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basquiart ailüj

Atualmente eu estou vivendo uma situação um tanto quanto conflituosa: 1 - eu sou gay. Até aí tudo bem, na verdade ótimo. 2 - meu crush é hétero.


Fanfiction For over 21 (adults) only.

#fluffy #comédia #yaoi #kangnam #jinhoon #namsong #winner
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Não é bem o que parece


Seul, algum dia em meados de um verão demasiadamente quente


Meu querido diário...


Não, não! Isso tá horrível! Deixa eu pensar...


Olá, diário!


Continua uma bosta... Eu odeio tanto essas merdas clichês e me odeio mais ainda por insistir nessa droga.


Enfim, eu deveria começar a escrever um diário porque segundo o idiota do meu terapeuta seria um bom exercício pra extravasar minha ansiedade ou algo do tipo. Porém eu sou muito hypezinho pra fazer algo comum, então optei por fazer essa espécie de blog ou chame do que quiser. Ninguém vai ler isso mesmo então quem se importa não é mesmo?!


Agora são muitas horas e poucos minutos de um dia desnecessariamente quente e eu estou aqui, sentado nessa cadeira desconfortável falando sobre coisas que eu não quero falar, mas que por conta de situações maiores eu acabo me obrigando.


E nossa, como eu odeio falar na primeira pessoa! Perceberam? Soa tão narcisista! E tudo bem que talvez, eu disse talvez, eu seja um pouco, mas acho que no fim do dia todo mundo é, não é verdade? Eu penso que sim. Risos nervosos por ter usado a primeira pessoa de novo.


Concordo que em partes é meio hipócrita da minha parte falar sobre egocentrismo levando em consideração que eu não sou a pessoa mais humilde do planeta...


Pra falar a verdade eu não sou a pessoa mais humilde nem do quarteirão, imagina do planeta todo.


É que eu tenho uma política de amor próprio sabe? De cuidar de mim mesmo e me divulgar e enaltecer porque, afinal de contas, só eu vou conviver comigo mesmo até morrer e eu só tenho a mim mesmo até meus olhos fecharem e minha respiração cessar, então você há de convir comigo que meu pensamento faz muito sentido, certo?


Pois é, eu também acho.


Talvez vocês estejam pensando que é zoado alguém que faz terapia falar em amor próprio. Sim, eu sei que é tão sem sentido como alguém que sofre de distúrbio alimentar discursar sobre cuidados com a alimentação e vida saudável, mas é que eu sou como os filmes do Harmony Korine: não faço sentido. Sou apenas um amontoado de cores bonitas, frases de efeito e excesso de vazios orquestrado por uma trilha sonora estupidamente boa e ao mesmo tempo questionável.


Caralho. Eu definitivamente amo o Harmony.


Recapitulando, não é como se tivesse que fazer sentido. Você só tem que seguir o meu fluxo e se deixar levar, entendeu? É como quando a maré muda de repente e você sabe que está afundando então só se deixa arrastar pela correnteza revoltada.


Sim, eu amo metáforas lide com isso.


O meu terapeuta, o Sr. Choi, disse que eu uso figuras de linguagem como válvula de escape. Ele falou algo sobre esconder minhas múltiplas facetas através do uso demasiado e, muitas vezes, errado de metáforas, analogias e todas essas porcarias interessantes que nós aprendemos na escola e no dia-a-dia.


Eu não sei se é realmente isso, mas eu gosto de falar desse jeito porque as pessoas costumam ficar confusas quando a frase não termina como elas periquito.


Viu?! Você se perdeu né?! Aposto que releu o trecho só pra ter certeza que a sentença não tinha acabado do jeito que você esperava. Tão previsível!


Mas calma, calma! Não é como se eu estivesse te julgando, longe de mim. Eu sou um espírito livre, um revolucionário, um rebelde sem causa e sem calça que não julga corpos e pensamentos alheios, muito pelo contrário. Eu recolho tudo o que meus olhinhos de cigana oblíqua dissimulada captam e guardo nos confins da minha memória só pelo prazer de ter milhões de sensações todos os dias.


O mundo tem sete bilhões de pessoas, então porque não respeitar e admirar o universo que existe dentro de cada um não é mesmo?!


Bem good vibes eu sei, mas sei lá, acho fofo pensar assim, que universos habitam dentro da gente e nossos olhos são como estrelas, nosso cabelo o rastro dos cometas e os nossos dentes são os planetas de um sistema qualquer.


Olha só, eu comecei isso aqui xingando meu terapeuta e agora to todo kawaii falando sobre universos e a singularidade de cada um. Talvez Choi-hyung estivesse certo e registrar meus pensamentos aqui seja de fato libertador.


Caramba só agora reparei o quanto usei a palavra “talvez” hoje. Talvez porque talvez hoje tenha sido um dia bem talvez e talvez vocês estejam se perguntando o que seria um dia talvez e, bom, se você tiver calma eu vou explicar no próximo parágrafo.


Um dia talvez na língua de Nam Taehyun, ou seja, eu mesmo, é o que vocês jovens chamam de dia bosta. Eu prefiro usar talvez porque até que o dia teve a chance de ser bom, mas por algum motivo divino, lei de Murphy, gravidade, ou qualquer teoria conspiratória jogada na internet por sites russos, meu dia desandou como quando a gente abre o forno antes da hora e o bolo fica todo estranho.


Hoje eu acordei no mesmo horário de sempre. Levantei, me vesti, tomei café da manhã, escovei os dentes e fui pra faculdade. Até aí nada de mais. O problema mesmo começou quando entrei na sala de aula e dei de cara com o meu crush master.


Calma, pequeno gafanhoto, eu vou contar pra vocês sobre o meu crush. Então larguem as pedras e poupem um jovem adulto tão bonito e maravilhoso como eu de uma morte horrenda e estúpida.


A história com meu crush é tristemente engraçada sabe? Bem tragicômica, infelizmente.


Tudo começou no início desse semestre, eu estava sentado lindamente em uma das mesas do refeitório do prédio das artes esperando meus amigos Seunghoon e Jinwoo que são um casal. Eu sei que ninguém perguntou, mas eu queria deixar isso explícito aqui, pois muito orgulho do meu JinHoon abençoado. Porque se JinHoon existe e graças a deus existe, graças a deus! Mentira, na verdade é graças a mim porque eu juntei os dois.


Enfim, voltando. Eu estava bem plena esperando meus filhos chegarem enquanto lia um mangá shoujo básico – pois muito madura – e tomava meu chá gelado preferido quando, eis que, meu crush entrou no refeitório.


No momento que ele cruzou aquela porta eu juro por tudo que é mais sagrado, por todos os meus cd’s diferentões de bandas indie undergound, por todas as minhas roupinhas de brechó e customizadas por mim, que tudo parou e ele se movia em câmera lenta completamente divino, com os cabelos curtos balançando levemente e o sorriso perfeito pintando delicadamente seus lábios rosados. Eu acho que alguma música da Lana Del Rey tocou também, mas não posso garantir.


A cena era digna de filme colegial adolescente e minha reação também. O mangá caiu da minha mão chocando-se com a mesa e o canudo do meu chá gelado ficou sambando na minha língua enquanto meus olhos insistiam em perfurar cada milímetro da pele amorenada do belíssimo espécime masculino a alguns metros de distância de mim.


Então, numa fração de segundos, enquanto eu estava com a expressão menos atraente que algum ser humano pode ter, o homem da minha vida fez contato visual comigo e, como se não fosse o suficiente, iniciou uma caminhada elegante e ridiculamente sensual na minha direção, enquanto deixava um Nam Taehyun petrificado.


Ele caminhava como se estivesse em um desfile, como se todos ali quisessem vê-lo. Seus movimentos eram seguros e confiantes, o sorriso bem colocado nos lábios e a serenidade no olhar de quem sabe que causa sensações nas pessoas.


Deus, ele é definitivamente um bias wrecker. Eu pensei comigo mesmo enquanto pedia perdão a Kwon Ji Yong por estar o traindo mentalmente.


E o garoto continuou vindo à minha direção e conforme ele se aproximava eu podia notar detalhes que a distância de antes me impedia. Por exemplo, eu notei que ele deveria ter alguma tatuagem no ombro, pois vi um pedaço de alguma letra ainda desconhecida tentar fugir por entre a gola de sua camiseta do Nirvana.


Merda ele gosta do Nirvana! Talvez ele seja de fato o homem da minha vida, o futuro pai dos meus filhos, a razão do meu viver, meu iaiá, meu ioiô e... Me perdoa, Ji, por favor!


Enquanto eu me perdia em meus pensamentos nem um pouco castos sobre o garoto fã de Nirvana que marchava convicto em minha direção, não percebi que Seunghoon e Jinwoo se aproximavam da minha mesa.


Uma coisa que vocês têm que saber sobre o Seunghoon é que ele é um idiota infantil que não conhece a palavra limite. E também não sabe o que significa respeitar as pessoas quando elas estão num momento de apreciação da beleza alheia, exatamente como eu estava agora.


Bom, pra encurtar a história, Seunghoon viu que eu estava distraído e aproveitou o momento pra devolver o susto que eu dei nele duas semanas atrás. O problema é que eu estava distraído mesmo e levei um susto de verdade, o que, por consequência, fez com que eu virasse meu chá gelado em cima da minha calça mais legal causando um grande rebuliço no refeitório enquanto eu alternava o meu olhar abismado entre a mancha bem em cima das minhas coxas e o garoto desconhecido que ainda vinha até mim.


Agora me responde, como que alguém flerta com um boy novo quando parece que acabou de mijar nas próprias calças?!


Exatamente, não tem como.


Zero.


Nada.


Impossível.


No way.


E como se não bastasse, o tal garoto maravilha que eu achei, ingenuamente, que caminhava até mim na verdade estava focando em uma garota sentada e compenetrada em um livro algumas mesas atrás de mim. Garota essa que, quando o viu, correu até ele o beijou.


Beijou.


Na.


Boca.


Eles se beijaram na boca.


O meu crush é hétero.


Puta que pariu!

Feb. 27, 2018, 2:46 p.m. 0 Report Embed 0
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