Agente Samos Follow story

@fernando Luís Fernando

Agente Samos está em uma missão extremamente complicada, onde vai se encontrar em situações engraçadas e clichês pra combater aquilo que todos nós tememos: Os erros de português.


Humor Not for children under 13.
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Ensima

Ah, o materialismo!

Uma intensa compulsão de comprar e gastar! Quem se controla quando se tem milhões e milhões na conta bancária? Gastam sem pensar duas vezes, só pra ter aquela sensação prazerosa de ter algo novo.

E naquele dia, a Riachuelo estava prestes a lançar uma nova coleção de roupas. Eram roupas modernas e com cortes inovadores, com alta costura e ainda assim, confortáveis. Seria o retorno da modelo mais aclamada do Brasil! Ensima Guimarães, conhecida por sempre usar a cor vermelha em suas roupas. Sempre era o destaque.

No dia do desfile, o lugar estava cheio de materialistas, estilistas, paparazzis e artistas contemporâneos. Sempre com um copo de conhaque ou uma taça de vinho nas mãos, tinham o olhar crítico pra tudo que observavam.

Samos compareceu ao evento, usando um clássico terno elegante de 1957. O desfile seria no Planetário da Gávea, apenas retiraram as estátuas e colocaram uma grande passarela. As estrelas artificiais iluminavam todo o lugar, o que deixava tudo ainda mais bonito.

As modelos já estavam preparadas. Apenas aguardavam o sinal. Enquanto nada começava, pessoas tiravam fotos no tapete vermelho do desfile e outras conversavam sobre assuntos voltados ao materialismo, claro. Já outros sequer sabiam que era um desfile, imaginavam que era um tipo de leilão de mulheres. Assuntos de gente rica, entende?

— Por favor, desliguem os celulares e permaneçam em silêncio. Façam bom proveito do Desfile. Boa noite, da equipe Riachuelo.

Quando o desfile começou, todos tinham os olhos vidrados na passarela. As modelos eram todas lindas, sempre vestindo roupas inovadoras e dignas de um bom dinheiro!

E assim permaneceu por uma 1 hora, o desfile parecia não acabar nunca. Os paparazzis também não paravam de tirar fotos, em todas as posições, em todos os momentos.

Já os estilistas tinham em suas mãos cadernos, onde anotavam os prós e contras de cada roupa e de cada modelo. Eram detalhistas em tudo.

Os materialistas e os artistas contemporâneos seguravam bolos de dinheiro. Já pensavam em poder comprar cada peça.

Então, chegou o grande momento. Ensima Guimarães apareceu com seu rebolado impecável, e seus cabelos nunca tão bem escovados. Seu sorriso branco iluminava seu rosto, que tinha uma maquiagem esplêndida. Seu vestido era um tomara-que-caia, o qual tinha uma transparência na região do tronco. Logicamente, era um vermelho bem chamativo, o único que tinha aquela cor em todo o desfile.

Todos bateram palmas, assobiaram e pularam. Um retorno realmente digno de Ensima Guimarães.

— Esperamos que tenham gostado da sessão. As peças estarão á venda em 2019.

E então, todos voltaram a tagarelar. Dessa vez, sobre as roupas do desfile. Samos conseguiu se infiltrar no camarim principal, passando despercebido pelos guardas.

Quando entrou, lá estavam as modelos, todas brindando e gargalhando de felicidade. No camarim, tocava uma música bem baixinha, mas que ainda dava-se pra ouvir. Era uma balada francesa.

— Arrasamos! Nós arrasamos! — Eram o que gritavam, enquanto se embebedavam com vinho.

Samos foi até Ensima e encostou em seu ombro, chamando sua atenção. Os dois sorriram assim que se olharam, talvez por causa da imensa beleza que tinham.

— Tá de parabéns pelo desfile, teve um ótimo retorno. — Samos a parabenizou.

— E quem é você? — Sua voz era fina, mais bem alta. Nem um pouco dócil.

— Samos, meu nome é esse. — Começou a se aproximar, ainda sorrindo. — Podemos conversar a sós?

— Podemos!

Saíram do camarim pela porta dos fundos e foram parar no estacionamento do planetário. Os ricos iam embora aos poucos, em suas limousines ou em suas lamborghines. Ensima gargalhava pro nada, pelo jeito era aquele tipo de pessoa que embebedava rápido. Segurava nas mãos um cartão rosa fluorescente, que brilhava no escuro.

— Meu nome é Ensima Guimarães, Sisi pros mais próximos! — Disse gargalhando, enquanto dava goles em sua taça de vinho.

— Você ta bêbada. Eu te levo pra casa, onde você mora? — Samos tirou as chaves de seu Monza do bolso.

— Não vou pra casa! Eu vou comemorar, eu voltei! Eu voltei e eu to viva! — De repente, jogou a taça de vinho no chão. De gargalhadas, rapidamente mudou para lágrimas e soluços. — Eu ressucitei!

Samos observou, calado. O que ela queria dizer com isso? Quem ela realmente era? Não, bastava de perguntas. Ela estava bêbada demais, sequer sabia se era real ou não. Samos a levou de volta pra dentro do camarim e foi embora. Mesmo não conseguindo ter a conversa que queria, no fim das contas, foi um bom desfile.

Vivia em Copacabana, em uma cobertura em frente á praia. Era um apartamento moderno, onde mais de 15 decoradores internos foram contratados pra deixá-la com um aspecto confortável e atual.

Não era qualquer um que poderia entrar. Apenas os maiores agentes da ASSCEIPV poderiam viver naquela cobertura. Não era só um apartamento. Era uma base ultra-secreta, que reunia os melhores agentes secretos do Brasil.

A Agência Super Secreta Contra Erros Intensos de Português Violentos era peculiar e complexa. Tinham códigos pra tudo e os usavam em todas as situações, até mesmo dentro da base. Se você fosse um membro de ASSCEIP, teria que chegar até a recepção do prédio e dizer:

— Sou o número 1! Devolva minhas bolas!

O recepcionista saberia que você é de ASSCEIPV e o faria subir até o 100° andar. Você teria que bater na porta que tem o número 1 escrito na campainha, e contar até 100 em voz alta. Então teria que fingir que está amarrando os sapatos, e enfim vai conseguir entrar.

A base, por si própria, é muito tecnológica. Muitos computadores, máquinas que ninguém sabe o nome e outras coisas de Agente Secreto que não é permitido explicar.

Enquanto dirigia em seu Monza, de volta pra casa, imaginava a situação em que estava. Que fracasso! Vivendo em um apartamento cheio de espiões que não tem sequer uma missão á anos. Pelo menos, criou algum afeto com seu colega de quarto.
O apartamento é maior do que imaginam, devia ter uns 50 quartos no total. 25 deles eram dormitórios, portanto, haviam 2 agentes em cada quarto.
Na verdade, não eram todos os agentes que tinham nome. A maioria deles preferia esconder. Levavam a palavra "secreto" ao pé da letra. Não era só uma palavra, era uma responsabilidade, que todos os agentes precisavam encarar.
Quando enfim chegou no prédio, estacionou seu Monza em um canto qualquer e foi até a recepção.

— Boa noite, Francisc-

— Francisco tirou férias, achei que os moradores tinham sido comunicados.

Foi uma moça muito baixinha que respondeu. Era muito baixinha mesmo, nem os sapatos altos davam conta. Precisava erguer o pescoço pra enxergar as pessoas por cima do balcão.

— É, bem.. — Samos deu um ronco, limpando a voz. — Eu sou o número 1. Devolva minhas bolas!

— Como é que é?

— Sou o número 1! Devolva minhas bolas!

— Eu vou ligar pra polícia agora! — A mulher puxou o telefone desesperada, discando 190.

— Mas é um trocadilho! Aquele em que o número 1-

— Não importa! Isso é assédio!

Algum problema aqui, Tânia? — Um homem pardo entrou na recepção, cruzando os braços. — Ele ta te incomodando?

— Albertinho, meu grande amigo! Nada, que nada! Eu só tava batendo um papo com minha amiga Pâmela! — Samos se aproximou e deu dois tapinhas no ombro do colega.

— Claro, claro.. — Alberto revirou os olhos, respirando fundo. — Pode liberar o elevador pra ele, Tânia. Eu sei que o nosso grande amigo não irá arrumar mais problemas.

— Grande Albertinho! Valeu, hein?! — Samos entrou no primeiro elevador que viu, apertando no botão 100°.

Depois que passou por todo o processo pra entrar na apartamento, respirou fundo e deu um sorriso orgulhoso. Enfim, em casa! Pendurou as chaves do carro e caiu de bruços no sofá, respirando fundo.

Ali na sala, tinham alguns agentes. Jogavam xadrez, pareciam muito concentrados, sequer tinham percebido Samos ali.
Outro agente estava lendo o dicionário, com um marca-texto nas mãos. Ele passava as páginas com muita lentidão, realmente tinha uma leitura intensa.

Lá, as pessoas costumam usar a concentração sempre. Tudo é motivo para prestar muita atenção e ter cautela. A maioria deles usam óculos ou lupas, para examinar cada coisinha. Pareciam fanáticos.
A biblioteca de lá só tinha livros jurídicos, dicionários, agendas telefônicas ou manuais de como ser um bom agente secreto.
Enquanto Samos ficava deitado no sofá, pensava nisso. Por que todas as pessoas eram esquisitas e concentradas? Por que eles não tinham nenhuma diversão? Por que tudo era complicado, mesmo quando não devia ser?

— Agente Samos, na minha sala, agora. — Um idoso chamou do corredor, seguindo até seu escritório. Samos foi atrás, tendo um passo apressado.

O escritório era apertado, não tinha nenhuma janela e nada na parede, exceto por algumas estantes de livro. Apenas uma mesa de trabalho, com uma poltrona grande e uma cadeira para os convidados se sentarem.

— Sente-se, por favor. — O idoso se sentou na poltrona e pediu pra que Samos fizesse o mesmo, apontando.

— Do que gostaria, capitão? — Perguntou, sentando-se.

— Uma missão, uma missão muito séria.

— Uma missão?! Mas, faz muito tempo que..

— Sim, eu sei..

O idoso acendeu um tabaco e pôs na boca, parecendo melancólico. Soprou a fumaça e prosseguiu:

— Não temos problemas com eles desde 1958. Não consigo viver sem uma missão. Estou tão animado!

— Espere? — Samos arregalou os olhos — Eles?

— Exatamente. Nossos Agentes de Minas Gerais perceberam movimentações esquisitas por toda a América do Sul, especialmente no Brasil. Me enviaram um e-mail ontem dizendo que o esquema é sério. Os Erros de Português voltaram.

— Como assim?

— Você vai ter que investigar, Samos. A única pista que conseguimos é de que pessoas de alta classe estão envolvidas nisso. — Soprou a fumaça mais uma vez, soltando algumas tossidas. — O dossiê com as informações estão em cima da sua cama. Já pode sair do escritório, o que mais ta esperando?!

Samos saiu com o passo apertado, sem falar mais nada. Estava cansado e com a mente muito cheia de pensamentos pra ler qualquer coisa.
Desde pequeno, quando morava num orfanato, era uma pessoa pensativa. Pensava em esquemas, armadilhas e métodos de fugir daquele lugar, e sempre conseguia. Mas no final, sempre o encontravam e ele tinha que voltar.
Os pais de Samos, na verdade, nunca morreram. Eles foram presos por tráfico de drogas na Colômbia. A vó do garoto não o quis, mesmo tendo a oportunidade. Preferiu deixá-lo no orfanato.
Quando ele entrou pra ASSCEIPV, estava em um momento pensativo. Era realmente isso que queria pra sua vida? Se submeter a situações perigosas, calculosas e importantes? Mudar completamente de vida de forma tão rápida? Essas perguntas continuariam em sua cabeça durante o resto de sua vida.

Mas quando acordou no dia seguinte, não tinham mais perguntas, lembranças e nem pensamentos. Absolutamente nada, apenas uma mente vazia. É assim que as pessoas ficam quando acordam.
Não lavou o rosto e nem escovou os dentes. Apenas vestiu seu terno, pegou o dossiê — que estava completamente amassado, por ter dormido em cima dos papéis — e retirou-se da base, sem dar bom dia pra ninguém.
Quando apareceu na recepção, Albertinho tinha uma xícara de café na mão. Era 7:30 da manhã, e ele já estava no expediente.

— Bom dia, senhor. — Falou, emburrado. — Vai deixar a chave aqui?

— Albertinho! — Samos mudou seu rosto sério pra um sorriso extenso. — Como você está nessa bela manhã?!

— Ruim. Vai deixar a chave aqui?

— Ok, você não tá pra papo hoje. Sabe me dizer ao menos se a padaria abriu?

— Essa aqui do lado vai ficar fechada até sábado, Luciano, o padeiro, teve que viajar pra Espírito Santo pra fazer bariátrica. Vai ter que ir naquela perto da praia.

— O pão de lá é horrível!

— Problema é seu.

Samos abriu a boca, mas não falou nada. Apenas respirou fundo.

— Bom dia pra você também.

Tirou a chave do Monza do bolso e foi até o estacionamento. Ainda estava sonolento, com o rosto todo sujo de remela. Tirou com os dedos e limpou na roupa, fingindo que nada aconteceu. Quando entrou no carro, olho pro porta-luvas e percebeu a coisa que mais chamava atenção.
Um cartãozinho fluorescente.

Nele estava um número de telefone, assinado com o nome Ensima Guimarães. O fluorescente machucava a vista, de forma que precisava deixá-los bem cerrados pra conseguir ler.
Tirou do bolso seu Motorola e rapidamente discou o número, sem ao menos ligar o carro. Dava pra ver o sono em sua voz.

— Bom Dia, eu gostaria de-

— Estou ocupada! Liga pro meu assessor!

A voz de Ensima era predominante. Um tipo de voz que qualquer pessoa reconheceria.

— Não, é com você mesma que eu quero falar. Onde podemos nos encontrar?

— Quem é? Estou ocupada agora!

— Me chamo Samos e eu encontrei um cartãozinho com seu número no meu carro. Achei que poderíamos conversar.

Então permaneceu um silêncio constrangedor. Ninguém falava nada, dava-se apenas pra ouvir a respiração afobada.

— Rua Antônio Parreiras, número 78. Entra pelo portão de serviço e se estiver de carro, abaixe a janela e ligue os faróis.

— Ok, muito obriga-

Encerrou a ligação, sem ao menos dizer tchau. Samos guardou o celular e segurou o volante, com tanta força que suas juntas dos dedos esbranquiçaram. Acelerou sem respeitar os semáforos, apenas desviando dos carros. As ruas estavam cheias, mesmo naquela hora da manhã. Enquanto corria, muitos buzinavam, gritavam, e os guardas de trânsito apitavam em desespero.

Enfim, quando entrou na rua dita por Ensima, já pôde logo avistar a casa. Era uma rua sem saída, portanto a casa era praticamente um palácio. Eram tantas janelas, portas e telhados que não dava-se pra contar. Era a única casa azul da rua, e era tão claro que poderia se confundir com branco. Os muros eram altos, portanto não dava-se pra ver o jardim e nem a entrada, que deveria ser tão bonita quanto.
Parou o carro na esquina e antes de começar sua manhã, pegou seu dossiê, e começou a ler com cautela e atenção.

Passo 1: Localize o alvo. Abaixo segue uma lista dos possíveis inimigos.

Eliane Giardinni

Mara Maravilha

Eriberto Leão

Carlos Emmanuel

Aracy Wolf

Ensima Guimarães

Samos respirou fundo. O último nome era ninguém menos que a pessoa com a qual ia provavelmente passar a manhã junto. Arqueou as sobrancelhas e fechou os olhos. Concentre-se, Agente.
Guardou o dossiê na cintura e continuou dirigindo até a entrada da casa. Haviam muitos portões, mas tinha um menor com uma placa escrita "serviço". Dirigiu, abaixou as janelas e acendeu os faróis. Um homem, vestido de smoking, veio até o carro com uma postura ereta. Era, de longe, uma pessoa séria.

— Cartão, por favor.

Samos entregou o cartãozinho fluorescente e assentiu. O frio na barriga era inevitável.

— Tenha um Bom Dia, deixe o carro aqui e siga até o Sala Leon. Os guardas vão te acompanhar.

Samos desembarcou, entregou as chaves ao homem e entrou pelo portão. A faixada da casa era maravilhosa, repleta por um jardim verde e encantador. Os arbustos formavam um labirinto, o qual bem no meio, havia uma fonte d'água gigante. Todas as folhas eram devidamente aparadas, e o único barulho agora era o da água.

Continuou seguindo a trilha de pedras, com um passo lento. Queria admirar cada detalhe daquele paraíso. Aproveitou para continuar lendo o dossiê.

Passo 2: Crie intimidade com o inimigo.

Dois seguranças apareceram, ambos enormes e fortes. Usavam óculos escuros e tinham barba cobrindo o rosto, praticamente irreconhecíveis. Acompanharam Samos até entrar na casa. O hall pelo qual entraram era extremamente moderno, repleto de mobílias com designe inovador e em preto e branco. Haviam muitas escadas, uma em cada canto, mas tinha uma principal, que ficava bem no meio. Era em espiral e tinha um carpete preto, que chamava toda a atenção do hall.

— A sala Leon fica lá em cima, ao lado da Sala de Ouvir Música. Pra esquerda. — Disse um dos guardas, retirando-se.

— Estaremos observando tudinho pelas câmeras, portanto mantenha o senso. — O outro guarda retrucou, também indo embora.

Samos agora estava sozinho, mas ainda sendo observado. Pôs uma postura e um rosto confiante, subindo as escadas sem excitar. Procurou pela sala Leon, até que entrou rapidamente, ajeitando-se.
A sala Leon era uma sala completamente inútil. Haviam alguns sofás, uma planta, um piano e claro, muitas janelas. Ensima estava sentada em um dos sofás, enquanto lixava as unhas. Não havia percebido a chegada do rapaz.

— Olá.

Ensima levantou-se em um susto, arregalando os olhos. Não estava nem um pouco parecida com o dia do desfile. Seu cabelo estava preso em um coque de bailarina, e trajava roupas douradas. Era um macacão bem simples, acompanhado com sapatos altos e colares brancos.

— O-oi! — Sua pele era muito corada, feito um tomate.

— Sua casa é muito bonita. — Samos extendeu a mão, a cumprimentando.

— Igualmente! Quer dizer, é.. — Ensima apertou a mão, abaixando a cabeça. — Obrigada?

— Gosto dos seus desfiles, estou ansioso pra nova coleção e-

— Quer comer alguma coisa? Precisamos nos apressar antes que eles cheguem.

— Eles?

De repente, gritos muitos altos ecoavam pelo lado de fora da casa. Assobios, fogos, palmas e gritos, muitos gritos. A famosa multidão conhecida como fãs.

— Chegaram cedo dessa vez. — Ensima se retirou da sala, parando no corredor. — Você não vem?

— Claro!

Andaram com dificuldade pelos corredores, era realmente um labirinto. Como sempre, muitas janelas e sempre preto ou branco nas paredes. Haviam muitas portas, corredores, que a única coisa que Samos fez foi seguir Ensima. Enfim chegaram no Salão de Café da Manhã, onde a mesa estava posta com crossaints, frutas, folhados, tortas, bolos, e o principal..

— Pão da praia é o caralho. — Samos arregalou os olhos, boquiaberto.

— Gostou? É feito pelos melhores padeiros do Rio de Janeiro. Pode se servir!

Sentaram á mesa, um ao lado do outro. Em questão de segundos, já haviam montado seus pratos com praticamentes todas as comidas possíveis. Ensima tinha um prato ainda mais cheio, repleto de pedaços de torta de limão e alfajores.

— Tinha alguma coisa que queria falar comigo? Parecia ansiosa no telefone.

— Não, eu só achei que você seria uma boa presença. — Abocanhou um alfajor de doce de leite — Gostei da forma que me olhou durante o desfile.

— É, ontem você se divertiu pelo jeito. — Samos encheu um copo com suco de cupuaçu. — Quando conversamos, você estava bêbada.

— Estava?

— Estava, você até falou algumas coisas sobre ressucitar!

— Mentira?

— Verdade!

Se encararam por alguns segundos. Não sabiam o que dizer quanto a isso. No fundo, eram apenas mais fãs berrando.
Começaram a gargalhar, sem motivo. Apenas riam enlouquecidamente, batendo na mesa, com os olhos a lacrimejar de tanta risada.

— Eu ressucitei! — Berrava, em meio as gargalhadas.

— Porque? Porque?! — Samos batia na mesa.

Silêncio outra vez. As risadas cessaram completamente. Agora se encaravam com seriedade. Instantaneamente, grudaram seus corpos em um beijo quente e repentino. Remexiam o cabelo um do outro, agarrando-se com brutalidade. Levantaram-se das cadeiras e foram beijando-se pelos corredores.

MINUTOS DEPOIS

— FODE!

— AAAAAAAAAAAAAH!

Ensima segurava-se na cabeceira da cama, mordendo os lábios. Samos metia pressão, a empurrando cada vez mais. Seu único pensamento naquele momento era o porquê dela ter ressucitado. O porquê disso ter acontecido.
Colocou a mão em seus seios, os apertando com força.

— Para com isso!

— Porque? — Perguntou, enquanto continuava penetrando.

— Vai estourar meu silicone!

— Eu não pedi pra você parar quando você estourou minha fimose!

— Tira seu pinto de dentro de mim agora! — Ensima se levantou da cama, cobrindo-se com uma toalha. — Preciso de um tempo sozinha. Hmpft!

Retirou-se do quarto indignada, ainda assim com seu rebolado incrível. Samos continuou ali, sentado na cama, pensando no que havia acabado de acontecer.
Era sua deixa! O momento perfeito para coletar pistas!
Enrolou-se em outra toalha e correu pro closet. Começou a retirar todas as caixas, fuçando cada canto. Nada.
Foi até o outro lado do quarto, procurando dentro do frigobar. Encontrou um pepino cheio de pelos.

— Que nojo!

Pôs o pepino no lugar e continuou fuçando. Encontrou uma pasta vermelha, embalada com fita durex. Cortou com a unha mesmo, sempre ágil.
Haviam fotos de uma mulher no palco, provavelmente desfilando. Ela acenava, sorria e mandava beijos com alegria. As fotos eram bem antigas.
Logo em baixo, assinado Ensima Guimarães, 1958.

— Espera, o que?!

Continuou fuçando e encontrou fotos de outras pessoas, completamente desconhecidas e aleatórias. Apenas rostos. Guardou tudo dentro da pasta e a pôs novamente no frigobar. Vestiu-se e se retirou do quarto, descendo a escada em espiral, que era a única que havia encontrado naquele labirinto.
Foi parar no hall novamente, sem saber por onde sair. Foi em uma direção qualquer, depois enfim conseguindo ir embora.
Andou novamente pelas trilhas de pedras. Ainda com sua paisagem extremamente encantadora. Teria saudades daquilo.
Foi até o grande portão e se deparou com a grande multidão. Tinham cartazes, faixas, rosto pintado e alto-falantes.

— Moço, a chave do meu carro, por favor! — Samos precisava gritar.

— As fãs levaram! Vai ter que ir de ônibus, nosso motorista particular tá internado por causa de trombose!

— Merda!

O Agente ajeitou seu terno, jogou o cabelo pro lado e saiu como se nada tivesse acontecido. Por sorte, não foi atacado por nenhuma das fãs enlouquecidas.
Pegou um ônibus frescão, e com sorte, tinha o dinheiro da passagem no bolso. Sentou no último banco e respirou fundo. Tudo aconteceu rápido demais. Desceu em frente ao prédio e entrou na recepção. Eram 8:30 da manhã.

— Já voltou? Pelo jeito o pão tava bom mesmo. — Alberto murmurou, enquanto assinava alguns papéis.

— Sinto falta do Francisco, ele era um bom recepcionista.

— Eu também sinto falta. Acho que ele vai pedir demissão daqui a alguns meses.

— Vira essa boca pra lá, Albertinho!

— Mas é verdade, nós nunca assinamos a carteira de trabalho dele.

— Nem a da Sandra?

— Não, nós assinamos a da Tânia.

Samos ficou parado, olhando pro elevador. Alberto pouco se importava, continuava assinando toda a sua papelada.
Era sempre assim. Ele nunca ligava. Alberto era um dos coordenadores daquele condomínio de prédios, e todos os dias chegava para fazer alguma supervisão, por mais boba que fosse. Não era nem um pouco educado, e quase nunca conversava com os moradores. A única pessoa com a qual conversou foi Samos.

— Pode liberar o elevador pra mim?

— Claro, qual andar? — Alberto se levantou, dirigindo-se ao elevador.

— 100. Fica na cobertura.

— Ok então. — Apertou o botão, fazendo sinal com as mãos para que Samos entrasse. Ao invés de sair do elevador, permaneceu, indo até a cobertura junto com o Agente.
Quando o elevador subiu, ambos saíram e se encararam. Tinham vontade de rir, mas se controlavam.

— O que veio fazer aqui? — Samos franziu o cenho, engolindo seco.

— Abre o jogo. Sei que tem coisa estranha nesse apartamento.

— Não, não tem.

— Tem sim! Eu quero entrar.

— Não, você não pode entrar!

— Sim, eu posso.

Samos não pensou duas vezes ao pular pra cima de Alberto, enroscando-se em socos. Acertou dois socos nas bochechas, em seguida o enforcando com brutalidade e fogo nos olhos.

— Já chega! — Alberto chutou a barriga de Samos, o empurrando sobre o chão. Começou a pisotear seu estômago, enquanto gritava.

Samos agarrou o pé e arremessou Alberto até a porta. Tentou puxar seus cabelos, mas lembrou que Alberto era careca e acabou por apenas arranhar sua cabeça.

— Ai, minha cabeça! — Alberto passou a mão nos arranhões.

— Foi mal cara, esqueci que você cortou o cabelo..

— Luta igual homem! Isso de puxar cabelo é pura fraqueza!

— Cala sua boca, Albertinho!

— Vem pra cima então, otário! Vamos lá, me chuta! Faz alguma coisa! Seu fudid-

Samos lhe deu um chute tão forte, mas tão forte, que Alberto sequer conseguiu concluir a frase. Pro azar do Agente, o impacto do chute fez com que a porta se soltasse, desabando sobre o chão e revelando a base secreta. Os Agentes da sala se levantaram, boquiabertos. Todos de olhos arregalados.

— Sai de cima de mim! — Alberto se levantou, limpando as vestimentas. — Mas que merda ta acontecendo aqui? Quem são esses caras?!

Ninguém respondeu. Todos encaravam Alberto, sem coragem de dizer nada. Estavam apenas analisando aquela situação.
Dois agentes correram, agarrando-o antes que pudesse fugir. Alberto tentou sair, se debatendo, mas desistiu depois que percebeu que era praticamente impossível.

— Chamem o Capitão. Temos um 982. — Bufou um dos agentes.
Em poucos segundos, o Capitão surgiu na sala, com um tabaco na mão e uma muleta no braço esquerdo. Não piscava os olhos, olhava atencioso para Alberto.

— Como entrou aqui? — Perguntou, soprando a fumaça de seu tabaco.

— Ele arrombou a porta, Capitão. Eu mandei ele não entrar, mas ele fez isso assim mesmo. — Samos falou rápido, antes que Alberto pudesse falar qualquer coisa.

— Ah, é mesmo? Coloquem ele no caixote!

— Caixote? Mas o que é caixote? — Albertinho se debatia, em desespero. — O que é caixote?!

Os Agentes o levaram pra algum quarto e não voltaram mais. Algo muito sinistro iria acontecer, com certeza.
Capitão voltou pro seu escritório e fez sinal com a cabeça, pedindo pra que Samos o seguisse. Sentou-se em sua poltrona, acendeu outro tabaco e encarou o Agente, sério. Samos estava sentado na cadeira, apenas esperando o Capitão falar alguma coisa.

— Conseguiu alguma coisa, Samos?

— Encontrei uma pasta dentro do frigobar dela. Haviam fotos de várias pessoas aleatórias.

— Eu sabia que a Ensima tinha alguma coisa nisso tudo!

— Espera, como você sabe que eu investiguei a Ensima Guimarães? Eu nem falei o nome dela. — Samos ergueu uma sobrancelha.

— Nós sempre sabemos de tudo.

Capitão deixou seu tabaco de lado e deu algumas tossidas. Seus olhos estavam vermelhos feito sangue. Retirou uma maleta pesada de trás da poltrona e pôs em cima da mesa.

Mahuti, kemari! — Berrou o capitão.

Um rapazinho entrou na sala, segurando uma câmera fotográfica. Estava constrangido, e olhava pra baixo o tempo todo. Tinha os olhos puxados, provavelmente era da Ásia.

— Samos, esse é o Mahuti. Ele é fotógrafo e vai te acompanhar no próximo passo da missão.

— Hm, oi Mahuti! — Samos acenou, sorrindo de lado.

Halo! Aku hanya sebuah karakter yang akan memberikan banyak informasi tentang kisah ini. Mengindahkan kata-kata saya!

— Ele é da Indonésia, precisa se acostumar. E talvez ele não entenda o que você diga. — Capitão respirou fundo, prosseguindo. — Você só precisa entregar essa maleta pra Ensima Guimarães.

— Entregar a maleta? Mas pra que?

— O Mahuti vai tirar fotos de você entregando a maleta. Vamos usar o photoshop pra substituir você pelo Marcelo Crivella. Aí, a foto cai na mídia, ela vai ser acusada de receber propina e pronto. Ela vai sair do nosso caminho.

— Precisa ser em público?

— Não, você pode entregar dentro da casa dela. Desde que o Mahuti consiga ir junto com você.

Jangan percaya apa pun orang ini mengatakan. Dia adalah nyata penjahat.

— Claro, claro Mahuti. Entendi tudo. — Capitão deu uma gargalhada, entregando a maleta a Samos. — Você pode usar apetrechos se quiser. Está tudo no arsenal.

— Ok, farei isso agora. Vem, Mahuti!

Os dois se retiraram do escritório e foram até o fim do corredor. Subiram as escadas e logo deram de cara no arsenal de apetrechos. Diversas armas e objetos especialmente dedicados a Agentes Secretos.
Samos pegou um cinto expansível, logo o pondo na cintura. Pôs no braço uma pulseira multi-funcional e calçou seus sapatos antigravidade. Mahuti colocou nos olhos uma lente de contato infravermelho, podendo enxergar além das paredes.

— Ainda bem que tem o carro da empresa, eu perdi meu carro hoje.

Sorry, Saya tidak mengerti apa yang Anda katakan.

— Hm, vamos logo.
Saíram da base e foram até o estacionamento no elevador. O carro da empresa era um Honda Civic preto, com vidro fumê e a calota prateada. Realmente uma obra prima.
Entraram no veículo e instantaneamente ligaram o ar condicionado. Já eram 9:00 horas da manhã e o clima já estava começando a mudar.
Novamente, Samos segurou o volante com tanta força que seus dedos suaram. A mesma sensação de duas horas antes.
O carro tinha um GPS próprio para atalhos. Buscava os locais mais vazios, escondidos e secretos das ruas de Copacabana e Ipanema.
Chegaram na mansão rapidamente, sem sequer passar por um semáforo ou guarda municipal. Ao invés de estacionarem próximo a entrada de serviço, estavam na rua de trás, bem em frente ao portão principal do palácio.
Não havia ninguém no portão principal. Todos os guardas estavam na entrada de serviço, controlando os fãs descontrolados.
Era o momento perfeito.

Samos acionou seu cinto expansível e jogou por cima do muro.

Aku tidak tahu jika yang dapat menampung dua orang.

— Vamos subir um de cada vez, ou se não o cinto arrebenta. Você é muito a cima do peso pra isso.

Bercinta Anda, bajingan! — Mahuti fervia de raiva, chutando o chão.

Samos foi o primeiro. Pulou por cima do muro com seu cinto, escalando a corda com uma mão, enquanto segurava a maleta com a outra. Deu um pouso perfeito, enfim adentrando o jardim.

— Sua vez, Mahuti! — Jogou a corda pro fotógrafo, ansioso.

Apa yang saya lakukan dengan Anda?

— Use pra escalar! Você joga por cima do portão e escala pela corda!

Mahuti levantou a sobrancelha, confuso.

— Abululu tititi cococo! — Samos fez mímica, apontando pro portão. — Vem pra cá! Joga a corda por cima do portão!

Mahuti jogou o cinto no chão, furioso. Cruzou os braços e virou de costas, ignorando Samos.

— Toma, usa meus sapatos!

Mahuti não se virou. Fingia não ouvir. Samos tirou os sapatos e arremessou na cabeça de Mahuti, um de cada vez. O rapaz se virou, reclamando de dor e pegando os sapatos do chão.

— Calçar! Colocar no pé! No pé! — Samos apontava pro chão, em desespero.

O Indonésio assentiu e calçou os sapatos com praticidade, sorrindo. Deu pra perceber que era um tipo de pessoa que mudava de emoções rapidamente.

— Agora subir! Subir! — Agora apontava pra cima. — Pela parede! Ding Ding Ling!

DingDing, ya?

— Ya! Isso aí, ding ding!

Grudou os sapatos na parede e começou a subir, mantendo o equilíbrio. Depois de muito esforço e sacrifício, enfim passou pro jardim. Passaram escondidos pelos arbustos, mesmo não tendo ninguém pra observá-los.
Enfim, adentraram a mansão. Era um hall completamente diferente, mas ainda assim era em preto e branco.
Nesse hall não haviam janelas, mas tinham várias estátuas de formas geométricas. A escada não era caracol, essa era em formato de Y e era feita de vidro.

— Ela deve estar na sala Leon, vem. — Falou em um cochicho, andando na pontinha dos pés.
A primeira coisa que fez foi subir as escadas. Sabia que a sala ficava em algum lugar do segundo andar. Foi andando pelos corredores, a procura da sala. Até que passou em frente a suíte principal, e um cheiro lhe despertou.
Aquele cheiro de pepino.
Depois, ouviu a voz de Ensima. Murmurava alguma coisa, carregando tristeza em sua voz. Provavelmente estava no telefone.

— Fica aqui e se prepara, vai tirar foto a qualquer momento.

— Ya.

Samos ajeitou o terno e entrou no quarto. Era agora.

— Ensima? — Põs a mão em seu ombro.

Ensima virou-se, revelando lágrimas por todo o rosto. Seu nariz estava vermelho, e os olhos extremamente irritados. Desligou o telefone que segurava e abraçou Samos, afundando o rosto em seu peito. Chorava intensamente, soluçando muito.

— O que veio fazer aqui? — Perguntou, em meio as lágrimas.

— Eu queria conversar, mas primeiro se acalme.
Os dois se sentaram na cama, dando um abraço que consigo carregava milhares de sentimentos. Carregava consolo, amizade, e o principal. Amor.
Ensima respirou fundo e limpou os olhos. Seu olhar era pesado.

— Veio pagar meu silicone? Porque aquele ficou murcho.

— Não, na verdade eu vim.. — Samos se levantou, ereto. — Eu vim..

— O que? — Ensima também se levantou, encarando-o nos olhos.

— Te entregar isso. — Deu a maleta em suas mãos, nervoso.

Click!

— Que som foi esse? — Ensima segurou a maleta

— CORRE MAHUTI, AGORA!

Os dois começaram a correr pelos corredores, desesperados. Desciam e subiam todas as escadas que encontravam, perdidos naquele labirinto sem fim. Entraram em um corredor feito de vidro, em que mostrava o lado de fora. Todos os guardas e fãs viram Mahuti e Samos pelo lado de fora. A gritaria cessou e todos começaram a apontar pros dois.

— Vamos ter que pular! Aqui não tem saída!

— Itulah bagaimana geng akan mati. Mereka akan segera terlempar dari jendela!

— É um..

Dua..

— Três e..

— Sudah!

Correram em direção ás janelas, atravessando-as com estilo.

E dor.

Mahuti pisou nas paredes, pendurando-se antes que despencasse no chão. Segurou Samos ela gola da blusa, impedindo sua morte.

— Eu to cheio de vidro no nariz!

Aku mungkin bisa mengeluh tentang kaca, tapi aku hanya ingin mengatakan bahwa musim kedua akan terjadi di pantai!

Desceram da parede com cautela e atenção, mesmo repletos de caco de vidro. Começaram a correr em direção á saída, fazendo o mesmo esquema, agora com mais facilidade. Mahuti passou pelo portão usando os sapatos antigravidade e Samos pulou por cima usando o cinto expansível. Entraram no carro e dispararam, aos 180 quilômetros por hora.

NO DIA SEGUINTE

O sol não havia aparecido naquela manhã. As nuvens tomavam conta do céu, prestes a se desabar em uma carregada chuva. O céu cinzento era desanimador.
Mas ainda assim, as ruas estavam lotadas. Todos estavam sabendo do grande babado. A modelo mais aclamada do Brasil recebendo propina. Uma traidora nacional.

E quando Samos acordou, o noticiário estava no volume máximo. Todos estavam reunidos na sala de estar, atentos.

"A modelo Ensima Guimarães foi flagrada recebendo uma mala de dinheiro do prefeito Marcelo Crivella no ontem, no Planalto de Brasília. Ela se encontra desaparecida desde ontem a noite, e a última vez em que foi vista foi em território internacional, nessa madrugada de Domingo. O prefeito foi condenado a ficar 12 anos no presídio de Benfica, onde vai dividir a cela com Sérgio Cabral e Ricardo Hoffman. As imagens foram tiradas por esse turista indonésio, que acreditava ter visto pessoas conhecidas

Aku bersumpah mereka adalah sepupu saya, jadi aku mengambil gambar!"

Capitão desligou a televisão e voltou pro seu escritório. Estava calado e satisfeito, com um sorrisinho pequeno no rosto.
Samos não pensou duas vezes e saiu do apartamento. Quando chegou na recepção, Tânia digitava bastante em seu computador, com um copo de café do starbucks em cima da mesa.

— Bom dia senhor!

— Oi, Ângela. — Samos acenou, indo até a porta. — Você viu o Albertinho?

— Não, justamente por isso to no turno da manhã. Ele não veio e os moradores estavam reclamando.

— Ah, então ta ok. Até mais, Alana!

— Até mais. E eu me chamo Tânia.

— Claro, Tânia.

Samos saiu do prédio e começou a andar pela clássica calçada em preto e branco. A praia não estava tão cheia como de costume, por conta do péssimo clima. Mas a banca de jornal tinha uma fila tão grande que ia até o mar. As pessoas ficavam na água, aguardando. Todos queriam saber do acontecido, em detalhes.

É, o materialismo é uma vontade compulsiva de gastar. E essa sensação prazerosa surge em todos, principalmente quando todos querem saber a verdade de algo. Embora a sociedade nem desconfie da verdade. Embora a sociedade jamais poderá ver a verdade que fica em cima de tudo isso.


Feb. 26, 2018, 4:08 a.m. 5 Report Embed 4
To be continued... New chapter Every 30 days.

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Luís Fernando Seja bem vindo ao meu mundo! Aqui lerá histórias (na maioria divertidas) e que foram escritas com muito amor! Espero que goste!

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Post!
Victor  Ribeiro Victor Ribeiro
Eu tô rindo muito, você não faz ideia. Isso é tão aleatório e bem escrito. É um conjunto de ideias péssimas coladas com competência e amor. Eu preciso de mais disso, melhora meu dia!
July 24, 2018, 6:41 p.m.
Cauâne Jin Cauâne Jin
AHAHAHAHAHAHAH oII! Meu deus! Amei demais! Sua escrita é envolvente e o tom humorístico na medida certa. Me senti naqueles filmes de comédia maravilhosos. Sobre a velocidade dos acontecimentos, acho que entendi o que você fez, nos filmes de comédia os acontecimentos são rápidos assim deixando mais engraçado. Gostei da sua jogada. Parabéns!
Feb. 25, 2018, 11:17 p.m.

  • Luís Fernando Luís Fernando
    Muito obrigado, cumpri o requisito! Que bom que consegui passar a impressão hahahaha. Espero que venha a acompanhar! Obrigado outra vez<3 Feb. 26, 2018, 9:39 a.m.
Julia . Julia .
Já tinha visto essa fic no Nyah, inclusive ela estava na minha listinha para ler, maaaas estava fuçando o aplicativo e resolvi ler logo. Gostei do capitulo, só achei que foi tudo meio rápido demais, várias coisas aconteceram só nesse primeiro capítulo, mas não sei se essa era sua intenção né... Vou acompanhar. Beijinhos e até a próxima.
Feb. 25, 2018, 10:48 p.m.

  • Luís Fernando Luís Fernando
    Obrigado pelo comentário, sério mesmo! Então, a intenção era essa porque a história não é pra ser algo muito profissional, entende? O objetivo é que tenham boas risadas, feito um besteirol americano. Nesse caso, as coisas ficaram apressadas por causa do plot (que irá surgir) e também porque se eu me dedicasse muita a história, não sobraria muito espaço pros outros capítulos que viriam. Então, o objetivo era ter um início, meio e fim hahaha. Sendo assim, agradeço novamente pelo comentário e espero que tenha dado algumas risadas! Até mais ver! Feb. 25, 2018, 10:53 p.m.
~

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