Infelizmente à sua disposição (2017) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Caiu entre as pernas dele, em um abraço desajeitado e necessitado. Sentiu as lágrimas contra sua bochecha e demorou um pouco para entender o que acontecia e reagir. Não o empurrou, mas se ajeitou, ajoelhando-se entre as pernas de Yuuri e passando os braços pelo pescoço dele. Os dedos foram à nuca, infiltrando-se nos cabelos escuros, mas não antes de arrancar aqueles fones do ouvido dele. Apertou-o, com força, com muita força, só então se dando conta do próprio coração acelerado. Apavorado. Yurio estava apavorado.


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#Yaoi #Yuri #Yurio #YurionIce
Short tale
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Capítulo Único


Yuri tentou soltar-se do abraço que recebia, quer dizer, não tentou de verdade, só o suficiente para os outros não acharem que aceitava aquilo facilmente.

— Eu... eu... — A voz engasgava ao tentar lhe dizer algo.

E então vieram os soluços. Droga, era tão ruim com gente chorando quanto Viktor.

— Yurio, desc- desculpe, eu...

Quis revirar os olhos e fingir-se de entediado, mas não deu certo. Na verdade, estava preocupado e isso o fazia olhar para os lados em busca de um lugar sem pessoas, câmeras ou fofoqueiros para que Yuuri pudesse chorar tudo o que queria.

— Vem, vem logo, seu porco, vamos sair daqui — falou, apressado, segurando Yuuri pelos ombros e o puxando para as escadas.

Felizmente, JJ havia visto, e Yuri até cogitou agradecer ao outro patinador depois por ele ter se colocado na frente dos jornalistas, impedindo-os de seguir Yuuri e ele. Desceu as escadas, segurando o corpo de Yuuri firme contra o seu enquanto via as mãos dele cobrirem a boca na tentativa vã de abafar o choro.

Suspirou, aliviado, quando viu que estavam sozinhos. Parou quando desceram dois ou três andares, olhou novamente ao redor para se certificar de que ninguém os veria e soltou Yuuri.

O que faria? O que diria? Yuuri tremia, colava-se à parede em pânico, abraçando o próprio corpo enquanto deslizava até o chão. As mãos foram à cabeça, as lágrimas se acumulavam nos olhos e a respiração estava dificultada por conta dos soluços.

Mas que merda! Aquele porco tinha que ter um ataque logo consigo?! Ainda mais quando Viktor não estava?

— Yu-Yurio, eu...

— Cala a boca, ok? — gritou, assustado, sem saber o que fazer.

Mas com certeza agira errado. Yuuri arregalou os olhos e assentiu, mas Yuri viu o modo como ele abaixou a cabeça e mordeu os lábios com força a ponto de machucá-los para conter o choro.

— Pare! Hey, pare com essa merda! — pediu, ajoelhando-se na frente dele.

Suas mãos tocaram-lhe o rosto, afoito, sem delicadeza, tentando limpá-lo das lágrimas e erguer-lhe a cabeça para que pudesse encará-lo nos olhos. Ele se encolheu com seu toque, como se fugisse de algo ao mesmo tempo em que o desespero com que os dedos dele se enroscavam nas mangas de seu moletom indicavam o contrário, impedindo que se afastasse.

Estalou a língua no céu da boca, mais preocupado do que irritado.

— Yuuri, tá tudo bem... — arriscou, hesitante, sendo puxado em seguida.

Caiu entre as pernas dele, em um abraço desajeitado e necessitado. Sentiu as lágrimas dele contra sua bochecha e demorou um pouco para entender o que acontecia e reagir. Não o empurrou, mas se ajeitou, ajoelhando-se entre as pernas de Yuuri e passando os braços pelo pescoço dele. Os dedos foram à nuca, infiltrando-se nos cabelos escuros, mas não antes de arrancar aqueles fones do ouvido dele. Apertou-o, com força, com muita força, só então se dando conta do próprio coração acelerado.

Apavorado. Podia se definir assim. Nunca tinha visto Yuuri tendo uma crise apesar de Viktor já ter mencionado uma ou duas vezes o assunto consigo. Que aquele porco era inseguro, sabia, que ele ficava nervoso antes das competições, já vira, que ele se cobrava mais do que devia, entendia, mas nunca imaginara que ele pudesse ficar tão mal após uma apresentação até que razoável... De repente, sentiu-se mal pelas palavras ditas tão grosseiramente no final da última Grand Prix, quando encontrara Yuuri sozinho, acuado, chorando escondido no banheiro.

Inconscientemente, fechou os olhos quando o soluço dele voltou. Sentiu seu peito apertar e, antes que percebesse, sua boca já estava perto do ouvido de Yuuri, implorando-lhe que se acalmasse, porém as mãos dele apertaram mais seu tronco, trazendo-o perto o suficiente para que não soubesse que coração sentia bater contra o peito.

E, naquele momento de lágrimas, soluços e pânico, deu-se conta do quão pequeno era. Não adiantava gritar, ser mal educado, dizer que aquilo passaria e que Yuuri não deveria se preocupar com uma competição idiota... Não adiantava nada do que falasse porque era como se os ouvidos dele estivessem tampados, permitindo apenas que Yuuri se afogasse em sua própria insegurança e tristeza.

Mordeu o lábio e deixou que ele chorasse como queria. Seus dedos afrouxaram e passaram a acariciar os cabelos negros como fazia com o pelo de seu gato quando queria acalmá-lo; enquanto isso, relaxou o corpo e abriu os olhos, suspirando pesadamente enquanto o celular de Yuuri tocava insistentemente.

— Eu caí... — Yuuri soluçou desesperado, engasgando-se.

Sim, ele tinha caído no começo da apresentação, Yuri vira, mas tudo o que se limitou a responder foi:

— Ok, chora, porco.

Ele realmente chorou mais forte depois disso e escondeu o rosto em seu pescoço.

— Eu... eu... coloquei a mão no chão... Viktor... ele...

— Shh... eu to aqui... Foda-se a mão no chão.

Ele assentiu, ainda trêmulo.

— A Rússia me odeia...

— Odeia — confirmou, mordendo a língua em seguida pela impulsividade. Era idiota ou o quê? — Mas... eu não... nem o Viktor — apressou-se em consertar. — Vamos ficar com você.... sempre, ok?

Yuuri concordou, e Yuri corou ao se ajeitar, sentando entre as pernas dele, de lado. De súbito, segurou a mão dele ao notar que ele novamente a pressionava contra o rosto, quase se machucando. Em um ato inconsciente, levou-a ao seu próprio, encostando a testa na de Yuuri enquanto finalmente percebia o quão ofegante estava.

— Olha pra mim... Olha pra mim! — gritou, e, Deus, como a mão de Yuuri estava fria! — Vamos, porco, olhe pra mim, caralho... Isso, assim, olhe pra mim... Vai ficar tudo bem...

— Eu falh-

— To aqui com você... — interrompeu-o, falando firme enquanto apertava a mão dele contra o rosto. — Eu e você, em Barcelona, certo? — falou, apressado, esperando a confirmação hesitante do outro e percebendo que sua própria mão tremia. — Isso mesmo, porco, eu e você em Barcelona, com o idiota do Viktor como seu técnico, e nós dois disputando o ouro! E vai ser assim porque... porque é para ser assim! E vamos cair! E levantar! Não importa quantas vezes, porra, porque... porque... porque é assim caralho! Se fosse fácil, todos fariam! Não é? Isso aqui não é para qualquer um, não é? Estamos na final, Yuuri...

Lambeu os lábios, secos, e pegou os fones dele. Colocou um no ouvido dele e um no seu próprio, encostando-se no ombro dele enquanto voltava a ser abraçado com um pouco menos de afobação agora, mas ainda trêmulo. Sua mão voltou ao cabelo dele, afagando-o com carinho e preocupação enquanto dava play na música.

— Yurio...

— Shhh... To aqui, ok? Pode chorar, pode me abraçar. To aqui, porco, vou ficar aqui com você, ok? — sussurrou, engolindo em seco quando Yuuri concordou, acalmando-se mesmo que um pouco.

E ficou assim, algo o obrigava a fica ali, abaixado, abraçado a Yuuri até que Yakov apareceu para buscá-los. Contudo, diferente do alívio que achou que sentiria quando alguém, um adulto de preferência, aparecesse para se responsabilizar pelo outro patinador, sentiu... Bem, não soube definir, mas pode-se dizer que Yakov não conseguiu mesmo tirar Yuuri de seus braços tão cedo, não quando finalmente tinha conseguido acalmá-lo, quando finalmente tinha conseguido SE acalmar!

— Yurochka, está tudo bem? — seu vô perguntou, olhando-o desconfiado pelo silêncio. Já estavam no carro há minutos, e o neto nem sequer comemorava a medalha de prata em suas mãos pela Copa da Rússia. — Não era isso? Pensei que se juntasse katsudon com pirozhki você fosse gostar.

— Ah... Está ótimo, vô — respondeu, apressado, observando a noite através da janela do carro.

— Preocupado? Você foi incrível hoje, garoto. Devia descansar e-

— Vô... — interrompeu-o, sem graça, recebendo um arquear de sobrancelhas. — Pode me levar até o hotel onde os patinadores estão?

— Acabamos de sair de lá, Yuri, não quer ir para casa?

— Quero, quero sim, não é isso! — respondeu rapidamente. — É que... É que tem um amig-... o Yuuri, ele não está muito bem — corrigiu-se, envergonhado. — E aquele babaca do Viktor não está aqui para tomar conta daquele porco! Ele vai ficar sozinho naquele hotel pensando um monte de merda como sempre. Quer dizer, ele é um idiota, vai que faz alguma... ah... idiotice. Você precisa ver, ele parece um bebê chorão! Yakov não vai saber lidar com ele, nem aquela louca da Mila, vão acabar fazendo ele fugir correndo pro Japão.

Nikolai riu, breve, dando meia volta com o carro enquanto assentia para o neto. Ao estacionar um pouco longe do hotel, Yuri saiu do carro, mas não sem antes ser segurado e receber um olhar severo.

— Coma os pirozhki. Depois me diga se você e seu amigo gostaram, posso fazer mais numa próxima. Não volte tarde.

— Pode deixar. — Yuri sorriu ao segurar o saco de pirozhki. — Obrigado.

Caminhou, abraçado à comida quente enquanto via o hotel, mas não precisou ir até lá. Encontrou Yuuri sozinho no meio da rua, perdido em pensamentos. Seria legal assustá-lo. Riu sozinho com o pensamento e correu, feliz, mas ignorando essa última parte. Afinal, não precisava admitir em voz alta, nem mesmo em pensamento para si próprio, que se importava mais do que devia com Yuuri; muito menos aceitar que sorrira sincero para ele enquanto comiam pirozhki ou então que não conseguira dormir até que Viktor lhe mandasse uma mensagem para informar que Yuuri já havia chegado ao Japão.

— Yurochka, tem algo errado? — seu vô perguntou pela manhã ao ver suas olheiras.

— Não. Cadê minha gata? — desconversou, depressa.

Algo errado? Tinha, mas não podia falar; se dissesse, teria que explicar sobre Yuuri e não só isso, teria que explicar como fora idiota o suficiente para se apaixonar por ele. É... era melhor só negar, ficar à uma distância segura, e, se o porco precisasse de ajuda novamente, estaria lá para ele...

Feb. 27, 2018, 1:51 a.m. 0 Report Embed 5
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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