biialightwoodpotter B. L. P.

Yuri e Otabek são melhores amigos desde a final do Grand Prix do ano anterior. Mesmo estando em países diferentes eles mantém contado quase que diariamente pelas graças que a sociedade inventou de comunicação, e agora que mais uma final chegou para eles, a felicidade de poder se ver novamente aquece o coração dos melhores amigos. Mas será esse sentimento uma mera amizade? Yurio nunca tinha divido tanto da sua vida com ninguém, ou melhor, nunca tinha tido uma amigo para tal. Otabek nem se fale. Mas, agora, depois de meses sem se ver pessoalmente, várias histórias e risadas trocadas, um novo sentimento talvez tenha surgido. E talvez dividir seus medos e prazeres tenha ajudado um pouco na descoberta de tal coisa. (06/01/2017) Imagem: Annya http://annyadraws.tumblr.com/


Fanfiction Anime/Manga All public.

#Otabek/Yuri #yaoi #yuri on ice
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I love everything you do.

Plisetsky tinha acabado de chegar ao seu quarto e aberto a porta, quando ouviu um leve assovio a alguns metros de distância. Virou a cabeça rapidamente e quase deixou um sorriso aparecer. Não que ele não sorrisse – principalmente quando se tratava daquele ser em especifico -, mas na maioria das vezes não gostava de transparecer seus sentimentos.

— Yurio – chamou Otabek assim que o outro o olhou.

— Desde quando resolveu aderir a esse apelido horrível? – Yuri perguntou, tirando o cartão do identificador ao lado da maçaneta e virou-se para Altin que estava escorado com os braços cruzados no batente da porta de seu próprio quarto que ficava a alguns de distância do loiro.

— Desde que me deu vontade – o moreno desencostou e descruzou os braços, dando um pequeno sorriso, que Yuri sabia exatamente o que significava – Vem aqui – chamou enquanto entrava em seu quarto.

Plisetsky fechou a porta de seu quarto e respirou fundo antes de tirar seu capuz e ir em direção ao quarto do mais velho.

Mal colocou o pé direito para dentro do quarto do outro, já se sentiu ser erguido no ar pelos braços de Otabek e ser abraçado, sentiu-se ser girado na própria órbita e riu. Fazia quase um ano desde a final da Grand Prix e quase um ano que os dois não se viam. Tinham tido várias chamadas no Skype por várias horas durante esse ano, mas nada como sentir os braços um do outro. Com a vitória no GPF do no ano anterior, Yuri não cabia em si. Podia não demonstrar, mas seu coração e mente estavam a mil com a vitória. Otabek foi o primeiro a falar com o loiro, assim que o mesmo saiu do ringe, com a medalha de ouro brilhante em seu peito e o abraçou com todo o carinho e amizade deles podia transmitir. O cazaque tinha ficado em quarto, por poucos pontos a menos que Phichit Chulanont, que foi o primeiro tailandês a chegar à final do Grand Prix e também a subir no pódio da competição. Mesmo tendo perdido, Altin ficava feliz pelos três primeiros terem feito história, cada um da sua maneira.

Assim que Otabek soltou-o eles foram e sentaram-se na cama do mais velho.

— Senti sua falta – Otabek foi o primeiro a falar, sorrindo enquanto apoiava a mão no ombro magro do loiro.

— Hm – o loiro sorriu abertamente e abraçou o amigo de novo – Eu também – disse.

A vontade de Yuri era ficar ali com Otabek o resto da noite, assistirem a algum filme qualquer, se empanturrarem de porcarias e torcerem para que nenhum dos treinadores soubesse antes do final da estadia no hotel, mas para a sua infelicidade, não tinha passado nem cinco minutos quando ouviram bater à porta.

— OTABEK! – a voz de Victor se fez presente e abafada pelo outro lado da porta – Bekky, você está ai com o Yurio, não é?

Yuri rolou os olhos e bufou, seria melhor do que xingar o técnico do Yuri-falso. Olhou para o moreno e o mesmo pressionava a ponte do nariz com os dedos, como se pensasse o mesmo que Plisetsky. O mais novo então, levantou-se e foi até a porta que Altin tinha fechado e abriu-a, dando seu melhor olhar de irritado ao mais novo casal.

— Yurio! – Victor exclamou e abraçou o menino enquanto o mesmo olhava aborrecido para o Katsuki, que pedia com os olhos para tirar o platinado de cima de si.

— Victor, você vai matar Yurio se não o largar – o japonês disse rindo enquanto dava tapinhas nas costas do futuro marido. O mesmo largou o Yuri mais novo e sorriu para o seu.

— Yurio se acostuma – ele disse – Faz quase quatro meses que não nos vemos Yurio – ele se virou agora para o loiro – Quem mandou estar em Nova York durante nossa festa de noivado?

— Quem mandou decidir noivar no dia em que eu tinha marcado minhas férias lá? – Yuri sorriu de lado, arrogante.

— Perdeu Yuuri dançando bêbado de cuequinha again – o mais velho riu da cara vermelha do moreno.

— Nada que ninguém nunca tenha visto – Plisetsky falou, e nem percebeu que o Altin tinha se levantado e ido encostar o antebraço no batente, atrás de si.

— Baka – Victor disse e o japonês ria dos dois. Mesmo com a diferença gritante de idade, quando conversavam parecia que as idades eram trocadas.

— Então Yurio – Yuuri chamou – Você e o Ota gostariam de ir jantar conosco igual ano passado? Só que dessa antes da primeira prova – riu.

— Não es- começou o loiro.

— Nós vamos sim Yuri, obrigado pelo convite – Otabek cortou o amigo e disse sorrindo para os mais velhos.

— Ótimo! – exclamou Victor levantando os braços – Então assim que o sol se por quero todos prontos e bem vestidos nas portas dos respectivos quartos. Ou também na dos amigos – sorriu para o mais novo de todos.

— Fechado – Otabek concordou novamente, enquanto Yurio corava pela fala de Nikiforov e o olhava bravo.

— Adeus – o mesmo franziu o nariz e mal Otabek deu um passo para trás, ele fechou a porta.

O moreno riu do amigo, enquanto o mesmo se dirigia até a cama novamente. Colocou as mãos na cintura e disse:

— Você deveria ser mais simpático Yurio – sorriu.

— E você já deveria ter acostumado com a minha falta de educação, Beka – Yuri o chamou pelo querido apelido que a mãe de Altin tinha inventado, e que ele não apreciava muito.

— Ah você não fez isso – o mais velho apontou com o indicador para o outro.

— Ah eu fiz – exclamou o loiro, dando um pulinho e ficando de joelhos na cama.

— Você vai se vir comigo! – Otabek também exclamou alguns oitavos acima e correu em direção ao loiro, derrubando-o no colchão e fazendo cócegas no mesmo.

— Não! – riu o menor – Tudo menos isso!

Plisetsky então começou a gritar para o amigo parar, e a cada pedido soluçado entre as risadas e algumas lágrimas que já caiam Otabek só se empenhava ainda mais em tentar acertar entre os braços e pernas agressivos de Yuri, seus pontos fracos. E durante alguns minutos, vários gritos e dores nas costelas, os dois terminaram um deitado ao lado do outro, ofegantes e ainda rindo na cama.

— Eu vou te matar seu otário! – Yuri gritou, socando Altin.

— Ouch! – o moreno fez – Você pediu por isso – ele cruzou os braços e riu da cara emburrada do amigo.

— Baka! – xingou.

— Ai que linda, ela xinga em japonês! – Otabek riu novamente e provavelmente teria sido morto asfixiado se o russo não estivesse tão cansado das risadas anteriores.

— Vá se fuder! – gritou e sentou-se na cama, emburrado.

— Não fique assim Yurio – o cazaque o cutucou mais uma vez nas costelas e ele pulou, ainda bravo – Quer jogar alguma coisa?

— Só se for Rocket League – ele disse.

— Okay – o moreno concordou.

— E no seu computador – Yurio perguntou sorrindo de lado e observando o amigo pelo canto do olho.

— Tudo bem – Otabek concordou rolando os olhos. Odiava dividir o computador, ainda mais para jogos. E o de Yuri não era tão bom quanto o dele.

— Okay então – o loiro saiu da cama e foi procurar as coisas para o jogo começar.

Otabek por sua vez ainda ficou observando o russo andar pelo quarto e se sentir feliz por ter finalmente um melhor amigo. E ninguém melhor que Yuri Plisetsky.




Otabek tinha acabado de sair do banho e vestir suas calças quando Yuri bateu à porta de seu quarto. O moreno se dirigiu até a mesma e a abriu, vendo o jovem russo mastigando um chiclete qualquer e já com seu gorro posto. Manteve a camiseta de tigre como sempre, mas tinha a blusa de frio verde militar nova que tinha comprado nas férias. As mãos nos bolsos eram só para completar a visão habitual do loiro.

Eles tinham jogado Rocekt League por toda a manhã e tarde, tendo pedido comida do próprio hotel e depois se empanturrado de sobremesas, até que o loiro olhou as horas e disse que era melhor eles irem se arrumar, ou iriam ficar atrasados para a saída com os outros patinadores. Sendo assim, ele voltou para seu quarto e depois de uns trinta minutos, estava ali agora.

— Entre – disse Otabek – Só vou terminar de me vestir.

Plisetsky caminhou até a cadeira de metal que tinha no quarto do amigo e ali se sentou, apoiando um dos pés no assento da mesma. Tirou o celular do bolso e começou a mexer no Instagram, para tentar disfarçar o leve incomodo e vergonha que era ver o amigo sem a parte de cima das vestimentas. Primeiramente, nunca tinha o visto daquela forma – e deveria concordar que Otabek tinha um ótimo físico que ele também queria. Maldito cazaque. Segundo que não ficava na presença nem dos seus próprios parentes sem alguma peça de roupa, pois sentia ser uma falta de privacidade. E terceiro, Otabek era lindo demais para tentar não olhar para ele.

Quis se bater com o pensamento, então resolveu ir ver algum vídeo para maior distração.

Depois do cazaque finalmente arrumado, ambos saíram do quarto e não deu um minuto, Victor e Yuuri já estavam prontos também. Finalmente rumaram todos ao elevador e depois ao térreo, onde o resto dos patinadores os esperava.

Foram andando, até por que as ruas estavam todas iluminadas pelo fim de ano em Nagoya, e o restaurante era perto do hotel. A noite estava divertida, com todos eles socializando, conversando como amigos de longa data e os mais velhos bebendo, o que não foi muito recomendado a Yuri por Victor, que queria o marido no seu melhor estado para competir no dia seguinte. Nikiforov ainda se mantinha como técnico do japonês, pois tinha decidido naquele ano, que não precisava de mais medalhas e estava velho demais para as competições. Tinha até começado a treinar outros pequenos patinadores.

Já para Yurio, aquilo ia ser divertido. Não era atoa que no ano anterior ele tinha batido os recordes do melhor patinador do mundo e ficado em primeiro em sua estreia no sênior. Ele iriam vencer mais uma vez aquele velhote japonês.

Depois de horas socializando, ainda não tinha passado para o outro dia e Plisetsky já estava entediado quando olhou para Otabek e sussurrou:

— Quero ir embora.

— Já? – o moreno sussurrou de volta, enquanto levava o copo com suco até a boca.

— Sim – respondeu – Já cansei de socializar.

— Bem, se é assim, vamos – Altin pôs o copo na mesa e se virou para o amigo.

— Você não precisa ir comigo – o russo disse baixo, franzindo a testa – Não é só por que eu estou entediado que vou privar você de se divertir.

— Mas eu prefiro me divertir com você e fora daqui, do que me divertir aqui e sem você – sorriu.

Antes que Yurio pudesse responder ao comentário que fez seu coração pulsar mais forte em seu peito, ele ouviu a voz de Christophe lhes interromper.

— O que o belo casal esta sussurrando? – ele riu e todos da mesa olharam para os dois meninos.

— CHRISTOPHE EU VO- o loiro iria gritar, mas mais uma vez naquele dia, o cazaque o interrompeu.

— Yuri não está se sentindo bem – ele sorriu triste – Vou leva-lo de volta para o hotel.

— Ah, que pena Yurio – disse Yuuri – Deve ter sido algo que você comeu aqui... Vá descansar que amanhã já estará melhor – ele sorriu.

— É... – o loiro concordou depois de olhar para Otabek que o incentivava com o olhar – Eu vou.

Os dois por sua vez, saíram do restaurante e sentiram a brisa fria do inverno. A neve deveria chegar dali algum tempo no país.

— Ei – Altin chamou o mais novo que o olhou curioso assim que chegaram no hall do hotel – Quer mesmo voltar para o quarto?

— Ahn... – o menor colocou uma mexa dos cabelos loiros atrás da orelha – Não sei. O que quer fazer?

— Que tal irmos andar de moto? – o moreno sorriu aberto. Nada na vida o fazia mais feliz do que andar com sua moto, que também era seu xodó e umas das coisas que mais amava.

— Claro – o outro respondeu.

Eles então desceram até o estacionamento subterrâneo do prédio e pegaram a queridinha de Otabek e saíram pelas ruas de Nagoya, a alguns quilômetros de velocidade. Nada ilegal, até por que o moreno não era idiota o bastante para isso.

Acabaram então no porto da cidade e os olhos de Yuri se encheram assim que viu a roda-gigante no lugar. Ele amava um bom parque de diversões, e nada como uma gigantesca montanha-russa, mas nada se comparava a ir à roda-gigante. Não tinha adrenalina nenhum, mas toda vez que entrava numa e estava lá no alto, sentia uma verdadeira paz.

— Otabek! – gritou e o amigo na frente até pulou de susto – Nós precisamos ir na roda-gigante!

— Ahn... – o moreno engoliu em seco – Eu acho melhor não. Acho que já está fechando, olhe as horas.

— Não custa nada perguntar – o russo pediu tentando fazer uma cara que ele julgava ser de pidão, mas que Otabek julgava como estranha e engraçada, ainda mais vindo daquele ser em especifico.

— Tá – concordou contragosto – Mas só uma vez.

Altin então estacionou a moto e eles foram até o brinquedo, com o cazaque rezando para que o mesmo estivesse fechado já. O que para a infelicidade do mesmo, não estava.

Pagaram pelos ingressos e entraram. Yuri todo feliz e Otabek levemente travado. Provavelmente ninguém além de sua própria família sabia que ele morria de medo de altura. Só conseguia ir para os campeonatos de avião graças a famosos tranquilizantes que comprava. Diferente de Yurio, que quanto mais alto, melhor para ele.

— Otabek? – chamou o loiro – Você está bem?

— Não tanto quanto eu gostaria de estar – respondeu.

Plisetsky percebeu as mãos do amigo apertando fortemente as barras de ferro que os circulavam e a respiração do mesmo um tanto quanto pesada. Ele tinha medo de alturas, concluiu o mais novo e decidiu distrair o outro.

— Ei – o cutucou e o amigo que tinha a visão para os pés deles, levantou o olhar para si – Não fique assim. Sabe, diferente de você – riu – eu amo altura.

— Não sei como – o cazaque sussurrou, como se quanto mais alto iam, menos sua voz funcionasse.

— Mas eu sim – ele tirou as mãos do moreno das barras e as segurou. Otabek por sua vez segurou as pequenas mãos do russo com toda a força, como se ele agora fosse seu meio de salvação da morte lenta que estava tendo – Eu amo altura exatamente por ficar o mais longe do chão. Das pessoas. Das responsabilidades. Até por que ser o melhor do mundo não é fácil – sorriu e o amigo fez o mesmo, só que um pouco amarelo – Quando eu entro num brinquedo desses, ou até mesmo num avião, e olho para baixo e vejo tudo minúsculo, é como se eu me sentisse mais leve também. Como eu disse, é como se todas as minhas preocupações fossem embora. Fossem deixadas naqueles minúsculos prédios. Eu me sinto cada vez mais livre a cada centímetro mais alto em que eu estou.

Otabek ouviu aquilo sem deixar de olhar a face – agora rubra – do mais novo. Conhecia-o muito bem para saber que aquela era a primeira vez que ele conversava sobre aquilo com alguém. Alguém em quem confiava. E esse alguém era ele. Ainda com as duas mãos dadas foi a vez deles de parar no topo do brinquedo e Yuri olhou para frente, vendo as luzes da cidade abaixo deles. Eram tão lindos aqueles pequenos pontos no meio da escuridão. Os que moviam e os que não. E como toda vez em que entrava na roda-gigante, ele estava feliz, mas hoje com Otabek ali consigo tudo parecia ainda mais bonito e melhor.

— Assim que nós descermos daqui eu quero te mostrar uma coisa – o moreno disse e o outro apenas concordou com a cabeça.





Tinham acabado de chegar numa estrada que Otabek sabia – por pesquisas – ser deserta e sem radares quando Yuri falou pela primeira vez.

— Não vai me matar, vai? – disse irônico.

— Não conseguiria nem se eu quisesse – ele sorriu para o menor.

— E o que queria me mostrar? – o loiro perguntou ainda na garupa da moto.

— Já que me mostrou o que mais ama fazer no mundo, mesmo que isso quase tenha me matado – ouviu Plisetsky rir nas suas costas – Quero te mostrar o que eu mais amo fazer.

— Okay então – Yuri concordou e o moreno sorriu abertamente.

— É melhor você se segurar – disse e assim que sentiu os braços do mais novo entorno de seu peito, saiu com a moto.

O cazaque já tinha feito aquilo em todos os países em que tinha passado. Não era atoa que pagava uma bela grana só para levar sua moto para todos os cantos com ele. Otabek amava a adrenalina que a velocidade que podia chegar com sua moto lhe proporcionava. Tinha primeiro tentado com o carro de seu pai, e tinha sido maravilhosos, mas assim que pegou a moto de seu primo e fez o mesmo, percebeu que com ela era mil vezes melhor. O som do vento que batia contra seu capacete e o próprio contra o seu corpo, eram mágicos para si.

Yuri por sua vez não sabia se ficava excitado ou amedrontado com a velocidade que o amigo estava chegando. Pelo que podia ver por cima do ombro do mesmo, já tinham passado dos 110 km/h e o ponteiro do hidrômetro não parava de subir. Yuri nesse meio tempo gritava tentando falar com Otabek, mas o mesmo só lhe sorria, sem tirar os olhos da estrada. Assim que chegou a 160 km/h o loiro gritou para que o amigo parasse e esse o fez, um pouco chateado por Yurio ter estragado seu diversão.

Assim que a moto parou de vez, Yuri desceu da mesma e caiu de joelhos no asfalto. A única luz do lugar era do farol e isso assustava um pouco o menino, mas suas pernas estavam moles e sues pulmões não retinham ar o suficiente.

— Yuri – Altin desceu apressado da moto e caiu de joelhos ao lado do amigo – Você está bem? – colocou a mão no ombro do menino e esse a estapeou, fazendo-o tira-la rapidamente.

— Estava tentando nos matar seu imbecil? – gritou Yurio.

— Não – riu o moreno – Eu só te mostrei o que gosto de fazer igual você fez comigo na roda-gigante.

— Então foi o troco? – ele perguntou ainda mais bravo.

— Não tinha pensado nisso assim – Otabek pareceu pensativo e depois sorriu – Mas se quiser considerar dessa maneira, também serve.

— Não precisava ter ido comigo – Yurio disse já mais calmo – Não precisávamos nem ter isso. Era só ter dito que não gostava de altura que íamos fazer outra coisa.

— Mas se eu não tivesse ido, você nunca teria dividido comigo um de seus prazeres – Altin disse e acariciou o topo da cabeça do menor – Mesmo que eu tenho morrido de medo, fico feliz que tenhamos passado aquele momento juntos e você ter se aberto comigo.

Yuri corou com aquelas palavras e concordou com a cabeça.

Realmente, nunca teria compartilhado aquilo de bom grado com ninguém, mas naquele momento com Otabek, assim que viu o amigo morrendo de medo, ao mesmo tempo em que quis rir do outro também sentiu que precisava ajudar e acalmar ele. Foi então que contou sobre a altura e percebeu que falar com o moreno sobre aquilo não parecia estranho. Só diferente. Especial.

Voltaram para o hotel, agora apenas a 70 km/h e assim que entraram no elevador e ficaram de frente um para o outro, o loiro começou a gargalhar tão intensamente de um jeito que Altin nunca tinha visto, mas riu junto por que era contagiante, como risada de bebês.

Assim que chegaram ao andar de seus quartos e saíram da caixa de metal, o moreno perguntou:

— O que foi isso?

— Eu estava pensando na gente hoje – Yurio pôs as mãos nos bolsos de novo, mas dessa vez seus ombros pareciam muito mais relaxados – Dois idiotas com medo de coisas estúpidas.

— Nossos medos e prazeres são trocados – Otabek falou depois de pensar na noite que tiveram.

— Eu nunca disse que tinha medo de moto e velocidade – Plisetsky sorriu de lado.

— Acabou de dizer que “somos dois idiotas com medo de coisas estúpidas” – o outro abriu a porta de seu quarto, mas ficou ainda de pé de frente para o amigo.

- É claro, quem não ficaria com medo estando a mais de duzentos quilômetros por hora? – questionou o loiro.

— Não estávamos a duzentos por hora, só chegamos a cento e sessenta – o cazaque falou indignado, como se fosse horrível ter chego só a essa velocidade – E eu nunca cheguei a duzentos, posso morrer se perder o controle a essa velocidade.

— Só a essa velocidade? – exclamou Yuri irônico.

— De qualquer jeito – Otabek tirou o casaco, jogou-o na cadeira perto da porta e voltou-se novamente ao menor – Hoje foi divertido.

— Sua cara de medo na roda-gigante foi a cereja do bolo – o mais novo provocou.

— Como se a sua, verde, assim que parei a moto também não tivesse sido – retrucou Altin.

— De qualquer jeito – imitou Yuri – Queria saber se pode me ensinar a andar de moto.

— Não tem idade para isso Yuri – disse o mais velho, estreitando os olhos.

— E? – deu de ombros – Ensinar não quer dizer que vou comprar uma identidade falsa e uma moto e sair andando com ela por ai. Até por que todos me conhecem onde eu moro.

— Quer mesmo? – questionou Otabek – Mesmo depois de hoje?

— Hoje só foi uma confirmação de que eu realmente gosto de motos – o russo disse.

— Mesmo tendo ficado com medo? – uma sobrancelha morena foi arqueada.

— Mesmo tendo ficado com medo – confirmou Yuri, encolhendo os ombros.

Otabek pensou um tempo pensando na proposta do amigo e o loiro já estava para falar que ia desistir dessa loucura, quando o outro disse:

— Okay então – cruzou os braços – Depois da primeira prova da Grand Prix eu te ensino. Mas não quero ver sua cara de assustado enquanto está em cima da minha moto.

— Okay – sorriu o menor assentindo com a cabeça.

Eles então deram boa noite um para o outro e Yuri foi para o seu quarto.





O dia da primeira prova chegou e passou numa velocidade incrível. Yuri não sabia se era por que estava animado para tal coisa ou para aprender a andar de moto com Otabek. Mas de qualquer maneira, no outro dia o moreno pegou sua moto no estacionamento e mais uma vez eles foram para aquela estrada um tanto deserta.

— Então – Altin respirou fundo – Eu nunca ensinei ninguém a fazer isso. Até por que eu mesmo aprendi quase que tudo sozinho e só fiz aula por que foi necessário.

— Apenas tente do seu melhor jeito – Yurio incentivou.

— Sabe andar de bicicleta? – perguntou o mais velho.

Yuri então se lembrou de todas as vezes que seu avô saiu com ele no verão para ensina-lo a andar de bicicleta e como em todas elas, ele nunca o deixou tirar as rodinhas traseiras para treino. Naquela época sentia como se elas fossem tiradas, todo o seu equilíbrio fosse deixado com elas. O que não aconteceu com os patins. No primeiro treino ele já conseguia andar muito bem sem apoiar nas paredes do rinque e tinha perfeito equilíbrio.

— Ahn... É – concordou com a cabeça.

— Sim ou não? – insistiu o cazaque.

— Mais ou menos – respondeu, mas o olhar questionador do amigo o fez falar – Só com as rodinhas.

Por um momento Otabek ficou confuso e depois de lembrar-se do que o loiro falava, começou a rir, o que não deixou Yuri nada contente.

— Não ria, estúpido! – ele socou o peito do maior.

— Desculpe – pediu Otabek ainda rindo – Mas para alguém da sua idade só conseguir andar de bicicleta com rodinhas é engraçado.

— Vai ou não me ensinar logo? – o loiro rolou os olhos – E o que isso tem a ver com eu saber andar ou não de bicicleta?

— É que eu relaciono andar de moto com andar de bicicleta – disse e respirou fundo, o moreno – É quase a mesma coisa, só que você não pedala e sim controla com as mãos e pés. Mas o equilíbrio tem que ser o mesmo. Vem, vamos te ensinar logo.

Eles então se aproximaram ainda mais da moto que estava estacionada e Yuri respirou fundo um tanto nervoso. Se fosse depender de seu equilíbrio com bicicletas, estava ferrado.

Passou uma das pernas pela moto de Otabek e olhou para o mesmo, esperando comandos.

— Primeiro – o moreno sorriu – Não tenha medo Yuri. A moto não vai te matar.

— Mas se cair em cima de mim eu posso me ferrar bastante – o loiro retrucou.

— Talvez – o maior disse – Mas se sentir que vai cair, jogue seu corpo para o lado esquerdo, que é o que não tem o escapamento, por que senão ai realmente você vai se ferrar bonito. Vá devagar, não passe de dez por hora, assim consegue por o pé no chão com facilidade. Na sua mão direita você tem o acelerador – colocou a própria em cima da do menor – Aqui também tem o freio dianteiro, igual da bicicleta. Seu pé direito controla os freios traseiros, é só apertar. Já a esquerda é a embreagem que te ajuda a mudar de marcha. Aperte antes de por e depois a solte. E no pé esquerdo são as marchas. Como aqui é plano e não vai andar muito rápido pode ficar na primeira mesmo – ele soltou as mãos de Yuri e posicionou seu pé para que pudesse por a marcha, sozinho – Entendeu?

— Acho que sim – o loiro disse um tanto apreensivo.

— Vai dar tudo certo – Otabek disse sorrindo e Yuri quis achar apoio naquilo, mas não tinha certeza se conseguiria.

— Acho melhor você prender o cabelo – o outro disse – Não sei como consegue enxergar com esse cabelo na cara – e por instinto, levou a mão até a franja loira e a tirou do caminho, vendo com clareza o rosto do amigo e os olhos azuis intensos. Algo dentro de seu peito esquentou no mesmo momento, soltou rapidamente o cabelo do menino e desviou o olhar.

— Ota...? O que foi? – perguntou Yuri.

— Nada – respondeu o mais velho – Só prenda o cabelo.

E assim o loiro fez e depois voltou com as mãos ao guidão da moto. Ligou-a sem muitas preocupações e olhou para o moreno, que o encorajou com o olhar e muito lentamente foi pressionando o acelerador. Por algum milagre ele saiu bem e tomou coragem para acelerar até os sete por hora. Para sua felicidade estava muito bem.

A única coisa que não viu foi Otabek atrás de si, segurando a moto com os braços para que ele não se desequilibrasse totalmente. Depois de alguns metros o moreno o soltou e o loiro ficou muito bem estável.

— Já pode parar Yuri – ele gritou para o menor, a metros de distância e o mesmo obedeceu – Agora vire e volte até a mim.

E repetindo tudo o que tinha feito, Yurio voltou muito bem até onde o amigo estava. Desligou a moto e assim que desceu, correu e abraçou o cazaque.

— Eu consegui! – exclamou olhando o moreno.

— Eu vi! – Otabek riu – Sou um ótimo professor.

— Bem mais ou menos eu diria – provocou o russo.

E sem responder, o maior riu e eles voltaram com as aulas. Yuri foi até bem nas várias vezes e até tinha começado a fazer curvas com a moto. Desequilibrou-se algumas outras várias, mas por sorte não caiu. E eles ficaram ali andando com a moto por várias horas seguidas e o loiro tinha tomado coragem para chegar até vinte por hora.

Otabek por sua vez estava muito orgulhoso do amigo. Era como na final do ano passado onde o loiro tinha medo e fé ao mesmo tempo de ganhar e ele estava do outro lado, olhando-o e torcendo pelo amigo. Claro que dessa vez ele não tinha tanta confiança no sucesso do menor, que até tinha trazido uns band-aides com ele para caso o outro se machucasse.

No caminho de volta Yurio estava saltitante e até começou a contar algumas coisas sobre a infância com o avô que Otabek já sabia, mas que não se importava em ouvir de novo, só para poder ouvir a voz animada do loiro atrás de si. Ao chegarem ao hotel, mais uma vez ele virou-se para o menino e perguntou:

— Quer ir a algum lugar?

O russo concordou com a cabeça e os olhos brilhantes já denunciavam onde seria.

Voltaram ao porto da noite anterior e dessa vez eles não foram à roda-gigante, o que foi uma surpresa para o mais velho. Ficaram andando pela grande passagem a beira do mar e sentindo os respingos de água gelada. Já mais tarde, quando ficaram com fome, sentaram-se em um dos banquinhos disponíveis pelo local com um lanche que compraram num mercadinho ali perto.

E pela primeira vez, em meses, eles repararam um no outro com outros olhos.

Yuri pensou em como tinha conseguido a amizade de Altin. Gostava de pensar que Otabek sempre tinha andado de moto e que aquela aventura de sua vida era tão boba quanto a sua. Gostava também de pensar em como ele era tão parecido consigo, em questões de ser retraído, quieto e intenso e ao mesmo tempo ser mais aberto, por que jamais que ele, Yuri Plisetsky, iria chegar a alguém e pedir para que fosse amigo deste. Tinha muito orgulho dentro de si e sentia que nunca precisou de amigos, mas quando o cazaque chegou nele e disse aquelas palavras, pela primeira vez pode sentir-se abraçado – mesmo que mentalmente – por ser quem ele era e não precisar mudar, pois Otabek estava ali por que sabia como ele era. E depois desse ano, depois de dividir boa parte da sua vida com ele, contar histórias e passar horas ao telefone com ele, sabia que nunca tinha sentido nada assim por ninguém. Ele amava seu avô, sua mãe, sua família e Otabek. Mas com o último era um amor diferente, e era ridículo de difícil falar isso em voz alta – e principalmente para o moreno.

Já Otabek sabia que amava o loiro há algum tempo. Já tinha tido alguns envolvimentos amorosos como todo cara de sua idade, então conhecia o sentimento.

Quando pediu para ser amigo do mais novo, suas intenções eram as mais puras possíveis. Era apenas a amizade, como ele nunca tivera. Uma amizade verdadeira. Ele se via em Yuri de um jeito que nunca imaginara. Como Yuri, ele nunca tinha dividido sua vida com ninguém, e saber que o loiro sentia confiança nele o bastante para também dividir consigo, o deixava com o coração acelerado. E depois de algum tempo convivendo com o amigo, percebeu que sentia mais falta dele do que já tinha sentido de qualquer pessoa na sua vida. Sentia vontade de estar com ele, abraça-lo e beija-lo. Amava tudo naquele pequeno chato. Tudo o que ele fazia. Como se portar igual a um gatinho às vezes e no momento seguinte como um tigre raivoso. Amava mesmo quando ele o xingava de idiota por nada e também quando dava motivos. Amava sentir os braços finos a sua volta enquanto andavam de moto. E amava Yuri como um todo, sem tirar nem por.

O pôr-do-sol já tinha começado a aparecer, deixando tudo alaranjado e róseo. Otabek sempre amou tal vista e suspirou vendo o céu tornar-se àquelas cores. Yurio voltou-se para o moreno e ficou observando-o olhar para frente e um pouco acima, e todos os detalhes do rosto do outro. O corte de cabelo, um tanto quanto bastante utilizado por vários homens naqueles dias, jogado para trás e sempre bem penteado. A curva do maxilar, forte e bem desenho. O nariz fino. Os olhos castanhos claros. E finalmente a boca levemente cheia, aberta num sorriso para o céu colorido acima. No mesmo momento, Plisetsky teve uma vontade que jamais tinha sentindo com ninguém, nem a menina mais bonita da escola, ou qualquer garota que já tinha se declarado para ele. Queria beijar Otabek. Queria sentir o gosto daqueles lábios sorridentes em contato com os seus. E então caiu em si e arregalou os olhos.

— Acho melhor irmos embora – disse o loiro, colocando uma parte de sua franja atrás da orelha.

— Claro – o mais velho respondeu.

Tinha sentido o olhar de Yuri em si e que o encarava como nunca. Teve uma leve batalha interna em não olhar de volta e sim esperar por alguma coisa que o menor lhe dissesse ou fizesse, mas como nada veio, ficou apenas olhando o horizonte.

Eles andavam lado a lado de volta ao lugar onde Otabek tinha estacionado sua moto e as cores refletiam no cabelo loiro do pequeno russo o que o fazia parecer ainda mais encantador e como um gatinho. E por um momento uma ideia – meio maluca – passou pela sua mente, o que o fez sorrir e ao mesmo tempo tomar coragem para tal.

Esticou a mão para o outro, um tanto quanto discretamente, mas Yurio percebeu mesmo assim. Os sangues dos dois gelaram por motivos diferentes, mas de grande influencia. Yuri parou por um momento, olhando para o moreno que também o olhava, ainda com a mão esticada para ele e finalmente o russo sentiu-se como se pudesse fazer as piores coisas do mundo, e ainda assim teria Otabek.

Abriu um sorriso como ninguém jamais tinha visto. Um sorriso só de Otabek, e pegou a mão dele, corando em seguida.

Andaram o resto da passarela do porto até a moto do mais velho daquela maneira e depois voltaram para o hotel e subiram até os quartos pelo elevador, tudo sem trocar nenhuma palavra.

Não sentiam que precisavam dizer alguma coisa. O calor que as respectivas mãos transmitiam já era o suficiente para saber que o sentimento era o mesmo.

E chegando na porta do quarto de Yuri, eles ficaram um de frente para o outro, e sorriram constrangidos.

— Boa noite – Otabek disse e soltou a mão do menor.

— Boa noite – ele respondeu, sem saber o que esperar do outro.

Otabek assentiu com a cabeça também um tanto confuso com suas próprias ações e deus as costas para o loiro, que ficou ali, estático vendo o outro atravessar o corredor, mas antes que pudesse pensar em pegar seu cartão-chave, o moreno voltou até onde estava e deu-lhe um beijo, mais que carinhoso, na testa, apoiando uma de suas mãos na nuca de Yuri.

E por fim, Otabek entrou finalmente no próprio quarto e Yurio fez o mesmo, ainda com o calor dos lábios e a mão do cazaque em seu corpo e jogou-se na cama, sentindo o perfume do moreno em suas roupas de toda a aproximação que tinham tido naquele dia, e sorriu.

Pegou seu celular e mandou uma mensagem para Altin.

“Idiota.” Digitou e sorriu ainda mais.

“Eu também.” Recebeu, segundos depois.

Sabia exatamente do que ele falava e seu coração aqueceu e pulsou como se fosse sair de seu peito. Virou-se de lado na cama e ficou de frente a janela, tendo a vista do final do pôr-do-sol que trouxe tudo àquilo para ele.

Estava ansioso para contar para seu avô sobre aquilo. Sabia que seria apoiado pelo mesmo e sua mãe.

E divagando um pouco, com toda sua certeza, aquilo era bem melhor que ganhar o ouro do Grand Prix.


Feb. 26, 2018, 12:51 a.m. 0 Report Embed 3
The End

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B. L. P. 20 anos. Escorpiana. Tento escrever, às vezes sai alguma coisa.

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