Para Ser Humano Follow story

taimatsu_kinjou Taimatsu Kinjou

Depois de cinco mil anos sozinho ele havia se tornado um monstro, não é mesmo? Mas então, por que se sintia tão humano? (escrito em 2013)


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13. © Kazuki Takahashi

#Yami Bakura #Marik Ishtar #yu gi oh! #yaoi #romance #thiefshipping
Short tale
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Oneshot

Bakura suspirou olhando para o céu pela janela da sala, apesar de ser noite o lugar estava claro por culpa da luz da lua cheia, ele não se importava com isso, não era como se estivesse com vontade de sair dali e voltar para a escuridão do seu quarto e quem sabe aquela luz não ajudasse a clarear um pouco os seus pensamentos?

Haviam se passado quantos anos mesmo? Cinco mil anos, não é mesmo? Era quase impossível se lembrar exatamente quanto tempo faz que sua alma foi presa no Anel do Milênio. Já faziam cinco mil anos que seu único objetivo é vingar o massacre da sua aldeia, Kul Elna. Depois de todo esse tempo suas lembranças estavam começando a se esvair lentamente, como a areia do deserto que é levada pelo vento.

Balançou a cabeça levemente para afastar esses pensamentos. Desde que Bakura se recusou a devolver o controle do corpo para Ryou, estava ficando cada vez mais difícil manter esse tipo de pensamento longe. Ele não deveria se importar com coisas inúteis como lembranças, ele é um espírito e seu único objetivo é destruir o faraó de uma vez por todas. Não precisava de lembranças, isso o torna fraco e patético como os seres humanos.

Fechou os olhos sentindo o vento bater contra a sua pele pálida. Com isso a imagem de certo egípcio de cabelos loiros veio a sua mente. Os traços que poderiam ser alguém inocente, mas aqueles grandes olhos lavandas diziam o contrário. Eles possuíam um brilho malicioso e se prestasse muita atenção a eles poderiam ser vistos traços da dor e sofrimento que ele viveu, além de um pequeno brilho, quase imperceptível, brilho infantil.

O espírito antigo abriu os olhos inclinando a cabeça para trás tendo uma visão melhor do céu noturno daquela cidade. Por mais que tentasse, não conseguia compreender o que poderia se passar na mente daquele humano. Mesmo depois de Marik saber o que ele realmente era, apenas um demônio que busca vingança, não se afastou, pelo contrário, pareceu que isso só o fez se aproximar mais ainda. As pessoas normalmente se afastariam dele assustadas, mas Marik era diferente e de alguma maneira isso o deixava aliviado, mesmo que ele não consiga entender o motivo disso.

Muitas vezes se pegou pensando em se afastar do egípcio, mas esse simples pensamento o fazia se sentir mal, como se isso não fosse o certo, como se fazendo isso uma parte da sua alma também iria ficar para trás. Mas por quê? Ele é considerado um demônio, um monstro, que não deve sentir esse tipo de coisas. Aquele humano não deveria significar nada para ele, mas então por que o pensamento de deixa-lo o incomodava tanto assim?

O egípcio é tão emocional, poderia se sentir feliz, com raiva e triste em um curto espaço de tempo, não consegue se controlar, tinha que mostrar todas as suas emoções com gestos, palavras e ações. Marik é tudo o que ele não é. Ele tem a capacidade de ver a beleza nas coisas mais obscuras, coisas que seriam ignoradas pelas outras pessoas chamam a sua atenção.

– Bakura...? - o albino se virou em direção ao corredor encontrando Marik ali esfregando os olhos sonolento enquanto se aproximava cegamente dele - O que você esta fazendo aqui, esta frio. - Bakura apenas sorriu, daquela maneira que somente Marik havia visto.

– Estava só pensando. - ele sussurrou num tom estranhamente suave estendendo o braço e puxando o loiro para mais perto. Sem nenhum protesto o loiro envolveu os braços em volta do corpo dele e enterrou o rosto no peito pálido fazendo Bakura rir e o abraçar - Melhor? - perguntou divertidamente quando o menor apenas acenou com a cabeça sem se afastar.

Suspirou apoiando o queixo no alto da cabeça do egípcio fechando os olhos, os dedos pálidos se enroscando nos fios cor de areia distraidamente. Essas pequenas ações o faziam se sentir mais leve. O olhar, o toque de seus corpos, ouvir a risada do egípcio, poder ver o sorriso dele, essas coisas simples o faziam se sentir quase feliz. Saber que alguém se importa com você, que alguém liga para o que acontece, com seus sentimentos, depois de cinco mil anos sozinho lhe trazia uma sensação de conforto. Ele podia dizer que se sentia feliz com isso.

– Você é melhor parte de mim Marik. - sussurrou beijando a testa dele de maneira suave. O loiro apenas ergueu a cabeça para olha-lo com uma sobrancelha erguida, as ametistas estudando o espírito antigo com curiosidade, tentando saber no que Bakura estava pensando - A melhor parte de mim. - ele repetiu novamente com um pequeno sorriso. Marik se ergueu nas pontas dos pés e pressionou suavemente os lábios contra os dele e nesse momento Bakura se sentiu quase humano.

O egípcio sorriu para o albino antes de voltar pressionar o rosto contra o peito dele de olhos fechados totalmente alheio a expressão no rosto dele. Bakura quase podia sentir todos os seus desejos de vingar a sua aldeia desaparecerem, a cada passo que Marik dava mais próximo era uma passo a menos para a sua vingança.

Ele sempre achou estranho o modo como suave que agia com Marik. Bakura é apenas um monstro que deseja vingança, um parasita que precisa de um corpo. Nada daquilo lhe pertencia. Seus olhos, seu cabelo, sua pele pálida, suas mãos e seu coração não pertencem a ele, mas ainda assim, nada disso importava. Não quando ainda tinha Marik ali, nos seus braços.

Havia chegado a pensar que tudo aquilo não passava de um desejo de Ryou, que inconscientemente ele acabava seguindo. Mas não, aquele era apenas os seus desejos e sentimentos. Os desejos dele, o espírito do Anel do Milênio chamado Bakura, e não de seu hikari.

Riu internamente, se pensasse isso alguns meses atrás iria se achar um estúpido, um fraco que se deixou levar por sentimentos que só atrapalham, mas depois que esse egípcio infantil entrou em sua vida com um furacão, as coisas mudaram. Acabou descobrindo que as coisas são diferentes do que ele realmente acreditava, que apesar de todo esse tempo preso sozinho naquela relíquia ainda havia um pouco do seu lado humano ali e mesmo depois de cinco mil anos ele ainda era capaz de sentir emoções. Prazer, dor, tristeza, alegria, raiva, alívio e talvez, apenas talvez, amor. Todos esses sentimentos e sensações que compõem um ser humano.

Então, se ate mesmo ele, um demônio, pode sentir todas essas coisas... O que realmente significa ser um humano?

Feb. 27, 2018, 11:34 a.m. 0 Report Embed 0
The End

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Taimatsu Kinjou ƒαηƒι¢ѕ тαмвéм ησ ηуαн!, ѕριяιт, ƒαηƒι¢тιση.ηєт, ασ3 e ωαттρα∂

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