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noexitence _ saturn

— Akutagawa, olhe em volta, você precisa desacelerar às vezes. — Movia o lápis rápido, dando a entender que estava colorindo algo, mesmo que a única cor ali fosse o cinza grafite e um branco meio amarelo. — Oh! Terminei, olha só, o que acha disso? — virou o caderninho de poucas folhas na direção do menor.


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#one shoot #HB!Akutagawa #bungou stray dogs #fluffy #slash #yaoi
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.figo

A brisa do oceano — algo que julgou não saber descrever — acompanhada das pequenas ondas faziam um pequeno estrondo quando se chocavam e tornava esse “encontro” com um antigo conhecido um pouco mais tenso, talvez fosse psicológico. Não culpava os turistas pelos olhares curiosos, talvez não tenha ido com o traje certo pro local, talvez nem se importasse em escolher alguma outra roupa. De toda forma, seu único objetivo no meio de toda aquela natureza viva e incômoda era encontrar um certo suicida.
Dazai era uma pessoa de trejeitos incomuns, talvez por isso as pessoas nunca tivessem de fato procurado aprofundar suas relações com o mesmo sem o envolvimento de um interesse romântico por trás, salvo alguns conhecidos. Akutagawa poderia se considerar um desses que — pelo menos por enquanto. Se sentia satisfeito em estar perto dele, mesmo sendo meio presunçoso assumir que ocupa essa posição.
Quem visse Osamu com um caderno para desenho e lápis na mão — um passatempo que adquiriu entre uma escapada e outra nos seus trabalhos da agência — sem o conhecer, acharia que é o tipo de homem que tem algum talento oculto pra coisa. Aí você veria e seriam vários rabiscos de caráter duvidoso e pensaria que mesmo crianças fazem um céu mais colorido. Isso no mínimo o dava algum destaque na multidão, o suficiente pro cão da máfia caminhar e se sentar no banco de madeira perto da água. Chegou a sentir que poderia abaixar a guarda nem que fosse um pouquinho. Não podia negar sua curiosidade quanto ao que tinha naquele papel, mas procurava se concentrar na textura dos sapatos contra o chão enquanto juntava coragem para iniciar a conversa.
— A sua pele continua branca como essa folha Akutagawa. — Deslizou o lápis mais uma vez e olhou o mais novo de modo discreto e rápido, foi o suficiente para adivinhar seu nervosismo. O menor o olhou, então virou o rosto pra paisagem de novo e acenou em afirmação murmurando um “uhum”.
— Dazai-san, por que me chamou aqui? — Falou soando seguro, e ainda assim suave.
— Preciso de um bom motivo pra te fazer olhar a paisagem um pouquinho? Oras que maldade! — Fez sua costumeira cara de drama, com um sorriso largo e exagerando, acompanhado de suas icônicas poses.
Não tinha muito o que responder, então só ficou olhando algum ponto fixo no horizonte esperando o tempo passar, que nem nos filmes onde o vento machuca a tez alva e faz os cabelos voarem. Era tudo meio úmido, tanto que Akutagawa jurou que ia chover logo quando se acostumou com o cheiro das lavandas que estavam meio — lê-se muito — longe, mas ainda assim espalharam o perfume junto da brisa.
Era um oceano muito grande para uma sensação tão inusitada, era como, talvez, um sentimento de paz em meio a várias coisas que te dão um certo receio. Figo; Acho que pode ser assim. Olha, quando você prova do figo o aveludado da casca faz cócegas, como se estivesse brincando e depois se mistura com o crec-crec das sementes, tipo o nervosismo bom, aquele friozinho na barriga, aí tem a maciez da polpa depois, quando tudo aquilo passou e você fica bem com aquela sensação que antes era desconhecida. Era assim que se sentia com Dazai por perto.
— Parece concentrado nos seus pensamentos. — Osamu disse, se Akutagawa se espichasse um pouco, quase conseguiria ver algumas linhas completas, nada que fornecesse alguma informação.
— Só… pensando mesmo. — Quer mais um motivo pra acreditar que o sentimento e Dazai eram figo? Dizem que os figos têm pelo menos uma vespa morta dentro, mas não quer dizer que isso é ruim; as vespas são engolidas pelo figo e depois se transformam em proteína. Provavelmente, o suicida era feito só de vespas e não de polpa.
Akutagawa estava mais calado que o normal, isso era fato, ainda assim era totalmente surreal, mesmo distraído procurava ficar alerta “Nunca se sabe quando o inimigo vai atacar”. — Você sempre soube que eu não gosto da maré, não é? — Ryunosuke falou olhando para os próprios pés.
— Akutagawa, olhe em volta, você precisa desacelerar às vezes. — Movia o lápis rápido, dando a entender que estava colorindo algo, mesmo que a única cor ali fosse o cinza grafite e um branco meio amarelo. — Oh! Terminei, olha só, o que acha disso? — virou o caderninho de poucas folhas na direção do menor.
— É… interessante — Disse convicto. As pessoas podiam ser idênticas a fantasmas, incluindo ele mesmo, e as construções algo completamente distorcido, mas mesmo assim tudo que vinha do seu ex-superior lhe interessava, além do que, não estava mentindo no seu julgamento. Algo até chamou sua atenção por ser tão igual ao que via, sabe, a água banhava a vastidão mesmo e as ondinhas lembravam cada sentimento ruim que as pessoas sentem, indo e voltando, batendo contra algo e virando nada de novo. Chegou até a sorrir. Era como se um peso que tinha sumisse temporariamente, sentia uma culpa inocente por ter ficado tão despreocupado só com esse seu ponto de vista. E Dazai só riu, uma gargalhada alta e clara, ninguém ali podia dizer se era sincero ou não, todos eram suspeitos para falar de todo modo.
— Feliz aniversário, Akutagawa — Olhou por um tempo pros olhos negros como Rashoumon e largou o caderno em algum canto, começando a olhar pro nada apoiando suas mãos no banco. Akutagawa queria tocá-las, queria mesmo, mas hesitou tanto mentalmente que só apoiou as suas perto das do de olhos amendoados e sentiu que era o suficiente. É, com certeza era o suficiente, então continuou sorrindo até o dia acabar.

March 1, 2018, 3:10 p.m. 0 Report Embed 2
The End

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