O Amor Que Atravessou O Tempo Follow story

hiro-hamada3921 Hiro Hamada

Há muito tempo, a Vida e a Morte haviam se apaixonado - mas elas não podiam ficar juntas.


Short Story All public.

#Life #Fantasy #Romance #Drama #Death #Eternal Love
Short tale
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Amor Eterno

Há muito, muito tempo, a Vida e a Morte haviam se apaixonado perdidamente, mas elas não podiam ficar juntas.

Ambas eram paralelas demais: a primeira fazia nascer novas almas e a segunda levava embora as velhas almas. Por toda a eternidade, houve uma barreira inabalável entre a Vida e a Morte, e elas permaneceram em lados opostos se observando e se contemplando na distância.

A vida era instável e transitória. Estava sempre numa constante bipolaridade de loucuras e adversidades. Ora era bela, ora era terrível. Ora era feliz, ora era triste. Ora era fantástica, ora era monótona. Mas este leque de surpresas infinitas jamais mudou o seu amor pela Morte.

Já a Morte sempre passava uma imagem de cruel e sombria. Sempre aparecia nos momentos mais felizes e era onipresente nas piores atrocidades. Mas a verdade é que ela só era curiosa e sua frieza e indiferença jamais mudou o seu amor pela Vida.

Sendo assim, a Vida e à Morte apenas se limitavam em se amar de longe. Elas ansiavam pelo toque uma da outra. Queriam desfrutar de sua companhia eterna, mas ambas sabiam que eram forças opostas demais para poderem se conectar e consumar o seu amor proibido. Então, tudo o que restava às duas era ficar na imutável distância que lhes causavam a dor de jamais terem uma a outra.

Porém, certo dia, a Vida teve uma idéia maluca e maravilhosa. Ela refletiu muito e concluiu que se a barreira a impedia de se aproximar da Morte, então ela poderia ao menos lhe enviar presentes de amor através dela. Quando a Morte soube disso, sentiu-se mais amada e mais apaixonada pela Vida. Ambas estavam felizes com essa idéia – elas tinham de se contentar.

Desde então, a Vida passa a enviar incontáveis presentes todos os dias para a Morte, um mais exótico e distinto que o anterior e a Morte guardava todos os presentes da Vida para sempre. Os presentes partiam das mãos da Vida e iam percorrendo uma longa jornada em direção às mãos da Morte. Assim, elas poderiam manter um relacionamento à distância para reduzir a dor de não poderem estar juntas.

A Morte ganhava os mais belos presentes da Vida: uma criança sorridente, um gato dorminhoco, uma sábia anciã, uma árvore florida.

Por milênios, a Vida e a Morte se tornavam cada vez mais apaixonadas. Tudo o que elas queriam era se atirar nos braços uma da outra, se perder em seu olhar apaixonado em pura contemplação emocional e deleitar-se com um beijo de amor que elas jamais teriam o prazer de desfrutar.

Mas a distância estava lá para lembrá-las de que ambas eram ocupadas. A Vida tinha de ensinar à viver enquanto a Morte tinha de levar esses ensinamentos até o fim. Elas eram ocupadas e, sobretudo, opostas.

Mesmo assim, em meio ao trabalho eterno, a Vida sempre arranjaria um lindo presente de amor para enviar à Morte, que o guardaria nas profundezas do seu coração. Por mais que ambas fossem tão poderosas, elas nunca teriam poder o suficiente para atravessar a barreira que as separava por eras e eras.

No entanto, a Vida e a Morte fizeram os seus votos de amor eterno. Confessaram todo o seu amor através dos tempos e muito além da distância entre elas. As duas sabiam que nunca poderiam ficar juntas, mas tinham a certeza de que o seu amor verdadeiro era o laço mais forte que ambas tinham e que podia conectá-las como um todo poderoso e sem fim.

E nos dias e noites de hoje, quando mais uma alma se vai, é apenas a Vida dando um lindo presente de amor para a Morte até porque elas são, de longe, as amantes mais míticas e primordiais de qualquer lenda em toda a existência.

March 5, 2018, 4:53 p.m. 0 Report Embed 2
The End

Meet the author

Hiro Hamada Sou um escritor solitário, cujo único dom, prazer e felicidade são as palavras. Escrevendo, eu fujo dessa terra sombria e me liberto dessa forma estranha. Através das palavras, eu sou livre e imortal. Escrever é gritar em silêncio...

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