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inory12 Inory 12

A história retrata o ponto de vista de uma gata que foi abandonada na rua e ela conta sua história.


Short Story Not for children under 13.

#Self Inserction #Mia #Gato #Drama #Depressão
Short tale
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Pequena e suja.

N/A: Baseado em fatos reais.



Eu sou tão nova, porque faziam desse jeito? Puxando meus pelos quase arrancando-os de minha pele. Tão nova eu. Cheia de vida, apenas abandonada por eles com desculpas das quais não me lembro mais.

Porque? Acredito eu que estava sendo compreensiva a situação deles, eu era tão nova quanto hoje, mas ainda não sei do abandono, nem me lembro do rosto de minha mãe, mas também não lembro daquele que arrancou meus pelos de minha pele com tanta força que me fez gritar por suplico.

Sinto-me independente, sozinha na rua, alguns me agridem outros ignoram meu suplico principalmente na rua escura e barulhenta. Aquele estabelecimento dava-me comida, mas ela me fazia tão mal, porém, sou pequena, sou minúscula, sou uma criança, sou inocente.

Meu nariz frequentemente ficava quente, adquirir algumas sardas, o que protegia meu nariz fora arrancado pelo calor e a maldade do mundo, tão minuciosa, indiferente, mas com medo. Medo de me agredirem novamente, medo de me rejeitarem mais uma vez.

Sempre com fome, sempre com sede, enfrentando chuvas e seres me agredindo todas as madrugadas. Sou tão nova, tão triste, tão pequena.

Ninguém me amou, ninguém me deu carinho, apenas o abandono, as pessoas que passavam ali iam embora e depois voltavam e a moça que me dava comida sempre estava lá, os servindo e lhes dando comida também. Aquelas pessoas me deram uma comida diferente, era gostosa, saborosa e não faziam me sentir ruim.

Aquela caixa minúscula, tão minúscula quanto eu, me apertavam ali dentro, tirando-me do local que me dava comida que me fazia tão ruim, mas era saboroso. Desconfiada, gritei por socorro, as vozes do outro lado eram alta e uma mão misteriosa me enfiava na caixa tão pequena quanto eu, tão vazia quanto eu.

Não sabia para onde me levavam, estava com medo, mas tentei ficar calma e de algum jeito conseguir sair da caixa e corri como nunca, mas ela me segurou e me levou para dentro daquela casa misteriosa, estou com medo, sinto-me pequena, mas não como antes.

Ao redor do meu pescoço um vermelho vivo, com um cheiro diferente. Aquela garota tinha um cheiro de luto e tristeza, mas olhava para mim com ternura. Ela iria me abandonar? Só me resta esperar e conhecer o novo local.

Minha barriga cresceu assim como a tristeza dessa garota, tão triste quanto eu. Me lembrei daquele que arrancou meu pelo de minha pele, mas graças a garota triste meu pelo ficou sedoso e brilhoso, não sentir mais dores de barriga, aquilo que ela dava para comer era milagroso!

Mas a menina, todas as noites chorava, chorava por algo. Minha barriga continuava a crescer e a garota começou a tomar umas coisas brancas em formato de círculo, ela dormia a noite toda, mas sempre deixava comida para mim, nunca esqueceu e seu carinho parecia verdadeiro, mas sempre desconfiava, nunca me atrevi a crer que aquela garota me criaria.

Ela me dava água também, muita, minha sede, nunca mais voltou depois daquele dia, hoje sinto muita dor, minha barriga contraia muito, doía tanto e estava enorme, mas a garota estava ali, com outra pessoa, uma mulher.

“Calma Mia, vai ficar tudo bem. ” Ela disse. Mia? Sempre me chamava assim, então esse era meu nome? Mas eu já sabia, não era minha barriga e sim meu útero, meu útero cresceu, minha fome cresceu assim como a tristeza dela, mas ela conseguia me olhar com ternura, com delicadeza, com amor.

Sobre vários panos ela me acariciava, enquanto a dor não passava, senti meu intimo dilatar e por instinto já sabia o que fazer. Era tanta da dor, mas ela estava lá, comigo, olhando para mim, preocupada e seu cheiro era de amor, amor por mim? Não iria me abandonar? Mesmo prenha? Ela me ama?

Por fim saiu um, ele era preto, peludo e lindo.

“ Fofo como a mãe! ” Escutei ela dizer, bem alto, soava como alegria, mas a tristeza era mais que profunda nela. Ela entrou mais uma vez para me olhar, ela estava comigo, eu, tão nova, mas ela estava comigo, me dando carinho.

Outro saiu, após alguns minutos, “ Igual a você. ” Ela sussurrou, como se fosse um segredo entre eu e ela. O terceiro saiu cessando minha dor enorme. Ela olhou para mim com ternura e depois para os filhotes, meus filhotes.

Ela me ama, do jeito que eu sou, de rua, mas me ama, eu sei disso, ela deixou bem explicito quando, no meio da noite, deitava no chão para me acariciar, ficar horas comigo. Meus filhotes, eram belos, “Iguais a você. ”Escutei ela dizer, ela parecia contente, mas nunca feliz, as vezes o luto vinha, mas logo ia embora

Ela me ama, ama meus filhotes, eu amo meus filhotes e sou grata a ela, naquele dia chovia tanto e o lugar que ela ajeitou era quentinho, eu e meus filhotes podemos descansar e por uma noite eu dormi, confiante de que não seria abandonada e no outro dia, eu estava no mesmo canto, com meus filhotes e ela olhando para mim.

Eu amo ela, amo meus filhotes, ela me ama e ama meus filhotes, mesmo eu tendo apenas 6 meses. Ela é minha mamãe. Eu amo minha mamãe.

March 10, 2018, 4:26 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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