Segredos Follow story

lollipopmars Monique Araujo

Porque todos nós temos segredos a esconder.


Teen Fiction For over 18 only. © Todos os direitos reservados a LollipopMars

#fiction #teen #highschool #drugs #original #secrets
1
5100 VIEWS
In progress - New chapter Every 30 days
reading time
AA Share

Um

O som do salto batendo contra o chão de forma rápida e repetitiva era o único barulho no corredor silencioso.
A Sra. Hernandez estava atrasada para a aula do 1º ano. De novo.

Ela sempre estava atrasada.
Seus cabelos sempre estavam bagunçados, suas roupas malpassadas e com um forte cheiro de álcool. Um uísque barato qualquer que ela comprava na loja de conveniências perto de casa.
A meia calça havia começado a desfiar algumas semanas antes, mas ela sequer notara.

Era uma mulher alta e magra, e embora fosse relativamente jovem, as rugas em seu rosto a deixavam com uma aparência velha e cansada.

— Quietos! — Falou ela elevando o tom de voz para se fazer escutar. — Quero todos em seus devidos lugares. Apenas lápis e caneta sobre a mesa. Vocês irão fazer um teste.

De repente, um mar de vozes indignadas tomou conta da sala.
Ninguém sabia daquele teste. Ninguém havia estudado.

A Sra. Hernandez bateu o apagador na mesa algumas vezes, para chamar a atenção da turma para si, e então, quando todos fizeram silêncio ela disse:

— Não me importa se não estão preparados. Deveriam estar! É a obrigação de vocês como o bando de desocupados que são, estudarem e manterem a matéria em dia para qualquer tipo de eventualidade que possa vir a acontecer. Portanto, todos irão fazer o teste, sem mais delongas. — A mulher de meia-idade respirou fundo e abriu a pasta que trouxera consigo, tirando de lá o teste.

Ela sempre fazia aquilo quando brigava com o marido.
Sempre chegava com as roupas amassadas e o os cabelos bagunçados. Com os olhos vermelhos e inchados pela noite sem dormir.

Depois de discutir por duas ou três horas com o Sr. Hernandez, ela bebia aos montes e começava a elaborar uma prova para aplicar aos alunos no dia seguinte. Embora fosse um comportamento bastante frequente e repetitivo, ninguém notava. Era apenas mais uma professora tirana.

E mesmo que ela nunca corrigisse aquelas provas, ela o fazia apenas para tentar não pensar no fato de o marido estar com outra mulher, mais jovem e bonita que ela, naquele exato momento.

***

Depois do teste surpresa de matemática, a Sra. Hernandez se dirigiu à sala dos professores.

Abriu a lata de lixo e lá depositou todas as provas que os alunos haviam acabado de fazer.

— Deveria ir ao banheiro. E sabe... tentar se... recompor um pouco. — O Sr. Robbins era o único professor ali e a Sra. Hernandez não havia notado a sua presença.

Robbins era um homem de pele escura, embora não fosse negro, era o que chamam de mestiço, ou crioulo, tinha cabelos cacheados um pouco a cima dos ombros e usava uma barba por fazer.
Era alto e tinha um porte físico atlético.
Chamava a atenção das alunas ao passar pelos corredores da escola, e de alguns alunos também.
Sempre tinha um sorriso branco e de dentes perfeitos estampado nos lábios, era um homem educado, sempre cumprimentava a todos nos corredores.
Talvez fosse até o mais simpático dos professores.

A mulher olhou para o professor e então dirigiu-se ao banheiro, voltando alguns minutos depois, embora não houvesse nenhuma melhora significativa.

— Se você falasse mais, talvez eu, ou alguém do corpo docente pudesse te ajudar. — Falou o homem tentando puxar assunto.

A Sra. Hernandez, sentou-se em um sofá e então dirigiu o olhar ao professor de história.

— Eu não preciso de ajuda. Nem a sua e nem a de ninguém.

— Uma frase típica de quem precisa de ajuda. — Ele falou sorrindo debochadamente.

— Você por acaso não tem aula agora?

— Eles podem esperar um pouco.

— O diretor irá gostar de saber que você deixa seus alunos sozinhos enquanto tentar puxar conversa sobre a vida alheia. — Ela ergueu uma sobrancelha.

Robbins a avaliou por alguns instantes mais, antes pegar sua bolsa, joga-la no ombro e dar alguns passos para fora da sala, parando antes de fechar a porta atrás de si e dirigir-se para a mulher com um sorriso nos lábios.

— Caso precise, sabe onde encontrar meu telefone e endereço. — Ele piscou para ela e fechou a porta atrás de si.

***

Era hora do intervalo. O barulho de várias vozes falando ao mesmo tempo tornava o refeitório, o pátio e os corredores, lugares, segundo a concepção de Brian, bem semelhantes ao inferno.

O jovem de 16 anos caminhava pelos corredores lotados do colégio em busca de algum canto silencioso onde pudesse comer seu sanduíche feito as presas e que provavelmente havia se desmontado e sujado sua mochila.

— Ei Kinney! — A voz de Tyler chegou aos ouvidos de Brian. — Acho que perdeu o caminho do manicômio! — Uma onda de risos tomou conta de Tyler e de seu grupo e Brian apenas ignorou e seguiu seu caminho para a biblioteca.

A biblioteca era o santuário de Brian.
Era o único lugar do colégio em que podia se esconder até o fim do intervalo.
O único lugar onde Tyler não ia.
Não que ele tivesse alguma rixa com Tyler. Kinney era o garoto esquisito da escola, todos tiravam sarro dele, e Tyler, era apenas mais um na multidão.

Caminhou em passos silenciosos até o fundo da biblioteca e sentou-se no chão, atrás de uma prateleira de livros velhos e empoeirados.
Tirou a mochila das costas e de lá tirou o sanduíche destruído. Remontou-o, da melhor forma possível e começou a comer.

Enquanto ele comia em silêncio no seu canto, passos rápidos foram ouvidos vindo em sua direção.
Brian encolheu-se um pouco mais no canto, escondendo-se de quem quer que fosse.

— Sabe que não podemos nos encontrar no colégio! O que as pessoas iriam pensar de mim? — Era a voz de Joanna Hill, uma garota da sala de Brian.

Joanna era o estereotipo perfeito de garota rica e inteligente.
Ninguém poderia negar que ela não era inteligente, seu boletim era impecável.
Mas talvez o fato de ela dormir com o professor de história ajudasse um pouco.

— Eu sei, mas eu estava com saudades. — Brian pode ver por uma pequena fresta entre os livros, a mão do Sr. Robbins ir por debaixo da saia de Joanna.

A garota não repreendeu o professor, pelo contrário, deixou que o homem continuasse com a caricia por um tempo, enquanto tentava, falhando miseravelmente, dizer que eles poderiam ser pegos.

— Na minha casa, depois das aulas. — Falou o Sr. Robbins e só então afastou a mão do corpo da garota e saiu dali em passos apressados.

Joanna se recompôs e alguns minutos depois da saída do Sr. Robbins, ela partiu rumo a saída da biblioteca.

Brian terminou de comer seu sanduíche e ficou sentado ali respondendo as atividades que haviam sido passadas para casa, até o sinal tocar e ele ir novamente para a sala de aula.

***

Michael estava sentado em uma das mesas de estudo quando Joanna sentou-se ao seu lado.

— Olá. — A garota o cumprimentou com um breve sorriso, seu rosto estava levemente avermelhado, porém Michael não reparou naquilo.

A única coisa em que Michael reparou foi no decote que a garota deixara aberto.
Se em alguma hipótese, Michael realmente fosse quem ele aparentava ser, ele iria pedir que Joanna abotoasse a blusa, porém, a única coisa que ele, tendo a personalidade que tinha, iria fazer, era tentar manter aquela conversa pelo máximo de tempo possível, apenas para apreciar os seios da colega de classe.

— Oi!

Michael era um jovem atraente, usava óculos de grau, embora não precisasse deles, usava-os apenas por achar legal e o faziam parecer mais inteligente, e também porque davam um melhor contraste aos seus olhos azuis.
Os cabelos negros estavam sempre muito bem cortados e alinhados. A roupa bem lavada e passada.
Era um filho exemplar e sempre tirava boas notas.
E embora tivesse tudo para ser o príncipe do cavalo branco de muitas garotas, Michael passava bem longe disso.

— Lembra da Sofia Tucker, do 2º ano? — Joanna perguntou e Lewis assentiu positivamente.

É claro que ele lembrava de Sofia Tucker. Ela havia lhe pagado alguns boquetes no trimestre anterior em troca de um trabalho de inglês que lhe garantiu nota máxima.

— Qual é a matéria da vez? — Perguntou Michael já sabendo onde aquela conversa iria chegar.

— Ela não me disse, falou apenas para você ir na casa dela esse fim de semana.

— Tudo bem. — Dito isso, Joanna sorriu e então saiu da biblioteca.

Michael praguejou baixinho por não ter mantido Joanna por perto mais alguns instantes.

***

— Brian, qual o motivo de você vir aqui se não diz uma palavra sequer? — A psicóloga do colégio, Sra. Taylor, desviou o olhar do saco de batatas fritas por alguns instantes para olhar para Brian.

O garoto estava sentado no sofá de couro falso do outro lado da sala da psicóloga, enquanto a mulher continuava em sua mesa comendo suas batatas fritas.

Brian olhou mais atentamente para a mulher.
Ela era gorda, isso qualquer podia notar. Usava uns óculos fundo de garrafa que deixavam a sua cara ainda mais gorda.
Seus dedos estavam sujos de gordura, e Brian podia jurar ter visto um filete de baba escorrer da boca da mulher enquanto ela comia.

— Brian? — A mulher o chamou, mas Brian só conseguia focar na baba que escorria pela boca da psicóloga.

***

O diretor Willians cochilava em sua cadeira com um donut pela metade em sua mão, quando a porta foi aberta bruscamente por sua secretária.

— Senhor, os pais de Tyler Bennet estão aqui.

O diretor Willians jogou o donut na lixeira e sentou-se corretamente na cadeira e então disse para a secretária que aguardava na porta.

— Pode manda-los entrar.

Alguns instantes depois, o Sr. e a Sra. Bennet estavam sentados à frente do diretor.

— Gostaria que o senhor pudesse me explicar por que eu tive que sair do meu trabalho para vir aqui? — Falou o Sr. Bennet em tom indignado.

— O seu filho, Tyler, vem causando problemas ao colégio. — Começou o diretor. — Tentamos ignorar de início, como bem sabe, são adolescentes! Porém, depois de algumas brincadeiras do seu filho, um de nossos alunos está fazendo acompanhamento psicológico.

O homem pareceu pensar por um instante antes de responder.

— Vocês aceitam alunos loucos e agora querem colocar a culpa no meu filho? — O Sr. Bennet estava calmo, porém seu tom era ameaçador.

— Estamos apenas os colocando a par da situação e pedindo que tentem conversar com o seu filho, para que esse tipo de situação não volte a se repetir.

— Meu filho é um aluno exemplar! — O Sr. Bennet levantou-se da cadeira e estufou o peito. — Jamais causaria mal a uma mosca! E agora o senhor vem dizer que o meu filho está causando problemas? Isso é uma calunia! Uma desmoralização! Quem pensa que somos? Um bando de animais que sequer sabemos como criar adequadamente nosso filho?

O diretor Willians iria acrescentar mais alguma coisa, porém, o Sr. Bennet chamou a mulher.

— Vamos querida. — Falou erguendo a mão para a Sra. Bennet. — Não pretendo ficar aqui nem por mais um minuto. — E então dirigiu-se ao diretor. — Tem sorte de eu não transferir o meu filho para uma escola que lhe daria o devido reconhecimento.

Então o diretor Willians apenas suspirou, enquanto a porta da sua sala era fechada.

March 3, 2018, 4:42 p.m. 0 Report Embed 1
Read next chapter Dois

Comment something

Post!
No comments yet. Be the first to say something!
~

Are you enjoying the reading?

Hey! There are still 4 chapters left on this story.
To continue reading, please sign up or log in. For free!

Log In with Facebook Log In with Twitter

or use the regular login form