Plastic Follow story

colombinna Carolina Koski

Plástico é um produto industrializado como tantos outros, e que pode ser moldado do jeito que a sociedade quiser e melhor ver. É o que acontece com a família de um jovem representante de turma. Por fora, figuras de plástico sem emoção, perfeitos membros da elite francesa. Por dentro, porcelanas frágeis, quebrando-se diariamente.


Fanfiction Not for children under 13.

#MCL #Amor Doce #My Candy Love
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Capítulo Único

Já entardecia e o sol começava a se pôr; as aulas no colégio Sweet Amoris haviam chegado ao fim naquele dia faziam-se quase duas horas. Ambre ainda estava perambulando pelo centro e torrando o dinheiro da família junto de suas duas lacaias, Li e Charlotte. Enquanto isso, Nathaniel continuava no grêmio da escola, terminando de organizar uns papéis contendo documentos dos alunos, entre eles, a ficha de uma nova estudante: Candy. Uma garota míope de cabelos pretos e olhos cor de mel que havia chegado em Sweet Amoris há menos de um mês, e já tinha se transformado no novo alvo de sua irmã gêmea, um ocorrido completamente à toa, visto que a moça era extremamente gentil e sempre pronta para ajudar. Além de ter uma ótima aparência, mas isso não vem ao caso.

O relógio batendo cinco e meia da tarde, Ambre apareceu na sala do grêmio à procura do irmão, e não hesitou em gritar com sua voz estridente e um pouco irritante:

— Naaaath!

— Por Deus, Ambre, não grite! Aqui é um local de estudo, sabia? — O jovem reclamou, terminando de guardar os papéis em uma pasta.

— Ah tá, tanto faz. — retrucou a garota, revirando os olhos. — Mas temos que ir, papai chegou mais cedo e veio nos buscar agora.

O loiro parou. Seu pai nunca vinha buscá-los, exceto em raras ocasiões em que Ambre perdia a carona com as amigas, mas geralmente era o motorista da família, François, que levava e trazia os gêmeos de volta para casa.

— Mas já? Ainda está cedo, aconteceu alguma coisa?

— Eu sei lá, só sei que cheguei aqui na escola e dei de cara com papai nos esperando perto do carro e ele me disse ‘pra vir te chamar.

— Pode ir, diga a ele que volto de ônibus depois. Tenho coisas para resolver ainda. — mentiu. Já havia acabado com todos os seus afazeres fazia uma meia hora, estava lá ainda só para matar tempo. O trabalho de representante de turma havia se tornado uma distração dos problemas, e uma ótima desculpa para não voltar no horário habitual. Assim, além de ter mais tempo para se dedicar aos estudos, podia evitar encontrar com seus pais e ficar mais tempo na turbulenta mansão onde morava.

— Papai disse que é para nós dois voltarmos com ele hoje. E ele disse que não quer mais que você saia pela cidade de ônibus. Isso é coisa de gente qualquer. E não somos gente qualquer.

Nathaniel suspirou, parecendo cansado. Não adiantaria argumentar com o pai. Todas as vezes que o fizera, acabou tendo suas punições muito bem recebidas. Então, apenas juntou suas coisas e seguiu a irmã até o carro, onde o pai os esperava com sua cara séria e amedrontadora de sempre.

O contraste entre os dois irmãos dentro do veículo era até meio engraçado. Por fora, eram muito parecidos, porém, suas personalidades colidiam em quase tudo. Enquanto a garota não parava de falar e passava o dia todo tagarelando sobre futilidades, o menino era tímido e reservado e passava a maior parte de seu tempo lendo ou estudando. E se por um lado Ambre adorava implicar com as pobres almas novatas, Nath fazia o possível para se ver longe de problemas, afinal, ele já tinha problemas demais dentro de casa.

— Aconteceu alguma coisa? — Nathaniel se arriscou a perguntar. O pai geralmente se incomodava quando o filho lhe fazia muitas perguntas, porém aquela situação era no mínimo incomum, então o garoto imaginou que sua curiosidade não fosse um problema naquela vez. — O senhor nunca vem nos buscar...

— Oras, eu saí mais cedo do trabalho, não posso querer passar mais tempo com meus filhos?

“Não.”, pensou o garoto, “Não se você só chegou mais cedo para desencorajar os seus filhos em tudo o que eles fazem.”

Retornando à residência, a mãe os esperava na sala de estar, assistindo à um desfile pela televisão. Adélaide era uma ex-top model, muito famosa em seus anos nas passarelas, mas que tinha praticamente destruído seu rosto ao fazer diversas cirurgias plásticas em seu rosto para tentar se manter jovem e agradar o marido, com quem havia se casado, aliás, apenas por interesse.

— Olá, mamãe! Está acompanhando a fashion week de Milão? — Ambre perguntou, já se sentando ao lado da mãe para acompanhar o programa. A garota sonhava em se tornar uma modelo tão célebre quanto a progenitora no futuro, então se dedicava ao máximo para procurar castings e estudar as tendências da época. Aquela era a única coisa que a loira estudava, na verdade.

— Não é apenas esse tipo de evento que existe no mundo da moda, Ambre. Esse é o desfile em homenagem ao Versolato, que morreu há poucos dias. Você deveria saber disso, já que quer ser uma modelo de sucesso. Ou você deveria se esforçar mais. — respondeu a mais velha, seca.

A filha mordeu o lábio. Sempre recebia olhares de reprovação desse tipo vindas da mãe. Parecia que tudo o que fazia nunca estava bom. Exceto, é claro, quando haviam visitas em casa. Nessas horas Adélaide adorava se gabar das habilidades da menina, como se ela apenas existisse para se mostrar aos outros. Além disso, a jovem levava consigo uma enorme carência e desespero por atenção, que lhe fazia descontar tudo na primeira pessoa que cruzasse seu caminho nos corredores do colégio. Talvez fosse esse o motivo de tanta implicância com a novata, que nunca tinha lhe feito nada, na verdade, muito pelo contrário. Porém, o que sentia de verdade por Candy era um imenso ciúme. A garota parecia ter a vida perfeita; todos na escola mal a conheciam e já a adoravam, e até mesmo Castiel, seu crush de tanto tempo, que era sempre mal-educado com todos, parecia ter certo interesse nela. O que a outra achava completamente sem sentido, visto que a caloura nem era tão bonita assim, e a única coisa que sabia fazer era passar o dia todo correndo pela escola inteira sabe se lá por qual motivo.

Porém, Ambre logo tirou esses pensamentos odiosos da cabeça e foi se sentar à mesa de jantar com os pais. Nathaniel era sempre encarregado de pôr e tirar a mesa, algo que sua irmã nunca entendeu, visto que a família tinha empregadas à disposição para realizar esse tipo de serviço, porém ela também nunca questionou.

Quando os quatro familiares já estavam sentados, o único barulho que se ouvia na casa era o dos talheres batendo nos pratos e o da televisão exibindo o desfile. E apenas quando empregados já começavam a sair, terminado seus expedientes, finalmente, Francis resolveu cortar o silêncio:

— Então, como foram na escola?

— Recebemos a nota das últimas provas hoje. Tirei a nota máxima. — Ambre se gabava, sem motivo. Só havia conseguido aquela nota porque Charlotte descaradamente havia lhe passado cola. A desculpa da loira para isso era que “estava muito ocupada estudando para sua carreira de modelo”.

— Muito bom, filha. E você, Nathaniel? — perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Fiquei com 8. — O garoto tentou responder, indiferente, mas por dentro entrava em pânico com medo da reação do pai.

— Bem que você poderia se esforçar, mais, não é? Passa o dia todo naquela escola fazendo o quê se não consegue tirar nota em uma mísera prova? — O patriarca começou a dizer, com uma falsa expressão de desapontamento se formando em seu rosto. Na verdade, para Francis não adiantaria se o filho tirasse apenas 10, ele sempre arrumava um jeito de achar algum defeito no jovem.

— Eu estudo o máximo que posso, aconteceu apenas uma vez de não ter acertado tudo. É completamente normal. — Nathaniel respondeu, os olhos baixos e a voz seca, já se irritando com a cobrança desnecessária feita pelo pai.

— Seria completamente normal se você fosse um daqueles malnascidos que frequentam seu colégio, o que você não é, nem de longe. Então, o mínimo que deve fazer para não envergonhar e desonrar sua família é se comprometer com suas notas.

— Eu já faço isso. Eu apenas não consegui acertar todas as questões nesse teste, eu errei. Sou um ser-humano, sabia? — retrucou o mais novo, antes de engolir em seco percebendo o modo insolente como havia falado.

— Isso são modos de falar com seu pai? Peça desculpas imediatamente, Nathaniel! — Adélaide quase gritou, indignada e raivosa com a atitude do primogênito. Quem ele pensava que é para poder agir como se não tivesse de ser perfeito 100% do tempo? Ele conhecia a família em que nascera, e a ex-modelo não iria permitir que um adolescente começando a se rebelar os envergonhasse de jeito nenhum.

— D-desculpe. — Gaguejou o moço, com o rosto vermelho. Ele havia de fato se excedido aquele dia. Quase nunca retrucava para o pai, mas ali ele já estava perdendo a cabeça. O modo como Francis o tratava, como o fazia ficar até mais tarde na escola para não ter de dar de cara com seu pai e levar mais hematomas nas costas, como ele se esforçava e fazia o impossível para não decepcioná-lo, mas nunca parecia estar bom, o modo como seus pais tratavam Ambre tão melhor, mesmo sabendo das atrocidades que a garota cometia, era simplesmente muito injusto, e uma hora as frustrações de um jovem cansado precisam sair. Mesmo que elas acabem apenas causando problemas.

— Não, tudo bem. Tenho certeza de que isso foi só um deslize, uma fase que vai passar. Nós vamos fazer passar. — O homem disse, em um tom ameaçador.

— Nath está muito fora de si, ultimamente. Tenho certeza que é culpa daquela novata, é uma péssima influência. Você deveria tomar mais cuidado com quem se relaciona, sabia, maninho? — Ambre sibilou, mas ainda sentindo um arrepio percorrer sua espinha. Apesar de não saber o que acontecia com seu irmão, ela sabia que ele teria problemas por causa de seu comportamento há pouco, e isso a deixava aflita. Eles tiveram suas desavenças na infância, e mesmo com o mais velho sempre a repreendendo quando fazia alguma de suas “brincadeiras” na escola, ele ainda a protegia e não deixaria que nada acontecesse a ela, afinal de contas, ainda eram irmãos gêmeos, e a garota sentia medo ao imaginar Nathaniel ficando machucado de qualquer modo.

— Deixe Candy fora disso, Ambre. Ela é uma jovem extremamente dedicada e gentil, que nunca te fez nada. E eu sei me cuidar muito bem.

— Sua irmã está apenas prezando pelo seu bem, não precisa responder dessa maneira a ela. — Adélaide novamente o repreendeu, afinal, ela era a única que podia responder agressiva para a filha.

Após essa conversa, o jantar não tardou a terminar, e logo as mulheres da casa tinham ido se deitar, restando apenas Francis e Nathaniel acordados no momento. O pai estava indo a seu escritório, terminar de resolver uns assuntos do trabalho, e o menino subia as escadas para ir finalmente descansar e terminar aquele dia insuportável quando o mais velho o chamou.

— Nathaniel, precisamos conversar.

O jovem parou, assustado, e se virou até o homem à sua espera.

— S-sim, pai...

— Eu não apreciei nem um pouco sua atitude ao jantar. Retrucando para mim, respondendo grosso à sua irmã, não foi assim que eu te criei.

— Peço desculpas mais uma vez, eu só estava cansado. Hoje tive um dia cheio na escola e...

— Não me interessa como foi na escola, isso não é motivo para esse tipo de comportamento. Eu não tenho nada a ver com seus problemas na Sweet Amoris. — dizia, mesmo que o próprio não fizesse o que pregava. — Eu devo-lhe lembrar mais uma vez de como é que deve se portar diante da sua família?

No momento, toda a raiva acumulada em Nathaniel se transformou em medo. Apesar de estar acostumado com aquilo eram noites terríveis as quais em que seu pai o machucava. E não só fisicamente. Ver o homem que admirava na infância agindo assim o deixava emocionalmente mal, e ele passava noites em claro tentando descobrir o que tinha feito de errado para que aquilo acontecesse, e se culpando a cada vez que acontecia.

— N-não será necessário, eu não vou mais agir assim.

— Claro que não vai. Vamos, tire a camisa. — ordenou o patriarca, e o garoto se despiu e se virou para a parede, tentando ao máximo engolir o choro enquanto suas costas eram atingidas pelo cinto de Francis. Dessa vez, ele não disse nada, ao contrário, o alto barulho que a cinta e os gemidos de dor do loiro faziam eram suficientes para que Adélaide escutasse e resmungasse de seu quarto. Por quê seu filho não poderia se comportar e evitar esse tipo de coisa? Aquele barulho só a deixava indisposta. Talvez fosse melhor mandá-lo a um internato na Suíça, onde ele não tiraria mais seu sono, mas o marido gostava de ter tudo sob controle, então ter o primogênito longe estava fora de questão. Mesmo que não fosse de fato o primogênito de Francis. Acontece que Adélaide tinha um caso com um estilista havia anos, e dele se geraram os gêmeos, porém, como o parceiro nunca havia perguntado ou suspeitado de nada, ela não se incomodava em pensar sobre isso.

— Espero que tenha aprendido sua lição. — Francis murmurou, ao acabar de aplicar o “corretivo” no filho. Assim que se dirigiu a seu escritório, Nath subiu quase que correndo para seu quarto, onde se jogou na cama o mais rápido possível e deixou as lágrimas escorrerem, enquanto não parava de se culpar por ter falado aquelas coisas antes, e ter merecido aquilo. Para o menino, era óbvio que o pai não sentia prazer algum ao castigar o jovem daquela maneira, mas suas atitudes não lhe davam outra escolha, porém, na verdade, tudo o que o homem fazia era descontar todas as suas frustrações no filho mais velho.

Quando as lágrimas pararam de cair, Nathaniel avistou uma pasta com uma ficha jogada no chão, perto de suas coisas. Era a de Candy, que deveria ter ido parar ali por um engano do representante. Olhando para a foto da moça, por algum motivo, Nath sorriu, tendo uma estranha sensação de que aquela garota era um pouco especial.

Feb. 27, 2018, 10:49 p.m. 0 Report Embed 0
The End

Meet the author

Carolina Koski Moça que ama musical, desenho animado, visual novel e livro amorzinho e que escreve uns role aí. Às vezes eu me arrisco desenhando, mas me saio bem melhor fazendo edit. Segue no tumblr pra bastante besteira envolvendo musicais e voltron: https://colombinna.tumblr.com/

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