrase.

Ela se levantou e desceu as escadas com pressa, indo até Naruto que a esperava. O treino estava longe do fim, mas o rapaz fez questão de ir até o muro de proteção sem sair do rinque, apenas para beijá-la.

A rosada suspirou pesado e encarou a cena com um pequeno sorriso. Em menos de um mês Hinata iria se casar com o cara que ela sempre amou, e a Haruno iria ficar para titia, como a eterna madrinha que nunca desencalha.

Guardou todas as coisas na bolsa, queria sair do local antes que a amiga retornasse para a arquibancada, mas um barulho forte de algo batendo fez a rosada olhar para o gelo, curiosa. Só pôde ver Sasuke ajudando Gaara a se levantar. Era nítido que o moreno havia empurrado o ruivo para o muro na intenção de pegar o disco dele.

— Você realmente não controla essa força. Deixa essa hostilidade toda para o jogo de mais tarde, Uchiha – o ruivo sorriu enquanto balançava o braço, parecia estar sentindo um pouco de dor.

O treinador chamou o capitão do time e deram início a uma conversa baixa que não pareceu agradar muito o moreno. Escutava tudo com uma cara feia enquanto batia os dedos em seu taco com certo nervosismo. Ao fim da conversa, o moreno revirou os olhos e voltou patinando para o meio do rique. Antes de recolocar o capacete, seu olhar recaiu sobre a rosada, que olhava tudo com muita atenção no alto da arquibancada. Era quase como se soubesse que ela estava ali o tempo todo, o admirando fazer o que sabia fazer de melhor.

Foi só quando o moreno colocou o capacete e montou sua postura ofensiva para jogar que a rosada acordou para a vida a terminou de sair do local.

Hashirama, fundador do lugar e irmão mais velho de Tsunade, planejou com o irmão, Tobirama, um lugar que pudesse abrigar hóquei e patinação artística. A grande Arena Konoha era conhecida em diversos lugares, isso dava a cidade uma maravilhosa fama no mundo da patinação.

Havia o estádio de hóquei, que era a estrutura que ficava bem no meio do lugar. Contava também com duas pistas de patinação de lazer; uma infantil, que também era usada para ensinar os iniciantes a patinar; e outra adulta. Essas duas ficavam no mesmo espaço e não eram tão grandes. Mas o que ela mais amava naquele lugar era o rinque de patinação artística, que ficava bem ao lado do estádio. Era um paraíso para ela.

Não demorou muito para se dirigir até o lugar que ela considerava sua segunda casa. Tsunade estava lá. Conversava com os irmãos na arquibancada – que era consideravelmente menor que a arquibancada de hóquei – enquanto olhavam para a tela no tablet que a mais nova tinha em mãos. Parecia ser um assunto sério.

Não ousou se aproximar para não atrapalhar. Só deu alguns passos quando se despediram e cada um foi para um lado. Os dois homens cumprimentaram a rosada de forma amigável e se retiraram, ainda tagarelando.

— Fez o que eu pedi?

Assentiu entregando o caderno para a técnica.

— É só um esboço e tem anos que não desenho...

— Está ótimo, princesinha – era a forma carinhosa que ela usava para se dirigir à sua discípula. Às vezes, a integrante da grande família Senju tratava a moça como uma verdadeira filha. – Sasuke Uchiha? É o preferido do Hashirama – ela sorriu – Mas achei que ia desenhar o esporte como um todo.

— Eu ia, mas quando o vi patinando com tanta garra, tive que ceder – ela suspirou – Eu vou vir ao jogo de hoje com minhas amigas, é uma boa coisa para relaxar antes de voltar a treinar.

— Relaxar assistindo hóquei? Meus irmãos e meu marido eram jogadores e meu pai foi técnico, tenho certeza que hóquei não relaxa – ela riu alto, uma risada que só ela sabia dar. – Mas sair com o amigos e flertar com o capitão do time relaxa bastante.

— Céus, eu só admirei a forma que ele patinava. Não quer dizer que quero algo, não preciso de um namorado tão cedo!

— Certo, certo... – ela riu. – Eu e Jiraiya vamos sair hoje à noite, não se esqueça de trancar tudo antes de dormir, não pretendo chegar cedo – diminuiu a voz na última parte e piscou. Como conseguia ter tanta energia naquela idade? – Você pensou sobre competir em duplas? Você poderia chegar nas Olimpíadas de Inverno se tivesse um par.

A mudança de assunto foi levemente incômoda. Sakura não gostava da ideia de depender de alguém para conseguir realizar um sonho que ela quase conseguiu alcançar sozinha.

— É meio difícil achar um bom par. Ele teria que ser muito bom para começar a competir já no mês que vem.

— Podemos resolver isso, querida – ela sorriu doce – Se quiser, você pode patinar um pouco, sei que está tentando fazer um triplo.

— Nunca mais vou conseguir fazer um triplo com essa perna ferrada – suspirou.

Mas não negou a autorização que recebeu. Ia aproveitar todo o tempo possível no gelo, se acabaria naquilo e não iria parar nem se os pés sangrassem.

Colocar os patins era uma sensação mágica, sem dúvidas. Assim como uma bailarina, os pés da Haruno eram bem marcados por anos de dedicação ao esporte, mas ela não se importava. A dor era só um efeito colateral de quando se corre atrás de um sonho.

Pisar no gelo limpava sua alma, o frio a confortava e a ideia de poder brincar enquanto flutuava a fazia querer seguir em frente.

Um triplo seria impossível para ela, nem iria tentar para não cair na frente de sua mestra, mas a rosada se lembrava muito bem da primeira coreografia que garantiu a ela uma medalha de ouro em um campeonato regional. Era uma coreografia bem simples, afinal, o campeonato era de iniciantes. Possuía mais passos de dança do que saltos complicados como os que Haruno estava habituada.

Ela amava dançar, sem dúvidas, e fazia isso muito bem. Mas não poderia dançar em outro lugar que não fosse no gelo.

Se deixava levar pela emoção. As mãos acompanhavam o corpo e era quase como se tivesse uma trilha sonora. Cada giro no chão que ela dava era um sorriso que nascia em sua face. Girar, levantar a perna direita e continuar a patinar se equilibrando, patinando para trás antes de pegar impulso para algum passo. Tudo isso era o suficiente para encher seu peito.

Amava o que fazia. Não poderia viver sem aquilo.

— Sakura, poderia tentar um Flip Duplo para mim, querida? – a voz da loira tomou conta de seus ouvidos.

Não hesitou. O Flip nunca foi um problema para a moça. Não teve dificuldade para executá-lo, foi perfeito.

— Tenho certeza que logo você vai estar fazendo um triplo com os olhos vendados – ela riu – Acho que já está bom por hoje, você devia ir para casa se arrumar, tem um compromisso, não é?

A ideia de sair do gelo era de partir o coração, mas obedeceu. Pegou todas as coisas e se despediu rápido, precisava de tempo para se arrumar.

❖ ❖ ❖

Era possível ouvir o som animado da torcida antes mesmo de entrar no estádio. O som era enérgico e a garota sabia bem como os jogadores se sentiam ao ver todos ali torcendo.

O jogo era contra a cidade vizinha, um adversário difícil, mas os jogadores estavam motivados e confiantes ao ponto de conseguir ganhar e se classificar para a próxima fase.

Eles com certeza poderiam ganhar o Campeonato Estadual daquele ano.

— Céus, sua barriga está enorme! – foi a primeira frase que a rosada disparou assim que se aproximou das garotas.

— Esse pestinha já está me dando trabalho. Acredita que ele se encaixa na minha costela e fica lá? E o chute é tão forte, céus.

Sakura não resistiu, precisou colocar a mão sobre a barriga da amiga. Era uma sensação boa saber que logo uma criança maravilhosa ia sair de lá.

Quando o jogo começou, a gestante foi a que mais gritou intensamente para que o marido marcasse maravilhosos gols. Ficou brava quando o rapaz foi mandado para o banco de pênalti por dois minutos.

O jogo estava acirrado. Naquele momento, ela entendeu perfeitamente o que Tsunade queria dizer quando comentou que aquilo não era algo para relaxar, mas especificamente no momento em que se viu nervosa quando Naruto foi empurrado contra o muro de proteção e perdeu o disco.

Nunca havia parado para ver um único jogo do novo time da cidade. Nunca tinha visto tantos amigos jogarem de uma vez só e aquilo deixava as coisas mais tensas. Mas não eram só os amigos que faziam a rosada querer torcer, o capitão do time também era um ótimo motivo.

Pela primeira vez sentiu emoção ao assistir um jogo, apenas por vê-lo em ação, desviando dos outros quase como se dançasse.

— Ele é muito bom – deixou escapar quando o moreno fez o gol responsável em aumentar a diferença do placar.

— Muito! – Ino gritava – E foi graças a ele que meu namoro teve início. Meio que ele ajudou Sai a tomar coragem e me chamar para sair.

Se sentiu tão por fora após o comentário. Tinha perdido tanta coisa assim?

O terceiro período foi complicado. O time adversário estava jogando com tudo como se tivessem tomado algum tipo de suco mágico do poder. As coisas só ficaram mais tensas quando Sasuke partiu com tudo para cima do capitão adversário. A briga parecia ter tido início após o rival ter dito coisas que ofenderam o orgulho do Uchiha.

Brigas naquele esporte eram normais, mas Sakura nunca tinha visto alguém jogar o rival no gelo, arrancar o capacete do mesmo e depositar socos com tanto ódio, como ele estava fazendo. Era brutal e se Naruto não tivesse segurado o amigo, o gelo estaria mais sujo de sangue do que nunca.

Uchiha foi expulso.

Claro que a expulsão do melhor jogador abalou todo o time, abalou mais ainda quando ele foi proibido de jogar outras partidas por tempo indeterminado, por conta de sua conduta explosiva.

— Merda! – Hinata parecia revoltada. – Sasuke nunca consegue se controlar.

— Está dizendo que isso já aconteceu outras vezes?

— Milhares, mas ele nunca tinha sido suspenso – Temari se sentou no momento que a barriga pareceu pesada demais.

Sakura se sentou também. Nem piscava enquanto observava o moreno se dirigir para o chuveiro após sua suspensão por tempo indeterminado.

O jogo continuou. O time era bom e não pareciam abalados pela suspensão do capitão. Prosseguiram bem, graças a confiança, anos de jogos juntos e ótimas estratégias do técnico Kakashi. No fim, o time saiu vitorioso.

Com o tempo o lugar voltou a ficar vazio, demorou bastante, mas uma hora acabou acontecendo. As quatro garotas esperaram tudo ficar mais calmo para que pudessem falar com os rapazes. A rosada apenas continuou lá pois queria saber qual teria sido o fim de Sasuke.

Quando o rapaz saiu do vestiário com a mochila nas costas, o coração da Haruno bateu mais forte. Como ele estava? Céus, qual era o motivo de estar pensando naquilo? Não demorou muito para que todos, inclusive o rapaz suspenso, se encontrassem próximos da entrada do vestiário para conversar sobre os acontecimentos do jogo. A rosada não pode deixar de notar as mãos enfaixadas do moreno. Tinha sido tão sério assim?

— Quatros jogos.

A voz dele era intensa, bonita e sedutora. Sakura gostava de vozes e gostava mais ainda de imaginar como era a voz de cada pessoa que ela via na rua. Mas seria incapaz de imaginar uma voz como aquela. Tão diferente, tão intensa, marcante e encantadora.

— Está suspenso por quatro jogos? – Sai parecia incrédulo.

— Essa nem é a pior parte. Hatake disse que estou merecendo um castigo e Tobirama concordou com ele.

— Nem imagino o que Tobirama planejou para você. Ele não gosta nem um pouco da sua família – Shikamaru falava enquanto acendia seu cigarro.

— O que ele sente não é só hostilidade, ele odeia a minha família no sentido mais forte da palavra, tive essa confirmação hoje. Sabe qual é o meu castigo? Patinação artística.

Naruto riu. Riu muito alto, ao ponto de sua gargalhada ecoar por quase todo o estádio. Até mesmo sua noiva foi obrigada a se afastar um pouco para que o rapaz pudesse extravasar todo o humor que guardava.

Sakura ainda não compreendia. Patinação artística era um castigo? E desde quando existe uma castigo para punir os atletas mais bagunceiros? Pelo o que ela sabia, o capitão do time de Tobirama era quase tão esquentado quanto Sasuke.

— Essa é a parte ruim de ser sobrinho do Madara Uchiha e jogar no time que pertence ao Tobirama – Gaara bateu nas costas do amigo. – Você conhece a história, eles perderam muitos jogos por causa do seu tio, que agia sem pensar. Tobirama guarda ódio dele até hoje.

Tudo passou a fazer mais sentido após aquela pequena frase. Não era a intenção ser explicativa, mas pareceu muito didática para a rosada.

Haruno se mantinha calada e apenas tentava entender a conversa. Era horrível estar ali. Todos, com exceção dela, Gaara e Sasuke tinham uma companhia. E para piorar, ela não entendia muito sobre hóquei, nem não conseguia engolir que patinação artística era uma castigo para alguém.

— E como isso vai funcionar? – a gestante era a única sentada. – Digo, o seu castigo. Ainda não consegui entender.

— Parece que a melhor atleta de Tsunade sofreu uma lesão – a loira repousou o olhar discretamente para cima da amiga enquanto o moreno explicava. – Ela consegue competir, mas na categoria solo as chances de se classificar seriam bem baixas. Em resumo, eu vou ter que ser o par da princesa até ela chegar nas Olimpíadas de Inverno, meu castigo vai durar bastante – ele revirou os olhos. – Eles esperam que eu aprenda ter disciplina com isso.

Todos os olhares estavam em Sakura. Qualquer um ali sabia que ela era a tal atleta, mas Sasuke parecia ser o “por fora do assunto” do grupo.

— Ah, isso não é tão ruim – Ino tentou quebrar o gelo.

— Não é tão ruim? Patinação artística, Yamanaka. Vou ter que aguentar alguma princesinha cheia de si. Eu ouvi muita coisa sobre essa garota, e sinto nojo dela. Sinceramente, eu não estou muito afim de conhecê-la. Pensei em recusar, mas eu seria expulso do time caso fizesse isso. Tobirama deve estar rindo até agora da minha desgraça.

— Talvez ela não seja tão ruim – a voz baixa da rosada fez com que todos a olhassem meio sem reação. – Você nem a conhece para falar essas coisas – olhava para o chão.

— Não preciso. Esses patinadores costumam ser bem exibidos e eu não suporto isso. Vou fazer o possível para ela desistir de patinação em dupla. Aliás, se ela não consegue se classificar patinado solo, nem deve ser tão boa.

Aquele foi ápice para a rosada. Ela apenas se virou e começou a caminhar a passos largos para sair dali, nem pensou em se despedir dos amigos. Queria sumir dali e nunca mais olhar para a cara dele. Como Tsunade havia deixado aquilo acontecer?

— Você é tão burro as vezes, capitão – Gaara negou com a cabeça. – Aquela era a princesinha da Tsunade, seu bundão.

A frase do amigo deixou Sasuke em choque. Então aquela garota de cabelo rosa era sua futura parceira na patinação? Ela era aquele monstro dos boatos que sempre escutou das outras patinadoras? E ele tinha até achado a garota interessante.

Céus, que mundo estranho era aquele?

April 1, 2018, 2:40 a.m. 0 Report Embed 0
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