thay-santana Thaynara Santana

Haviam duas profecias depois do fim da humanidade… “Chegará o dia em que, ao subir da lua de brilho alaranjado no céu, olhos refletindo o dourado nasceram com a criança de pele azul. Trará consigo o fim da jornada da humanidade, nesse dia a terra entrará em caos e desordem perdurando enquanto os olhos brilharem sobre a terra.” “Uma criança humana, carrega consigo a luz que iluminará a escuridão que seu filho seria consumido. Um equilíbrio. A metade que completaria os novos dias da terra.”


#7 in Post-apocalyptic #8 in Medieval For over 18 only.

#romance #comedia #apocaliptico #feerico #elfico
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Um

"Chegará o dia em que, ao subir da lua de brilho alaranjado no céu,


olhos refletindo o dourado nasceram com a criança de pele azul.


Trará consigo o fim da jornada da humanidade, nesse dia a terra entrará em caos e desordem perdurando enquanto os olhos brilharem sobre a terra.”


“Uma criança humana, carrega consigo a luz que iluminará a escuridão que seu filho seria consumido. Um equilíbrio.


A metade que completaria os novos dias da terra.”


ΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩΩ


O som alto das vozes inundou os meus ouvidos assim que empurrei as portas de madeira. Eram diversos tipos de melodias, e eu poderia dizer que ouvi alguns gritos perdidos entre os sons que percorriam o pequeno salão. Murmúrios também faziam parte da onda de sons que me inundou, era como se todas as pessoas que aproveitavam da noite quente estivessem agora em minha cabeça.


Vozes arrastadas de pessoas embriagadas, cheiro de cerveja ruim, música alta entranhada em suas veias enquanto conversavam sorrindo dentro da taverna.


Pelo menos era assim que eu me sentia, por pouco tempo antes do gnomo me cutucar.


Flint resmungava em cima de seu banco, sobre como tudo parecia bagunçado demais ou como tudo o irritava profundamente.


Eram raras as vezes que eu chegava a me importar com as reclamações daquele baixinho, a maioria das vezes em que abria os lábios finos escondidos por suor, ódio e desânimo, eram apenas para reclamar de sua miserável vida naquele lugar em ruínas.


Eu mesma não estava ali por Flint, gnomos não fazem meu tipo e cheguei a duvidar um dia se aqueles nanicos insuportáveis sequer faziam o tipo de alguém.


Um ótimo questionamento.


Mas eu não estava ali por ele.


Dali, onde eu me encostei na madeira escura que Flint se recusava a trocar, tamborilei os dedos tentando conter minha impaciência.


Não era também novidade alguma que, vez ou outra, eu fosse ignorada propositalmente por ele. Não era mesmo a primeira vez que os olhos dourados se esquivavam com tanta fluidez do meu campo de visão, mas ele sabia o quanto isso me deixava irritada e profundamente chateada.


— Você sabe que está encrencada, não é, Christe? — O baixinho chamou minha atenção, eu apenas apoiei o rosto nas mãos e bufei torcendo os lábios.


Encarei meu copo ainda cheio de cerveja ruim e desejei os bolinhos que Merly entregava do outro lado do bar.


— Ele sabe que sou impulsiva e não resisto às ruas sem aquelas malditas sucatas. — Conclui, mesmo não precisando me explicar para ele.


Era difícil encontrar ruas que não tivessem sido danificadas pela invasão da vegetação e das raízes, e eu, quando por acaso tinha essa rara sorte de encontrar uma longa distância plana, a parte aventureira com sede de uma morte lenta e dolorosa, falava mais alto. Então eu sempre acabava indo além do que tinha planejado.


— Tanto faz. Não me importo. — Ele girou o corpo em cima do banco me dando as costas estreitas e curvas cobertas por tecidos sobrepostos.


Eu não tinha muito o que fazer, Merly sequer tinha se dado o trabalho de olhar em minha direção, quando entrei calorosamente por entre as portas, portas tão rachadas que pareciam as ruas da cidade. E ele continuou a bater papo com alguns dos clientes, ignorando completamente a minha existência do outro lado da bancada… como sempre.


Merly estava visivelmente furioso por causa dos meus dias de atraso, claro que eu não fiz aquilo de propósito, no entanto, não fazia parte de mim, perder a oportunidade de extravasar minha liberdade numa rua onde eu não precisava me preocupar em desviar dos carros abandonados.


Ainda mais quando eu conseguia encontrar um ou dois tanques de caminhões, era uma raridade conseguir combustível para a minha moto.


— Não se preocupe com ele, eu não daria nem cinco minutos para que esqueça de que você quebrou de novo a promessa que fez a ele — Meus olhos quase encontraram o espaço entre meu crânio e o cérebro quando reviraram ao ouvir aquela merda.


Mas eu não esperava menos de Amarïe, a provocação com o leve toque de cinismo, uma inconveniência da parte dela e um ciúmes descomunal da minha relação com ele.


Respirei duas ou talvez três vezes tão profundamente que quase pude sentir meus pulmões se abrirem dentro das minhas costelas, girei o banco de couro que estava desbotando o vermelho vivo que estava debaixo das minhas pernas, e sustentei o olhar azulado quase perdido em uma cortina de cabelos loiros.


— Não preciso dar nenhum segundo a ele, Amarïe. — Montei o sorriso mais gentil que a situação permitia antes de continuar: — Sou capaz de esperar que meu irmão me perdoe por ter quebrado as regras novamente. — mordi o lábio segurando o sorriso largo que queria me denunciar.


Eu não tinha o costume de demorar demais com meus compromissos, mas os prédios altos me fizeram aproveitar o silêncio misturado com o bater de asas das poucas criaturas que sobraram na terra: os pombos — criaturas que sobreviveram muito bem pelos anos que vieram além das baratas.


Isso sempre me fazia questionar: como essas criaturas sobreviveram por duzentos anos com as altas cargas de radiação?


Amarïe me mediu como se eu fosse um copo com cerveja ruim e sorriu amarelo, não ia dar a ela o gostinho de me ver mais irritada do que já estava. Merly e eu nos conhecemos a mais tempo que essa magrela cínica, mas na cabecinha de elfa dela, pelo que parecia, ela achava que Merly era o único elfo que existia naquele mundo cheio de criaturas místicas que realmente eram da mesma espécie que ela.


Ignorei satisfeita com o mau humor que causei nela e voltei a apoiar o rosto nas mãos, olhar Merly me ignorar tinha se tornado um ótimo show. Os cabelos azuis quase roxos dele se moviam levemente enquanto servia líquidos coloridos nos copos de vidro que sobraram da civilização anterior, os olhos dourados dele se esforçaram a não olhar na minha direção. Se ele tinha justificativas para me ignorar? Na cabeça dele, sim; eu prometi que não iria demorar dessa vez e foi exatamente o que eu fiz. Minha busca por humanos estava afetando minha amizade com aquele elfo metido.


Mas o cansaço estava devorando meu corpo e o pobre saco de carne humana que ele era, suplicava por descanso. Uma viagem de meses pelas cidades ao redor em busca de alguma pista de que eu não era a última da minha espécie, estava tomando tempo demais da minha vida.


— Ainda não sei porque ele te perdoa todas as vezes. — Eu estava tão concentrada nos olhos dourados de Merly do outro lado do bar que esqueci de Amarïe, eu jurava que ela tinha ido embora depois do que falei.


Gastar saliva para poder responder a ela seria caro demais e eu não tinha resposta para o que ela disse. O rosto pálido dela fazia com que eu fosse quase o contraste dela, com exceção dos meus cabelos brancos — culpa da radiação que minha adorável mãe deixou me afetar ainda em sua barriga.


Desisti de esperar pela atenção de Merly e pulei do banco, além disso, não dava para ficar ouvindo as reclamações daquela elfa carente. Mergulhei no meio da pequena multidão que estava no caminho até a saída e empurrei as portas duplas, ar, era o que eu definitivamente precisava. Minha moto estava parada no mesmo lugar onde deixei e a noite já tinha tomado o céu, atravessei a calçada e encostei no banco de couro tomando coragem para pilotar até em casa.


Se Merly não queria falar comigo, então não tinha motivo para eu continuar esperando por ele ali.


No entanto, o que Amarïe disse fazia sentido e me fez questionar, enquanto fechava os olhos em busca de controle, quais eram os motivos para que Merly sempre estivesse ao meu lado? Nós nos conhecemos por causa da minha moto, bom, não necessariamente por causa dela e sim por causa dos tombos e quedas que ela me proporcionou.


Encontrei essa moto dentro de uma das casas abandonadas que acabei passando a noite, a pobrezinha estava empoeirada no fundo da garagem e me apaixonei por ela no mesmo instante que a vi. Isso foi um ano depois que finalmente pisei na superfície, invadi a casa em busca de abrigo quando uma tempestade caiu sem piedade sobre a terra. Encontrei também algumas roupas que cabiam no meu pequeno corpo e uma cama macia para passar a noite.


No dia seguinte, tentei ligar o monstrinho de duas rodas. Ela ainda guardava um pouco de combustível e foi animador! Ela roncou morrendo logo em seguida e mesmo assim eu a forcei até que ela vibrou e ligou. Foi então que meus hematomas e ossos quebrados começaram a aparecer.


Uma, duas, três tentativas e todas elas resultaram na minha humilhante queda.


Ombro direito deslocado, costas rasgadas por deslizar pelo asfalto depois de ter voado por cima de uma barreira de concreto que dividia as avenidas. Alguns dias depois bati contra um carro abandonado e rolei no chão até bater as costelas contra a guia, conheci Merly nesse dia. Quase entrei em pânico, eu estava morando na superfície da terra a quase um ano e meio até então, achei que estava completamente sozinha. Eu não acreditava nesse tipo de criatura até ver aquele homem de pele azulada e orelhas pontudas, foi um choque quando acordei com olhos dourados fixados abaixo dos meus seios.


Passei semanas num sofá velho e rasgado lutando contra os poderes de persuasão que descobri que ele tinha, tirando os de cura que usou para me deixar em perfeitas condições para quase morrer novamente pilotando aquele monstrinho. Merly era um cara legal, mas eu sentia que a cada dia que passava era ainda mais difícil recusar seus avanços, então todas as vezes que ele chegava perto de mim com um sorriso encantador eu o socava mesmo sabendo que ele era forte demais para meus punhos pequenos.

May 19, 2023, 2:32 a.m. 2 Report Embed Follow story
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Bella Oliveira Bella Oliveira
Amei...
September 28, 2023, 08:48
Usuário Inativo Usuário Inativo
Saudações! Sou membro da Embaixada Brasileira do Inkspired. Gostaria de lhe parabenizar pela Verificação de sua história. Que ela seja apreciada por diversos leitores presentes em nossa comunidade. Desejo-lhe sucesso e felicidade na sua arte!
July 09, 2023, 20:20
~

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