As Folhas Que Só Nós Vimos Follow story

julia Julia Vitória

Erick Bondevik é um adolescente típico de uma família rígida de interior, tirando talvez, o fato nada típico de ele ter nascido com um dom mágico. Enquanto tenta lidar com sua vida um tanto quanto confusa e com as próprias inseguranças, se vê se redescobrindo pelos olhos de um jovem excêntrico e divertido chamado Thomas,  através de um amor doce, puro e fascinante. -Também postado no Wattpad-


LGBT+ Not for children under 13.

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Primeira Folha

Uma cidade pequena num lugar qualquer dos Estados Unidos, longe de tudo e de todos, e eu consigo ficar perdido mesmo num lugar desses, aparentemente um jovem de cabelo loiro-escuro bem aparado, olhos azuis tão acizentados que ao longe não da pra se notar o fato de serem azuis, e provavelmente com um semblante tenso, cansado e assustado, não havia nada de mágico em mim, tirando o fato de eu ter nascido com um dom, minha família inteira tem ou tinha algum poder, e espalhados pelo mundo, existem muito mais pessoas assim do que se imagina, não se sabia como surgiram, talvez uma evolução da espécie, se você acredita talvez algo mais espiritual, pessoas como eu, que receberam muitos nomes com o passar da história; paranormais, bruxos, magos, anjos, demônios, deuses, heróis... Não tenho certeza de qual definição está mais certa, então eu prefiro não usar nenhuma.

Eu nunca tive certeza de nada. Era como se minha vida inteira fosse mentira, e eu não tinha como confirmar se realmente era ou não, talvez em algum momento da vida todos passem por isso.

Fui à minúscula biblioteca da escola da cidade, onde, na minha infância, meu irmão mais velho ia para pegar os livros que eu pedia, apesar de que, eu mesmo não me recordo de já ter estado ali antes, não fui a fim de ler, mas apenas de parar e pensar um pouco aproveitando o silêncio e a tranquilidade.

Sentei exausto, encarando a tela do meu celular simplório, só havia dois números gravados, o de meu irmão Dean, que não morava mais conosco, havia ido pra Nova York como todo jovem adulto gostaria de fazer, pelo menos é o que os livros diziam, e o de casa, conferi as horas e o guardei, só o tinha graças a insistência do meu irmão, eu sinceramente nunca gostei de tecnologia humana, quando notei que um som atrapalhava a paz, toc, toc, toc, no outro canto da sala um menino com cabelos negros bagunçados e pele levemente bronzeada batia com o lápis contra a mesa e com o pé contra o chão, dando um pequeno ritmo a aquilo, acabei me distraindo por um tempo o observando, eu sentia uma estranha sensação familiar ao ver aquele total desconhecido nada sutil.
Antes que eu me desse conta ele se levantou e começou a vir na minha direção, gelei e virei na direção da mesa apressado, peguei um livro qualquer que haviam deixado lá e comecei a folhear. O garoto já estava ao meu lado quando me dei conta, ele se inclinou e disse sorridente:

-Ei, ei, você me conhece?

-A-ahn... - Tentei parecer atento ao livro, normalmente não diriam "nós conhecemos de algum lugar?" ou algo assim? Será que era alguém famoso? - Desculpe, não tenho conhecimento de tal. - Falei tentando disfarçar o nervosismo.

-Ahn?-ele pareceu confuso, refletindo sobre o que eu disse.

-Digo... Não tenho conhecimento de te conhecer.

Ele riu.

-Você fala engraçado! - Ele rolou os olhos pras minhas mãos, notei que eram de um tom castanhos, e ia esverdeando conforme se aproximava do centro da íris, nunca havia visto olhos assim, ele possuia uma pintinha charmosa logo abaixo do olho esquerdo. - E lê de cabeça pra baixo! Nossa que legal! -O livro quase pulou da minha mão, mal tinha voltado a interagir com os outros e já estava morrendo de vergonha, ele estendeu a mão pra mim. - Oi meu nome é Thomas!

-Erick.- O cumprimentei apertando sua mão.

-Quer saber o que significa? - Achava que tinha me perdido na conversa, e ele ainda balançava animadamente minha mão.

-Gêmeo! - ele disse animado.

-Gêmeo?

-Sim, gêmeo!

-Erh.... Não sei do que está falando...? - Respondi confuso, ele finalmente tinha soltado minha mão.

-Thomas quer dizer gêmeo, entende?

- Ah... Que.... Legal, Thomas.

- Não tanto, sabe, eu nem tenho um irmão gêmeo...

- Oh....

- E Erick?

- Sim....?

- O que quer dizer?

- Sinceramente eu não sei. - Ele começou a olhar o livro que estava antes, de cabeça pra baixo, em minhas mãos, se concentrando pra ler o título, fiquei aliviado em ver que era Alice no País Das Maravilhas e não algum livro que deixasse aquela situação toda mais estranha.

- Ah, Erick, lembrei! Você tem um dom, não é?

Quase engasguei, me afastando um pouco assustado, olhei ao redor pra ver se alguém ouvia a conversa, felizmente a biblioteca parecia vazia.

- Como você...

- Eu também! Não sentiu? Achei que estava me olhando por isso, poxa, estou tão empolgado!

Ok. Outra pessoa com poderes na cidade, alguém que não era da minha família. Bem da família que eu acreditava ter. Legal. Que péssimo. Eu não sabia o que fazer, ou mesmo o que pensar, eu não sou bom em julgar alguém, mas Thomas era meio estranho, inquieto e ansioso. O ser estranho interrompeu meus pensamentos perguntando:

- Você nasceu aqui, Erick?

- Até onde me lembro sim... Mas não tenho certeza.

- Na biblioteca?

- O que...?

Então ele começou a rir, gargalhar alto, tenho certeza que se tivesse mais alguém ali iria manda-lo calar a boca.

- Era brincadeira, sabe? - Pelo riso, eu havia notado, mas ele havia perguntado com uma seriedade que me assustou. - Mas enfim... "Mas não tenho certeza."? Tem memória fraca ou algo assim?

- Eu.... Espero que seja isso.

- Poxa... - Ele passou a mão nas minhas costas, me consolando, apesar de eu não saber o porque, espero não estar demostrando tristeza ou insegurança, pois como uma boa pessoa triste e insegura eu queria guardar isso só para mim.

- Podemos nós ver amanhã, aqui mesmo! - Ele continuou. - Vá para casa e tente relaxar. Ah e durma bem.

-Certo... - E então fui para casa, algo que no fundo eu estava evitando ao máximo, e novamente vi vários desconhecidos que eu conhecia muito bem.

O tempo foi passando e acabamos nos encontramos com certa frequência, sempre que podíamos, geralmente durante as nossas folgas, Thomas morava numa pensãozinha na cidade e aparentemente pretendia ficar pouco tempo na cidade, ele me disse que a noite a pensão funcionava como pizzaria e que trabalhava como entregador pra pagar a estadia e todo o resto. Ele estava sempre animado e disposto a falar sobre qualquer coisa, eu o escutava pacientemente mesmo sobre assuntos que eu não entendia. Sinceramente não sei daonde ele tirava tanta energia, me pergunto se era um segundo dom dele, mas tudo bem, até que é legal ver ele tão feliz, ele quase sempre me contagia com isso, além de que ele também é desligado e as vezes simplesmente encara o vazio refletindo por um tempo(as vezes longo) sobre o que estávamos falando, vez ou outra ele esquece alguma palavra e eu tinha que lembra-lo. Tinha um quê de adorável nisso, apesar de eu me sentir meio culpado por rir da memória ruim dele. Um dia eu estava tentando retomar o hábito de leitura, enquanto o esperava no parque. E então antes que eu notasse ele já estava do meu lado segurando o livro que estava em minhas mãos até um segundo atrás.

-Ora, ora então alguém aqui é inteligente? Oooh é daqui que sai as palavras difíceis?

-Cala a boca.... - respondi constrangido. - Não é só ler um livro que te faz inteligente.... É entender... Questionar sobre aquilo, eu acho... Não acho que eu esteja a altura de...

-Você é severo demais consigo mesmo, sabia? - Me interrompeu, meio que repreendendo. - Então, então, então vamos fazer assim? Você é o criminoso.

-O que...?

-Espera eu terminar, poxa. - Sorri de canto. É você que vive interrompendo os outros Thomas... - enfim, você é o criminoso e o policial mal... Tipo pra si mesmo, daí eu sou o policial bom. - Ele ri orgulhoso, pondo o dedo na minha cara. - E estou dizendo que você é inteligente!

- Não acho que policial nenhum elogie o bandido assim, Thomas. - eu digo, tentando segurar o riso, eu não queria rir, droga.

- PLOST TWISTER, então eu sou o resgate.

- Indeciso.... Como se ler fosse crime.

-Em certos lugares, com certos livros e, sabe....

- Espero não ir para esse lugar nunca. - Comento.

- Nem eu. - Ele responde.

-Você nem lê, Thomas. - digo tirando o livro das mãos dele.

- Mas mesmo assim... Se eles te prendem por ler algo que não querem que leia... Imagino que não seja um lugar com muita liberdade.

-Hm... Faz sentido.

- Ah! Por falar em liberdade....

-Hm?

- Vamos à cidade?

- O que? Tá louco, os humanos podem...

Sua expressão se tornou séria como eu nunca virá antes.

-Nós também somos humanos.

Um silêncio constrangedor nos atinge, eu não sei dizer se o que ele dizia era certo ou não, mas tudo que me foi ensinado me indicava que aquela frase estava errada, eu realmente não sabia dizer se havia algo certo em minha vida. Eu e ele sempre estávamos meio afastados e escondidos de tudo, nunca me perguntei se ele gostava disso. Provavelmente não.

- Tudo bem... Vamos...

Feb. 26, 2018, 5:33 p.m. 0 Report Embed 0
To be continued... New chapter Every Monday.

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