Cicatriz Follow story

whatapanda Políbio Manieri

Porque por entre espelhos e cacos de vidro havia o medo, mas também havia o vinho e alguns grãos de areia...


Fanfiction Anime/Manga For over 18 only.

#fns #naruto #gaalee #leegaa #gaara #rock-lee
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Cicatriz

N/A:

Adivinha quem chegou???

Meus queridos, digo logo de antemão que esta não é somente uma one-shot. Na verdade é um ode ao meu primeiro OTP de naruto, e, de longe, os dois personagens que eu mais gosto do anime inteiro, e é chocante que eu não tenha trabalhado com os mesmos até então.

Foi uma história feita com muito carinho e atenção para honrar esses pãezinhos em forma de 2d q eu amo tanto.

E sim tá repaginada e reeditada, amores!

Fanart da capa de minha autoria, pq eu to podendo.

Boa Leitura!

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N/A:

Então, essa fic foi escrita em fevereiro de 2017 porém só havia sido postada no Spirits (ban) e no Inkspired, devido ao lapso temporal a minha escrita deve ter mudado bastante de lá para cá mas não quero fazer modificações, então é importante definir a época. Trago-a aqui agora.

Fanart da capa de minha autoria, pq eu to podendo.

Boa Leitura!

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Era tarde, madrugada, e não conseguia dormir.

Ele fixou os pés ao chão, sentindo as cobertas escorregarem por suas pernas. O vento soprava leve, o fazendo esfregar os próprios ombros em busca de calor. Por baixo do tecido insuficiente da yukata, a pele branca se arrepiava.

Lá fora era fina a garoa sobre a vila da folha, e também era fria. Não era quase nada comparado ao gélido deserto escuro, mas por algum motivo a arquitetura daquela cidade não facilitava muita coisa... talvez fosse útil começar a levar cobertas da próxima vez.

Mas ele não fecharia a janela, e aquilo não era sobre o frio.

Ainda lhe pulsava a cabeça o mero lembrar da voz de Naruto, tilintando alguma coisa sobre um drinque pós-expediente.

Só um.

Levou a mão aos olhos pensando que se arrependimento matasse ele ali jazeria que nem cadáver.

Era verdade que não era de beber, e ainda que fosse, não seria nem um pouco propício ingerir álcool em uma noite como aquelas - uma noite daquelas. Podia bem ter negado a cortesia, mas não negou.

O problema maior é que, agora que encarava a garrafa de vinho aberta na mesa de cabeceira, não conseguia evitar de tornar o que havia restado em sua taça. Em sua terceira taça. E de nada ajudava.

Mas aquilo não era sobre a bebida.

Nem sobre arrependimentos.

Ainda próximo à cama, o fogo de uma vela, uma única vela, queimava. Trepidante. Inquieta. Iluminando, em seu pequeno esforço, o ambiente.

Ele não gostava de dormir no escuro porque havia uma inquietante memória infantil. E em tantas noites em que acordara rodeado de sombras em meio a nada, o pânico se instalou em sua alma como o fincar de um espinho envenenado. Ele não vê e nem respira.

O medo de ter voltado para a escuridão. O medo de estar só.

Mesmo que por um pequeno feixe de luz, é o suficiente.

Mas aquilo tampouco era sobre seus demônios.

Ao menos, não aqueles.

Ele levantou, reforçando o laço das vestes em sua cintura. Por trás das cortinas abertas conseguia escutar os sons da cidade.

Abaixo de si a vila pouco dormia, mas nem mesmo todos os postes e prédios acesos na cidade soturna juntos poderiam minimamente disputar com a esplendorosa lua cheia. A majestosa rainha da noite. Mãe de todos os poetas.

Mãe de todos os condenados.

A luz branca espalhava-se por sua cama como a iluminar um palco.

Por vezes, o banho de prata acalmava o barulho de seus pensamentos inquietantes. Por vezes, o simples silêncio das luzes apagadas era o suficiente para reorganizar as ideias e desafogar o coração.

Mas não hoje.

Não quando a erupção em seu peito parecia prestes a explodir, queimando e pulsando em suas veias feito lava. Não quando cada partícula de seu corpo agitava-se em profusão. Não quando o coração se debatia tão forte em seu peito que sequer conseguia raciocinar direito.

Não quando o amargor da bebida descia como uma pedra quente no frio do estômago vazio.

Não. Hoje ele apenas não queria ficar sozinho.

E, bem, talvez não fosse o vinho, o culpado.

Haviam sombras inquietas piruetando pelos móveis, escurecendo a superfície do chapéu largo com os dizeres "Vento", largado sob a cadeira à direita - como a mera peça de roupa que era. Como se per si não ostentasse o peso de uma nação.

Hoje à noite simbolizava nada além de uma veste que não queria vestir.

Porque, por entre os segredos daquelas paredes mortas, não usaria nenhuma máscara.

Não para ele. Jamais para ele.

Mas ele não estava ali. Sete dias, sete noites e ele não estava ali.

O vento soprou, a cortina ondulou.

Então é assim?

Se exprimiu afirmação ou chacota aquele balançar de tecido, ele não conseguiu discernir, porque segredos foram feitos para permanecerem nas trevas.

E havia o medo. E a insegurança.

Estava cansado, estava vazio e um tanto frustrado. Raiva ou desespero, hoje ele apenas se permitiu e encarou aquela janela.

...é isso?

Louco estaria se o vento o respondesse.

Mas, então, o leve som de um toque contra o parapeito de linóleo denunciou e algo mais do que brisa adentrou pelo quarto escuro. Quando o familiar cheiro chegou em suas narinas, o coração entalou em sua garganta.

Do alto de sua estatura larga e imponente, nas sombras iluminou um sorriso de menino. Os ombros subindo e descendo com o movimento de respiração intensa... Ele inspirava pesado, cansado. As bandagens dos punhos sujas e os músculos dos braços, que agora exibia desnudos, tesos.

Ele pareceu querer dizer algo, mas não teria a chance. Não teria o tempo. Pois, com os dedos cerrados em punho, sem aviso, atingiu-lhe fortemente o maxilar, e o impacto das juntas estalando contra a solidez do osso doeu mais do que poderia imaginar. Era como socar uma parede de tijolos.

O peso do soco não o derruba. Não o fez sequer recuar tanto quanto pretendia. Mas não se importou.

Não se importou nem mesmo com a onda de eletricidade que correu seu corpo no momento em que a pele de seu braço erguido foi tocada, segurado no lugar por dedos fortes, mas gentis.

- Por que faz isso? - foi sua voz o que quebrou naquele sopro de ar. Não dava. Não aguentava mais. Tentou se livrar daquele aperto, mas ele facilmente o mantinha no lugar.

E o segurava tão perto, tão próximo, que não conseguia respirar.

O observou erguer o dorso da mão e limpar o sangue que lhe pingava do lábio partido, numa expressão franzida de quem não entendera bem o que acabara de acontecer. Ele inspirou o ar e os olhos negros, por um momento, refletiram realização.

- ... Andou bebendo?

É claro.

- O que você acha? - em um puxão, conseguiu reaver o braço. Mas sabia que foi ele que o soltou. Ele não o machucaria, mas aquilo era patético. - Sete noites... pensei que..

E ele sorriu pequeno, unido as sobrancelhas grossas em compreensão, permanecendo parado onde estava, até que ergue os punhos e as ataduras estão sujas de sangue e terra. Ele esteve ocupado.

Ao menos, agora conseguia fazer o ar chegar em seus pulmões.

- Eu jamais faria isso com você, Gaara.

Sim era patético. Era esse o padrão, ele sabia. Havia a possibilidade e ele não viu. Ou até viu e só queria que o outro soubesse o quanto lhe doeu, o quanto lhe dói, principalmente agora em suas falanges machucadas.

Meu deus, isso já não faz sentido, mas ele também não esboça o menor medo.

- Não... - Seu próprio lábio tremia, mas não era por vontade de discutir. Ele estava ali. Tão real como em seus mais profundos devaneios. Estava ali.

Se aproximou dele em passos silenciosos, quase mortos, tomando em mãos o rosto masculino que a maturidade do tempo se encarregara de moldar.

Ele sempre fora o ser mais belo que julgara conhecer. Dono de uma beleza rudimentar, todo o corpo esculpido no trabalho duro e grandes olhos negros como carvão, refletindo sonhos. Inocência. Esperança. E não só a aparência o fascinava. Era o modo como agia, como falava.

Como sorria.

Ele o tinha, derretendo como areia, na palma de suas calejadas mãos.

- Senti sua falta, Lee.

xoxox


Lee acariciou o próprio queixo, por um segundo atordoado com o impacto.

Rodeado pelo negror de espessas olheiras, o olhar, ressaltado como jade, brilhava. Olhos magoados, sem dúvida. Pedras que choravam. Numa reza silenciosa. E num pedido ainda mais mudo.

Um sinal que escaparia facilmente da percepção de qualquer bem-intencionado, mas não de um apaixonado.

Dizem que a chuva cheira como o deserto. Pensava, talvez, ser por isso que o aroma que exalava dele lembrasse sempre terra molhada.

E... dessa vez, havia o vinho.

O observou se afastar enquanto o acusava, e assim o permitiu. E assim deixou. Conhecia suas crises como conhecia seus limites. Sabia que o desencadearia e se odiou. Não deveria ser ele a quebrá-lo.

- Eu jamais faria isso com você, Gaara.

A pele do peito desnudo ressaltava quase fantasmagórica sob o tecido escuro que tingia suas vestes, aos poucos acalmando seu vai e vem extasiado. Se sobrancelhas ele tivesse estas estariam a franzir, desgostosas, a combinar com a linha fina que se pressionava em seus lábios pálidos e contrariados. E ansiosos. Os cabelos de fogo domados por trás de orelhas eram a perfeita moldura para o fino contorno que destacava a nobreza de suas feições.

A bochecha corava e, talvez, não pela bebida. Nem pela raiva.

Foi então que sentiu o macio próprio de palmas que nunca precisaram se utilizar de força bruta em sua face, e a aproximação suave do rosto bonito fez-lhe o coração falhar.

Ele era todo desejo e todo tentação.

E, acima de tudo, era aqueles olhos verdes.

Olhos de vidro, que poderiam congelar incêndios e derreter icebergs.

Repletos de um encanto tão mortal quanto sua própria vitalidade.

Com um brilho tão predatório quanto inseguro. A força que poderia te destruir e ao mesmo tempo te fazer chorar, não por medo, mas porque era belo, e poderoso, e tão triste.

- Senti sua falta, Lee.


xoxox

Foi quando, num impulso tão arriscado quanto um salto para o mar, Gaara se deixou mergulhar no sabor daqueles lábios de maçã que tanto lhe tiravam o sono em noites de inquietação.

E era vinho e era sangue.

Podia sentir os braços fechando-se ao seu redor, a boca junto à sua explorando e sugando-lhe o gosto. Quase não recordava de tão gelado arrepio que cruzou a sua espinha e nem da fome daquela língua, que procurava a sua com violência. Querendo-o com uma força que a sua própria ânsia desconhecia.

E o mundo, por que havia parado de girar?

Ele recuou até suas costas chocarem pesadamente contra a parede mais próxima, continuando a beijá-lo com o desespero premeditado. O peso daquele corpo e a fúria daqueles lábios era tudo aquilo que o fazia desmoronar e se sustentar ao mesmo tempo.

Tudo era tão intenso com o ninja mais apaixonado de konoha.

O tecido que cobria Lee estava úmido, fosse pelo sereno, fosse pelo suor, mas podia sentir o calor das mãos que percorriam por seu tronco através das fendas de sua roupa, fazendo-o estremecer. Não importa o frio que fizesse, aquele corpo estaria quente.

Gaara buscou parte do ar que havia perdido quando a língua dele largou a boca e deslizou por toda a linha da mandíbula em direção ao queixo. Ele abocanhou-o largamente e sugou forte aquela região sensível fazendo gemer.

O que podia fazer? A onda de dormência instantânea que espalhou por todo o seu corpo o impedia de ir muito além de choramingar.

Quando sentiu dedos ásperos acariciarem sobre seu mamilo enrijecido, prendeu sua mão sob os cabelos escuros e puxou.


xoxox


Ele gemeu contra sua boca quando o sustentou contra a parede, o corpo amolecido de tanto desejo e satisfação. E apenas o beijava. Por deuses, apenas o beijava.

Sentia que se apenas apertasse um pouco mais forte era capaz de deixar marcas vermelhas sob a pele de alabastro, mas a verdade é que pouco importava quando aquele ruivo se esfregava e ronronava por tão pouco, como um felino enlouquecido.

Que marcasse, então. Que o branco virasse rubro. Que a boca tornassem roxa e inchada.

Enquanto o peito se arqueassem abaixo de si, enquanto as unhas permanecessem fincadas na a pele de sua nuca, sabia que percorria o caminho certo naquele corpo necessitado.

Quando suas mãos se ocupavam pelo peito, fechou os dentes sobre a pele sugada, grunhindo quando os dedos enroscados em seus fios puxaram com ferocidade, o conduzindo em direção aos lábios entreabertos. E eles reiniciassem, sem tornar ao começo, aquele jogo tão excitante.

xoxox

Gaara arrancou o maldito cachecol que tanto atrapalhava o caminho de sua boca pela pele.
Ele fez roçar seu hálito quente na orelha sensível, mergulhando a ponta da língua dentro da fenda rasa e rosnando em agonia. Sua mão servia de apoio para o rosto enquanto a coxa masculina deslizava por entre suas pernas bambas, empurrando sua ereção evidente em movimentos fortes.

E, deus, como era difícil se concentrar em alguma coisa com aquele volume pressionando contra seus quadris. Gaara mordeu forte onde lambia, arranhando a pele morena, se segurando onde podia. Quando conseguia.

A maneira como Lee impulsava contra sua virilha tornava seu estômago em um frenesi de borboletas. Sua cabeça girava e o equilíbrio era incerto. Jamais em sua vida havia imaginado se sentir tão afetado por alguém. Aquele corpo encaixava tão perfeitamente com o seu que tinha vontade de chorar.

- Sim...

Ele se esfregou sobre a perna de seu amante e o gemido grave que se sucedeu o excitou tremendamente do topo da cabeça aos dedos do pé.

xoxox


Lee podia o sentir tremer. E podia o sentir remexer, em protesto. Os dedos o empurraram da parede e a língua desceu-lhe pela garganta quando cambaleou de costas até cair em uma superfície macia e sem lençóis. Gaara saiu de seu encurralar e o montou, ajoelhando-se em torno de suas pernas. Os olhos verdes em chamas, o olharam de cima.

Oh, merda.


xoxox


A yukata maltratada lhe cedeu, escorrendo como manta pelos ombros trêmulos e, provavelmente, manchados em vermelho. Sustentada apenas pelo laço, pendeu aberta, expondo toda sua vergonha inchada e dolorida enquanto aquele olhar escuro mais parecia queimar sob seu corpo. Mas, quando o outro fez menção a se mover, Gaara segurou suas mãos para que não o tocasse. O ouviu resmungar e não se importou, porque ele sabia o que queria... e, puta merda, queria agora.

Jogando-lhe as costas contra a cama, Gaara se esgueirou até o zíper daquela roupa estranha que demarcava uma a uma todas as dobras daquele corpo magnífico. O puxou entre os dentes, numa velocidade torturante até mesmo para si. Dominado, Lee ofegou ao sentir o fantasma do nariz passeando por toda extensão de seu peito até a base dos quadris, até que um toque sedoso afastou o tecido, libertando a pele de oliva.

Gaara afundou o rosto naquele calor e simplesmente inspirou... A textura, o cheiro, o sabor. Sentira tanta falta que chegava a doer. As cicatrizes por toda a extensão do peito e ombros eram profundas, e eram muitas. Porque ele se esforçava tanto...

As beijou uma a uma e as lambeu. Porque ele amaria e ele desejaria todas aquelas imperfeições que o faziam ser.

O peito subia e descia conforme a pulsação acelerava, e ouviu soar uma lamúria quando mordeu sua virilha, próximo ao caminho de pelos que se estendia por baixo do umbigo, deixando ali sua marca. Fingindo ter algum controle da situação, ainda que mínimo.

Gaara escorregou até seus joelhos atingirem o chão e ficar nivelado àquela protuberância que faltava explodir em seu aperto. Ele podia ver claramente o contorno rígido através da malha e sentiu a própria ereção latejar com a sensação de secura que se apoderou de sua boca, inalando o cheiro forte de pura excitação masculina que o rodeava.

Com uma leve levantada de quadril, foi auxiliado em retirar aquelas últimas camadas de pano e ofegou alto quando aquilo se ergueu em seu campo de visão, enorme, vermelho e vazando enlouquecidamente por todo o canto. Seu corpo estremeceu por inteiro com uma excitação absoluta quando capturou em sua boca o máximo que podia daquela extensão.

xoxox

Lee teve de cerrar os dentes para não fazer barulho.

Ele colocou os braços sobre o rosto, se contendo como podia para não se desfazer ali mesmo, dentro daquela cavidade aveludada que lhe chupava com tanta fome, as mãos conhecidas, habilidosas, brincando entre o comprimento e as bolas.

Porra, Gaara.

E o movimento parou.

Ele apoiou-se sob os cotovelos, arriscando olhar para baixo. Abandonado, seu falo latejou. Gaara havia levado os próprios dedos à boca, os ensopando abertamente em sua língua em uma expressão absurdamente obscena. Lee o encarou perplexo, em sua exibição e provocação.

- Você me paga...

Ele sorriu.

- Mas não agora.

xoxox

Aquele peso em sua língua, e aquele cheiro, e aqueles sons. Gaara sentia-se capaz de gozar puramente em realização. Afundava-se lentamente, suave, mas forte, engolindo todo aquele volume ritmado pelos gemidos deliciosos que escapavam de dentro da boca entreaberta. O corpo estremecia abaixo de si, o suor umedecendo as pernas torneadas onde ele cravara as unhas na tentativa de se controlar.

Quando se afastou, sua língua deslizou pela própria mão em meio à visão privilegiada daquele rosto que fazia-se notar no horizonte de mel e ébano, prendendo a respiração.

E, porra, como o excitava ser assistido desse jeito.

- Você me paga...

Porque o peso daquele olhar animalesco nublado pelo puro desejo, desejo por ele e por mais ninguém, fazia evaporar a última gota de sanidade que ainda permeava sua mente.

- Mas não agora.

Com isso, Gaara relaxou a garganta, o enterrando tão fundo que sentiu a penugem escura da virilha roçar em seu nariz, enquanto introduzia lentamente um dedo, sentindo-o contrair e gemer seu nome em resposta. Retirando os lábios, ele arrastou preguiçosamente a língua por toda glande molhada e olhou pra cima. Lee permanecia apoiado, o rosto lindamente corado e contorcido pendia para trás em seu pescoço, as mãos fechadas arrancando a colcha da cama de tanto prazer.

Sorriu. Gemeu. Era assim. Ele rosnava, choramingava, gritava, desmoronava... Lee era tão intenso em tudo que se propunha a fazer. Tão puro. Tão bonito.

Gaara jamais havia amado tanto, se doado tanto.

xoxox

O que aquele homem estava fazendo? Como em um simples toque podia fazer desabar daquele jeito? Faltava forças. Faltava o ar. Faltava a vontade de continuar resistindo àquilo tudo. Lee podia sentir o calor da excitação se enrolando em seus quadris. Não aguentaria mais um minuto.

Sentiu o segundo dedo curvar dentro de si, massageando o ponto certo, e, em segundos que mais lhe parecera uma eternidade, suas costas arquearam e os músculos enrijeceram. Num ganido contido, ele se derramou naquela boca deliciosa que engoliu até a última gota, com volúpia.

xoxox

Aquilo era música para seus ouvidos.

Sua bela criatura se contorcia e se derretia lindamente sobre seus travesseiros, a pele brilhando sob uma fina camada de suor. Por ele, por causa dele. Só pra ele. Enquanto retomava o ar que teimava em escapar dos pulmões, Gaara percorreu um caminho de beijos pela parte interna da coxa tão trêmula, provando o gosto daquele que lhe pertencia.

Próximo ao joelho, parou. Outra cicatriz. Esta mais longa e profunda, se estendendo por toda panturrilha, quase que... cirúrgica.

Uma marca de uma época sombria. De um ímpeto assassino capaz de tolher a vida de tudo aquilo que mais lhe encantava. De uma necessidade de sangue.

Tudo o que tinha. Tudo o que era. Tudo o que restara.

Gaara tateou por toda a marca, numa carícia silenciosa e demorada.

Aquela cicatriz era sua. O pesadelo que o perseguia para sempre... Sem máscaras nem disfarces. Sem consciência.

E sem perdão.

O machucou uma vez. Fundo, e inapagável. Que direito lhe restara para olhar naquele rosto e pedir para que não o rejeitasse?

Uma vez recebera a alcunha de monstro... sim, e talvez o fosse. Mas não havia mais ódio dentro de si. Não queria mais lutar, nem com ele, nem consigo mesmo. Nem com seus demônios.

Só queria estar em seus braços.

Será se podia?

Por apenas um instante, por apenas uma memória, um fragmento de dúvida era o suficiente para fazer seu coração sangrar e se sentir ruir como um castelo de areia levado pelas ondas de um fim de tarde.

Foi quando sentiu a mão acarinhar seus cabelos, o conduzindo a olhar para cima. A expressão era cansada, mas terna. Lee o olhou como se conseguisse sentir sua hesitação ecoar pela pele em seu último toque. O abraçou como se conseguisse o sentir quebrar em seu último suspiro.

E ele o fazia. Mas o corpo que ali o amparava em torno de seus braços era sólido, e real.

E ele não iria a lugar algum.

Gaara deixou ser conduzido para a cama e se afundou nos travesseiros. Lee pendeu acima de si, mas não o tocou, em vez disso os lábios simplesmente se fecharam e se prolongaram sobre a cicatriz vermelha em sua testa, fazendo-lhe os olhos encherem.

Mesmo quando o que merecesse não fosse além de desprezo, ele, e somente ele, seria capaz de fornecer toda a candura do mundo. Mesmo se o quisesse, mesmo se o pedisse, ele jamais o deixaria sozinho de novo.


xoxox


Perdido em névoa e prazer, não sabia quanto tempo havia se passado até que o silêncio traiçoeiro o trouxe de volta aos seus sentidos. E se sentou. O outro tão perdido em pensamentos e tremores que sequer notara sua aproximação.

Quando o tocou, a incredulidade presente naqueles olhos partiu-lhe o coração. Mais do que qualquer coisa, desejou que Gaara soubesse o quanto se importava. O quanto o queria bem.

Desejou que percebesse que na capacidade de se perdoar, descobriu como amar. E lhe atenuou sentir os músculos dele relaxarem sob o peso de seus braços.

O deitou e o beijou. Os cabelos, a marca, o rosto. E pôde sentir os lábios molharem quando beijou a zona escura ao redor dos olhos.

- Eu amo você... Por favor não duvide de mim.

xoxox


Gaara não conseguia falar. Não conseguia sequer respirar. Via a boca mover novamente em torno do que era dito e, mesmo que o único som audível fosse o do próprio coração pulsando violento contra seus ouvidos, soube que eram aquelas palavras e que elas eram para ele, e só para ele.

Não era um sonho.

O abraçou apertado, tomando seus lábios e o entregando tudo o que tinha. Cada gota de seu ser. Enlaçando línguas, mãos e dentes. Aliviado. Desesperado. Apaixonado.

E ainda havia o vinho e ainda havia o sangue.

Mas sempre haveria o sangue, não é mesmo?

Porque ele era brutal, e ainda era tão gentil.

Por isso também havia doçuras. Ainda que misturadas ao sal da lágrima.

E ao calor do coração.

Ele envolveu as pernas em volta da cintura, atando-se à Lee para não se perder no limiar daquele ardor retomado. O sentia empurrar de volta, forte, contra si, e no atrito selvagem deixou escapar o gemido entalado ao fundo da garganta.

Suas unhas afiadas percorreram pelas laterais das costas curvas, fazendo dançar o fogo dos sete infernos pelos caminhos enrubescidos em relevo deixados para trás. Mais uma marca.

E então arqueou, sibilando quando os dentes dele fincaram em sua clavícula, em resposta.

Outra cicatriz.

- Mais...

Gaara agarrou em seus ombros como um náufrago à uma tabua de salvação, as bocas moldadas juntas lutando em seu próprio campo de batalha. Boca esta que sempre o provara de sol à sangue e assim sabia que, pela manhã, nenhuma marca seria deixada, a menos que Lee a quisesse lá.

Estendeu a mão em busca do pingente pendurado de seu pescoço – o que ali fazia cócegas em seu peito, o que comprara para ele anos atrás e recheara com sua areia para proteção, a única peça de roupa remanescente naquele corpo suado – e puxou até que entendesse o que ali implorava. O que ali precisava. Até que suas pernas estivessem firmemente afastadas e mal conseguisse raciocinar com tanto prazer.

- Por favor, Lee, mais...

xoxox

Lee podia sentir sua ereção pulsar novamente, viva e agressiva, sedenta por aquele que choramingava abaixo de si e mordeu os lábios. Nunca vira nada tão delicioso em toda sua vida.

O olhar frenético no rosto, tão sexy. Tão necessitado. Ele pedia, praticamente gritava, por mais e pode apostar que o daria. Ah, estava bambeando perigosamente à beira de um penhasco com nada à frente além do abismo.

- Mas não agora.

Os olhos verdes arregalaram brevemente, em reconhecimento da própria frase, e Lee se aproveitou do breve momento para guiar Gaara a se virar sobre a própria barriga. Ele pressionou os lábios abertos contra a nuca exposta, respirando calorosamente sobre o ponto sensível.

Então esticou o braço, capturando a garrafa que jazia esquecida na cabeceira, movimento este que passou despercebido pelo outro até sentir gotas frias escorrendo por suas costas. Lee beliscou a pele antes de arrastar a língua caminho abaixo pela espinha, provando de todas as cores e sabores. O amargor da bebida. O doce da pele. O salgado do suor.

O ouviu ronronar completamente entregue àquelas caricias inesperadas, soltando suspiros e resmungos pelos lábios inchados. Foi então que, num súbito, sua mão direita estalou aberta, espalmando contra a pele carnuda do traseiro, deixando a impressão perfeita dos cinco dedos em vermelho.

Instintivamente, o ruivo arqueou no susto, empinando para trás e se exibindo por completo.

Satisfeito, Lee separou-o com mãos firmes de desejo contido para que pudesse vê-lo por inteiro, aberto e tão pronto para ele. Observou, por um instante a superfície trêmula e rubra à sua frente, mais adiante a cabeça dele pendia e os olhos o acompanharam ao fim de sua trajetória úmida, franzidos, ansiosos, lascivos.

Fodidamente devasso.

- Perfeito.

E tomou o ultimo gole, silenciando quando sua língua girou ao longo das covinhas na base das costas logo antes de deslizar, se perdendo pela fenda macia.

xoxox

O lado direito de seu quadril formigava intensamente. Gaara podia sentir a carne protestando em êxtase contra o peso do tapa que o atingiu tão em cheio. Suas pernas tensionaram à aproximação daqueles lábios de sua parte sensível e, quando o encarou em meio a toda sua íntima exposição, já não controlava o gemido antes mesmo de sequer ser tocado.

Era um maldito exibicionista, o que podia fazer?

E quando veio a sensação, ele se contorceu feito um animal encurralado, não contendo mais o som que escapou grave, quase a ponto de ecoar pelas paredes. Não fossem pelas mãos que o seguravam firmes em seu ângulo, já teria se derretido feito cera quente pela superfície do colchão.

As borboletas voltaram. Gaara as sentia disparar em seu estômago de novo, revoando enlouquecidas, o coração batendo acelerado em seu peito. E ele sabia. E admitia. Era completamente apaixonado por aquele homem. Perigosamente apaixonado. Tudo aquilo era tão arriscado como caminhar sob gelo fino. E ainda assim parecia tão bom. Tão certo.

Ah, Lee...

Ele mal conseguia fazer o ar chegar aos seus pulmões em quantidade o suficiente. Estava tremendo, e completamente cercado por toda a presença masculina acima de si. Totalmente intoxicado. E atordoado. Não queria mais jogos, pelo menos, não esta noite. Tudo o que desejava era deixar o gelo rachar e se afogar naquelas águas geladas.

Fez menção a girar o corpo e Lee não o segurou e nem o deteve, permanecendo erguido, de joelhos, onde estava, quando ele o olhou.

O brilho vermelho e alaranjado da pequena vela refletia nos olhos escuros cheios de luxúria e iluminava cada vinco, cada protuberância definida que demarcava aquele corpo. O calor que emanava entre eles era intenso, quase tangível quando Gaara ergueu os braços trazendo o rosto para próximo de si, escovando os lábios sobre a pele e se deixando respirar daquele hálito de maçã que tornara uva.

Tão bonito... Tão perfeito...

E sentiu as mãos o acariciarem. O rosto enterrando-se em seu pescoço, e um forte inalar sob a pele irritada.

- Você cheira tão bem... - o ouviu dizer, suavemente, enquanto abria caminho passando por sua clavícula em direção ao peito – Por que você cheira tão bem? – circundou um mamilo, arrastando o nariz – Droga, Gaara... Bastaria cruzar com você num corredor e pra me deixar duro feito pedra.

Ele sussurrava, embriagado.

Falava sobre seu aroma, mas o cheiro forte que exalava dele era o que o encurralava por completo. Era um toque que queimava e uma proximidade que lhe fazia brotar todas as insanas emoções pouco conhecidas e, francamente, aterrorizantes, dentro de si.

- Lee, por favor... - Gaara o abraçou, procurando algum atrito que o aliviasse de alguma forma com o movimento de seus quadris - Rápido.

E não soube dizer qual lampejo de sentimento que demonstrou aquele curvar de lábios meio zonzo, seguido de um levantar para fora da cama. Lee retornou, jogando o tubo com o lubrificante em suas mãos, se encostando à cabeceira em seguida.

- Faça para mim.

Gaara arrepiou até o último fio de cabelo naquela ordem.

Inferno, como o maldito o conhecia bem.

Quando do doce viriam, no bruto chegavam. E no selvagem.

Era um romance insensível. Um carinho violento. Do beijo à mordida. Do vinho ao sangue.

E era aquelas mudanças, sabia ele, que os combinava tão bem, pois só em sua ânsia extrema e desenfreada por aquele homem alternava loucamente entre carinhos e arranhões. A força que o impelia a se desfazer ali com um simples olhar era a mesma que o faria implorar para ser fodido forte e sem sentido, como sua própria putinha particular.

Ele passou a língua pelos lábios com o pensamento.

- Diz, Gaara... O que você quer?

xoxox

Sim, é verdade que era fraco com bebidas, mas aquela pequena insinuação não fora o suficiente para deixa-lo um pouco além de tonto. A sensação amortecida era boa, o fazia se sentir flutuando em algum tipo de limbo entre o céu e o inferno enquanto a pele do rosto daquele anjo-demônio corava diante de si, na expressão mais lasciva que já presenciou na vida.

O verde o encarava, translúcido feito espelho quebrado, numa intensidade que podia jurar emanar labaredas de pura instigação. Em silêncio, viu o pé magro ser arrastado até descansar estirado na beirada da cama. A cabeleira vermelha pendeu, inclinada para trás, e Gaara grunhiu ao sentir os próprios dedos molhados movendo-se em torno de sua entrada.

- Eu quero...

Ele inseriu o primeiro, empurrando até a última junta, a voz falhava em meio ao tesão.

Sua própria ereção latejava tanto que teve que esfregar em busca de alívio, o líquido gotejando, escorrendo pelos movimentos de sua mão. Estava tão fora de si e tudo o que fazia era olhar.

- Eu quero...

Os músculos posteriores já estavam completamente erguidos da cama quando o segundo dedo penetrou, o terceiro já sondando, enquanto Gaara gemia. Ele se confundiria facilmente com o branco do lençol amarrotado, se a seda da pele não tivesse sido feita para ser marcada em vermelho.

E não brilhasse, feroz, o verde do olhar.

Lee travou o maxilar, em agonia. Seu anjo rosnava enquanto falava, enterrando os três dedos em seu corpo, as pernas separadas tão distantes quanto conseguia, o membro úmido saltando do colchão enquanto ele próprio se fodia. E gemia. Como se seu corpo precisasse disso.

- ...Lee.

E não havia ali o espaço para o autocontrole.

xoxox

Gaara tremia. Pela quinquagésima vez naquela madrugada, seu corpo respondia, submisso e obediente, todos os estímulos que aquela presença tão próxima o proporcionava. Agradeceu aos céus por já estar deitado porque sentia-se cair, física e literalmente. Tudo naquele homem sugando e tragando tudo aquilo que o deixava são.

Sentiu a própria pele apertar contra seus dedos, em volúpia, ao visualizá-lo escorrer o líquido em torno de si mesmo. As mãos grandes em movimentos pesados de vai e vem em torno da glande enquanto o devorava com o olhar. Ele era impecável, perfeição. O mero pensamento de que alguém tão exorbitante como Lee pudesse amá-lo eram esmagador.

E ele lhe estendeu a mão livre, em um chamado.

xoxox

E não pode evitar de gemer quando Gaara se moveu, cambaleante, para montá-lo, como havia ordenado. Aquele corpo inteiro tão firme, tão delineado, tão próximo, roçando contra o seu enquanto se posicionava. O cheiro de deserto, amor e sexo o possuindo por completo, bloqueando todos os sentidos.

A ponta melada de sua excitação pressionava e esfregava contra o orifício convidativo do ruivo em seu posicionamento. O alcançou firme pelas laterais de seu quadril, enquanto se inclinou para meter.

- Beije-me... Eu quero sua boca em mim enquanto fodo você.

xoxox


Tudo aquilo era demais. Cada palavra e cada toque que provinha dele era o suficiente para torna-lo impotente e enlouquecido. Gaara choramingou em entusiasmo. As línguas se encontravam calorosas, acariciando e tocando enquanto se fazia sentir a pressão do volume em seu inferior. Ele queria mais. Muito mais.

Sentiu seu lábio sendo preso entre os dentes, enquanto a pressão em suas laterais o empurrou contra a ponta inchada. Ele jogou seus braços em torno do pescoço rijo, sua barriga explodindo como se estivesse em chamas, seu corpo, aos poucos sentindo-se completo novamente.

Mesmo a queimação inicial do esticar da pele o inundou em uma onda de prazer intermitente ao ouvir chamar seu nome.

O vapor do hálito chocava-se em seu rosto enquanto ele cedia em suas estruturas. Ainda que o olhar escuro demonstrasse pouca sanidade, Gaara sorriu ao perceber que ele o aguardava guiar e iniciar seus movimentos quando se sentisse confortável. Mesmo que os punhos enfincados em sua cintura fizessem menção à embranquecer com a força que apertavam.

Tão brusco, e ainda amável.

Gaara deslizou lentamente todo aquele tamanho para fora, e voltou novamente, iniciando sua cavalgada.

Incrível. Sentia-se completamente extasiado. Derrubou sua cabeça sobre o ombro à sua frente, o abraçando, perdido na intensidade de o ter tão próximo. Tão íntimo.

Ele grunhiu quando sentiu as mãos enfaixadas cheias, separando seu traseiro e aumentando a força gradativamente em suas descidas.

- Gaara... Eu não aguento mais.

E mesmo ele sabia que já havia se segurado o suficiente.


xoxox

Lee avançou, se mantendo por cima e começando a empurrar forte naquele corpo sensível que gritava prazer. As mãos brancas, desesperadas por um apoio, encontraram segurança na cabeceira de madeira maciça, enquanto a cama batia surda na parede ritmada por seus movimentos.

Pro inferno com os vizinhos à essa altura dos fatos.

Lee o foderia. E o foderia agora.

Enrolou o punho em torno da glande dele, quando a percebeu completamente negligenciada, bombeando ao mesmo tempo de cada impulso fundo de seus quadris. A voz grave se perdia em torno de seu nome como uma melodia bonita. Lee o fez se inclinar para trás através de seus cabelos para encontrar sua boca sedenta, os sons cada vez mais altos de pele nua molhada preenchendo o ambiente.

E inspirou, em aflição.

Não era o bastante. Precisava de mais. Precisava do fogo daqueles olhos de basilisco o querendo queimar. O tentando cortar. Afiados em lâminas como os cacos que eram.

Então o virou de frente, afundando ainda mais. Queimando ainda mais. Masturbando ainda mais.

- Olhe pra mim! - Oh deus, para onde fora todo o controle? - Olhe para mim, Gaara, enquanto eu fodo você!


xoxox

Os movimentos estavam acelerando, e aumentando, e ecoando. Era demais. Meu deus, era demais. Gaara recuou a cabeça, gemendo e empurrando na mão masculina contra seu pau inchado. Ele era tão grande, tão maravilhosamente grande. Sentia o fogo aumentar dentro de si como se fosse possível consumir os dois.

Perdido em sua satisfação, sequer havia percebido que acabara por fechar os olhos até que ele o reivindicou. Então o obedeceu.

O corpo em cima de si derrubava pequenas gotas de suor dourado sobre a superfície pálida de sua barriga, as sobrancelhas grossas vincadas em um vão. Os músculos abdominais tencionavam a cada estocada, e já não sabia se conseguia sentir a pele do lugar onde ele apertava, segurando-o no lugar. Mas não se importou.

Lee o olhava. Ele estava ali. Lindo, suado e pesado.

E não iria a lugar nenhum.

Gaara o agarrou pelos cabelos, prendendo as unhas, trazendo para perto os lábios grossos e ofegantes enquanto empurrava rápido contra aquele volume que o metia duro e fundo. A mão quente descia e subia em toda sua extensão e ele lutava para não se deixar gozar agora mesmo.

Tão fundo. Tão perto.

Ele chocou a mão aberta contra a bochecha bronzeada, e o barulho agudo ressoou alto em sua ardência. Um grunhido animal se seguiu quando desceu as unhas por toda a extensão do peito desnudo, e Lee se enterrou mais forte. Mais fundo. Mais rápido. Febril. Insano.

- SIM! AÍ!

Gaara tremia. E chorava. E arqueava. E gritava.

Cada fibra do seu corpo convulsionando em meio àquela onda de dor mesclada ao prazer, que se aproximava de forma tão drástica e violenta.

Podia sentir tão perto. Tão fundo. Oh, não.

- Lee... Lee... Eu vou...

xoxox

Seu rosto ardia e em seu peito as unhas se cravaram de maneira excruciante. Lee podia sentir a pele sensível escorregando tao fácil, lhe engolindo inteiro, apertando seu pênis cada vez mais. O corpo abaixo tencionou e arqueou e ele insistiu ainda mais naquele ponto. O suor escorrendo pelas suas costas.

- SIM! AÍ!

Ele fincou a boca no branco.

Veio o sangue, veio o vinho. E veio o fogo.

Por tudo que era mais sagrado, homem!

Ele gozou tremendo violentamente. O líquido quente esguichou sob suas mãos e os dedos fecharam-se em suas costas quando transbordou completamente dentro dele.

Os lábios se buscaram, trêmulos, quentes, sem fôlego, em meio à dormência do orgasmo que se fazia presente. A pele ardia, as mãos tremiam, mas o toque era tão delicado. Sem dentes ou serpentes, eles apenas se permitiam, no cansaço, beijar.

E naquele mar tão verde, tão branco, se deixou afundar.

Mas o mar cheirava deserto. E o branco era vermelho. E os olhos de espelho.

A congelar incêndios e derreter icebergs.

Neve e fogo. Dor e poder. Nobre e vagabundo.

E todo o amor do mundo.

- Eu sou tão apaixonado por você...

xoxox

Gaara respirou, enchendo os pulmões de ar em meio à avalanche das emoções, do alívio e da estafa. Ele dizia o amar, e o amaria de volta. E toda sua brutalidade, e toda sua gentileza.

E também aquela beleza.

Porque tudo estaria bem, enquanto ele se dispusesse a clarear suas trevas.

Se aconchegou preguiçosamente naquele abraço macio, como quem deseja deitar, mas não deseja dormir.

Queria que ele o pedisse pra ficar. Por deus, a lua seria testemunha de que bastava apenas uma palavra, uma única palavra para que cometesse a loucura e perecesse ali. Mas sabia em seu íntimo que jamais pediria porque, diferentemente de si, Lee não era egoísta.

Ele nunca seria egoísta.

E, quando a manhã chegasse e a investidura do peso da toga o tornasse Kazekage novamente, daquele sigiloso encontro restaria apenas o pó. Apenas as cicatrizes. E alguns grãos de areia.

Mas ali, somente entre a violência do dente e a carícia do lábio, ele se permitiria entregar por completo. Porque sua vida podia pertencer ao país do vento, mas seu coração há muito havia sido entregue à besta verde de konoha.

Porque, sob o toque ardente das mãos machucadas e peso do corpo imperfeito, os olhos de ébano transmitiam-lhe a maior sinceridade que já vira na vida. Ele tomou, então, os cabelos úmidos entre os dedos, mergulhando o nariz naquele pescoço que cheirava a homem, sangue e suor.

O frio passou. A vela apagou. Mas Gaara não sentia medo.

Hoje não.

Porque aquele corpo era sólido e era real.

E ele não iria a lugar algum.

- Eu amo você, Lee.

E se existissem deuses em qualquer lugar, apenas rogava para que escutassem suas preces. Que o manhã não chegasse. Que o sol não viesse.

Porque de noite tornava-se amante. De dia, farsante.

E, embora a escuridão pudesse esconder muitas coisas, a solidão dela poderia ser vencida por um mínimo facho de luz.

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Feb. 26, 2018, 12:03 a.m. 11 Report Embed 22
The End

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Políbio Manieri Being alive...

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Post!
Lux Noctis Lux Noctis
Vamos por partes, porque uma história como essa merece todo o meu carinho e dedicação para comentar, tal o qual eu sei que você teve ao escrever, huh?! Não tenho como começar, que não com os meus honestos PARABÉNS! Essa é uma daquelas histórias que lemos e ao terminar, sentimos o peso de ter acabado. É perfeita, e não mudaria nada nela. Cada dor do Gaara ao achar que estaria só dali em diante, que tudo havia acabado, que havia sido abandonado e esquecido. A felicidade em explosão ao ver aquele que faz com que seu coração bata tao forte contra a caixa torácica que o prende que chega a adormecer os demais sentidos. Cegando-o para tudo, que não a besta verde de Konoha. <3 As cicatrizes que ambos carregam, sejam em pele, seja em alma, todas contrapostas e sobre a mesa, para que cada qual saiba exatamente onde está pisando naquele relacionamento que dá-se na surdina da noite, na escuridão dos segredos. E mesmo que toda a 'escuridão' os tome nesse romance quase proibido, são a luz um do outro. São fogo e gelo, ambos fazendo queimar no peito alheio o desejo de ser amado. E eles são! Mais uma vez, parabéns. Desde as partes mais sentimentais às partes mais calientes, tudo em perfeita harmonia, ganhando assim um espaço entre as minhas fics preferidas, àquelas as quais recorro em momentos que preciso de uma leitura que sei que não desapontará <3
Dec. 11, 2018, 6:11 p.m.
Ariane Munhoz Ariane Munhoz
Estou aqui, duas semanas após começar a leitura dessa fic, porque eu me obrigava a parar para ler coisas mais leves. Não porque ela seja cansativa, mas a densidade dos diálogos, o peso de cada momento, me fazia querer refletir de tql forma que a apreciei como se aprecia um vinho antigo: lenta e saborosamente. Me peguei completamente envolvida pelos momentos, por cada cicatriz marcada nas peles, nas almas. Me peguei vivendo a culpa, vendo através dos olhos de agaara, vendo através dos olhos de Lee. E não foi o sexo que me prendeu, mas todo o sentimento envolvido na fic que me faz querer te abraçar e agradecer por essa obra de arte existir. Eu demorei sim pra ler, mas não me arrependo, porque le trouxe um nível tão grande de compreensão! E estou feliz. Estou feliz, Mama, porque você me apresentou esse casal maravilhoso e me ensinou COMO gostar deles. Não é um laço abusivo, mas que nasce aos poucos, que foi regado pela culpa e pelo perdão das partes existentes. Obrigada por me permitir uma leitura tão maravilhosa, por ter essa narrativa carregada de metáforas que me engrandecem aos olhos. Obrigada!
May 24, 2018, 5:59 a.m.
Persephone Oleander Persephone Oleander
Caraleo!! OMG!! Nem sei o que dizer depois de ler o lemon mais intenso da minha vida. Preciso confessar algo, nunca vi o anime de Naruto ou o mangá. Mas eu acompanho tudo pelo face e acabei conhecendo a história toda. Foi lá no Facebook que conheci e me apaixonei por LeeGaa, hj sou uma convertida e amo de paixão esse shipp.
May 2, 2018, 2:26 p.m.

  • Políbio Manieri Políbio Manieri
    AY QUE EU TO TOCADA! Desculpa a demora amore, tenho andada afastada (mas nao desisti!)... e to profundamente chocada e grata que voce se permitiu a experiencia de leitura sem ter noçao do contexto que engloba tudo. Que maravilhoso saber que voce gostou tanto assim, eu sou bem loca por esses preciosos, é muito o otp da minha vida e cada pessoa que me chega dizendo que foi convertida é um foguetinho de alegria no meu coraçao! Bom te ver por aqui! obrigado! July 27, 2018, 8:53 p.m.
Tais Gil Tais Gil
eu te amo ok essa fanfic ja ta no meu coração pq quase morri procurando fic de gaara e lee e n tinha nada decente AAAAAok
March 18, 2018, 12:04 p.m.

  • Políbio Manieri Políbio Manieri
    AAAAAA SOCORR MENINA POIS VEM PRA NOSSA CATEDRAL A PRODUÇÃO TA MASSIVA Meu perfil tá quase inteiramente dedicado a isso porque eu acho que perdi o controle da minha vida E NÃO ME ARREPENDO OK AMO VOCÊ TAMBEM March 19, 2018, 8:55 p.m.
May UU May UU
Essa é a primeira GaaLee que eu leio que tenho o grande prazer em dizer: pqp que obra de arte em forma de fanfic. moça vc não escreve, vc faz poesia e eu nem sei oq falar desse Lemon. Está tudo muito perfeito mesmo, eu amo o Gaara e amo o Lee e amo eles dois juntos e sei que pretendo ler mais deles (principalmente se forem escritos por vc).
Feb. 27, 2018, 11:59 a.m.

  • Políbio Manieri Políbio Manieri
    Nossa nossa Menina estou imensamente feliz de poder fazer sua primeira experiencia com esse casal maravilhoso tão bacana assim! É simplesmente o otp da minha vida e eu ganho o dia toda vez que alguém me diz ter adentrado no fandom desse casal equipado com todo o amor do mundo! Obrigada pelo comentário, amada. Eu to me estabelecendo por aqui agora, então desculpa pela demora, ainda to me acostumando direitinho com visitas esporádicas por aqui haha Agradeço de coração todos os elogios e eu vou adorar imensamente te ver por aqui mais vezes <3 March 19, 2018, 8:53 p.m.
Inial Lekim Inial Lekim
O MUNDO TEM QUE LER ESSA BÍBLIA!
Feb. 25, 2018, 8:33 p.m.
Inial Lekim Inial Lekim
Olha essa capa, mano! To apaixonada de novo <3
Feb. 25, 2018, 8:32 p.m.

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