Eu Sempre Vou te Amar Follow story

yare Ingrid Cunha

Eu dediquei todos os meus dias para cuidar das duas, desde os livres até os mais ocupados. Nunca me cansava de ver os dois sorrisos que mais me traziam paz, os sorrisos capazes de transformar os piores problemas em coisas simples.


Fanfiction Anime/Manga All public.

#Sarada
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Capítulo Único

Em 1969, um cara chamado Neil Armstrong marcou seu nome na história como o primeiro homem a pisar na lua.

Os adultos só falavam desse acontecimento, houve quem não acreditasse, e, houve também aqueles que concordavam com o “um salto gigantesco para a humanidade”. Naquele tempo o meu único pensamento foi “quando crescer, eu quero ser um astronauta”. Algo completamente comum, crianças sempre sentem vontade de ser aquilo que elas vêm de impressionante na tv.

Mas o tempo passou, tive diversos “sonhos” durante o período de sete anos, até chegarmos ao ano de 1976, nos Jogos Olímpicos de Verão no Canadá. O Japão ficou em quinto lugar no quadro geral de medalhas do evento, foram nove de ouro, e três dessas nós ganhamos na modalidade de judô.

Nessa época eu já tinha alcançado meus doze anos, e pude assistir meu país ser o primeiro colocado na modalidade. Senti-me orgulhoso, tanto a ponto de implorar para meus pais pedindo para que me deixassem praticar o esporte.

Eles deixaram.

Lá pude conhecer Naruto, aquele que no futuro se tornaria um grande amigo. Ele morava há dois quarteirões da minha casa, íamos juntos e treinávamos juntos. Minha adolescência foi normal.

Ao menos até o fim do ano seguinte.

20 de dezembro de 1977, a véspera de natal estava se aproximando. Era uma data feliz para toda vizinhança e para mim também.

Era.

Meus pais aguardavam a minha chegada e a do meu irmão mais velho. Chegaríamos do nosso trabalho de meio período, não era tão longe, mas nos custava quinze minutos a pé.

Quando chegamos a nossa rua notamos uma movimentação incomum. Duas ambulâncias ocupavam o local, bombeiros tentavam conter o incêndio doméstico causado graças ao mau manuseio de uma vela.

Na hora eu não quis saber como uma simples vela causou o acidente, eu só queria correr e encontrar meus pais, e foi o que eu fiz.

Avancei na esperança de encontrá-los, mas fui barrado 500 metros antes de chegar até lá. Chorando, eu questionei a um bombeiro sobre o paradeiro dos meus pais, e ele me disse:

“Eles ainda estão lá dentro, há duas pessoas tentando tirá-los de lá, vai ficar tudo bem.”

Nesse momento eu olhei para trás buscando por Itachi, que já se aproximava de nós, ele também tinha a mesma expressão de desespero no rosto.

“Sasuke...” Pude ouvir, antes do som da explosão.

Em um momento eu estava em pé, no outro eu estava deitado no chão com o corpo de Itachi por cima do meu. Eu tentei me levantar, eu chamei por meus pais, pedi por socorro, mas já era tarde demais. Eu chorei, gritei e me debati. Lembro-me até de culpar Itachi por ter demorado mais do que deveria para deixar seu posto na loja de doces.

Essas foram as últimas lembranças que tive antes de ser arrastado para uma ambulância e sentir meus sentidos apagarem completamente.

No dia seguinte, acordei na casa do Naruto. Ainda desorientado eu me levantei e caminhei para fora do cômodo. Ouvi a voz de Itachi vindo da cozinha, ele explicava o que realmente tinha acontecido para o pai do meu amigo, que lhe dizia para ficarmos lá o tempo que precisássemos e lamentava o ocorrido.

Eles notaram minha presença no local, meu irmão se assustou assim que me viu, o homem mais velho me olhou com compaixão e eu me senti no inferno novamente.

Caí de joelhos e chorei pelo que pareceu horas, meu irmão ficou comigo o tempo todo, embora eu não quisesse já que eu o culpava por tudo. Eu achei que se ele tivesse entrado em casa teria salvado nossos pais, ou que se não tivessem me barrado eu teria mudado tudo.

Eu era, realmente, uma criança tola. O irmãozinho tolo.

Meus pais morreram naquele incêndio, junto aos dois homens que entregaram suas vidas tentando salvá-los. Foi um momento trágico na minha vida, que eu só consegui superar anos depois.

Eu segui em frente, o incidente me fez escolher uma nova vida, e, assim que cheguei à faixa dos vinte e cinco anos me tornei Capitão do Corpo de Bombeiros, Naruto e Itachi seguiram o mesmo caminho que o meu, não sei dizer o que os motivou, sei, somente, que eu faria o possível para que outras pessoas não morressem do mesmo modo que eles.

Dentro do batalhão eu senti o quanto era gratificante salvar vidas, embora às vezes fosse doloroso. No começo, sempre que apareciam ocorrências e chegávamos ao local, eu, automaticamente, me via no lugar das pessoas que queriam fazer algo para tirar os outros do meio das chamas, era como se eu voltasse no passado. Eu fui superando isso aos poucos. Melhor dizendo, eu superei tudo após a entrada dela, não só naquela corporação, mas em minha vida.

Haruno Sakura, a paramédica dona do cabelo mais lindo que pude ver em toda minha vida. Tenho certeza que passei a gostar da cor rosa por causa dela, e não só da cor, como também dos olhos verdes que transbordavam toda calma do mundo. Sua coragem era admirada por todos, nunca a vi hesitar, nunca a vi abandonar alguém.

Quem diria que em meio ao caos eu conheceria alguém que me mostraria o mundo de outra forma.

Como eu disse durante anos eu me culpei, desnecessariamente eu sei, por algo inevitável. A verdade é que eu via tudo distorcido até conhecer sobre sua história. A mulher forte e destemida perdeu seus pais bem mais cedo que eu e, muito diferente de mim, foi criada em um orfanato sem ninguém para lhe oferecer consolo, sem ninguém para mentir dizendo “vai ficar tudo bem”, apenas chorando sozinha em seu mundo.

Eu só consegui pensar no quanto seria ruim se eu estivesse em seu lugar. Questionei se não doía, e ela com toda sua serenidade respondeu:

“Doeu, mas logo eu percebi que não podemos mudar o destino”.

Uma mulher dizendo que aceitou o que eu levei anos para entender. Cheguei a me sentir envergonhado, estava diante de uma mulher que, provavelmente, sofreu mais do que eu, e ela novamente me ensinou uma lição:

“Não se preocupe, isso não me faz nem melhor, nem mais forte que você”.

Talvez eu tenha me apaixonado nesse mesmo momento.

Os dias se passavam eu me encantava mais e mais, e percebi o que já estava claro: Não queria, nem por um instante, ficar longe dela. Estava viciado em sua autossuficiência, sua beleza, seu cheiro, seu corpo, seu tudo.

Itachi e Naruto diziam em nossos momentos de descontração que, quando eu a pedi em casamento quis mais monopoliza-la do que ama-la, eu ri e neguei, acho que monopolizar não era bem o termo correto.

Nós nos casamos um ano após nos conhecermos, rápido né?

Bom, eu não acredito em amor à primeira vista, talvez isso seja meu lado machista, mas aprendi a acreditar em destino quando ela apareceu. Ela me fez crer, apenas com atitudes, que tinha sido feita especialmente para mim. Uma mulher dessa não se encontra com facilidade, então eu não poderia perder a chance.

Aquele “sim” mudou minha vida, meus dias foram mais felizes. Mas, o ponto máximo da minha vida foi descobrir que seria pai. Foi maravilhosa a sensação que tive ao ouvir “de seis semanas” quando precisei acompanhá-la ao médico.

“Uma semana de desmaios e enjoos e nem um dos dois pra perceber o que estava acontecendo.” Foi o que ouvimos de Naruto, a pessoa que não conseguia nem fazer um simples convite para Hinata uma de nossas companheiras.

Não consegui acreditar até ouvir, pela primeira vez, as batidas do coração da minha filha. Nesse dia, nem a Sakura chorou mais do que eu, vim pra casa tão eufórico que quase esqueci como se dirigia um carro.

Eu iria ser pai em menos de nove meses, estava no ápice da felicidade.

No dia 31 de março de 1992 nasceu Uchiha Sarada, minha tão amada e esperada filha, o fruto da minha união com a única mulher que eu consegui amar desde que perdi minha mãe. A criança que trouxe alegria para nossa enorme casa.

Eu dediquei todos os meus dias para cuidar das duas, desde os livres até os mais ocupados. Nunca me cansava de ver os dois sorrisos que mais me traziam paz, os sorrisos capazes de transformar os piores problemas em coisas simples.

Tenho certeza que aproveitei tudo, claro eu queria que isso durasse pra sempre, mas nada é como queremos. Só nos resta aceitar.

Em 1995, três anos após a sua chegada, houve uma ocorrência. Foi necessário deixá-la com sua babá, Tsunade, quem sempre se disponibilizou à nos ajudar. Era um incêndio em um pequeno comércio no centro da cidade, chegamos por volta das sete horas da noite, alguns bombeiros tentavam conter as chamas, Itachi e Naruto já estavam no local.

Troquei de roupa e vi Sakura caminhar até a ambulância para prestar os primeiros socorros às vítimas que aguardavam. Havia pessoas no prédio e por isso foi necessário que entrássemos, eu fui o primeiro a sair em busca das vítimas.

Uma hora se passou e o incêndio ainda era contido, no prédio havia poucas vítimas. Eu saí do local, precisava ver como a situação estava, tirei minha máscara e logo encontrei Itachi que me informou sobre o fogo ter alcançado a casa ao lado.

Eu senti um aperto no peito, um mau pressentimento.

Corri até a ambulância procurando por Sakura, mas não a encontrei. Isso era ruim, e senti um aperto ainda maior. Abordei o primeiro socorrista que vi, e ele disse que minha esposa tinha entrado na casa ao lado, uma das vítimas de lá tinha dito que seu filho ainda estava lá dentro. Desesperei-me no mesmo momento, chamei a atenção de todos os bombeiros, eles deveriam ter barrado a sua entrada.

Acho que me esqueci de dizer que ela também era uma incrível cabeça dura.

Não me importei com equipamentos de segurança, entrei como um louco na casa e a encontrei somente com o macacão, ela estava apoiada no meio da escada que iria para o outro andar e estava sem máscara. Eu não quis nem pensar na quantidade de fumaça ela havia inalado, só pensei em tirá-la de lá.

Parece cena de filme, não é mesmo?

O teto da casa era vetado com madeira e o fogo estava fazendo-o desabar me impossibilitando de chegar até onde ela estava. Eu pensei que estava tudo perdido, ouvi o choro da criança a qual ela queria resgatar, ouvi as vozes de Naruto e Itachi chamando por nós dois, e, quando vi o Naruto correndo em minha direção apontei para ela, ele entendeu e voltou até lá.

Meu irmão surgiu ao meu lado, já com a criança nos braços e eu me apoiei nele, a fumaça já estava fazendo efeito em mim, eu me sentia tonto, mas podia ver minha esposa se apoiando em meu amigo e ele levantando-se com ela em seus braços, eu suspirei aliviado.

Mas sempre existe um ”mas”.

Ao sexto degrau, o teto desabou e a única reação que ele teve, antes de jogar o corpo da minha esposa no chão e se jogar por cima dela, foi sussurrar um “me desculpa”.

Aquele déjà vu, a sensação de já ter vivido determinada situação. Eu tentei correr até eles, mas Itachi, com toda força que tinha naquele momento me puxou, outra parte do teto desabou obrigando-o a me arrastar para fora da casa.

Soltei-me e corri de volta, gritando para que entrassem lá e me ajudassem a salvar os dois, lá estava eu, novamente, sem uma máscara inalando toda aquela fumaça, juntando forças para não cair ali mesmo.

Conseguiram me tirar de lá dez minutos depois. Quando acordei me disseram que eu havia desmaiado lá dentro, que corri risco de vida me expondo ao fogo e inalando toda aquela fumaça. Questionei sobre minha esposa, e eles negaram com a cabeça e me lançaram olhares de piedade, os olhares que eu tanto odeie. Itachi tentou conversar comigo, mas eu não consegui, apenas pedi para que trouxessem minha filha, eu precisava avisá-la do acontecido.

Trouxeram-na e ficamos juntos por longos e bons minutos, eu chorei com ela em meu colo, estava arrasado, mas eu tinha que cuidar do maior presente que aquela mulher deixou para mim nessa terra.

E, por ela, eu escolhi ser forte.

Naruto também se foi tentando protegê-la, Hinata, com quem ele finalmente tinha iniciado o namoro, me visitou no hospital. Pude ver a solidão no fundo dos seus olhos claros, eu sabia o que era aquilo, eu já tinha sentido e novamente estava provando do gosto amargo da perda.

Era muito doloroso.

Itachi me ajudou a cuidar do velório e enterro da minha finada esposa. Eu quis impedir com que a enterrassem, passei mal, desmaiei e acordei no hospital novamente. Após o incidente, graças à tudo que inalei por falta do equipamento eu aderi um problema pulmonar.

Há oito meses estou internado, aguardando uma doação para fazer um transplante de pulmão. Estou juntando todas as minhas últimas forças para escrever um resumo de toda minha vida para você, Sarada. Temo que eu não consiga resistir tanto tempo, então quero ter ao menos a chance de lhe contar sobre o que perdi e principalmente o que ganhei.

Você. A melhor coisa que aconteceu na vida da sua mãe e na minha vida.

Se eu partir, não quero que fique chateada com o destino. Eu sei que será muito difícil para você, foi e está sendo muito difícil para mim também. Eu não quero deixá-la, quero poder acompanhar seu crescimento, ver o seu sorriso, ouvir sua voz e lhe ensinar tudo que aprendi com sua mãe.

Se isso não for possível, por favor, viva! Viva por nós, eu estarei lhe observando de onde eu estiver.

Eu sempre vou te amar.

Uchiha Sasuke.

— Sarada? Vamos? Recebemos um chamado.

— Certo tio. — respondi, guardando a carta — Estou indo.

— Tenho certeza que ele deixou esse mundo em paz, graças à essa carta. — meu tio comentou, sentando-se ao meu lado.

— Você sofreu muito?

— Com a morte dele?

— Também.

Aguardei ansiosamente sua resposta, ele olhou para o teto e pareceu pensar no que iria responder.

— Quando seus avós morreram, eu só consegui me manter firme, porque eu tinha seu pai. — disse, com o olhar distante — Eu estaria mentindo se dissesse que isso não me afetou, mas eu não podia demonstrar isso, seu pai precisava de mim naquele momento.

— Você sente falta dele?

— Muita, mas eu ganhei uma “mini Sasuke”. — respondeu, fazendo aspas — Sou muito feliz por também ter ganhado esse presente.

— Obrigada.

— Por quê?

— Tudo. Por não abandonar meu pai, mesmo depois de ele fazer tudo que fez. Por tentar ajudar minha mãe, e por cuidar de mim. — ele sorriu, levantou-se e tocou minha testa com seu dedo indicador e o do meio, como sempre fazia.

— Vamos.

— O que significa esse gesto? — questionei, desde sempre o vi fazendo o pequeno gesto em mim e na Izumi.

— Você quer mesmo saber? — inquiriu e eu afirmei com a cabeça — Eu fazia no seu pai, quando ele era criança. — levei minha mão à testa repetindo o gesto, ele sorriu ternamente para mim, saindo logo em seguida e eu apenas o segui.

Pai, eu completei meus vinte anos há pouco tempo e estou há seis meses no Corpo de Bombeiros. Parece até que ser bombeiro é coisa de Uchiha, né?

Mas não é bem assim, eu escolhi essa profissão para viver ao máximo da forma que vocês, papai e mamãe, viveram. Não sei se vocês irão aceitar meus motivos, mas são os mais sinceros possíveis.

Quando eu era criança eu sempre perguntava o porquê de vocês não viverem comigo, e meu tio disse que um dia eu iria entender. Na escola eu me sentia um pouco deslocada, mas só até eu completar 16 anos, que foi quando eu recebi a sua carta.

Na primeira vez que eu li, senti muita raiva, quase rasguei a maior lembrança que o senhor me deixou. Achei que vocês queriam me fazer chorar, achei que era uma brincadeira de mau gosto, achei tanta coisa. Nem ao menos consegui chegar ao final.

Mas agora, quatro anos depois, eu faço questão de lê-la todos os dias ao acordar e antes de dormir. Transformei-a em meu amuleto da sorte. Ela renova minhas energias.

Eu queria muito poder ouvir suas vozes, queria abraçá-los, queria poder ter conhecido o Naruto, queria fazer tanta coisa ao lado de vocês, mas se aconteceu assim, é porque assim que tem quer ser. Não culpo ninguém, nem mesmo o destino.

Sou feliz dessa forma. Tenho meu tio Itachi, que está prestes a se casar, a noiva dele é uma ótima pessoa, vocês iriam gostar dela.

Não me sinto sozinha, tenho vocês no meu coração. Prometo me cuidar, cuidem-se vocês também. E saibam que, onde quer que estejam, eu também sempre os amarei.

Uchiha Sarada.


Feb. 26, 2018, 12:33 a.m. 0 Report Embed 2
The End

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