Por Um Descuido Follow story

nightmare_moon Luna Bianca Dias da Silva

"Estava correndo pelas ruas frias daquela cidade, estava chovendo e me encontrava encharcada e perdida, mas não ligava; queria apenas desaparecer dali, lágrimas corriam por meu rosto e se misturavam com as gotas de chuva que pareciam laminas cortando minha pele. Estava destruída, como ele pode fazer aquilo comigo? Mesmo depois de tudo? Ele não pensou em como eu ficaria? Queria voltar para minha cidade mas infelizmente teria que ficar aqui mais uma semana. Não acredito que vim para essa cidade para vê-lo e ele faz isso! Eu não quero acreditar... Mesmo tendo anos de amizade virtual parece que ele me conhece tanto quanto uma pessoa vista apenas uma vez." postada também no Social Spirit.


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#Drama #One-Shot #Capitulo Único #Original
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Primeiro e Único.

Estava correndo pelas ruas frias daquela cidade, estava chovendo e me encontrava encharcada e perdida, mas não ligava; queria apenas desaparecer dali, lágrimas corriam por meu rosto e se misturavam com as gotas de chuva que pareciam lâminas cortando minha pele. Estava destruída, como ele pode fazer aquilo comigo? Mesmo depois de tudo? Ele não pensou em como eu ficaria? Queria voltar para minha cidade mas infelizmente teria que ficar aqui mais uma semana. Não acredito que vim para essa cidade para vê-lo e ele faz isso! Eu não quero acreditar... Mesmo tendo anos de amizade virtual parece que ele me conhece tanto quanto uma pessoa vista apenas uma vez.

Sou tirada bruscamente de meus pensamentos ao ouvir o som de uma buzina de carro, um homem gritando “cuidado” e sentindo um impacto de meu corpo com o de outra pessoa maior que eu fazendo-nos cair na calçada e um carro passa rapidamente, parando a alguns metros de onde cai com o aparentemente garoto que havia jogado- me no chão.

- Você está bem? Esta foi por pouco... – uma voz um tanto grave e melodiosa fala muito próxima a mim; olho para o garoto que sorria acima de mim e sorrio fraco em agradecimento; estava tão imersa em pensamentos que estava correndo em meio a rua? Ah... Mais problemas... O garoto se levanta e me ajuda a levantar também.

- Muito obrigada e desculpe por isso, não percebi que estava na rua... – digo sem jeito – como posso agradecer-te?

- Que tal indo na cafeteria comigo e me contando o que houve? – ele diz tirando uma mecha de seu cabelo do rosto.

- Ah... Mas não aconteceu nada demais para mim para ser interessante de lhe contar... Apenas alguém vacilou comigo... – digo e vejo o homem que quase atropelou-me se aproximar.

- Vocês estão bem, crianças?

- Sim senhor, desculpe ter entrado correndo na frente de seu carro, estava muito distraída – minha voz sai baixa e percebo a chuva amenizando aos poucos.

- Sem problemas, apenas tome cuidado, seria uma catástrofe caso seu amigo não tivesse lhe salvado – ele diz e apenas concordo com a cabeça, algo que estranhei é que aqui as pessoas são muito educadas, algo incomum para mim já que moro em uma capital – bom, tomem cuidado, até mais crianças – ele entra no carro novamente e vai embora deixando tudo silencioso.

-... Então... E o meu café? – o garoto no qual ainda não sabia o nome diz soando levemente risonho

- Vamos, mas antes... Qual seu nome? – digo enquanto começamos a andar para uma cafeteria ali perto

- Tadashi, mas prefiro que me chame por algum apelido... e o seu?

- Alasca, alguns me chamam de star, então se quiser me chamar assim... – entramos na cafeteria e sentamos em uma mesa, estava começando a me incomodar com as roupas molhadas, mas não queria voltar para a casa de quem eu considerava irmão.

- Então, o que irá pedir? – ele me olha enquanto já chamava uma atendente

- Hum... Vou querer um cappuccino com espuma e chocolate – vejo a jovem mulher anotar

- Um café com caramelo – ela anota e sai de perto da mesa – Quer contar agora? – ele diz tirando sua jaqueta que assim como todo o resto estava encharcada

- Eu sou da capital, acho que já percebeu pelo meu sotaque; há alguns anos conheci virtualmente um garoto daqui, vim vê-lo agora e ele com sua incrível capacidade de fazer merda me magoou e eu não quero voltar pra lá agora, resumindo... – digo um tanto rápido, mas acho que ele consegue entender.

- Tenso... Mas por que não conversa com ele? – ele diz pegando seu café, que a atendente lhe entregava e pegando o meu também, logo estendendo-me

- Por que eu não quero vê-lo... Ele é um idiota... – pego meu cappuccino e tomo alguns goles

- Mas essa conversa pode mudar as coisas e fazer vocês ficarem bem – ele direciona seu olhar para a rua que estava calma

- Eu não quero... Apenas irei esperar o dia em que voltarei para minha cidade... – digo baixo ouvindo-o suspirar

- Pô... Eu salvei a vida de alguém e nem vou conseguir ser amigo dela – o tom risonho dele era contagiante e acabo por rir daquela palhaçada

- Você é um idiota

- Esse idiota te fez sorrir, então somos dois idiotas – sorrimos ao mesmo tempo e ficamos conversando até a cafeteria fechar e fui para casa daquele que um dia considerei amigo.

[...]

Os dias passavam devagar e difíceis, além de chuvosos, deveria ser um dia chuvoso comum para qualquer um; mas eu tenho muita sorte e não consigo ficar calma com esse clima no apartamento, estou dividindo o quarto com Sam, o que deixa tudo pior já que passamos o dia todo no quarto e não estou falando com ele... neste momento estou jogada na cama dele enquanto o escuto jogar algum jogo de desafio, o único barulho que tinha no apartamento era das teclas que ele apertava e da chuva que batia na janela de vidro.

Conversar, conversar, conversar... ele foi o único que ficou comigo por anos... não quero que acabe assim, ele já tentou conversar comigo mas eu não deixei...talvez eu precise deixar? Estou conversando com Tadashi todos os dias depois do incidente por mensagens já que não estou saindo; e sempre em algum momento da conversa ele diz que eu deveria conversar com Sam, mas ainda estou chateada com ele... o contei bem superficialmente sobre o quase acidente em que a vítima seria eu, a expressão que ele fez, parecia que iria desabar, começou a pedir desculpa por não ter ido atrás de mim e dizendo que se algo acontecesse comigo ele jamais se perdoaria.... Certo... isso já foi longe demais... Mando uma mensagem para Tadashi e logo o mesmo me responde

“Vou seguir seu conselho e conversar com Sam – A
Fico feliz que minha insistência tenha valido a pena ;) – T”

Respiro fundo e me levanto, indo silenciosamente até ele abraçando seu pescoço, o assustando levemente

- Hey... Podemos conversar?... – digo em seu ouvido e sinto Sam levantar, fazendo-me soltar seu pescoço, ele vira para mim e me abraça colocando suas mãos em minha cintura, retribuo o abraço e ouço as batidas de seu coração, afinal, ser baixinha em comparação a ele tem tinha lá suas qualidades; ficamos ali por um tempo apenas aproveitando o clima morno que aquele abraço havia feito. Porém como dizem, tudo que é bom dura pouco e logo senti seu corpo afastar-se do meu para sentar-se na cama e bater levemente na mesma indicando para mim sentar-se ao seu lado, o faço e deito minha cabeça em seu colo.

- Você é bem carinhosa e manhosa quando quer sabia? – ele diz começando um cafuné leve e calmo em mim

- Heh... Pois é... Então... Por que fez aquilo?... – quase sussurro enquanto olhava atentamente suas expressões, ele suspira e me olha também

- Por que eu te amo, você é minha irmã praticamente... se quisermos morar juntos em outro país será uma ótima oportunidade...

- Mas são três anos!

- Mas já ficamos cinco anos longe... Mais três não fará diferença... Digo... Não tanta...

- Claro que fará! Nós tínhamos planos nesses próximos anos!

- Eu sei! Mas pensa bem, o que será três anos quando pudermos morar juntos em outro pais? – ele diz e paro para pensar... De certa forma ele está certo... Mas... Eu não quero mais ficar longe dele...

- Certo... Mas só vou concordar pois não quero ir embora brigada contigo... – assim que falo vejo-o sorrir e beijar minha testa; quando ficamos tão carinhosos? Não sei, eu simplesmente cheguei aqui e ele começou a ser carinhoso, não que eu esteja reclamando ou algo do tipo, na verdade adoro isso.

- Você é bem mais carinhoso do que parece... – me sento em seu colo e o abraço

- Digo o mesmo de você, isso é por que gosta de carinho ou é só comigo? – ele ri e retribui o abraço se jogando pra trás e me puxando junto, deitando na cama

- É só com você mesmo, mas eu também gosto de carinho as vezes... – ouço sua risada novamente e o abraço aperta um pouco

- Daqui a pouco você cansa de ser mimada por mim

- Não, gosto de ser mimada também – não consigo evitar de dizer em um tom divertido e ele beija minha testa

- Irei mimar-te até você implorar para eu parar então – e suspira – Você poderia ficar mais tempo aqui, né?... Assim poderíamos ficar mais tempo juntos... E compensar essa o tempo que ficamos sem nos falar...

-Não posso... Eu já comprei a passagem de volta... Mas no final do ano posso ficar um mês aqui – sorrio fraco – E ai você passa um mês lá em casa também, se quiser claro...

-Sim! Com toda a certeza, será ótimo poder encher-lhe por um mês inteiro – ele diz bagunçando meu cabelo

- idiota...- digo tentando soar emburrada mas acabo sorrindo

-Enfim... Quem é aquele garoto? – ele diz um tanto serio

- Tadashi? Ele me salvou de ser atropelada

- O que você tem com ele? – vai começar...

- Nada, ele é meu amigo... Está com ciúmes, Sam? – digo risonha vendo-o revirar os olhos

- Não, apenas quero te proteger de babacas.

- Vai me proteger de si mesmo também? – gargalho e ele dá um tapinha em minha testa

- Sua idiota – ele mostra a língua e apenas sorrio para ele.

- Relaxa seu bobo, ele é legal – digo e vejo ele suspirar - No final de semana vai fazer sol... Que tal irmos a um parque?

- Claro, ai podemos chamar seu amigo para mim inter-... Para mim ser amigo dele também... – ele diz se corrigindo ao ver minha feição séria

- Aish... Certo, eu o chamo – digo brincando com suas mãos

[...]

Estava eu, Sam e Tadashi voltando do parque; deveria ser umas quatro horas da tarde, o céu estava azul com algumas nuvens brancas, o clima estava leve apesar de Sam ter feito diversas perguntas a Tadashi, fazendo quase que um verdadeiro interrogatório, estava me sentindo diferente com Sam desde que fizemos as pazes, um diferente bom, estávamos sendo bem mais carinhosos e sentia que ele estava gostando assim como eu, descobri que Tadashi é gay, como? Ele passou metade do dia aos amassos com um garoto que estava no parque, eles estudam na mesma escola se não me engano. Quando saí de meus pensamentos percebo que estava apenas eu e Sam andando e antes que eu perguntasse o moreno responde a pergunta que sequer fiz

- Ele foi comprar refrigerante mas acabou achando o futuro namorado e foi ficar um pouco com ele – sinto seu braço me levar mais próximo de si; ele estava a me guiar com o braço que circulava meu pescoço

- Entendo... Vamos pra casa? – deito minha cabeça em seu ombro ouço-o murmurar um “vamos”. Fecho meus olhos aproveitando o calor de seu corpo junto ao meu; após algum tempo ouço um carro deslizar cantando seus pneus, ouço Sam gritar meu nome e tentar me puxar, mas sinto uma dor insuportável e pessoas gritando, não conseguia abrir meus olhos ou mover-me, sentia minhas forças indo embora e ouço Sam gritar em meio ao choro

- Alasca! Por favor, aguenta firme a ambulância já está vindo, não me deixa! Eu te amo! – eu te amo.... Ele me ama... eu preciso dizer que sinto o mesmo! Por mais que eu tentasse não conseguia dizer, lembro de seu rosto e ouço sua voz ao longe gritar que me amava. 

E assim eu morri, na frente de quem eu amava e me amava, sem dizer que o amava e nem me despedir de minha família; tudo isso por causa de um homem que dirigia bêbado, dessa vez ninguém pode me salvar.

Por isso digo a quem lê isto, ame quem lhe ama incondicionalmente e não tenha medo de dizer, pois as vezes, será tarde demais; Não dirija embriagado, pois um dia, você pode ser vítima de algum acidente em que dirigiam embriagado; Não deixe de fazer algo bom por medo, como dizer “eu te amo” ou algo do tipo; nunca veja apenas seu lado, pois sempre tem um motivo por que da pessoa ter feito aquilo; E, se por algum motivo brigar com alguém que você ame, peça perdão, pois não vale a pena ficar perdendo tempo brigado com alguém que você poderia construir belas lembranças.

March 12, 2018, 12:34 a.m. 0 Report Embed 0
The End

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