Red Wine Follow story

angie_hoyer Angie Hoyer

Com o amor dá-se o mesmo que com o vinho. Perdoem-me as leitoras o pouco delicado da confrontação; mas bem vêem que ambos embriagam.


Short Story Not for children under 13.

#MARVEL #Clint Barton #Natasha Romanoff #Avengers
Short tale
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Capitulo Único

"O tempo é muito lento para os que esperam

Muito rápido para os que têm medo

Muito longo para os que lamentam

Muito curto para os que festejam

Mas, para os que amam, o tempo é eterno"

Henry Van Dyke

"Amor é um sentimento de carinho e demonstrações de afeto que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de o demonstrar. "

As pessoas parecem não entender o verdadeiro sentido dessa tão curta palavra, apenas quatro pequenas letras que carregam consigo um grande significado. Um significado que é ignorado através dos séculos. Quem nunca ouviu uma bela história de amor em um grande livro, de um parente distante ou de seus avós. Porém, a não ser os mais atentos perceberam que ao passar dos anos elas se extinguem. O tempo passa e a forma de enxergar também.

O amor já foi algo clamado e respeitado, um sentimento por qual se travava guerras, era algo por qual se valia lutar. Há séculos os homens amam e esperam ser amados, foi assim com Paris que condenou Tróia a destruição por seu amor a Helena, também com Romeu que preferiu a morte a viver sem Julieta. Grandes histórias que perderam seu real significado.

E assim em meio à guerra e morte que um simples amor surgiu. Um voto de confiança, uma flecha não disparada. Porém se engana aquele que acredita que o primeiro sentimento que cresceu ali foi o amor, longe disse. O homem com os olhos de águia sentiu pena, o pior de todos os sentimentos.

Sozinha, com medo e machucada. Pena parecia o mais perto de qualquer coisa que ele pudesse sentir naquela noite, percebeu que não valia a pena matá-la, que a culpa por tudo que ela havia feito já a destruiria aos poucos. E foi naquele momento que ele foi contra tudo o que aprendeu, prometeu protegê-la e tudo o que ele menos esperava era que aquele sentimento de pena mudaria e se tornaria algo pelo qual valeria à pena lutar.

Clint Barton deu seu voto de minerva, ofereceu sua confiança em troca de fidelidade. Natasha nunca pensou que alguém um dia pudesse confiar nela, uma garota de vinte anos, confusa, desequilibrada e descontrolada. Jurou a si mesma segui-lo com lealdade, eles tinham uma dívida que a cada dia que passava a seu lado sentia a vontade de quitá-la diminuir.

O tempo se passou e a única coisa que sabiam sobre ambos era que Natasha Romanoff não era nada sem Clint Barton. Se tornaram parceiros, confidentes e Natasha não parecia a temida viúva negra quando Barton eram designado a uma missão da qual ela não participaria. O olhar vago, a falta de atenção e a falta de confiança em cada passo que dava. Natasha Romanoff não era nada sem Clint Barton, porém, mesmo que todos já houvessem reparado nisso, ela não convencia a si mesma. Como muitas vezes ela disse amor era coisa de criança e ela apenas era uma divida. Uma dívida da qual ela não queria quitar.

E então pela primeira vez ela se permitiu fazer o queria. Em meio a uma missão ela se entregou de corpo, alma e coração. O estrago estava feito, Natasha Romanoff estava apaixona por Clint Barton, admitiu aquilo a si mesma, porém aquilo não queria dizer que admitiria pro resto do mundo. No dia seguinte fingiu que nada havia acontecido, a agente sabia fingir muito bem e foi ali que pela primeira vez em muitos anos Clint Barton teve seu coração quebrado. E também a primeira vez que ela o quebrou. Mas ele não se importou, a conhecia melhor que qualquer pessoa poderia um dia conhecer.

Com sarcasmo e humor ele foi levando a situação. Em alguns casos Natasha se sentia tão triste e sozinha e eram nesses casos que ela o procurava. O apartamento no coração de NYC com uma decoração simples e com miniaturas de carros antigos em uma estante negra. Ali era onde ela gostaria de ficar, ali parecia um lar, muito diferente do branco ofuscante e gelado de seu apartamento. A cama de madeira escura e roupa de cama clara ela se sentia confortável. Até mesmo nos mais rigorosos invernos os braços de Clint continuavam quentes como o deserto. As noites pareciam mais bonitas e a manhã parecia chegar rápido demais, ela sempre queria mais, desejava sempre mais, porém, quando o sol se revelava pela manhã ela fugia. E a cada vez que Clint Barton acordava sozinho em sua cama ele sofria. Sofria por achar que nunca seria o bastante para ela e quando sentia o perfume de rosas em seu travesseiro e roupa de cama ou fios de cabelo ruivo espalhados pela casa, ele tinha a certeza que a noite anterior não havia sido um sonho, que era real, que ela mais uma vez havia se permitido ser dele, nem que só por algumas horas.

Era o suficiente. Mesmo que ela fingisse que nada aconteceu, ele se manteria firme, só não seguiria em frente. Sem Natasha ele não imaginava um futuro, mesmo que esse futuro se parecesse com o seu presente.

O que ela nunca imaginaria, não ela imaginava só não gostava de pensar no assunto, era que um dia ele se cansaria, ate mesmo os assassinos mereciam amor e Clint não era diferente. Ele merecia muito mais além do que ela poderia oferecer um dia, ela nunca seria boa o suficiente para Clint, ele merecia mais, sempre mais.

Então Natasha perdeu seu rumo pela primeira vez na vida. Ele estava sendo usado como fantoche de um Deus louco, não conseguia passar um segundo se quer sem pensar que algo muito ruim poderia acontecer com seu bem mais precioso, com a única coisa que realmente se importava, com a única pessoa pela qual ela daria sua vida. Os dias sem ele foram os mais torturantes possíveis. E desesperada para fazer a dor amenizar, ela voltou ao apartamento que em nada parecia um lar naquele dia. O calor e aconchego haviam desaparecido, a cama parecia fria e dura demais e foi quando percebeu o que os outros já haviam visto, Natasha Romanoff não era nada sem Clint Barton.

Os reforços foram chamados, o porta aviões fora atacado e o caos se instalou pelos corredores. Porém a maior guerra naquele momento era interna. A cada golpe que ela acertava em seu corpo doía nela mesma, ela não podia o machucar, mas era necessário para o bem dele. O golpe final foi dado e seu corpo caiu desacordado, e ali sozinha e longe dos olhares, ela chorou. Chorou por ele finalmente estar de volta, seu coração se acalentou e a sensação de lar retornou.

Se Clint estava bem, tudo ficaria. Porque o mundo poderia explodir, mas se ele estivesse a salvo, tudo ficaria bem. Era egoísmo, ela sabia, mas Natasha não se importava em ser egoísta, não quando se tratava dele.

"— Isso não te lembra Budapeste.

— O que eu lembro de Budapeste é bem diferente."

A primeira de tantas noites que ela foi dele. Não tinha um único dia em que não se lembrasse daquela noite, um único minuto que ela não pensasse no calor, textura e firmeza de seu corpo. Mesmo depois de quase quatro anos, ela ainda se lembrava com riqueza de detalhes cada suspiro, cada palavra e cada movimento, sentia seu coração disparar apenas em se lembrar dele dizendo que o quanto a queria.

Mas então ela apareceu, Bobbi Morse ou simplesmente Harpia. Ela havia conseguido a atenção de Clint, os sorrisos, as piadas sem graça que Natasha fazia questão de não rir, mas Bobbi ria. Natasha se sentia diminuída na presença da loira, se sentia estranha. E por um misero momento ela pensou que o perderia, mas como ela perderia algo que nunca foi dela? Pensou em todas as vezes que o deixou pela manhã, de todas as vezes que ignorou as tentativas de aproximação dele, das conversas desviadas. Clint merecia mais, merecia alguém como Bobbi Morse.

E naquela noite ela se sentiu sozinha, se sentiu fria, porém dessa vez não podia procurá-lo. E naquela mesma noite, Clint transformou o apartamento frio e estranhamente branco em um lar. Ele queria fios de cabelo ruivo espalhados pelo chão do quarto, o cheiro de rosas em sua roupa de cama e estranhamente o lado esquerdo da cama vazio pela manhã. O chame de sádico, talvez ele seja, talvez não.

Natasha perguntou depois de uma batalha interna e Clint jurou quem nunca havia tocado Bobbi de uma forma diferente. Mesmo assim não deixou de enfatizar que Morse era uma ótima companhia. A ruiva não gostou nem um pouco da forma como o nome da outra soava nos lábios de Clint, ela preferia o seu. E de fato, Clint também.

Os dias se passaram e Bobbi Morse foi transferida para a felicidade de Natasha, que só não comemorou o fato porque não teve tempo, não ela comemorou. Porém sua felicidade não durou mais que seis meses, logo foi a vez dele. Clint passaria um tempo indeterminado em Odessa, próximo ao Irã. Algo como trabalho de campo, Clint não havia sido feito para a burocracia, fato que se confirmava já que os relatórios sempre foram feitos por Natasha. E ela participaria da STRIKE, um grupo de operações táticas da S.H.I.E.L.D. Fury parecia ter gostado dessa coisa de trabalhar em grupo.

Ao lado de Steve Rogers, quem considerava um amigo, ela lutou, mesmo que seu coração estivesse no oriente médio com um certo arqueiro com quem falava apenas uma única vez a cada vinte dias. A saudade apertava e a necessidade de tê-lo por perto só aumentava. O colar dado no natal passado ainda estava em seu pescoço, colado a sua pele. Uma pequena flecha em prata, qualquer um que olhasse sabia de quem havia sido o presente, que ela fazia questão de mantê-lo ali.

Então o caos se instalou em Washington, ela lutou bravamente, mostrou a todos que merecia o titulo e fama que seu nome carregava. Porém não era forte o suficiente, não para aquele inimigo. Um bala, um único tiro e ela quase caiu, a mulher que já havia passado por coisa muito pior, morreria por perda de sangue. Naquele furgão ela pensou nele, que se ele estivesse ali poderia ter sido diferente, não ela conhecia Clint bem demais para saber que ele teria tomado aquele tiro por ela e por um breve momento ela se sentiu feliz e aliviada por não ser ele. E pela primeira vez ela se sentiu bem em estar longe dele, ela poderia ter dito tudo o que sentia antes, ter permanecido uma única vez na cama até ele acordar, ter dito que o amava.

A vida de Natasha Romanoff era cheia de fantasmas e demônios, porém nenhum arrependimento, não até aquele momento. Ela devia ter dito que o amava. Natasha nunca havia ficado tão feliz em ver a imagem de Maria Hill, mas ali naquele instante ela sentiu que tudo ficaria bem, que estava salva. A guerra acabou e os assassinos fugiram, porém ela ainda tinha uma divida, não com Clint, longe disso. Steve merecia sua ajuda, aliás aquela era a mulher que ele amava e Natasha sabia muito bem como era aquela sensação.

Seu apartamento em Washington era tão frio quanto o de NYC. A mobília planejada, poucos objetos e branco. Ela gostava de branco. Porém a aljava de flechas jogada em cima do sofá fez com que um sorriso iluminado preenchesse seu rosto. Ele havia voltado, tudo ficaria bem.

Caminhou a passos apressados até a cozinha em madeira e inox o vendo encostado no balcão próximo a pia, um sorriso leve, o olhar divertido, uma caneca de café em mãos e uma pequena cicatriz acima da sobrancelha, aquela era nova já que Natasha conhecia o corpo de Clint melhor que ele mesmo.

— Hey Tasha, sentiu saudades?

Natasha não pensou, e mesmo se o fizesse, sua decisão já estava tomada. Seu disfarce arruinado, sua reputação pior. Mas com Clint ela sabia que tudo ficaria bem. Porque ela sabia, Natasha Romanoff não era nada sem Clint Barton. Quando ela correu o pequeno perímetro que os separava e jogou seu corpo contra o dele, colando seus lábios em um beijo lento e apaixona. Se ela havia sentido saudades? Natasha preferiu-o não responder, ela nunca foi muito de falar mesmo. Os corpos colados, as respirações ofegantes, ela sempre seria dele. E diferente das outras manhãs, ela não fugiu. As exatas 06:57 da manhã ela acordou com seu corpo embolado ao dele, o mesmo calor acolhedor, a mesma sensação de lar. Ela sabia que ele demoraria no máximo vinte minutos para despertar.

De modo calmo e relaxado ela deslizou da cama para o chão, procurou sua roupa íntima e a vestiu. Acompanhada de uma camisa que ele usava na noite anterior, ela fez o café e exatos vinte e três minutos depois ele apareceu descalço e sem camisa. Natasha sorriu, deveria ter ficado mais vezes até ele acordar.

— Preciso recomeçar...

— Precisamos. — Ele corrigiu enquanto beijava seus lábios.

Ainda encostado na lataria do Mustang preto que o pertencia, ele viu Natasha voltar. Ela era linda, uma visão e tanto, e a pequena flecha que reluzia com a luz do sol o fez sorrir. Ela deu a volta no carro e bateu a porta, Clint imitou seu ato. Quando o carro finalmente saiu do lugar, ela o olhou.

— Para onde vamos?

— Que tal Budapeste, dizem que é um lugar lindo.

Natasha não deixou de rir naquele momento. Ela amava Clint, e isso não era segredo para ninguém. Principalmente para ela e agora pra ele, já que na noite anterior ela repetiu inúmeras vezes o quanto o amava. Porque mesmo que tenha demorado, ela finalmente percebeu que Natasha Romanoff não era nada sem Clint Barton.

"Quando você fala para alguém algo ruim sobre você mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por causa disso. Aí você se surpreende, já que ela não só continuam te amando, como agora te amam mais ainda.

Jessie, 7 anos."

Feb. 27, 2018, 11:22 p.m. 0 Report Embed 1
The End

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