Desvios, Dúvidas e surpresas Follow story

aoneko_nactis Nactis Aoneko

“A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você.”


Fanfiction For over 18 only. © A história é baseada no mangá Naruto de Masashi Kishimoto. Os personagens são dele, embora essa trama específica seja minha.

#yaoi #cronica #lemon #trans #naruto #sasuke #sasunaru #au #transgeneridade
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Capítulo único

“A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas e nas alterações de rota que não são determinadas por você.”


— Acabou.

Sasuke não respondeu, ficou ali parado, olhando nos olhos daquela que o acompanhou durante os últimos cinco anos, fingindo não entender o que aquelas palavras significavam. Como se ela ainda precisasse dizer alguma coisa. Como se as malas feitas e encostadas perto da porta e o pesar em seus olhos já não dissessem tudo.

— Eu espero que você entenda. — Ela tentou segurar sua mão, mas ele a recolheu.

— Entender?! — passou as mãos nervosamente pelos cabelos — Isso não tem cabimento!

— Sasuke, me desculpa, mas você sabe que a nossa relação tá saturada. Eu tentei fazer funcionar, eu queria muito, mas nós somos pessoas muito diferentes.

— Sério que você precisou conviver comigo por quase dez anos, sendo a metade disso dormindo do meu lado, pra descobrir que a gente é diferente?! Porra, Sakura, eu não entendo você.

— É, não entende mesmo, esse é um dos motivos que me fizeram tomar essa atitude. Olha, nem adianta estender isso, eu já tomei minha decisão. Eu não queria que a gente ficasse brigado, mas vou entender se você quiser ficar um tempo sem me ver. Eu estou indo embora, Sasuke.

— Por que isso? Por que agora? A gente não brigou, não aconteceu nada... por quê? Você arrumou outra pessoa?

— Eu não arrumei ninguém, eu só… — ela suspirou, cansada da situação como um todo —eu só decidi que sou boa demais pra passar a vida inteira esperando por um homem que não demonstra o mínimo de respeito e compaixão por mim. Eu cansei de te esperar, Sasuke. Cansei de falar com as paredes enquanto você só dá atenção pro seu trabalho e pras drogas de tradições do seu clã. Você fica o tempo todo inventando desculpas pra viajar à negócios, não me liga, não me manda mensagem, não me leva junto. Chega tarde da noite sem avisar enquanto eu estou igual a uma trouxa jogada no sofá te esperando. Sabe, não é essa vida que eu quero pra mim.

— Uau, você tá mesmo indo embora por que eu me dedico no meu trabalho? É sério isso? Em que mundo você vive, garota?

— Não importa. Eu sei que você não faz por mal, que é só seu jeito de lidar com as coisas. Eu não quero me machucar nem te machucar, então eu tou indo embora. Não fica mal, querido, eu ainda amo você. Você não vai nem notar muito a minha ausência. Segunda-feira eu te mando uma mensagem pra gente acertar os papéis direitinho.

Ela caminhou até as malas apoiadas na porta e segurou as alças com as mãos. Deu dois passos na direção de Sasuke e beijou-o no rosto.

— Tchau, a gente se vê.

— Você vai mesmo fazer isso? — ele perguntou ainda sem conseguir digerir completamente a situação.

Sakura não respondeu, apenas deu um pequeno sorriso para ele antes de deixar o apartamento que dividiram até então.

Sasuke ficou estático diante da porta sem saber ao certo como as coisas tinham acabado daquele jeito. Foi tudo tão repentino. Sua relação com Sakura nunca havia sido um conto de fadas, mas jamais iria imaginar que estava sendo tão ruim pra ela. Não era ruim pra ele. Era cômodo, estável e parecia certo.

Mais um dia de trabalho terminou com Sasuke chegando em casa mentalmente exausto. Ainda não tinha se acostumado a encontrar o sofá que havia diante da porta vazio. Sakura sempre esperava pelo seu retorno ali. Por vezes a encontrou adormecida em alguma posição desconfortável e teve que levá-la pra cama.

Nos últimos dias dera pra pensar nisso e pra reparar nos cantos de sua casa que o faziam se lembrar dela. Não a amava, tinha certeza disso, mas mesmo assim sentia uma falta absurda. Já havia se convencido de que passaria a vida toda com ela, de que logo teriam filhos e que um dia segurariam a mão enrugada um do outro olhando os netos brincar.

Sentou-se no sofá de onde ela sempre lhe aguardava, servindo-se de uma bebida que havia trazido da rua pra ajudar a dormir e a não sonhar com as coisas que perdera.

Sasuke não tinha muitos amigos e nem era acostumado a sair de casa. Normalmente reduzia todo seu tempo ao cumprimentos de responsabilidades e o pouco que sobrava era dedicado a descanso. Nada de laser, de diversão.

Revirava sem muito interesse as imagens em uma rede social no celular em sua mão enquanto segurava a bebida com a outra. Deitou-se no sofá e ficou um tempo avaliando quantos dos casais que sorriam nas fotos que apareciam na tela eram realmente felizes. De repente, pegou-se pensando se algum dia ele mesmo fora feliz de verdade em um relacionamento.

Não precisou buscar por muito tempo até que o rosto sujo de terra da garota travessa e bronzeada lhe viesse à mente. Os olhos muito azuis, os cabelos loiros levemente despenteados, combinando perfeitamente com um sorriso muito aberto em um rosto sardento...

Naruko foi seu primeiro amor. Lembrava-se das discussões bobas nos tempos de escola. A garota arteira vivia tentando lhe provocar e ele, como se não soubesse as reais intenções por trás daquele jogo, caia em cada uma das travessuras. Não havia um único dia na escola que não terminava com Naruko e Sasuke aos berros.

O primeiro beijo deles, como todas as outras interações, aconteceu no meio de uma briga. Depois disso a brincadeira mudou de tom e antes que percebessem já estavam namorando.

O relacionamento não durou muito tempo, entretanto. Apenas três meses e meio depois do beijo, Sasuke teve que mudar de cidade. Na época, quinze anos atrás, não era tão fácil manter contato com alguém à distância e, apesar da intensidade no pouco que haviam vivido juntos, os dois acabaram se afastando.

Por curiosidade pesquisou o nome Naruko Uzumaki na rede social, mas nenhum resultado foi encontrado. Isso fez apenas com que seu interesse aumentasse. Como ela estaria depois de tanto tempo? Não sabia se por tédio, ócio ou por uma ponta de esperança de voltar a ser feliz como antes, mas passou a realmente procurar pela resposta.

Definitivamente não existia nenhuma Naruko naquela rede social. Na verdade existia, mas não a que lhe interessava. Com um pouco de esforço conseguiu se lembrar do nome da mãe dela. Pesquisou Kushina Uzumaki e rapidamente encontrou a pessoa que procurava.

Kushina havia envelhecido bastante, mas permanecia a bonita e enérgica mulher que Sasuke que lembrava. Vasculhando as fotos à procura de Naruko encontrou vários rostos de seu passado. Minato, seu ex-sogro, Kiba, um ex colega de classe que se metia em confusões com a garota, mas nada dela aparecer nas fotos.

Buscando um pouco mais encontrou uma foto postada no dia 10/10 do ano anterior, data que se lembrava muito bem ser o aniversário de Naruko, mas a fotografia era de Kushina ao lado de um rapaz sorridente com chantilly no nariz e de uma adolescente segurando um bolo. A legenda na fotografia revirou a cabeça de Sasuke por um momento.

Feliz Aniversário, filhão! Você sabe o quanto eu tenho orgulho do homem incrível que você é! Eu estarei sempre aqui pra você. Mamãe te ama <3

Uma legenda normal de mãe. A questão é que as velas sobre o bolo apontavam a idade exata de Naruko e Sasuke tinha certeza de que ela não tinha um irmão gêmeo.

A pessoa marcada na foto, N4rut0 Uzum4ki, além da idade de sua ex, tinha o mesmo rosto. O sorriso era igual, a diversão no olhar era a mesma.

Não soube dizer quanto tempo passou olhando as fotos no perfil do rapaz, analisando quem ele era e que ligação ele deveria ter com Naruko.

Com a garrafa de destilado quase vazia e a avançada hora da noite, Sasuke já não mantinha mais o perfeito juízo e decidiu mandar uma solicitação de amizade pra Naruto na rede social e solucionar o mistério que instaurou-se em sua mente. Um pouco de entretenimento não seria de todo mal.

***

Acordou com o despertador do celular na manhã seguinte. Ao olhar a tela constatou que era a terceira vez que a função “soneca” tocava sozinha, o que significava quinze minutos de atraso. Levantou do sofá com um pouco de esforço, ignorando o latejar em sua cabeça. Saiu um pouco apressado de casa, mas quando parou pra pedir um café num estabelecimento próximo de seu trabalho, teve uma surpresa que, ainda não sabia ele, mudaria um tanto seus dias.

Naruto não só havia aceitado o convite de amizade, como também tinha lhe enviado uma mensagem.

N4ruto Uzum4ki:

“Sasuke! Caramba, é vc msm? Qnto tempo, nem acredito q vc me achou!”

A mensagem claramente havia sido escrita por alguém que o conheceu em algum momento, mas Sasuke tinha certeza de que nunca tinha encontrado Naruto em toda sua vida. Resolveu se explicar:

Sasuke Uchiha:

“Oi. Desculpa, Naruto, eu não me lembro muito bem de vc. Na verdade eu tava procurando pela Naruko, mas ela simplesmente sumiu e achei q vc poderia saber de algo.”

A resposta veio mais rápido do que Sasuke previra e sóbrio era bem mais difícil se comunicar. Naruto aparentemente era tão bom de papo quanto sua ex desaparecida.

N4ruto Uzum4ki:

“Er, Sasuke, faz bastante tempo mesmo.”

Não entendeu, ficou apenas aguardando o rapaz terminar de se explicar.

N4ruto Uzum4ki:

“Eu sou Naruko. Quero dizer, era.”

Ainda bem que estava trocando mensagens de texto, pois seria péssimo pra reputação de Sasuke ter uma quantidade tão grandes de expressões faciais reveladas pra alguém. Logo ele, famoso por manter sua cara de “nada” mesmo diante das mais variadas situações.

Sasuke Uchiha:

“Como assim vc é a Naruko?”

Perguntou mais confuso do que nunca.

N4ruto Uzum4ki:

“É isso, ué, eu sou a Naruko, eu sou um homem trans.”

Sasuke fechou e abriu a conversa algumas vezes sem saber ao certo como responder. Seu irmão mais velho, Itachi, era homossexual, então não era como se ele não soubesse nada sobre LGBT, mas um homem transgênero era uma coisa que era bem nebulosa em sua mente. Não se lembrava de jamais ter visto algum. Sasuke já era péssimo em desenvolver conversas com pessoas as quais ele já tinha alguma referência, com alguém diferente assim seu cérebro entrava em parafuso.

N4ruto Uzum4ki:

“Ok, essa é a parte em q vc me bloqueia entendi”

Leu a mensagem de Naruto e obrigou-se a engolir sua falta de habilidade em conversar pra não tornar a situação um mal entendido.

Sasuke Uchiha:

“Não, calma. Eu só to surpreso.Tenho que ir trabalhar agora depois a gente conversa melhor.”

Fechou a conversa correndo antes de receber qualquer outra mensagem e usou todo o restinho de concentração que havia lhe sobrado para dedicar-se as tarefas do trabalho. Mesmo assim, minuto a minuto o rosto de Naruto voltava com tudo à sua mente e Sasuke era pego numa onda de pensamentos sobre o rapaz.

Com uma semana de mensagens sendo trocadas diariamente, o receio de Sasuke havia desaparecido quase por completo. Naruto falava demais e isso ajudou para que ele percebesse que a pessoa por quem havia se apaixonado anos antes não havia mudado tanto assim. O riso fácil, as travessuras, o modo simples de ver o mundo, tudo nele era exatamente como se lembrava, apenas estava de um jeito mais maduro.

Pra sua surpresa, Naruto mantinha ainda grande parte do círculo de amigos de sua adolescência e queria muito que Sasuke fosse os encontrar pessoalmente algum dia.

Sasuke, por sua vez, desconversava e criava desculpas, pois não saberia realmente como agir num reencontro desse tipo. Não que tivesse problemas em rever Naruto, mas não podia evitar um calafrio de percorrer sua espinha cada vez que pensava em se ver tentando interagir sem intimidade nenhuma com um monte de gente ao mesmo tempo. E o que ele teria pra dizer pros ex amigos? “Olá, eu ainda me chamo Sasuke, e ainda sou o cara que faz tudo o que o pai manda e é, eu realmente assumi as obrigações da empresa dele. Ah, e minha esposa acabou de me chutar. Mas e aí, como vocês estão?”.

Definitivamente um reencontro em grupo estava fora de cogitação. Mas encontrar apenas Naruto, por outro lado, parecia ser uma ótima ideia.

Esperou por um convite do amigo durante alguns dias, tentando forçar uma indireta nas mensagens, mas aparentemente Naruto não mordeu a isca. Sendo assim, o próprio Sasuke, em mais uma madrugada sob condições não tão sóbrias, acabou chamando Naruto pra almoçar no fim de semana.

Era manhã de sábado e Sasuke já tinha bolado em sua mente pelo menos seis boas desculpas para desmarcar o almoço com Naruto. Pro seu desespero completo Itachi, após descobrir que seu irmãozinho havia retomado contato com o amor de infância, elegeu esse como seu assunto favorito e não o deixaria em paz se ele não fosse no maldito encontro. Encontro não, almoço. Apenas um almoço entre amigos que não se veem a muito tempo.

Conseguiria reconhecer aquela figura mesmo se ficassem 80 anos sem se ver. De longe, Sasuke não pôde não pensar por um momento qual dos dois havia escolhido uma roupa totalmente errada pra ocasião. Naruto estava vestido como um adolescente, com um moletom laranja, jeans justos surrados e tênis de skate. Vinha com as mãos nos bolsos e com um andar desleixado. Era muito a mesma pessoa de que se lembrava. Chegava a ser assustador. Havia pensado que por ele ter feito a transição de gênero ele estaria diferente, mas tirando uma leve diferença na estatura, Naruto e Naruko eram exatamente a mesmissíma pessoa. Pelo menos àquela distância.

Abriu um botão da camisa social que usava pra tentar não parecer tão engessado diante da figura jovial do homem que estava indo em sua direção. Tentou fingir que não o estava observando, mas foi tarde demais. A julgar pelo amplo sorriso que se abriu no rosto do rapaz ele já tinha o avistado. Mesmo porque haviam marcado de almoçar num restaurante e a mesa que Sasuke reservou era relativamente próxima da entrada, era difícil não ser visto.

—Hei, Sasuke! — ele gritou mais distante do que deveria antes de cumprimentar alguém num restaurante. Sasuke sorriu levemente pensando no quanto o comportamento era típico e se levantou para estender a mão pra ele.

—Er, oi — cumprimentou ele um pouco sem jeito. Fez uma nota mental dizendo a si mesmo pra praticar mais como agir em meio a seres humanos e a passar menos tempo lidando com eletrônicos. Estava perdendo o pouco jeito que já não levava com isso.

—Nossa, você tá diferente. Tá bem mais alto — Naruto comentou casualmente. Era estranho vê-lo dizendo algo assim. Se tinha alguém diferente ali, com certeza era ele.

De perto Sasuke podia ver o quanto havia mudado. O rosto estava mais quadrado, os ombros mais largos, a pele continuava com o tom dourado de que gostava tanto, mas já não ostentava mais tão vivamente as pequenas manchinhas que davam um ar sapeca e infantil na jovem garota. A voz era outra das coisas que lhe chamou atenção. Não havia nem lembrança do tom que se lembrava. Não conseguiu impedir que uma leve decepção apontasse em seu peito ao comparar todas as atuais características de Naruto com as da garota que tinha em mente, mas sentia que não seria difícil se acostumar.

Talvez Naruto tivesse percebido essas reações em Sasuke, pois a conversa, que por mensagem era sempre tão fluída, tornou-se rígida pessoalmente. Tentaram falar da comida, do tempo, do lugar, mas os assuntos eram sempre finalizados rápido demais e o silêncio que envolvia a mesa dos dois era cada vez mais desconfortável. Já havia passado quase uma hora quando Naruto parecia estar começando a se adaptar a presença de Sasuke e iniciar algum assunto mais naturalmente.

—E então, como você me achou mesmo? — perguntou pra quebrar o gelo enquanto devorava indecentemente uma sobremesa enorme que Sasuke não saberia dizer do que.

—Achei sua mãe sem querer na internet e fiquei curioso. — mentiu.

—Hm, mas na mensagem que você me mandou parecia que você tava me procurando.

—É, como eu disse, eu fiquei curioso.

—Sobre mim?

—É… — Tentava pensar num jeito de não deixar a conversa estranha, mas não conseguia ver muita saída.

—Por que agora? Tipo, já faz quinze anos. — Naruto havia parado de comer pra falar com ele. Estranhou a mudança de postura no rapaz, que não deixava de se manter relaxada, mas que tinha assumido uma parte de seriedade que para Sasuke não era compreensível totalmente.

—Eu não sei, só... aconteceu.

—Foi só isso?

—Não tou entendendo, devia ter algo mais?

—Há, não eu acho. — ele disse rindo e mudando outra vez pro garoto infantil devorador de doces. — Não me olha assim, só tou te perturbando… tava com saudade disso hahahaha!

—Mas que droga, Naruko, você me assustou — respondeu fingindo estar emburrado. — Seu delinquente.

—Hahaha não consigo evitar!

—Claro que consegue, você só não quer mesmo. Eu te chamei de Naruko, né? Desculpa, agora que me toquei.

—Bah, sem problema. Você se acostuma.

—Desculpa.

—Mas e aí, o que você achou da minha mudança? Tou bonitão agora, não tou hahaha?

—Ah, isso… — Não achou que Naruto fosse fazer esse tipo de pergunta tão diretamente, mas era Naruto, afinal, não existia filtro entre as coisas que dizia. — Não sei, não tá tão diferente assim não.

—Jura? — Ele o olhou meio desapontado.

—Ah, não sei, você tá usando o mesmo tipo de roupa, tem a mesma cara, fala do mesmo jeito.

—Então eu não tou mais bonito?

—Naruto, eu não sei, você é um cara.

—Bom, você me achava bonito antes.

—Porque você não era um cara…

—Mas você acabou de dizer que eu não mudei nada.

—Você tá me deixando numa situação complicada… — respondeu em tom de brincadeira. Naruto acabou rindo também e os dois mais uma vez sentiram que a intimidade entre eles não havia se esvaído tanto assim.

—Vocês, héteros, morrem, mas não dizem se acham um homem bonito ou não.

—Vocês? — perguntou com uma sobrancelha erguida.

—Ué, por que a surpresa? Eu namorei você, você é um homem, eu sou um homem… matemática simples.

—Mas você não era um na época. Tipo, eu não sou gay por ter namorado com você, então deduzi que o contrário também era uma possibilidade.

—Ai, Sasuke... odeio ter que dizer isso pro seu ego masculino, mas eu já era um cara. Você só não sabia.

—Ah...bom… não sei como consolar meu ego masculino agora… — brincou, mas a dúvida se instaurando em sua cabeça. Sasuke realmente tinha se envolvido com um homem? Naruto e Naruko eram tão parecidos, realmente, mas não conseguia pensar nela como um homem. Mas ela era um homem. Era uma situação complicada.

Depois do encontro Naruto parecia ainda mais empolgado em retomar os laços com Sasuke. No entanto, dúvidas começaram aparecer na cabeça dele. Começou a pesquisar coisas sobre pessoas trans pra entender Naruto melhor e acabou recorrendo ao irmão várias vezes pra tentar não cometer nenhuma gafe com o amigo e não acabar soltando coisas como “mas você era mulher” nas conversas entre eles.

—Vocês andam conversando bastante, né? — Itachi perguntou, interessado na atitude do irmão. Conhecia ele desde criança e sabia bem que Sasuke não era inclinado a fazer amizades ou a trocar mensagens de texto o dia todo com alguém.

—Ah, ele que fala bastante comigo. Eu só respondo.

—Isso se chama conversar, Sasuke.

—Bah — Ele deu de ombros tentando finalizar o assunto, mas claro que Itachi não ia parar por ali.

—Então quer dizer que meu irmãozinho tá retomando contato com o ex-namorado…

—Não chama ele assim — respondeu com uma careta.

—Assim como? Namorado? Mas é o que ele é, não?

—Eu não namorei um cara.

—Você sabe que sim.

—Ela tinha peitos e… e… cílios longos.

—E?

—E que não era um cara, ok? Olha, você gosta de caras e lembra dela, você sentia alguma coisa? Claro que não, porque ela era uma garota.

—Na verdade eu não sentia nada porque ele namorava você e tinha quinze anos na época. Nenhum homem de mais de vinte anos se interessa por alguém nessa idade. Pelo menos não deveria.

—Desculpa esfarrapada. Você e seu marido tem a mesma diferença de idade que você e a Naruko.

—Naruto.

—Tanto faz.

—Sasuke… — o encarou em repreensão.

—Desculpa. Olha, ela nem tá aqui. Ele.

—Eu sei que é confuso pra você e que nunca passou pela sua cabeça que você tava namorando um homem, mas aconteceu, negar isso não vai fazer você mais hétero.

—Tá dizendo que eu sou gay, então?

—Não, Sasuke. Primeiro que você gosta de mulher, então você seria pelo menos bi, segundo que ter um lance com uma pessoa do mesmo gênero que o seu na adolescência não determina sua sexualidade pro resto da vida. Você sabe o que você sente e por quem você sente. Tou dizendo que não é pra você ficar encanado com isso, que você pode ser hétero e ter um ex-namorado. Só, sei lá, não fica pilhado.

—Como eu posso não ficar pilhado depois de descobrir que eu fui super apaixonado por um cara, que dei meu primeiro beijo e tive minha primeira vez com um e que nem percebi isso? Porra, eu mandei mensagem pra ela porque queria que a gente voltasse a ter alguma coisa. Não precisava ser um namoro, mas sei lá, eu tava me sentindo sozinho depois dessa história toda com a Sakura e queria a companhia de alguém que já me fez bem antes. Mas aí a garota é um homem e eu não sei mais o que fazer.

—Você pode começar parando de dar importância pra um negócio que não tem nada a ver. E daí que ele é um cara? Isso muda alguma coisa que você gostava nele? Você namorava ele por quê? Pelos peitos? Se é só peitos que você procura, não precisa incomodar o rapaz, você tem uma cara bonita, uma voltinha numa balada à noite e você consegue tantos pares que nem vai conseguir contar.

—Não é tão simples assim.

—Claro que é. Você que tá complicando as coisas.

—Você namoraria um homem com peitos?

—Se o cara fosse o Shisui, sim.

—Você só diz isso porque é uma situação hipotética.

—Nada disso, eu tou dizendo isso porque eu amo meu marido por inteiro. Eu amo o sorriso dele, amo o jeito como ele brinca com tudo e diz besteira na hora errada. Amo um monte de coisas nele. Se ele tivesse peitos, eu amaria os peitos dele. E você, do que você gostava na sua ex e quanto disso não existe no Naruto agora?

—Você fala como se eu estivesse apaixonado pelo Naruto. Faz três semanas que a gente voltou a se falar, eu mal sei quem ele é agora.

—Mentira, mentira e mentira — rebateu, enumerando com os dedos as afirmações do irmão — Você nunca esqueceu totalmente ele. Além disso, uma pessoa de quinze anos se parece bastante com ela mesma aos trinta. Não é como se vocês fossem super criancinhas antes, vocês já eram quase adultos.

—Pelo amor de deus, Itachi, eu tinha brincos nas orelhas e escutava Avril Lavigne. Sem essa história de que a gente não mudou nada. São quinze anos.

—Você era chato, nerd, introspectivo, metido a sabichão e perfeccionista. Adivinha como você é agora? A única diferença é que você parou de se vestir bem pra andar fantasiado de Fukagu por aí, com esse cabelinho lambido e essas roupinhas sociais recém tiradas da lavanderia.

— Alguém já te disse que você é insuportável?

— Pra ser sincero, as pessoas me acham um amor. E não muda de assunto.

***

Sasuke jamais diria em voz alta, mas as palavras de Itachi ficaram em sua cabeça. Durante mais uma semana inteira de conversas com Naruto se dedicou a recolher detalhes da personalidade dele e tentar conectar com a pessoa em sua memória. E não era difícil, quase não precisava fazer esforço, Itachi tinha razão. Eles namoraram por pouco tempo, mas se conheciam desde muito cedo. Por vezes a conversa girava em torno de situações que eles haviam vividos juntos. O calor e aconchego que sentia em seu peito quando passavam horas a fio falando sobre o passado, sobre o futuro ou sobre coisa alguma, era exatamente o que ele estava procurando quando decidiu entrar em contato com Naruto depois do fim de seu casamento. E como não se viam, era mais fácil a aceitação de que seu companheiro era um homem agora.

Às vezes Sasuke passava tanto tempo sem pensar no gênero dele, apenas se concentrando na pessoa ali por trás, que levava pequenos choques ao se deparar alguma foto recente dele nas redes sociais.

E foi justamente numa dessas fotos que Sasuke levou o maior choque de todos. Era uma foto simples, tão simples como a primeira que havia visto tantos dias antes no perfil de Kushina. Uma selfie, duas pessoas sorrindo. Um homem bonito e loiro ao lado de uma jovem também bonita e loira. Mas mais uma vez a legenda mudou tudo:

Hoje foi dia de curtir um cineminha com o #melhorpaidomundo <3

Pai. A palavra piscava em sua cabeça como se fosse um outdoor de led. Como assim pai? Naruto era trans, não tinha como ele ser pai de alguém. A não ser que a garota fosse adotada. O que não seria provável, já que ela era a cara dele. Não fosse pelos olhos escuros e levemente repuxados, ela seria exatamente a Naruko que conheceu. Os dois exibiam o mesmo sorriso na foto, não tinha prova maior de que a garota tinha algum parentesco biológico com ele.

Foi então que a ficha caiu na mente de Sasuke, Naruto era trans, mas também era gay. Ou seja, ele se relacionava com homens. E se…?

Ficou em dúvida se deveria perguntar alguma coisa a respeito, mas não era muito de iniciar um assunto, então resolveu apenas esperar pra ver se um dia o próprio Naruto diria algo.

A única coisa que realmente estranhou foi que a garota parecia já ter uma certa idade. Sasuke sabia que Naruto tinha trinta anos exatos, assim como ele mesmo. A garota da fotografia parecia já ter deixado pra trás metade da puberdade, o que quer dizer que tão logo virou as costas, Naruko engravidou de um outro cara por aí? Pensar nisso era doloroso. Ficou meses arrasado quando mudou de cidade. Levou anos até se envolver afetivamente com alguém de novo e só voltou a ter uma vida sexual depois de casado. Sabia que Naruko era bem mais aberta a esse tipo de coisa, mas seria mais reconfortante pensar que ela pelo menos sentiu sua falta por um tempo.

Sem contar que ele realmente passou por uma transição de gênero enquanto criava uma criança? Como ele explicou isso pra menina? “Oi, olha, a mamãe agora é o papai?” Porque quando namorava Naruko, ela não dava o menor indício de ser trans. Não foi algo que aconteceu do dia pra noite. Então teve uma gravidez no meio do processo? O nó que estava dando em seu cérebro iria deixá-lo maluco.

Claro que mandar uma mensagem e conversar com ele resolveria tudo, mas desde quando Sasuke optava pelas alternativas simples?

***

Dessa vez as indiretas de Sasuke funcionaram e Naruto finalmente o chamou pra sair. Combinaram um jantar pra variar um pouco. Sentia-se ridiculamente nervoso. Não sabia ao certo que roupa vestir, ensaiava frases no espelho, até resolveu tirar da embalagem o perfume caríssimo que havia ganho meses antes de Sakura e que jamais havia mexido. Mas cada vez que sua mente lhe traía e a pergunta sobre qual o motivo de toda a atenção e expectativa surgia, acabava desconversando o assunto pra si mesmo.

Por fim, vestiu apenas um casaco de inverno azul marinho e deu uma despenteada no cabelo pra parecer mais jovem e despojado. Não queria aparentar estar arrumado demais de novo. Só pra ter certeza ainda tirou uma foto e enviou pra Itachi dar o xeque-mate em sua aparência.

Itachi havia enchido sua cabeça com conselhos e sermões durante todos os dias desde que iniciaram as conversas sobre Naruto. O mais velho pareceu ficar ainda mais interessado nas coisas depois de Sasuke comentar sobre Miyuki, a filha de Naruto, pra ele. De repente a vida sexual de Sasuke e Naruko tornou-se interessante sob o olhar do irmão, que não pôde deixar de notar — e de pontuar diversas vezes — o quanto a garota parecia fisicamente lembrar Sasuke também. E pro desespero completo e absoluto do irmão mais novo, as idades batiam.

Todos esses pensamentos formavam um turbilhão na mente de Sasuke, que nem notou a aproximação de Naruto até que ele começasse com seu berreiro de costume.

— Sasukeee! Adiantado de novo, assim não é justo! — O rapaz deu-lhe um soquinho assim que havia se aproximado o bastante. O choque voltou a assolá-lo como se fosse a primeira vez que via-o pessoalmente, mas logo tratou de tentar controlar suas reações.

— É um hábito, odeio deixar as pessoas esperando. Vamos entrar?

— Claro. Tá super frio aqui fora, nem sei porque você quis me esperar aqui.

— Eu não queria parecer um velho solitário encostado numa mesa de bar em plena noite de sexta dentro de um restaurante. Além disso, eu gosto do frio.

— Não sei como pode.... — Ele entrou no estabelecimento resmungando e logo correu em direção a uma mesa de canto, feliz em achar livre uma daquelas com estofado acolchoado nas cadeiras. Sasuke apenas sorriu com a infantilidade dele, revirando os olhos em seguida.

— Você não muda nunca…

— Bah, por que eu mudaria?

— Certo… — esperou alguns segundos para que o outro se ajeitasse antes de iniciar de uma vez o assunto que estava deixando-o sem sono nos últimos dias. — Olha, Naruto, vou ser direto, eu vim aqui dessa vez porque uma coisa tem chamado minha atenção e eu preciso te fazer uma pergunta importante.

— Não.

— Não o quê?

— Eu não quero me casar com você. A gente tem que se descobrir mais um pouquinho antes — ele respondeu brincando.

— Eu tou falando sério, idiota. É sobre a garota.

— Que garota? — Ele notou a seriedade no tom de Sasuke e adquiriu uma postura mais firme.

— A nossa garota — concluiu blefando, apenas pra ver se ele confirmaria.

A expressão de Naruto mudou totalmente. Ele se endireitou na cadeira, desviou o olhar, passou as mãos nos cabelos, ficou minutos ali se remexendo sem saber o que dizer. Os gestos provaram que a teoria de Itachi estava certa e o chão de Sasuke não poderia ter desaparecido mais rápido.

— Por que você não me disse nada?!

— Por que eu deveria?

— Ela é minha filha, eu tinha direito de saber.

— Agora, Sasuke? Eu tava com saudades de você e planejava uma noite legal hoje, não estraga tudo, por favor.

— Estragar? Eu querer saber da minha filha estraga a noite pra você?

— Estraga sim. Eu aceitei voltar a falar com você porque eu tinha esperança de voltar a sentir as coisas um pouco como era antes. Eu queria me esquecer do que você fez comigo. A gente vem conversando há semanas e você não tocou no assunto, achei que você também queria esquecer.

— Como assim o que eu fiz com você? Eu não sabia que você tava grávida.

— Claro que sabia.

— Naruko, eu não sabia.

— Naruto.

— Não muda de assunto, me explica o que aconteceu.

— Aconteceu o que você já sabe, ué. Eu namorava você, tudo era lindo e cheio de promessas, até o dia que você achou de seguir seu pai e desaparecer. Alguns dias depois eu me senti mal e fiz um teste de gravidez, deu positivo. Eu tentei me comunicar com você, mas não te achei mais. Você não recebeu meus e-mails, não retornou minhas mensagens, seu telefone mudou de número. Meu pai conseguiu depois de um tempo avisar o seu, mas mesmo assim nada de você me retornar. Então eu só segui adiante.

— O seu pai disse que avisou o meu? Que absurdo, eu não sabia de nada. Duvido que meu pai soubesse também.

— Olha, tem alguém mentindo nessa história e não é meu pai, porque ele tava doido atrás de você. Ele te procurou como um louco. A gente até discutiu um dia desses quando ele descobriu que eu tinha voltado a falar com você.

— Meu pai não faria isso.

— Bom, se você não sabe de nada, então ele fez.

— Você acha que eu te abandonei? — perguntou ofendido.

— Eu não acho, você me abandonou. Abandonou a mim e a minha filha.

— Eu nunca faria algo assim. Meu deus, não acredito nisso… — Conforme a ficha caía, o norte desaparecia ainda mais de sua vista. — Não acredito que eu tenho uma filha.

— Desculpa, Sasuke, mas você não tem uma filha, eu tenho. Ela nem sabe quem é você.

— Ela acha que não tem pai?

— Ela tem pai, eu sou pai dela.

— Você é a mãe dela, Naruto. Se ela pensa que você é o pai, quem ela chama de mãe?

— Eu não sei se você faz isso de propósito ou só tá sendo burro.

— Faço o quê?

— Esses comentários maldosos. Eu não sou mãe dela, sou pai. Pra ser mãe eu teria que ser mulher e eu não sou. Se você continuar insinuando isso eu vou dar o fora daqui, porque não tenho que ficar aturando desaforo, principalmente de você. E minha filha não pensa que eu sou nada, eu sou. Ela não chama ninguém de mãe e não precisa porque eu estou lá pra ela. Sempre estive. Agora ela já tem quinze anos e não tá mais preocupada com isso.

— Para de jogar isso na minha cara como se fosse minha culpa. Eu não tive escolha. Eu sei que é difícil pra você entender isso, porque você nutriu rancor por mim sabe-se lá por quanto tempo, mas eu não tive nada a ver com essa história. Nem por um segundo passou pela minha cabeça que eu pudesse ser pai de alguém.

— Tá — Ele retrucou emburrado, mas aceitou baixar um pouco a guarda. — Supondo que seja verdade, o que você pretende fazer agora que sabe?

— Eu não sei… ela faz alguma ideia de que eu existo? Não posso chegar nela me apresentando como pai se na cabeça dela ela já tem um.

— Ela sabe que você existe. Quero dizer, não você, você mesmo, mas ela sabe que existe outro homem. Eu fiz a transição há 8 anos, ela acompanhou o processo, ela sabe de tudo.

— E isso não confunde a cabeça dela? — perguntou com genuína curiosidade.

— Confunde menos do que a sua, pelo jeito.

— Eu não consigo evitar, eu… isso é tudo tão estranho. Eu só quero entender, Naruto.

— Eu conversei bastante com ela na época. Eu sou psicólogo, eu sei lidar com esse tipo de coisa, se eu visse necessidade eu encaminharia ela pra algum profissional. Jamais faria algo se eu não tivesse certeza de que minha menina ia ficar bem com isso, mesmo que custasse minha felicidade.

— Tá, então deixa eu fazer um resumo pra ver se tou pegando direito: A gente namorava nos tempos de escola. Aí eu fui embora e você descobriu que tava grávida. Grávido. Você seguiu a vida normalmente até que oito anos atrás resolveu virar menino, não espera, não é virar que fala, né? Assumir, é isso? Argh, eu tou me enrolando todo. Enfim, você deu um jeito de explicar pra uma criança de sete anos que a mãe na real era o pai e que o outro pai era um sinal de fumaça?

— Tipo isso.

— Você tem muita coragem, eu hein! Só de pensar minha cabeça dá um nó.

— É, tenho. Eu precisei bastante.

— Desculpa não estar lá pra vocês. Eu fico aqui tentando me convencer de que eu não tive culpa porque eu não sabia, mas mesmo assim, era meu papel estar lá.

— No fundo acho que seria pior se você estivesse. Não sei como eu poderia falar pro meu namorado hétero que ele tava namorando um cara. Já foi complicado o suficiente dizer isso pros meus pais e pra minha filha.

— Mas eu não ia rejeitar você. Seria uma tensão só antes de falar comigo, porque depois ia ficar tudo bem.

— Será, Sasuke?

— Com certeza.

— Heh, ficar tudo bem não é tão simples. Como eu saberia se você teria me aceitado de verdade ou se apenas continuaria comigo porque não me via como um homem?

— É impossível não te ver como um homem. É quem você é, ué. Às vezes eu erro o nome ou me enrolo pra falar de alguma coisa, mas é realmente só hábito mesmo, não tem a ver com como eu te vejo. E eu tou me acostumando, logo eu não erro mais. Eu conheço você há quanto tempo? Eu fico querendo socar minha própria cara por não ter percebido antes.

Os dois ficaram um momento em silêncio pontuando mentalmente a situação geral da relação deles. Muita coisa havia sido dita, era preciso absorver tudo. Pelo menos o clima entre eles parecia mais leve. Não havia mais nada que os quinze anos escondiam, todos os mistérios foram sendo desvendados dia após dia e, apesar de ser apenas a segunda vez que se viam pessoalmente, sentiam como se tivessem passado todo o tempo juntos.

Sasuke ainda estava completamente confuso sobre tudo, mas se esforçava pra pelo menos aparentar ter compreendido. Racionalmente as peças se encaixavam sem problemas, só faltava convencer sua parte emocional de que tinha uma filha de quinze anos com um ex-namorado.

— Quer mesmo conhecê-la? — Naruto acabou rompendo o silêncio.

— Mas é claro que sim. — Independente de ter absorvido ou não, tinha que encarar os fatos.

— Eu devo estar sendo muito idiota, mas você pode almoçar lá em casa neste domingo. Acho que ela vai gostar de te conhecer.

— Não é muito repentino isso?

— Só se for pra você. Pra dizer a verdade, a Yuki sabe que a gente tá se falando e tem me perturbado pra te ver. Ela anda te stalkeando na internet e fica toda ansiosa quando eu venho te encontrar. Acho que já que a gente tá querendo resolver isso, não tem motivo pra esperar. A não ser que você precise de um tempo. Tudo bem se precisar, claro.

— Não vou mentir dizendo que minha cabeça não tá virada ao contrário, porque obviamente está, mas eu já tou me sentindo bem merda de ter ficado tudo isso de tempo longe de vocês.

— Tá tudo bem, pra quem esperou quinze anos o que é uma ou duas semanas?

— Nah, seria uma semana de angústia onde eu ia ficar fantasiando mil cenários terríveis pro nosso futuro. Vamos terminar logo com isso.

— Vocês vão se dar bem. São muito parecidos. Convivendo com a Yuki esses anos todos eu não tinha a menor chance de te esquecer.

— Sério? Nas fotos ela é a sua cara.

— Só parece comigo por fora, por dentro é esse amontoado nerd com vício em gatinhos. Eu seria um cretino de privasse vocês desse contato.

— Parece que a família Uzumaki vai ter que me aturar pra sempre. É sério, se eu começar, eu não vou parar entendeu? Eu não tenho esposa, não tenho outros filhos, meus pais tão bem e não precisam de mim. Vou dedicar o que sobrar de energia a compensar vocês dois pelo tempo perdido.

— Sem essa de transformar minha família numa obrigação. Eu conheço você, Sasuke, essa mania de se tornar responsável pelas coisas ao ponto de tudo virar “trabalho” é um porre. Eu quero que você fique perto da minha filha por vontade sua e que você sinta qualquer coisa por ela menos culpa. Já disse que a gente tá bem, que eu super tou dando conta de tudo. Ela quer te conhecer porque é criança e tem um buraco na vida dela onde você deveria estar e eu não consegui cumprir, mas é um buraquinho pequeno, antigo e quase insignificante.

— Eu não sou ingênuo, Naruto. Eu sei que amor à primeira vista não existe, que um laço como paternidade é um negócio que a gente tem que construir. Eu sinto culpa, óbvio, mas não é só isso. Eu não amo a Miyuki ainda, mas agora tem um buraco na minha vida também. Um buraco que grita todas as coisas que eu poderia, que eu deveria, ter vivido com vocês dois. Eu quero consertar isso. Acho que se a gente for um passo de cada vez, a gente faz isso funcionar.

— A questão é, a gente deve começar a andar agora?

— A gente já tá caminhando, bobinho. E muito. Olha só pra nós dois aqui, trocando as interrogações na nossa história por pontos finais. A gente já acertou o fim do nosso antigo namoro, acertamos a questão da sua transgeneridade, tudo o que estava pendente lá atrás agora tá certo. E então meio que tá na hora de dar sequência e andar pra frente.

— Domingo então?

— Deixando bem claro, essa é sua última chance de me tocar da sua vida.

— Se eu quisesse te tocar da minha vida era só eu não aparecer todas vezes que você implora por mim. Tá confirmado domingo.

— Eu nunca implorei, Naruto. Não começa com graça.

— Implorou sim. Fica mandando mensagenzinha misteriosa, pensa que eu não sei? Só porque você não diz a palavra “eu imploro” não quer dizer que não esteja.

— “Eu imploro” são duas palavras.

— Bah, quem se importa?

Sasuke girou os olhos e remexeu a comida que pediram num dos momentos tensos de silêncio e absorção, e que estava intacta no prato de ambos.

— Sabe, Sasuke, Você disse que não me rejeitaria se tivesse ficado. Quer dizer que você realmente se envolveria com um homem? — Naruto reiniciou a conversa.

— Acho que dependeria muito do quão envolvido emocionalmente eu estivesse. Eu sou meio travado com relacionamentos, sabe, meu irmão acha que eu nem sou hétero. Tipo, em toda minha vida eu tive dois relacionamentos sérios e umas três tentativas muito fracassadas de envolvimentos casuais. Mas em geral eu me esforço pra manter minhas relações.

— Eu não sei porque você separou os seus dois relacionamentos sérios da lista de fracassos hahahaha desculpa, eu não pude evitar!

— Você é completamente retardado. Eu tou tentando falar sério aqui! Tipo, se a gente tivesse namorando e você assumisse que é trans, eu ia ficar meio balançado, mas ia acabar pensando sobre tudo o que me fazia estar com você e chegaria a conclusão óbvia de que tanto faz se você é um cara. Eu nunca na vida cheguei nem perto de me envolver com um homem, por isso deduzi que eu não curtia. Mas sei lá, eu também me envolvi com mulheres pouquíssimas vezes, então não é como se eu fosse um machão emanando heterossexualidade. Eu meio que não me importo muito com pessoas no geral e tou acomodado assim. Mas eu namorei você, um cara, então sei lá.

— Olha que bonitinho, já me tirou da lista de ex-namorada.

— Nossa, eu falo oitenta coisas importantes e você tá fazendo lista. Cê tá entendendo o que eu tou te falando?

— Não muito. Você tá falando um montão, aí na metade minha cabeça já foi pra outro mundo.

— Então por que você perguntou, idiota?

— Sei lá, era pra ser uma resposta simples, mas você decidiu narrar sua vida completa. Um “sim” ou “não” bastava.

— Bah… Sim — respondeu girando os olhos — Idiota.

***

O sábado foi provavelmente o dia mais rápido da vida de Sasuke. Parecia que o tempo sabia o quanto ele queria adiar o almoço no domingo e corria ainda mais depressa apenas pra colocá-lo em desespero.

Pensar no quanto sua vida havia virado de cabeça pra baixo em pouco tempo deixava-o com dor de cabeça e uma vontade enorme de pôr a culpa de tudo em cima de Sakura. Havia sido envolvido em uma cascata de acontecimentos bruscos, teve que digerir um divórcio, um ex-relacionamento com um homem e o “descobrimento” de uma filha perdida, não estava dando conta. E pra piorar teria que enfrentar os dois últimos itens ao mesmo tempo numa mesa de almoço em menos de doze horas.

Mas também, Naruto era doido. Em uma única noite ele mudou seu discurso de “Sai daqui, você não tem filha” pra “Vamos almoçar lá em casa depois de amanhã”. Não conseguia entender qual lógica a cabeça dele seguia.

Passou parte da tarde conversando com Itachi sobre como deveria agir, se deveria levar algum presente pra ela, ou como deveria se aproximar.

Tinha uma filha e não fazia a menor ideia de como ser pai.

No domingo acordou cedo com uma lista de mensagens de Naruto contendo instruções. “Não pressione ela”, “Não force intimidade”, “Não leve ursinhos de pelúcia como presente, ela já não tem mais idade pra isso e isso só deixaria ambos constrangidos”. Ele certamente não precisava que esse tipo de coisa fosse dita, mas entendia a necessidade dele em falar. Ele devia estar super nervoso também.

Pediu para que Itachi lhe desejasse sorte e que se mantivesse disponível no celular para o caso dele precisar pedir ajuda, algum conselho ou simplesmente pro caso de ter uma crise de pânico durante o almoço.

Se arrumou o mais descontraído o possível, dado as baixas opções desse tipo em seu guarda-roupas e enrolou impaciente até a hora de ir até a casa de seu ex-namorado.

Ele morava numa cidade vizinha, então levou quase duas horas para chegar. Ficou ainda dez minutos parado dentro do carro em frente a casa situada no endereço que Naruto havia lhe dado por mensagem mais cedo, além de mais alguns momentos no portão antes de tomar coragem para tocar a campainha.

Foi Kushina quem lhe recebeu e o guiou pra dentro da casa, com menos entusiasmo do que Sasuke estava esperando. Pelo jeito não era apenas Minato que estava descontente em tê-lo ali.

Anunciou-se de forma tímida para o ex-sogro ao entrar. Seu nervosismo aumentando exponencialmente. Ficou parado na entrada da sala enquanto Kushina ia até o que ele deduziu ser a cozinha e retornar com Naruto.

— Eu não sei porque tou surpreso por você ter chegado cedo outra vez — ele disse cumprimentando-o e limpando as mãos em um avental com vários narutos estampados — pode sentar, fica à vontade. Eu ainda não terminei a comida.

Sasuke engoliu seco ao escutar que precisaria ficar sentado no sofá do lado de um Minato carrancudo e de uma Kushina com uma expressão ainda mais fechada.

— Eu prefiro te ajudar com o que tiver faltando na cozinha. — sugeriu pra escapar do que seria uma grande tortura.

— Nah, tá tudo meio encaminhado.

— Eu insisto — implorou e fez questão de que Naruto percebesse isso ao olhar pra ele com sua melhor cara de pedinte. Agradeceu mentalmente a todos os deuses de que se lembrava o nome por ele ter entendido a mensagem.

— Tá bom, então. Me segue.

Naruto retornou para o corredor de onde tinha vindo e Sasuke o seguiu. Assim que se viu fora do alcance de visão dos Uzumaki sentiu-se mais disposto a conversar.

— Pelo amor dos deuses não me deixa sozinho com teus pais nessa casa. Eles tão me olhando como se fossem me esfaquear a qualquer momento.

— Hah, eu te falei antes que meu pai tava bravo com você.

— Mas você explicou pra ele o que aconteceu?

— Mais ou menos. A gente tá meio brigado, lembra?

— Urgh, isso parece péssimo.

Pararam de falar quando entraram na cozinha. Naruto tinha uma casa simples, mas aconchegante. Não era muito grande nem muito pequena. Tinha aquela cara de casinha de família antiga, com panos de pratos bordados e toalhinhas de crochê em cima dos móveis. Um cheiro agradável de alguma carne assada preenchia a cozinha e uma garota jovem remexia em algo dentro de uma panela quando entraram.

— Yuki, esse é Sasuke. Sasuke, essa é, Miyuki — ele disse como se estivesse apresentando um colega de faculdade pra outro, e não um pai e uma filha.

Um buraco imenso se formou onde antes havia seu estômago e Sasuke teve medo de que suas mãos estivessem tremendo quando as estendeu pra garota.

— Oi, er… prazer…? — Não sabia muito bem o que dizer, mesmo tendo ensaiado mil possibilidades em frente ao espelho na noite anterior.

A menina apertou sua mão hesitante. Olhava pra ele de forma curiosa, estudando cada centímetro dele.

Os três se mantiveram presos num silêncio de puro constrangimento. Só conseguiram sair do transe quando uma das panelas que estava no fogo começou a derramar. Miyuki fez menção de ir até o fogão, mas Naruto a impediu indo na frente e sinalizando para que ela falasse alguma coisa com Sasuke.

— Então… oi — disse visivelmente nervosa.

— Oi — respondeu querendo enfiar a cabeça no forno e morrer rapidamente pra fugir da situação.

— Vocês vão ficar repetindo “oi” pra sempre? Parem de graça. Vocês pediram pra se conhecer, então se conheçam. — Naruto interrompeu os dois enquanto andava de um lado pro outro na cozinha recolhendo utensílios para arrumar a mesa, os entregando nas mãos de ambos. — Toma, ponham à mesa e parem de se encarar.

— Tá bom, pai — ela respondeu posicionando os pratos e sendo seguida por Sasuke.

— O Naruto chegou a te falar alguma coisa sobre mim? — Lembrou de uma das frases que tinha treinado antes.

— Um pouco — ela respondia sem olhar pra ele.

— Quanto mais ou menos?

— Sei que você é meu pai, que foi embora porque seu pai precisou se mudar.

— Isso te deixa brava comigo? — ele também não olhava pra ela enquanto falava. Os dois mantinham a atenção em organizar milimetricamente os pratos, copos e talheres sobre a mesa.

— Acho que não. Não sei exatamente o que sentir sobre isso na verdade. Eu acho que nunca pensei na possibilidade de conhecer meu outro pai.

— Então você nunca se perguntou sobre mim?

— Ah, já, né? Mas eu já me acostumei com meu pai e meus avós, acho que não sinto mais sua falta.

De repente percebeu o quanto estava sobrando naquela casa. Naruto foi pai e mãe de Miyuki a vida toda e qualquer coisa que ele não fosse capaz de atender, Minato e Kushina sempre estiveram por perto. A forma como os quatro lidavam uns com os outros e a própria ambientação da casa demonstrava que eles tinham um lar estável, sem pontas soltas.

— Mas olha, não quer dizer que eu não tou feliz em te ter aqui — ela se explicou, provavelmente notando a expressão melancólica que se formou no rosto de Sasuke. — Eu tou pedindo faz um tempão pro pai me mostrar você.

— Ah, é? — encarou as costas de Naruto — ele me disse algo assim.

— Eu disse. — Se virou com uma travessa nas mãos e posicionando-a sobre a mesa. — Pode sentar, Sasuke. Yuki, chama seus avós por favor.

— Ela é adorável — comentou após a saída da garota.

— Eu sei, ela é meu chuchu. Ela tá um pouco nervosa, mas ela vai se soltando aos poucos. Ela tem a mesma dificuldade de se socializar que você.

— Eu seria muito ridículo em pedir pra você ficar por perto? Dois Sasukes tensos tentando interagir vai acabar num silêncio bizarro. Pelo menos até a gente pegar intimidade.

— Você é sempre ridículo, é por isso que eu tou sempre com você.

— Aff, a gente não pode dar uma oportunidadezinha que você começa a perturbar. — disse em tom de brincadeira, ao mesmo tempo que Miyuki retornava com os avós.

— Eu não tenho culpa de ser incrível e ter que te salvar o tempo todo.

— Me salvar? Eu nem sei que seria de você sem mim. Eu sou praticamente seu bom-senso personificado.

— Pois eu sobrevivi bastante bem quando você tava longe.

— Eu também, oras.

— É, seu divórcio prova isso.

— Falou o “solterão”.

— Gente, é sério que vocês vão brigar? — Miyuki perguntou apreensiva.

— Hahaha! A gente não tá brigando, meu amor. A gente tá só... se pentelhando.

— Vocês certamente evoluíram nesses anos, tou surpreso — Minato disse com ironia.

O almoço transcorreu bem. Minato e Kushina eram simpáticos demais pra conseguirem manter a posição de desgosto de pé por muito tempo e ao final da tarde Kushina já tinha se agarrado ao braço de Sasuke dizendo o quanto sentiu sua falta. Perto da família Miyuki também ficou mais à vontade, tomando liberdade pra comentar sobre seus hobbies e até contando sobre alguns problemas adolescentes da escola. Ela ainda chamava-o de Sasuke, mas não tinha problema, sentia que era uma coisa que eles conseguiriam trabalhar se se dedicassem o suficiente em manter-se próximos um do outro.

O Sol já tinha quase se posto por completo quando Sasuke se diriu ao seu carro, com Naruto caminhando ao seu lado.

— Hei, obrigado por hoje — o loiro disse assim que chegaram no veículo.

— Eu que agradeço. Deu pra ver o quanto você tava se esforçando pra dar certo.

— Eu queria muito, sabe? Eu sonhei com esse dia por muito tempo.

— Eu não sei… isso me deixa meio triste.

— Eu tou dizendo que você realizou um sonho meu, não é pra ficar triste, é pra ser o Sasuke convencido de sempre e dizer “é, eu sei que sou seu príncipe encantado, que você me ama e não vive sem mim, blablabla eu sou demais”.

— Eu sou seu príncipe encantado, Naruto? — questionou com uma sobrancelha erguida, dando um micro passo na direção do amigo.

— Não! Era só um exemplo de algo que você diria. — Tentou consertar ficando levemente corado.

— Então a moral é que eu me sinto seu príncipe encantado?

— Você se sente o príncipe de todo mundo.

— De todo mundo não. Da Sakura, por exemplo, com certeza eu não sou.

— Você ainda tá mal com o fim do seu casamento? Tipo, eu fico usando isso pra brincar com você, mas nem parei pra pensar que de repente é um negócio que te atinge.

— Não, eu acho que o divórcio foi a melhor coisa que podia ter acontecido na minha vida — respondeu se apoiando com as costas na lateral do carro. Não tinha a menor vontade de ir embora.

— As coisas tavam tão ruins assim?

— Não, só que elas estão infinitamente melhores hoje. Sabe, conhecer a Miyuki, voltar pra essa casa, voltar pra você… isso nunca teria acontecido se a Sakura não tivesse tirado minha vida do piloto automático.

— Tsk, eu queria que meu coração não acelerasse como um estúpido quando você fala em voltar pra mim…

— Heh, eu não tava falando num sentido romântico, mas não sei, de repente, pode ser.

— Você acha que dá certo?

— Acho que dá pra tentar.

— Mas e se não funcionar, como fica você e a Yuki?

— Minha relação com ela não tem nada a ver com minha relação com você. Pai é pai, não é um negócio que a gente pode chegar e dizer “puts, não rolou, tchau”. E também, depois te tudo o que já aconteceu, não acho que poderia ainda ter alguma coisa grave ao ponto da gente não querer mais se falar. Tipo, eu te abandonei grávido e você tá aqui disposto a reatar comigo.

— Só porque eu sou trouxa.

— Só porque você me ama e me conhece e sabe que eu jamais faria algo horrível assim de propósito.

— Traduzindo: trouxa.

— Pode ser, mas também, quem nunca? — disse pegando uma das mãos de Naruto e aproximando ele de si. Meio encabulado, desviou o olhar o do dele e encontrou uma silhueta atenta na janela atrás dos dois espiando por uma fresta na cortina. — Hun, tem alguém vigiando a gente.

— Provavelmente é a Yuki esperando a gente se beijar. — Sorriu meio amarelo, virou-se pra janela e acenou, vendo a cortina ser fechada bruscamente.

— Não espanta ela.

— Ela já deve ter achado outro esconderijo.

— Melhor não deixar ela esperando — Concluiu passando a mão na lateral do rosto de Naruto e finalizando a distância que havia entre eles.

Dividiram um selinho longo no início, separando e unindo os lábios aos poucos, procurando encaixá-los melhor, pra, por fim, abri-los e tornar o espaço de suas bocas parte do corpo dos dois.

Beijar Naruto era diferente de Naruko. Os cabelos loiros espetados na nuca, a força das mãos que ele arrastava em seus ombros, o peitoral firme que ele mantinha apertado contra o seu. Se lá no fundo de seu inconsciente Sasuke ainda tivesse algum resquício de dúvida sobre o gênero dele, havia sumido completamente. Mais do que apenas saber que Naruto era um homem, Sasuke agora conseguia sentir isso.

Mas nada disso era importante diante do sorriso que ele lhe entregava quando desprenderam suas bocas, ainda com as testas unidas. Naruto era definitivamente a pessoa mais bonita, incrível e radiante que Sasuke já havia conhecido e qualquer outra coisa que tentasse ficar em torno disso não seria notada em sua insignificância.

— Tá ficando tarde, não quero você pegando essa estrada muito à noite. A gente vai se falando.

— Com certeza. — Abraçou ele mais forte, dando um último beijo rápido de despedida antes de entrar no carro.

— Me avisa quando chegar. — Pediu debruçando-se na janela do carro.

Sasuke deu a partida devagar e acompanhou mais um vez o sorriso de Naruto com os olhos. Pôde ver também que a fresta na cortina tinha voltado a se abrir, o que significava que ele teria mil explicações pra dar pra garota adolescente que lhe esperava na sala. Não pôde não rir ao imaginar a cena.

***

Era manhã de um feriado numa quinta-feira. Havia decidido correr um pouco num parque que havia próximo de sua casa, mas que há muito nem se lembrava da existência. Foi com prazerosa surpresa que reconheceu ao longe os cabelos rosa de Sakura, que caminhava tranquilamente ao lado de uma mulher loira. Apressou o passo pra alcançá-las. O tempo ao lado de Naruto estava deixando-o sociável.

— Sakura! — chamou, fazendo-a se virar em sua direção.

— Sasuke! Que estranho você num parque durante a semana usando tênis de corrida.

— E olha que essa é uma das coisas menos estranhas que eu tenho feito ultimamente. Como você tá?

— Tou bem. Dando um tempinho pra cuidar de mim.

— Que bom, você precisava disso.

— É, a gente precisava. E você, tá bem? Tá com uma aparência ótima.

— Você não tem ideia de como minha vida virou de cabeça pra baixo e de como cada volta ao contrário foi boa, necessária e incrível.

— Vou adorar ficar sabendo. Vem, anda com a gente. — Ela o puxou pelo braço e passou a caminhar, forçando ele a seguir seu ritmo. Ele acenou brevemente pra Ino, e continuou falando.

— Então, você lembra da Naruko, minha ex da época do colégio?

— Lembro mais ou menos da história.

— A gente voltou.

— O quê? Socorro, quando foi isso?

— A gente voltou a se falar pouco tempo depois que você foi embora, aí depois de uns dois meses a gente acabou se acertando outra vez. Já faz agora seis meses que estamos namorando.

— Olha só, mal esperou esfriar meu lado da cama… — disse fingindo estar ofendida. Estava feliz por ele ter seguido adiante rápido. Desde que decidiu deixá-lo sentia uma ponta de receio de ter feito mal a ele.

— Bah, demorou mais um pouco pra levar ele lá em casa, não foi assim também.

— Ele quem?

— Ah, ele. Eu esqueço de avisar. Naruko na verdade sempre foi Naruto, um homem. Eu fiz confusão na época de escola.

— Confusão, Sasuke? Você perdeu a virgindade com ele, não reparou que tinha um buraco a menos.

— Eu tou escutando essa conversa — Ino interrompeu. Ela conhecia Sasuke dos tempo de casamento com Sakura, mas não se achava na intimidade de escutar sobre a vida sexual dele. — Vou correr um pouco pra queimar umas calorias e dar espaço pra vocês.

— Hahaha, obrigado, Ino. Desculpa, Sasuke.

— Tá tudo bem, sobre a Ino. Não tá tudo bem sobre o Naruto. Ele não tem um “buraco a menos” e isso não quer dizer nada sobre ele. Foi um pouco rude.

— Ah, tá, desculpa. Mas do que você tá falando?

— O Naruto é um homem trans. A gente até tem uma filha.

— OI?! Quê?! Filha?! Sasuke! — ela parou de andar, encarando-o com um misto de surpresa e confusão.

— Pois é. Eu engravidei ele na época do colégio e me mudei antes dele conseguir me avisar. Descobri depois sem querer. Foi bem louco no começo, mas agora as coisas tão entrando no lugar. Eu tento estar o mais presente possível na vida deles.

— Tá, seu namorado tem útero e teve uma filha com você, sei lá, dez anos atrás?

— Quinze. E ele não tem mais útero.

— Tou muito chocada.

— Imagina como eu fiquei quando descobri.

— Você é gay?

— Sei lá, não fico pensando em nome.

— Bi?

— Eu não sei, Sakura!

— Mas você é pai e isso já é doido o suficiente.

— Cê não tem noção do quanto é doido. Tipo, eu busco ela na escola umas três vezes por semana, que é quando eu combinei com o Itachi de sair mais cedo do trabalho. Aí as vezes eu me pego com música pop atual tocando no rádio e uma mocinha de quinze anos sentada no banco do lado, trançando o cabelo e me contando dos crushes da escola. Fico pensando o que foi que eu fiz com a minha vida.

— Adoraria um dia ver essa cena.

— Você pode. Quero dizer, tá tudo bem entre a gente, né? Nada impede de qualquer dia você passar lá em casa. Meu irmão também sente sua falta. A gente é família e eu andei descobrindo que família não é um negócio que dá pra se livrar.

— Nossa, como esse Naruto fez bem pra você. Você tem vida de novo. Tou orgulhosa.

— Eu fico meio chateado dela não me chamar de pai ainda. Eu tou me sentindo pai dela já, mas sei lá, não vou forçar as coisas. Uma hora vai acontecer e quando for, eu acho que meu coração vai explodir.

— Ela te chama de quê?

— Sasuke mesmo. Mas ela gosta de mim. Vem sempre sorrindo quando me vê na porta da escola. A gente sai junto algumas vezes, ela é nerd que nem eu, então sempre que tem um filme de herói no cinema a gente já combinou de ver junto. Só o Naruto que não gosta porque a gente é chato e fica discutindo o quadrinho depois e pondo defeito.

— Eu consigo facilmente ver vocês três discutindo felizes. Você são muito uma família, né?

— Acho que sim.

— Você tem intenção de levar o Naruto pra morar com você.

— Um dia com certeza. Por enquanto tá perfeito do jeito que tá. Por causa do trabalho a gente não tem muito tempo pra ficar de namorinho, mas às sextas ou ele vem dormir lá em casa ou eu vou dormir na casa dele, aí a gente já tira o sábado pra ficar junto só nós dois quando é por aqui, ou combinamos algo a três quanto eu tou lá. Tá num ritmo bom. A gente tá bem feliz.

— Se você tá feliz, eu tou feliz. Ah, só pra constar, eu não tou namorando com nenhum ex de infância e não descobri nenhum filho. Fiz uma viagem pra fora por 20 dias, conheci uns barzinhos legais, atualizei meus perfis nas redes e tou me comportando como uma garota de tempos de faculdade. Ino tem me mantido firme nesse caminho hahaha, mas eu também tou bem feliz.

Continuaram caminhando lado a lado jogando conversa fora por mais um bom tempo naquela manhã. Ino juntou-se a eles depois, colocando as aventuras de Sakura recém solteira no centro das atenções. Estavam felizes de saber que a distância fez bem aos dois. O casamento deles era tóxico pra ambos com doses de conta a gota, envenenando-os de pouquinho, para que morressem por dentro sem sequer perceber. Agora, curados dessa relação, podiam voltar a ser o Sasuke e a Sakura que eram antes de tudo. Não funcionavam num romance, mas gostavam um do outro.

***

Como era feriado, havia combinado de encontrar Naruto durante a tarde. Estava conversando com Itachi no telefone quando escutou a campainha do apartamento. Ele andava visitando tanto o apartamento de Sasuke que o porteiro já o reconhecia, sequer interfonava pra avisar. Dispensou o irmão rapidamente e foi atender a porta.

— Chegou meio tarde — disse quando a abriu, com um loiro se agarrando em seu pescoço.

— Você que tem mania de chegar cedo demais nos lugares.

— Se chama responsabilidade — retrucou empurrando Naruto mais pra dentro e trancando a porta atrás deles — Eu odeio esperar, sabia?

— Xiu, para de ser chato. O importante é que eu tou aqui. Você não ia morrer de saudade por causa de vinte ou trinta minutos.

— Como pode ter certeza? — perguntou, aproveitando que ele ainda mantinha os braços ao redor de seu pescoço pra levantar ele do chão levá-lo na direção do quarto.

— Pelo jeito você tava definhando mesmo aqui sem mim. — Provocou rindo e se ajeitando em cima da cama que Sasuke tinha acabado de colocá-lo. — Não vai nem me oferecer uma bebida antes?

— Eu não tava definhando, mas esse tempo que você me deixou esperando vai ter suas consequências. — disse sentando-se no colo de Naruto e beijando-o em seguida.

— Consequências? —murmurou com a boca ainda grudada na dele.

— É, consequências — sussurrou no pé do ouvido do namorado enquanto puxava a base da camiseta dele pra cima.

— Porra, Sasuke eu nem cheguei. — disse rindo da situação.

— Pelas minhas contas você chegou há trinta minutos, o que significa que a gente já pulou o papo furado e veio pro sexo. Alguma objeção?

Naruto ergueu um pouco o tronco pra facilitar a retirada da peça de roupa que Sasuke ainda segurava, em seguida puxou também a camiseta dele, percorrendo o abdômen pálido com os dedos.

— Você é tão romântico — ironizou.

— Sou, e você é lindo...

Sasuke não conseguia se impedir de admirar o torso de Naruto, mesmo já tendo-o visto tantas vezes. Adorava as formas do corpo dele, a maneira como a pele permanecia no tom de dourado que fez com que ele reparasse nele a primeira vez que se viram ainda na infância. Adorava os pelos loiros que cresciam escassos em volta do umbigo dele até desaparecer dentro das calças que logo, logo, ele retiraria dali. Adorava até mesmo as cicatrizes que ele trazia nas laterais embaixo do peito, marcas da luta que ele havia corajosamente travado consigo mesmo.

Voltou a beijá-lo intensamente, trilhando com os lábios todo o percurso disponível entre a boca e a orelha, descendo pelo pescoço, voltando pro queixo até trocar de lado, para atender igualmente a maior quantidade de Naruto que sua boca conseguia alcançar.

Ele se levantou para tirar Sasuke, que montava em seu colo com as coxas nas laterais de seu corpo, e deitá-lo na cama.

Sem desgrudar os olhos dos dele usou as próprias pernas para abrir a do companheiro ainda mais e puxar de uma só vez o short e a cueca que ele usava, aproveitando para massagear com força ambas suas as coxas antes de encaixá-lo novamente em sua cintura.

Voltou a beijá-lo, era impossível manter suas bocas separadas mais que três segundos, especialmente quando estavam com tesão. Sasuke era sensível perto da orelha, o que tornava uma das maiores diversões pra Naruto percorrer a região levemente com a língua ou com os dentes, pra ver as bolinhas de arrepio subirem em sua pele. Encaixou uma de suas pernas entre as dele e sentiu com nitidez sua ereção quando ele passou a esfregar o quadril ritmadamente em suas coxas.

Com certa impaciência, Sasuke pressionava cada vez seu pau de encontro as pernas de Naruto, se remexendo embaixo dele, usando as mãos fortemente seguras em seus ombros como apoio. Decidido a dar um pouco mais de atenção pro companheiro, puxou o elástico da calça que ele usava, livrando-o da roupa, aumentando assim o contato de sua pele com a dele e ganhando espaço pra explorar o corpo bronzeado um pouco mais.

As mãos de Sasuke apertavam firmemente sua bunda, trazendo seu quadril com mais intensidade em sua direção. Sabia, assim, o quanto ele estava necessitado de contato. Afastou-se dele, se ajeitando um pouco mais pra beirada da cama, deixando o rosto na altura de seu sexo.

Sasuke abriu um pouco mais as pernas em expectativa e acariciou brevemente os cabelos do namorado numa forma de incentivo.

Naruto passou a língua com gosto ao redor do pênis de Sasuke, deixando uma trilha de saliva para facilitar os movimentos que faria com a boca em seguida.

A movimentação dos lábios num vai e vem ritmado, combinados com uma massagem leve nos testículos faziam as pernas de Sasuke tremerem e sua voz manter-se longe de sua garganta.

Percebendo após um tempo que a sua era a única voz que ouvia interrompeu a ação de Naruto, invertendo suas posições. Queria escutar ele gemendo também. Posicionou ele bem deitado na cama, trazendo as pernas dele para seus ombros e mantendo suas mãos apoiadas por baixo das coxas do namorado. Beijou a parte interna de sua perna, chegando ao osso do quadril e descendo novamente até a região pélvica. Acariciou com umas das mãos a área por completo, apreciando a textura macia dos pelos loiros em seu púbis, antes de afastar um dos lábios de sua vagina com os dedos e passar gentilmente a língua pela região descoberta.

Beijava a vagina de Naruto como se simulasse um beijo lento em sua boca. Engolia a umidade do sexo dele com o gosto de quem sabia que estava fazendo seu parceiro delirar. Contornava o clítoris dele com a língua para prendê-lo entre os lábios com delicadeza, tentando ao máximo de se aproveitar da sensibilidade do local, sem tornar a ação excessiva. Percorreu com um dos dedos o corpo de Naruto até localizar a entrada dilatada de seu sexo, introduzindo com cuidado um dedo de cada vez, parando no terceiro e sincronizando os movimentos de sua mão com sua língua.

Sentia os dedos dos pés dele contorcendo-se em suas costas, enquanto o lençol era solto por completo das laterais da cama por mãos descontroladas. A expressão contorcida em seu rosto e as palavras murmuradas initeligivelmentes davam a Sasuke a certeza de que estava no caminho certo.

Naruto sabia que estava no limite, tentou apenas murmurar pra que Sasuke não parasse, mas só uma parte das palavras saíram com o mínimo de coerência, o restante foi apenas um gemido esganiçado e meio preso, quando seu corpo foi atingido por uma onda de calor intenso e um prazer que fazia seus músculos retraírem.

Sasuke esperou até que os espasmos das pernas que Naruto mantinha em volta de seu pescoço diminuíssem antes de se afastar aos poucos, deixando ainda beijos na extensão de toda a virilha sensível pelo orgasmo. Demorou-se um pouco mais em seu umbigo, antes de ter o rosto puxado pelas mãos de Naruto, que o encontrou num beijo molhado envolto num sorriso satisfeito.

Deitaram com o peito apoiado um sobre o outro, aguardando um segundo para normalizar suas respirações, sem nunca deixar de distribuir pequenas carícias aonde suas mãos, boca e narizes se encostavam.

Sasuke se ergueu pouco pra voltar a devorar a pele que havia entre o pescoço e ombros do namorado, usando uma das mãos pra acariciar os mamilos dele, na intenção de fazê-lo se dividir entres as sensações variadas.

Naruto, com o corpo ainda levemente pesado, dirigiu uma mão até a ereção de Sasuke, massageando-a devagar, mas com certa pressão no toque.

— Se você continuar me apertando assim a gente não vai terminar — sussurrou entrecortado no ouvido do companheiro, que diminuiu a pressão, mas manteve os movimentos que fazia.

Sasuke ergueu o tronco e se esticou o suficiente pra alcançar a escrivaninha ao lado da cama, sem ter que soltar a mão de Naruto de seu pau. Procurou na gaveta um pacote de preservativos que já sabia estarem lá e uma bisnaga de lubrificante íntimo, que apontou pro namorado antes de pegar.

— Cê acha que precisa?

— Não, eu tou encharcado. — Ele ergueu o corpo na direção do pênis de Sasuke, voltando a colocá-lo na boca brevemente. — Dá aqui. — Estendeu a mão para que ele entregasse a camisinha. Colocou-a nele com auxílio da boca, antes de deitar-se de novo e abrir as pernas convidativamente pro parceiro.

Sasuke se ajeitou entre as pernas dele com cuidado, guiando com o auxílio de uma mão seu pênis até a vagina dele. Como ele tinha acabado de gozar, ele ainda estava dilatado e úmido o bastante pra receber seu corpo sem dificuldade. Se colocou em uma posição onde ambos ficaram confortáveis antes de começar a se mover com estocadas lentas e profundas.

Gostava de transar com Naruto de frente pra acompanhar cada uma das expressões de seu rosto. Adorava reparar em como ele fechava os olhos lentamente cada vez que seu pau ia bem fundo, em como as íris perdiam o foco e os dedos buscavam um apoio que nada naquele quarto além de suas costas era capaz de dar.

Aumentou um pouco o ritmo pra atender a necessidade que seu próprio corpo lhe pedia, mas sem jamais tornar o gesto brusco. Não tinha motivo pra pressa, Naruto era seu e estaria ali a noite toda, poderia curtir com calma cada sensação que estar dentro do corpo dele lhe proporcionava.

Depois de alguns momentos Naruto empurrou o quadril de Sasuke pra que ele se afastasse e virou-se de costas, puxando ele novamente pra si. Continuavam deitados um sobre o outro, estavam cansados, trabalham durante a semana, sexo confortável acabava sendo a melhor opção. Não queriam uma aventura de adolescente, queriam apenas aproveitar o máximo possível a presença um do outro, o corpo um do outro, as carícias um do outro, não importava se nos ouvidos de alguém parecesse monótono.

Aumentou um pouco mais o ritmo dos movimentos quando sentiu que seu orgasmo também estava próximo e calou-se com os lábios na parte de trás do pescoço de Naruto num impulso do qual se arrependeria assim que percebesse que o gesto deixou o companheiro marcado. Relaxou o peso de seu corpo em cima dele, deitando a cabeça em suas costas até que suas respirações normalizarem outra vez.

Alguns momentos depois Naruto se afastou com cuidado de baixo de Sasuke, levantando e indo até a mochila que havia levado e pegando uma muda de roupa.

— Pode ficar aí até eu voltar, não vou te fazer levantar pra cozinhar pra mim.

— Pede pizza. Você sabe onde tá o telefone. — Respondeu afundando o rosto no travesseiro que até então estava servindo de apoio pra Naruto e que ainda mantinha o cheiro dele.

Quando a pizza chegou, ambos já estavam limpos e vestidos. Naruto estava deitado no sofá com Sasuke sobre seu peito, percorrendo com um certo desgosto o catálogo de filmes do aplicativo na TV.

— Só tem tranqueira pra assistir, eu devia cancelar minha assinatura — Sasuke resmungou.

— Atende a porta, vai. Eu vou pegar uns pratos. — Empurrou o namorado pra conseguir se levantar.

Sasuke se levantou reclamando que em apartamento a pizza não chega na porta, mas na portaria, que é longe, mas Naruto nem chegou a escutar.

Quando retornou, o encontrou com Miyuki no telefone, perguntando se ela tinha comido, feito dever de casa e mandando ela não ficar muito tempo na internet antes de dormir. Coisas de pai. Puxou o telefone da mão de Naruto por um momento apenas pra dizer pra menina fazer tudo o que o pai estava mandando, que ele sabia o que era melhor pra ela e desligar o aparelho.

— Põe logo num episódio de alguma série repetida, não é como se a gente fosse realmente prestar atenção — Naruto sugeriu vendo o namorado voltar a sua sina com o controle da Tv, antes de se servir com as mãos de um pedaço da pizza, ganhando um olhar de extrema reprovação de Sasuke.

O moreno sentou-se ao lado dele com sua pizza em um prato, com talheres nas mãos e comeu o encarando como se dissesse “é desse jeito de se faz em civilização”. Pro seu desespero, Naruto tomou aquilo como uma competição e passou a comer de forma mais indigente ainda.

Passaram os próximos seis pedaços se provocando por causa da pizza. Depois passaram alguns episódios de série se provocando por causa de besteiras do filme. Aí vieram alguns meses se provocando por causa dos hábitos um do outro, e alguns anos de provocação por causa da sensação de nostalgia que a discussão de brincadeira lhes causava. E se tivessem algum controle sobre isso, passariam as próximas vidas no mesmíssimo jogo.


Notas:

O plot dessa fanfic foi a sugestão de um membro do grupo Família SasuNaru. Como tinha elementos bastante complexos, eu acabei tendo que espremer um pouco, já que estou sem a disponibilidade mental e de tempo para mais uma long. O ritmo de leitura é mais próximo de uma crônica do que de um texto narrativo mesmo, mas acredito que tudo o que é essencial foi mostrado. 

O lemon do final é meio desnecessário, mas eu queria muito escrever pra mostrar pra vocês que um homem com vagina é só um homem como outro qualquer, que escrever um lemon entre um cara cis e um cara trans é possível e natural. É o lance da fábula que eu citei na fanfic Amigo Anônimo, lembra? Eu gosto de dar informações certas sobre trans com minhas fanfics e quebrar stigmas negativos que o povo constrói por aí. 

Acredito que o resultado foi bacana, foi bem complicado fazer tudo em um capítulo só, mas até que deu certo. O que vcs acham? 

March 6, 2018, 1:39 a.m. 5 Report Embed 19
The End

Meet the author

Nactis Aoneko Chato; Transativista; Cosplayer; Artista; Ficwriter; Viciado em SasuNaru; Viciado em Promptis; Pai dos menininhos Prompto e Sasuke. Casado com Loki de Asgard.

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Alicia McAlister Alicia McAlister
Oi meu amorzinho sz eu enrolei um pouquinho, é verdade, mas ó, finalmente vim ler como eu tinha prometido. A gente lerda pra fazer, mas a gente faz (?). E olha só esse Nat escrevendo SasuSaku * apanha * "sendo a metade disso dormindo do meu lado" ew... meus olhos sweeties. Não arrumou ninguém mas poderia ter arrumado a In-ta, parei. Nossa seria meu sonho a Sakura decidindo isso no canon, olha as oportunidades que você perde Kishimoto. Isso aí Sakura, pelo menos na fic tenha amor próprio meu anjinho. Que imagem dos infernos SasuSaku velhos segurando na mão enrugada um do outro, porque você me faz ler essas coisas Nathanael. (Btw, esse é meu jeitinho de demonstrar amor a uma fic, só ver meus comentários em Prometido que 90% do comentário é xingando o Sasuke e o Deidara, liga não rs) "Sasuke não tinha muitos amigos nem era acostumado a sair de casa" ou seja, Sasuke sou eu. Que inversão nos papéis ver o Sasuke tentando encontrar o Naruto, deveria levar 3 anos, só acho (mentira deveria não), mas é bom né hein hein hein proce ver só. Ai tão linda a minha Kushina szszszsz só podia ser né. Ai eu tô rindo mto do Sasuke fazendo papel de idiota kaosksoskosksoa Deus me perdoa, mas quando você já sabe fica engraçado. Er, Sasuke faz bastante tempo mesmo, tipo muito, um tempo pra caralho pelo visto kaoskosksosksosksoa Eu tô rindo imaginando as várias expressões faciais do Sasuke. A habilidade de manter a cara de "nada" inabalável deve ter ficado só pro Itachi mesmo *foge Naruto's be like: que foi nunca viu não. Itachi era homossexual e namorava seu primo Shisui * apanha mto * MIM DEIXA ENFIAR O MEU OTP EM TUDO! Alguém diferente assim, oxe, o que tem de tão diferente meu anjo, explica pra mim. Uma pessoa tão normal quanto qualquer outra, caia pro pau. Mas tudo bem, eu sei que você está confuso e precisa aprender, então vou deixar passar. Não mudou tanto assim pq continua sendo a mesma pessoa ¯\_(ツ)_/¯ Rindo do discurso de reencontro do Sasuke. E aí como eu amo o Itachi kaoskosksosksosksoa o Itachi e o Obito rivalizam muito dentro de mim pq se alguém colocar uma arma na minha cabeça e falar escolhe eu mando atirar logo kaoskosksosksosksoa E rindo do coitado do Sasuke todo desajeitado na vida kaoskosksosksoa Eu esperando que hora o Sasuke vai descobrir que é papai rsrsrsrsrs uma surpresa atrás da outra né Saskinho, qm manda dar uma de Renatinha e ir ser stalker. "Tou bonitão agora não tou?" Kaosmsomsosmsoskao como eu amo o Naruto tb sz RINDO MUITO DO SASUKE TENTANDO SER NO HOMO BRO KAOSKOSKSISKSISKSOKSKSKSOA "Odeio ter que dizer isso pro seu ego masculino" KAOSMSOSNOSKSKSKSOSMKSNSKSNAK JOGA NA CARA DELE NARUTO!!!! "Na verdade eu não sentia nada porque ela namorava você e tinha quinze anos na época" VRAU!!!!!! DOEU AQUI EM MIM ESSE TAPA NA CARA. O marido é o Shisui. Tanto faz porra nenhuma, da na cara dele Itachi! "Você tem uma cara bonita, uma voltinha numa balada a noite" kaosksoksosksoa aí como eu amo meu filho debochado "Você namoraria um homem com peitos?" "Se o cara fosse o Shisui, sim" KAOMSOSKSLKSOSKSKSKLSMALA EU FIQUEI MEIA HORA OLHANDO PRO MEU TETO ENQUANTO AS LAGRIMAS ESCORRIAM DO MEU ROSTO E EU CONTEMPLAVA O QUANTO EU AMO MEU OTP E QUERIA ESTAR MORTA Desculpa, eu sei que o foco é SasuNaru mas ShiIta é meu ponto fraco ok. Ainda fez um discursinho eu tô muito triste kaoskosksosksoa mas é isso aí Itachi!!! Joga tudo na cara dele, joga!!!! "Eu tinha brincos nas orelhas e escutava Avril Lavigne" kaoskosksosksosksoa eu quase engasguei com a batatinha "Pra ser sincero, as pessoas me acham um amor" kaoskosksosksosa eu inclusive <3 ALA chegamos na parte boa * insira uma risada maléfica aqui * Aham ele engravidou de um outro cara por aí, sim, foi exatamente isso que aconteceu k "A mamãe agora é o papai" DEUS ME PERDOA POR TER RIDO DISSO, QUE ERRADO MAS É QUE EU IMAGINEI :x De novo Itachi sendo o inteligente e não choca ninguém. "Eu não quero me casar com você" KAOSKOSKSOSKSOKSOSKAOA E o Sasuke já chega assim chamando de nossa garota, nem tenta sondar primeiro nem nada, só tiro porrada e bomba (?). Eu não sei se eu fico com mais raiva do Fugaku ou se eu fico com raiva do Sasuke por resolver ser babaca agora. Isso ae Naruto, bota moral nessa porra! "Confunde menos do que a sua" uuuuuuuuuuhhhhhhhh #5ªserie "O outro pai era um sinal de fumaça" jaisnosjskskaokaoaa tipo no canon * apanha * Agora sim o Sasuke está indo bem, muito bem. sz Amontoado nerd com vício em gatinhos kaoksosksoskosksos "Meu irmão acha que eu nem sou hetero" porque ele é inteligente. Kaosksoksosksoa mas ah que bonitinho o Sasuke tentando racionalizar todo e o Naruto já nem escutando mais kaoskosksosksosksoa "Tinha uma filha e não fazia a menor ideia de como ser pai" tipo no cano-ta, parei. Coitados de MinaKushi com aquele receio de isso dar merda pro Naruto kaoskosksoskosa Eu tô rindo do pouco que levou pra eles voltarem ao normal kaoskosksoskoa eu amo um único casal de héteros szszszs "Só porque eu sou trouxa" é né de fato quando se coloca dessa forma... "Provavelmente é a Yuki esperando a gente se beijar" KAOKSOSKSOSKOSKSOSKOS só faltou o Itachi espiando junto O Sasuke babando no Naruto é meu maior kink sz A Sakura caminhando com a Ino hmmmm hmmmmm * apanha * Adoro fanfics onde a Sakura e o Sasuke são amiguinhos, melhor coisa sz Olha só o Sasuke já tá até passando sermão nos outros pra defender o boy, que bonitinho. Que bonitinho também ele esperando a menina chamar ele de pai kaosksoksosksoa Ver o filme só pra depois ficar pondo defeito na adaptação é algo que eu adoro fazer. Eu sei como a Ino está te mantendo firme no cami- *apanha* tá eu juro que parei agora. E mesmo que você diga que o lemon foi desnecessário a gente gosta de ler assim mesmo *aquela carinha* Mas ah! Eu gostei muito muito mesmo da fic, é maravilhosa mas isso nem surpreende mais. Eu enrolei pra ler, mas quando vim ler mesmo tb não parei até acabar porque a história envolve mesmo e você escreve tão bem que me dá vontade de te bater oqksokwowmwoskoaa sério, foi incrível mesmo! sz e logo mais vou ler as outras. Beijoes!
Aug. 5, 2018, 1:49 p.m.
Luh Hander Luh Hander
Eu li essa fanfic no social spirit e eu amei demais! Sem palavras pra essa maravilha!
March 8, 2018, 8:40 a.m.
Alice Alamo Alice Alamo
O plot é muito bom e você abordou o pedido da leitora queria de uma forma bem tranquila e que não soou inverossímil ou fora da realidade. A leitura dos fatos foi de fácil assimilação, e a sua escrita não tem erros (pelo menos não me lembro de ter visto). Sem contar que é o que já deve saber, sua escrita é articulada, a gente não fica lendo repetições ou metáforas/comparações esquisitas. Outra coisa legal é que você aborda sobre trans com facilidade, ao menos na fic parece isso, e fica bem mais de boa ler, não há gafes nem nada do tipo. Ressalto novamente que, se a fic fosse mais longa, daria para abordar com mais profundidade os tópicos que falamos no face; fora isso, ficou muito boa <3
March 6, 2018, 11:01 a.m.
AnnyeCS AnnyeCS
Calma, me deixa respirar porque o tiro foi certeiro! AAAAHHH MEU QUERIDO! EU SIMPLESMENTE AMEI! De verdade, de todo meu coração. Mas vamos por partes né? . Eu amo a Sakura e vou protegê-la, e não tem coisa melhor que ela poderia ter feito, divórcio não quer dizer que você deixou de amar o outro, ou que encontrou outra pessoa. Quer dizer que pra tudo existe um limite, e que o dela chegou, só amor não mantém relação, principalmente quando o amor (romântico) é unilateral, porque eu acredito que, ao menos aqui, o Sasuke ame a Saky, mas como uma amiga querida que ele vai levar pra vida toda. E minha linda toda madura terminando o relacionamento super de boas, sem tretas, sem rancor. Meu sonho de princesa. Achei tão lindo que você colocou o Sasuke sentindo falta dela, de algumas ações, de alguns hábitos, foram o quê? 5 anos de namoro e 5 de casamento? (Foi o que eu entendi) é muito tempo, é uma vida, é normal essa estranheza. E oh pai, é assim que a gente acha as pessoas hoje em dia, pelo face (um obrgd ao Mark), esse Sasuke que não tem a menor sensibilidade social é tão eu ❤, conversar sem olhar na cara da pessoa é tão bom, tão fácil, nem parece que é um filme de terror fazer isso olho no olho. E ah, eu não entendo muito de transgeneridade, então eu meio que entendo o nó na cabeça do Sasuke quando ele começou a querer entender melhor, a diferença entre eu e ele é que eu não fico batendo cabeça. "Se ele tá dizendo que é um cara, então ele é um cara." É pronto, cabô. E eu amo o Naruto, quem vê esse bebê que parece ter parado nos 18, nem imagina que é um psicólogo, meu bebê, parece um delinquente, meu sonho de princesa quando tiver 30. EU AMO O ITACHI! (tenho um leve ranço dele no anime okay? ) MELHOR PESSOA! SHIITA AÍ MEU CORE! Num guento isso não! Mentira, aguento sim, pode mandar. Ah coisa linda essa conversa do Sasuke com ele, acho que é uma das poucas pessoas com quem o Sasuke deve conversar como um ser humano. Sasuke pirando na maionese porque namorou um cara lá nos primórdios da adolescência. Eu fiquei tipo "Mano, cê tem uma heterossexualidade frágil né. ". Felizmente não é isso não, ele só tava confuso com a situação toda, que é muito nova pra ele. É ooooooohhhhh quando li que ele viu a foto da Miyku (?), fiquei "Eita porra, é agora que ele vê as semelhanças e surta. " Mas non, ele foi sentir a dor de cotovelo por achar que o Naruto não sentiu falta dele, e ficar se questionando mil e uma coisas sobre como o Naruto explicou pra filha sobre a transição fiquei com vontade de falar pra ele. "Meu amor, crianças entendem as coisas melhor que adultos, quem fode as coisas são adultos, olha aí você.".Sinceramente, deu vontade de dar na cara dele quando ficou dizendo que o Naruto era a "Mãe". Meu filho, há te foi explicada tanta coisa é tu ainda insiste nisso eu hein. E SIMMMM, FAZER O FILHO NÃO QUER DIZER QUE É PAI! O Naruto é pai, o Sas naquele momento é o um estranho pra menina. Lindo, te juro que eu achei que quando o Sasuke saísse daquele restaurante ele iria tirar satisfações com o senhor "Fugaku pau na cu". Culpa dele o Sasuke não ter participado da vida da filha, esse babaca, imagina só o que o Naruto deve ter sentido em achar que tinha sido abandonado grávido? Que agonia. Seja mais revoltado Sasuke, não seja pau mandado do pai, viu a merda que ele fez! HAHSHHAHSHSHAHSHSHSGSGSHSGSSG DESCULPA MAS EU RI SEM RESPEITO ALGUM DO DESESPERO DO SASUKE NA CASA DO NARU.HAHAHAHA Tadinho , senti dó dele, imagina ter senhor Minato e senhora Kushina te olhando como se fossem servir seu coração assado no almoço como prato principal? Eu também me desesperaria, sério. E ahhhh fiquei tão ansiosa quanto o Sasuke quando o Naruto apresentou o os dois, fiquei senhor e agora? O que que faz? O que que fala? Alguém ajuda essa criatura! Aí vem o narulindo sendo o lindo que ele é hshahaha. Kushina é uma linda, acho que o sonho dela é ter o Sasuke como genro. Hahahah. E oh god, alguém me salve desse papo pré beijo. E esse beijo sendo espiado pela filha hahahah. Concordo com o Naruto, quem nunca foi trouxa sabendo que seria trouxa. Quem nunca né? . Ah Nat, seu lindo, achei lindo, lindo muito lindo essa conversa com Sakura! Vou deixar ela guardada no meu coração! Coisa linda se separar/divorciar/terminar e serem amiguinhos que conversam sobe tudo e faltam fazer tranças nos cabelos um do outro. Acho super chique, o mundo tem que aderir a isso, de verdade. E essa rotina deles como casal e com a filha é tão linda que eu e faltei babar enquanto lia! E HOHOHOHO HOHOHOHO TEVE LEMON! EU NÃO ACHEI QUE FOSSE TER LEMON, FIQUEI SURPRESA, PORÉM MUITO GRATA! ADOREI LER ESSAS SAFADEZAS ALTAS HORAS DA NOITE! Meus bebês esbanjando saúde né? Coisa maravilhosa. AAAAAAAHHHHHHHHHHHHH SIMMMM! PENTELHEM A VIDA UM DO OUTRO PRA SEMPRE SIM, SE AMEM MUITO, CONTRUAM ESSA VIDA MARAVILHOSA LINDA E CHEIA DE DESVIOS PRA SEMPRE! Aí que coisinha linda se ver a noite. Nat, meu querido, você salvou minha noite com essa fanfic, não, COM ESSE HINOOOO, eu tô muito grata por essa fic, mesmo. Eu só falei sobre o que eu mais gostei, mas no todo, MDS tá muito linda, muito tudo de bom. Um bjo cheio de amor no coração!
March 5, 2018, 9:37 p.m.

  • Nactis Aoneko Nactis Aoneko
    Aaaaaaaaa que comentário mais lindo, tô morrendo 💜 Cara, meu objetivo na vida é acabar com as fanfics onde a Sakura é vilã e transformar ela na bff do Sasuke. Sobre as conversas do Sasuke com o Itachi, eu sempre tento passar o máximo de informação real ao escrever sobre transgeneridade. Tanto nessa fic, quanto em Amigo Anônimo, eu coloquei coisas no plot que era pra ajudar mesmo a pessoa entender um pouco sobre isso. A gente sabe que transgeneridade, principalmente masculina, não tem informação. Você tem que cavar muito e dificilmente alguém que não é trans vai ir atrás disso, então eu tento fazer meu papel no cantinho da representatividade e falar a respeito. O Sasuke faz perguntas que já foram feitas pra mim, a insegurança dele, a confusão com a troca de nomes e tals, são coisas que quem convive com um trans e acompanha essa transição passam. E aí ele tem que entender isso do zero ao mesmo tempo que tem que digerir uma paternidade do nada, é normal as coisas ficarem confusas. A gente, que é trans, não se importa muito quando a pessoa se sente confusa ou erra um pronome, se a gente vê que ela tá se esforçando pra entender e acertar. O lance com o Fugaku é complicado, eu acabei não pondo na fic pq o plot já tem vários elementos difíceis de trabalhar e pesados, e eu não queria que ficasse uma fic longa. Eu preferi focar na decisão do Sasuke com a filha do que na decisão dele quanto ao pai. O lemon foi mais um teste. Sei lá, eu vejo que as vezes as pessoas tem receio de escrever uma fic mpreg, por exemplo, com um homem trans por certa insegurança de tipo "como um homem com vagina faz sexo?". E eu só quis mostrar que ele faz como todo mundo. Quando eu e a Camy estávamos trabalhando em quid pro quo a gente teve uma conversa importante sobre trans e que me fez ver um pouco a coisa sob a ótica de quem não tem tanto contato assim e percebi que a maior dificuldade é ver que uma pessoa trans é só uma pessoa e que ela faz tudo que uma pessoa faz. Então é isso, eu tô aqui pra por o máximo de pessoas possível em contato com essa realidade. Fico feliz de conseguir esse tipo de receptividade pq é uma coisa maior aqui, sabe. Muito obrigado de verdade 💙💙 March 6, 2018, 4:09 a.m.
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