Manly Heart Follow story

sunmillion Juliana Lima

"Aquele corpo não era meu, não era. Eu nunca entendi o porquê, mas posso dizer, com certeza, de que eu odiava meu corpo. Odiava meus seios, minhas coxas que começavam a se desenvolver, meu quadril que crescia, a minha… É, era isso. Eu estava totalmente infeliz. Assim como as vezes anteriores, eu começava a chorar com esses pensamentos". Eijirou nunca pensou que o depoimento de seu herói preferido poderia mudar toda a sua vida exatamente no momento em que mais precisou de ajuda, assim como nunca pensou que essa nova jornada pudesse lhe trazer, em meio a tantas dificuldades, pessoas tão especiais que levaria para sua vida. KiriBaku/ Transboy Kirishima


Fanfiction For over 18 only.

#yaoi #Eijirou Kirishima #Boku no Hero Academia #Bakugou #Kirishima #Kiribaku #Bakushima #Bakugou Katsuki #My hero academia
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Prólogo

    — Filha, acorde ou vai se atrasar — Ouvi a voz do meu pai me chamando, dando um baixo resmungo como resposta.

   Chutei as cobertas, coçando meus olhos e me espreguiçando. Filha. Eu não gostava

dessa palavra, se querem saber. Na verdade, tem muitas coisas nessa vida que não me agradam. E não, eu não sou uma pessoa revoltada, insatisfeita com tudo, ou algo do tipo. O problema sou eu. Meu corpo, minha identidade. E não é de hoje que eu me sinto assim.

   Levantei-me, pegando meu uniforme. Saia, sapatilha. É isso que as meninas usam como uniforme, não é? Pois eu não gostava dessa roupa. Eu não me sentia bem, eu não conseguia olhar para ela sem fazer careta. Não era para mim, não me deixava bem. Mas eu precisava usar. Já imaginaram o quão ruim seria? Uma menina usando roupas masculinas? O que os outros pensariam? O que meu pai e meu irmão pensariam? Me vesti. Saindo do quarto, encontrei meu irmão, Tamaki, que me cumprimentou em voz baixa, claramente sonolento.

   — Sorria, Tamaki — Pedi à ele.

   — São seis da manhã, Eiji. Por que eu deveria sorrir?

   — Porque hoje é um novo dia e daqui a pouco você vai ver o Mirio — Sem perceber, meu irmão abriu um sorriso tímido. Mirio era seu namorado. Na verdade, eram amigos de infância, mas começaram um relacionamento pouco antes de adentrarem o ensino médio. Meu pai aceitou muito bem a sexualidade do Tamaki, e trata Mirio como se fosse seu filho.

   Então, por que eu tinha tanto medo de me abrir para eles?

   Quando Tamaki se assumiu, eu fui a primeira pessoa para quem ele se abriu. Ele dizia “Irmã, me ajude. Eu amo o Mirio, mas o que o pai pensaria? Ele gostaria de ter um filho gay?”. Durante meses eu ouvi isso, e sempre estava lá para apoiá-lo e dizer o quão incrível era o nosso pai. Pai solteiro, nunca se casou, na verdade, por isso, somos adotados. E posso afirmar que somos uma família feliz, Taishiro é um pai incrível. Mas eu ainda tenho medo.

   — Heh, tem razão — Tamaki deu ombros, caminhando até a cozinha para tomarmos café.

   — Bom dia, meus amores — Meu pai beijou a cabeça de cada um de nós, sentando-se ao meu lado. Olhou para mim, especificamente para meus cabelos. Eles eram curtos, um pouco acima do ombro, e possuíam a cor preta. — Por que não deixa seu cabelo crescer, Eiji?

   — Ah, você sabe que gosto dele assim — Sorri, sem jeito. Fazia cerca de um ano que eu deixava meu cabelo dessa altura. Me agradava, era prático e combinava comigo. Sei que no fundo meu pai também gostava, mas ele adorava implicar, já que sempre amou ver sua “princesinha” com cabelos longos.

   — Você fica linda de qualquer jeito, sabe disso. É só porque sinto falta daqueles cabelos longos.

   — Quem sabe, um dia. — Respondi, desviando o olhar.

   — Tamaki, nunca vi você comer tanto assim. Algum motivo em especial?

   — Sim… — Afirmou, engolindo uma grande quantidade de comida — Temos uma prova hoje e precisamos estar com a individualidade perfeita. Não quero passar vergonha… De novo. — Rimos em sincronia.

   Eu não contei para vocês, né? Vivemos em um mundo onde possuímos super poderes, e temos escolas especiais para formar heróis. Meu irmão está na U.A., a mesma que eu sempre almejei. Tamaki era popular, apesar de não saber disso. Sua individualidade consistia em fornecer a característica de qualquer coisa que ele coma. Quer algo melhor que isso? Ele pode ter vários poderes de uma vez só, isso é incrível! Meu irmão com certeza será um herói incrível.

   Ao contrário dele, eu só consigo endurecer a pele, nada além disso. Para piorar, eu vejo o universo de heróis como algo muito restrito ao público masculino. Eu tenho medo de me formar e ficar sem espaço por conta de um poder fraco ou por conta da minha insegurança. Como vocês podem ver, eu estou longe de ser uma pessoa satisfeita com o que ocorre em minha volta.

   Terminei o café da manhã e me juntei ao meu irmão, visto que nossas escolas ficavam próximas uma da outra. Geralmente fazíamos o caminho em silêncio, porém justo hoje começamos um assunto. Para estranhar ainda mais, ele partiu do Tamaki.

   — Eiji… Você está feliz ultimamente?

   — E-Eu? — Gaguejei. — Estou, por quê?

   — É que… Desculpe se for algo da minha cabeça, mas você não parece. Eu não quero te pressionar, mas sabe que pode contar qualquer coisa para mim, não sabe? Qualquer coisa, Eiji. — Ele dava ênfase no “qualquer coisa”, me deixando sem jeito.

   — Eu sei que posso, irmão. Só me… Da um tempo, certo? Eu preciso ter certeza do que está acontecendo. — Ele sorriu para mim, entendendo minha situação. Ainda assim, eu tinha medo do que poderiam pensar quando eu contasse o que se passa.

   Pouco tempo depois encontramos Mirio, que logo abriu um sorriso e veio em nossa direção, beijando Tamaki e me dando um abraço. Mirio tinha uma alegria contagiante, parecia que nada o deixava para baixo.

   — Bom dia, meu amor, bom dia, Eiji! Pronto para a prova, Tamaki?

   — Não me pergunte isso, sabe que nunca estou totalmente pronto.

   — Haha, não fique assim, sei que vai dar tudo certo. Se der comigo, vai dar com você. Lembre-se do que eu sempre falo, não é? Você não pode desistir até conseguir, principalmente se você sabe que o resultado vai te fazer bem.

   — Virou poeta, é? — Ambos trocaram um sorriso, e logo eu me senti uma vela. Felizmente, minha escola estava logo em frente. Me despedi do casal, adentrando o local, mesmo contra a minha vontade.

                                                         ~~

   Essa rotina se repetia todos os dias e, sempre que eu chegava em casa, eu tomava um banho. Eu me despia de frente para o espelho, sempre olhando meu corpo.

   Seios.

   Eu não os queria. Eu não me sentia bem com eles. Eu nunca conseguia esconder a minha infelicidade diante daquela cena. Aquele corpo não era meu, não era. Eu nunca entendi o porquê, mas posso dizer, com certeza, de que eu odiava meu corpo. Odiava meus seios, minhas coxas que começavam a se desenvolver, meu quadril que crescia, a minha… É, era isso. Eu estava totalmente infeliz. Assim como as vezes anteriores, eu começava a chorar com esses pensamentos.

   Por que eu tinha de ser tão infeliz com isso? Eu sempre senti como se isso não fosse parte de mim. Como eu ficaria sem eles? Era possível retirá-los? Ainda com esse pensamento, abri o armário onde meu pai guardava o kit de primeiros socorros e peguei a bandagem.    Desenrolei-a e comecei a enfaixar meu busto, apertando os seios para garantir que aquela parte ficasse reta. Quando terminei, me olhei no espelho novamente, sorrindo, pela primeira vez, ao ver meu reflexo.

   Na verdade, eu chorei. Eu via ali parte do corpo que eu desejava. Reto. Sem seios. Sem características femininas, sem isso. O corpo dos meus sonhos. Quantas vezes imaginei meu corpo assim? Eu me virava, passando a mão pelo local sem conseguir retirar o sorriso do rosto. O quanto eu precisava lutar para ter aquele corpo? E foi com esse pensamento que meu sorriso desapareceu. O que meu pai e meu irmão pensariam?

   Eu só tinha quatorze anos. Eu não tinha idade para tomar decisões assim. Onde já se viu, querer tirar os seios? Eu só podia estar pirando. Meu pai jamais gostaria. Meu irmão ia me achar estranha. Retirei a bandagem com rapidez, largando-a em cima da torneira e entrando no banho. Esse ideia era horrível, eu precisava parar com isso e aceitar viver com o corpo que eu ganhei.

   Mesmo que isso me deixasse extremamente infeliz.

                                                                        ~~

   Finalmente, as férias de verão estavam chegando. Eu precisava de um tempo pra descansar, visto que esse era meu último ano “tranquilo” na escola, já que, no próximo ano, eu precisava me preparar para entrar na U.A., o que me deixava com cada vez mais empolgação!

   Por conta do calor, a casa toda estava com as janelas abertas, com exceção da sala, que estava com o ar condicionado ligado no máximo ao lado do meu pai que aparentava ser um cadáver enquanto assistia televisão ao lado do Tamaki, que segurava uma garrafa de dois litros de água.

   — Está vivo? — Ri para ele, que correspondeu.

   — Surpreendentemente, eu estou sim. Estou vendo uma reportagem sobre as dificuldades que muitos jovens estão enfrentando hoje em dia, quer ver? — Assenti, em silêncio, sentando-me no lugar vago no canto do sofá.

   A televisão mostrava uma menina jovem, que dizia sempre ter tido uma vida feliz, os brinquedos que ela sempre quis. A câmera mostrou seu quarto: Rosa, cheio de bonecos de pelúcia, bonecas, maquiagem… Assim como o meu.

   “Eu não uso nada disso”, a menina confessou “Isso não me faz bem, não é o que eu quero”. Eu me sentia assim. Eu sabia o que ela sentia. Ela abriu outra parte do seu armário, mostrando várias roupas mais masculinas. Bermudas, camisetas largas, ternos… Roupas que eu adoraria usar.

   “Você já ouviu falar em transsexualidade?” perguntou o repórter, e a menina negou. Ao lado do repórter apareceu uma mulher, apresentada como uma psicóloga, e logo começou a falar que “A transsexualidade refere-se à condição do indivíduo cuja identidade de gênero difere daquela designada no nascimento e que procura fazer a transição para o gênero oposto através de intervenção médica, podendo ser redesignação sexual ou apenas feminilização/masculinização dependendo do gênero a ser transicionado”, Como é? Eu não conhecia essa palavra. Para piorar, era exatamente como eu me sentia. “É comum essas dúvidas surgirem ao longo do crescimento. Alguns se sentem assim desde criança, e outros vão descobrindo isso enquanto crescem”.

   Disfarçadamente, eu olhei para meu pai, que tinha os olhos encharcados de lágrimas, enquanto Tamaki parecia me encarar com o canto dos olhos.

   A televisão então mostrou várias outras pessoas, desde crianças até jovens e até mesmo adultos. Vários contavam que se sentiam assim e, depois, a câmera focou para outras pessoas. Uma delas me chamou muita atenção: Era Crimson Riot, o meu herói preferido.

   “Eu nasci sendo uma menina. Me criaram assim. Me davam vestidos, saias, sapatilhas, bonecas, e assim eu cresci. Mas, quando tinha quatorze anos, vi que algo estava errado. Não era aquilo que eu queria. Eu não me sentia bem, então, por que continuar vivendo daquele jeito? Eu jamais me arrependi do que eu fiz,” Nesse momento, meus olhos estavam mais encharcados que os olhos do meu pai. “Além disso, na minha época, o ambiente de super heróis era muito machista. Mas, quer saber? Mande-os se foder! Mulheres, homens, crianças, qualquer um pode ser um herói se houver dedicação! Mas, para se dedicar, você precisa estar feliz consigo mesmo. Você precisa se olhar no espelho e pensar ‘wow, eu me amo!’. Se não está assim, converse com pessoas de sua confiança e siga em frente com aquilo que você deseja! E nunca deixe ninguém te botar para baixo. Transsexualidade é, sim, algo complicado, mas ninguém pode pensar que é uma doença, um transtorno mental. É natural e você pode viver muito bem desse jeito, certo?” Eu acabei não assistindo a reportagem até o fim pois, quando me dei conta, eu soluçava, subindo as escadas e me trancando no banheiro.

   O que foi que eu acabei de ver? Aquilo mexeu comigo de uma forma simplesmente absurda. Meu coração doía ao mesmo tempo que batia rapidamente. Retirei minha blusa, novamente encarando meus seios. Tirei o sutiã, apertando-os com força. Eu chorava, soluçava, chegava a sentir falta de ar.

   — Eiji? O que aconteceu? — Tamaki batia na porta, visivelmente desesperado. Eu sentia meu corpo tremer, apertando os seios com cada vez mais forte, chegando a sentir dor. Mas eu não ligava.

   Eu não queria tê-los ali. Nunca quis.

   Ainda soluçando, não tive forças para responder o Tamaki, mas não era difícil ouvir meus gritos.

   — Abre isso ou eu vou arrombar, por favor! — Eu não tinha forças nem para sair do chão. As lágrimas não paravam de vir. Eu peguei as bandagens, que estavam novamente enroladas no armário, e fiz a mesma coisa de antes: desenrolei-as, porém, minhas mãos tremiam, e eu não tinha coordenação para colocá-la em volta de mim. As batidas se tornaram cada vez mais fortes, até que ouvi a porta se abrir.

   — Eiji, o que você… — Tamaki me olhava surpreendido. Eu cobria meus seios com as mãos, tentando evitar qualquer tipo de contato visual com meu irmão. Ele se abaixou, aproximando seus dedos de meu braço lentamente. Inicialmente, eu me afastei, porém, eu sabia que era meu irmão, e eu confiava nele. Tamaki me puxou para um abraço e, nos braços do meu irmão, eu me desmantelei de vez. Em nenhum momento ele me soltou, e eu nem precisava dizer a extrema segurança que meu irmão me transmitia.

   Quando comecei a me acalmar, ele me ajudou a ficar de pé, limpando minhas lágrimas e tirando os cabelos que grudaram no meu rosto. Ah, e por sinal, sim, eu estava com os seios expostos, e isso só fez com que Tamaki me olhasse profundamente e entendesse o que eu sentia. Seu olhar desviou-se para as bandagens que estavam em minha mão, e ele abriu outro sorriso.

   — Você quer enfaixá-los, certo? — Assenti, de forma tímida — Vire-se, eu te ajudo. — Obedeci, sentindo a faixa contornar meu corpo e apertar meus seios do jeito que eu queria. Logo, eu estava ali: O busto reto, sem nada. Eu adorava aquilo. — Isso te faz bem?

   — Sim, faz. — Retribui o sorriso.

   — Ah, finalmente um sorriso. Você fica bem melhor assim, sabia? — Eu ainda soluçava levemente, porém, esse pequeno diálogo foi o suficiente para me animar. — Quando você estiver bem, por favor, venha falar comigo. — Tamaki fez menção de se retirar, porém eu segurei sua mão.

   — Não… E-Eu quero falar agora. — Ele me encarou — E-Eu… Não é de hoje, eu… — Novamente, senti as lágrimas chegarem em meus olhos.

   — Ei, não chore. — Os braços do Tamaki me envolveram novamente. — Eu estou aqui. Eu sei o que você quer dizer, e Eiji, por favor. Eu te amo demais e isso nunca vai mudar. Você foi a melhor coisa que me aconteceu, foi a razão para eu continuar querendo viver mesmo depois da morte dos nossos pais. Eu quero te ver feliz, independente de você ser minha irmã… Ou meu irmão. — Beijou minha testa, se afastando. Eu não tinha como não contar tudo à ele depois disso.

   Respirei fundo, falando tudo, desde o início. Falando o quão infeliz eu me sentia quando me olhava no espelho e via aquele corpo, o quão infeliz eu me sentia por ouvir me chamarem pelo feminino… Tudo era motivo para me deixar para baixo. E, após essa reportagem, tudo passou a fazer mais sentido, e eu me entendia muito melhor após tudo isso.

   — Não é de hoje que eu observei isso em você, sabia? — Eu assenti. Eu sabia que Tamaki via o que se passava comigo, meu irmão sempre foi muito sensitivo, não só comigo mas também com meu pai e com Mirio. — Eu fico feliz que você se encontrou, e quero dizer que estarei ao seu lado durante toda essa jornada, ok?

   — Eu te amo, meu irmão. Muito obrigado por isso.

   — Eu também te amo, irmão. — Sorriu, dando ênfase no “irmão”.

   — Aliás… Cadê o pai?

   — Lá em baixo. Ele pediu para que eu viesse até aqui conversar com você. Vai contar para ele?

   — Não! — Gritei, deixando-o surpreso — Q-Quero dizer… Eu…

   — Eiji — Tamaki me interrompeu — Ele é nosso pai. Ele te ama, e você sabe disso. Quando me assumi, ele foi a pessoa que me deu mais dicas sobre, nas palavras dele, “como mandar os fiscais de cu alheio irem à merda” — Me surpreendi. Nosso pai não era de falar palavrão — Sei que está surpreso, mas sabe como o pai é quando alguém mexe com a gente, não sabe? — Assenti, rindo. Meu pai era capaz de se tornar um monstro só para nos proteger. — Então, acho que é mais do que certo contar isso à ele. Você vai precisar de medicamentos, acompanhamentos, muitas coisas. Eu vou estar com você e sei que ele também. — Concordei.

   Vesti minha camiseta e deixei o banheiro, vendo que Tamaki me acompanhava e, assim que cheguei na sala, meu pai estava sentado no sofá, me encarando. Seu olhar tinha uma mistura de preocupação com curiosidade. De algum modo, eu sentia que ele também sabia o que estava por vir.

   — Pai… — Comecei — Eu quero dizer que… — Quando senti as lágrimas querendo descer, respirei fundo. Senti a mão de Tamaki sobre a minha, acompanhado de um sorriso sereno que me transmitia segurança — Eu não gosto do que eu sou agora, pai. Não gosto do meu corpo, da minha voz, dos meus traços. Não gosto que me chamem por nomes femininos, não gosto de nada que me envolva, atualmente. Eu quero ser um menino, pai. Quero… Quero ser chamado de Eijirou. — Ele não desviava o olhar em nenhum momento — Quero poder usar roupas largas sem que me achem “estranho”, quero poder ter cabelo curto sem que falem que “é coisa de menino”. Mas, o mais importante: Eu quero ouvir de você o que você pensa sobre isso. Eu te amo e tenho uma gratidão imensa por você cuidar tão bem de mim e do Tamaki, você é um pai incrível e a última coisa que eu quero é te chatear, então— Ele cobriu minha boca, me impedindo de falar.

   — Eiji...rou. Quando eu adotei você e o Tamaki, eu estava pronto para amá-los. Vocês cresceram e se tornaram jovens incríveis, e sei que serão adultos da mesma forma. Em nenhum momento eu escolhi amar “um menino e uma menina”. Eu escolhi amar pessoas, meus filhos. E isso vai continuar, Eijirou. Meu amor por você nunca vai mudar. — Eu nem preciso falar que chorei de novo, certo? Eu sei que é difícil ter uma família com a minha. Sei que é difícil que haja uma aceitação como essa, e fico muito feliz por ter pessoas que vão me apoiar. Dessa forma, espero conseguir lutar para que, no futuro, todas as pessoas ajam assim e não precisem ter tantas dúvidas como eu tive.

                                                                        ~~

   Dois anos depois

   — Preencheu tudo, filho? — Meu pai estava mais empolgado do que eu.

   — Sim! — Ergui a folha com um enorme sorriso.

Toyomitsu Eijirou

Sexo: Masculino

Nascimento: 16/10

Individualidade: Endurecimento.

   — M-Meu filho passou na U.A… Eu vou chorar! — Senti seus enormes braços me abraçarem, bagunçando meus cabelos que, por sinal, agora possuíam a cor avermelhada.

   — Já chorou demais, pai — Tamaki o consolava, rindo da situação.

   Enquanto isso, eu não poderia estar mais feliz! Eu estava totalmente empolgado com esse ano, e eu tinha certeza de que conheceria pessoas incríveis que marcariam minha vida para sempre!

   Me chamo Toyomitsu Eijirou, e acabo de entrar em uma famosa academia de heróis!

Feb. 28, 2018, 1:29 a.m. 2 Report Embed 3
To be continued... New chapter Every 15 days.

Meet the author

Juliana Lima Gosto de cultura japonesa e de histórias voltadas ao público LGBT+! Instagram: @sunmillion

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Post!
MP Mariana Pereira
Hinooooooo!! <3
Oct. 23, 2018, 6:56 p.m.
Alice Alamo Alice Alamo
Olá! Notei que sua história é uma fanfic e, portanto, está na categoria errada do site. Fanfics devem ser postadas na categoria Fanfiction e os gêneros como romance, poesia, lgbt, etc, devem ser postados nas tags ;) Para alterar, basta ir em Editar configurações da história, ok?
March 1, 2018, 10:01 a.m.
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