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Após ser chantageado e arrastado ao pior lugar do mundo para ele, Gerard se vê dentro de um parque de diversões e a única coisa que o consola, é o pensamento de que poderá comer quanto algodão doce aguentar. No entanto, ele não sabe que o dono dessa mesma barraquinha é quem o fará perder todo o ódio por parque de diversões, ou quem sabe aumentá-lo...


Fanfiction Bands/Singers Not for children under 13.

#yaoi #fluffy #frerard
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Capítulo único

De acordo com o relógio de Gerard, ele estava mais do que adiantado para o passeio que daria com Bert, que infelizmente seria para o parque de diversões.

Bert era a pessoa que mais sabia que se existe um lugar que Gerard odeia, esse lugar é o parque. Muitas luzes, pessoas felizes, crianças gritando, odores misturados, terra entrando nos sapatos e o terrível cheiro de ferro que fica na mão após usar um brinquedo.

Contudo, Bert também era a pessoa que sabia que Gerard era simplesmente apaixonado por algodão doce e, por isso, o convenceu a ir, prometendo-lhe todo algodão doce que ele conseguisse comer.

A ideia não lhe agradava, mas só de pensar no doce gosto de açúcar salpicando em sua língua, ele chegava a salivar e a sonhar acordado com a quantidade enorme que consumiria.

Estando pronto, ele sentou no sofá e ficou aguardando por Bert, que estava atrasado, para variar. Estava vestindo uma jaqueta preta, com uma calça na mesma cor e suas habituais botas. Pegou o celular e ligou para o mesmo, que atendeu de prontidão com uma voz esganiçada e ofegante.

— Já estou chegando! Sinto muito.

Assim que ouviu o que o amigo tinha a dizer, Gerard desligou a chamada sem falar uma palavra e continuou onde estava, contemplando o tapete felpudo cinza e os móveis da casa onde vivia, nada muito elegante e nem tampouco desleixado.

Fitou suas botas lustradas e limpas, brincando com seus dedos, quando o amigo finalmente chegou, tocando a campainha três vezes seguidas, antes de abrir a porta e entrar de uma vez.

— Está pronto? — perguntou, animado, com os cabelos compridos voando.

— Não vamos demorar. — poderia ter sido uma pergunta, mas não, Gerard tinha esse jeito mais autoritário e frio de lidar com as pessoas, então apenas afirmou que não iriam demorar, porque provavelmente ele faria de tudo para que isso não acontecesse.

— Não seja chato, Gerard, já te prometi um caminhão de algodão doce... Por favor! — suplicou Bert, levando as mãos na frente do corpo e piscando como um cachorro que caiu da mudança.

Sem responder ao pedido do amigo, Gerard saiu pela porta e ele o seguiu, fechando a porta atrás de si e trancando-a, jogando a chave para a mão do outro enquanto caminhavam em direção ao parque recém-aberto da cidade.

No decorrer do caminho, as luzes iam ficando mais intensas, as ruas mais cheias e a música alta. A mistura de tons e cheiros o deixavam enjoado e seu olhar continuava nas botas, pisando com firmeza no chão de terra batida e cheio de pedrinhas, que eventualmente atrapalhavam alguém que estivesse com um sapato aberto.

De acordo com Bert, Gerard teria que ir em pelo menos dois brinquedos com ele antes de comer seu primeiro algodão doce. Mesmo que a contragosto, ele teve que concordar, pois estava ali apenas pelo açúcar com corante que tanto amava.

Foram então no barco viking e sentaram-se na ponta. Gerard se amaldiçoou por dentro por ter esquecido suas luvas em casa e sabia que ficaria com as mãos cheirando a ferrugem só de encostar naquela barra suja e passada na mão de inúmeros desconhecidos.

Seu estômago se embrulhava a cada nova descida e ele não via a hora daquele sofrimento acabar, para irem em algum lugar mais calmo e poder finalmente comer seu tão esperado algodão doce e talvez ir embora (dependendo do quão gostoso fosse).

Após a sessão de tortura, foram ao bate-bate e um alívio imenso percorreu a espinha de Gerard, pois seria apenas “dirigir” e bater (ou não) nos outros carrinhos. Mas Bert, competitivo como só ele é, fazia questão de passar a toda velocidade que aquela coisa era capaz de chegar e bater de frente com ele, fazendo com que seu corpo desse um solavanco para frente, depois para trás, batendo as costas com tudo no banco duro e desgastado do carrinho. Ele olhava para Bert, fulminando-o com o olhar, mas continuava seu trajeto na paz, sem ultrapassar, nem bater em ninguém, porém Bert ainda era Bert...

Quando finalmente saíram daquele martírio, foram caminhando a procura da barraquinha de algodão doce. Gerard podia sentir seu estômago ansiar pelo doce, quase suplicar, como quem suplica por misericórdia. Podia rir do pensamento se estivesse sozinho, mas no meio daquela multidão, a cara amarrada era a única que tinha, pelo menos até ver seus preciosos.

Lá estava, uma barraca de madeira com um tecido rosa chiclete na frente, uma placa de tela escrito algodão doce e seu respectivo preço. Um garoto baixinho, de cabelos desgrenhados estava atrás, com um sorriso de orelha a orelha. Seus cabelos pretos com mexas loiras poderia ser o que mais chamava atenção ali, depois dos enormes palitos com algodão doce que estavam a sua frente. Um de cada cor. Cada um com seu respectivo valor, mesmo sabor inigualável e tão apreciado por muitos, mas não tanto quanto Gerard. No entanto a quantidade de tatuagens que cobriam o corpo do rapaz era tão grande que conseguiram tirar a atenção dos doces de Gerard por um instante.

Sua boca salivava de desejo e ele quase correu de encontro à barraca e derrubou tudo. Se não fosse por Gerard segurá-lo, ele provavelmente teria destruído todo o trabalho daquele jovem de cabelos bagunçados e desmanchado seu enorme sorriso.

— Olá! — disse ele assim que os dois pararam em frente a sua barraca. — Sou Frank, no que posso ajudar? — o sorriso sem nunca sair do rosto.

Gerard revirou os olhos internamente para aquela alegria sem motivo e pegou dois dos palitos dispostos ali, um rosa e um azul, mordendo-os e sentindo o açúcar derreter em sua língua e quase escorrer pelo canto de sua boca.

Bert ria da situação e falava para o garoto não se incomodar, que seu amigo virava um cachorro quando se tratava de algodão doce.

— Quer mais alguma coisa? Como você acabou com meu estoque de açúcar, acho que esse último pode ser por conta da casa. — disse o garoto, rindo e entregando o último palito a Gerard. — A propósito, qual o seu nome?

— Ge-Gerard. — disse ele, hesitante por um momento, mas ainda se lambuzando com o algodão doce dessa vez amarelo.

— A que devo a honra de sua visita em minha humilde barraca? — perguntou Frank, com o sorriso enorme no rosto, fazendo o piercing no canto de sua boca brilhar.

— Hm... Algodão doce? — disse Gerard com desdém, sem tirar os olhos das enormes bolas de açúcar que estavam em suas mãos.

— E eles estão gostosos? — Frank perguntou, sugestivo.

Gerard apenas balançou a cabeça em afirmação e continuou com a comilança.

— Quer mais um, Gee? Eu posso arrumar um pouco mais de açúcar para você. — disse, chamando o maior por um apelido que ele odiou de imediato. Mordendo os lábios e fitando o outro de cima a baixo.

— Não... me chame assim. Meu nome é Gerard! — Frank pôde ver os olhos verde-oliva o fuzilarem, mas não desfez seu sorriso, pelo contrário, apenas o aumentou e decidiu repetir o que havia dito, apenas para provocar o maior.

— Gee... Acho que um pouquinho mais de açúcar lhe cairia bem, parece que você precisa adoçar um pouquinho mais seu humor. Que tal se eu te ajudar? — falou, com um sorriso malicioso no rosto, as bochechas vermelhas e os olhos brilhantes, um misto de timidez e ousadia que deixou Gerard perplexo e de queixo caído, esquecendo completamente o algodão doce na mão.

Como ele se atreve?, pensou o maior, sentindo a raiva subir em seu sangue e seu braço ser segurado por Bert.

A raiva que Gerard sentia era apenas porque estava gostando das provocações do menor. Aquele sorriso indecente, os piercings brilhantes em combinação com o olhar infantil, as tatuagens que o deixavam com um ar mais rebelde e principalmente o modo com o desafiava, ignorando completamente as respostas grosseiras e o olhar mal-encarado; toda aquela obra por trás de uma barraca mal armada com tecidos de cores claras entrando em sintonia com o resto das luzes do local; o misto de ódio e desejo era o que acabava com o psicológico de Gerard, e Frank, por sua vez, conseguia ler perfeitamente aqueles olhos de cor tão singular, por isso continuava com as brincadeiras e queria ver até onde aquilo iria chegar. E se dependesse dele, seria muito longe...

— Ele realmente não gos... — interviu Bert.

— O que acha, Gee?! — repetiu, interrompendo Bert. Aquele mesmo sorriso insolente no rosto. — Huh?

Num ímpeto de fúria, Gerard tentou voar por cima da barraca e quase derrubou o pouco que ainda estava por cima. Frank apenas riu e o pegou pela gola da jaqueta, olhando-o de cima a baixo e aumentando o sorriso torto, fazendo o piercing em seu lábio brilhar com a luz da lua, piscando com seus cílios fartos e hipnotizando o maior, que se quer se movia, deixando toda fúria que um dia esteve presente em seu corpo se esvair por completo e um desejo avassalador ficar no lugar.

Frank, que já havia percebido desejo implícito em seus olhos coloridos, o puxou para mais perto, colando seus lábios nos dele, tendo a troca de contato do quente para o frio, da vontade para a relutância, até que a mesma se transformou em luxúria e se não fosse pelo orgulho do maior, uma situação bem mais incomum e constrangedora poderia acontecer no meio daquele parque de diversões.

Os lábios de Frank eram quentes e macios — tendo apenas um ponto gélido e metálico provocado pela argolinha — diferente dos de Gerard, que eram frios e rachados pela péssima mania de arrancar as pelinhas que saíam naturalmente. Uma das mãos de Frank subiu para a nuca de Gerard e tentou aprofundar o beijo, a língua pedia passagem pela boca do outro, mas o orgulho era o maior problema. Mesmo com a ereção se formando em sua calça, deixando todo aquele aperto mais do que incômodo, quando Gerard se deu conta do que aquele moleque insolente estava fazendo, se afastou com frieza e lhe lançou um olhar duro, mas com um brilho de satisfação que nem ele sabia que existia.

Quebrou o beijo com frieza e se desvencilhou das mãos do menor, puxando o braço de Bert e andando para longe daquele lugar terrível. Querendo dar um chute e derrubar toda aquela palhaçada, ele precisou se recompor e continuar caminhando, ainda sentindo a sensação gostosa dos lábios macios do outro, só deu tempo de olhar para trás e ver Frank sorrindo e dando um tchauzinho à Gerard, que quase soltava fumaça pelas orelhas.

Mesmo com todo orgulho que tinha, uma chama mínima se acendeu dentro dele. Ainda não era capaz de senti-la com clareza, mas levou a mãos aos lábios e sentiu o formigamento que continuava mesmo com alguns minutos que o beijo fora quebrado.

Toda frieza foi desmontada desde o momento em que pôs os olhos em Frank, aquele simples rapaz de cabelos bagunçados e olhos brilhantes, atrás da barraquinha dos sonhos de Gerard, que o beijou sem ao menos conhecê-lo e vai fazê-lo pensar naquela noite para sempre, mesmo odiando parque de diversões.

Feb. 26, 2018, 12:26 p.m. 0 Report Embed 0
The End

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