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hyukmonroe Monique Rocha

Ele carregava consigo um guarda chuva cor de carmim. Sei apenas do que vejo, sua pequena estatura, seus cabelos castanhos, os lábios rosados e seu cheiro permanente de chocolate. O amei assim que coloquei meus olhos sobre ele e seu guarda chuva com a cor da paixão.


Fanfiction For over 18 only.

#yaoi #lemon #exo #kaisoo #kai #jongin #d.o #kyungsoo
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Capítulo único

   Ele carregava consigo um guarda-chuva cor de carmim, um guarda-chuva com a cor da paixão.

   Ele vem sempre aqui, todas as tardes por volta das cinco. Fecha seu guarda-chuva antes de entrar e senta na mesma mesa próxima a janela, murmura seu pedido numa voz melodiosa que dança através dos meus ouvidos com passos longos e delicados. "Um chocolate quente, por favor." Era o que dizia em quase todas às vezes.

   Certo dia quando ele chegou com seu velho guarda-chuva, tirou um notebook de dentro de uma bolsa bege estilo carteiro com um pequeno botton onde se lia "I LOVE BOOKS". Recostou o eletrônico sob a mesa e começou a apertar as teclas com afinco. Hora ou outra ele olhava através do objeto com uma feição pensativa, mordendo levemente seu farto lábio inferior, acredito eu, procurando as palavras certas para escrever. Desde então, passou a trazer sempre o aparelho, e continuava naquela rotina diária de palavras escritas, chocolate quente e lábios sendo mordidos.

   Não sei o seu nome ou sua idade, nem o que tanto escreve, eu apenas o observo. Sei apenas o que vejo... sua pequena estatura, seus cabelos castanhos, seus lábios rosados e o cheiro de chocolate. Sei também que sempre carrega consigo um grande guarda-chuva vermelho por toda Londres.

   Hoje ele chegou mais tarde na cafeteria. Não chovia, mas o guarda-chuva estava lá. Vestia um casaco grosso de tecido cinza que pendia até acima de seus joelhos. Vi seu gesto um pouco irritado quando notou sua mesa favorita ocupada, passou uma das mãos pelos cabelos e se sentou em outra mesa que estava vazia. Esperei até que se acomodasse, estava visivelmente desconfortável fora do seu habitual lugar, pelo menos para mim era visível.
   Aproximei-me dele pronto para escutar aquela doce voz me pedir um chocolate quente, mas fui interrompido por um telefone tocando que o vi pegar de um bolso do casaco e atender, para minha surpresa, no meu idioma natal. Então aquele anjo era coreano como eu.

   Tentei não com muita força me afastar e deixá-lo a sós com seu telefone, mas como as forças não eram muitas e nem ao menos reais, não resisti a escutar o que dizia em coreano para a pessoa desconhecida no outro lado da linha.

   "Ainda não está acabado, eu tenho muito que fazer ainda." "Eu sei que o prazo já foi estendido, mas vou demorar o tempo necessário para fazer um trabalho perfeito." "Obrigado, você é um anjo na minha vida. Não existe uma editora melhor que você. Até mais."

   Ao menos agora eu tinha alguma certeza, o homem sentado à minha frente é um escritor. Será que tem algum livro publicado? Que tipo de histórias criava? Com certeza seriam doces, doces como tudo que ele fazia. Ele sorriu de forma simpática e fez seu pedido de costume.

   Já estava um pouco tarde, quase na hora da loja fechar. Agora chovia lá fora e aquele homem permanecia aqui, tomava a terceira caneca da sua bebida, julgo eu, ser sua preferida. Hoje ele parece mais concentrado, foram raras as vezes que tirou seus olhos da tela do computador, mas na última vez que o fez nossos olhares se encontraram como raramente acontecia. Senti meu rosto arder e imediatamente desviei minha atenção para qualquer coisa longe daquela mesa.

   O tempo passou rápido quando eu o observava entre um pedido e outro. Já era minha hora de voltar para casa, fui até os fundos da loja trocar meu uniforme verde escuro e bege da cafeteria por calças jeans e um casaco de lã azul que recebi da minha mãe em um natal passado, ela sempre dizia que a cor contrastava muito bem com o tom moreno da minha pele, sinto falta dele nessa cidade. Procurei meu guarda-chuva por toda parte inutilmente, me lembrando depois de o ter deixado em cima da mesa.    Despedi-me apressadamente dos meus colegas de trabalho me virando mais de uma vez para olhar o escritor que já guardava o notebook dentro da sua bolsa estilo carteiro.

   Olhei a chuva forte que caia lá fora, abri a porta de vidro, teria que enfrentá-la. E para minha "sorte" o ponto de ônibus mais próximo fica a três quadras daqui.
   Senti as primeiras gotas geladas molharem meu rosto me fazendo encolher de frio quando saí pela porta, eu andava com passadas largas sentindo meu corpo cada vez mais cheio d'água, os fios do meu cabelo se prendiam a pele encharcada, aquelas gotas grossas caindo uma por uma em cima de mim e de repente parou. Olhei para cima e não vi o céu, apenas um tecido vermelho estava sob a minha cabeça me protegendo da chuva, e lá estava ele, aquele pequeno anjo sorrindo para mim.

-Quer uma carona? - Perguntou fazendo menção ao guarda chuva num inglês cheio de sotaque.

-Acho que sim, obrigado. -Respondi em coreano.
-Então... -Ele quebrou o silêncio. -Você trabalha na cafeteria, né?
-Sim, trabalho lá, já te vi algumas vezes.
-Ah! Desculpe-me, mas posso saber seu nome? - Me chamam de Kai.
-Kai? Você é mestiço? - Não, não. Começaram a me chamar assim na cafeteria porque achavam complicado pronunciar meu nome, acabei me acostumando. Na verdade meu nome é JongIn.
-A propósito JongIn, me chamo KyungSoo.
KyoungSoo, sussurrei seu nome lentamente, saboreando cada sílaba, cada letra que formava aquele nome. O gravando em algum lugar da minha mente que não fosse capaz de esquecê-lo.
-Não sei se deveria perguntar, mas sou curioso. Você se importaria de me contar o que tanto escreve? -Perguntei mesmo já sabendo que era um escritor, afinal é a melhor oportunidade, se não a única, de conhecer melhor aquele que rouba tanto da minha atenção.
-Pensei que tivesse ouvido mais cedo quando eu estava no telefone, já que entende coreano. Eu sou escritor, não sou lá muito conhecido, mas é um sonho realizado.
-Ah, um escritor. Parece uma boa profissão. -Sorri tentando esconder que estava sem jeito. -E sobre o que é seu livro? -Se eu te contasse você não leria depois, certo? -Ele riu. -É um romance policial.
-Sempre gostei de romances policias. -Menti apenas para continuar a conversa, na verdade prefiro os livros de fantasia.
-Espero que leia quando for publicado, então.
Da onde estávamos eu já conseguia ver o ponto de ônibus. Ah, como eu queria voltar todo o caminho! -Acho que chegamos. - Disse apontando para o ponto de ônibus não muito cheio.
- Obrigado pela carona.
-Não foi nada. Vejo você na cafeteria amanhã, JongIn? -Estarei lá.

   Vi KyungSoo atravessar a rua com o enorme guarda-chuva vermelho o encobrindo, se distanciando a cada passo até desaparecer completamente quando virou uma esquina.
O ônibus não tardou a chegar, adoro a tal pontualidade britânica. Passei a viajem inteira relembrando cada gesto dele, cada palavra que saiu da sua boca como se ainda pudesse as escutar, euforia não chegava nem perto de descrever como se senti ao notar quem me oferecia ajuda naquela hora. "Vejo você amanhã na cafeteria?" Aaah nunca desejei tanto ir trabalhar como agora.
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   16h45min e nada dele aparecer. Sim, eu estou ansioso e isso transparecia em meu rosto, eu queria ver KyungSoo mais que qualquer coisa, tentei me concentrar nos clientes que estavam ali, um cara gordo com sotaque americano falava alto demais e comia demais, pelo menos a má educação seria superada pelo benefício que ele daria a loja. Um casal com uma criança fez menção de sentar-se à mesa preferida de KyungSoo assim que avistei o mesmo através da janela de vidro, enxotei a família o mais gentilmente possível dali dizendo que a mesa estava ocupa, se tivesse sorte ele não teria visto aquela cena ridícula. Assim que ele entrou me cumprimentou em inglês e sentou à mesa.
-O mesmo de sempre?
-Você já tirou seu horário de almoço? -Perguntou me deixando curioso.
-Ainda não, por quê?
-Por nada. Bem, tenho uma coisa para te dar, como você disse que gostava de romances policias trouxe isso para você. -Ele falava ao mesmo tempo em que tirava um livro da bolsa. -Agatha Christie, minha autora preferida, espero que goste.
Peguei o livro de suas mãos, não era muito grande e na capa se lia o título "Punição para inocência." Folheei o livro lendo algumas poucas frases e o fechei.
-Parece interessante, obrigado. Prometo que devolvo logo.
-Espero que goste. -Ele sorriu e eu sorri de volta.
-Então, vai pedir agora?
-Não, ainda não.
-Quando quiser é só chamar.

   O deixei sozinho terminado seu trabalho, guardei o livro e fui atender os outros clientes, por sorte o americano sem educação já tinha ido embora e a loja era calma outra vez. Hora ou outra eu olhava KyungSoo discretamente, ele continuava digitando rapidamente, escrevendo, sem nem notar meu olhar sob ele.

   Depois de tanto trabalho meus sessenta minutos de descanso eram completamente bem vindos, não sei porquê insistem em chamar de almoço se já eram quase 21h, mas tudo bem. Aproximei-me da mesa de KyungSoo estava e perguntei se podia me sentar, quero ficar aqui um pouco, o tempo é suficiente para comer depois. Assim que ele disse que sim me sentei na cadeira a sua frente.
-Seu expediente acabou? -Almoço...
-Ah sim... e não vai comer?

-Daqui a pouco.
-Sabe o que eu queria agora?
-Chocolate quente? -Perguntei o óbvio.
-Isso mesmo. -Ele riu - Eu pago.
-Eu consigo de graça pra gente, o que acha?
-O melhor chocolate quente do bairro de graça, tentador.

   "Não mais tentador do que você quando morde os lábios." Foi o que pensei, porém o que fiz foi ir atrás do balcão encher duas xícaras grandes com chocolate bem quente e o melhor, de graça. Trouxe as xícaras para até a mesa e entreguei uma a KyungSoo que imediatamente a levou aos lábios absorvendo uma boa quantidade do líquido marrom.
-Como vai seu livro?
-Mais quatro dias escrevendo na cafeteria, três noites sem dormir e estará pronto? -Pela primeira vez tirando os olhos da tela e olhando diretamente para mim.
-Três noites sem dormir?
-Vale a pena pelo sonho.
-Deve valer. -Sorri.
-Mas me diga, JongIn. Você não tem nenhum sonho? Sempre quis trabalhar aqui?

   Não sabia como a conversa tinha tomado esse rumo e para completar tinham os grandes orbes negras de KyungSoo fixadas em mim, o que me deixava nervoso.
-É, eu já tive um sonho, eu acho que já tive um. Mas isso já era, passou.
-Alguma coisa aconteceu?
-Porque você quer saber?
-Porque eu não deveria querer?
-Eu não gosto desse assunto...
-Tudo bem, me desculpe por te pressionar - Ele disse tirando os olhos de mim e fixando-os novamente no notebook.
-Não é sua culpa, eu só não me sinto bem com isso, mas para você acho que posso contar.
-Se não quiser não precisa.
-Não, eu quero. - Suspirei tomando um pouco mais de ar para continuar. -Bem, eu sempre gostei de dançar, quando eu fiz oito anos minha mãe me colocou na aula de jazz e eu amava, ia todos os dias para aula com um sorriso enorme no rosto, mas meu pai não gostava, ele dizia que era coisa de mulher e que o filho dele não podia fazer esse tipo de coisa, você já deve imaginar que eu não era muito próximo a ele, eu sempre ouvia as brigas dos meus pais e eu sempre era o motivo daquilo. Eles se separaram quando eu tinha quatorze anos, nessa altura eu já dançava balé numa companhia de Seul, era um dos melhores. Aos 18 recebi um convite para vir a Londres me juntar a uma companhia e frequentar uma escola de dança. Minha mãe sempre apoiou a ideia então eu vim.

   Mas um dia, durante uma apresentação eu vi meu pai lá no fundo do teatro, ele estava me assistindo. Eu fiquei tão feliz, achei que finalmente ele tivesse percebido meu talento, dei o meu melhor, queria impressionar ele, acredita que ele foi embora sem ao menos falar comigo? Mas a pior parte não foi essa.

   Quase uma semana depois um vizinho encontrou o corpo dele em casa junto com uma carta e dentre várias coisas lá escritas, ele disse que nunca aceitaria ter um filho como eu, gay e bailarino, que ele preferia morrer a conviver com isso, e de fato morreu. Como eu poderia subir em um palco de novo sabendo que eu matei meu pai?

   Quando acabei de falar abaixei meu rosto, relembrei do dia em recebi a notícia de seu suicídio segurando as lágrimas que tentavam vir, senti uma das mãos quentes de KyungSoo segurar meu queixo com delicadeza e suavemente levantar meu rosto, seus olhos novamente se encontrando aos meus.
-Você não tem culpa de nada, tá bem? A gente não precisa mais falar nisso. Ainda tem tempo para comer alguma coisa antes de voltar ao trabalho?
Afirmei com um aceno de cabeça.
-O que acha de jantar comigo? -Ele sorriu.

   Disse que sim tentando espantar as lembranças ruins da cabeça, aquilo já tinha passado. KyungSoo tem razão, eu não tenho culpa de nada. Pelo menos é isso que vou tentar acreditar a partir de agora. Terminei meu chocolate quente ilícito e segui aquele pequeno homem, tomando carona pela segunda vez no seu guarda-chuva, até um restaurante simples. O lugar não era muito grande, mas com certeza era acolhedor. As paredes verdes claro eram adornadas com alguns quadros, que achei muito bonitos. Acomodamo-nos em uma mesa vaga e sem demora uma garçonete tatuada e de seios fartos veio nos atender, fizemos nossos pedidos e agora esperávamos por ele.
-A que horas você tem que voltar?
-Ainda tenho meia hora, mais ou menos. - Olhei no relógio do celular para me certificar. -Mas não faz mal me atrasar um pouco, cheguei cedo hoje.
-Se eu não trabalhasse em casa, ia me atrasar sempre. Se bem que sempre perco meus prazos, não tenho disciplina.
-Ah, você tá sempre escrevendo lá na loja, é difícil acreditar que não tenha disciplina.
-O prazo desse livro já foi estendido pela segunda vez, daqui a pouco a Anne me mata.
-Anne?
-Minha editora.
-Ah, a pessoa que conversou no telefone no outro dia. -Falei meio sem pensar. -Desculpa, não pude deixar de ouvir. -Bem, era melhor tentar concertar a situação.
-Tudo bem, eu entendo. Mas é sério, eu não tenho disciplina. Eu nem sempre estou escrevendo meu livro na cafeteria, alguma coisa lá me distrai, mas eu simplesmente gosto de estar lá.
-É mesmo? Oque te tira tanto a atenção?
-É de fato oque, está mais para quem. -Notei sua risada meio sem graça.

   Não era possível que ele falava de mim, mas era o que parecia, ou o que eu quero que pareça. Me sinto na necessidade de continuar o assunto até arrancar dele um nome, nome daquela pessoa que rouba a atenção daquele que me roubou a sanidade. Quero ter certeza que é a mim que ele se refere. Mas e se não for eu? Se for apenas um engano da minha mente louca de desejo? Decidi que de fato era melhor desviar o assunto daquele rumo e por minha sorte nossos pedidos chegaram quando ele estava prestes a dizer alguma coisa.
   Comi meu macarrão quase às pressas e voltei para loja sozinho. KyungSoo disse que precisa escrever e que preferia ir para casa mas não antes de me passar o número do seu celular.
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   Já faziam alguns dias que KyungSoo não aparecia na loja embora conversássemos por mensagens de texto eu ainda sentia falta de ver o pequeno homem sentado naquela mesa perto da janela, tomando seu habitual chocolate quente enquanto apertava as teclas do seu computador no mesmo ritmo incessante. Hoje não tínhamos muito movimento na loja, acho que se deve ao frio, a previsão do tempo dizia que talvez fosse nevar.

   Depois de um dia entediante de trabalho eu estava feliz que meu expediente estava no fim, eu só quero ir para casa, ligar o aquecedor e me enfiar me deixo das cobertas e terminar aquele livro que KyungSoo me emprestou. Ele é de fato muito bom. Eu nunca me interessei muito por livros do gênero porém "Punição para Inocência" estava me roubando noites a dentro. Se os livros de KyungSoo forem tão empolgantes como este eu nunca mais leria fantasia e seria mais um adepto do romance policial. E no mesmo momento em que pensei em KyungSoo recebi uma mensagem do mesmo:


   "Acredite se quiser mas eu terminei o livro, nem precise prolongar o prazo .Precisamos comemorar, vai fazer alguma coisa depois do trabalho?"

E prontamente respondi:
   "Realmente digno de comemorações, a Anne vai finalmente dormir tranquila. Planejava ler a noite a dentro mas com um milagre desses tendo acontecido acho que posso deixar o livro para depois. Aonde vamos?"

   "Se importa de ficarmos na minha casa? Tá muito frio do lado de fora kkk Eu não moro muito longe da cafeteria, te passo o endereço depois"

   "Por mim tudo bem, te ligo quando acabar aqui."

   "Estarei esperando..."

   O tempo parece que passam mais devagar quando a gente está com pressa, dei graças a Deus quando finalmente meu expediente acabou. Liguei para KyungSoo e ele me passou o endereço da casa dele, realmente não ficava muito longe. Vesti meu casaco preto no estilo sobretudo, minhas calças habituais calças jeans e um par de luvas também pretas, peguei minha mochila e saí da loja. Não nevava como a garota do tempo tinha dito na TV mas a noite era fria, o vento gelado acariciava meu rosto.

   Virei a mesma esquina que vi KyungSoo entrar no dia em que falei com ele pela primeira vez, depois de andar mais cinco minutos já estava na porta de um pequeno prédio com um portão de grades verdes que deveria ser a casa dele. Toquei a campainha e ele me disse para subir até o terceiro andar, seu apartamento era o 307. Quando cheguei KyungSoo me esperava na porta.
-Boa noite! -O cumprimentei.
-Boa noite, não repara a bagunça. -Disse abrindo a porta e entrando em seguida atrás de mim.

   Seu apartamento não era nem muito grande nem muito pequeno. Fiquei procurando a tal bagunça dita por ele mas ela quase não existia se você ignorasse um amontoado de livros perto daquele sofá vermelho vivo. A entrada dava para a sala que era dividida da cozinha por uma bancada de granito, no estilo americano.


-Senti sua falta na cafeteria. -Falei, já sentado no sofá ao lado dele.
-Eu precisava mesmo terminar o livro.
-Sua distração não ia te deixar escrever lá, certo?
-Exatamente. - Por que toquei nesse assunto? -Quer vinho?
-Claro.

   Ele se levantou e quando voltou trazia consigo uma garrafa e duas taças, ofereceu uma para mim e despejou o líquido rubro logo repetindo o mesmo com a outra taça em suas mãos. Tomei um gole da bebida sentindo minha garganta esquentar, não bebo com muita frequência.


-Parabéns pelo livro. Quando vai ser lançado?
-Bem, ele ainda tem que ser revisado e talvez tenha que reescrever alguma parte, isso se a Anne achar que é necessário. Mas a parte trabalhosa já passou, então não deve demorar muito até o lançamento.
-Não esquece de me avisar quando souber a data.
-É claro, vou fazer você comprar uma cópia assim que ele sair, pelo menos um livro eu sei que vou vender.

   A noite passava de maneira agradável. KyungSoo pediu uma pizza que deduzimos que não chegaria depois de tanto tempo esperando. Agora a neve caia lá fora, pintando a paisagem de branco. Eu tomava a minha terceira ou quarta taça de vinho a essa altura. Não estava bêbado, talvez um pouco "alegre". Ficar a sós com KyungSoo em lugar como esse era um teste de sobrevivência, somado a todo aquele vinho se tornou uma tortura. Nunca neguei a mim mesmo o desejo que sinto por esse que está ao meu lado, sentado no tapete, me contando como chegou até Londres.

   Ouvi uma música conhecida começar a tocar no rádio que estava ligado em uma estação qualquer. Provavelmente pelos efeitos do álcool eu me senti animado como a muito tempo não me sentia.

-Que tal uma dança? - Perguntei a ele estendo minha mão direita para que se levantasse.

-Eu não sei dançar.

-Não acredito, vamos lá, não custa nada.
Senti a mão dele se juntando a minha estendida a sua frente e o puxei para mais perto de mim, fazendo o se movimentar lentamente conforme a música tocava. Os passos eram simples, o clássico "dois pra lá e dois pra cá"


"And anytime you feel the pain
Hey, Jude, refrain
Don't carry the world upon your shoulders"


-Não acredito que você está me fazendo dançar The Beatles.
-Qualquer música pode ser dançada. É como nos seus livros, só é preciso um pouco de imaginação. - Disse depois que o fiz rodopiar entre meus braços. -Até que você está se saindo muito bem, relaxa.


"For well you know that it's a fool
Who plays it cool
By making his world a little colder
Na na na na na na na na"

   A música seguia tão lentamente quanto nossos passos, a cada segundo KyungSoo se entregava a música com mais vontade, se tornando mais leve, deixando-se ser conduzido por mim. Ele olhava para baixo outra ou outra para se certificar estava tudo certo com os movimentos de seus pés, aquilo era um pouco engraçado. Mas a cada vez que seus olhos tornavam a olhar para mim, a minha vontade de atacar seus lábios fartos reaparecia com mais força.


"Take a sad song and make it better
Remember to let her under your skin
Then you'll begin to make it better (better, better, better,better, better, oh!)
Na, na na na na na, na na na, Hey Jude
Na, na na na na na, na na na, Hey Jude"

   Paul Mc Cartney cantou sua última nota e logo já se ouvia uma outra música qualquer saindo do aparelho. Voltamos a nossos lugares no tapete da sala, notei KyungSoo um pouco cansado devido a dança, já eu, me sentia revigorado.


-Nem me lembro a última vez que me atrevi a dançar.
-Acho que você devia voltar?
-A dançar? Ainda não sei muito sobre isso.
-Pois deveria, você leva jeito. - Vi seu sorriso sincero. -Tá, eu sei que não foi nada levado a sério aqui, mas você realmente deveria voltar, é seu sonho não é? Desculpa, você não se sente a vontade nesse assunto.


-Sem problemas. Você tem razão, sonhos não são feitos apenas para serem sonhados.
-Hey, JongIn, eu tenho uma coisa para te contar.
-Então conta.
-Eu não sei por onde começar.
-Comece do início, horas.
-E se eu disser que não sei exatamente onde começou? Bem, você lembra do dia em que jantamos juntos? - Balancei a cabeça indicando que sim. -Então também deve se lembrar que te contei sobre a minha distração. Acho que você precisa saber quem é. Não se desespere, tá bom? A minha distração é e sempre foi você, JongIn. Não fala nada agora, me deixe terminar, tudo bem?

   Eu sei o quanto isso pode parecer assustador para alguém. Como te disse, eu não sei ao certo como começou, acho que apenas fluiu. Comecei a frequentar a cafeteria para me inspirar, escrever fora de casa sempre me fez bem. E com o passar do tempo te notei. Um jovem asiático, assim como eu, nessa cidade grande tão longe de casa.

   Comecei a me perguntar os motivos de você estar aqui, passei a dedicar mais meu tempo escrevendo sobre você do que o meu próprio livro. No início achei que era apenas uma curiosidade normal porém agora eu sei que não é só isso. Me desculpe JongIn, mas acho que me apaixonei por você.

   Acho que fiquei tempo de mais tentando absorver aquelas palavras, eram ainda melhores das que eu imaginava todas as noites antes de dormir. Por que são reais, são sinceras. KyungSoo fitava-me com olhos arregalados, em completo silêncio. Me aproximei de seu rosto com cuidado, selando meus lábios aos seus. Aquele beijo tinha o gosto do vinho que tomamos, mas para mim sempre haveria um resquício do sabor de chocolate. Aos poucos ele foi me dando espaço e nosso beijo se fez mais profundo, nossas línguas se encontravam de maneira sensual. Nosso primeiro beijo estava acontecendo.


-Caso não tenha entendido, isso quer dizer: "Eu também gosto de você, KyungSoo, não vou me desesperar."
   Voltei a tomar seus lábios, embora meu desejo fosse grande tentava ser o mais carinhoso possível. Se fosse apenas por desejo, eu podia mata-lo com qualquer um, o que eu sinto por ele é bem maior que isso. Sinto vontade de ter KyungSoo ao meu lado em todas as horas, quero toca-lo de forma delicada, explorar seu corpo por completo com todo o carinho que ele merece. Mas agora me contentava apenas com aquele beijo fugaz.
   KyungSoo mantinha uma de suas mãos na minha nuca, brincando com meu cabelo enquanto eu sugava seus lábios tornando-os avermelhados. Senti a mão livre de KyungSoo adentar pela minha camisa, marcando levemente a parte inferior das minhas costas as unhas. O ato vindo dele foi como me dar licença para ir até o fim. Deixei que minha camisa fosse retirada e fiz o mesmo com a dele, tentando ao máximo não afastar sua boca da minha.

   Me encontrava deitado no tapete daquela sala com KyungSoo abaixo do meu corpo, olhando para mim com tanto desejo quanto eu. Rocei meus lábios contra os dele quebrando a expectativa de KyungSoo de aprofundar aquele beijo. Selei o canto da sua boca, seguindo com uma trilha de beijos intermináveis até seu ouvindo, onde sussurrei qualquer coisa indecente que o fez gemer baixinho. Prossegui com as carícias descendo pelo pescoço, marquei a pele branca daquela área com meus dentes e continuei meu caminho bem lentamente, aproveitando cada parte do corpo singelo daquele homem.

   Cessei a brincadeira na altura de seu baixo ventre, levei uma mão ao volume formado ali, acariciando seu membro rijo por cima do tecido fino da calça de moletom cinzenta que ele infelizmente ainda vestia. Arrancando de sua boca um tímido gemido longo e arrastado, apenas a visão do pequeno KyungSoo contorcendo-se de prazer com meu simples toque me exitava loucamente.

   Despi aquele pedaço incomodo de pano juntamente com sua cueca deixando o completamente exposto frente a mim. A pele inteiramente branca não apresentava nenhuma falha, ao contrário, tudo em KyungSoo parece ser perfeito para mim. Decidi dar atenção a seu membro, já desperto, levando minha mão até ele fazendo movimentos de vai e vem. No início mantive um ritmo menos intenso mas com o passar do tempo aumentei a velocidade com que investia minha mão sobre seu sexo.

   Toda aquela aura me deixava inebriado, aqui do lado de dentro o calor dos nossos corpos é demasiado intenso, tornado difícil acreditar que do lado de fora faz tanto frio.
Parei de estimular KyungSoo e ouvi um murmúrio a contragosto, estávamos avançado rápido demais e eu quero aproveitar cada parte dele antes disso acabar. Alcancei novamente aqueles lábios grossos, atacando o inferior com uma mordida de leve. Enlouquecendo a cada toque da minha ereção na dele.

   Uma mão dele brincava com meu cabelo enquanto a outra cravava as unhas nas minhas costas de cima a baixo provocando uma série de arrepios. KyungSoo envolveu os dois braços sobre a minha cintura e logo nossas posições estavam trocadas. KyungSoo olhava pra mim de cima enquanto eu estava deitado apoiando minhas costas no chão. O olhar dele era devastador, malicioso, como o de alguém que quer te devorar. KyungSoo abriu o zíper da minha calça jeans, logo se livrando dela e da minha boxer. Senti seu lábios macios beijar o interior da minha coxa, seu rosto chegando tão próximo da onde eu o queria e se afastando novamente. Senti outros beijos sendo distribuídos na coxa oposta, alternadas com mordidas tão leves, como se tivesse medo de me machucar.

   Senti a cavidade quente e úmida finalmente se apoderar de meu membro. Subindo e descendo lentamente de maneira quase torturante. KyungSoo ora sugava apenas minha glande ora se estendia até a base. Minhas investidas eram cada vez mais rápidas, insaciáveis, meu corpo clamando por mais contato.


-Vamos, KyungSoo. - Minha voz saindo arrastada -Não me torture mais.
-Não entendi, pode explicar com mais clareza, JongIn?
-Eu quero sentir você, dentro de mim.
   KyungSoo me sentou sobre seu colo, selando mais uma vez meu lábios. Rompeu nosso beijo para depois levar dois de seus dedos a minha boca. Os suguei da mesma maneira que ele fez com meu membro momentos antes. Tirou-os da minha boca e olhou nos meus olhos como uma expressão que pareceria querer dizer:" Tem certeza que quer continuar?". Beijei o alto da sua testa e depois seus lábios tentando mostrar que estava tudo bem.
   Senti dois dígitos penetrarem a minha entrada, já fiz isso antes mas não nego que ainda sinto dor, acho que sempre sentiria. Ele começou a movimentas os dedos que estavam dentro de mim. Me fazendo sentir um enorme prazer, ambos gemiam o nome alheio. Os dedos logo foram substituídos por seu membro. Suas investidas eram rápidas desde o início, minha sanidade já não existia mais naquele momento. Nada mais existia, éramos apenas nós dois. Eu e KyungSoo, juntos naquele tapete na sala de estar e nada mais.

   Eu mordi e arranhei a pobre pele alva de seu peito, ter aquele pequeno doce demônio dentro de mim me fez sentir completo como a muito tempo não sentia. Aquelas agradáveis ondas elétricas tomaram conta de mim, brotando nos meus pés e se espalhando pelo rosto do corpo. Levei minha mão a meu pênis me masturbando causando uma sensação incrível misturada as estocas rápidas e fortes que recebia de KyungSoo. Não tardou para que eu me desfizesse liberando o gozo sobre minhas mãos e abdômen dele. Esse que com mais algumas estocadas gozou, dentro de mim. Ficamos algum ali, parados tentando normalizar nossas respirações por algum tempo. Eu podia sentir o coração de KyungSoo bater no mesmo compasso que o meu. Nos levantamos do chão e subimos pro sofá, KyungSoo aninhado em meus braços recebendo o carinho que eu fazia em seus cabelos.


-Que horas devem ser? Eu tenho que ir pra casa.
-Você tá doido? Já viu como tá o tempo lá fora? - Ele me olhava tentando parecer bravo. Eu não vou te deixar ir embora no meio da madrugada principalmente com toda essa neve. Não, não, essa noite você dorme aqui.
-Tem certeza?
-É claro. Mas você vai ter que se contentar com uma cama de solteiro, eu moro sozinho, sabe.
-Perfeito, assim eu fico mais perto de você.

   Fui levado ao quarto por KyungSoo, onde nos aconchegamos na pequena cama feita para um mas que agora abrigava dois corpos. Adormeci sentindo o cheiro de chocolate vindo do escritor que repousava a cabeça em meio peito.

Naquela noite sonhei que amor era infinito. 

Feb. 27, 2018, 3:46 p.m. 0 Report Embed 5
The End

Meet the author

Monique Rocha Carat, apaixonada por histórias de drama e fantasia. Futura jornalista

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