Dói tanto (2016) Follow story

alicealamo Alice Alamo

Não, Sasuke, não faça assim... Não respire desse jeito descompassado contra meu pescoço, fazendo a pele se arrepiar e o meu coração perder o ritmo adequado das batidas. Por favor, não arraste o nariz gelado contra minha pele quente como se não fosse nada. Sasuke, o que estamos fazendo?


Fanfiction Anime/Manga Not for children under 13. © Todos os direitos reservados

#yaoi #naruto #sasuke #ua #sasuneji #neji #Neji-Sasuke
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Capítulo Único


Não, Sasuke, não faça assim...

Não respire desse jeito descompassado contra meu pescoço, fazendo a pele se arrepiar e o meu coração perder o ritmo adequado das batidas. Por favor, não arraste o nariz gelado contra minha pele quente como se não fosse nada.

Sasuke, o que estamos fazendo?

Minhas pernas tremiam. Sorte que não estava de pé. Aliás, não sabia que o meu colchão era tão macio... Bêbado, sei que eu estava um pouco, quer dizer, tanto quanto você. A única diferença era que a bebida parecia ter em você um efeito diferente do que em mim. Enquanto eu simplesmente queria te beijar, afundar a mão nos seus cabelos, gemer contra sua pele, você me olhava em choque, como se finalmente me enxergasse.

O calor se espalhava pelo meu corpo à medida que você descia os olhos para minha boca. Lambi os lábios de propósito, assistindo você franzir o cenho e tocá-los com dois dedos. Meu coração bateu tão rápido, tão ansioso! Enquanto você contornava minha boca, desenhando-a em sua mente talvez, eu fechava os olhos, deixando as lágrimas surgirem e transbordarem por seu toque.

Quem diria que uma simples festa da escola com bebidas clandestinas acabaria desse jeito, não é? Lembre-me de agradecer a Naruto pelas várias garrafas de vodka.

Ah, Sasuke, você tem noção de quantas vezes eu sonhei com você sobre o meu corpo como estava naquela hora?

Meu corpo todo se arrepiava, e eu não tinha firmeza nas mãos ao segurar suas coxas. Caído sobre mim, inclinou-se para inspirar profundamente perto do meu pescoço sem dizer nada. Engoli em seco, apertando-te, sentindo o tecido jeans contra meus dedos.

Quando seus olhos se ergueram, confusos, senti medo novamente, segurando-te com mais força para que não saísse dali.

— Você... — sussurrou, o rosto perto do meu. — Você... é gay?

Meu medo superou qualquer esperança. Soltei-te, agarrando-me ao lençol ao virar o rosto e morder o lábio inferior com força. Meu peito inflava, os soluços do choro já se manifestando ao passo que o pânico me dominava por completo (culpa da bebida com certeza).

A surpresa de sua voz era totalmente aceitável visto que sempre te escondi a verdade, mas, Sasuke, quem não esconderia que estava apaixonado, perdidamente apaixonado, por você? Ainda mais eu! Você, em algum momento, já imaginou que eu fosse me declarar para alguém? Já pensou que me veria chorando pelo simples fato de não conseguir mais segurar as emoções, de não conter o medo que me afligia de sua rejeição?

Demorou, demorou muito para que você tivesse alguma reação. Por minutos, permaneci chorando sem que me dissesse qualquer ofensa ou me olhasse. Encarava meu peito, o modo como subia e descia desordenadamente pelo choro. Então, quando achei que me abandonaria ali, sozinho com minha vergonha, seus braços contornaram meu pescoço, suas mãos acariciaram meu rosto antes de se infiltrarem pelas mechas do cabelo, seu rosto ficou ao lado do meu naquele abraço desajeitado.

— Neji...

Foi reconfortante, com certeza foi. Era como se o peso de tudo desaparecesse dos meus ombros, como se pudesse me aceitar só porque você não me rejeitara tal qual faria com uma aberração. Mas ainda tinha um problema... Você estava muito perto para minha sanidade, Sasuke.

Sua boca estava perto demais do meu pescoço, você estava perto demais de mim. O corpo era quente, seu perfume me embriagava mais ainda, iludindo meu coração e atordoando o cérebro. Sasuke, o que você fazia comigo?

Talvez fosse só se afastar, só se apoiar nos braços para sair daquela cama, mas nossos corpos ainda estavam tão unidos que sua movimentação fez seu membro se arrastar sobre o meu. Gemi baixo, fechando os olhos com o atrito. Já você arregalou os seus ao fazer o mesmo, tapando a boca com uma mão.

Confuso e assustado. Quem de nós estava mais? Difícil dizer.

Segurei suas coxas, impedindo que se levantasse, e acabamos nos esfregando um no outro de novo. Dessa vez, fechou os olhos, soltando o ar da boca de uma única vez. Sem dizer nada, movimentei-me sob você, levando às mãos aos seus quadris para que me acompanhasse. E você fez! Por Deus, Sasuke, você fez! E gemeu baixo, em meu ouvido, arrastado, excitado.

Tombei o rosto para o lado, encontrando seus olhos negros me observando. Não sei você, mas me perdi naquele momento. Eu estava tão entregue a você que, qualquer coisa que me pedisse, eu faria; qualquer coisa que me ordenasse, eu obedeceria; qualquer coisa, Sasuke... independentemente do meu orgulho.

Arrastei as mãos por sua bunda, subindo pelo tronco e te abraçando contra mim. Você lambeu os lábios, alternando o olhar entre meus olhos e minha boca. Hesitou, franzindo o cenho e meneando a cabeça diversas vezes ao mesmo tempo em que se aproximava mais e mais de mim. Seu hálito tocou minha face, quente e excitante. Olhos semicerrados, respirações aceleradas se misturando no pequeno espaço que nos separava.

Abri a boca minimamente. Você fez tudo tão devagar... Deslizou seus lábios sobre os meus, deixando a língua tocá-los levemente antes de gemer comigo quando, enfim, beijamo-nos.

Te apertei, sua língua contra a minha me excitava. Você beijava de modo intenso, sempre intenso, dominando e, contraditoriamente, convidando-me a me afogar consigo naquele prazer tão simplório. Não era só um beijo, Sasuke. Era todo o meu ar, era uma injeção de adrenalina direto no coração. O meu peito inflamava, minhas veias dilatavam, meu coração explodia!

Não era só um beijo para mim...

Pensar era complicado, a razão parecia ter fugido para o canto mais obscuro do quarto a fim de nos assistir. Eu estava hipnotizado pelo gosto doce da sua boca, querendo manter seu lábio preso entre meus dentes, sugando-o apenas para te ouvir suspirar. Você fazia-me gemer cada vez mais alto, rebolando, chocando nossas tão presentes ereções em uma carícia deliciosa.

Mas eu queria mais. Bem mais. Eu queria tudo.

Toda vez que seus olhos se encontravam com os meus, sua consciência retornava, fazendo-te recuar e me olhar conflituoso. Mas você queria tanto quanto eu, então bastava um gemido, um único gemido para que meneasse a cabeça, espantando ideias que barravam seu desejo, e voltasse a chupar meu pescoço.

Teria marcas. Várias delas. Lindas marcas que me provariam na manhã seguinte que eu não sonhara nossa noite... Não de novo.

Apertar seu cabelo entre meus dedos era uma sensação deliciosa, e ver-te revirar os olhos ao gemer me deixava excitado. Por mais que a consciência me alertasse da bebida, do álcool que nos guiava e do quanto aquilo poderia se tornar um problema futuro, eu ignorei. Desculpe, Sasuke, desculpe, mas eu não quis ouvir a razão quando finalmente te tinha comigo, me beijando, me aceitando, me acolhendo. Doía demais imaginar parar aquilo e te ver desistindo... Doía demais...

Porém, a preocupação foi infundada, não é mesmo? Você provavelmente tinha bebido mais do que eu supusera e, por isso, quando se afastou de mim, não foi para me rejeitar e sim para correr ao banheiro, vomitando todos os copos de vodka com sabe-se lá o quê.

E eu fiquei, deitado na minha cama, sozinho, encarando a parede. O relógio da cabeceira indicou sete da manhã de mais um sábado, e, por incrível que pareça, eu já estava desperto. Quer dizer, ainda acordado já que dormir não me foi uma opção. Enquanto você passava mal à noite, liguei para seu irmão. Itachi veio te buscar e fingiu não ver meus olhos vermelhos pelo choro que você não ouviu por estar bêbado e desacordado. Desde então, o branco da parede me pareceu muito interessante, muito mais do que deveria.

Suspirei, sentando-me. Meu tio e minhas primas chegariam em algumas horas, o que significaria que voltaria a vestir uma máscara de equilíbrio e serenidade.

O banho serviu para acabar com qualquer cheiro de bebida e cigarro que pudesse ter ficado em mim ou em meu cabelo; o clima frio justificava a blusa com gola que usaria para esconder os chupões; o café da manhã reforçado foi apenas para garantir que meu estômago parasse de me acusar por não ter comido nada na janta anterior; mas nada disso me dava um consolo bom o suficiente para esquecer, pelo menos por um tempo, do que havia acontecido.

A espera pela segunda-feira foi dolorosa, e os passos que me levavam para a sala de aula eram hesitantes e medrosos. Contudo, quando eu abri a porta e te vi, sentado sobre sua mesa, a hesitação evoluiu para pânico. Pensei que me odiaria, que sentiria nojo ao se lembrar do que fizemos, mas não foi isso o que aconteceu, não é?

Em vez disso, você acenou com a cabeça para mim enquanto Naruto não parava de falar. Coloquei a mochila sobre minha cadeira e, então, te olhei. Sereno, calmo, indiferente, você parecia estar sob total controle. E isso me intrigou até que suas palavras surgiram para acalmar minha mente e partir meu coração:

— Ah, Neji, valeu por ligar pro meu irmão... Eu devia estar péssimo mesmo — riu anasalado. — Bebi tanto que nem lembro como saímos da festa.

Por alguns segundos, te encarei como se estivesse contando uma piada, mas, quando arqueou a sobrancelha, confuso por minha reação, entendi que não. E, assim, à medida que a ferida em meu coração se abria e sangrava, eu forçava um sorriso discreto nos lábios e engolia o choro para então te responder da forma mais calma possível:

— Não foi nada. Vê se não me dá trabalho da próxima, Uchiha.

Dessa forma, você revirou os olhos e se sentou para a aula enquanto cabia a mim fingir que aquela noite não existiu, que seus toques e beijos não existiram, que meu coração não mais existia...

Feb. 26, 2018, 10:21 p.m. 0 Report Embed 4
The End

Meet the author

Alice Alamo 23 anos, escritora de tudo aquilo em que puder me arriscar <3

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